zackyuchiha Zacky U.

Uma ligação inesperada, um encontro improvável e algumas doses de tequila. Itachi jamais se imaginaria envolvido de forma tão intensa nos mistérios que as terras mexicanas lhe reservavam. [ ItaSaku. | ViajaInk. | México. ]


Fanfiction Anime/Manga Interdit aux moins de 18 ans. © Todos os direitos reservados

#misticismo #romance #viajaink #naruto #itachi #sakura #itasaku #Itachi-Sakura #méxico #álcool #heterossexualidade #universo-alternativo
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No dia de los muertos.

NOTAS INICIAIS


Desafio Mapa-múndi, México.


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Itachi encontrava-se cansado naquele dia que parecia não acabar mais. O laptop aberto sobre a mesa em uma chamada via Skype com seu pai e o irmão mais novo, Fugaku e Sasuke, não era para matar a saudade por causa daquelas longas semanas que estava passando fora a trabalho, longe de casa, representando a família Uchiha.

No momento eles discutiam sobre uma cláusula burocrática nos contratos que os investidores queriam alterar. Rodavam em círculos naquele assunto por horas e a cabeça de Itachi ameaçava explodir a qualquer instante.

Como se seu precioso anjo da guarda tivesse atendido suas silenciosas e desesperadas preces, o telefone fixo tocou.

— Eu retorno para vocês mais tarde.— Itachi suspirou de alívio em ter aquele álibi perfeito para encerrar uma reunião familiar conflituosa sem ter que levar a culpa.

Não iria ligar de volta tão cedo.

Mal tirou o aparelho do gancho, do escritório em que estava trabalhando, e já foi bombardeado por uma falação afobada. A primeira coisa que despertou sua curiosidade foi a emoção que a voz latina transmitia, uma garota, e ela mostrava-se zangada com algo. A segunda coisa que lhe prendeu em transe naquele telefonema maluco foi o timbre instigante.

Não sabia quem era, obviamente, mas tinha certeza que era jovem e espirituosa. Pela quantidade de palavrões que soltava também não devia ser muito culta ou instruída, ousava dizer.

Então, pelo que Itachi estava entendendo da história: um cara tentou batizar a bebida dela, a prima viu antes e a avisou.Que tipo de homem faria uma coisa dessas?Isso era comum no México?Itachi ouvia tudo horrorizado, esquecendo-se momentaneamente que aquilo não era da conta dele.

Afrouxou o nó de sua gravata, arrumou-se melhor na cadeira de couro e mergulhou naquele mundo paralelo, fugindo da sua realidade estressante e afundando em uma bem mais animada.Uou,põe animação nisso!

Como vingança contra o garoto, Sakura - apesar do nome com a mesma origem do seu, pelo sotaque Itachi apostaria que ela era nativa daquele país, tendo um jeito muito peculiar de narrar os próprios diálogos da sua confusão:

Sakura, não, só vai causar mais problemas!– Contou o conselho da prima quando ela, pegando escondido o laxante da avó, colocou na cerveja do tal Ramon. Por isso, pela manhã ele teve que pagar o dobro das diárias do hotel, pois além do bêbado ter vomitado por todo o corredor até o quarto em que estava hospedado, ainda defecou todos os lençóis brancos da cama, e toalhas no banheiro. O chão então, nem se falava. Aquele andar teve que ficar interditado o dia inteiro e o prejuízo foi todo para a conta dopatife canalha.

Itachi amenizou a tradução de como realmente a latina estava se referindo ao mau caráter que tentou se aproveitar dela de forma tão baixa. Quando imaginou a cena deprimente de bosta espalhada para todo lado - parecia até coisa de filme, filme mexicano! - não aguentou mais segurar a risada.

Sakura congelou do outro lado da linha quando escutou uma voz grave e masculina sorrindo anasalado.

— Dulce? — A voz agora parecia atônita. — Quem tá falando? — Mesmo com a surpresa, foi possível detectar um fio de irritação no timbre potente.

— Desculpe... — Itachi limpou a garganta, tentando se recompor. — Você ligou engano — explicou colocando uma mão sobre a boca e se esforçando para dissipar imagens grotescas que o cérebro gerou após o final da história.

— Então, quem tá falando? —Ela refez a pergunta. A entonação parecia horrorizada enquanto Itachi ainda tentava parar de rir.

— Me chamo Itachi. — Resolveu falar a verdade.

— Não sente vergonha por estar ouvindo a vida dos outros como um espião, Itachi? — Rosnou do outro lado da linha. O Uchiha acreditou por um momento que, se estivessem cara a cara, ela começaria a arremessar coisas contra ele.

— Foi você que me ligou para início de conversa,señorita. — Se defendeu.

— E ainda me fez perder meu tempo! Agora minha amiga já deve estar com alguma galera e eu vou passar o dia dos mortos sozinha!HRR— Desligou o telefone na cara dele.

Itachi olhou para o aparelho sem conseguir acreditar, balançou a cabeça em negativa, ainda rindo um pouco, e terminou de organizar seus pertences. Qualquer um o consideraria sortudo por estar em Cancún naquela época do ano, mas a verdade é que ele queria estar em casa.

Fora do escritório havia uma gritaria esbaforida, as pessoas dançavam e cantavam fantasiadas pelo meio das ruas. Consolou-se que pelo menos o ritmo havia diminuído se comparado ao decorrer do dia. Já era no final da tarde. Não era muito fã de festas e bailes, entretanto confessaria que, se pudesse, tomaria umas cervejas. Obstáculo: não conhecia ninguém ali, estava sozinho.

Sakura também estava sozinha.

Não entendeu o porquê daquele pensamento lhe parecer tão convidativo e interessante, mas a ideia ganhou força em seu interior. Quando se deu conta, já havia discado o número da última chamada. Não tinha nada a perder de qualquer forma. Achou que a ligação iria cair na caixa de mensagens e até ficou chateado, só que não iria insistir.

— Me dê uma boa razão para não chamar a polícia. — Ela parecia ainda estar irritada com ele.

— Caso não queira eles como companhias esta noite, também estou sozinho. — Respondeu sarcástico. Sakura levou uns segundos digerindo o que Itachi acabara de propor implicitamente.

Suspirou derrotada. Quando discou o número certo da amiga ela já estava tão bêbada que era provável que tequila circulasse em suas veias no lugar de sangue. Não conseguia nem se lembrar de quem era Sakura. E, talvez fosse melhor assim, apesar disso a entristecer.

— É bom que a sua cara não seja tão arrogante quanto a sua voz! — Cedeu contrariada. Não tinha outro plano que não fosse beber sozinha e abandonada,mierda, era deprimente demais!

Se algo desse errado pediria licença para ir ao banheiro e fugiria pelos fundos. Simples assim.

[...]

Surpresa: o rosto dele era tão arrogante quanto a voz.

Entretanto, Sakura não achou aquilo ruim, nenhum pouco. Marcaram de se encontrar em um bar que ficava no meio do caminho onde os dois estavam e Sakura chegou primeiro. Quando viu o homemmuy hermosoentrando pela porta de aparência meio rústica, sentiu o coração descompassando de leve.

Ele, assim que colocou os olhos nela, foi seguindo até sentar-se na cadeira na frente da sua.

— Você tem mesmo o cabelo pintado de rosa. — Itachi achou que ela estava brincando pelo telefone. Sakura mostrou sua caneca para o garçom atrás do balcão, sinalizando que queria mais uma para o convidado.

— O seu não é exatamente um exemplo a ser seguido. — Por mais estranho que possa parecer, o cabelo maior que o normal dele não ficava ridículo, como Sakura diria se alguém lhe perguntasse. As madeixas negras amarradas em um rabo de cavalo baixo davam a ele um ar másculo e as poucas mechas soltas que contornavam o rosto harmônico lhe conferiam um ar de seriedade. Os olhos, também escuros, causavam um contraste intrigante contra a pele clara.

O conjunto era impecável.

— Pelo menos ele mantém uma cor aceitável. Você perdeu alguma aposta ou algo do tipo? — Apesar das explícitas alfinetadas, os olhos deles não quebravam o contado nem por um segundo, como dois imãs atraídos por um campo magnético. Curiosos.

— Já ouviu falar de uma novela chamada “Rebeldes”? — Ela começou a explicar enquanto o garçom servia um copo para Itachi e enchia o seu novamente. —¿Qué hora es?— Perguntou para o rapaz, que se virou para responder:

Siete.

— Aquela que tinha até uma banda? Acho que isso foi febre no mundo todo. — Respondeu antes de beber, satisfeito, sua cerveja gelada.

— Essa mesmo. Eu tentei pintar o cabelo de vermelho para ficar igual o da Roberta, não deu muito certo. No fim acabei gostando do rosa e deixei por isso mesmo. – Concluiu direta.

— O sucesso deles deve ter mais de dez anos, é tão fã assim que resolveu manter até hoje?

— Hoje eu tenho outras razões pra não conseguir mudar a cor do cabelo, mas acredite, eu era doente neles. — Ela arregalou os belos e enormes olhos verdes para dar ênfase naquelas palavras e Itachi os achou ainda mais atraentes.

Apesar de provocá-la quanto a coloração de seus fios, admitia internamente que não influía em nada. A garota era linda, duvidava que qualquer tom mais excêntrico que aquele fosse nublar a beleza do rosto marcante.

— Cantar as músicas e fazer as danças então é o mínimo que você sabe fazer? — Resolveu instigar só pra continuar ouvi-la falando. Gostava da voz dela.

Sakura levantou a barra da blusa. Itachi franziu o cenho e se curvou de lado na mesa para olhar o que ela tentava lhe mostrar.

— Doente. — Enfatizou diante da expressão de surpresa dele enquanto lia as iniciais“RBD”tatuadas ali, no canto da barriga dela.

— Não brinca comigo. – Ele só conseguiu parar de olhar quando ela voltou a tampar-se.

— Em minha defesa, eu tinha quinze anos e meus pais não conseguiam ficar de olho em mim vinte e quatro horas por dia. — Deu de ombros fazendo um biquinho travesso.

— Mas hoje tem cirurgias que poderiam remover isso sem problemas. Se você quisesse, claro. — Usou um tom bastante irônico no final da frase.

— É tarde demais. – Declarou antes de suspirar nostálgica e aquelas palavras não fizeram sentido para o Uchiha. — Seu nome, bem como suas feições, você é Japonês? — Ela mudou de assunto antes que ele questionasse alguma coisa.

— Tenho descendência. Você é a primeira mexicana chamada "Sakura" que conheço. — Itachi estava mesmo curioso com aquilo.

— Meus pais eram donos de um hotel e restaurante na beira do mar, então tinham contato com muitos turistas. Minha mãe escutou esse nome uma vez e achou lindo. Cá estou eu. – No final da frase terminou sua segunda caneca e já pedia outra.

Itachi fez algumas perguntas sobre a infância dela, parecia muito surreal crescer em praias tão belas quanto as deles. Algumas histórias travessas foram engraçadas.

— Só eu que estou com fome? — Só não esperou o outro responder ou algo do tipo. Gritou para o cara da bancada um pedido. — Curte tortilhas? — Perguntou.

Dessa vez, esperando que ele opinasse.

— Acho que nunca comi. — Respondeu sincero, o que a fez reproduzir um som esquisito e alto em reprovação. Precisava admitir: Sakura era uma figura e tanto, que estava intrigado com ela era o mínimo. Parecia tão espontânea que era como se brilhasse, quem sabe no mesmo tom elegante que seus orbes esmeraldas.

— Vamos resolver esse problema então.¿Qué hora es?– Perguntou. Itachi franziu cenho e buscou o próprio telefone, ela parecia não carregar nada consigo.

— Oito e quinze. – Respondeu curioso, todavia, não chegou a questionar. A conversa fluía com facilidade e não demorou muito para o pedido deles chegarem.

— Não é a melhor já feita. — Sakura mordeu um pedaço primeiro, morta de fome, como havia alertado. — Mas dá pro gasto para um turista desinformado. — Itachi sorriu, também pegando aquela espécie de folha com salsa. Os olhos negros inspecionavam o alimento, girando-o entre os dedos. — É melhor você segurar isso direito, não vai querer que caia. — Sakura alertou de boca cheia.

— Você mesmo disse que não é das melhores. — Respondeu provando um pedaço.

— Não é por isso. Se você derrubar vai ter que suportar a companhia de alguém muito chato. — Ela nem se deu conta da referência que aquela superstição fazia com a situação em que se encontravam. Itachi riu sozinho da primeira piada que lhe passou pela cabeça, resolveu fazer a segunda:

— Você deve ter derrubado uma mais cedo. — Brincou. A garota colocou imediatamente uma mão sobre a boca para conseguir sorrir sem que ele tivesse o “privilégio” de ver a comida mastigada lá dentro. Seria nojento.

Sakura confirmou com o polegar aquela teoria, entrando na onda, o que o levou a amaçar uma bolinha de papel, com o guardanapo da mesa, e arremessar contra ela só para provocar.

Engraçada e divertida, Itachi notou que seu riso saía fácil na presença descontraída dela. Além de ser uma jovem muito bonita, não deveria ser muito mais nova que ele, porém bebia como se já tivesse passado por muita coisa.

— Como assim você tá no México e não virou nossas principais doses? — Sakura perguntou contrariada depois de muita conversa boa jogada fora, assim como vários copos esvaziados. Assobiou para o garçom e fez um símbolo com as mãos. Não demorou muito para ele vir carregando dois shots de tequila. — Já traga outra, e também mais duas deMeskal. — Disse virando o seuJosé Cuervo.

Itachi seguiu seu exemplo sem demora.

— Tem um... Verme?... Dentro da minha bebida. - Ele notou quando o tal doMezcalfoi servido.

¿Qué hora es?— Sakura perguntou para o garçom, que lhe respondeu: Dez. — Essa é a ideia,Cagón. — Piscou um olho antes de virar o seu copo. Itachi olhou mais uma vez para o bicho, até jurou que ele havia se mexido.

Sakura fez seu som habitual de repreensão e pegou o copo dele, ameaçando tomar tudo sozinha, mas Itachi foi mais rápido em lhe tomar de volta e beber tudo de uma vez.

Muy bien.— Parecia satisfeita.

Ainda beberam mais cerveja e o jeito ousado dela cativava Itachi de um jeito único, a gargalhada parecia contagiar cada pedacinho seu. Até que ela o chamou para caminharem, as ruas já deviam estar mais calmas, todos deveriam estar apagados e bêbados em suas camas, ou em becos, ou nas areias das praias.

Pagaram a conta e saíram do bar um pouco tontos, entretanto, alegres como nunca.

— Eu não entendo como vocês podem ficar tão felizes comemorando algo tão triste como a morte. — Itachi falou em determinado momento. Sakura os guiava para um bairro onde a tradicional festa era comemorada com maior afinco, a decoração ficava cada vez mais característica.

— Para nós, a morte é divertida e engraçada.La Catrinaé uma ótima senhora. Sem contar que as almas vão para um lugar melhor, não há motivo para tristeza. — Ela respondeu como se fosse óbvio.

— Só que perder pessoas queridas nunca será fácil ou tão empolgante como fazem parecer. — Contra argumentou.

— Você pode lamentar todos os dias do ano, menos hoje. Não vai querer que no único dia que seus amigos e familiares podem te rever, você esteja deprimido. — Itachi bufou diante daquelas palavras.

— Com isso eu chego à conclusão que: o catolicismo, quando entrou em contato com a bagagem cultural Maia e Asteca de vocês, fez uma mistura única e intrigante. Isso eu admito. — Tentou usar a razão, já havia estudado sobre o assunto, então falava com propriedade.Sem contar que com seus diplomas e domínio em várias línguas era o típico “espertinho” da família.

Seu pai o chamava de gênio.

— Isso não é algo que possa ser entendido aqui, Uchiha. — Ela cutucou o meio de sua testa com a ponta dos dedos, médio e indicador, antes de direcioná-los para o lado esquerdo de seu tórax. — Mas aqui. — Sakura não se abalou com o ceticismo que ele demonstrava.

Itachi ficou intrigado com o gesto que ela acabou de fazer em sua testa. Aquela era uma tradição dos ancestrais da sua família, era como declaravam seu amor sincero. Sakura não tinha como saber disso, então tudo não passava de uma enorme coincidência, que o fez engolir em seco. Resolveu não discutir mais aquele assunto religioso.

— Bem, fome eles não vão sentir. — Entrou no clima quando passaram por altares cheios de alimento montados em muros de casas.

— Esses são feitos para quando toda a família morre, os amigos sempre comparecem para que os mortos não caiam no esquecimento.

— As flores também combinam por alguma razão especial? — Itachi notou que a maioria possuía a coloração laranja.

Cempasuchil. Elas só florescem nessa época do ano. São como o sol e seus raios, colhidas para poderem iluminar os mortos. — Explicou. — Qualquer detalhe que você ver terá um significado. — Desafiou.

— As velas geralmente são vendidas em pacotes fechados, então todos combinam de comprar da mesma marca? — Brincou, arrancando um sorriso da bela garota.

— Não, mas no primeiro dia acendemos somente as pretas, que simbolizam todas as almas. Depois são as brancas com a chegada das crianças. E por último as coloridas em homenagem a todos. — Ditou categórica.

Itachi fez um bico de quem estava impressionado. Apesar da diversidade de cores e presentes, as ruas realmente encontravam-se bonitas, com fitas e em algumas casas, balões.

— Para onde estamos indo? — Perguntou quando notou que ela parecia ter um destino certo.

— Para um altar em especial. Está com medo? — Sakura provocou e, por um momento, Itachi achou que as íris verdes faiscaram mais do que seria humanamente possível.

— De modo algum. — Respondeu. Deveria estar bêbado já, porém, não conseguia mais desviar os olhos dos dela, que lhe fitavam na mesma intensidade.

Sakura se aproximou dele a passos lentos e, quando estava em seu alcance, Itachi esticou um dos braços e a puxou para si, afoito. A tequila os mantinham quentes naquela noite gelada, contudo, nada se comparava ao calor único dos corpos em contato um com outro. Jogou os braços delicados ao redor do seu pescoço e bagunçou as madeixas escuras enquanto ele lhe apertava pela cintura.

Beijaram-se desejosos no meio da rua e Itachi sentiu-se um adolescente vivendo uma noite que parecia insana em cada detalhe. Foi puxando-a para o canto, até poder prensá-la contra um muro e ganharem, dessa forma, um pouco mais de privacidade.

Os lábios molhados pelo álcool deslizavam com facilidade uns sobre os outros, as línguas brigavam por dominância e Itachi sentia cada parte do seu corpo corresponder aos suspiros arrastados que Sakura soltava contra sua boca, à medida que ele ia apertando o corpo menor que o seu.

O beijo foi se intensificando, embriagando-os mais do que todas as inúmeras cervejas que haviam ingerido naquele bar. Até que Itachi, completamente envolvido, tentou suspendê-la pelas pernas, contra a parede, infelizmente ela separou as bocas de forma súbita, podendo ouvir-se na esquina solitária apenas o som das respirações descompassadas, o ar carregado de tensão.

¿Qué hora es?— Perguntou.

— Você tem algum compromisso marcado? — Ele questionou olhando em seu celular guardado no bolso, já havia notado há muito que Sakura parecia monitorar o tempo que passava. — Onze e meia.

— Temos que ir! — Ela disse se desvencilhando dele e puxando-o pela mão com pressa.

Subiram uma ladeira e Itachi ainda tentava recuperar o fôlego, Sakura tinha um gosto bom. Depois de alguns minutos caminhando em silêncio chegaram em frente a uma casa grande, porém simples. Como a maioria daquele bairro, possuía um altar com oferendas, flores e velas já quase se esgotando no portão da entrada.

— Chegamos. — Disse e, pela primeira vez na noite, Itachi não sentiu o tom animado no qual havia o cativado desde o começo.

— Onde exatamente? — Perguntou seguindo o olhar dela, que encarava o altar de um jeito indecifrável. Havia várias fotos espalhadas pelos degraus.

— Essa é a casa da minhaAbuela. Ela faz esse altar todo ano. — Sorriu tristonha.

— Então é aqui que você mora. – Achou ter entendido.

— Não exatamente. — Sakura estendeu sobre o altar e pegou um chocolate em formato de caveirinha.

— Não vai ofender alguém? — Itachi provocou.

— Pode ficar a vontade. — Vendo-a abaixar-se minimamente estendendo um braço de forma teatral sobre as oferendas, como se estivesse lhe oferecendo um banquete. O Uchiha balançou a cabeça em descrença, mas esticou-se para procurar algo que pudesse lhe agradar.

— De que são feitos essas caveiras com... — Cerrou os olhos se atentando a um detalhe. —... Nomes escritos.

— São feitos de açúcar. Pode pegar aquele ali! — Apontou para uma mais no canto esquerdo do altar. Itachi pegou e franziu o cenho quando, antes de morder o doce que ela indicou, leu o nome que havia entalhado no açúcar.

— Esse tem um nome igual ao seu. Sua família é bem peculiar. — Mordeu e constatou que tinha um gosto bom. Uma foto, entre tantas, lhe chamou a atenção. A pegou e alisou os traços daquela criança sorridente de olhos claros, achou familiar.

Tudo caminhava tranquilo, até que Itachi sentiu um calafrio estranho passar por toda extensão de sua espinha. De repente um silêncio mórbido tomou conta da noite e era como se o ar tivesse parado de se mexer. Contudo, uma brisa suspeita balançou as flores de um arco grande que estava no último degrau daquele altar. Itachi encarava o objeto como se esperasse alguma reação viva dele.

— Aposto que você também não sabe o significado do arco com flores.

— Aposta um beijo? — Ele rebateu traquina, fazendo-a rir abertamente, lembrando um pouco a leveza que carregava no início da noite.

— Apostado. — Lhe piscou o olho com diversão, mais uma vez, um brilho incomum transpassou pelos orbes verdes. Itachi desejou ter bebido um pouco menos. — São portais. Passagens para que as almas passem do outro mundo para esse.

Ele assentiu. Nunca imaginaria que aquela seria a função.

— Se eles estão em um lugar melhor, por que iriam querer voltar para aqui? — Sentiu que agora a pegaria na contradição, sua razão contra todo aquele misticismo.

— Geralmente não, de fato. Elas não vêm. Ao menos que estejam observando e encontrem algo interessante que valha a pena. Como um belo homem, inteligente, reservado, precisando sair para relaxar... — Itachi riu da brincadeira que ela fazia.

— Sim, cla... — Interrompeu sua fala quando, virando o rosto para encará-la, não a encontrou mais lá.

— Seus olhos escuros, são tão lindos. Acho que nunca me esquecerei deles. — Sakura disse do outro lado dele, o oposto que estava há pouco menos de um segundo.

— Como você...

— Meu tempo acabou. Foi um prazer lhe conhecer... Itachi. — Então ela deu aquele sorriso largo e sincero que havia ganhado o coração de Itachi na primeira vez que o viu. Um vento estranho começou a rodeá-la e bagunçar as madeixas rosa.

Itachi virou o corpo todo para frente dela, sentindo a cabeça rodar, a mente não conseguia associar as informações que os sentidos captavam, nada fazia sentido. Sakura caminhou, mas parecia flutuar, passando por ele e esbarrando em seu ombro com delicadeza.

Era mais baixa, entretanto inclinou a cabeça e soprou em sua direção de forma que Itachi sentiu como se ela houvesse depositado um beijo em sua bochecha. Sua mão foi rápida e a segurou pelo pulso. Sakura olhou para baixo, e quando ergueu o rosto sentiu os lábios sendo tomados mais uma vez pelos embriagados do Uchiha. Permitiu-se aquele último contatocaliente, todavia, infelizmente, teve que interromper por causa de um chamado que apenas ela escutava.

— Quando vou lhe ver de novo? — Perguntou de olhos fechados, entorpecido pelos leves beijos que Sakura ainda depositava em sua boca.

— Esteja aqui no ano que vem. — Sorriu e ele sabia a cara que estava fazendo só pela entonação que ela usou. —Hasta luego. — Dessa vez o sussurro parecia reverberar apenas em sua mente, e o pulso que segurava há poucos instantes simplesmente se desmaterializou.

Itachi abriu os olhos e viu que estava sozinho na rua. O ar voltou a se mover e ele tinha a impressão de que o vento realmente entrava e saía por aquele arco de flores. Havia bebido demais? O que havia acontecido ali? O que era realidade?

O que não passava da sua imaginação?

Só havia um jeito de ele descobrir aquilo: estando naquela cidade no dia dois de novembro do ano seguinte.

No dia de los muertos.


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NOTAS FINAIS


Hey guys, então, sou novo na plataforma e esse é o meu primeiro desafio. Espero que tenham gostado \o/



23 Novembre 2018 19:49:58 14 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
5
La fin

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MiRz MiRz
Olá, eu sou a MRz e venho pelo Sistema de Verificação do Inkspired. Sua história está “em revisão” porque em alguns lugares da sua história, há algumas palavras faltando. A frase “[...] nenhum pouco [...]” também está errada, sendo a forma correta “[...] nem um pouco [...]”. A expressão “a vontade” possui uma crase, sendo que o correto é “à vontade”. Depois de corrigido esses erros, é só responder esse comentário para que eu faça uma nova verificação. De resto, a história está maravilhosa, parabéns!
February 28, 2019, 22:28

  • Zacky U. Zacky U.
    Olá. Obg ^^ Os erros foram corrigidos. Aguardo. March 13, 2019, 21:02
Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá! Primeiro de tudo, pedimos desculpa pela demora para postarmos o comentário e faremos o possível para que esse atraso não se repita. Itachi e Sakura são um casal muito interessante! Você trabalhou bem eles dois dentro da sua história, mesmo mudando a nacionalidade dela. Teve todo uma curiosidade do porque a Sakura ficava perguntando toda vez que horas eram que foi muito bem resolvido e deu aquele choque ao saber o motivo kkkkkk Você se adequou muito bem ao tema fazendo a história de passar em um feriado tão importante que é Dia dos Mortos. A história está muito boa, com toda essa reviravolta sobre a Sakura! Agradecemos por ter participado! Até mais!
February 22, 2019, 16:28

  • Zacky U. Zacky U.
    Olá ^^ Sobre o atraso: tranquilo, entendo que vocês estão lutando bastante para que a plataforma melhore cada vez mais. Fico feliz pela minha história ter sido aprovada. Eu que agradeço pelo desafio, sinto que melhorei com ele. Abraços ; ) February 27, 2019, 14:25
Saah AG Saah AG
Olha, eu tenho que admitir que foi a primeira ItaSaku que eu li na vida e tb tenho que admitir que sempre tive um quê de preconceito com esse casal, mas acho q você foi a pessoa responsável por quebrar essa minha bobeira. Muito bem ambientalizado, parágrafos bem escritos, ótimos diálogos, boa dinâmica do casal (mesmo numa fic tão curta), enfim. Só tenho que te parabenizar. Foi uma ótima fic. Ps: eu percebi q a Sakura era um fantasma na hora que eles tavam de pegando no muro e era onze e meia da noite. Ps2: adorei as referências ao RBD.
December 03, 2018, 01:13

  • Zacky U. Zacky U.
    AAAA como é bom saber que você reconsiderou ItaSaku, meu coração ta só o mel agora. Eu amo esse casal (OTP), se quiser ler é só me procurar, vou migras várias histórias pra essa plataforma. Obg pelas palavras, fico lisonjeado ^^ Abraços ;) December 04, 2018, 15:18
Vamos lá: primeiro, essa é a primeiríssima obra sobre o ship que eu leio. E eu tô meio chocada por tê-lo shippado com tanto afinco. E o final, foi aquele plot twist que deixa a gente com aquela carinha de: UÉ, PORRA! Perdoe o linguajar, mas é que eu tava torcendo por um final feliz, rs. Eu gostei, combinou com o país escolhido e as tradições que por lá sabemos existir. Místico e com aquele toque de quero mais, que nos faz torcer avidamente para que eles se reencontre no próximo 2 de novembro! ;-; Olha que ship impossível, huh?! Why God, why?! Parabéns, por conseguir me cativar na leitura e torcer tanto por eles, sendo que nunca antes havia visto nada sobre o casal. Parabéns também por concluir o desafio <3
December 02, 2018, 21:45

  • Zacky U. Zacky U.
    Fico imensamente grato e muito feliz por você ter gostado! No meu coração ele volta todo ano para revê-la ^^ Eu amo ItaSaku, é meu casalzão da Porra, perdoe o linguajar haha se depender de mim verá muito deles por aqui. Muito obg por ter lido e comentado, é o que faz valer a pena tudo isso sz Abraços ;) December 04, 2018, 15:23
Yasu Wada Yasu Wada
Que plot twist inesperado, desde o princípio não tinha imaginado esse final! A sua fanfic me surpreendeu. Ela ficou realmente muito boa desde a parte da escrita e a ambientação. E ela com certeza deixou um gostinho de quero mais
December 01, 2018, 16:06

  • Zacky U. Zacky U.
    Oiê, fico feliz que tenha gostado ^^ Muito obrigado sz December 04, 2018, 15:15
Nathy Maki Nathy Maki
AAAAEEEEEEEE ADORO A SENSAÇÃO DE ACERTAR ALGO E ESSE ALGO ACONTECER! Tava esperando muito desde a primeira pergunta pela hora que ela fez. Amei!!! Espero que Itachi continue voltando mais vezes pra comprovar a verdade :v Mas tenho que dizer que bateu uma vontade de chorar pq tudo que eu conseguia pensar era em viva a vida é uma festa T.T Plot twist <3 Digamos que essa é a segunda fic itasaku que eu li na vida e nossa, cê escreve bem pra caramba! A ambientação tbm está ótima e eu adoro esse casal :3 parabéns pela história maravilhosa e que deixou uma coisa gostosa no peito! Beijinhos <3 P.s: eu concordo com a Ayzu, uma original desse tema ia ficar um arraso tbm, mas amei a fanfic <3
November 30, 2018, 02:20

  • Zacky U. Zacky U.
    Muito obrigado pelas palavras ^^ Eu amo ItaSaku, meu otp supremo, sou novo na plataforma, mas postarei muitas histórias deles ainda. Se bater uma vontade do nada sabes onde procurar haha No meu coração Itachi volta todo ano pra vê ela viu?! haha Abraços e mais uma vez obg sz December 04, 2018, 15:11
Ayzu Saki Ayzu Saki
EU ESTAVA ESPERANDO ESSE FINAL DESDE A PRIMEIRA VEZ QUE ELA PERGUNTOU AS HORAS. Feliz que não fiquei decepcionada hahahaha Que incrível, adoro esses plot twists. A estória me prendeu desde o começo também, apesar de ter gostado de ser fanfic, ela daria uma original incrível também.
November 23, 2018, 20:54

  • Zacky U. Zacky U.
    AAAAAA Muito obrigado ^^ Vlw pela dica, realmente tbm daria uma original. Fico feliz que tenha gostado sz Abraços ;) December 04, 2018, 15:09
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