lara-one Lara One

Mulder encontra finalmente sua irmã. E agora que encontrou o que buscava, o que restará? Mulder terá de fazer uma escolha entre fugir com a irmã ou ficar com Scully.


Fanfiction Série/ Doramas/Opéras de savon Interdit aux moins de 18 ans.

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02#02 - RUNAWAY - PARTE II


INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Fade in.

[Som: Mark Snow – Trust no One]

Rua 46 Este – Nova Iorque - 3:03 P.M.

Diana Fowley atira uma pasta sobre a mesa. O Canceroso olha pra pasta, com expectativa. O Caçador de Recompensas está ali.

DIANA: - Alguns marinheiros viram a mulher saindo do cais acompanhada desse homem.

Diana atira a pasta sobre a mesa. O Canceroso acende um cigarro. Abre a pasta. Olha a foto de Bill Scully. Fica curioso, com um sorriso nos lábios.

CANCEROSO: - Um dos nossos? Trabalha na Marinha de Guerra?

DIANA: - Não é um dos nossos. Pra falar a verdade, não poderia haver pessoa pior para encontrá-la.

O Canceroso fecha o sorriso.

CANCEROSO: - O que está me dizendo, agente Fowley?

DIANA: - O homem que a levou chama-se Bill... Bill Scully.

O Canceroso abre a boca, ficando completamente pasmo. Começa a ficar nervoso.

DIANA: - Deu entrada com ela no hospital de Tampa, mas ela fugiu. Testemunhas viram um oficial num carro, com uma mulher ao lado, vestindo roupas de hospital, dirigindo-se para Washington.

CANCEROSO: - ... (TRAGA O CIGARRO, TREMENDO)

DIANA: - Ele mora em San Diego. Há homens vigiando a casa. Apenas a mulher e o filho estão lá.

CANCEROSO: - Deixe-os lá. Se esse Bill causar problemas, nós temos como resolvê-los.

DIANA: - Acredito que tenha pedido a ajuda da irmã. Ele não sabia o que estava fazendo. Li a ficha dele, é um retardado patriota. E se pediu ajuda à Scully, já relaciono com o motivo do Mulder ter saído do hotel sem me avisar.

CANCEROSO: - Essa mulher novamente... Intrometendo-se onde não deve.

DIANA: - Seu alvo está na casa da mãe dela. Coloquei as escutas no celular de Mulder. Já temos a localização.

O Canceroso sorri.

CANCEROSO: - Faça o que combinamos.

Diana sai às pressas. O Canceroso olha pro Caçador.

CANCEROSO: - Não quero problemas. Entendeu? Apenas faça o que eu disse.

CAÇADOR: - Por que não o mata de uma vez?

CANCEROSO: - Precisamos dele. Sabe disso. Mulder tem uma crença e não queremos que se transforme numa cruzada.

O Canceroso dá uma tragada profunda.

CANCEROSO: - Um de meus homens observará tudo, dentro da nave.

CAÇADOR: - Acha que o mataremos?

CANCEROSO: - Podem querer entregar um substituto para seus amiguinhos. Mas não haverá negociação. Não tenho culpa se ela escapou. Isso é problema deles. Mulder é problema meu.

O Caçador sai depressa da sala. O Canceroso senta-se, levando a mão à testa.

CANCEROSO: - O inferno está instalado...

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ LÁ FORA


BLOCO 1 :

Residência de Margaret Scully – 3:17 A.M.

Mulder caminha a passos lentos até Samantha. Scully derruba lágrimas, emocionada. Escora-se na porta da cozinha, olhando pra Mulder e Samantha.

MULDER: - (CHORANDO/ INCRÉDULO) Não... não pode ser você...

Mulder senta-se na mesa de centro e olha pra Samantha, ainda incrédulo. Chorando, toma as mãos delas nas suas mãos e as beija. Samantha, chorando, olha nos olhos dele. Aperta as mãos dele. Olham-se nos olhos. Mulder dá um sorriso, entre as lágrimas.

MULDER: - (CANTANDO) Brilha, brilha estrelinha... Brilha, brilha sem parar... Essa noite ao meu apelo...

SAMANTHA: - Meu pe...dido vai me dar...

Scully vai chorando pra cozinha. Mulder abraça Samantha. Ela abraça-se nele, como uma criança, desesperada, chorando. Mulder a beija na testa, falando entre lágrimas.

MULDER: - (EMOCIONADO) É você! Samantha é você! Meu Deus, é você!

SAMANTHA: - (INCRÉDULA) Fox?

MULDER: - Sim, sou eu.

Samantha passa as mãos pelo rosto dele. Chora. Os dois encostam suas testas. Mulder segura o rosto dela, fecha os olhos.

MULDER: - E-eu... eu nem tenho palavras pra dizer à você... Sonhei tanto com isso que... (CHORA) Eu não... consigo falar.

Os dois abraçam-se e choram juntos.


3:31 A.M.

Mulder olha pra Samantha. Levanta-se. Samantha levanta-se. Os dois, em pé, um de frente para o outro. Mulder nota as cicatrizes no braço dela. Afasta os cabelos dela do rosto e percebe outras cicatrizes. Mulder se emociona mais.

MULDER: - O que fizeram com você? (OLHANDO PRA ELA) ... Malditos, malditos desgraçados!

Samantha abaixa a cabeça. Mulder a abraça.

SAMANTHA: - Te... tenho medo.

MULDER: - Eu estou aqui e dessa vez, terão de me matar primeiro.

Scully entra na sala. Bill atrás dela. Bill aproxima-se de Samantha.

BILL: - Te desejo boa-sorte. Espero que... seja o que foi que te aconteceu... que você possa se esquecer disso... Se precisar de mim, ainda sou seu amigo.

SAMANTHA: - (SORRI) Bill...

BILL: - Eu preciso ir pra minha casa. Minha mulher e filho estão me esperando.

Bill sai cabisbaixo até a porta. Samantha, chorando, acompanha-o com os olhos. Mulder olha pra Bill.

MULDER: - (HUMILDE) Bill.

Bill toca na maçaneta. Para. Vira-se pra Mulder. Mulder caminha até ele.

MULDER: - (EMOCIONADO) ... Obrigado por... devolver a minha irmã.

BILL: - (TENTANDO ANIMÁ-LO) ... Ah, Lunático!... Você... Você devolveu a minha. Acho que estamos quites.

Mulder o abraça. Bill retribui o abraço, mas com cautela. O abraço é rápido. Os dois se afastam, constrangidos. Bill abre a porta e sai. Scully olha ternamente pra eles. Margaret espia da cozinha. Entra na sala.

MULDER: - Preciso tirá-la daqui. A essas alturas já devem ter descoberto que está comigo.

SCULLY: - ...

MULDER: - Você conhece aquele homem... Não é seguro ficar aqui, Scully. Estou colocando a vida de sua família em risco.

SCULLY: - ...

MULDER: - Agora é por mim, Scully. Minha busca chegou ao fim. Arquivo X de Samantha Mulder encerrado.

Scully fica angustiada, mas tenta disfarçar.

SCULLY: - Mulder, e onde pensa que pode escondê-la?

MULDER: - Deve haver algum lugar no mundo.

SCULLY: - (NERVOSA) Mulder, pra onde vai? O que está pensando em fazer?

Mulder puxa a arma e a engatilha.

MULDER: - Vou pegar minhas coisas. Quero que leve a Samantha até os Pistoleiros. Encontro vocês lá. Me dê meia hora.

Scully olha assustada pra Mulder. Mulder aproxima-se de Samantha.

MULDER: - Preciso sair. A Scully ficará com você.

SAMANTHA: - (CHORANDO) Não!

MULDER: - Samantha, eu voltarei. Vou levar você pra bem longe deles. (OLHA NOS OLHOS DELA) Eu te prometo, Samantha. Eles não vão levá-la de novo. Porque agora, eu não sou mais uma criança.

Mulder olha pra Scully.

MULDER: - Vá com a Scully. Ela é a única pessoa em quem confio. Confio até mesmo a minha vida nas mãos dela.

Mulder sai às pressas. Scully olha pra Margaret, chorando. Margaret olha pra ela com piedade.


Apartamento de Mulder – 3:59 A.M.

Mulder entra às pressas. Acende as luzes. Vai até o quarto, tira uma mala do armário, põe sobre a cama, e soca as roupas dentro dela. Abre as gavetas. Pega o picador de gelo, que Skinner lhe entregara. Coloca no bolso. Pega dois cartuchos de balas. Verifica sua arma. Vai até o banheiro e pega alguns pertences. Joga na mala. Fecha-a. Vai pra sala, carregando a mala. Olha pro apartamento. Apaga as luzes e bate a porta.


4:11 A.M.

[Som: Mark Snow – Trust no One]

O Caçador está com o carro estacionado na frente do prédio de Mulder. Mulder sai do prédio. Caminha até o carro. Abre o bagageiro. Coloca a mala. Fecha-o. Observa todos os lados. Entra no carro e sai.

Corta para o Caçador. Ele coloca os dedos indicadores, um em cada têmpora. Fecha os olhos.


4:16 A.M.

[Som: Mark Snow – Trust no One]

Mulder dirige o carro. Ele olha pra frente, distraído, pensando longe. Dobra numa rua deserta e escura. De repente, o carro começa a falhar. O rádio perde a sintonia. O carro para. Mulder se assusta.

Luzes aparecem repentinamente na frente do carro.

Mulder, assustado, desce, com a arma em punho. Olha pra cima. Há uma nave pairada sobre seu carro. Mulder coloca a mão sobre os olhos. Tenta olhar para o objeto, mas a luz é intensa demais. Mulder tenta ir para o carro, mas seu corpo fica estático e começa a flutuar em direção à nave.

MULDER: - Nããooo!!!


Corta para Mulder, deitado numa espécie de mesa, com estranhos desenhos em suas bordas. É uma sala branca. Mulder abre os olhos. O corpo não reage. Está assustado e uma força o impede de movimentar-se. Ele não consegue virar a cabeça para ver o que há em volta, mas percebe alguma presença. Seis seres acinzentados aproximam-se. Mulder consegue erguer a cabeça. Olha pra frente e vê o Canceroso, observando tudo, ao lado de alguns homens fardados. Mulder olha pra cima. Um aparelho, em forma de broca, desce do alto, por sobre sua cabeça. Mulder começa a gritar. Um dos seres segura sua cabeça, transformando-se de grey, no Caçador de Recompensas.

MULDER: - (DESESPERADO) Nããooo!!!!


Pistoleiros Solitários – 5:07 A.M.

Scully caminha de um lado para outro. Olha pra Samantha. Olha pro relógio de pulso. Os três observam Samantha, que está sentada num canto, com curiosidade.

FROHIKE: - Impressionante.

BYERS: - Também acho. Como pôde passar por tudo isso e sobreviver?

FROHIKE: - Não estou falando disso. Impressionante é que o Mulder tenha uma irmã tão bonita. Ainda bem que não se parece com ele.

Samantha sorri, timidamente.

LANGLY: - Ela pode falar alguma coisa?

SCULLY: - (TENSA, OLHANDO PELA JANELA) Ela ainda fala com dificuldades.

BYERS: - Gostaria de saber as coisas que viu...

SCULLY: - Terão tempo pra isso. (SUSPIRA) Onde está o Mulder? Disse que levaria meia hora!

FROHIKE: - Ele deve estar chegando.

SCULLY: - ... Estou com um pressentimento ruim... Não estou gostando nada disso.

Scully vai até Samantha.

SCULLY: - Preciso que fique aqui. Acho que seu irmão está encrencado. Eles são amigos, cuidarão de você.

FROHIKE: - Scully, não é melhor esperar pelo Mulder?

SCULLY: - Não. Vou até o apartamento dele.

Scully puxa a arma. Entrega pra Byers.

SCULLY: - Fiquem com isso. Se alguém tentar tocar nela, atirem, não importa quem seja.

Scully sai batendo a porta. Os três olham pra arma, assustados.


Apartamento de Mulder – 5:31 A.M.

Scully entra. Acende as luzes. Procura Mulder pela sala. Vai para o quarto.

Mulder está deitado, ainda vestido. A mala está sobre a cama, ao lado dele. Scully olha incrédula. Senta-se na cama.

SCULLY: - Mulder!

MULDER: - ...

SCULLY: - (TOCANDO NELE) Mulder!

Mulder dá um pulo, abrindo os olhos.

MULDER: - (TENTANDO SE LOCALIZAR NO TEMPO E ESPAÇO) O que aconteceu?

SCULLY: - (IRRITADA) Eu é que te pergunto o que aconteceu! Marcamos um horário e você foi dormir! Mulder, eu não entendo!

MULDER: - (AINDA DESLOCADO) Eu... Eu... Scully, me lembro de ter entrado aqui e de ter feito a mala e...

Scully põe a mão na testa dele.

MULDER: - Ai, minha cabeça tá doendo...

SCULLY: - Mulder, acho que deveria ir pra um hospital.

MULDER: - ... Eu saí daqui, Scully. Não sei explicar como, mas... entrei no meu carro. Estava indo pra lá e... Não lembro de mais nada.

SCULLY: - Mulder, talvez tenha sofrido um ataque e desmaiou. Está passando por emoções fortes demais. Talvez tenha sonhado.

MULDER: - Scully, que horas são?

SCULLY: - Cinco e trinta e dois.

Mulder pula da cama. Olha pra seu relógio de pulso.

MULDER: - Meu relógio parou às quatro e dezesseis...

Mulder começa a tirar a camisa, desesperado.

SCULLY: - Mulder o que está havendo com você? O que está fazendo?

MULDER: - Scully, preciso que me examine!

SCULLY: - Por que eu o examinaria agora, Mulder?

MULDER: - Scully, não discuta, apenas faça!

Scully levanta-se. Aproxima-se dele.

MULDER: - Olhe minha nuca.

Scully passa a mão, examinando.

SCULLY: - Não tem nada aqui, Mulder! Onde quer chegar com isso?

MULDER: - (PÂNICO) Scully, eu fui abduzido!

SCULLY: - O quê???

MULDER: - Sofri um lapso de tempo, Scully! Claro, por isso não me lembro de nada. Mas tenho certeza de que saí daqui!

SCULLY: - Mulder, está me dizendo que os alienígenas deram uma ‘voltinha’ com você e depois o deixaram em seu apartamento?

MULDER: - Não banque a irônica, Scully. Ou vou revelar seu segredinho sujo!

Scully examina as costas dele.

MULDER: - Scully, olhe minhas orelhas. Atrás das orelhas.

SCULLY: - Não tem nada aqui, Mulder.

MULDER: - Meu nariz.

SCULLY: - Também não, Mulder...

MULDER: - Meus braços, eles adoram pôr implantes nos braços...

SCULLY: - (IRRITADA) Mulder, por favor! Está tendo alucinações e é completamente normal, está sob tensão demais! Encontrou sua irmã.

Mulder tira as calças, começa a examinar as pernas. Scully ergue as mãos pra cima.

SCULLY: - Paranoia, Mulder. Não se esqueça de mencionar essa palavra ao Dr. Heitz Werber!


Departamento de Defesa – 5:56 A.M.

O Canceroso escuta a conversa entre Mulder e Scully no apartamento, com alguns homens do Sindicato.

CANCEROSO: - (IRÔNICO) Às vezes gosto dela. É uma imbecil. Sempre servirá aos nossos propósitos.

HOMEM 1: - Vai esperar eles mencionarem o lugar onde Samantha está?

CANCEROSO: - Não farão isso. Tem medo de escutas no apartamento. Mas não nos preocuparemos, senhores.

O Canceroso olha pra um telão, onde vê o prédio de Mulder por cima, numa imagem de satélite. Close de um ponto vermelho num radar.

CANCEROSO: - Nosso homem está ali. Basta segui-lo, senhores, e a acharemos.

Krycek entra na sala, com uma cara abatida, vestido num casaco, com uma luva na mão do braço amputado. Senta-se em uma das cadeiras. Olha pro Canceroso, com ar de raiva.

KRYCEK: - Você me surpreende a cada dia. Como conseguiu colocar rastreamento no Mulder?

O Canceroso olha pra Krycek.

CANCEROSO: - Nossos amigos alienígenas o fizeram por nós.

KRYCEK: - Acha que Mulder é imbecil? Ele vai descobrir o implante!

CANCEROSO: - Se descobrir, Alex, usaremos o implante para outros propósitos.

Krycek olha pra ele.

CANCEROSO: - Mulder foi longe demais. Se atrapalhar, eu mesmo o mato.

KRYCEK: - Senhores, se não se importam, eu gostaria de matar Mulder com minhas próprias mãos. Não confio nesse homem!

HOMEM 2: - Deixe Mulder nas mãos de Krycek. Você não precisa se expor.

O Canceroso traga o cigarro, olhando friamente para Krycek.

KRYCEK: - (DEBOCHADO/SORRINDO) Ou prefere se expor por causa de alguém que nada significa em sua vida?

O Canceroso sai da sala. Krycek sorri, diabólico. Passa a mão em seu braço.


Pistoleiros Solitários – 6:11 A.M.

Frohike aproxima-se de Mulder.

FROHIKE: - Se me der tempo, posso conseguir documentos falsos pra vocês dois. Quer que vamos com você, Mulder?

MULDER: - Não, Frohike. Aqui começa a minha jornada. Já envolvi vocês demais nisso.

BYERS: - Vamos sentir sua falta, Mulder.

LANGLY: - O que vai dizer ao Skinner?

MULDER: - Não vou dizer nada. Não se surpreendam se minha foto aparecer nos jornais como o procurado nº 1 do FBI. Eles farão de tudo para me encontrar.

Mulder pega a mão de Samantha.

MULDER: - Vamos embora.

Scully nem consegue olhar pra Mulder. Seus sentimentos se confundem entre solidariedade e raiva.

FROHIKE: - Quer levar minha Kombi?

MULDER: - Não, Frohike. Aluguei um carro. Não quero ninguém me seguindo... Scully, eu quero que vá comigo até a fronteira.

SCULLY: - ... (SEGURANDO AS LÁGRIMAS)

MULDER: - Terão notícias minhas. F.H. Luther, não se esqueçam.

Mulder e Samantha saem. Frohike olha pra Scully.

FROHIKE: - Vai embora com ele?

SCULLY: - (MAGOADA) Deveria perguntar se ele quer que eu vá.

FROHIKE: - ... Scully, ...

SCULLY: - Estou nervosa, me desculpe, Frohike.

Scully sai. Langly olha pra Frohike.

LANGLY: - Sortudo! Você é sortudo, baixinho!

FROHIKE: - Sortudo? Onde vê sorte por aqui? Conviver com vocês dois é a maior desgraça que pode acontecer a um homem!

LANGLY: - Estou falando da Scully. Campo livre...

FROHIKE: - (FURIOSO) Seus patifes miseráveis!

BYERS: - Eu não falei nada!

FROHIKE: - E acho melhor nem falar nada! Langly, de onde tirou essa ideia miserável...

LANGLY: - “Ela é quente, Mulder”.

FROHIKE: - (IRRITADO) Olha aqui, seu cabeludo desleixado, piadas são piadas. E não vou perder meu tempo discutindo com você. Acho melhor ajudarmos o Mulder. Devemos isso a ele, ou hoje estaríamos num presídio, mofando por lá. Embora acho que você poderia estar adorando ser mercadoria de troca lá dentro.

Byers senta-se na frente do computador. Frohike senta-se num canto, preocupado.


Estrada interestadual – 6:49 A.M.

[Som: Mark Snow – Trust no One]

Mulder dirige o carro. Scully ao lado dele, olha pela janela, calada. Samantha está deitada no banco de trás, mas está acordada.

MULDER: - Scully, você está muito quieta.

SCULLY: - ... Quando chegar ao México, vai pra onde?

MULDER: - Ainda não sei. Talvez algum lugar entre América Central ou América do Sul...

SCULLY: - (DEBOCHADA) Não pensou em Cuba? Ninguém o acharia por lá!

Mulder olha pelo retrovisor.

MULDER: - Ela está dormindo... Scully, eu sei que está chateada.

SCULLY: - Mulder, me desculpe. Não tenho o direito de agir desse jeito... é que tudo foi tão de repente. Aquilo que procurou durante toda a sua vida aparece agora e... Você conseguiu, Mulder. Ganhou deles.

MULDER: - Me sinto um egoísta, Scully. Usei o FBI para meus propósitos. Não haverá mais Arquivos X...

SCULLY: - ... Eu continuarei lá, Mulder. Vi coisas demais nesses anos em que passei com você, para desistir agora. (FERIDA) E ainda tenho a minha busca. Vou fazer aquele homem pagar pelo que me fez. Isso é o que me move, Mulder. Agora, mais do que nunca.

MULDER: - ... (TRISTE)

SCULLY: - (FERIDA) Porque agora é tudo o que tenho.

MULDER: - ... (MAGOADO COM SUA TEIMOSIA)

SCULLY: - (TENTANDO SE CONTER) Acho que me transformei na Estranha Scully. Vai ouvir falar de mim, Mulder.

MULDER: - (TRISTE) Scully, estou agindo assim porque acho que não tenho o direito de pedir que desista da sua vida e me siga.

SCULLY: - (SEGURANDO AS LÁGRIMAS/DOR PROFUNDA) Como se eu já não tivesse desistido, Mulder.

MULDER: - ... (SEGURA AS LÁGRIMAS)

SCULLY: - ...

MULDER: - (CHORANDO) Eu gostaria que viesse comigo.

SCULLY: - (MAGOADA) Não, Mulder. Tenho minha família, tenho minhas coisas. Ainda tenho a mim mesma.

MULDER: - (SECA AS LÁGRIMAS)...

SCULLY: - (FERIDA) Maneiras diferentes, Mulder. Você está fadado a colocar sua vida fora. E vai fazer isso de novo. Eu não vou jogar a minha vida num buraco porque você é teimoso!

MULDER: - Scully, agora você está sendo mesquinha.


BLOCO 2:

Mulder entra com o carro num posto de gasolina. Desce. Scully desce também. Os dois vão pra frente do carro. Samantha disfarça e ergue-se do banco, os espiando. Os dois estão confusos e nervosos.

MULDER: - (GRITA) Sabia desde o início! Sabia que eu estava atrás dela!

SCULLY: - (GRITA) E acho que, bem lá no fundo, pensei que jamais esse dia chegasse!

MULDER: - Pois chegou! Quer que desista dela agora? Eu não vou fazer isso por você! Não fiz antes e não vou fazer agora!

SCULLY: - Eu pedi pra desistir dela? Pedi? Eu fui a única pessoa que abraçou sua causa, Mulder! A única que seguiu sua busca, colocando seus objetivos em primeiro lugar e os meus... (SUSPIRA) Você nem sabe dos meus objetivos. Nunca se importou com eles!

MULDER: - Então vem comigo! Larga tudo e vem comigo! Eu quero que você venha, Scully. Mas não posso fazer essa escolha por você!

SCULLY: - Mulder, você é egoísta! E eu sou a culpada por estar sofrendo agora! Por que acreditei em você? Por que me entreguei desse jeito? Eu sabia, Mulder, eu sabia que nós nunca daríamos certo! Não teríamos um final feliz!

MULDER: - (AFLITO) Scully, estou entre dois dilemas! Ou vou com ela, ou fico com você! Não posso mais ficar nesse país! Eles a tomarão de mim novamente! Se você viesse comigo...

SCULLY: - (MAGOADA) Não, Mulder. Eu não vou.

MULDER: - ...

Scully afasta-se dele.

SCULLY: - (CHORANDO) Eu fico aqui. Você segue. Se precisar de mim algum dia, Mulder, sabe onde me encontrar. Sabe que sempre poderá bater na minha porta... Sabe que... tem uma amiga pra te confortar quando está caído.

MULDER: - ... Scully, quero que saiba que ainda te amo.

SCULLY: - ... Vá, Mulder. Você encontrou o que queria. Agora vá viver.

MULDER: - ...

SCULLY: - ...

Mulder aproxima-se dela.

MULDER: - Acha que nunca mais vou voltar?

SCULLY: - E por que voltaria?

MULDER: - Pra ver você.

SCULLY: - Não, Mulder. Me esqueça. Foi bonito. Foi um sonho lindo... Você foi a melhor pessoa que encontrei até agora. Mas eu sabia que não seria pra sempre. Nada é pra sempre, Mulder.

MULDER: - ... (OLHA CHORANDO PRA ELA)

SCULLY: - (SECA AS LÁGRIMAS) Posso pegar seus peixinhos dourados?

MULDER: - São seus.

SCULLY: - Tá.

Os dois se abraçam. Trocam um longo e desesperado beijo. Afastam-se, olhando um para o outro. Mulder chora. Scully segura as lágrimas.

SCULLY: - Vá, Mulder.

MULDER: - ... Eu sempre te amarei, Scully. Repense sua decisão. Estarei sempre te esperando.

Mulder vai até o carro. Samantha deita-se e finge que dorme. Mulder olha pra ela. Olha pra Scully. Encosta-se no carro, chorando.

MULDER: - (DESESPERADO) Eu não posso. Não posso deixar você, Scully!

Scully também se desespera. Vai até ele.

SCULLY: - (GRITA) Mulder, seu miserável, entre já nesse carro!

MULDER: - (GRITA) Não posso. Não posso escolher entre vocês duas.

SCULLY: - (GRITA) Não estou pedindo que escolha! Estou mandando que vá embora!

MULDER: - (GRITA) Não, eu não vou sem você.

SCULLY: - (NERVOSA) Mulder, pelo amor de Deus, está perdendo tempo! Eles devem estar chegando!

MULDER: - (GRITA) Não! Scully, precisa ir comigo.

SCULLY: - ...

MULDER: - Scully, por favor. Como posso ficar longe de você se vivemos tantas coisas juntos?

Scully dá as costas pra Mulder e sai caminhando. Contém as lágrimas.

Alguns carros pretos se aproximam do posto rapidamente.

Mulder entra correndo no carro. Dá a partida e freia ao lado de Scully. Abre a porta do carona.

MULDER: - (GRITA) Entra aí, estão atrás de nós!

Scully entra e Mulder acelera rapidamente.

SCULLY: - (GRITA) Como nos acharam?

MULDER: - (GRITA) Eu não sei!

Balas atravessam o vidro traseiro do carro.

MULDER: - (GRITA) Merda! Samantha fique abaixada! Scully, proteja-se!

Scully puxa a arma. Abre o vidro e começa a atirar contra os carros, abaixada. Mulder dirige abaixado.

SCULLY: - (TENSA/ GRITA) Acelera mais, Mulder! Estão nos alcançando!

MULDER: - Droga!

Mulder sai da estrada, entrando por um campo.

MULDER: - Temos que despistá-los!

SCULLY: - ... Minhas balas acabaram!

MULDER: - Desista, Scully! Fique abaixada. Vou tentar me livrar deles.

Scully coloca o cinto de segurança em Mulder. Prende o seu também. Mulder continua tentando desviá-los. Entra por algumas árvores.

SCULLY: - Mulder, vai nos matar!

MULDER: - Prefere morrer pelas minhas mãos ou pela deles?

Mulder vira o carro e entra numa estrada de chão batido. Olha pelo retrovisor. Vê os carros. Olha pra trás. Bate no volante com as mãos.

MULDER: - Os desgraçados não desistem!

SCULLY: - (GRITA) Mulder, olha pra frente!

Corta para um trem que se aproxima rapidamente do cruzamento.

SCULLY: - (GRITA DESESPERADA) Mulder, o que está fazendo?

MULDER: - (GRITA) Segurem-se!

SCULLY: - (GRITA) Mulder, vai nos matar!

Mulder atravessa os trilhos que tem uma pequena elevação. Segundos depois o trem passa. O carro levanta no ar, e quando cai, bate fortemente contra o chão.

Corta para uma imagem do alto, onde o carro de Mulder prossegue, enquanto o trem passa e os carros estão parados.

Corta para Krycek que está num dos carros, esmurrando o painel com raiva.


Motel Travel - Carolina do Sul – 3:31 P.M.

Samantha acorda. Olha para o sofá. Mulder está deitado, dormindo, com a cabeça no colo de Scully. Ela está sentada, acordada, com uma arma na mão e a outra acariciando os cabelos dele. As lágrimas escorrem dos olhos dela. Samantha senta-se na cama e olha pra agente. Scully percebe e pára de afagar Mulder. Seca as lágrimas e disfarça, num sorriso forçado.

SAMANTHA: - ...

SCULLY: - Está sentindo-se melhor?

SAMANTHA: - ... Acho que sim... Pelo menos consigo falar.

SCULLY: - Quer comer alguma coisa?

SAMANTHA: - (SORRI) Há muito tempo não como um hambúrguer.

Scully ajeita a cabeça de Mulder num travesseiro e levanta-se.

SCULLY: - Vou deixar um bilhete ou ele vai sair desesperado daqui, atropelando qualquer coisa.

Samantha sorri. Levanta-se, vai até o banheiro, deixando a porta aberta. Scully pega um papel e escreve um bilhete. Põe sobre a mesa de centro.

SCULLY: - Vamos?

Samantha não sai do banheiro. Não responde. Scully se preocupa. Entra. Vê Samantha, na frente da pia, olhando para o espelho, enquanto passa as mãos no rosto, perplexa. Ela olha pra Scully, chorando. Scully olha pra ela, com piedade.

SAMANTHA: - Sabe quanto tempo se passou?

SCULLY: - ...

SAMANTHA: - Que idade tenho?

SCULLY: - ... 34...

Samantha abaixa a cabeça, apoiando as mãos na pia. Chora. Scully vai até ela. A abraça.


FBI – Gabinete do diretor – assistente - 5:17 P.M.

Skinner abre a porta. Frohike entra, com um crachá de visitante no casaco.

SKINNER: - Sente-se.

FROHIKE: - Eu não vou me demorar. Mulder pediu que eu viesse até aqui... Pra dizer, a verdade, ele não me pediu.

SKINNER: - Onde está o Mulder? Onde está a Scully?

FROHIKE: - Ele achou a irmã, Skinner.

Skinner senta-se. Frohike também.

FROHIKE: - Ele está fugindo com ela, antes que a peguem de volta.

SKINNER: - E quanto a Scully?

FROHIKE: - Ela vai com o Mulder até um lugar seguro. Depois volta.

Skinner fecha os olhos. Batidas na porta.

SKINNER: - Entre.

A secretária entra, com um papel nas mãos.

SECRETÁRIA: - Senhor, a divisão de sequestros deixou isso. Acho que gostaria de olhar.

A secretária coloca o papel sobre a mesa. No papel há a foto de Mulder e a inscrição “procurado por sequestro”. Skinner esmurra a mesa.


Café Albany – Geórgia - 7:31 P.M.

Em uma mesa, Mulder e Scully estão sentados um ao lado do outro. Samantha de frente pra eles. A lanchonete está vazia. Samantha come um hambúrguer.

SAMANTHA: - Sabe, isso é realmente bom!

MULDER: - (SORRI) Vá com calma. Não quero ter que socorrer você por congestão... (OLHA PRA SCULLY) Mas não se preocupe. Minha médica está aqui.

Scully abaixa a cabeça, ainda magoada com ele. Mulder põe o braço atrás dela, tentando aliviar o clima.

MULDER: - Scully, você cozinha bem. Que tal montarmos um restaurante numa cidadezinha pequena, onde até os cachorros se conhecem?

SAMANTHA: - Quero ser a... como chama as pessoas que atendem...

MULDER: - A garçonete.

SAMANTHA: - É. Quero ser a garçonete.

MULDER: - Sei fazer hambúrgueres. Que tal, Scully? Sei que não tirou diploma pra terminar num fogão, mas...

SCULLY: - Mulder, não. Preciso voltar. O Skinner deve estar aflito.

MULDER: - Ligarei pra ele depois.

Scully pega a xícara. Toma café. Mulder olha pra Samantha sorrindo.

MULDER: - Tenho medo de acordar e ver que isto é um sonho.

SAMANTHA: - Não é Fox... Nem eu acredito que consegui fugir, depois de tantas tentativas.

Mulder afasta seu braço de Scully. Olha pra Samantha.

MULDER: - Acha que pode me falar sobre isso?

SAMANTHA: - ... Eu... Eu tento fugir há tanto tempo, embora não tenha mais noção de tempo. Eu... (RI DE SI MESMA) Só descobri que não tinha mais oito anos quando... Olhei meu rosto no espelho.

MULDER: - Onde estava? Como foi parar naquele navio?

SAMANTHA: - Eles me resgataram. Eu estava na nave. Há mais de mil metros de profundidade. Acho que as experiências deles me deram habilidades que os humanos não têm... Nem acredito que sobrevivi.

MULDER: - Nave? Debaixo da água?

SAMANTHA: - Eles têm uma base, que agora sei que fica no Triângulo das Bermudas.

MULDER: - Malditos desgraçados! O acesso é negado. Ninguém entra lá. Nem mesmo aquele homem. Quem desconfiaria disso? ... Mas, Samantha, aquilo é uma brecha de espaço-tempo...

SAMANTHA: - É por onde entram e saem sem levantar suspeitas, Fox. É onde nos mantém. Comendo aquelas coisas verdes, fazendo experiências conosco.

MULDER: - O que fizeram com você?

SAMANTHA: - Tantas coisas que não consigo me lembrar. Fox, estou tendo bloqueios, eu passei muito tempo presa, não me lembro de detalhes da minha infância. Lembro de flashes de coisas e nem tenho certeza se realmente aconteceram.

Scully suspira. Olha pra Samantha, com piedade. Samantha já está quase chorando.

SAMANTHA: - Eu... eu dormia no chão, numa espécie de sala... Nós não tínhamos roupas.

SCULLY: - Nós?

SAMANTHA: - É, existem outras pessoas lá. Havia crianças como eu. Havia mulheres e homens.

SCULLY: - Conheceu uma mulher chamada Cassandra? Ela estava lá?

SAMANTHA: - Não. Não me lembro de nenhuma Cassandra. Mas aquilo ali era uma espécie de centro de controle. Existem outras bases. Eu... Eu aprendi a língua deles, de tanto ouvi-los.

MULDER: - E com o quê se parecem?

SAMANTHA: - Com monstros, Fox.

MULDER: - São acinzentados?

SAMANTHA: - Não, eles... Se parecem com a gente. Os acinzentados são uma espécie de mercenários. Trabalham em conjunto com eles e com o governo. Eles tentavam nos tornar um deles.

MULDER: - Sei. Já tive o desprazer de ter um monte deles atrás de mim. Ela é um híbrido, Scully?

SCULLY: - Não, Mulder. Ela tem sangue como o nosso.

MULDER: - Cassandra então foi a única a dar certo... Haviam humanos por lá, médicos... ?

SAMANTHA: - Não. Acho que nem essas pessoas que você diz que estão atrás de nós sabem da localização daquele lugar. E se sabem, não têm acesso.

MULDER: - Samantha, mas como conseguiu fugir deles? Não a viram?

SAMANTHA: - Fox, só há um jeito de escapar. A cada solstício de inverno, a posição das estrelas funcionam como um portal para a nossa dimensão. E dessa vez eu consegui.

Mulder olha pra ela, curioso. Scully também.

SAMANTHA: - Naquele dia, noite, sei lá, aconteceu uma coisa que eles não esperavam. Alguns seres entraram na base e começaram a chacina. Eles tinham aparência de homens, mas não tinham olhos, boca...

MULDER: - Homens sem face?

SAMANTHA: - É. Então houve um tumulto e eu consegui escapar. Não me pergunte como saí daquela nave, eu nem me lembro. Só sei que cheguei à superfície e aqueles marinheiros me salvaram. Então a nave veio atrás de mim.

MULDER: - Os alienígenas?

SAMANTHA: - Não, aqueles Homens sem Face. Eles destruíram o navio, estavam à minha procura.

MULDER: - Eles mataram as outras pessoas?

SAMANTHA: - Não, Fox. Eles entraram na base pra nos pegar. Me parece que são uma espécie de dissidência dos outros, mas não entendo. Eu me escondi no porão com os peixes. Foi quando depois de tempo ouvi vozes. Consegui sair dali sem que me vissem e, próximo à costa, me joguei ao mar. Tinha medo deles, Fox. Tenho medo das pessoas. Elas me entregaram. Aquele homem que ia lá em casa, Fox. Aquele que fumava muito. Foi ele quem me entregou.

MULDER: - ... (CERRA O PUNHO COM ÓDIO)

SAMANTHA: - Estava tão fora de sintonia que quando ouvi o nome Bill, senti que alguma coisa era importante. Que esse nome significava algo. Então, Scully, eu me apeguei ao seu irmão. Foi quando coisas estranhas começaram a surgir aos poucos na minha cabeça. Lembranças que voltavam.

MULDER: - Eu fui o maior culpado, Samantha. Deixei eles te levarem.

SAMANTHA: - Como Fox? Você não podia fazer nada. Durante tempos fiquei te culpando. Mas percebi que não estava certo. Eles te deixaram imóvel. Eles podem fazer isso.

MULDER: - ...

SAMANTHA: - Fox, eu sei que nunca desistiu de mim. Sei que passou sua vida toda me procurando. E eu te amo por isso, meu irmãozinho.

Mulder abaixa a cabeça.

MULDER: - Eu daria a minha vida por você.

SAMANTHA: - Fox, eu só queria ver o papai e a mamãe. Penso neles sempre. Sempre pensava neles.

Scully levanta-se.

SCULLY: - Acho que precisam ficar a sós.

Scully sai. Mulder olha pra Samantha. Pega na sua mão.

MULDER: - Eu... Eu nem sei como dizer isso à você.

SAMANTHA: - ...

MULDER: - Samantha, preciso contar as coisas que aconteceram durante esse tempo em que esteve fora.

SAMANTHA: - ...

MULDER: - Eu sou o culpado. Eu deveria ter ido no seu lugar.

SAMANTHA: - Fox, o que está dizendo?

Mulder começa a falar. Samantha o escuta, incrédula.


Departamento de Defesa – 10:26 P.M.

Um homem observa por um monitor.

HOMEM: - Ele acaba de passar a divisa do estado da Flórida.

CANCEROSO: - Flórida? Achei que estivesse indo para o México!

HOMEM: - Talvez vá para o México. Mas por outro caminho. Ou talvez estivesse nos despistando. Ele é esperto.

CANCEROSO: - Não tanto quanto eu.


BLOCO 3:

Estrada Interestadual - 10:27 P.M.

Scully dirige. Mulder, no banco ao lado. Samantha atrás, olhando pela janela.

SAMANTHA: - Não pode se culpar, Fox. Eu nunca chegaria até aqui se estivesse no seu lugar. Não poderia suportar tudo o que passou. Tanta dor, tanta mentira.

MULDER: - ...

SAMANTHA: - Na verdade, o que fizeram comigo não foi nada, se comparado com você. Porque eles não tocaram na minha alma. Roubaram a sua.

MULDER: - ...

SAMANTHA: - Então aquele homem é seu pai... E matou o meu pai.

MULDER: - Samantha, eu acho que não deveria ter contado tanta coisa pra você. Ainda está em choque.

SAMANTHA: - Fox, por favor! Chega de carregar o fardo! Eu tenho fardos a carregar e você não pode passar sua vida toda carregando meus fardos! Nem ela. Você a colocou nisso! Ela perdeu uma irmã por causa de mim! Me sinto culpada também!

Scully olha pra Samantha pelo retrovisor.

SCULLY: - Samantha, não há culpados nesse carro. Só vítimas. Por isso que vou voltar.

SAMANTHA: - Eu quero que me deixe, Fox! Vá pegá-los por mim!

MULDER: - Não vou deixar você!

SAMANTHA: - Scully tem razão, você é egoísta! Sempre foi! Fox, vou te dizer uma coisa. Se você tivesse ido no meu lugar, eu não estaria com você aqui hoje.

MULDER: - ...

SAMANTHA: - Eu não teria deixado a minha vida para trás por você.

Scully olha pra Samantha pelo retrovisor. Olha pra Mulder, que está chorando.

MULDER: - Não diga isso.

SAMANTHA: - Fox, você deixou tudo, abriu mão de você por causa de mim?

MULDER: - Quem te disse isso?

SAMANTHA: - Eu ouvi vocês dois conversando. E acho que a Scully está certa. Vá fazer sua vida, Fox, porque eu quero esquecer isso tudo. Acha que sou uma criança ainda? Eu sei da verdade! Você pensa que sabe, mas não sabe!

MULDER: - ...

SAMANTHA: - Eles não vão me pegar.

MULDER: - Não confie nisso.

SAMANTHA: - Fox, olhe pra você! Veja o que se tornou!

MULDER: - ...

SAMANTHA: - Me sinto culpada por meu irmão. Minha culpa só alivia quando vejo que minha abdução serviu pra alguma coisa.

MULDER: - Por que teria servido pra alguma coisa? Não serviu pra nada!

SAMANTHA: - Serviu pra você ir pro FBI, fazer o que gosta. Serviu pra você encontrar a Scully.

Mulder olha pra Scully, segurando as lágrimas. Scully pára o carro no acostamento. Põe as mãos no rosto.

SAMANTHA: - Vai deixá-la? Por mim? Vai novamente, por minha causa, passar o resto da vida negando a si mesmo o direito de ser feliz?

Mulder desce do carro em silêncio. Samantha desce. Scully olha pra eles, chorando. Permanece no carro.

SAMANTHA: - Fox, até quando isso vai continuar?

MULDER: - (GRITA) Eu quero proteger você!

SAMANTHA: - (GRITA) E quem te protege? Eu? Não, Fox, eu quero é viver! Esquecer o passado!

MULDER: - ...

SAMANTHA: - Fox, eu sei que vocês dois se amam. Eu vejo a minha mãe nela, preocupada com seu homem, abdicando de estar em casa descansando pra estar fugindo de pessoas más! Acha que ela faz isso porque gosta de emoção?

MULDER: - ...

SAMANTHA: - Você é muito burro, Fox. Burro demais!

Samantha o abraça. Mulder chora.

SAMANTHA: - Vai prometer que me deixará em algum lugar seguro e voltará com ela.

MULDER: - Eu não posso...

SAMANTHA: - Vai voltar, Fox. Por mim também. Por que não vou passar o resto da vida olhando pra você sozinho! Sentindo a culpa de que eu afastei vocês dois!

MULDER: - ...

Scully desce do carro. Escora-se nele com as costas. Olha pra estrada vazia.

SCULLY: - Acho que estamos muito nervosos pra discutirmos isso. É melhor continuarmos, antes que eles voltem.

Corta para um carro que se aproxima. Mulder o vê. Puxa a arma.

MULDER: - Entrem no carro agora. As duas!

O carro passa por eles, parando à frente, no acostamento. Scully coloca Samantha pra dentro do carro. Puxa sua arma. Um homem desce, vestido com jeans e camiseta.

BRUCE: - Ei, estão com problemas, amigos?

Mulder suspira. Sorri.

MULDER: - Não, está tudo em ordem.

O rapaz percebe a arma na mão dele. Olha com medo. Mulder guarda a arma. Puxa a credencial.

MULDER: - Não se preocupe, somos agentes do FBI.

O rapaz fica nervoso, mas tenta não demonstrar.

BRUCE: - Puxa, que susto! Achei que por ser um bom samaritano ia morrer de graça.

O rapaz aproxima-se. Percebe Samantha dentro do carro. Samantha olha pra ele. Ele retribui com um sorriso.

BRUCE: - Então vou andando. Achei que precisavam de ajuda.

O homem afasta-se, entrando no carro. Scully olha pra Mulder.

SCULLY: - Estamos muito, mas muito nervosos.

MULDER: - Desculpe.

SCULLY: - Pelo quê?

MULDER: - Por tudo. Acho que nunca pedi desculpas à você, por nada do que lhe causei.

SCULLY: - Mulder, por favor...

O carro do rapaz parte. Eles acompanham com os olhos, não percebendo um carro negro que se aproxima. Samantha percebe e grita.

SAMANTHA: - Fox!!!

Mulder vira-se, mas o carro pára. Descem dois agentes do FBI armados, que começam a atirar. Mulder corre pra frente do carro, Scully também. Os dois abaixam-se. Revidam os tiros.

MULDER: - (GRITA) Samantha, fique abaixada!

Samantha abre a porta do carro e corre pro meio do mato, desesperada. O Caçador sai do carro.

CAÇADOR: - (GRITA) Desista, agente Mulder! Se atirar em mim, vai morrer!

O Caçador acerta os pneus do carro. Mulder segura Scully pela mão e corre pro meio do mato.

MULDER: - Vamos, Scully, depressa!

Eles correm pelo meio das árvores e moitas. O Caçador e um dos agentes entram no mato, atrás deles. Mulder e Scully continuam correndo. Samantha sai de trás de uma árvore e Mulder quase atira nela.

MULDER: - Droga, Samantha! Vamos sair daqui!

SCULLY: - Eles vão nos pegar, Mulder.

MULDER: - Não, não vão. Vamos voltar e pegamos o carro deles.

Os três entram pelo meio da mata, voltando por outra direção até a estrada. Mulder empurra Samantha pra dentro do carro preto. Scully abre a porta do carona. Um agente estava agachado atrás do carro e levanta-se. Aponta a arma pra Scully.

[Som: Mark Snow – Trust no One]

AGENTE 1: - Tenho um bom ângulo, agente Mulder. Solte sua arma.

Mulder larga a arma sobre o carro. Ergue as mãos.

Scully esconde sua arma no bolso.

O agente aproxima-se de Mulder, mirando a arma nele. Empurra Mulder pra longe do carro.

AGENTE 1: - Venha pra cá, agente Scully.

Scully caminha até Mulder. Fica ao lado dele.

O homem joga Mulder em cima do capô do carro e mira a arma na cabeça dele. Scully tira sua arma do bolso. Mulder percebe.

O homem olha nos olhos de Mulder. Ergue-o e coloca a arma na cabeça de Mulder, rapidamente, enquanto vira-se pra Scully.

AGENTE 1: - Solta a arma, agente Scully. Ou ele morre.

O homem engatilha a arma.

Mulder sua frio.

Scully, nervosa, olha pra Mulder. Solta a arma no chão.

O homem empurra Mulder contra Scully. Mira a arma em Mulder. Atira.

Scully salta na frente de Mulder, tomando a bala nas costas. Mulder arregala os olhos, enquanto Scully olha nos olhos dele, escorregando seu corpo.

Mulder a segura, deitando a no chão. Scully está com os olhos parados e o sangue começa a escorrer de sua boca. Mulder percebe que sua camisa está manchada com o sangue dela, e que a bala atravessou o corpo da parceira, raspando no quadril dele. Mulder começa a gritar desesperado.

MULDER: - Scully! Não!!!

Scully não respira. Mulder deita a cabeça no peito dela e desesperadamente começa a fazer uma massagem cardíaca.

Samantha, dentro do carro, coloca a mão pra fora, tentando pegar a arma de Mulder que está sobre o carro.

O agente aproxima-se de Mulder. Mira a arma.

AGENTE 1: - Com os cumprimentos do Sindicato.

Um tiro é disparado. Mulder fecha os olhos, mas continua agachado no chão. Abre os olhos e vê o corpo do agente caído.

Samantha segura a arma nas mãos, olhando com raiva para o corpo do agente estendido no chão.

SAMANTHA: - Com os cumprimentos da família Mulder.

MULDER: - ?

SAMANTHA: - Fox, pegue-a depressa! Eles estão vindo!

Mulder olha chorando pra Scully. Toma-a nos braços. Coloca-a no banco de trás do carro. Sua camisa está encharcada de sangue. Sobe no carro, dá a partida e olha pra Samantha.

MULDER: - É só apertar o acelerador. Não tem erro.

SAMANTHA: - O quê?

MULDER: - (GRITA) Depressa!

Mulder vai para o banco de trás e Samantha pega o volante.

MULDER: - (GRITA) O acelerador! Você sabe fazer isso!

Samantha acelera o carro, saindo em disparada, batendo no carro de Mulder, que estava à frente. Mulder tenta fazer respiração boca a boca em Scully.

MULDER: - (GRITA) Respira, pelo amor de Deus!


11:03 P.M.

Mulder dirige calado, chorando. Samantha ao lado dele, chora também.

MULDER: - Ela morreu por minha culpa! Eu a coloquei nisso!

Mulder estaciona o carro na frente de uma casa. Buzina desesperado. As luzes acendem. Arthur Dales sai de pijama, com um taco de beisebol na mão, completamente invocado.

DALES: - Ei o quê está havendo por aqui?

Mulder desce do carro. Samantha também. Mulder tira Scully do carro, carregando-a nos braços. Dales vai até eles.

DALES: - Ah, meu Deus! O que aconteceu?

Mulder entra com Scully. Coloca-a no sofá. Ela está morta. Mulder senta-se no chão e debruça-se sobre o corpo dela. Começa a chorar.

Samantha e Dales entram na casa. Dales pega uma garrafa de bebida e vai até Mulder. Toca no ombro dele.

DALES: - Precisa disso.

Mulder afasta-se de Scully. Levanta-se.

MULDER: - (DESESPERADO/CHORANDO) Eu a matei!

DALES: - Atirou nela? Bem, sua camisa está suja de sangue!

MULDER: - Eu a trouxe até aqui, eu sou o responsável! Ela me protegeu, tomou um tiro por mim!

Scully abre os olhos e senta-se no sofá respirando rapidamente. Olha pra camisa suja de sangue. Mulder fica catatônico olhando pra ela. Scully abre a camisa, assustada e passa a mão pelo peito, procurando o buraco da bala. Não há nada. Mulder desmaia no chão.


11:24 P.M.

Mulder, deitado no sofá, abre os olhos. Scully sorri pra ele. Mulder desmaia de novo.

DALES: - Até quando ele vai ficar aí no meu sofá fazendo isso?

Scully senta-se numa poltrona, catatônica. Dales olha pra Samantha.

DALES: - E quem é ela, agente cética Scully?

SCULLY: - Irmã do Mulder.

DALES: - O quê?

SCULLY: - Isso não está acontecendo... não, não está.

DALES: - E como foi que ressuscitou aí no meu sofá?

SCULLY: - E-eu... (RINDO SOZINHA) Eu realmente não posso morrer!

DALES: - Precisa me ensinar esse truque.

SCULLY: - ... Não gostaria de saber. Isso não está aconte...

Scully vai até a janela, está nervosa e perplexa com o que houve. Pega o celular de Mulder que está sobre uma mesa. Nervosa, deixa-o cair no chão. O celular faz um estranho barulho. Scully agacha-se. Dales a observa.

DALES: - O que foi?

SCULLY: - Como eles conseguem nos localizar?

DALES: - Agente cética Scully, já ouviu alguma coisa sobre o Comando de Defesa Aeroespacial? E sobre o Departamento de Defesa? Se murmurar palavras como bomba num telefone, não leva dois minutos e terá a polícia batendo na sua casa.

SCULLY: - Não estamos usando o telefone.

DALES: - Sabia que esses caras implantam chips de escuta nas pessoas?

SCULLY: - Ora, senhor Dales, veja o que está dizendo!

DALES: - Eles as localizam por satélites. Alguns chips servem para fazer pessoas comuns como você cometerem um assassinato e depois você acorda numa cela, se perguntando como está ali, se havia ido para a cama cedo e ainda assistiu a Oprah!

SCULLY: - ... Mulder diz que foi abduzido.

Dales vai até Mulder.

DALES: - Precisa tirar a roupa dele! Queime-a. Pode haver escutas até mesmo nas calças, nos sapatos, no relógio.

SCULLY: - Está maluco?

Mulder acorda-se. Olha pra eles.

DALES: - Ei, vê se não desmaia. Arranja outra coisa mais útil pra fazer!

Scully pega o celular de Mulder e o dela. Vai até a cozinha. Coloca no forno do fogão. Acende. Mulder entra na cozinha, ainda assustado com ela.

MULDER: - O que está havendo? Enlouqueceu, mulher?

SCULLY: - Tire essa roupa Mulder! Acho que tem escutas nela!

MULDER: - Depois eu sou o paranoico!

Scully empurra Mulder para o quarto. Fecha a porta, ficando do lado de fora.

SCULLY: - Tire tudo, Mulder! Livre-se até de sua carteira!

Samantha começa a rir.

SCULLY: - Precisamos de um carro.

DALES: - Tenho um na garagem, mas não acho que vá chegar até o porto com ele.

SCULLY: - Serve. Me dê as chaves.

Dales pega as chaves. Entrega pra Scully.

Corta para a rua.

[Som: Mark Snow – Trust no One]

Vários carros estacionam no jardim. Homens bem arrumados descem. Samantha corre.

SAMANTHA: - Precisamos sair daqui, eles estão aí fora!

Scully abre a porta do quarto. Mulder está só de cuecas, tirando o relógio.

MULDER: - Estão aí fora, Mulder!

Mulder sai correndo pela porta do quarto.

MULDER: - Dales, preciso de uma calça!

SCULLY: - Não dá tempo, Mulder!

DALES: - Saiam pela porta dos fundos. Dá acesso à garagem! Vou distraí-los.

Scully o puxa. Samantha vai atrás dela. Os homens batem na porta da frente. Dales corre pra porta.

DALES: - Já vai, já vai. Estou colocando a roupa!


Motel Rising - Florida - 2:31 A.M.

Mulder, de cuecas, sentado na cama. Samantha ri.

SAMANTHA: - Fox, Fox... Você tem uma vida bem agitada.

Scully entra no quarto com uma sacola.

SCULLY: - Ainda bem que há turistas nesse lugar. Consegui achar uma loja aberta. Espero que o tamanho esteja certo.

Mulder pega a sacola. Vai pro banheiro. Scully senta-se na cama.

SCULLY: - Acho que agora, não vão mais nos encontrar... Espero que o Skinner esteja guardando o meu emprego.

Scully deita-se na cama.

SCULLY: - Deus, estou moída! Como diria o meu irmão Charles: ‘Parece que fui atropelada por uma vaca’!

SAMANTHA: - Você e sua família são pessoas legais.

SCULLY: - Não acredite nisso. Quando as brigas começam, sobra pra todo o lado.

Mulder sai do banheiro, colocando a camisa pra dentro das calças. Scully vira-se na cama e olha pra ele.

SCULLY: - Serviu?

MULDER: - Perfeito.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Gostou das cuecas?

MULDER: - Principalmente daqueles marcianinhos verdes estampados...

SCULLY: - Era a sua cara, Mulder. Não resisti!

Samantha começa a rir.

MULDER: - Gosta de me humilhar, não é, Scully? Fazer piadas da minha cara.

SCULLY: - Confesso, vou sentir falta disso.

Mulder senta-se na cama. Samantha olha pra eles.

SAMANTHA: - Eu... Eu sei que vocês dois estão me tratando como a filha de vocês. Mas eu gostaria de sair sozinha...

MULDER: - Não!

SAMANTHA: - ... Vou pro outro quarto então.

Samantha sai e bate a porta. Scully olha pra Mulder.

SCULLY: - Entendo.

MULDER: - O quê?

SCULLY: - Bater portas é hábito da sua família.

Scully levanta-se.

SCULLY: - Vou pro meu quarto, Mulder. Não vou deixá-la sozinha.

Scully o beija. Sai. Fecha a porta. Abre-a de novo. Olha pra Mulder.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Desculpe, Mulder.

Scully fecha a porta batendo-a com força. Mulder ri.


2:51 A.M.

Scully entra no quarto. Samantha está sentada em sua cama. Scully senta-se na outra.

SAMANTHA: - Quis deixar vocês dois sozinhos.

SCULLY: - Percebemos. Mas a prioridade aqui é você.

SAMANTHA: - Vocês vivem juntos há quanto tempo?

SCULLY: - (SORRI) Não vivemos juntos, não podemos. O FBI nos mataria.

SAMANTHA: - E eu tenho algum sobrinho?

SCULLY: - Não!

SAMANTHA: - Invejo você.

SCULLY: - Por quê?

SAMANTHA: - ... Eu... eu nunca vivi essas coisas... E acho que nunca confiarei num homem.

SCULLY: - Ah, não confie mesmo! Eles não prestam.

SAMANTHA: - Eu... eu quero gostar de alguém. Acho que não posso ter filhos, porque eles fizeram horrores comigo, mas...

Scully abaixa a cabeça.

SCULLY: - Também não posso.

Samantha vai até ela. Senta-se ao lado de Scully.

SAMANTHA: - Gosto de você, Scully. Fico feliz por ter cuidado do meu irmão. Mas quero que ele entenda que eu preciso seguir sozinha. Ele tem seu caminho. Ao seu lado.

SCULLY: - ...

SAMANTHA: - Gosto dos seus sapatos. Será que conseguirei usar algo assim?

SCULLY: - (SORRINDO) Acostuma-se.

SAMANTHA: - ... Não vou tirar o Fox de você.

SCULLY: - Não estou te culpando por nada. Estou sendo egoísta.

SAMANTHA: - Está defendendo o que é seu! Ele é só meu irmão. E acha que vou gostar de ter um irmão mais velho pegando no meu pé? Não mesmo! Eu quero conhecer tudo o que perdi até agora. Quero namorar muito. Não quero ele me vigiando!

Samantha levanta-se. Senta-se em sua cama. Scully deita-se. Samantha vira-se, olhando pra ela.

SAMANTHA: - O que sente por ele?

SCULLY: - ... Eu o amo.

SAMANTHA: - E como sabe disso? O que sente pra pensar isso?

Scully olha pra ela.

SCULLY: - É complicado descrever. Mas é uma coisa que você percebe. Principalmente quando não consegue ficar longe. Parece que o respiro.

SAMANTHA: - ... É isso é bom?

SCULLY: - É... é bom. Mas é complicado às vezes.

Samantha vira-se na cama. Observa o teto.

SAMANTHA: - Deve ser bom. Gostaria de amar alguém... Você já foi casada?

SCULLY: - Não.

SAMANTHA: - Mas aposto que teve muitos namorados.

SCULLY: - O que te faz pensar isso?

SAMANTHA: - Você é bonita. Se eu fosse você teria muitos namorados.

SCULLY: - Você é bonita, Samantha. Pode arranjar namorados facilmente.

SAMANTHA: - Acho que não. Quem vai querer os restos de uma cobaia?

SCULLY: - ... Seu irmão quis.

Samantha olha pra ela. Scully abaixa a cabeça.

SCULLY: - Ele sabe das coisas que fizeram comigo. Mas nunca se importou com isso.

SAMANTHA: - ... Eu me sinto uma criança ainda. Perdi toda a minha vida e fico triste que o Fox, estando livre, jogou fora a sua também... Eu quero começar do zero. Quero estudar. Quero namorar. Recuperar todo o tempo que perdi.

SCULLY: - Isso é bom.

SAMANTHA: - Acho que quero ser cientista. É tarde pra isso?

SCULLY: - Nunca é tarde quando se tem um sonho, um objetivo. Morrer é não ter objetivos e esperanças.

SAMANTHA: - Gosto desse mundo, Scully. Tem tanta coisa boa nele. Apesar de existir essa maldade toda, existem pessoas boas como você. Estou feliz que meu irmão te encontrou. Acredito que você é a metade dele. Quero saber onde está minha metade.

SCULLY: - Vai achá-la.

Samantha fecha os olhos. Abre-os.

SAMANTHA: - Vai ficar com ele. Sei que está pensando nisso.

Scully sorri.

SAMANTHA: - (DEBOCHADA) Sei que gostaria de estar lá. Vai, eu vou ficar bem. Se fosse você, preferia estar com meu namorado do que na companhia da irmã dele. Isso é patético!

Scully levanta-se sorrindo. Pega a arma sobre a cômoda e deixa ao lado de Samantha.

SCULLY: - Tranque a porta, está bem?

Samantha levanta-se. Scully sai. Ela tranca a porta. Sorri.


BLOCO 4:

2:29 A.M.

Samantha sai do quarto. Vai até a varanda. Escora-se na amurada. Olha pro céu. Alguém aproxima-se. Ela vira-se com medo. É o rapaz que parou pra eles na estrada.

BRUCE: - Ei, que surpresa!

Ela sorri.

BRUCE: - Então, como está?

SAMANTHA: - Bem.

BRUCE: - E o seu marido?

SAMANTHA: - Marido?

BRUCE: - É... O grandalhão que estava com você.

SAMANTHA: - (SORRINDO) Ele não é meu marido. É meu irmão.

BRUCE: - Ah, fico feliz de saber disso.

Os dois ficam em silêncio.

BRUCE: - Quem era a ruiva com vocês?

SAMANTHA: - Namorada dele.

BRUCE: - ... Quer ir tomar um café comigo?

Samantha olha pra porta do quarto de Mulder.

SAMANTHA: - Acho melhor não. Não posso sair daqui.

BRUCE: - Bem, então eu trago alguma coisa pra você. Quer café ou refrigerante?

SAMANTHA: - Refrigerante.

Bruce afasta-se, indo até o café em frente ao motel. Samantha o acompanha com os olhos.


2:37 A.M.

Bruce volta, com duas latinhas de refrigerante. Samantha senta-se nas escadas. Ele senta-se ao lado dela. Lhe entrega o refrigerante. Samantha olha pra lata.

SAMANTHA: - Como abre isso?

BRUCE: - Assim... Você é de outro planeta?

SAMANTHA: - (SORRI) Pode ser.

BRUCE: - O que faz pra ganhar a vida?

SAMANTHA: - Como assim?

BRUCE: - Trabalha?

SAMANTHA: - Não. Nunca trabalhei. Acha que posso conseguir um emprego mesmo não tendo estudo?

BRUCE: - Você não tem estudo?

SAMANTHA: - Eu sabia ler e escrever, agora mal falo. E você, o que faz?

BRUCE: - Eu? Bem, eu trabalho com computadores.

SAMANTHA: - Aqueles aparelhos que se parecem com uma TV?

BRUCE: - (SORRI) É. Aqueles aparelhos que se parecem com uma TV.

SAMANTHA: - E o que faz com eles?

BRUCE: - Contabilidade. Cálculos. Eu tenho clientes e cuido do dinheiro deles.

SAMANTHA: - Deve ser legal.

BRUCE: - Diria que é perigoso... Bom, estamos conversando e nem sei seu nome.

SAMANTHA: - Samantha.

Ele estende a mão pra ela.

BRUCE: - Bruce. Muito prazer.

SAMANTHA: - Bruce? Como o Batman?

BRUCE: - É. Como o Batman. Mas eu não tenho um batmóvel nem persigo bandidos... Eles me perseguem.

SAMANTHA: - ... (SORRI)

BRUCE: - Olha, eu sei que não devia ficar fazendo perguntas. No meu trabalho perguntas significam perigo. Mas... Por que realmente estão atrás de seu irmão?

SAMANTHA: - (ASSUSTADA) Como sabe que estão atrás de nós?

BRUCE: - Ora, está nos jornais! Estão dizendo que ele sequestrou uma mulher... Armaram uma pra ele? Alguma vingança de um criminoso?

SAMANTHA: - Eu não quero falar sobre isso.

BRUCE: - Tá certo.

Um carro de polícia entra no estacionamento. Bruce levanta-se.

BRUCE: - Preciso ir.

Samantha vê o carro de polícia e se desespera.

SAMANTHA: - Ah, meu Deus!

BRUCE: - Volte pra seu quarto. Não estão atrás de você. É a mim que querem.

Samantha olha pra ele. Ele sai correndo, em direção às árvores. Samantha volta pro quarto.


3:01 A.M.

Mulder abraça Scully por trás. Estão nus entre os lençóis.

MULDER: - Queria que fosse comigo. Podemos começar do zero.

SCULLY: - E eu faria o quê?

MULDER: - Bem, se não caçarem nossos diplomas, eu poderia montar um consultório. Cuidaria da mente deles e você do corpo.

SCULLY: - Hum, ideia interessante. E o bizarro, Mulder? Onde fica?

MULDER: - Finais de semana poderíamos investigar coisas estranhas.

SCULLY: - ... Sabe que não é certo. Não posso.

MULDER: - Vou voltar sempre que puder.

SCULLY: - Não, não vai. Vai achar uma latina sensual e quente. Vai me esquecer.

MULDER: - Gosto da minha ruiva sensual e quente.

SCULLY: - Mulder, não vai poder voltar. Eles vão te pegar.

MULDER: - Nos encontramos em algum lugar fora do país então.

SCULLY: - No Nepal?... Mulder, como vai sobreviver?

MULDER: - Vou trabalhar.

SCULLY: - Aposto que trancaram seu dinheiro no banco! Vou sacar o que tenho e dar à você.

MULDER: - Hum, fazendo economias, hein?

SCULLY: - Futuro, Mulder. Pra questões emergenciais. Assim como essa.

MULDER: - Te pago depois.

SCULLY: - Vou cobrar. Nem que seja como desculpa pra ver você de novo.

O telefone do quarto toca. Mulder senta-se na cama. Olha pro telefone, assustado.

MULDER: - Ninguém sabe que estamos aqui.

Scully enrola-se no lençol. Olha pra ele assustada. O telefone continua tocando. Mulder estende a mão e atende, com receio.

MULDER: - Sim?

FROHIKE (OFF): - Então, Mulder, o que faz no Motel Rising, na Flórida?

MULDER: - Frohike?

Scully olha assustada pra Mulder. Mulder olha assustado pra ela.

MULDER: - Como sabe que estou aqui?

FROHIKE (OFF): - Digamos que sei que desceu o país, passou nas cidades de Richmond, Virgínia. Fayetteville, na Carolina do Norte. Ficou num motel em Florence, Carolina do Sul. Passou em Albany, na Georgia. Agora está em Sarasota.

MULDER: - Frohike, como sabe disso?

FROHIKE (OFF): - Liguei justamente por isso, Mulder. Captamos um sinal estranho nos céus. Mas não era nada alienígena. Algo chamou a atenção do Byers.

MULDER: - Frohike, quer me dizer o que está acontecendo?

Silêncio por instantes. Byers atende.

BYERS (OFF): - Mulder, precisa sair daí o mais rápido possível. Eles estão monitorando vocês.

MULDER: - Estavam. Desconfio que havia escutas nas minhas roupas. Me livrei delas.

BYERS (OFF): - Então como explica que ligamos pra você agora?

MULDER: - ...

BYERS (OFF): - Tem um satélite, Mulder, mudando de movimento a cada passo seu. O departamento de defesa está no seu encalce!

MULDER: - Byers, pelo amor de Deus, o que quer dizer com isso?

BYERS (OFF): - Mulder, procure um chip de localização, em alguma das suas coisas.

MULDER: - Estou sem nada! Sem meu carro, sem minha mala!

Silêncio. Langly pega o telefone.

LANGLY (OFF): - Mulder, é Langly. Talvez tenham implantado algum chip em você, enquanto dormia.

MULDER: - Eu já procurei chips no meu corpo, não há nada.

Scully olha assustada pra Mulder.

LANGLY (OFF): - Mulder, procure de novo. Algum de vocês tem um chip. E estou olhando agora mesmo pra tela e o satélite continua mandando informações. Preciso sair do sistema ou virão atrás de nós.

Langly desliga. Mulder olha pra Scully.

MULDER: - Um de nós tem um chip. E desconfio que seja eu.

SCULLY: - Mulder, isso é ficção científica! O governo não sai por aí implantando chips nas pessoas...

Mulder olha pra ela.

SCULLY: - Mulder, deite-se. Vou te examinar de novo.


3:17 A.M.

A TV está ligada no noticiário local. Mulder olha pra TV, sentado na cama. Scully, sentada no chão, segura o pé dele, olhando pra TV também.

TV (OFF): - A polícia alerta que o ex-agente do FBI, Fox Mulder está na cidade de Sarasota, na Flórida.

A foto de Mulder aparece na tela. Há um número de telefone abaixo.

TV (OFF): - O FBI pede para que as pessoas deem informações através do número que aparece em sua tela. Repetindo, o ex-agente do FBI, Fox Mulder, está sendo procurado por sequestro e assassinato.

MULDER: - Assassinato?

TV (OFF): - Na madrugada de hoje, agentes do FBI foram encontrados mortos na rodovia que liga a Carolina do Sul à Geórgia, ao lado do carro do ex-agente. O FBI informa que ele está armado e é perigoso.

Mulder desliga a TV. Olha pra Scully.

MULDER: - E agora, como vamos fazer isso? Não posso ir pra um hospital, Scully!

SCULLY: - Mulder, tenho uma maleta de emergências, mas preciso te dar uma anestesia. Pode estar profundo e eu nem tenho certeza se isso está aqui!

Close no dedão do pé de Mulder.

MULDER: - Ai, por que tenho a sensação de que isso vai doer?

SCULLY: - Vou até uma farmácia, Mulder. Fique aqui. O correto seria fazer uma radiografia, mas na situação em que estamos...

MULDER: - Vai, Dr.ª Mengele! Eu sei que está doida pra cortar o meu dedo! ... Eles são espertos. Quem de nós fica examinando os dedos dos pés?


4:21 A.M.

Samantha olha pra Mulder, que está deitado, com o pé sobre as pernas de Scully, que está sentada na cama.

SCULLY: - Mulder, está me ouvindo?

MULDER: - Tô.

SCULLY: - Sente alguma coisa quando te belisco?

MULDER: - Não.

Scully abre uma maleta. Retira álcool, luvas, um bisturi. Mulder fecha os olhos.

SCULLY: - Samantha, preciso que pegue uma toalha pra mim.

Samantha vai até o banheiro. Traz a toalha. Scully ergue o pé de Mulder.

SCULLY: - Coloque-a sobre minhas pernas.

SAMANTHA: - Assim?

SCULLY: - É. Agora, se não quiser ver isto, fique ao lado do seu irmão. Ele não têm estômago pra essas coisas... Mulder, preciso dizer que nunca fiz isso num vivo.

MULDER: - Faz de conta que estou morto, Scully.

4:47 A.M.

Scully e Mulder olham pro estranho objeto em forma de T, nas mãos de Mulder.

MULDER: - Impressionante.

SCULLY: - Pode caminhar?

MULDER: - Sem sapatos.

Scully pega o objeto e vai até o banheiro. Joga no vaso e dá a descarga. Volta pro quarto.

SCULLY: - Vamos embora.

Samantha ajuda Mulder a caminhar. Eles saem dali.


5:01 A.M.

Scully pára o carro no cais. Mulder e Samantha descem. Scully desce do carro.

MULDER: - Onde está o barco?

SCULLY: - Deveria estar aqui. O Bill me prometeu que seu amigo Michael os levaria até as Bahamas!

Um assovio. Eles viram-se. Bruce está num barco.

BRUCE: - Alguém aí quer carona?

MULDER: - Mas que diabos esse cara faz aqui?

Samantha sorri. Eles caminham até o barco.

BRUCE: - Destino Venezuela, sem chamar muito a atenção. Segurança total.

MULDER: - Como pode achar que está seguro num mundo onde o governo controla tudo?

Dois caras grandões, vestidos com ternos italianos, saem da cabine. Olham pra Mulder. Bruce olha pra ele.

BRUCE: - Nem tudo, FBI. Existem organizações maiores do que o governo. Capite?

Samantha olha pra Scully. A abraça.

SAMANTHA: - Obrigado, Scully. Obrigado por tudo que fez por mim e pelo Fox.

SCULLY: - Não me agradeça, Samantha. Espero que refaça sua vida. Cuida bem dele por mim, tá?

SAMANTHA: - Acho que você ainda vai cuidar dele por mim.

SCULLY: - Vá, está na hora.

Mulder aproxima-se de Scully.

MULDER: - Não vai mesmo me contar o que aconteceu?

SCULLY: - ...

MULDER: - Scully eu vi! Vi um rombo no seu peito! A bala rasgou a minha camisa! Aquele sangue era seu!

SCULLY: - Mulder, cala a boca! Eu não quero falar sobre isso.

MULDER: - Parabéns, Scully. Mais uma vez nos Arquivos X...

Scully começa a chorar. Mulder olha pra ela e chora também. Eles se abraçam.

Mulder segura as mãos dela. Os dois trocam um beijo longo.

BRUCE: - Vamos, FBI! Nem tudo é pra sempre!

Mulder afasta-se, ainda segurando as mãos de Scully. As solta, relutante.

MULDER: - Eu te amo.

SCULLY: - Também te amo, Mulder.

Mulder sobe no barco. Fica olhando pra Scully enquanto chora. O barco parte.

[Som: The Korgis – Don’t look back]

Scully, chorando, ainda fica no cais, olhando pra Mulder, que sai de sua vida, repentinamente, do mesmo jeito como entrou.

Fade out.


04/02/2000

16 Janvier 2019 13:57:14 0 Rapport Incorporer 1
La fin

A propos de l’auteur

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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