Hope Suivre l’histoire

morghanah Morghanah .

A virada do ano é um momento de renovação onde fazemos promessas a nós mesmos e àqueles que amamos, e mesmo que palavra alguma seja dita entre aqueles que se amam isso não quer dizer que amem-se menos ou estejam distantes, muito pelo contrário, pois um olhar verdadeiro vale mais do que mil palavras.


Fanfiction Groupes/Chanteurs Tout public.

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Histoire courte
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Único


 


Takashima Kouyou estava dormindo em sua cama de casal dentro do aposento principal de sua residência de classe abastada num dos bairros residenciais mais caros de toda Tóquio. O jovem e único herdeiro de sua família ressonava esparramado e agarrado ao edredom quentinho e macio a proteger-lhe do frio, enquanto seu fiel escudeiro, o cão da raça Malamute do Alasca cujo nome é Kurogane, fazia o mesmo que seu dono.

Aos poucos e preguiçosamente o animal foi despertando. Ao seu redor via as paredes de cores claras, os móveis escuros e escassos duvido a decoração minimalista, isso porque a grande maioria do action figures dos mais diversos personagens de jogos e animes que Kouyou tinha em casa estavam despostos nas várias prateleiras de seu escritório, assim como em sua sala de jogos onde podia se dar ao luxo de aliar prazer e trabalho. Tudo num mesmo ambiente.

Os olhos ainda embaçados sondavam a sua volta e o cachorro não sabia bem se acordava ou voltava a dormir, no entanto conforme os segundos foram passando sua consciência despertou trazendo consigo a noção de tempo e espaço.

Pôs-se de pé a fim de espreguiçar-se e bocejar, agitou seu corpo e pelos, acabando de vez com o marasmo da sonolência antes de mirar a cama de seu dono à sua direita.

Kurogane gostava de dormir no canto oposto a porta de vidro do local e que dava para uma sacada. Era mais escurinho ali e podia ver todo o aposento de onde estava.

Sorrateiro e silencioso caminhou até a cama procurando uma ponta do edredom encontrando-a facilmente. Esgueirou-se por baixo dela até colocar-se sobre o colchão e ao lado de seu dono, sentindo-o se mover ao mudar de posição, então parou.

Como a criança tranquina e quadrúpede que era, se pudesse Kurogane estaria rindo ou com a mão na boca a segurar o riso frouxo para se controlar e não fazer barulho demais, mas graças a sua natureza canina tal ato era de certo modo fácil.

Quando sentiu seu dono quieto novamente, voltou a se mover e ao encontrar seu norte saiu parcialmente do acolhimento macio e deitou a cabeça no travesseiro do lado esquerdo da cama, encarando seu dono a dormir de boca aberta e babar sobre o próprio travesseiro.

Os olhos caninos de um castanho avermelhado belíssimo e brilhante, esquadrinharam mais uma vez aquele rosto que via todos os dias e amava como jamais amou algo em sua vida. Sua ansiedade e vontade de acordar seu dono só aumentavam conforme estava ali parado olhando para ele e sem aguentar mais, o chamou baixinho vendo Takashima girar em seu próprio eixo dando-lhe as costas.

"Magricela duas pernas folgado", reclamou em pensamento e soltou o ar com certas força pelo nariz, mas de nada adiantou. Irritado e impaciente como toda criança fica quando não recebe a atenção que quer, Kurogane moveu uma de suas patas e a passou de leve nas costas do dono, chamando sua atenção.

"Acorda, pai!", era isso o que ele dizia e nada de seu pai despertar. Até que mais tarde e ainda mais impaciente latiu baixo, porém autoritário o suficiente vendo o homem a sua frente finalmente despertar.

"Preguiçoso", foi isso que Kouyou leu nos olhos de seu amado filho, ainda com os próprios embaçados de sono, antes de lhe abraçar e sorrir.

— Bom dia – disse ele ao canino que aconchegava-se em seus braços e o beijava como podia. — Ainda é cedo, meu filho – riu —, por que me acordou, hum? – indagou de olhos fechados querendo a todo custo voltar a dormir.

Takashima sempre amou o frio do inverno e com seu aquecedor particular e felpudo em seus braços, pra que mais do que isso? Ou querer algo melhor?

Mas de nada adiantou e seu animal queria-o de pé e como o próprio Kouyou sabia, não teria mais como dormir até Kurogane permitir.

O cão ficou de pé na cama sapateando e ganindo baixinho como quem pede e faz manha ao mesmo tempo, ele queria seu pai ao seu lado lhe fazendo companhia e brincando com ele. Ou talvez quisesse ir ao banheiro. Sendo assim e com enorme relutância de sua parte, Kouyou se levantou, pegou seu roupão e o vestiu. Estava muito frio sem essa proteção, vendo seu filho pular da cama em busca de sua inseparável bolinha vermelha pouco antes de se posicionar defronte a porta.

— Vejo que acordou cheio de energia hoje, né? – olhava na direção do animal e o viu afirmar com o olhar. — Eu não vou lá pra fora, Kuro, 'tá muito frio, mas vou te deixar brincar na neve – o fato de mais uma vez soltar o ar com certa força pelo nariz foi sua confirmação.

Assim sendo, desceram juntos às escadas para o primeiro pavimento da casa e Kouyou prontamente abriu a porta de vidro da sala que dava para o largo quintal no qual o cachorro fez a festa correndo para todos os lados, fazendo suas necessidades fisiológicas. Aproveitando a falta de sol e o tempo cinzento que tanto adorava e eram uma característica de sua terra natal.

O Alasca.

Com seu dia já iniciado tão cedo e sem possibilidade alguma de voltar a dormir, Kouyou deu-se por vencido e resolveu trocar a água de seu filho e vasculhar o refrigerador em busca do que comer, sorrindo com certa alegria ansiosa para o lembrete pregado por ele mesmo na porta.

Encontro com os meninos hoje noite aqui em casa

Suspirou aliviado antes de continuar sua tarefa. Tirou algumas coisas de lá e foi preparar seu desjejum matinal. A tarefa demorou alguns minutos e logo estava sentado à mesa degustado de sua comida, ao passo que seu filho vinha em sua direção sedento e faminto. Ergueu-se da cadeira e serviu a ração do animal, vendo-o beber água como se nunca a tivesse visto na vida e riu dele pouco antes de afagar seu pelo branco e preto – como se fosse um colete – ao despejar a tigela com ração.

— Bom apetite – desejou ao vê-lo atacar seu prato e comer com gosto.

Tinha trocado a ração dele havia alguns dias e esta parecia melhor do que a antiga, Kouyou pensou ao voltar a comer em silêncio.

Após comer olhou a hora no relógio da cozinha e percebeu que faltava pouco para a equipe de limpeza chegar, então seguiu para seu quarto onde trocou de roupa e depois no banheiro lavou o rosto e escovou os dentes. Já seu animal estava esparramando no tapete felpudo da sala entregue ao cansaço e sono.

— Nada disso, seu pilantrinha! Vai ter que ficar acordado comigo! – ordenou ao se colocar ao lado dele e o apertar, balançar e encher o saco como adorava fazer, sobre protestos e latidos divertidos e contentes.

Desde que o ganhou e passou por momentos difíceis em sua vida ao lado dele, Kouyou soube que aquele cachorro era sua vida, seu coração, sua alma e sem ele não viveria.

Da mesma forma como o próprio Kurogane também o via.

Nessa brincadeira a porta da frente foi aberta e a equipe de limpeza composta por três moças e um rapaz, entraram. O quarteto se espantou ao ver o dono da casa lá e desculparam-se pensando se tinham errado o dia ou o horário, no entanto Kouyou os acalmou e explicou a situação: tirara o dia de folga para emendar com o feriadão dos três primeiros dias do ano.

Cientes dessa informação cada qual se ateve a sua tarefa na casa enquanto o dono da moradia estava em seu escritório adiantando algum trabalho que tinha a fazer e seu filho dormia abaixo da mesa. Nesse meio tempo Takashima lembrou-se do avento da noite e se sentiu inseguro, então saiu em busca da ajuda de Kaede, a responsável pela equipe.

— Kaede-san, posso falar com você? – indagou ao chegar à cozinha e encontrá-la lá.

— Claro – respondeu ao retirar as luvas de borracha das mãos —, em que posso servi-lo, senhor?

— É que pretendo dar um jantar aqui em casa hoje para comemorar a passagem do ano e não sei se a decoração está adequada – coçou a nuca e sorriu timidamente.

Nunca tinha feito isso sozinho na vida.

A mulher olhou a sua volta vendo as luzes de natal em alguns locais da sala, sabia das que havia do lado de fora, da arvore de natal na sala de jogos no canto adjacente a onde ficava o aparelho de TV de tamanho exagerado. O ambiente estava simples e acolhedor a seu modo como o próprio dono era, ela então lhe disse.

— Desculpe a intromissão mas serão quantas pessoas e qual tipo de jantar quer dar?

— Eu e mais três. Eu não tinha pensado muito sobre, mas iremos comemorar a virada do ano juntos. Pensei nas bebidas e comida simples que encomendei para hoje.

— Certo, o senhor gostaria que fizéssemos algo a mais, chamemos uma equipe para preparar algum prato diferente, doce, salgado ou organizar a casa de acordo com o tema? – estava séria e profissional como era de seu feitio.

— Não, o máximo seria colocar mais luzes ou mover alguns móveis do lugar, mas como somos poucos não creio que seja necessário.

Ela anuiu.

— Todos os convidados são como o senhor – a afirmação verbal o fez afirmar e consertar o óculos na ponte do nariz. — Então não vejo muito o que ser feito em termos de decoração, mas posso ver com o senhor sobre o que foi pedido e auxiliar em algum detalhe que deixou passar.

— Muito obrigado, Kaede-san – agradeceu de verdade e foi em busca da lista do que tinha pedido regressando pouco depois e com ela revisou tudo, e retoques foram dados tanto na casa quanto no cardápio da noite.

Por ser uma pessoa mais reclusa e em praticamente todas as festas que deu em sua vida seus pais estavam ao seu lado e sua mãe era uma ótima organizadora e anfitriã, Takashima nunca se preocupou com os detalhes até o dia de hoje quando ao trabalhar pensou em pedir ajuda. Ele não queria pensar de propósito devido a uma presença mais do que querida por sua pessoa em sua casa, a qual tinha nome e sobrenome.

Matsumoto Takanori.

O homem que com seus cabelos escuros de pontas mais claras na altura dos ombros, olhos profundos e de uma beleza ímpar, mãos de dedos femininos e delicados que com lápis nas mãos desenham maravilhas, mente aguçada e rápida linha de raciocínio a qual poucos são capazes de acompanhar, voz grave e risada escandalosa – e um pouco estranha algumas vezes –; dono de uma personalidade forte por detrás de toda sua edução nipônica, além de muitas outras nuances de sua personalidade que gostaria de conhecer mais a fundo, mas por enquanto teria que se conter e se focar na festa dessa noite.

Kaede olhou todos os itens da lista e pensou nos móveis e luzes da casa, para ela estava tudo bem e não haveria problema com nada, entretanto devido a ansiedade do dono da moradia as coisas não deveriam ser tão simples assim e talvez a ocasião tivesse um significado a mais para ele, dessa maneira pensou em algumas alternativas e chamou sua equipe para darem inicio ao que tinha em mente. A líder de equipe ligou para a central e pediu algumas coisas e em menos de uma hora todos os materiais chegaram. Ela e sua equipe começaram a montar a decoração enquanto Kouyou foi buscar as encomendas para que todas fossem arrumadas e dispostas em bandejas.

Ao chegar em casa com todas as compras ele também se prontificou a ajudar no que pudesse e assim o fez ao lado de uma jovem que estava encarregada de arrumar as bandejas, já o rapaz da equipe estava colocando as luzes na sala de jogos que seria o local onde todos ficariam.

Algumas horas depois tudo estava pronto e o dono da casa desejou um feliz ano novo a todos e ficou encarregado de cortar as frutas como lhe foi ensinado por Yumi, a jovem que o ajudou na cozinha. Kouyou então voltou ao que fazia mais cedo e tentou se concentrar em sua tarefa, mas por estar ansioso foi brincar com Kurogane do lado de fora de casa. No entanto seu filho sentia sua ansiedade e parecia no mesmo estado.

— Você também quer ver o Ruki, filho? – a pergunta feita ao se abaixar para pegar a bola da boca do animal ao qual respondeu com um latido alto e um abanar de rabo foi sua confirmação. — Eu estou tão ansioso, Kuro – confidenciou ao abraçá-lo. — Me ajuda, o que eu faço pra ficar calmo, hum?

Kurogane soltou o ar com força pelo nariz como se espirasse e se soltou do abraço indo para a parte interna de casa em busca de sua coleira. Em seus olhos havia a ordem: me leve para passear!

Takashima riu abertamente e sim, pôs a guia nele e o levou ao parque onde correram e brincaram por horas a fio sem perceberem a passagem do tempo. Kurogane era admirado e elogiado pelas pessoas, crianças queriam tocar nele e algumas moças cobiçavam seu belo dono de cabelos negros compridos, óculos escuros, vestes estilosas de frio e um rosto bonito que quando sorria deixava as damas ainda mais embasbacadas.

E alguns rapazes também, vale salientar.

Ao chegarem em casa estavam mortos de fome e com muito frio, a temperatura estava caindo e a noite prometia ser bastante fria e com neve, o que para Kouyou seria ainda mais perfeito. Ele esquentou sua comida e depois de dar água a seu filho foi almoçar, em seguida e como passava da quatro da tarde se sentou no sofá para descansar um pouco antes de ir cortar as frutas para a noite, pois fariam parte dos aperitivos.

Takashima acordou no susto com o barulho da campainha tocando e o latido alto de Kurogane que também parecia tão ou mais atordoado que ele no meio daquele escuro que era sua sala de jogos. Chamou seu cão e afagou seus pelos.

— Calma, Kuro, 'tá tudo bem – se colocou de pé e foi em direção a tela na qual ficava a campainha e o sistema de segurança da casa, abrindo a chamada de vídeo vendo na tela de LCD de dez polegadas o rosto de Takanori, e pelo modo como estava agasalhado deveria fazer um frio cortante do lado de fora. — Puta merda, é o Ruki, filho! – o cachorro ganiu e latiu quando ouviu o nome a começou a sapatear querendo ir para o lado de fora ver se amigo. — Já é tão tarde assim?! – ele então mudou o foco da tela para olhar ao redor da porta de entrada e ver se havia mais alguém como o rapaz, mas ao não ver nada destrancou a porta e ouviu um obrigado dito por ele.

Dono e cachorro estavam ansiosos e prontamente Kouyou abriu a porta da frente de casa vendo Kurogane correr em direção a Takanori e quase pular em seu colo o fazendo recuar alguns passos para não cair sentado no chão. Sua gargalhada alta e divertida conforme era cumprimentado por seu eufórico e carinhoso amigo canino trouxe certa calmaria e plenitude ao coração do anfitrião que ele sequer imaginou que pudesse existir, assim como da parte do convidado foi semelhante.

Assim que estavam perto o suficiente deram boa noite um ao outro e Matsumoto encarou o dono da casa com notória diversão ao ver o rosto inchado de sono, os olhos ainda mais miúdos e os cabelos bem desgrenhados de quem dormiu tido torto e se mexeu muito.

— Perdão, Uruha, acho que vim cedo demais – comentou com um pequeno sorriso enquanto era empurrado para dentro de casa por Kurogane que correu para dentro a fim de pegar sua bola e lhe dar.

Ele queria brincar com o amigo por estar com saudades dele.

— Não, que isso, eu quem dormi no sofá e perdi a hora – bocejou e o sorrido de Takanori se alargou —, porque um certo mequetrefezinho me fez madrugar, né? – olhou o filho que abaixou as orelhas, culpado. — Vem, entra. Tá frio demais aqui fora.

Deu passagem e ele assim o fez vendo a casa bem arrumada com enfeites delicados e quando as luzes novas foram ligadas tudo ficou ainda melhor e mais romântico(?). Matsumoto abanou a cabeça em negativo e prestou atenção ao amigo que estava vestido com certa simplicidade com uma de suas camisas com algum personagem de jogo estampado – dessa vez era o Scorpion de Mortal Kombat – ainda assim bem bonito. Diferente de si mesmo que usava uma camisa vinho de lã com mangas compridas a ponto de cobrir parte de seus dedos e seu pescoço devido a gola alta, escondendo mais duas outras por baixo dessa, uma calça de pano grosso devido ao frio, um sobretudo pesado e quente, sapatos de cano alto, um gorro na cabeça também feito de lã e seus óculos de grau de armação escura e ponte fixa, tudo preto. E por fim os cabelos bem alinhados e soltos a emoldurar o rosto cuja beleza natural não trazia toque algum de maquiagem.

Estava sendo ele mesmo ali, aberto a tudo e todos, mostrando-se como e quem realmente era.

Enquanto isso, o próprio Takashima que havia reparado em todos os traços do amigo por quem estava apaixonado, olhou a hora. Ainda era relativamente cedo, mas faltava pouco para os outros chegarem e ainda tinha que cortar as frutas e se arrumar.

Na sala principal da casa – que era a de jogos – disse a Takanori que tinha algumas coisas para fazer e o deixou à vontade enquanto terminava sua tarefa, mas o rapaz não quis ficar lá ou brincar com Kurogane que exigia sua atenção para estar ao lado do dono da casa.

Matsumoto foi até a cozinha e esgaçou as mangas da camisa que usava, dizendo.

— Em que posso ajudar? – Takashima olhou em sua direção com a faca nas mãos e sorriu.

— Não precisa Ruki, eu dou conta.

— Mas eu quero ajudar – pediu novamente após afirmar com a cabeça, derrotando-o facilmente.

Kouyou queria ficar perto dele e a recíproca não era diferente.

— Ok, então me ajuda com isso aqui – mostrou umas frutas e o viu sorrir ao não ver morangos. — Sim, sem morangos para atrapalhar – a gargalhada de Takanori foi bem alta.

“Até nisso ele teve cuidado”, Matsumoto pensou ao olhar nos olhos do amigo e ver ali algo além do que esperava ver e isso o fez relembrar de certa vez quando no carro com ele e um quase beijo que rolou. Suas bochechas ficaram vermelhas e abanou a cabeça em negativo para apagar a imagem dos dois numa situação mais íntima de sua mente e seguiram em sua tarefa.

Como o cabelo comprido de Kouyou toda hora o atrapalhava e ele o colocava para trás usando um movimento de cabeça ou o dorso das mãos, Takanori se colocou ao lado dele e o chamou. Este virou-se em sua direção e o viu pegar o elástico que trazia no próprio pulso e ficando quase nas pontas dos pés juntou todo o seu cabelo e o amarrou fazendo um rabo de cavalo na parte detrás de sua cabeça. Os rostos estavam bastante próximos um do outro e por sentirem-se muito sem jeito devido ao contato simples porém íntimo a seu modo, riram e sem dizerem nada um para o outro embora tivessem feito com os olhos – estava com saudades de você e estou feliz em te ter aqui comigo nesse dia –, voltaram às suas tarefas pensando se deveriam ou não ter aproveitado a oportunidade para avançar um pouco mais. Ao passo que Kurogane resmungava a seu modo e os chamava de lerdos em pensamento.

“Já vi que serei eu a juntar esses dois. Pai, você é muito lerdo! AH!”, reclamava consigo mesmo ao morder a bola deitado no chão da entrada da cozinha.

Ambos riam dos pedidos de Kurogane ao perder a bola quando ele mesmo soltava ela e do assunto bobo que começaram a conversar: falavam de um livro que Takanori estava lendo e se irritando com o protagonista. Um que Kouyou leu também e por saber o final ria bastante ao imaginar o ódio que o outro sentiria ao ler o desfecho final.

— Se aquele sacana morrer, eu mato ele, Uruha, na boa! – falava indignado com uma faca de cortar carne nas mãos, gesticulando. — Você leu o livro todo? – ele anuiu. — Então me fala, ele morre?

— Assim… – coçou a nuca e riu da cara de raiva feita por Takanori.

— Eu não acredito! Aquele puto de merda vai morrer! – ele girava a faça no ar como se fosse cortar alguém. — Eu mato ele!

Takashima gargalhava ao ver aquele ser de pouca estatura, mas muita atitude e personalidade segurando a faça com tamanha raiva que até ele sentiu um pouco de medo, um bem fajuto, mas sentiu.

— Fica assim não, Ruki, você vai gostar do final.

— Ah, tá, vou amar a hora que eu esfolar ele vivo, ah, se vou! – apontou em sua direção com a faca.

— Ok… – nisso a campainha tocou mais uma vez. — Só um minuto, Ruki – pediu ao ir checar quem estava vindo e ao ver na tela também se surpreendeu de certa forma.

Eram Akira e Yutaka a sua porta.

Abriu-a prontamente com um sorriso radiante em seus lábios e diferentemente da primeira vez em que Tanabe viu Kurogane, dessa ele pode o abraçar e brincar com o canino que parecia ter se apaixonado por sua pessoa assim que o viu.

Yutaka quase o pegou no colo e abraçou o animal com enorme carinho sob o olhar atento de Akira, que tinha trazido consigo toda uma gama de antialérgicos potentes para o caso de qualquer mínima reação. E por mais sério que estivesse também brincou com o cachorro, embora consigo ele fosse mais moderado e menos aberto.

— Oi, Uruha, seu filho 'tá bem animado hoje, né? – a voz risonha de Yutaka foi respondida com um latido alto e que dizia um sim berrante levando todos às gargalhadas.

— Kai, Reita, entrem e sintam-se à vontade. A casa é de vocês – disse ao abrir caminho e pegar o casado de ambos que estavam tão bem vestidos quanto Matsumoto.

O casal acompanhou o dono da casa até a cozinha encontrando o amigo lá com uma faca nas mãos.

— Socorro, o chibi tá armado, salve-se quem puder! – Suzuki caçoou dele e recebeu um olhar enfezado.

— Babaca! – respondeu e seu olhar logo foi desfeito graças à gargalhada escandalosa de Tanabe que ninguém no mundo resiste.

— Por que você está com uma faca nas mãos? – Suzuki perguntou.

— Ah, isso é culpa minha – Takashima disse —, eu tinha que ter feito umas coisas, mas dormi e acabou que quando o Ruki chegou eu estava no início e ele se ofereceu para me ajudar.

O casal anuiu e disse ao mesmo tempo, entreolhando-se ao final da sentença.

— Precisa de mais uma mãozinha? – os amigos riram da sincronia do casal que sorriu um para o outro, mas após uma singela negativa do dono da casa acabaram apenas fazendo companhia e bebendo um pouco de vinho enquanto conversavam.

Os minutos se seguiram de modo agradável com todos, inclusive Kurogane, participava ativamente da conversa. Os assuntos eram diversos desde livros, séries de TV, animes e o favorito de Kouyou: games. Algo que rendeu um desafio mais tarde nesta mesma noite entre ele próprio e Akira.

Ao servir as frutas, salgados e alguns doces aos convidados, Kouyou os deixou jogando e foi tomar seu banho o fazendo perder os olhares sugestivos que o casal dava ao amigo de óculos que a seu modo mostrava certa felicidade distinta. A dupla nada disse permanecendo calados e torcendo internamente para que o sentimento fosse recíproco. O que de fato era.

De banho tomado e usando algo similar ao que Matsumoto trajava, além de perfumado, Takashima desceu as escadas e escutou as gargalhadas de seus convidados e o latido alto de Kurogane e ao chegar à sala de jogos encontrou Akira de pé bailando com seu cachorro que parecia contente demais e o brilho divertido em seus olhos deixava claro que estava adorando toda aquela atenção.

Como se sentisse a presença do dono da casa, Takanori olhou para trás e o viu, sorrindo em sua direção quase o fazendo o dono da casa perder o ar.

Sim, estava apaixonado e depois desse sorriso não iria desistir dele tão facilmente como quando recebeu o não em seu veículo.

Sentaram-se lado a lado para observar o que se passava e de certa forma apenas isso já os confortava de forma ímpar. Não se fazia necessário beijos ardentes, mãos em todos os locais ou falta de roupa que resultaria em sexo, mas ali um ao lado do outro fazendo companhia a outrem era tudo de que careciam e almejavam naquela noite.

Mas obviamente que houveram toques sutis de um carinho tremendo.

As horas foram passando e chegou o momento da virada do ano. Todos se agasalharam bastante e foram para o lado de fora ver os fogos. Quando o show começou Kurogane começou a latir e ficar nervoso, odiava as flores de fogo porque faziam seus ouvidos doerem.

Takashima se abaixou de imediato enquanto os amigos se cumprimentavam e abraçou seu filho dizendo baixinho que o amava e que não era para ter medo que ele estava lá para o proteger, recebendo um beijo carinhoso em troca. Matsumoto também se abaixou e afagou o pelo do animal enquanto o casal estava de mãos dadas a olhar para o céu e a si próprio de relance, fazendo assim suas próprias promessas mudas que certamente cumpririam. Ao passo que os outros dois olhavam um para o outro e enquanto acalmavam o amigo tocaram um contato que depois virou um aperto de mão e um olhar tão íntimo e despido que muitos casais jamais trocaram, desejando felicidade a outra parte e dizendo o quão bom foi lhe conhecer, que gostaria de estar ao seu lado no ano que se iniciava e que com calma e paciência por parte de Takashima, Matsumoto seria seu quando se sentisse forte, inteiro e preparado para tal. Não antes.

Nunca pela metade.

De pé trocaram um abraço que foi o selamento do pacto mudo entre dois homens complicados, com passados nebulosos, mágoas, brigas, dores, perdas, desilusões e nunca foram do tipo que falavam o que pensavam, no entanto era doces, calmos, fortes, íntegros, amorosos e dispostos a se doar do fundo do coração àqueles que amam de verdade e por eles são amados. Tudo sob a premissa esperançosa de que juntos, assim como no momento estão de mãos dadas, irão se ajudar no futuro e tornar o dois num só.




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N/A: Espero que tenham gostado desta singela história de amor e nos veremos em 2019, desejo a todos uma excelente noite, uma virada de ano agradável e que o novo ano traga muita coisa boa para todos.

Beijos e até mais 

1 Janvier 2019 00:08:30 0 Rapport Incorporer 0
La fin

A propos de l’auteur

Morghanah . Escritora faz algum tempo que migrou de outras plataformas para mostrar meu trabalho. Sou uma pessoa dedicada a historias mais densas com personagens tirados de uma mente conturbada por diversos conflitos internos e levemente insana, um detalhe importante que me fez iniciar a minha longa jornada na arte da escrita e, caso aprecie isso, seja bem vindo ao meu mundo.

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