lara-one Lara One

Nada acontece nos Arquivos X. Mas o tédio é quebrado. Scully precisa pagar por um favor recebido. E o preço é muito alto. Ela precisa escolher entre Mulder ou... alguém tão importante em sua vida quanto ele.


Fanfiction Série/ Doramas/Opéras de savon Interdit aux moins de 18 ans.

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S01#07 - HERODES


INTRODUÇÃO AO ESPISÓDIO:

Fade in.

Garagem do prédio de Scully - 11:00 P.M.

Krycek dá um beijo suave nos lábios de Scully, que está paralisada, não acreditando ainda no que ouviu.

KRYCEK: - Acredite, Scully. Fique longe dele como mulher. Pro seu próprio bem.

SCULLY: - (INDIGNADA) Eu e o Mulder temos um relacionamento profissional. Não acha que eu seria irracional a ponto de gostar de alguém que não tem outro assunto a não ser a irmã dele? Conspirações? Eu tenho uma vida, Alex Krycek, e não vou desperdiçá-la na companhia de Mulder. Já basta o meu trabalho!

Scully aproxima-se de Krycek. Encosta seu corpo no dele. Olha em seus olhos, com um olhar sensual. Passa as mãos no peito dele. Envolve seus braços no pescoço de Krycek e o puxa. Aproxima seus lábios e o beija, suavemente. Krycek fica sem reação diante da atitude dela.

SCULLY: - Siga você o meu conselho, Alex. Você é muito “gostoso” pra ficar por aí ameaçando as pessoas. Saia dessa enquanto pode.

Scully dá as costas, deixando Krycek desconfiado mas ao mesmo tempo, perdido.

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ LÁ FORA


BLOCO 1:

Arquivos X - 2:44 P.M.

Mulder, sentado em sua cadeira, atira lápis no forro de isopor da sala. Scully lê uma revista, sentada, com as pernas cruzadas.

MULDER: - (PREGUIÇOSO) Me parece que a temporada de paranormalidade está em baixa.

SCULLY: - (DESANIMADA) É.

Scully larga a revista.

SCULLY: - Mulder, quem sabe vamos revirar os arquivos? De repente encontramos algum caso interessante que não investigamos.

MULDER: - Não. Hoje não. Estou com preguiça.

SCULLY: - (INDIGNADA) Você? Mulder, você está com muita preguiça nos últimos dias! Nós não temos nada pra fazer, já li todas as revistas do mês... Até a Playboy da sua gaveta!

MULDER: - Scully, está começado a conviver demais comigo. Pode ser perigoso.

SCULLY: - Li a Playgirl também, Mulder.

MULDER: - Eu sei de uma coisa boa pra matar o tempo...

SCULLY: - (RELUTANTE) Mulder... Não.

MULDER: - (FRUSTRADO) Puxa, Scully, foi tão ruim assim que não quer repetir a dose?

SCULLY: - Mulder, temos que trabalhar. Não podemos...

MULDER: - Mas não tem nada pra fazer! Hoje é sexta-feira, tem o final de semana, segunda é feriado. Eu não sei o que estamos fazendo aqui!

SCULLY: - Tá certo. Vamos ‘investigar aquele caso’, sabe?

MULDER: - No seu ou no meu apartamento?

SCULLY: - Desta vez no meu. Tenho alguns “papéis” importantes pra mostrar.

O telefone toca. Scully olha pro telefone.

SCULLY: - Impressionante! Realmente há uma conspiração contra nós dois, Mulder. Basta pensar em... E já arrumam serviço pra nós!

MULDER: - Você escapou por pouco.... (ATENDE) Mulder? ... Um momento.

Mulder entrega o telefone pra ela.

MULDER: - (INVOCADO) É um homem... Pra você.

SCULLY: - (MALICIOSA) Hum... Quando eu não tinha nenhum, o telefone não tocava. Agora...

Mulder olha pra ela, disfarçando um certo ciúme. Scully atende.

SCULLY: - (SORRI DEBOCHADA/ OLHANDO PRA MULDER) Scully.

KRYCEK (OFF): - Lembra-se de mim, seu amigo Alex Krycek?

A fisionomia no rosto de Scully muda totalmente. Até o humor dela. Mulder percebe.

SCULLY: - Ah, sei...

KRYCEK (OFF): - Preciso de um favor. Não vai me negar, não é? Quando precisou, veio até mim. Agora é minha vez.

SCULLY: - Sei...

KRYCEK (OFF): - Encontro você às sete horas, no estacionamento do seu prédio.

Scully desliga.

MULDER: - Algum problema?

SCULLY: - Não, nenhum... Mulder, acho que vou pra casa.

MULDER: - (JOGANDO) Algum namorado antigo?

SCULLY: - (SORRI) Só tenho um homem na minha vida, Mulder. E sabe bem quem é.

MULDER: - (DEBOCHADO) E ele ficaria empolgado em ouvir seu nome pronunciado, seguido de “você é o meu homem”...

Scully sai. Mulder pega o telefone.

MULDER: - Aqui é o agente Mulder. Poderia verificar pra mim de onde veio a última ligação pro meu telefone?... Tudo bem, eu aguardo.

Mulder começa a cantarolar a música de Jornada nas Estrelas.

MULDER: - .... (PÁRA DE CANTAR) Sim... Daqui do Bureau?... Obrigado.

Mulder levanta-se. Pega o casaco e sai.


Gabinete do Diretor Assistente - 3:10 P.M.

Mulder entra na recepção. A secretária não está. Ele entra na sala de Skinner. Olha em cima da mesa. Olha pelo lugar. A secretária chega.

SECRETÁRIA: - O que está fazendo aí, agente Mulder? O diretor não está.

MULDER: - Eu sei que o Skinner foi viajar. Quero saber quem estava aqui.

SECRETÁRIA: - Ninguém esteve aqui hoje.

MULDER: - Há quanto tempo está fora da sala?

SECRETÁRIA: - Uma meia hora, tive que tirar algumas cópias...

MULDER: - Alguém ligou pra agente Scully desse telefone. Queria saber quem foi.

Mulder olha pro cinzeiro, em cima da mesa de centro. Está vazio. Tira um par de luvas do bolso e as coloca. Vai até o telefone e o tira da parede.

SECRETÁRIA: - O que está fazendo?

MULDER: - Vou tirar as digitais e já devolvo.

Mulder sai com o telefone nas mãos. A secretária o olha desconfiada.

SECRETÁRIA: - Bem que chamam ele de Estranho...


Apartamento de Scully - 3:43 P.M.

Scully abre a porta. Mulder, parado ali, a analisa com os olhos desconfiados.

SCULLY: - Mulder?

MULDER: - Posso entrar?

SCULLY: - É claro que pode.

Mulder joga o paletó no sofá.

MULDER: - Tenho que fazer uma pergunta. O nosso relacionamento está afetando você em alguma coisa?

SCULLY: - Como assim?

MULDER: - Você está estranha, Scully. Nos últimos dias tem estado distante... E hoje de manhã, depois daquele telefonema, você se transformou de Mr. Hide em Dr. Jekill!

SCULLY: - Mulder, eu... Estou passando por uma transformação na minha vida...

MULDER: - (IRRITADO) Não mente pra mim, Scully. Eu conheço você, são anos de convivência! Quando você abre a boca já sei até o que vai falar.

SCULLY: - ....

MULDER: - Scully, quero que saiba que estou aqui. Pra qualquer coisa. Boa ou ruim, como sempre foi. Nada vai mudar.

SCULLY: - ...

MULDER: - Se precisar de mim, sabe onde estou.

Mulder sai. Scully fecha a porta, nervosa.


Rua 46 Este - Nova Iorque - 4:35 P.M.

O Canceroso fuma tranquilamente. Krycek olha pela janela. Há outro velho do consórcio ali.

KRYCEK: - Está na hora.

CANCEROSO: - Ela já sabe o preço que vai ter de pagar, pela vida que devolvemos ao Mulder?

KRYCEK: - Ainda não. Mas tenho medo. Se ela vestir a camisa dele, o problema pode ficar sério.

CANCEROSO: - Mesmo que ela vista a camisa dele, literalmente, acho que não vai vestir a crença dele.

VELHO 1: - E se vestir? E se ela começar a concordar com tudo o que ele diz? Parar de contradizer o que ele pensa?

CANCEROSO: - Se isso acontecer, tenho os meus meios.

VELHO 1: - Teve chances de acabar com ela e perdeu todas! Acha que acredito que tem a situação sob controle? Deveria ter evitado antes. Você agora tem uma bomba nas mãos. Por que não tomou aquilo de Mulder quando podia?

CANCEROSO: - Não era o momento certo. Estávamos preocupados com Cassandra. E em omitir os fatos de Mulder. Não poderíamos levantar suspeitas.

VELHO 1: - Se os Rebeldes descobrirem, não teremos mais nenhuma negociação. Vão interpretar a verdade. Que os traímos. E dessa vez, não se contentarão em pegar a cobaia. Vão nos matar também. E não vai adiantar você empurrar a culpa em ninguém, como fez antes. É o seu pescoço que eles vão querer.


Garagem do prédio de Scully - 7:00 P.M.

Scully está parada, olhando pra todos os lados. Verifica a arma, se está carregada.

KRYCEK: - Não vai precisar disso, Scully.

Krycek, mãos nos bolsos da jaqueta de couro, sai de trás de uma coluna de mármore. Scully olha pra ele.

SCULLY: - Seja rápido, não tenho tempo pra perder com você.

KRYCEK: - Está com medo que alguém nos veja juntos?

SCULLY: - O Mulder está desconfiado.

Krycek aproxima-se dela. Passa a mão em seus cabelos.

KRYCEK: - Sempre admirei você. Apesar de muita gente não concordar comigo, acho que você é o alicerce de Mulder. Não subestimo sua competência. Não subestimo você. Aliás, sempre admirei a força e a sabedoria com que lida com as adversidades...

Scully afasta-se dele.

SCULLY: - Nosso assunto é profissional. Não preciso que me fale essas coisas.

KRYCEK: - Sabe que o Mulder não pode ficar sabendo do nosso segredinho sujo.

SCULLY: - O Mulder está fora disso. Eu tenho o controle da situação. Ele não vai saber de nada.

KRYCEK: - Não sente que o está traindo, faltando com a verdade? Se ele ficar sabendo, as coisas podem se complicar...

SCULLY: - O que quer de mim? Diga logo quem eu vou ter que matar pra você!

KRYCEK: - Não vai precisar matar ninguém. Não daria um serviço sujo assim, pra uma dama. Afinal, sou um cavalheiro.

SCULLY: - Poupe seu estoque de cinismo, Alex Krycek, e fale logo.

KRYCEK: - Preciso que entre num lugar pra mim.

SCULLY: - Onde?

KRYCEK: - Eu não sei. Se soubesse, eu mesmo teria ido até lá... Mas você sabe.

SCULLY: - Não estou entendendo.

KRYCEK: - Quero que pegue uma mercadoria pra mim. O melhor é que não vai precisar da chave. Você já a tem. (DEBOCHADO) Mulder deu pra você enquanto trocavam fluídos corporais.

Scully arregala os olhos.

KRYCEK: - Não tente mentir, Scully. Não são mais seus. São meus agora.

SCULLY: - Você não tem o direito...

KRYCEK: - (CÍNICO) Não, não, não. Fizemos um trato.

SCULLY: - Não me disse que o preço seria esse.

KRYCEK: - Se soubesse o preço, não teria salvo Mulder?

Scully cala-se.

KRYCEK: - Faria sim, não é Scully. É uma troca justa. A vida de Mulder pela de seus filhos.

SCULLY: - O que quer com meus óvulos? Não é útil pra você!

KRYCEK: - O que quero é problema meu.

SCULLY: - Vai criar outras Emilys? É isso? Outros híbridos humano-alienígenas?

KRYCEK: - Provas são provas, Scully. E não gostamos quando nos enganam dessa maneira. Ligo depois pra marcar o horário. Foi um  prazer negociar com você.

Krycek dá as costas. Scully fica parada, de olhos fechados.


Apartamento de Mulder - 11:30 P.M.

[Som: Making Love Out Of Nothing At All - Air Supply]

Mulder abre a porta. Scully está parada, com uma fisionomia de desespero.

SCULLY: - Preciso de você, Mulder. Me abraça!

Mulder a abraça, preocupado.

SCULLY: - Não me faz perguntas, por favor, Mulder. Só me abraça.

Mulder fecha a porta.

MULDER: - Vem, vou te fazer um chá. Vai se sentir melhor.

SCULLY: - Não quero chá, Mulder.

Scully abraça-se nele. Segura as lágrimas.

MULDER: - Scully, quer me dizer o que está acontecendo?

SCULLY: - Eu não deveria ter vindo aqui. Não posso falar nada pra você. Não insiste, Mulder, por favor. É um problema meu.


BLOCO 2:

Pistoleiros Solitários - 6:46 A.M.

Mulder está no computador. Langly ao lado dele. Frohike dorme atirado numa poltrona. Langly boceja.

MULDER: - Eu não entendo. Por que não consigo acesso nessa droga?

LANGLY: - Deixa eu tentar. Sou um expert em senhas falsas.

Mulder levanta-se. Langly senta-se no lugar dele. Começa a digitar alguma coisa no teclado.

LANGLY: - Pronto. Entramos no sistema.

MULDER: - Vocês precisam me ensinar esses truques... Onde está?

LANGLY: - Aqui.

MULDER: - Vejamos... (ESPANTADO) Não, não pode ser verdade!

LANGLY: - Acredite, amigo. É verdade sim.

MULDER: - Mas isso é impossível!

LANGLY: - Cientificamente não.

Frohike acorda com o barulho deles.

MULDER: - Isso é impressionante!

LANGLY: - Daria um Arquivo X.

Frohike aproxima-se do computador. Olha pra tela.

FROHIKE: - Eu não acredito! Estão no site das “Peitudas da Califórnia” de novo? Pensei que estivessem investigando alguma coisa inexplicável.

LANGLY: - Já viu o tamanho desses peitos? Isso sim é inexplicável!

FROHIKE: - Ah! Silicone barato!

Frohike vai pra cozinha. Byers está sentado, lendo o jornal.

FROHIKE: - Quem morreu, quem matou, o que foi roubado e qual é a mentira do dia?

BYERS: - Muitas.

Frohike prepara um café.

FROHIKE: - Aqueles dois pervertidos estão na Internet de novo...

BYERS: - (DESCONSOLADO/ FECHA O JORNAL) ... Nada.

Frohike olha pra ele sem entender.

FROHIKE: - O que está procurando? Emprego?

BYERS: - Não. Alguma coisa que pudesse me dizer onde está a Susanne...

FROHIKE: - Shiii, meu amigo. Você não sai dessa mesmo!

BYERS: - Frohike, você nunca se apaixonou?

FROHIKE: - Que tipo de pergunta é essa pra uma manhã de Sábado?

BYERS: - ...

FROHIKE: - É claro que já. Mas não desse jeito aí, como você.

BYERS: - Talvez porque ela não estivesse envolvida numa conspiração do governo...

Mulder entra na cozinha. Esfrega as mãos.

MULDER: - Conspiração? É comigo mesmo!

BYERS: - Estamos falando de amor.

MULDER: - Ah!

FROHIKE: - Supostamente você não sabe o que é isso.

MULDER: - Frohike, você sabe a minha filosofia: Tenho meu território, mas às vezes gosto de uma invasãozinha.

Mulder pega a xícara de café de Frohike.

FROHIKE: - Isso é que chamo de invasão de território!

Mulder tira o jornal das mãos de Byers.

MULDER: - O que tem aqui? Hum... (COLOCA O JORNAL NA FRENTE DO ROSTO)

BYERS: - A educação que teve da mãe dele é impressionante.

FROHIKE: - O que esperava? Já viu a mãe dele? É a coisa mais cataléptica que eu já vi!

MULDER: - Mãe é mãe, respeite a minha que eu evito comentários sobre a sua...

FROHIKE: - Mulder, me diz uma coisa.

Mulder abaixa o jornal. Olha pra Frohike. Byers olha pra Mulder.

FROHIKE: - Há tempos você não vem aqui durante a madrugada pra ficar matando tempo com o Langly. O que tá acontecendo?

MULDER: - Nada.

FROHIKE: - Ah, essa não!

MULDER: - ... Tô me sentindo sozinho. Apesar do peixe estar lá em casa.

FROHIKE: - (DESCONFIADO) Peixe ou sereia?

Byers ergue a cabeça, sem entender o que eles estão falando.

MULDER: - (IRRITADO) O que é isso? Interrogatório?

FROHIKE: - Aposto que tem uma mulher no seu apartamento.

MULDER: - (DEBOCHADO) Mulher? O que é isso? Aquelas coisas que aparecem nas revistas?

FROHIKE: - Não se faz de espertinho. Você está tendo um caso.

Langly entra na cozinha, estupefato.

LANGLY: - Mulder? Tendo um caso? Isso sim é um Arquivo X!!!

FROHIKE: - Olhem bem pra cara dele de quem quebrou um jejum sexual de quase 8 anos!

LANGLY: - (PASMO) Oito anos? Não, isso é que é um Arquivo X.

FROHIKE: - Sim, desde que Diana Fowley foi embora, não sei do Mulder dormindo com alguém. E se conheço bem o fracasso das cantadas dele, são 8 anos de abstinência sexual...

BYERS: - Deixem o Mulder. Ele está treinando para monge casto.

MULDER: - Ei, ei, ei! Desde quando sabem da minha vida sexual? Como podem falar de mim na minha presença?

LANGLY: - Prefere pelas costas?

MULDER: - Não gosto de nada pelas costas.

FROHIKE: - Pensei que ele fosse nosso amigo. Mas oculta até as namoradas. Que mal tem em dizer que está saindo com alguém? Pelo menos um dos quatro está se dando bem.

Os três olham inquisidores pra Mulder.

MULDER: - Tá bom, tá bom! Tem uma garota dormindo na minha cama. Conheci ela num bar ontem à noite. Foi instantâneo.

FROHIKE: - E por que a deixou sozinha?

MULDER: - Ela queria ficar sozinha... (DISFARÇA/ OLHANDO O JORNAL) Cadê o editorial de polícia daqui?

BYERS: - No final.

Frohike olha intrigado pra Mulder.

FROHIKE: - Mulder, acho que a “garota” gostaria que estivesse lá com ela. Não acha?

MULDER: - Quer parar de se intrometer na minha vida? Eu sei até onde vai o meu espaço. Por isso respeito o dos outros!

Mulder olha indignado pro jornal.

MULDER: - Viram isso? Mais círculos estranhos nas plantações de trigo em Idaho.

BYERS: - Não acha que isso pode ser coisa humana?

MULDER: - (DEBOCHADO) Quando olho pra vocês, começo a me perguntar se existe vida inteligente na Terra...

Mulder larga o jornal. Levanta-se.

FROHIKE: - Onde vai?

MULDER: - Acho que vou pra casa. Pegar algumas coisas e ver o que está acontecendo em Idaho.

Mulder sai. Frohike olha para os outros.

FROHIKE: - Duvido que ele vai pra Idaho. Tem coisa aí.


Apartamento de Mulder - 8:30 A.M.

Scully acorda-se. Olha pro lado. A cama vazia. Senta-se na cama. Mulder entra com uma bandeja de café da manhã. Ela sorri.

SCULLY: - Hum... Com direito a rosa vermelha?

MULDER: - Ah, isso é bobagem! Roubei da vizinha.

SCULLY: - Mulder, acordou cedo hoje.

MULDER: - Pra dizer a verdade, não consegui dormir. Fui ver os rapazes. Investigamos a madrugada toda, a anatomia de algumas garotas californianas pela Internet...

SCULLY: - (SORRI) Isso é vício, Mulder.

MULDER: - (SÉRIO) Não. É fuga. Faço isso quando estou encucado com alguma coisa, seja problema meu ou de quem eu gosto.

Scully fica séria.

MULDER: - Me senti frustrado por saber que podemos dividir segredos mundiais, mas não particulares.

SCULLY: - Não é nada, Mulder. Problemas de família. Da minha família.

MULDER: - (INDIGNADO) E o que tem a sua família? O mala do Bill ganhou uma passagem pra Plutão só de ida? Ou o Charles, “The  Phantom”, resolveu aparecer?

SCULLY: - Minha mãe não está se sentindo bem.

MULDER: - Ah!... Scully, você mente descaradamente, sabia?

Scully encosta-se no travesseiro. Faz um beiço. Cruza os braços.

SCULLY: - Por que não acredita em mim, Mulder?

MULDER: - Porque você está mentindo! Scully, posso dizer agora o que você está sentindo.

SCULLY: - Ah, é? E como pode saber?

Mulder senta-se ao lado dela. Ela recua.

MULDER: - Vamos fazer um joguinho, ok? Primeiro: Está se afastando de mim, o que significa que está me escondendo algo. Ponto?

SCULLY: - Não vou dizer.

MULDER: - Tá bom. Segundo: Está de braços cruzados. Posição de defesa. Terceiro: Seu biquinho. Desaprovação por eu estar certo. Quarto: Suas sobrancelhas estão caídas. Sinal de medo. Quinto: Seus pés estão pra fora da cama e você está nela. Quer ir embora daqui e ao mesmo tempo quer ficar. Continuo?

Scully olha intrigada pra ele.

MULDER: - Reações psicossomáticas, Scully. Cinésica pura. Percepção dos movimentos, valendo-se da simbologia deles.

SCULLY: - Muito bem, dr. Mulder, você é um grande psicólogo. Perdeu uma carreira! E qual é o meu problema, segundo sua avaliação clínica?

MULDER: - (DEBOCHADO) Sexo. Falta de sexo.

SCULLY: - Que visão mais Freudiana!

MULDER: - Quer a de Jung?

SCULLY: - Não. Não estou com falta de sexo.

MULDER: - Ainda bem. Me sinto menos culpado.

Scully ri. Põe os pés sobre a cama. Mulder olha pra ela.

MULDER: - Ah, consegui fazer você ficar...

SCULLY: - Mulder, você é um amor, mas não pode me ajudar. Eu tenho que fazer uma coisa. Foi decisão minha. Não me arrependo da escolha, mas sofro com ela. Porque queria as duas coisas. Só peço que respeite minha privacidade.

MULDER: - Tudo bem, está respeitada. Quer ficar sozinha, pensando, fique. Acho que vou pra Idaho ver alguns círculos nas plantações de trigo. Talvez ache um alienígena por lá. Existem muitos “alienígenas” em Idaho.


11:45 A.M.

Mulder entra no carro, estacionado na frente de seu prédio. Coloca uma mochila a seu lado. Vê Scully saindo no carro dela. Espera ela sumir. Então sai do carro. Anda em direção ao prédio. O celular toca.

MULDER: - (ATENDE) Mulder.

SKINNER (OFF): - É o Skinner. E o houve?

MULDER: - Eu não queria atrapalhar o fim de semana, mas... Quem tem acesso à sua sala?

SKINNER (OFF): - Como assim?

MULDER: - Alguém ligou de lá pra Scully. Se visse a cara dela, ficaria tão intrigado quanto eu estou. Tem alguma coisa fedendo pelos cantos, Skinner. E eu não costumo me enganar.

SKINNER (OFF): - Onde você está?

MULDER: - Voltando pro meu apartamento. Menti pra ela que iria pra Idaho.

SKINNER (OFF): - Vou até aí...

MULDER: - Não, não precisa, eu resolvo isso. Tentei achar digitais no telefone, mas nada. Quer minha teoria?

SKINNER (OFF): - Qual é?

MULDER: - Você me disse que não tinha nada a ver com o “assunto” Hancock, certo?

SKINNER (OFF): - Não está pensando que Scully matou Hancock!

MULDER: - Não. A Scully não o faria. Mas a ingenuidade dela a faria buscar ajuda. E estou começando a suspeitar daquilo que você me falou, de que o Canceroso ofereceu ajuda e Scully ficou realmente tentada...

SKINNER (OFF) : - Não, Mulder. A Scully não aceitaria ajuda deles, nem concordaria que matassem Hancock.

MULDER: - E se não soubesse que matariam Hancock?

SKINNER (OFF) : - Scully não negociaria com eles. Eu mesmo a proibi de tocar no assunto.

MULDER: - Eu não sei. Mas tem alguma coisa de errado.

SKINNER (OFF) : - Me liga se descobrir algo.

Mulder desliga. Volta pro carro. Pega o celular. Aguarda. A voz de Scully atende, do outro lado da linha.

MULDER: - Ah, Scully... Eu resolvi ligar pra... Onde está?... Ah, na sua mãe. Tudo bem... Não, não houve nada. Estou indo pra Idaho. Te ligo depois.


Apartamento de Scully - 12:30 P.M.

Mulder abre a porta, com uma chave mestra. Entra. Fecha a porta. Começa a vasculhar o lugar. Aproxima-se da secretária eletrônica. Aperta a tecla de mensagens. Continua procurando qualquer pista.

KRYCEK (OFF): - Agente Scully, aqui é seu amigo. Encontro você às 11 da noite, na garagem do seu prédio.

Mulder pára de procurar. Olha pra secretária eletrônica, incrédulo. Olha pra estante. Vê a chave que dera à Scully, pendurada num porta retratos com a foto dela. Mulder tem um insight. Sai depressa do apartamento.


Rua 46 Este - Nova Iorque - 1:55 P.M.

O Canceroso caminha de um lado para outro. Krycek olha pela janela. Há mais alguns velhos do sindicato na sala.

VELHO 1: - Como permitiu isso?

CANCEROSO: - Vocês estão nervosos à toa. Scully vai cumprir o acordo. É uma mulher de princípios.

VELHO 2: - Você está ficando maluco! Perdeu a razão! Se aquilo ficar nas mãos dela...

CANCEROSO: - Eu estou sendo esperto, vocês não. Esperei a chance que queria. Infelizmente já estava nas mãos dela. Mas é mais fácil tirar o doce da Scully do que de Mulder.

VELHO 1: - Tem certeza de que ele entregou os óvulos para ela?

CANCEROSO: - Absoluta. Mas ela não vai usar aquilo tão cedo. Ela não tem com quem usar.

Krycek olha para o Canceroso, incrédulo. O Canceroso olha pra ele. Krycek fica calado, olhando para os velhos.

VELHO 1: - Já pensou no Mulder?

CANCEROSO: - Eu pensava isso também. Mas não há nada entre eles. Nada que possa nos deixar com mais dor de cabeça do que estamos.

Krycek novamente olha incrédulo para o Canceroso.

VELHO 2: - Quero uma prova disso. Estou começando a ficar com medo. Teremos de manter vigilância constante em cima deles.

CANCEROSO: - Já tenho vigilância. É por isso que estou dizendo que não há nada entre eles. (OLHANDO PARA KRYCEK) Temos câmeras dentro da sala dos Arquivos X. Temos escutas no telefone da casa dele.

VELHO 2: - Pois trate de colocar escutas nos Arquivos X e na casa dela também. E câmeras!

VELHO 1: - Malditos clones desgraçados. Só serviram para ajudar a causa de Mulder.

VELHO 2: - Imagina o que aconteceria se os dois tivessem um filho! CANCEROSO: - Não quero pensar no pior.

VELHO 1: - Você não quer pensar? Se não tivéssemos descoberto que aqueles clones entregaram os óvulos dela pra Mulder, o que teria acontecido?

VELHO 2: - Teríamos um... Nem quero dizer. É melhor sumir com aquilo.

CANCEROSO: - Krycek, está encarregado de destruir a prova.

KRYCEK: - Não podiam ter feito isso de outra maneira? Ter roubado do Mulder antes, por exemplo.

CANCEROSO: - Esta com pena da Scully?

KRYCEK: - ... Não estou com pena. Estou é assustado com a idéia.

CANCEROSO: - Encare como a primeira etapa. Se ela desistir do acordo, tentaremos afastá-la dele. Não quero correr o risco de deixá-los juntos.

VELHO 2: - Quando eu disse que usá-la pras experiências era loucura...

CANCEROSO: - Acha que eu poderia saber que eles ficariam tão amigos?

VELHO 2: -Sabe o que acontece quando um homem e uma mulher começam a ficar muito ligados. Imagine se isso vai adiante.

O Canceroso vira-se para Krycek.

CANCEROSO: - Se ela desistir da troca, mate-a. É melhor matá-la do que correr o risco dos genes dela serem misturados com os de Mulder.

KRYCEK: - (CAINDO NO JOGO DO CANCEROSO) Mas nem sabemos se eles tem alguma coisa...

CANCEROSO: - (SORRI) ... Não quero arriscar. Sabe o que aconteceu com a Cassandra. Um DNA alienígena com um DNA humano. Eu não gostaria que uma cadeia de DNA humano alterada com DNA alienígena se misturasse com o DNA alienígena de Mulder. Já pensaram nisso? Teríamos um problema, não uma criança. Se essa informação parar na mão dos rebeldes, o filho de Mulder e Scully seria o novo Jesus Cristo!


BLOCO 3:

Apartamento de Mulder - 3:15 P.M.

Mulder agachado no chão, retira um aparelho de escuta da tomada do telefone.

MULDER: - Desgraçados!

Mulder chuta a escrivaninha. Atira tudo no chão.

MULDER: - Eu devia ter sido mais cauteloso!

Mulder senta-se no sofá. Fecha os olhos.

MULDER: - Pense, pense... Não, nós não conversamos intimamente pelo telefone.... Não falamos nada que pudesse provar que estamos juntos... Nada que eles pudessem usar contra... Ah, não! Droga!

Mulder entra em desespero. Pega o celular.

MULDER: - Eu levei isso na empolgação. Devia ter me controlado. Agora tô arruinando a vida dela...... Vamos, atendam... Frohike? Sou eu. Preciso de ajuda. É emergência. A Scully tá correndo perigo. Não posso falar por telefone. Pode ser tarde demais.

Mulder desliga. Põe as mãos no rosto. Levanta-se, pega a chave do carro e sai, batendo a porta.


Apartamento de Scully - 5:13 P.M.

Scully atende a porta. Mulder está parado do lado de fora. Sinaliza pra ela ficar em silêncio. Scully não entende. Mulder a puxa pro corredor do prédio.

SCULLY: - Mulder o quê pensa que está fazendo?

MULDER: - Não podemos falar aí dentro. Não é seguro.

SCULLY: - Mulder, por favor, discutimos isso depois. Vá pra casa, eu...

Mulder agarra Scully pelo braço.

MULDER: - Não. Eu não vou sair daqui enquanto não me disser o que está acontecendo.

SCULLY: - Mulder, você está se tornando insuportável!

MULDER: - (IRRITADO) Até que enfim! Nossa primeira briga. Eu já estava começando a desconfiar que não daria certo, porque faltava isso.

SCULLY: - Me larga! Entra aí. Não quero que os vizinhos fiquem xeretando.

MULDER: - Scully, estou interpretando seu silêncio como uma atitude de desrespeito ao que temos!

SCULLY: - Mulder, você não está pensando que estou saindo com outro cara, é isso?

MULDER: - Não, Scully. (CONVENCIDO) Eu confio no meu taco.

SCULLY: - (IRRITADA) Não confie muito não, viu?

MULDER: - ... Scully, tem alguma coisa a ver com a morte do Hancock?

SCULLY: - (SURPRESA) De onde tirou essa ideia?

MULDER: - Sei que não foi o Skinner. Foi você?

SCULLY: - Claro que não Mulder!

Scully cruza os braços. Mulder olha pra ela, não contém o sorriso. Ela descruza os braços.

SCULLY: - Você quer parar com isso? Eu não sou uma paciente! Não me analise, Mulder, porque eu vou começar a te analisar também!

MULDER: - Isso seria interessante, tendo em vista que sua especialidade é o corpo humano...

SCULLY: - Preciso sair, se não se importa.

MULDER: - Tem certeza de que não quer minha ajuda?

SCULLY: - Não. É assunto meu e quero você fora disso. Está claro?

MULDER: - Scully, você não negociou com aquele homem... Diz pra mim que não.

SCULLY: - Mulder, eu não quero brigar com você.

Mulder faz cara de cachorrinho pidão.

SCULLY: - Não, Mulder. (VIRA O ROSTO) Eu não vou olhar pra você!

MULDER: - Scully, eu preciso usar qualquer artifício pra você me contar a verdade. Estou desesperado, pensando coisas que nem sei se são reais...

Scully vira-se de costas pra ele. Entra em seu apartamento. Ele a segue.

SCULLY: - Você é neurótico demais. Por que alguém colocaria escutas no meu apartamento?

Mulder disfarça. Aproxima-se da estante, onde está a chave. Scully vai pro quarto. Pega seu casaco. Veste-se.

SCULLY: - Estou uma pilha de nervos e você fica brincando de detetive comigo!

Scully volta pra sala.

SCULLY: - É melhor você ir.

MULDER: - Tá... Scully, não faça nada do que possa se arrepender. Me entendeu? Tome cuidado. Por favor.

Scully olha pra ele. Mulder sai. Scully pega a chave. Olha fixamente pra ela. Senta-se no sofá. Começa a chorar.


Instituto Bio de Criogenia - 6:10 P.M.

Scully estaciona o carro na frente do prédio. Desce. Do outro lado da rua, Mulder pára seu carro, a uma certa distância. Frohike está ao lado dele.

FROHIKE: - Como suspeitou?

MULDER: - Só poderia ser isso. O que mais eles poderiam querer?

FROHIKE: - Mulder, já pensou que não deveria ter dado isso à ela? Não sabe que alterações genéticas eles podem ter feito com aqueles óvulos...

MULDER: - Frohike, coloque-se no lugar dela. É a única esperança...

FROHIKE: - Você não sabe o que pode sair daquilo ali, Mulder. Outra criança de sangue verde?

MULDER: - ...

FROHIKE: - Mulder, pense com a cabeça, tá me entendendo? Não com o perfume dela. Não quero saber o que está acontecendo entre vocês dois. É melhor eu nem saber. Não é problema meu.

MULDER: - ...

FROHIKE: - Só estou aqui pra ajudar...

MULDER: - Eu só quero dar essa chance à Scully... Eles retiraram o que era dela por direito. Clonaram alguns óvulos dela com DNA alienígena. Mas aqueles estavam lá para futuras clonagens. Acredito que não foram mutados.

FROHIKE: - Mulder, e por que acha que eles se interessariam pelos óvulos que você roubou se não eles não tivessem importância? Só pode haver alguma alteração neles!

MULDER: - Eu não sei mais o que pensar. Eu errei, tá? Mas agora o que me preocupa é a segurança dela.

Mulder abaixa a cabeça sobre o volante. Frohike põe a mão no ombro dele.


6:15 P.M.

Scully abre uma cápsula. Retira um pequeno tubo. Olha pra ele. Fecha os olhos, colocando-o de volta no lugar. Fecha a cápsula. A leva.


6:22 P.M.

Scully sai do prédio do laboratório com a cápsula debaixo do braço. Entra no carro.

Mulder e Frohike a seguem de carro, com distância, sem que ela perceba.


FBI – Arquivos X - 7:44 P.M.

Mulder revira tudo. Frohike o ajuda.

MULDER: - Deve ter alguma escuta por aqui. Tem que ter. Nem que leve dois dias, eu vou achar!

FROHIKE: - Os rapazes estão revirando o apartamento da Scully. Sob protestos dela.

MULDER: - Droga! Droga! Droga!

Mulder sobe numa cadeira. Começa a examinar o teto. Frohike olha nas lâmpadas.

MULDER: - Frohike...

Frohike olha pra Mulder. Ele aponta uma câmera sobre o forro de isopor.

FROHIKE: - São uns desgraçados mesmo!

Mulder arranca a câmera. Atira pra Frohike.

FROHIKE: - Posso ficar com ela?

MULDER: - É toda sua. E destrua essa fita, por favor.

FROHIKE: - Mas primeiro vou assistir. Imagine as cenas comprometedoras da adorável agente Scully...

MULDER: - Dá isso aqui, seu voyeur! Não tem nada aí que possa nos comprometer.

FROHIKE: - Ela é quente! Eu sempre disse pra você que ela era quente.

MULDER: - Tá bom, você sempre teve razão. Ela é quente. Muito mais quente do que pensa.


FBI – Arquivos X – 9:43 P.M.

Mulder está sentado em sua cadeira. Pensativo. Olha pro nada. Frohike o observa, encostado na parede.

FROHIKE: - Não fique se remoendo em culpa.

MULDER: - Me esqueci que a razão é necessária em algumas coisas básicas da vida.

FROHIKE: - ... A que horas eles vão se encontrar?

MULDER: - Às onze. Quero estar naquela garagem às dez.

FROHIKE: - Vou com você.

MULDER: - Não. Não vai. É assunto meu.

Mulder abre a gaveta. Tira a arma. Verifica as balas.

FROHIKE: - O que vai fazer com isso?

MULDER: - Vou usar se for preciso. Se o filho da Scully não pode viver, eles também não têm direito.

FROHIKE: - Mulder... Estou preocupado com você. Onde está o cara que eu conheci...

MULDER: - Na sua frente.

FROHIKE: - Não. Esse não é o Mulder.

MULDER: - É ele mesmo, Frohike. Defendendo o que ama e acredita. Numa situação diferente.

FROHIKE: - Não acha que se apegou à Scully pra suprir a falta da sua irmã?

MULDER: - Não sei se tenho uma irmã ainda. E se tenho, talvez ela não seja mais quem eu pense. Pode ser um monstro igual ao pai dela. Se é que o pai dela seja pai dela. Se não for meu. Nesse caso, eu sou o monstro.

FROHIKE: - ...

MULDER: - Depois que o Canceroso se livrou do próprio filho, consigo achar justificativas pra se livrar de mim.

FROHIKE: - Sua mãe...

MULDER: - Não tenho mãe. Não tenho pai. Não tenho irmã. Só tenho a Scully. E não vou perdê-la.

Frohike observa o amigo. Está preocupado com ele.

MULDER: - Scully preferiu acreditar no bizarro, salvar a minha vida do que a do filho dela. Como acha que me sinto? Me sinto muito mal. Tenho que me afastar dela, só vou prejudicá-la mais do que já a prejudiquei.

FROHIKE: - Vai conseguir isso?

MULDER: - Vou sobreviver. Afinal, um é um. Nunca será dois.

FROHIKE: - ... Mas pode ser um 11.

MULDER: - (IRRITADO) Prefiro que seja como era antes. Pelo menos, estarei perto dela, cuidando dela. Ela merece alguma coisa melhor do que eu. Eu não tenho futuro, só um passado desgraçado que não vai embora! Fica aqui, me rodeando como se fosse um monstro!

FROHIKE: - ...

MULDER: - (FURIOSO) Pra mim chega!

Mulder levanta-se furioso da cadeira. Abre os Arquivos X.

MULDER: - Vou arranjar trabalho pra fazer e voltar a me encerrar nele. Apenas nele, pra não ficar pensando no quanto sou sozinho!

FROHIKE: - Mulder, você não vai conseguir fazer isso. Ela está aqui todos os dias, vocês trabalham juntos.

MULDER: - Vou fingir que não aconteceu nada. É melhor pra ela.

FROHIKE: - Você não vai conseguir mudar a realidade.

MULDER: - Não vou mudar. Vou enganar a mim mesmo. Isso é fácil.

Frohike olha pro amigo, com piedade. Mulder tenta sorrir. Abre uma gaveta. Tira uma revista.

MULDER: - Já leu essa?

FROHIKE: - Mulder...

MULDER: - As garotas são muito bonitas e...

FROHIKE: - Mulder, não vai funcionar. Não adianta buscar sexo pra fugir da realidade.

MULDER: - Sempre funcionou. Tem a senhorita do mês que é fantástica! Isso é que é mulher: 1, 75m, 44 quilos, cabelos loiros até a cintura, seios fartos e...

Mulder joga a revista na parede.

MULDER: - E não é a Scully... Frohike sai daqui, por favor... Não quero que me veja enlouquecendo, me degradando como ser humano.

FROHIKE: - Mulder sou seu amigo.

MULDER: - Sai daqui, Frohike!

Frohike sai. Mulder senta-se no chão. Começa a chorar.


Garagem do prédio de Scully - 10:55 P.M.

Scully está parada, com a cápsula na mão. A arma está na outra. Um carro preto entra depressa. Scully se assusta. Krycek estaciona o carro. Desce. Caminha lentamente até ela, com um sorriso debochado nos lábios. Scully está triste, sem reação nenhuma.

KRYCEK: - Boa menina. O que tem pra mim?

SCULLY: - O que queria.

KRYCEK: - Não precisava da arma.

SCULLY: - Na realidade, a vontade que tenho é de dar uma bala na sua cabeça.

KRYCEK: - Não, Scully. Isso não é do seu gênero. É do Mulder. E por falar em Mulder, eu acho que esse relacionamento de vocês só vai atrapalhar sua carreira no FBI.

SCULLY: - Que relacionamento?

KRYCEK: - Ora, Scully. Nós já sabemos de tudo.

SCULLY: - Tudo o quê?

Scully começa a rir.

SCULLY: - Eu não acredito. Você não está pensando que eu e o Mulder... Ah, não, Krycek! Eu não tenho tanto mau gosto! Só a ideia já me deixa enojada.

Krycek olha desconfiado pra ela.

SCULLY: - Mulder é um bom amigo, só isso. O que estou fazendo não é pela pessoa dele. Mas é porque o Mulder vivo pode acabar com vocês. Morto, ele não valerá nada. E eu espero que um dia ele possa se vingar por mim, de todas as coisas que vocês fizeram comigo.

Krycek pega a cápsula. Abre-a. Retira o tubo de ensaio.

KRYCEK: - Espero que não tenha trocado a mercadoria, Scully. Não gostaria de carregar na barriga um alienígena esverdeado.

SCULLY: - ???

KRYCEK: - Por que acha que quero isso? É útil pra mim, não pra você. Aliás, estou sendo seu amigo, poupando constrangimentos futuros e contando a verdade pra você.

SCULLY: - Quer dizer que...

KRYCEK: - Isso não seria uma criança, Scully. Mas um híbrido alienígena. Estes óvulos foram mutados.

Scully fecha os olhos numa atitude desconsolada. Krycek põe a mão no queixo dela e ergue sua cabeça. Olha nos olhos dela.

KRYCEK: - Você não trocou, não é?

SCULLY: - Não.

KRYCEK: - Sinto muito, Scully, pelo que fizeram com você. Tente viver sua vida da melhor maneira possível. Encare assim: Eu perdi meu braço por culpa do Mulder. E você perdeu seu filho por causa dele. Afaste-se desse homem enquanto pode. As desgraças acontecem, mas ele faz com que aconteçam mais rapidamente.

Krycek dá um beijo suave nos lábios de Scully, que está paralisada, não acreditando ainda no que ouviu.

KRYCEK: - Acredite, Scully. Fique longe dele como mulher. Pro seu próprio bem.

SCULLY: - (INDIGNADA) Eu e o Mulder temos um relacionamento profissional. Não acha que eu seria irracional a ponto de gostar de alguém que não tem outro assunto a não ser a irmã dele? Conspirações? Eu tenho uma vida, Alex Krycek, e não vou desperdiçá-la na companhia de Mulder. Já basta o meu trabalho!

Scully aproxima-se de Krycek. Encosta seu corpo no dele. Olha em seus olhos, com um olhar sensual. Passa as mãos no peito dele. Envolve seus braços no pescoço de Krycek e o puxa. Aproxima seus lábios e o beija, suavemente. Krycek fica sem reação diante da atitude dela.

SCULLY: - Siga você o meu conselho, Alex. Você é muito “gostoso” pra ficar por aí ameaçando as pessoas. Saia dessa enquanto pode.

Scully dá as costas, deixando Krycek desconfiado mas ao mesmo tempo, perdido.


BLOCO 4:

Scully entra no elevador do estacionamento. A porta se fecha. Ela limpa os lábios com a mão, com nojo pelo que tivera de fazer. Cabisbaixa, triste como se aquilo fosse um pesadelo.

Corta para a garagem. Krycek entra no carro. Coloca a cápsula no banco. Olha pelo retrovisor, mas não consegue se desviar de Mulder, que escondido atrás do banco, o segura rapidamente pelo pescoço, metendo a arma na cabeça dele.

MULDER: - (GRITA/ FURIOSO) Sai do carro! Sai, desgraçado!!!!!

Mulder empurra Krycek pra fora do carro. Está fora de si, de tanto ódio. Mira arma na  cabeça dele e o joga por sobre o capô. Segura-o pelo pescoço, com a arma apontada pra ele.

MULDER: - (GRITA) Rato sujo, desgraçado! Fazendo das suas pro Fumacinha, não é?

KRYCEK: - Mulder, meu amigo...

Mulder dá com a cabeça de Krycek contra o capô. Fala com Krycek aos gritos.

MULDER: - Cala essa boca, patife! O que querem com os óvulos da Scully, hein?

KRYCEK: - A Scully contou...

MULDER: - Não, ela não sabe de nada. Você acha que sou bobo, que não tenho um faro aguçado pra sentir cheiro de rato de esgoto?

KRYCEK: - Talvez deva mudar de desodorante.

Mulder dá com a cabeça de Krycek contra o capô.

MULDER: - Resposta errada. BIIP! O que querem com os óvulos dela? O que tem neles?

KRYCEK: - (RINDO) Não vai saber nunca!

MULDER: - Resposta errada novamente!

Mulder dá com a cabeça de Krycek várias vezes contra o capô. O puxa pela gola da camiseta. Krycek já está meio tonto. Mulder joga o russo contra a coluna de mármore. Segura-o pelo pescoço, contra a coluna, encostando a arma no meio das pernas de Krycek.

MULDER: - (ÓDIO) Quer uma prótese em outro lugar? Quer? Quer saber como uma pessoa se sente sabendo que não pode mais ter filhos?

KRYCEK: - (ASSUSTADO) Mulder, está indo longe demais...

MULDER: - (GRITA COM ÓDIO) Quem é você pra dizer o que é longe demais, seu cretino! Eu devia te matar aqui mesmo, pra ver a cor do seu sangue, se é vermelho como o meu, se é verde ou se é nicotina pura!

Krycek olha assustado pra Mulder, que está com muito ódio.

KRYCEK: -....

MULDER: - Era um híbrido, não era?

KRYCEK: - ...

MULDER: - (GRITA) Eu fiz uma pergunta!

Mulder dá com a cabeça de Krycek contra a coluna de mármore.

KRYCEK: - (GRITA) Tá bom, era sim!!!!!!!

Mulder o solta. Começa a dar voltas, nervoso. Krycek o observa.

MULDER: - Filho da puta!

Mulder mete um soco na cara de Krycek que cai no chão.

MULDER: - Eu não preciso de arma pra acabar com você.

Mulder coloca a arma no coldre. Levanta Krycek pela jaqueta. Mete outro soco no rosto dele. Krycek tenta reagir e Mulder lhe dá uma rasteira.

MULDER: - Vem desgraçado! Intimidar mulheres indefesas você sabe. Agora a coisa é comigo! Vem, vem que eu tô doidinho pra quebrar a sua cara! Você vai aprender a se meter com gente do seu tamanho!

Mulder começa a chutá-lo. Krycek grita desesperado.

KRYCEK: - (GRITA) Pára com isso, se quer os óvulos de volta os pegue!

MULDER: - Eu não quero aquilo. Façam outros clones, engulam se que quiserem...

KRYCEK: - (GRITA) É o que precisa para provar a conspiração!

MULDER: - (GRITA) Foda-se você e suas provas!

Mulder chuta o rosto dele. Krycek já está ensanguentado, sem reação.

MULDER: - Da próxima vez, rato, meta-se comigo. Por que se tocar num fio de cabelo da Scully, num só fio, tá me entendendo, você vai se arrepender amargamente. Me ouviu?

KRYCEK: - ... (GEMENDO)

MULDER: - (GRITA) Me ouviu?

Mulder chuta Krycek novamente.

MULDER: - (GRITA) Eu fiz uma pergunta!

KRYCEK: - ... (GEMENDO)

Mulder ameaça chutá-lo de novo.

KRYCEK: - (GRITA/ ASSUSTADO) Eu ouvi! Eu ouvi!!!!!!!!!

MULDER: - (ENSANDECIDO) Vou contar até dez e quero que tire seu traseiro imundo daqui, porque eu vou começar a atirar. Estou ficando nervoso. Um, dois, três...

Mulder puxa a arma. Krycek levanta-se, cambaleando. Entra no carro. Sai em disparada.

MULDER: - (GRITA) Dez!

Mulder descarrega a arma com ódio, no vidro traseiro do carro de Krycek, mas ele consegue fugir, abaixado no volante. Mulder guarda a arma. Vai em direção das escadas, chutando todos os carros.


Apartamento de Scully - 11:43 P.M.

[Som: Making Love Out Of Nothing At All - Air Supply]

Scully, olhos vermelhos de chorar, abre a porta do apartamento.

Mulder parado ali, olha pra ela. Todo desarrumado, descabelado e com respingos de sangue na camisa.

SCULLY: - (AFLITA) Mulder, o que aconteceu?

MULDER: - (SORRI) Acredita que a garagem desse prédio está cheia de ratos? Encontrei um enorme! Devia chamar a secretaria de saúde!

Scully olha pra ele com lágrimas nos olhos. Ele a abraça.

SCULLY: - Como soube, Mulder?

MULDER: - Scully, eu sempre descubro as coisas.

Scully chora. Ele tenta não chorar, embora caiam algumas lágrimas dos olhos.

MULDER: - Eu não queria que pagasse esse preço por mim. Eu não mereço tanto, Scully. Era a sua única chance...

SCULLY: - Você é minha única chance, Mulder. Tomei a decisão certa.

Scully afasta-se dele. Seca as lágrimas com as mãos. Respira fundo. Tenta sorrir.

SCULLY: - Bom... Hoje é Sábado, não tenho nada pra fazer... Vamos namorar um pouquinho?

MULDER: - (SÉRIO) Vou embora, Scully. Vejo você na Terça. Bom feriado!

SCULLY: - ???

MULDER: - Me faz um favor. De hoje em diante, vamos evitar conversas que não se relacionem a trabalho.

SCULLY: - ???

MULDER: - Sua vida pessoal não mais me interessa. Eu não amo você, Scully. Foi apenas uma transa, eu confundi desejo com amor.

Mulder abre a porta. Scully o segura pela mão.

SCULLY: - Está fazendo isso pra me proteger?

MULDER: - Não. É que eu vi que não temos nada em comum.

Mulder cruza os braços.

MULDER: - Não podemos seguir adiante. Eu não gosto de você. Menti porque sou um aproveitador de mulheres inocentes e...

Scully começa a rir.

SCULLY: - Mulder, está mentindo! Seus olhos estão dizendo isso. E está em posição de defesa!

Mulder respira fundo.

SCULLY: - Sou boa aluna, não sou? E tem outra coisa. Está virado pra porta, mas olhando pra mim. O que significa que quer ficar mas tem que sair.

Mulder sorri amavelmente.

MULDER: - Vou embora. Mas antes quero te dar uma coisa.

Mulder tira uma chave do bolso. Scully a pega. Olha perplexa pra ele.

MULDER: - Eles levaram óvulos de uma ovelha. Eu os troquei antes que você os pegasse.

Scully coloca a mão sobre a boca, evitando rir.

MULDER: - O mais difícil foi o Frohike conseguir a ovelha... Mas tinha um veterinário que...

Scully desata a rir. Põe as mãos no rosto. Mulder está sério, embaraçado.

SCULLY: - Mulder, você... Eles vão descobrir, seu doido!

MULDER: - Vão. Mas até lá terão uma “Dolly” alienígena.

Scully ri sem parar. Mulder olha pra ela. Sorri, constrangido.

SCULLY: - Mulder, não precisava fazer isso. O Krycek disse que... Não seria uma criança normal.

MULDER: - Scully, eu não costumo acreditar no que me dizem.

Scully fica séria.

MULDER: - Existem três óvulos naquele tubo. Se quiser descobrir a verdade, vai ter de sacrificar um deles. Mas um deles pode significar tudo pra você.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Só espero que ache um pai legal pra eles.

Mulder abre a porta. Scully fecha-a, antes dele sair.

SCULLY: - Mulder, eu já achei um pai legal pra eles. Está defendendo a cria antes mesmo dela nascer.

MULDER: - Não, Scully. Não confunda as coisas. Somos apenas colegas de trabalho... Agora, me deixa ir embora.

Mulder ameaça sair. Scully põe-se na frente da porta.

SCULLY: - Mulder sabe que as fêmeas, de todas as espécies da natureza, costumam escolher os machos mais fortes para procriarem? Elas querem o melhor gene para garantirem a sobrevivência de suas crias.

MULDER: - Tenho certeza de que vai encontrar esse macho mais forte. Agora sai daí, tenho que ir pra Idaho investigar os círculos nas plantações de trigo.

Scully tranca a porta.

MULDER: - Scully, por favor. Se não sair, eu vou ter que tirá-la à força da frente dessa porta.

SCULLY: - Você não faria isso.

Mulder a levanta nos braços. A coloca no sofá. Corre pra porta. Abre-a. Sai.

SCULLY: - Mulder! Mulder!

Scully corre atrás dele.

[Corte]

Mulder entra no carro. Liga-o. Scully mete-se na frente do carro. Faz sinal pra ele esperar. Abre a porta do carona. Entra e senta-se.

MULDER: - O que está fazendo?

SCULLY: - Vou pra Idaho com você, Mulder.

MULDER: - Scully, eu já falei que...

SCULLY: - Mulder, temos um Arquivo X em Idaho. Se esqueceu que sou sua parceira, que trabalho com você?

MULDER: - Tá. Tudo bem. Se está aqui dentro com o intuito de trabalhar, pode ficar.


Rua 46 Este – Nova Iorque - 2:05 A.M.

Krycek entrega o tubo com os óvulos de Scully pro Canceroso, na frente dos dois velhos que estão ali. Krycek está todo arrebentado.

CANCEROSO: - Já testou?

KRYCEK: - ... São os verdadeiros.

CANCEROSO: - Ótimo trabalho.

O Canceroso entrega o tubo a um dos velhos.

CANCEROSO: - Guardem isso senhores. Poderemos precisar.

Os dois velhos saem sorridentes com o tubo. Krycek fecha a porta. O Canceroso sorri.

CANCEROSO: - Eu não disse? Não precisamos deles. Formamos uma bela dupla.

KRYCEK: - (INDIGNADO) Uma bela dupla de cínicos!

CANCEROSO: - Dor na consciência, Alex Krycek? Isso não combina com você.

KRYCEK: - Precisava armar esse ardil todo? Precisava tirar os óvulos normais dela pra entregar pra eles como se fossem óvulos mutados?

CANCEROSO: - Não queria levantar suspeitas. Eles sabiam da existência dos óvulos. E eu não quero que fiquem com eles. Não podem saber que os verdadeiros híbridos estão conosco. Não confio nesses homens. Demos agora uma coisa que eles pensam que tem. Deixe pensarem.

KRYCEK: - E por isso sacrificou a chance dela ter filhos?

CANCEROSO: - Alex Krycek, pare de se apiedar das pessoas. São apenas pessoas. Não subestime Mulder. Eu não o subestimo.

KRYCEK: - ... Scully e Mulder não estão juntos. Tire isso da cabeça.

CANCEROSO: - Como sabe?

KRYCEK: - Por que eu comprovei “cientificamente”.

Krycek abre a porta. Sai. O Canceroso sorri.


Estrada 56 - Oeste de Idaho - 4:00 A.M.

Mulder pára o carro, numa estradinha deserta, ao lado de um campo imenso de trigo. Ainda está escuro. Mulder acende a luz interna do carro. Abre um mapa.

MULDER: - (SÉRIO) Se estou certo, é aqui.

SCULLY: - (SORRI) Puxa, até que enfim uma palavra! Ficou calado o caminho todo.

MULDER: - (SÉRIO) Scully, segundo alguns ufólogos, esses desenhos em formas geométricas são possíveis...

SCULLY: - (INTERROMPENDO) Adoro a natureza, Mulder!

MULDER: - (SÉRIO) Scully, não quero saber de seus gostos pessoais ou da sua vida, tá legal? Vamos nos concentrar no trabalho. Já pedi pra não fazer isso.

SCULLY: - Tá. Tá certo. Me desculpe.

Mulder franze as sobrancelhas.

MULDER: - Continuando, de onde você me interrompeu: Podem ser possíveis sinais em linguagem matemática, numa forma complexa de comunicação...

Scully abre a janela do carro. Põe a cabeça pra fora, sentando com as pernas sobre o banco. Respira fundo. Mulder se cala, olhando incrédulo pra Scully.

SCULLY: - (SORRI FELIZ) Ah... O ar do campo!

Mulder se indigna.

MULDER: - Ô, Scully, quer me escutar?

SCULLY: - Desculpe.

Scully coloca a cabeça pra dentro do carro.

MULDER: - (IRRITADO) E quer sentar-se como uma dama? Não como uma adolescente rebelde?

SCULLY: - Não sou dama, Mulder. Sou uma adolescente rebelde.

MULDER: - (NERVOSO) Já disse que não quero saber da sua vida! Você veio aqui pra trabalhar ou pra ficar de palhaçada?

SCULLY: - Tá, Mulder. São possíveis sinais alienígenas. Quer minha teoria?

Mulder olha pra ela.

SCULLY: - Cientificamente, Mulder, esses círculos no trigo não são sinais alienígenas.

MULDER: - (INDIGNADO) Ah certo! E o que são?

SCULLY: - (ABRE UM SORRISO APAIXONADO) São rastros deixados pelos corpos nus de duas pessoas apaixonadas, com um tesão incontrolável, que se rolaram pelo meio do trigo...

Mulder tenta não rir. É em vão. Aos poucos abre um sorriso, que se transforma lentamente em gargalhada. Scully ri com ele.

MULDER: - Tá bem, Scully. Você não veio pra ajudar. Vou te deixar num hotel e voltar pra cá, para investigar sozinho...

Mulder olha pro banco de trás.

MULDER: - Onde está sua bagagem?

SCULLY: - Não trouxe nada.

MULDER: - (INDIGNADO) Como não trouxe nada? Podemos levar dias nas investigações! Vai precisar de roupas.

SCULLY: - Ah, não preciso não. (SORRI) Não pro que estou pensando em fazer no meio de uma plantação de trigo... (OLHA MALICIOSA PRA MULDER)

MULDER: - (SÉRIO) Scully...

SCULLY: - Mulder, não podemos ir para os nossos apartamentos. Mas isso não me incomoda. (DEBOCHADA) Temos uma infinidade de lugares sem escutas e sem câmeras escondidas: quartos de hotéis, milharais, plantações de trigo, naves alienígenas, laboratórios de criogenia, necrotérios, o banco traseiro do carro...

MULDER: - (SEGURA O RISO) Scully, eu não acredito que você está fazendo isso comigo. Isso não combina com você.

SCULLY: - Não será uma rotina. É só usar a “criatividade”...

MULDER: - Queria que usasse tanta “criatividade” no trabalho.

SCULLY: - Tá, Mulder. Não vou mais ficar assediando você. Eu prometo.

MULDER: - Scully, é que eu tenho medo de perdê-la, daqueles desgraçados tentarem te pegar pra me ferir... Se eles não sabem da gente, quando souberem a coisa vai ficar difícil. Entende? Somos um perigo como amigos, imagina como amantes?

SCULLY: - Tudo bem, Mulder. Eu entendo que você não consegue dar conta do recado e fica jogando a culpa no “pobre Canceroso”.

MULDER: - (INDIGNADO) O quê?

SCULLY: - (DEBOCHADA) É Mulder. Não se preocupe. Essas coisas acontecem com os homens... Quanto maior, maior é a “queda”.

MULDER: - Scully, eu não admito piadinhas sobre o tamanho do meu...

SCULLY: - (INDIGNADA) Vai, fala! Qual é o apelido dele? Talvez nos tornemos mais íntimos!

Mulder começa a suar.

MULDER: - (NERVOSO) Sai daqui, Scully. Pro seu bem.

SCULLY: - E se eu não sair?

MULDER: - (TENSO) Não me responsabilizo pelos meus atos.

SCULLY: - (EMPOLGADA) Nossa!

Mulder tira o paletó. Afrouxa a gravata. Tenta se controlar. Respira fundo. Scully sai do carro. Dá a volta e vai até a janela do motorista. Tira os sapatos e atira pra dentro do carro. Tira o blazer. Atira pra dentro do carro. Mulder fica observando. Sua frio. Scully abre a blusa, deixando os peitos à mostra num sutiã branco de renda. Escora-se na janela.

SCULLY: - (AMEAÇADORA) Agente Mulder, tem dez segundos pra sair daí. Se não, vou fazer círculos naquela plantação sozinha. Posso incendiar tudo. Não me teste. Não estou brincando!

MULDER: - Você é louca! Pode ter cobras por lá.

SCULLY: - Não tenho medo de cobras. (PROVOCANDO) Adoro cobras... Grandes...

Mulder olha pra ela tentando se conter. Scully olha pra ele sedutoramente. Mulder olha pra ela com olhar perverso, erguendo as sobrancelhas. Abre a porta do carro. Scully sai correndo em direção à plantação de trigo. Mulder corre atrás dela, tirando a camisa. Scully começa a rir, enquanto corre.

SCULLY: - (GRITA) Não, Mulder! Não!

MULDER: - (SAFADO) Vem cá, Scully. Eu só quero te mostrar a verdade!

SCULLY: - Eu já conheço essa verdade! Ela é enorme!

MULDER: - Ah, qual é, Scully? Tá com medo de quê?

SCULLY: - A verdade dói, Mulder!

MULDER: - (DEBOCHADO) É, mas só um pouquinho!

Fade out.


10/11/1999

17 Novembre 2018 08:30:59 0 Rapport Incorporer 1
La fin

A propos de l’auteur

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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