S04#01 - X-FILES START AGAIN Suivre l’histoire

lara-one Lara One

Nossos agentes percebem que a engrenagem cumpriu sua volta e tudo começará de novo. Coordenada zero. Como num movimento repetitivo mostrando que o fim, é o início de outra etapa... não existe um ‘fim da história’. A História não tem fim. O que alteramos no meio da busca, são os caminhos, a direção, o modo como tudo poderia ser. Algumas vezes tornamos isto mais difícil ou mais fácil do que o traçado para nossas vidas. Mas nunca alteramos o destino final. Ele é o objetivo. E é imutável.


Fanfiction Série/ Doramas/Opéras de savon Interdit aux moins de 18 ans.

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S04#01 - X-FILES START AGAIN

INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

72 horas antes

Bacia de Campos – São Paulo, Brasil

Plataforma Petrolífera da Petrobrás – 10:38 P.M. – Hora Local

Chuva. Vento forte. Movimento de homens, vestidos em capas plásticas, correndo por sobre a plataforma.

Lucas, o engenheiro, aproxima-se rapidamente de alguns homens que estão trabalhando. Alexandre sai por uma porta e aproxima-se de Lucas. Os dois conversam aos gritos, pois o barulho do mar é muito alto.

LUCAS: - O que está havendo por aqui?

ALEXANDRE: - Perfuramos, mas não quer subir!

LUCAS: - Então não perfuraram.

ALEXANDRE: - Estou dizendo que perfuramos o lençol, mas o petróleo não sobe!

LUCAS: - (DEBOCHADO) Ah, quer dizer que está ‘congelado’?

ALEXANDRE: - Quero dizer que também nunca vi algo assim! O vento está forte! Há turbulência lá embaixo, essa droga está sacudindo como uma bandeira ao vento!

LUCAS: - Eu não quero desculpas! Comecem a puxar!

ALEXANDRE: - O que acha que meus homens estão fazendo? Já ligamos as máquinas, mas o petróleo não quer subir pros tanques!

LUCAS: - Use o oleoduto!

ALEXANDRE: - Isso é perigoso numa situação assim!

LUCAS: - Use o oleoduto!

ALEXANDRE: - Se não sobe para os tanques, acha que vai sair pelo oleoduto?

LUCAS: - Pois o puxem com um canudinho!

Lucas dá as costas e sai. Alexandre olha pros homens.

ALEXANDRE: - Ouviram essa? Vou dizer pra ele em qual canudinho pode colocar a boca.

Risos.

ALEXANDRE: - Não podem esperar o tempo acalmar? Malditos engenheiros! Tem um enorme poço de petróleo lá embaixo, grande o suficiente pra se afogarem nele!

Tremor. A plataforma começa a balançar. Eles tentam segurar-se como podem.

ALEXANDRE: - Carlos, desça e verifique os tanques!!!

Carlos sai correndo, resvalando, segurando-se pelas estruturas de aço, entrando por uma porta. Eles se entreolham. Alexandre vai atrás de Carlos. Desce algumas escadas de metal. Entra numa sala. Há vários homens trabalhando. O técnico olha para os equipamentos.

TÉCNICO: - Está vindo! Talvez tenha ocorrido uma erosão lá embaixo por causa da perfuração!

ALEXANDRE: - Geólogo desgraçado, ele disse que não haveria problemas!!!

Close dos canos que levam para o armazenamento. Os rebites começam a se desprender, saltando ao longe, como se houvesse pressão demais.

TÉCNICO: - Ah, meu Deus, o que está havendo por aqui?

ALEXANDRE: - Diminua a pressão! Diminua a pressão!!!

O petróleo vem com tanta força que explode os canos, jorrando pela sala e por cima deles.

Close das poças de petróleo no chão. Começam a dividir-se rapidamente em pequenas gotículas. Movimentam-se em direção aos homens.

Fade out.

Gritos.

VINHETA DE ABERTURA: THE TRUTH IS OUT THERE.


BLOCO 1:

FBI – 8:39 A.M.

Mulder aproxima-se da sala dos Arquivos X, a passos largos e furiosos, com os cabelos bem curtos. Skinner e alguns seguranças surgem atrás dele. Mulder, cego de ódio, começa a chutar a porta, tentando arrombá-la. Os seguranças o agarram pelos braços.

SKINNER: - Mulder...

MULDER: - (AOS GRITOS) Você! O único que pode fazer alguma coisa!

SKINNER: - (GRITA) Agente Mulder, eu ordeno que volte pra sua casa! Está afastado das suas funções como agente federal!

MULDER: - (GRITA) Skinner, você é tão sujo como aqueles miseráveis que tiraram meu filho!

SKINNER: - (GRITA) Não entenderia os meus motivos, Mulder! A ordem não foi minha! As coisas começaram a feder por aqui e não posso fazer nada! Eu tentei!

Mulder se desvencilha dos seguranças. Ajeita o paletó. Olha pra Skinner.

MULDER: - Dane-se você e essa corja toda! Eu terei meu distintivo de volta.

Mulder sai. Os seguranças o seguem. Skinner passa a mão na cabeça, tenso.


Apartamento de Scully – 9:44 A.M.

Scully ajeita o apartamento. Cabelos longos amarrados. Coloca objetos quebrados dentro da lixeira da cozinha. Pára. Escora-se no balcão, segurando um vaso quebrado. Olha pro apartamento. Séria, distante, pensativa. Mulder entra, batendo a porta.

MULDER: - Aqueles idiotas!

SCULLY: - (OLHA COM O RABO DOS OLHOS)

MULDER: - Pensam que eu sou o quê para me expurgarem de lá?

SCULLY: - Nada.

MULDER: - Isso mesmo. Pensam que eu sou um nada!

SCULLY: - (SÉRIA/ CABISBAIXA) Você é um nada, Mulder.

Mulder olha pra ela. Scully não olha pra ele.

SCULLY: - (DESANIMADA/ VOZ BAIXA) Quando vai perceber que você é um nada?

MULDER: - (IRRITADO/ GRITA) Ah, você também acha que eu sou um nada? É bom que eu saiba sua opinião a meu respeito!

Scully tem um acesso de raiva subitamente, e derruba tudo de cima da mesa. Mulder fica assustado, com medo, olhando pra ela. Scully vira a mesa no chão, chuta e atira cadeiras. Caminha até a sala, furiosa. Pára na frente dele. Ele olha catatônico pra ela.

SCULLY: - (GRITA/ ENLOUQUECIDA) Você, Mulder! Há mais de um mês eu tento esquecer as coisas que passei, mas você insiste! Você insiste em manter chagas abertas!

MULDER: - ...

SCULLY: - (GRITA) Não consigo dormir direito a noite! São pesadelos e pesadelos, sonhos estranhos... Se você acha que descobriu a verdade, está enganado! Você viu o que não queria acreditar, porque no íntimo, você já sabia! Agora eu? Você se pergunta por mim? Claro que não. Eu não estava preparada pras coisas que surgiram! Não sabe um terço do que passei! Mulder, você não tem pena de mim! Você está sendo egoísta! Minha vida, as coisas que eu tomava por certas e verdadeiras, tudo, tudo mudou do dia pra noite, coisas estranhas aconteceram, vi e senti coisas que não poderia relatar, sob pena de ser internada num sanatório! Quem viu a verdade fui eu! Você só teve a certeza que precisava! Eu perdi um filho, era meu filho também, sabia disso? Sabia que eu tenho direito de sofrer? Ou acha que só você pode sofrer, Fox Mulder?

Ela anda de um lado pra outro. Ele em silêncio.

SCULLY: - (GRITA) Não pode ficar quieto e aguardar o rumo da investigação? Não pode ficar um dia fora daquele lugar maldito?

MULDER: - ...

SCULLY: - (NERVOSA) Tive um sonho estranho, onde você morria.

MULDER: - Sonhos geralmente representam o contrário...

SCULLY: - (GRITA) Cala a boca, Mulder! Pois saiba que você estava morrendo, mas mesmo assim, não desistia daquela maldita sala! Morreu praticamente ali, nos Arquivos X, buscando mais verdades. Mulder, você coleciona verdades! Por que não coleciona figurinhas? Eu sofreria menos!

Scully senta-se no sofá, nervosa. Mulder abaixa a cabeça. Senta-se ao lado dela e coloca a mão sobre a mão de Scully. Ela afasta a mão. Está irritada com ele.

MULDER: - Desculpe.

SCULLY: - ...

MULDER: - ...

SCULLY: - Não dá, Mulder. Eu não posso mais com isso. Você é demais pra minha cabeça! Nós não temos nada em comum mesmo. Eu estou em pedaços, eu me acabo por você. Mulder, já percebeu que eu faço tudo por você?

MULDER: - (INDIGNADO) Ah, e eu não faço nada por você?

SCULLY: - Você faz. Mas há uma séria diferença entre nós dois, Mulder: Eu desisto por você. Você não. Você segue sua maldita obsessão pela verdade e pouco se importa se eu fico correndo atrás de você, como uma cachorrinha! Se fosse eu quem pedisse pra ‘desistir disso tudo, pegar nossas coisas e começar do zero’, você desistiria?

MULDER: - ...

SCULLY: - Tá vendo? Mulder, penso que o que há entre nós não é amor. É vício. Obsessão. E isso não é saudável, porque eu estou me acabando numa jornada que não é minha, só pra agradar você, pra ter você. E você? Você nunca viveria uma vida como eu quero. Mas eu vivo a vida que você quer!

Mulder levanta-se. Anda de um lado para outro, com as mãos na cintura. Scully o observa. Mulder está com uma fisionomia séria, como se apenas houvesse ódio dentro de si.

MULDER: - ... (GRITA) Acha que eu não quero desistir? É isso? Scully, eu quero desistir! Se você se esqueceu, antes de me abduzirem, nós estávamos fugindo pra ter a vida que você queria! Então levaram nosso filho! E agora, eu não vou desistir, porque eu vou achá-lo e só vou conseguir se estiver nos Arquivos X.

SCULLY: - Não percebe? Mulder, isso foi uma retaliação pra que você continuasse ali dentro!

MULDER: - (GRITA) Se fosse, eu estaria ali dentro agora e não aqui, discutindo com você!

SCULLY: - ...

MULDER: - ...

SCULLY: - (SUSPIRA) Algo dentro de mim diz que Deus está cuidando dele.

MULDER: - Ele está vivo, Scully. Eu o vi.

SCULLY: - ... Era um menino ou uma menina?

MULDER: - ... Eu... eu não sei.

SCULLY: - ...

MULDER: - ... Me lembro de cada detalhe, Scully. (FECHA OS OLHOS) Lembro de cada detalhe do que fizeram comigo, com ele e com você. Eu vi, Scully. Acha que ver já não é punição suficiente pra mim? Acha que ficar olhando, sem poder fazer nada, é algo de que vou me esquecer? Que vou superar?

SCULLY: - Você me ouvia enquanto estava em coma?

MULDER: - Ouvi todo o livro que você me leu, Scully. Mas não me lembro de onde estava. Não sei pra onde fui.

SCULLY: - ...

MULDER: - Só lembro que essa aliança era a única força que eu tinha. E que você me trouxe de volta.

SCULLY: - ...

MULDER: - ... E de uma voz que insiste em me dizer: desista, nunca vai encontrá-lo. Não pode encontrá-lo. É o destino que está traçado e não pode alterar o rumo das coisas.

SCULLY: - ...

MULDER: - Mas agora, o cético aqui sou eu. Você pode dar ouvidos à essa voz interior, mas eu não. Eu sou teimoso, obcecado. E não acredito em destino.

SCULLY: - ... Acha que vamos encontrá-lo logo?

MULDER: - ... (VINGATIVO) Nem que tenha de morrer pra isso.

Scully olha pra ele.

SCULLY: - Mulder, precisamos ser fortes... Isto era inevitável. Sei que você não acredita, mas... sinto que se não fosse assim, não haveria esperança. Embora eu preferisse ter a certeza de ver meu filho morto do que não saber onde ele está.

MULDER: - Scully, enquanto se tem esperança, nada é impossível. Nós vamos encontrá-lo. Vivo. Só te peço que não julgue meu comportamento daqui pra frente.

SCULLY: - ... (ELA FECHA OS OLHOS, NERVOSA)

MULDER: - (ÓDIO) Não sou mais aquele homem que você conheceu. Mataram algo dentro de mim. Eu quero vingança, Scully! Eu vou matar, eu vou ferir, eu vou fazer qualquer coisa pra vingar a nossa perda! A única coisa que eu nunca mais farei será chorar.

Scully estranha Mulder e isso a entristece.

SCULLY: - ...

MULDER: - ...

SCULLY: - (SUSPIRA) Mulder, posso ter caído, mas você caiu muito mais do que eu.

MULDER: - (IRRITADO) Se o seu maldito Deus quis vingança por eu ter medo de ter um filho, ele conseguiu, Scully. Mas não pode evitar que eu o procure. Nem que leve o resto da minha vida fazendo isso. Eu não tenho pressa. Buscas são uma constante na minha vida!

SCULLY: - ...

MULDER: - (ÓDIO) E nunca mais fale da Samantha! Ela não é minha irmã. Na verdade, ela é filha daquele homem, porque trabalha pra ele, porque me traiu e traiu você. Espero que ela seja feliz com o filho dela. Já que ela o trocou pelo nosso.

SCULLY: - ...

MULDER: - O que prova que muitas coisas não devem ser mudadas mesmo. Melhor que eu nunca a tivesse encontrado. Hoje eu teria meu filho e teria evitado essa desgraça toda!

SCULLY: - (TENTANDO CONFORTÁ-LO) Se isto é prova, Mulder, por que não se pergunta: Achar nosso filho não vai resultar em desgraça também? Se foi afastado de nós, há um motivo. Tenho medo de que o encontre e depois se questione sobre ele como se questionou sobre sua irmã. Talvez, essa coisa de destino, deva ser cumprida. Deus sabe o que faz. E eu confio Nele.

MULDER: - Está dizendo para esquecermos tudo e fingir que nada aconteceu? (CRUEL) A cética está resignada, aceitando tudo como um fato misterioso e divino?

SCULLY: - ...

MULDER: - (IRÔNICO) Não! (RI) Você? Não era você que queria um filho como uma desesperada? Agora, simplesmente, desiste de encontrá-lo? Que tipo de mãe bastarda é você?

Scully segura sua corrente, olhos enchendo-se de lágrimas. Solta-a. Levanta-se. Fisionomia de resignação. Mulder percebe que a feriu.

MULDER: - (ARREPENDIDO) Scully...

SCULLY: - Não, Mulder.

Scully vai pro quarto e fecha a porta. Mulder fecha os olhos. Abaixa a cabeça, arrependido. Caminha até a porta e vai embora.


FBI – Sala de Reuniões – 10:34 P.M.

Skinner observa as reações. Alguns homens do FBI discutem entre si.

HOMEM DO FBI a: - Despesas desnecessárias. Gente desnecessária. Vejam os relatórios. Estamos pagando para dois agentes federais procurarem homenzinhos verdes? Fantasmas? A Mula Sem Cabeça? Se deram conta da loucura que isso significa? Qual polícia federal no mundo inteiro tem um departamento que investiga fantasmas e marcianos, enquanto há assaltos, tráfico e mortes? E um contingente policial em defasagem!

HOMEM DO FBI b: - Consideramos isso um desperdício de verba pública. Há alguns dias, recebemos um e-mail do Senado, pedindo justificativa sobre o dinheiro que vem para o Bureau. Acha que vou dizer que uma parte vai para um departamento chamado Arquivos X e que lá, temos dois agentes que investigam fenômenos paranormais?

HOMEM DO FBI a: - O lugar do agente Mulder é em outro departamento, não atolado em maluquices. Isso foi uma besteira, um desperdício de tempo e dinheiro. Treinamos esse homem, ele teve um custo e o que fizemos? O desperdiçamos. Assim como a agente... agente o quê mesmo?

SKINNER: - Dana Scully.

HOMEM DO FBI a: - Assim como a agente Scully. Ela é médica, poderia estar ajudando em Quântico, fazendo serviços de papiloscopia, sei lá.

Skinner olha incrédulo pra ele. Balança a cabeça, indignado.

HOMEM DO FBI b: - Acredito que Mulder foi influenciado pelo tipo de trabalho que exerce aqui, portanto, não podemos exonerá-lo. Ou vamos arranjar um belo processo trabalhista! Ele vai alegar que ficou maluco desse jeito por causa das atividades que exercia.

Skinner olha pra cima, sério. Suspira. Fisionomia de quem gostaria de entrar num buraco pra não ouvir tanta besteira. Um homem esmurra a mesa.

HOMEM DO FBI c: - Ele quis os Arquivos X! Se ficou louco, a culpa é dele!

HOMEM DO FBI a: - Mulder, Mulder... Estou farto desse nome. Em 30 anos aqui dentro, eu nunca conheci um agente que causasse tanto transtorno.

VICE-DIRETOR: - Walter, vamos transferir a agente Scully para Quântico. O agente Mulder ficará suspenso até acharmos algum departamento para recolocá-lo. Se é que alguém o quer ainda por aqui. E que seja o mais longe possível de encrencas. Se eu tiver de enfrentar outra comissão de inquérito por causa dele, não me interessará se Mulder é ou não um dos melhores agentes. Ele vai dançar. Compreendeu?

SKINNER: - E quanto as provas que entreguei sobre a existência de uma conspiração, de um governo paralelo? Elas foram obtidas por Mulder e Scully. Se não fossem os Arquivos X...

HOMEM DO FBI c: - Foram obtidas por um maluco que teve os miolos retirados e por uma mulher cega de paixão.

SKINNER: - (INDIGNADO) Estão me dizendo que não vão considerar essas provas? Se querem encerrar os Arquivos X, não tenho nada a ver com isso. Mas não podem ignorar a integridade pessoal, profissional e moral desses agentes!

VICE-DIRETOR: - Não me fale de integridade moral quando eles dividem a mesma cama.

SKINNER: - E isso afeta o trabalho deles aqui?

VICE-DIRETOR: - Meta-se com o que lhe compete, diretor-assistente. Acharia muito desagradável voltar a ser um agente. E não falo de um agente especial. Falo de um agente nível 1.

O vice-diretor retira-se da sala. Skinner levanta-se, irritado. Sai da sala. Caminha pelo corredor. Kersh passa por ele e lhe dá um sorriso de vitória. Skinner devolve um sorriso debochado.


Rua 46 Este, Nova Iorque – 11:38 A.M.

Há sete homens do sindicato, em pé, parados na sala. Fisionomia de preocupação. Silêncio completo. O Canceroso entra na sala. Krycek olha pra ele.

CANCEROSO: - Como podem perceber, não sou um covarde. Não tenho medo de vir até aqui. O que querem comigo?

HOMEM 1: - Começou.

O Canceroso acende um cigarro, nervoso.

HOMEM 2: - Foram espertos, muito mais espertos do que nós. Vieram por baixo.

CANCEROSO: - ...

HOMEM 4: - Plataformas petrolíferas! Quem suspeitaria?

O Canceroso fecha os olhos. O Homem das Unhas Bem Feitas senta-se numa poltrona.

HUBF: - Eu avisei! Eu disse que deveriam ter aceitado a ajuda dos Rebeldes! Agora é tarde demais.

HOMEM 3: - Precisamos da vacina. Mas você sabotou a base, destruiu os clones e os fetos!

HOMEM 2: - Se estamos nesta, foi por sua causa! Agora não há o que possamos fazer! Tem ideia de quantas plataformas petrolíferas existem no mundo?

CANCEROSO: - ...

HOMEM 2: - Há mais de 6.500!

O Homem 2 abre um mapa sobre a mesa.

HOMEM 2: - E são dados não atualizados! Temos aqui: 30 na Califórnia. 14 no Alasca. 340 na América do Sul. 380 no oeste da África. 100 ao norte da África. 400 na Europa. 950 na Ásia. 17 na Austrália. 700 no Oriente Médio. E 4.000 no Golfo do México! Sabe o que isso representa? Catástrofe! Basta pra você?

O Homem das Unhas Bem Feitas fecha os olhos. Balança a cabeça incrédulo.

HUBF: - Estamos mortos! Todos mortos! E isto veio pelas nossas próprias mãos, quando recusamos o acordo de extinção das plataformas petrolíferas pela maldita ganância do dinheiro! Os ecologistas tinham razão. Estamos destruindo o planeta.

HOMEM 7: - Se ao menos tivéssemos a vacina... Atacaríamos essa coisa antes dela entrar no corpo das pessoas.

HOMEM 6: - Não teremos condições de saber em quantos corpos já está se espalhando. Nem teremos controle sobre isso! Eu disse que o método seria a prevenção, não nos adianta em nada, curar o que já está contaminado!

HOMEM 5: - E se pegássemos Mulder de novo?

Krycek aproxima-se.

KRYCEK: - Gostaria de falar.

Todos olham pra ele.

KRYCEK: - Em nome do meu país. Que até agora ficou com a menor participação do maldito acordo internacional entre vocês.

Silêncio completo.

KRYCEK: - Há um meio de obtermos a vacina de imunização.

Krycek aponta para o Canceroso.

KRYCEK: - Ele sabe como. Por isso eu pedi que o chamassem.

O Canceroso traga o cigarro, olhando desconfiado para Krycek.

KRYCEK: - Ele tem a chance nas mãos.

O Homem 2 olha pro Canceroso. O Homem das Unhas Bem feitas, fecha os olhos.

HOMEM 7: - Como assim? O que mais está nos escondendo?

Krycek aproxima-se do Canceroso e olha em seus olhos.

KRYCEK: - Sei que me entregou o feto errado. Está com o filho de Mulder. Você não é idiota. Não subestime a minha inteligência.

Os homens se entreolham. O Canceroso sorri, debochado.

CANCEROSO: - Acha que eu faria uma tolice dessas?

HOMEM 4: - Estamos pedindo uma vida em troca de milhares.

KRYCEK: - Nos entregue a criança.

CANCEROSO: - Eu não sei do que está falando. Mesmo que tivesse a criança, acha que eu a entregaria?

KRYCEK: - Só retiraremos algumas células. Ela sairá intacta.

CANCEROSO: - Intacta? Como Mulder? No início era apenas o cérebro dele que queriam para fabricar uma vacina. Depois, resolveram retirar sêmen para fabricar uma raça de super homens e inseminarem mulheres pelo mundo. Não, senhores, não temos um acordo de confiança aqui.

HOMEM 3: - Há duas saídas pra você: Entregue a criança. Ou tomaremos Mulder. Garanto que nenhum dos dois sairá vivo. Este é o preço da sua traição.

O Canceroso apaga o cigarro.

CANCEROSO: - Estão me ameaçando?

HOMEM 2: - É apenas um aviso.

CANCEROSO: - Como se vocês se preocupassem com o mundo! Querem salvar suas próprias peles!

HOMEM 1: - E como se você se preocupasse com o mundo. Só quer salvar sua descendência.

HOMEM 2: - Tem menos de 6 horas para decidir. Se não entregar a criança, pegaremos Mulder. E ele não vai resistir a uma terceira cirurgia.

CANCEROSO: - Acha que meus cientistas farão o que eu não quero?

HOMEM 3: - Meu país, senhor, tem cientistas também e tecnologia o suficiente pra fazer muito mais do que imagina. A Alemanha não nasceu em um dia e nem se desintegrou como pensam. Mengele já fazia experimentos genéticos com porcos judeus miseráveis e só tenho raiva, neste momento, de saber que um porco judeu desgraçado é a esperança pra esse mundo.

CANCEROSO: - Se levar isto para o lado pessoal, caro ‘Fürer’, posso apresentar a nova versão da Solução Imediata. Uma bomba financeira bem colocada no mercado alemão, intitulada ‘Adolph Hitler, obrigado pelo início, bode expiatório burro. Agradecemos a destruição da Europa, ajoelhe-se e beije os pés do Tio Sam que conseguiu lucrar com a miséria de vocês. Eis a raça ariana no topo do mundo! ‘

O alemão fica quieto. O Canceroso acende outro cigarro.

CANCEROSO: - Seu bando de idiotas. Vocês são todos iguais, estúpidos em espécie. Se os alienígenas começaram a invasão é porque sabem da vacina. Alguém deve tê-los informado. E se sabem da vacina, rezem. Porque devem ter se transmutado em algo muito pior a que não teremos imunidade.

O Canceroso sai da sala. Krycek olha pra eles.

KRYCEK: - Quero vigilância constante. Ele vai nos levar à criança.

HOMEM 4: - E se não levar?

KRYCEK: - (DEBOCHADO) Perguntem à Inglaterra. Ela parece saber mais do que pensamos. A ‘rainha-mãe’ está muito calada.

O Homem das Unhas Bem Feitas olha pra eles. Fisionomia de quem pouco se importa.


BLOCO 2:

Apartamento de Mulder - 4:12 P.M.

Mulder abre a porta. Skinner está parado ali.

SKINNER: - Precisamos conversar.

MULDER: - Entra.

Skinner entra. Mulder fecha a porta. Skinner senta-se no sofá. Mulder cruza os braços e o observa.

SKINNER: - Como vou dar a notícia aos dois?

MULDER: - Estamos fora, é isso?

SKINNER: - Transferiram Scully para Quântico.

Mulder fecha os olhos.

SKINNER: - E vão deixar você de molho, até conseguirem algum diretor-assistente mais burro do que eu pra aceitá-lo em algum departamento.

Mulder senta-se na poltrona. Olhar ao longe. Skinner olha pra ele.

SKINNER: - Lembra-se das vezes que você me chamou de covarde? Das quantas vezes que recriminou meu silêncio ali dentro? Se você levasse um alienígena pela mão até o FBI, nem assim aceitariam as provas, Mulder. Eu tentei te avisar, mas você insiste. Não vai provar nada, Mulder. Nunca vai provar nada. Só pra você mesmo.

Mulder sorri, cansado. Desanimado.

MULDER: - Usaram o quê desta vez?

SKINNER: - Alegaram que não podem levar em consideração a palavra de um homem com miolos alterados e de uma mulher apaixonada por ele.

MULDER: - ...

SKINNER: - Não há conspiração alguma. Eu, você e a Scully estamos sofrendo de ‘Paranoia do Final de Século’.

MULDER: - ...

SKINNER: - Vou voltar a ser agente, se não me comportar.

Mulder olha pra ele.

MULDER: - Skinner, esqueça tudo. Fique quieto, mantenha seu emprego. Não me importo. Pouco me importam os Arquivos X. Com ou sem eles, eu só tenho uma intenção. Encontrar o meu filho. Se vou poder usar o FBI para isto ou não, pouco importa. Eu só quero pegar o meu filho e dar o fora daqui.

SKINNER: - ...

MULDER: - Há muito tempo eu queria expor o Canceroso e a ‘turminha’ dele. Vingar a morte de Bill Mulder, a tristeza da minha mãe, a abdução da minha irmã... Agora isso passou. Está tudo enterrado.

SKINNER: - ...

MULDER: - Ninguém era inocente, Skinner. Todos tiveram o que mereciam. Eu também. Os únicos inocentes dessa história foram a Scully, a irmã dela e o nosso filho. O resto, teve o que merecia.

SKINNER: - Mulder...

MULDER: - Ele está com o meu filho, Skinner. Eu sei disso. Eu sinto o cheiro da fumaça dele por todos os cantos. A sombra dele me persegue como um algoz. Ele só me deixou uma coisa: culpa. Culpa por ter sobrevivido. Porque ele matou em meu nome, ele mentiu em meu nome. Pessoas inocentes pagaram com suas vidas pra que eu estivesse sentado aqui, agora, respirando!

SKINNER: - Mulder, não pode se culpar pelas atitudes dele.

Mulder levanta-se.

MULDER: - E o pior disso tudo é que eu sou igual à ele. Muito igual.

Skinner olha pra Mulder. Não o reconhece.

MULDER: - Tão igual que se ele entrar por aquela porta, vou pensar que estou na frente de um espelho.

SKINNER: - ...

MULDER: - Tão igual que se ele me pedir pra trabalhar com ele, eu vou.

SKINNER: - (INCRÉDULO) Mulder, o que está dizendo?

MULDER: - Porque se eu for, terei meu filho de volta, minha mulher de volta e posso dar segurança pra eles! A Scully está magoada comigo, porque eu me tornei um animal asqueroso e vil!

SKINNER: - E acha que se vendendo vai fazer ela voltar pra você?

MULDER: - Não. Mas eu posso mantê-los bem cuidados e seguros.

Skinner levanta-se. Caminha até a porta. Olha pra Mulder.

SKINNER: - Espero que pense bem no que vai fazer, Mulder. O preço é alto demais.

MULDER: - (RINDO) Pra quem? Pra mim? E daí? Acha que me importo comigo? Eu sou um kamikaze!

Skinner sai, fechando a porta atrás de si.


Santa Bárbara – Califórnia

Plataforma Petrolífera da Union Oil Company – 6:44 P.M.

Dois barcos petroleiros estacionados ao lado. Silêncio, nenhuma presença é notada.

Corta para o único operário na plataforma, de capacete e uniforme, que abastece o navio com o suposto petróleo. Close de seu rosto. Ele fecha os olhos. Abre-os. O óleo negro caminha por dentro dos olhos dele.


Apartamento de Scully – 7:18 P.M.

Scully abre a porta. Sorri.

SCULLY: - (SURPRESA) Senhor?

SKINNER: - Posso entrar?

SCULLY: - Claro que sim.

Skinner entra.

SCULLY: - Sente-se. Quer um café?

SKINNER: - Não, Scully.

Skinner senta-se.

SKINNER: - Quero conversar com você.

Scully senta-se de frente pra ele.

SCULLY: - Senhor, quero que saiba que não precisa ficar incomodado. Eu sei o que vai me dizer.

SKINNER: - ...

SCULLY: - Quântico?

SKINNER: - Sim.

SCULLY: - E Mulder?

SKINNER: - Vão transferi-lo. Fecharam os Arquivos X porque vocês dois gastam muito em lápis e viagens. Isso que vocês iam de carro e dormiam no mesmo quarto.

Os dois sorriem. Scully abaixa a cabeça.

SCULLY: - Senhor, eu... Eu estou passando por momentos difíceis, que você sabe muito bem.

SKINNER: - Estive com Mulder. Não o reconheço mais. Posso entender o que está me dizendo.

SCULLY: - E-eu entendo o que Mulder está enfrentando, senhor. Entendo a raiva dele. Temos reações diferentes. Ele se torna o que não é, e eu me torno o que sou realmente.

SKINNER: - ...

SCULLY: - Nós tivemos uma discussão e eu disse que odiava aquela sala. Então parei para refletir algumas coisas. Estive enganada quanto aos Arquivos X. Eu sei que tenho uma carreira médica, mas não quero exercê-la em pesquisas tradicionais ou em hospitais. Eu quero usar a minha profissão, o meu talento, para desvendar enigmas. Para fazer justiça, senhor. Buscar provas. Atestar o que Mulder precisa, mesmo que ninguém acredite em nós. Um dia, alguém vai dar ouvidos.

SKINNER: - ...

SCULLY: - Para provar as coisas que ainda não entendemos. Para descobrir o que não conhecemos. Senhor, eu não quero Quântico. Meu lugar é nos Arquivos X. Se eles se foram, eu também fui com eles.

SKINNER: - Tem certeza, Scully?

SCULLY: - Tenho. E isto é decisão minha, independe de Mulder.

SKINNER: - ... Estou preocupado com ele, Scully. Mulder está se entregando. Caiu no jogo deles. E isto é contra a natureza dele, qualquer um que o conheça, pode saber que Mulder caminha para a destruição.

SCULLY: - ... Vou falar com ele, senhor. Apesar de que Mulder não quer me ouvir.

SKINNER: - Scully, isso pode ser algum efeito do que fizeram com o cérebro dele?

SCULLY: - Não, senhor. É psicológico. E algo me diz que vai além disso.


Apartamento de Mulder – 10:59 P.M.

Mulder esmurra a parede com raiva. Scully abaixa a cabeça.

MULDER: - (GRITA/ ÓDIO) Eu não vou passar o resto da vida em outra busca!

Scully olha pra ele.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - (GRITA/ ATORDOADO) Não!

SCULLY: - (GRITA COM RAIVA) O que vai fazer? Vai se matar? Matar aquele homem? Me matar? Vai negociar o quê com ele desta vez? Eu ou você? Mulder, isto será sempre a mesma coisa, não há voltas. É como um pesadelo sem fim, uma tortura eterna. Sabe que estamos fadados a morrer naquele porão. Se não foi pela Samantha, será por nosso filho! Se não fosse por nosso filho, seria por qualquer coisa! Você acharia pretextos eternos pra viver ali!

MULDER: - (IRRITADO) Pretextos? Chama o nosso filho de pretexto?
SCULLY: - (IRRITADA) Não vou discutir com você, Mulder, porque ainda não se recuperou do trauma que sofreu e não está raciocinando direito, está fora de si! Você não consegue distinguir nada, apenas critica e faz aquilo que criticou! Mulder, você odeia seu pai, por que age como ele? Mulder, se quer justiça, por que busca a vingança? Se não aceita os métodos que seu pai seguiu pra te salvar, por que faz o mesmo pra salvar seu filho? Não percebe, Mulder? Não percebe que você está em crise? Fora do seu juízo? Cego de ódio? Está redundante por completo, isso é conseqüência da sua doença! Está doente, Mulder! Doente por dentro, doente em espírito!

MULDER: - ...

SCULLY: - Chega, Mulder! Chega! Eu estou cansada! Quero encontrar meu filho, mas não será colocando nossas vidas em risco que vamos conseguir isto. Acabou, entende? Se acabou, vamos começar de novo. De outro jeito. Mas da maneira certa.

MULDER: - ... Sai daqui.

Ela olha pra ele, incrédula.

MULDER: - (GRITA) Sai daqui!

Ela enche os olhos de lágrimas.

MULDER: - ...

SCULLY: - ...

MULDER: - ... Se ficar, será como minha amiga. Porque como mulher, acabou. Acabou tudo entre nós dois.

SCULLY: - ...

MULDER: - Eu não posso mais olhar pra você. Eu não posso mais tocar em você sem medo de que tudo comece de novo. Vai embora. Eu não preciso de uma mulher. Eu preciso de uma amiga.

SCULLY: - ... (DERRUBANDO LÁGRIMAS COM RAIVA) Não, Mulder. Você precisa é de você mesmo. Da sua solidão eterna. Das suas buscas, dos Arquivos X. Da sua loucura. Porque eu não o conheço mais.

MULDER: - ...

SCULLY: - ... Na verdade, eu achei que o conhecia. E acreditava que havia em você uma necessidade de se transformar, de sair da casca, de mudar sua vida. Me desculpe, eu me enganei. A culpa é minha, Mulder. Minha razão falhou, deixei meu coração falar pelo meu cérebro. E pra variar, a cética aqui, estava errada.

MULDER: - ...

SCULLY: - Vou seguir minha vida e tentar consertar o que resta de bom dentro de mim. Tentar ser feliz com os meus restos e aceitar isso. Não vou me destruir. Não que meu filho não o mereça, eu daria a minha vida em troca da dele. Mas não vou me destruir e deixar esses homens felizes com seu objetivo cumprido.

MULDER: - ...

SCULLY: - (DERRUBANDO LÁGRIMAS, ABAIXANDO A CABEÇA E COLOCANDO A MÃO NA TESTA) Eu... Eu acho que foi uma experiência válida. Mas não me peça pra terminar em amizade. Porque a minha amizade não concorda com a sua destruição. E se é tão cego a ponto de pensar que estou aqui falando isso como mulher, está enganado. Estou aqui como amiga. Mas vejo que é impossível haver discernimento disso em sua cabeça. Tudo bem, Mulder. Se é pra recomeçar, que recomecemos do zero. Nunca nos conhecemos.

Mulder parece desatinado. Senta-se. Balança o corpo, nervoso, como se fosse um autista.

SCULLY: - Se quiser, Mulder, vá pro FBI. Eu não tenho mais nada a fazer por lá. Acabou pra mim! Aqui encerro uma fase da minha vida...

Ela olha pra ele. Percebe que ele não fala por mal, é por revolta.

SCULLY: - (ANGUSTIADA) Mulder, deixe tudo, vamos pegar nossas coisas e ir embora. Por mim, Mulder. Me escuta, deixa eu ser o seu cérebro agora, pode ser?

Mulder levanta-se. Sente-se tonto. Segura-se nos móveis. O ódio é a única força que tem. Abre a gaveta da escrivaninha e pega a arma. Guarda-a no bolso do casaco. Scully olha pra ele, incrédula.

MULDER: - Sai daqui. Vá viver sua vida. Eu tenho algo pra fazer. Posso não encontrar o nosso filho. Mas eu vou me vingar. Eu vou me vingar!

Scully fecha os olhos. Mulder abre a porta num solavanco. O Canceroso está ali parado. Os dois olham-se nos olhos. Scully fica tensa. O Canceroso entra. Olha pra ela.

CANCEROSO: - Precisamos ficar a sós.

Scully olha pra Mulder, com medo da reação dele. O Canceroso olha pra Scully.

CANCEROSO: - Por favor, Dana.

Scully passa por eles. Olha pra Mulder, naquela troca de olhares que só eles entendem. Mulder olha pro Canceroso, com ódio.

Scully sai do apartamento. Fica parada no corredor. Vê Mulder fechar a porta numa batida. Scully anda de um lado para o outro, passando as mãos pelos cabelos, angustiada.


11:27 P.M.

O Canceroso sai. Fica parado no corredor, com as mãos no bolso, sem encarar Scully. Scully entra apressada no apartamento. Vê Mulder olhando pela janela. Fisionomia distante. Scully aproxima-se dele. O abraça por trás. Mulder solta-se dela. Olha-a nos olhos.

MULDER: - Vá com ele.

SCULLY: - ???

MULDER: - Estará segura. Vá com ele.

Scully olha pro Canceroso parado na porta. Olha pra Mulder.

SCULLY: - Não vou questionar o porquê disso, Mulder. Seus olhos já me dizem. Vou porque sou sua amiga, porque confio em você. Porque me pede. Não por confiar nele.

Scully sai do apartamento.


Arquivos X – 1:45 A.M.

Geral da sala escura, focalizando a entrada. Percebe-se uma luz aproximando-se por debaixo da porta. Barulho na maçaneta, como se estivesse sendo arrombada. Foco apenas nas pernas: Alguém entra, lentamente, segurando uma lanterna. Aproxima-se dos arquivos.

Sobe o foco para a gaveta. A pessoa abre uma das gavetas e procura algo com a lanterna, em silêncio. Usa luvas pretas, tem mãos pequenas. Retira uma pasta. Close do nome na pasta: Fox Mulder. Ela desliga a lanterna e sai da sala, fechando a porta novamente.

Close da porta pelo lado de fora, fechando-se e revelando a placa: Entrada Proibida.

Corta para Scully, saindo do prédio, com uma pasta debaixo do braço, vestida de preto. Os cabelos longos soltos por sobre os ombros. Fisionomia séria. Olha pra todos os lados. Scully coloca a lanterna no bolso, retira as luvas pretas e entra no carro. Há alguém ao lado dela. Ela entrega a pasta.

SCULLY: - Obrigado por me ajudar a entrar aqui. Mas isto não servirá como pretexto para perdão.

CANCEROSO: - Suma com isto. Não é a hora. Vai saber quando usar os dados que tem aí. Cabeças irão rolar. Skinner nunca saberia como usar isto.

O Canceroso devolve a pasta. Scully a coloca no banco de trás.

SCULLY: - ... Odeio você.

CANCEROSO: - Ambos temos muito em comum, Dana Scully. Queremos salvar o mesmo homem.

SCULLY: - ...

CANCEROSO: - Sabe o que fazer com isto.

O Canceroso entrega um tubo de vidro pra ela. Scully o pega. Coloca no bolso.

SCULLY: - Posso entregar isto como prova e deixá-lo morrer, seu velho hipócrita e asqueroso! Quer a cura para o seu câncer, é isso? (REVOLTADA) Pois eu sei o que está passando! Com a diferença de que eu não procurei com as minhas próprias mãos!

CANCEROSO: - Sabe se eu procurei isto? Ou se o fiz pra salvar o meu filho?

SCULLY: - ... E onde está o meu filho?

CANCEROSO: - Longe de encrencas.

SCULLY: - (ÓDIO) Eu quero o meu filho!!!!

CANCEROSO: - ...

SCULLY: - Por que confia em mim para fazer essa vacina? Não teria sido mais fácil se eu estivesse envolvida nisso antes? Eu teria poupado as atrocidades que fizeram ao Mulder!!!

CANCEROSO: - Se querem trabalhar no FBI, Dana Scully, vai ter de fazer isso. Lavo minhas mãos. Estou te dando a chance de começar tudo novamente. Da maneira certa. E de devolver a vida ao Mulder. Sabe que ele precisa do FBI para viver.

SCULLY: - E o meu filho?

CANCEROSO: - Terá o seu filho quando me entregar a vacina. E não tem muito tempo. A invasão começou. Só posso confiar o material genético de Mulder para você, porque sei que tem boas intenções e não o usará em outros propósitos. Encerrada sua atividade, terá seu filho. Pegue Mulder e eu tiro vocês três do país.

O Canceroso acende um cigarro. Scully liga o carro. Olha pra ele com ódio.

CANCEROSO: - Amanhã poderá vir trabalhar. Os Arquivos X serão reabertos.


BLOCO 3:

FBI – Sala de reuniões – 2:36 A.M.

Skinner entra, não disfarçando a cara de quem saiu da cama a poucos minutos. Vários homens do FBI andando de um lado pra outro, fisionomia de tensão. O vice-diretor olha pra Skinner.

VICE-DIRETOR: - Chame os agentes Mulder e Scully de volta.

SKINNER: - ???

VICE-DIRETOR: - Os Arquivos X foram reabertos.

O vice-diretor entrega uma pasta, meio a contragosto, para Skinner. Sai da sala. Skinner olha para os outros.

SKINNER: - O que está acontecendo por aqui?

HOMEM DO FBI a: - Não abasteça seu carro esta noite.

SKINNER: - ???

Skinner abre a pasta e começa a ler os papéis.


Refinaria de Ventura – Santa Bárbara – Califórnia - 4:44 A.M.

Mulder pára o carro na portaria. O vigilante aproxima-se do carro. Mulder mostra seu distintivo. O vigilante o lê.

MULDER: - Agente Mulder, FBI. Preciso falar com o responsável.

VIGILANTE: - (RINDO) Às 5 da manhã?

MULDER: - (IRRITADO) Se eu não posso dormir, ele não pode. Pegue o telefone e chame o cretino aqui porque o FBI não gosta de ficar sentado tomando cafezinho na recepção.

O vigilante cerra os lábios. Abre os portões. Mulder passa. O vigilante pega o telefone. Disca.

VIGILANTE: - Desculpe, senhor, mas o FBI está aqui e está com pressa. Parece ser algo urgente... Um tal de Agente Fox Mulder, muito mal humorado por sinal... Também, com um nome desses...

Corta para Mulder estacionando o carro na frente dos enormes tanques de combustíveis. Há caminhões sendo carregados. Mulder desce, puxando o distintivo e gritando.

MULDER: - FBI, parem o que estão fazendo imediatamente!

Os funcionários se entreolham.

MULDER: - Desliguem as bombas e retirem as mangueiras dos caminhões. Estes tanques estão confiscados pelo governo.

O responsável aproxima-se de Mulder.

ANDREWS: - O que pensa que está fazendo?

Mulder retira um mandado do bolso. Entrega pra ele.

MULDER: - Nenhum caminhão sai daqui. Quero todos afastados do local. O petróleo está contaminado.

ANDREWS: - Dois caminhões já saíram.

Mulder fecha os olhos. Pega o celular. Aperta uma tecla.

MULDER: - ......... Skinner, estamos com problemas. Preciso do pessoal do Centro de Controle de Moléstias. Ninguém deve sair daqui sem ser examinado.

Os homens se entreolham assustados.

MULDER: - Dois caminhões já saíram. Vou atrás deles.

Mulder desliga. Olha pro responsável.

MULDER: - Preciso das planilhas. Quero saber o destino desses caminhões.

ANDREWS: - Estão aqui.

Mulder pega a prancheta com as planilhas. Coloca sobre o carro. O celular toca. Mulder atende.

MULDER: - Mulder.

SCULLY (OFF): - Mulder, sou eu. Estou em Quântico, fazendo o que combinamos.

MULDER: - Como está indo?

SCULLY (OFF): - ... Mulder, temos problemas para isolar a proteína.

Mulder fecha os olhos.

SCULLY (OFF): - Recebi um telefonema de um tal agente Bishop. Disse que a situação foi controlada no resto do mundo. Graças à Deus o ‘petróleo’ ainda não havia sido refinado. Parece que o vírus resiste à refinação e assume a cor, o cheiro e a composição dos derivados petrolíferos, para depois voltar a forma de óleo negro. Nunca vi algo se transmutar dessa maneira.

MULDER: - Sei, Scully. Acaba de sair daqui como ‘gasolina’. Acho que teremos uma alta demanda de serviços mecânicos.

SCULLY (OFF): - O que me preocupa é que estão colocando o ‘petróleo’ em tanques isolados, não sabem o que fazer com ele.

MULDER: - Scully, deixa a situação como está. Preocupe-se com o seu trabalho. Precisa achar a vacina ou nosso filho será entregue aos canalhas.

SCULLY (OFF): - ... Estou nervosa, Mulder. Muito nervosa. Eu tenho medo de que ele não cumpra o acordo. Mas sei que não há escolha. Precisamos negociar com ele. Se não salvarmos nosso filho, pelo menos salvaremos muita gente inocente.

MULDER: - ... Scully, ele vai cumprir.

SCULLY (OFF): - Como pode saber?

MULDER: - Você não sabe o que conversamos. Acredite, ele vai cumprir. Desta vez ele vai cumprir.

SCULLY (OFF): - ... Eu te amo, Mulder.

MULDER: - ...

Mulder desliga. Entra no carro. Os caminhões do Centro de Controle de Moléstias chegam.


6:32 A.M.

Mulder segue um caminhão. Dá sinal de luz para ele parar. O motorista não pára. Mulder ultrapassa e fica lado a lado com o caminhão.

MULDER: - (GRITA) FBI! Encoste!

O caminhoneiro pára no acostamento. Mulder pára à frente do caminhão. Desce do carro, arrumando a gravata. O caminhoneiro desce. É um homem gordo, com uma camiseta da seleção brasileira. Segura as chaves do caminhão, que estão num chaveiro, que é a miniatura de uma bola de futebol. Usa um boné da Shell. Mulder mostra o distintivo.

MULDER: - Agente Mulder. Senhor, esta mercadoria está confiscada por contaminação.

CAMINHONEIRO: - (INCRÉDULO) Gasolina? Gasolina contaminada? Vai dizer que estão adulterando a gasolina de novo? O que esses caras não fazem pra ganhar dinheiro...

MULDER: - Acredite, o que carrega aí não é gasolina.

O caminhoneiro olha sério pra Mulder. Mulder olha pra ele, erguendo as sobrancelhas.

CAMINHONEIRO: - Tem certeza de que é agente federal?

MULDER: - Por que a pergunta?

CAMINHONEIRO: - Não sabia que agentes federais poderiam usar corte de cabelo igual ao do Ronaldinho, aquele jogador de futebol brasileiro... Gosta de futebol?

Mulder finge que não ouviu a piada e vai pra trás do caminhão, resmungando.

MULDER: - Vou comprar uma peruca... Ou uma camisa da seleção brasileira.

Mulder pára. Encosta-se no caminhão, tonto. O caminhoneiro aproxima-se.

Corta para a parte de baixo do tanque do caminhão. Gotículas de cor translúcida caem no asfalto, tomando a cor negra e arrastando-se em direção à eles.

CAMINHONEIRO: - Algum problema?

MULDER: - Ai, minha cabeça...

CAMINHONEIRO: - Tenho aspirinas...

MULDER: - Não... Não adianta.

Mulder pega o celular. Aperta uma tecla.

MULDER: - ... (SENTINDO DOR)... Skinner? ... e-eu... (PÁRA, PENSATIVO) Esquece... Não lembro o que ia dizer.

Mulder desliga. Fecha os olhos. Abre-os, olhando para o chão. Percebe o óleo negro há poucos centímetros do caminhoneiro. Mulder o empurra.

CAMINHONEIRO: - O que foi?

O óleo negro sobe pelos sapatos de Mulder. O caminhoneiro olha assustado.

CAMINHONEIRO: - Mas que diabos...

Mulder sacode o pé, mas o óleo negro entra por baixo da calça dele.

MULDER: - (GRITA) Saia rápido daqui!

O caminhoneiro corre assustado. Mulder pega o celular. Aperta uma tecla.

MULDER: - ...... Skinner, achei o segundo caminhão. Está vazando, preciso de ajuda. Estou na 53, em San Gabriel e...

O tanque racha-se tão rapidamente que não dá tempo de Mulder correr. O óleo negro jorra por cima dele. Mulder cai no chão.

Close dos olhos dele, onde o óleo negro passa por sua retina.


7:46 A.M.

Vários caminhões do Centro de Controle de Moléstias. Homens em roupas especiais, andando pela estrada interditada e pelos campos, com maçaricos nas mãos.

Corta para Mulder, isolado dentro de uma barraca de plástico transparente. Um médico o examina, vestido num traje especial.

MÉDICO: - ... Precisa ficar de quarentena.

MULDER: - Eu não posso ficar de quarentena! Estou bem.

MÉDICO: - Tem litros dessa coisa dentro de você!

MULDER: - Acha que não sei disso?

MÉDICO: - Está morto.

Mulder sai da barraca. Eles ficam em pânico. Mulder coloca a mão sobre a cabeça. Encosta-se na ambulância. Eles nem chegam perto de Mulder, com medo. Mulder começa a gritar e cai no chão se contorcendo.

MÉDICO: - Rápido! Precisamos isolá-lo!

Homens em trajes de descontaminação agarram Mulder e o levam pra dentro da barraca. O colocam numa maca.

MÉDICO: - Vai morrer... Nunca vimos alguém sobreviver a tamanha quantidade.

HOMEM: - Se sobreviver sabe o que sairá de dentro dele. Precisamos matá-lo. Ou vai infectar muita gente.

Mulder coloca as mãos na barriga, se contorcendo de dor. Grita. O óleo negro continua a se dissipar por seu olhos.


Quântico – Virgínia – 12:34 P.M.

Scully sai de uma sala. O Canceroso está no corredor, fumando. Scully está séria, cabelos presos e mal humorada.

SCULLY: - Sei que tem muitos cientistas mais aptos do que eu para esta tarefa, em sua imensa lista das forças armadas.

CANCEROSO: - Quero manter isso longe de militares.

SCULLY: - Estamos progredindo, acredito que em menos de 48 horas a vacina estará pronta. De onde veio tanto equipamento que eu nem conhecia?

CANCEROSO: - ...

SCULLY: - Ah, desculpe. Segredos, não é?

CANCEROSO: - Sei porque me trata assim.

SCULLY: - (ÓDIO) Não, você não sabe. Você não sabe de nada, não sabe um terço das coisas que estou passando e da dor e ódio que carrego comigo! Como pensa que eu deveria tratar um sujeito asqueroso como você? Com um sorriso?

CANCEROSO: - ...

SCULLY: - Seu covarde! Poderia ter nos dito tudo. Tudo, desde o princípio!

CANCEROSO: - Precisava de Mulder para a vacina. Ele não iria colaborar por vontade própria. Ele não confia em mim.

SCULLY: - E tem motivos pra confiar?

CANCEROSO: - ...

SCULLY: - Acha que ele não deduziu que isso salvaria o filho? Acha que ele não o faria pra salvar essa criança?

CANCEROSO: - ... Você retalharia Mulder pra salvar seu filho?

SCULLY: - ...

O Canceroso sorri, incrédulo com as perguntas dela.

CANCEROSO: - O silêncio encerra a resposta. Viu que meus métodos salvaram vocês de uma loucura e de uma dor maior!

SCULLY: - É meu filho? Ou você simplesmente usou um dos meus óvulos para clonar uma célula de Mulder?

CANCEROSO: - Não foi clonagem. Ele tem seu DNA também. Foi um processo de inseminação artificial.

SCULLY: - ... (REVOLTADA/ IRRITADA) Eu não sei se te odeio ou se tenho pena de você! E tenho medo, porque a cada dia, Mulder parece se tornar o que você é.

CANCEROSO: - Não me culpe. Se quer Mulder, tem de aceitar os genes dele. Seu filho os têm também.

SCULLY: - Não falo dos genes dele. Falo do caráter, da bagunça que você causou na cabeça dele. Ainda nem tive a coragem de dizer que...

CANCEROSO: - Ele não ficou estéril.

SCULLY: - Não. Mas se quiser um filho, terá de fazer tratamentos desgastantes e constrangedores pra ele!

CANCEROSO: - ...

SCULLY: - (REVOLTADA) E o que me preocupa, neste momento, não é isso. É a saúde mental dele. Se perceber, verá que Mulder não é mais o mesmo. Está cansado, esgotado, estressado. Não sabe mais pra que lado correr. Conhece seu filho, senhor CGB. Sabe que ele não pára pra descansar. E temo que o corpo não vai resistir. Ele praticamente pulou de uma cama, depois de quase morrer, e arrasta-se por aí, tentando encontrar o filho. Se não devolver essa criança pra nós, eu mesmo vou matar você.

CANCEROSO: - Se fizer isso nunca mais encontrará seu filho.

SCULLY: - Se eu fizer isso é porque você não o entregou. Então, deduzo que não o pretende. E sendo assim, pouco me importa. Não o terei, mas você vai me pagar caro. Vai pagar pelo mal que causou a Mulder e eu.

CANCEROSO: - Mataria por ele, não?

SCULLY: - Sabe que eu o faria.

CANCEROSO: - E sabe que estou morrendo.

SCULLY: - Por que quer.

CANCEROSO: - Não posso confiar em ninguém para aplicar o tratamento.

Scully olha pra ele.

SCULLY: - Se precisar de uma médica, senhor Spender, sabe onde me encontrar. Embora eu não sei porquê deveria fazer isso. Mas minha mãe me ensinou que nunca se deve recusar ajuda ao inimigo. Ele espera pela recusa. Melhor ajudá-lo e surpreendê-lo. Mostrar o quanto ele é baixo e você não. Tapa com luva de pelica!

Scully entra na sala, empurrando a porta com força. O Canceroso dá um sorriso cansado.

Corta para o lado de fora do prédio. O Canceroso entra num carro.

Corta para o carro estacionado do outro lado da rua. Marita o observa.


BLOCO 4:

FBI – Gabinete do diretor- assistente – 8:21 P.M.

Skinner está ao telefone. Olheiras enormes. Mulder entra na sala, usando um boné. Skinner desliga. Olha assustado pra Mulder.

SKINNER: - O que aconteceu com você? Mulder, não deveria...

MULDER: - (RI/ DESATINADO) ...

SKINNER: - ???

MULDER: - (DEBOCHADO) Aquela coisa resolveu entrar no meu corpo sem pedir licença. Já disse que eu não gosto dessas coisas... Aqui não entra nada. Então, eu o vomitei.

Skinner senta-se na cadeira. Abaixa a cabeça. Começa a rir.

MULDER: - Tem gosto de sushi. Acredite. Daqueles sushis de Chinatown, onde você se pergunta como um chinês arrisca culinária japonesa usado sardinhas pescadas no cais de Nova Iorque...

Skinner continua rindo.

MULDER: - Bem, se tivesse gosto de bacalhau, até que eu encarava...

SKINNER: - (RINDO) Mulder! Pára!

Skinner tira os óculos. Seca as lágrimas, de tanto rir.

MULDER: - (SÉRIO) Pelo menos provei por A mais B que o Canceroso está certo. Tenho imunologia ao vírus.

SKINNER: - Então?

MULDER: - Tudo sob controle.

SKINNER: - ... Sente-se, Mulder. Vamos falar sério.

Mulder senta-se. Skinner coloca os óculos.

MULDER: - O que foi?

SKINNER: - (SÉRIO) Tenho me perguntado até que ponto nós servimos para eles? Quando precisam de nós, eles apenas mandam um documento oficial. Quando precisamos da verdade, eles se escondem.

MULDER: - O que quer dizer com isto?

SKINNER: - Que tenho você como meu melhor amigo... E que gostaria de dividir com você a minha decisão de sair do FBI.

MULDER: - ... Skinner, sei que está sentindo-se impotente diante de tanta mentira. Mas eu não desisto. E esperava que o meu amigo também não o fizesse. Porque ele é diretor assistente. E eu, apenas um agente louco. Minha palavra não vale tanto quanto a sua.

SKINNER: - ... Minha palavra também não vale nada, Mulder.

MULDER: - Preciso de você aqui. Mas se quer cair fora deste nosso ‘consórcio’...

SKINNER: - (SORRI) ... (SÉRIO) Mulder, só questiono a minha utilidade aqui dentro.

MULDER: - Se sair, sabe que ficará tudo pior. Não terei um ‘tio’ que me proteja. Acho que esta é sua sina, Skinner.

SKINNER: - Não pude proteger vocês... não pude revelar essa conspiração.

MULDER: - Mas segurou a barra, ali do nosso lado. Skinner, não faça essa tolice. Se sair daqui, se for para outro lugar, será sempre a mesma coisa. Você pode trabalhar em um escritório, longe dessa conspiração, e sempre terá alguém no fundo da sala observando você, pronto pra puxar o tapete. Nem que seja pra roubar sua posição de office-boy, contanto que apague o seu brilho.

SKINNER: - ... (SORRI) Acho que me convenceu, Mulder. Não tenho mais idade pra ser office-boy.

MULDER: - Time unido. Estamos levando chutes nas canelas, faltas e nenhum pênalti porque o juiz é cego. Mas acredite, uma hora, um de nós faz um cruzamento e o outro marca o gol.

SKINNER: - ...

MULDER: - E eu estou me perguntando sobre o silêncio todo por aqui. Ninguém questiona de onde veio a informação, todos saem às pressas... Parece que nada aconteceu.

SKINNER: - (SORRI) Agradeça aos alienígenas o seu emprego. Os burburinhos no último andar começaram.

MULDER: - Eles começaram a acreditar?

SKINNER: - Eles acreditam, Mulder. Acho que estão se perguntando até quando vão alimentar os lobos. Porque os lobos parecem ter falhado.

MULDER: - Ele sabotou tudo, Skinner. Querem o pescoço dele. Não vai sair vivo dessa.

SKINNER: - E a Scully?

MULDER: - Está trancada em Quântico, liderando uma equipe de pesquisadores.

SKINNER: - Ela me disse que não quer sair dos Arquivos X.

MULDER: - Ela disse isso?

SKINNER: - Disse que de agora em diante, sua missão na medicina é esfregar provas na cara deles, buscar o desconhecido e revelá-lo.

MULDER: - (SORRI ANIMADO) Scully está atrás da verdade universal?

SKINNER: - Mulder, tenha um pouco mais de complacência com ela. Eu disse o que ela passou durante o tempo em que esteve ‘fora’.

MULDER: - Eu sei, Skinner, eu sei. Sei que a mulher com quem eu trabalhava não é mais a mesma. Sei que a Scully ficou mais aberta à questões paranormais, desde quando acordei num hospital de medicina holística, cercado de cristais e fazendo cromoterapia.

SKINNER: - Mulder, eu não sei o que farão. Mas se ficarem aqui, repense nas coisas. Acho que está me entendendo.

MULDER: - Não, eu não estou entendendo.

SKINNER: - Trate-a como sua parceira. Não apenas como mulher. Mas como uma profissional.

MULDER: - Eu sempre a tratei como profissional! Desde quando eu desrespeitei as opiniões dela?

SKINNER: - Não falo disso. Falo da sala de vocês. Ela nunca se sentiu ‘em casa’.

Mulder sorri.

MULDER: - (DEBOCHADO) Não vai afetar as despesas?

SKINNER: - Não. E nem a sua importância como profissional. Você criou aquele departamento. Dê chance a ela de ajudá-lo a recriá-lo. Do jeito que as coisas andam, parece que você tem medo de ver o brilho profissional dela, com medo que ofusque o seu. Zere a conta, Mulder. Acho que tudo vai começar de novo.

Mulder levanta-se.

MULDER: - Preciso fazer uma requisição de material.

SKINNER: - Se colocar lápis nesta nota, eu juro que atiro em você.

MULDER: - Vou dar uma saída, preciso comprar uma placa, algumas coisinhas de escritório... Pelo menos, pode acrescentar um porta-lápis na lista?

Skinner balança a cabeça. Mulder caminha até a porta.

SKINNER: - Ah, esqueci de um detalhe.

Mulder vira-se.

SKINNER: - O expediente encerra às seis, agente Mulder. Feriados e finais de semana somente quando o diretor-assistente requisitar. Fui claro?

MULDER: - Claríssimo.

SKINNER: - Portanto, se te pegar por aqui e não em casa, fora do horário de trabalho, terá uma suspensão.

MULDER: - Certíssimo. Hoje pode ser uma exceção?

SKINNER: - Hoje pode. Mas não terá outra.

Mulder sai. Skinner sorri. Recosta-se na cadeira.

Corta para Mulder, na frente da porta da sala dos Arquivos X. Mulder pega a chave do bolso. Olha para o cartaz. O arranca, amassando-o, fazendo uma bola de papel. Abre a porta. Acende as luzes. Atira o cartaz na cesta do lixo.

MULDER: - Cesta!

Mulder olha pra sala. Põe as mãos na cintura.

MULDER: - ... Aquilo ali é do Chuck, pode sair fora... Aquilo é da divisão de sequestro...

Mulder sai da sala. Olha pras estantes e pras caixas espalhadas pelo corredor. Entra na sala de novo.

MULDER: - ... Tem dois banheiros aqui embaixo... acho que apertando um pouquinho, não vai fazer muita diferença num aperto tão grande...


Quântico – Virgínia – 4:34 A.M.

Scully sentada numa cadeira. Olheiras enormes. Observa a ampola em suas mãos. Olha para os ratos brancos nas gaiolas. O cientista olha pra ela. Scully, cansada, olha pra ele.

SCULLY: - Precisa ser testada em um ser humano.

CIENTISTA: - ...

Scully arregaça a manga da blusa.

CIENTISTA: - Não vai fazer isso! E se não funcionar?

SCULLY: - Não temos tempo. Tenho experiência em ser cobaia. Não se preocupe com isso.

Scully pega uma seringa. O cientista retira a seringa da mão dela.

CIENTISTA: - Ajudo você.

O cientista prepara a injeção. Aproxima-se dela. Scully fecha os olhos.


7:23 A.M.

Scully sai de Quântico. Há um carro parado. Ela entra. O Canceroso olha pra ela.

SCULLY: - Nenhuma rejeição. Confesso que não tenho coragem de me expor ao óleo para ver se funciona.

CANCEROSO: - Deixe isto comigo. Tenho alguém que seguirá a pesquisa.

SCULLY: - ... Acabou. Onde está o meu filho?

O Canceroso entrega um bilhete. Scully o pega.

CANCEROSO: - Tem o endereço aí.

O Canceroso entrega um envelope pra ela. Scully desce do carro. Olha pra ele.

SCULLY: - Se não encontrar meu filho, eu volto pra te matar.

CANCEROSO: - Tem duas passagens de avião reservadas em nome do Sr. e Sra. McNichols. A documentação do bebê, passaportes falsos. O número de uma conta na Suíça. A passagem tem destino em aberto. Nunca saberei para onde foram.

SCULLY: - ... Por que o tirou de nós?

CANCEROSO: - Porque iam matá-lo. E vão fazê-lo. Nem que seja pra se vingarem de mim. De você. De Mulder.

SCULLY: - ...

CANCEROSO: - Você acreditou em mim e não tinha motivos para fazê-lo. Você viu a verdade, muito antes que Mulder pudesse vê-la. Eu devia à você. Devia o reparo do erro que cometi... Os métodos que usei podem não parecer os mais corretos. Mas foram para não despertar olhos curiosos... Se com o poder que tenho, não consigo evitar certas desgraças, imagine você e Mulder, que não têm poder algum.

SCULLY: - (OLHA PRA ELE COM PIEDADE) Posso salvar você, se me disser como.

CANCEROSO: - Salve meu filho e sua descendência. E estará salvando a mim mesmo. Esta é a minha salvação... Vá embora. Posso desistir de tudo, porque agora sei que Mulder está em boas mãos. Mãos que também matariam pra salvá-lo. Com a diferença de que são mãos justas, guiadas pela luz. Não pelas trevas... Não tenha piedade de mim. Eu não mereço. Estou pagando o que fiz.

Scully afasta-se do carro dele. O Canceroso parte. Scully aperta o bilhete e o envelope contra o peito. Fecha os olhos, chorando num alívio. Ela respira fundo, olhando para o céu. Caminha em direção ao carro. Um homem de cabelos longos, cabisbaixo, esbarra nela, fazendo o bilhete e o envelope caírem. O homem agacha-se, abrindo o bilhete rapidamente e lendo-o. Ela não percebe. Ele entrega o bilhete e o envelope. Cabisbaixo, pede desculpas e sai. Scully entra no carro e parte.

Corta para o homem entrando num carro, no banco do carona. Krycek tira a peruca.

KRYCEK: - Virgínia. Depressa.

Marita liga o carro. Krycek vira-se pra trás.

KRYCEK: - Ele não vai nos dar a vacina. Precisamos da criança.

Corta para o banco de trás. O Homem das Unhas Bem Feitas está sentado.


Littlle Children’s Home – Orfanato das Irmãs Carmelitas – 9:49 A.M.

Krycek e Marita entram, de mãos dadas. Aproximam-se da freirinha bem velha, atrás de um balcão. A freirinha sorri para eles.

FREIRA: - Sim?

KRYCEK: - Irmã, eu e minha esposa gostaríamos de adotar uma criança.

FREIRA: - Precisam preencher o formulário solicitando a adoção, para enviarmos a assistência social. Estão casados há muito tempo?

KRYCEK: - Há dez anos e não podemos ter filhos.

FREIRA: -... (PIEDADE) Deus sabe das coisas. Talvez ele precise que deem amor a quem foi rejeitado.

MARITA: - Podemos pelo menos ver as crianças?

FREIRA: - Tem alguma preferência por sexo e idade?

MARITA: - Meu marido e eu queremos um menino. Pouco mais de um mês.

FREIRA: - Venham comigo. Verão quantos bebês lindos temos por aqui.

A freirinha os conduz por um corredor. Marita e Krycek se entreolham, nervosos.

FREIRA: - Acho que tenho o menino certo para vocês. Um doce de criança. Pouco chora, dorme como um anjinho. Na verdade, achamos que é um anjinho. Há nele algo tão sublime, todos que se aproximam dele sentem-se bem. É uma criança que Deus tocou com suas próprias mãos.

KRYCEK: - (DEBOCHADO) Acredito nisso.

FREIRA: - Chegou aqui numa cesta, usando um cordão com um crucifixo. Deus sempre deixa um sinal.

KRYCEK: - Realmente, ‘Deus’ pensa em tudo...

Eles chegam na frente do quarto. Entram. Há vários berços.

MARITA: - Onde ele está?

A Freira olha para o berço de Moisés. O casaquinho amarelo está ali. O bebê não.

FREIRA: - Mas... Ele não pode ter sumido...

A freira sai do quarto. Krycek olha pra Marita.

KRYCEK: - Ele se adiantou. Pegou a criança de novo.

MARITA: - Vamos sair daqui antes que Mulder chegue.

KRYCEK: - Desgraçado! Nos passou a perna outra vez!

Os dois saem do quarto. Descem as escadas. Caminham pelo corredor. Mulder e Scully entram na recepção, às pressas. Krycek puxa Marita pela mão e entra por uma porta. Mulder e Scully passam pela porta. A freira desce as escadas. Mulder olha pra ela. Revira os bolsos, mas não acha seu distintivo. Olha pra Scully. Ela sinaliza que está sem o seu também. Mulder desiste.

MULDER: - (RESMUNGA) Nunca costumo esquecer dessa coisa... Estamos procurando um garotinho chamado Moisés. Está com vocês?

FREIRA: -... Sinto muito. Moisés desapareceu.

Scully fecha os olhos. Derruba lágrimas. Abraça-se em Mulder.

MULDER: - (INCRÉDULO) Como assim?

FREIRA: - Se estiverem interessados em outra criança...

MULDER: - (IRRITADO) Não, eu não estou interessado em outra criança!

SCULLY: - Mulder...

Mulder olha pra ela.

SCULLY: - Vamos embora.

MULDER: - Scully...

SCULLY: - Vamos embora, Mulder. Fomos enganados de novo.

MULDER: - Acho que não, Scully. Acho que isso não foi obra dele. Lembre-se que ele nunca está sozinho. Foi uma retaliação! Estão se vingando dele!

SCULLY: - Mulder... (COMEÇA A CHORAR) Vamos sair daqui...

Mulder olha pra freira.

MULDER: - Posso ver o quarto dele?

FREIRA: - Sim.

Scully abaixa a cabeça. Mulder segura a mão dela. Ela fica parada. Mulder entende que ela não quer ir. Sobe as escadas ao lado da freira. Entram no quarto.

FREIRA: - Esse era o berço dele.

Mulder olha para o casaquinho amarelo. O toma nas mãos. Fecha os olhos, derrubando lágrimas. Cheira o casaquinho.

FREIRA: - Um menino lindo, cabelos escuros, olhos bem azuis. Parecia um anjo. Exalava tanta tranqüilidade. O chamávamos de Moisés, mas algumas irmãs diziam que se Cristo voltasse à terra, com certeza seria ele.

Mulder continua derrubando lágrimas.

FREIRA: - Acho que vou chamar a polícia. Nunca tivemos um problema como esse por aqui.

MULDER: - ... Não, senhora... Será perda de tempo...

Mulder sai com o casaquinho nas mãos.

Corta para Mulder e Scully saindo do orfanato abraçados. A freira olha pra eles com piedade. Sobe as escadas. Passa por uma auxiliar.

FREIRA: - Precisamos chamar a polícia. Moisés desapareceu.

A auxiliar põe as mãos no rosto.

Corta para o quarto de porta azul.

Corta para um berço no canto da parede. Há um anjo translúcido sentado ao lado, brincando com um bebê. Close do crucifixo de Scully no pescoço dele. A freira entra no quarto com a auxiliar, que está cabisbaixa, chateada.

FREIRA: - Pra onde foi o casal simpático que estava aqui? A loira e o rapaz moreno?

AUXILIAR: ... Foram embora. E-eu sinto muito.

FREIRA: - Por sua causa Moisés acaba de perder a chance de ter uma família! Era uma casal tão bonito! Seriam ótimos pais pra ele.

AUXILIAR: - Me desculpe, é que eu o coloquei em outro berço para trocar os lençóis. Sei lá. Não é minha tarefa, mas entrei aqui e algo me dizia pra fazer isso.

O anjo afaga a cabeça de Moisés ternamente. Sorri para as duas. Elas não o vêem.

FREIRA: - Puxa, tinha outro casal interessado também... Um bonitão alto e uma ruiva, muito tristinha... E eles nem telefone deixaram... Ah, Moisés, parece que você não tem sorte mesmo... Está predestinado a isso?

AUXILIAR: - Talvez Deus ache melhor que ele não tenha família. De repente iria sofrer maus tratos, perderia os pais muito cedo... quem sabe?

FREIRA: - É. Quem pode questionar as atitudes de Deus? Deus sempre sabe o que faz. A gente nunca sabe o que diz.


Arquivos X – 8:24 A.M.

Mulder desatinado, sentado em sua cadeira. Olha para o vazio. Scully entra na sala, olheiras de quem chorou a noite toda. Mulder olha pra ela. Scully olha pra ele. Mulder tenta animá-la.

MULDER: - Agente Scully? Bem vinda aos Arquivos X. Sou o agente Fox Mulder. Quem você chateou pra vir aqui pra baixo?

SCULLY: - ... O Bureau inteiro.

MULDER: - O que sabe sobre discos voadores?

SCULLY: - Eles existem. Há uma conspiração governamental para encobrir a existência de alienígenas.

Mulder levanta-se. Fica de frente pra ela.

MULDER: - Li sua ficha. Me parece ser uma agente muito competente para estar na sala dos imprestáveis do FBI. Mandaram você pra me espionar?

SCULLY: - Na verdade, devo meu emprego ao líder de uma conspiração. Acho que ele nos quer juntos, embora nem sempre possa evitar todas as desgraças que se atravessam em nosso caminho.

MULDER: - ... Quero que saiba que tenho uma busca.

SCULLY: - Também tenho.

MULDER: - Quero achar meu filho.

SCULLY: - Também quero achar meu filho.

MULDER: - Acredita em paranormalidade?

SCULLY: - Desde que tenha bases sólidas para se obtermos provas concretas e substanciais. Levando em consideração mistérios divinos, que nunca obteremos provas, mas que são muito respeitáveis e aceitos por esta agente aqui.

MULDER: - Acho que vamos nos dar bem, Scully.

SCULLY: - Quem sabe pulamos a parte formal e partimos para um relacionamento amoroso?

MULDER: - Hum, ficou interessada por mim?

SCULLY: - Fiquei. Acho que não suportaria ficar quase 8 anos enrolando meu coração de novo.

MULDER: - Você também é bem interessante. Acho você quente, adorável agente Scully.

Os dois abaixam a cabeça e riem. Scully olha para o lado. Fisionomia de surpresa.

SCULLY: - Não! O que é isso?

MULDER: - Sua escrivaninha. Se vai trabalhar aqui, tem que ter sua mesa.

SCULLY: - (FELIZ) Eu tenho uma escrivaninha?

MULDER: - Tem.

Mulder pega a placa com o nome de Dana Scully que está sobre a mesa. Balança-a na mão.

MULDER: - E tem uma plaquinha com seu nome.

SCULLY: - Hum... Que chique, não? E aquela história de muito aperto...

MULDER: - Me livrei de algumas ‘coisinhas básicas’.

Scully senta-se em sua cadeira. Olha pra escrivaninha. Há um vaso com uma rosa vermelha, um porta-lápis cheio de ursinhos desenhados e materiais de escritório bem a cara dela.

SCULLY: - Uma caneca?

MULDER: - Tem direito a uma caneca. Está no contrato.

SCULLY: - Hum... gavetas? Quer dizer que não preciso mais deixar meus papéis dentro da pasta, atirada por cima de caixas?

MULDER: - Não.

SCULLY: - Hum, o que eu fiz pra ganhar uma escrivaninha?

Mulder aproxima-se dela. Inclina-se e cochicha em seu ouvido, debochado.

MULDER: - Dormiu comigo.

SCULLY: - Uau! Acho que agora eu quero subir de posto por aqui.

MULDER: - Se quiser ser diretora-assistente, eu mato vocês dois.

Scully sorri, levanta-se. Abraça-se nele. Ele se afasta. Ela percebe.

SCULLY: - ...

MULDER: - (TRISTE) Desculpe, Scully... Não estou pronto pra isso.

SCULLY: - ... Eu entendo, Mulder. Mais do que ninguém, eu entendo.

Mulder fica cabisbaixo.

SCULLY: - Eu posso entender. Mas quero que entenda que a amiga está aqui.

Ele sorri, apaixonado.

SCULLY: - E vai continuar aqui. Nem que tenha de voltar a reprimir seus sentimentos, a ficar numa tensão enorme... Afinal, tudo começa de novo, não?

Ele sorri. O telefone toca. Mulder olha pra ela.

MULDER: - Começou a perturbação... Acho que já vi esse filme.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Ei, por que eu não tenho um telefone na minha mesa também?

Mulder olha pra cima.

MULDER: - Eu mereço! Nunca está contente com nada! Ô mulherzinha complicada!

Scully ri. Senta-se em sua cadeira. Mulder atende o telefone. Scully passa a mão sobre a escrivaninha, num sorriso. Mulder desliga. Olha pra ela.

MULDER: - Scully, pegue suas botas de cowboy e vamos pra Idaho.

SCULLY: - O que há em Idaho, Mulder?

MULDER: - Abóboras gigantes que comem pessoas.

Scully abaixa a cabeça. Suspira, erguendo os ombros.

SCULLY: - Abóboras devoradoras de gente... Belo começo, agente Scully. Belo começo... Acho que não terá uma carreira séria por aqui... Mas ele tem uma bunda bonita, é bem dotado, sabe fazer amor muito bem... Compensa o prejuízo...

Mulder olha pra ela, espantado.

MULDER: - (DEBOCHADO) Me pergunto como pode caber tanta sacanagem dentro de uma pessoa tão pequena quanto você!

SCULLY: - (RINDO)

MULDER: - (DEBOCHADO) Que pavor!

Mulder senta-se em sua cadeira.

MULDER: - E comporte-se ou terá acrescentado nessa placa a palavra secretária.

SCULLY: - Se me deixar sentar em seu colo enquanto escrevo suas cartas...

MULDER: - Melhor eu ficar quieto... Se continuar a passar cantadas em mim, agente Dana Scully, eu vou me queixar ao diretor-assistente. Comporte-se. Sou um homem de respeito.

SCULLY: - Sei... Conheço seu tipo. É o popular ‘come quieto’. E não me perturbe, Mulder. Estou lustrando minha escrivaninha. E vou encher uma gaveta só de batom e maquiagem.

MULDER: - Ah! Agora entendi porque queria uma escrivaninha... Aviso: Entupi o banheiro masculino de tralhas que estavam aqui. Vou ter de usar o seu.

SCULLY: - Hum... tem câmeras por lá?


Golfo do México – 10:45 A.M.

Um grupo de ambientalistas está na proa do barco. Olham pra água. Peixes mortos boiando.

AMBIENTALISTA 1: - O que vamos fazer?

AMBIENTALISTA 2: - O que acha que vamos fazer? Processar essas malditas companhias de petróleo!

Close da enorme mancha negra que flutua no oceano, movendo-se lentamente em direção à América Central.


X


20/08/2000


NOTA DA AUTORA:

DIVAGAÇÕES SOBRE UMA 'SMOKING WOMAN'...

Bem gente, sinto dizer, mas acabou meu 'relacionamento' com tio Carter: Depois dos spoilers da oitava temporada... Eu me negarei a sumir com Mulder. Eu não posso escrever sem ele! Sinto, mas daqui ele não sai. Se Mulder sair, eu saio. Já chega a tortura de ficar sem ver meu personagem preferido na TV. Deus, que angústia!!! Me sinto traída, roubada!!! Por isso, pelo meu bem e pelo bem de muitas leitoras, Mulder fica. A mitologia da TV dança totalmente. Estou liberta! Prefiro escolher Mulder a escolher seguir a mitologia. Desculpas pra quem não concorda. Nenhum agente novo que aparecer na série vai estar aqui. Sim, sou radical. Quero Mulder e Scully juntos. Forever.

Talvez o destino da criança aqui não fosse o que vocês queriam. Mas hão de concordar comigo que não há final feliz em Arquivo X. Isso fugiria ao espírito da série. Eu queimei neurônios pra chegar até aqui, segurei as fics com medo da reação de vocês e tudo porque com os spoilers do que virá na série da tv, eu posso imaginar que não terão o que esperam. Verão as datas, não se apavorem. Não imaginam o quanto eu li e reli, tentando imaginar as reações. Não culpem a Weird por ter me dado os spoilers. Foi bom saber. Ela só vai ler isto pouco antes de ir pra página também. Mas prometi o que disse: nenhum mal à criança seria feito aqui. E acho que os motivos ficaram bem claros e coesos. Aqui está a verdade segundo One. Na TV não sei como será. Tenho medo de saber!

Consegui jogar com a minha mitologia e a de Carter. Esta verdade sobre o Fumacinha há muito me deixa intrigada. É possível. Muito possível sim que ele suma com a criança na série da TV. Não vejo coisas boas vindo na oitava temporada.
Agora segue a busca. Muitas águas podem rolar. Garanto que eu não fugirei em alguns aspectos mitológicos que possam aparecer como novidade na série. Mas serão encaixados dentro do que eu falei, com Mulder aqui. Nas fics, que vocês chamam de série virtual, nada mudará.

Obrigado aos leitores pela compreensão e pelo apoio durante a terceira temporada tumultuada. Também sou fã. Foi um jogo de nervos entre a fã e a escritora tentando pensar como Carter e fugindo da tragédia.

6 Août 2019 18:53:52 0 Rapport Incorporer 1
La fin

A propos de l’auteur

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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