S01#06 - QUANDO ELE MORREU, EU VI A VERDADE Suivre l’histoire

lara-one Lara One

Mulder morreu. A racionalidade de Scully se contrapõe com a crença de Mulder. E uma das alternativas, pode trazer-lhe de volta à vida. Só que talvez Scully precise de ajuda. E essa ajuda só virá daqueles que conspiram contra tudo.


Fanfiction Série/ Doramas/Opéras de savon Déconseillé aux moins de 13 ans.

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S01#06 QUANDO ELE MORREU, EU VI A VERDADE


INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Fade in.

Hospital Geral - Washington D.C. - Segunda-feira - 7:45 A.M.

[Som: Roger Daltrey – Without Your Love]

Os enfermeiros entram correndo com a maca. Mulder está na maca, inconsciente, mas de olhos abertos. Scully entra atônita, segurando a mão do parceiro. Mulder está com uma máscara de oxigênio. Respira com dificuldades. Parece não ver nada ao redor.

SCULLY: - (DESESPERADA) Mulder, reage!!!!

Eles entram na sala de emergência. Uma equipe de médicos tenta socorrê-lo. Ligam todos os aparelhos.

MÉDICO: - (GRITA) Respiração?

ENFERMEIRO: - (GRITA) Sem respiração!

MÉDICO: - (GRITA) Pulso?

ENFERMEIRO: - (GRITA) Em 96 e sumindo... doutor, ele está morrendo!

Scully tenta ajudar. Um ruído toma conta da sala. Scully olha para o aparelho de batimentos cardíacos. Há apenas uma linha reta. Olha pra Mulder, de olhos abertos. Scully pega o desfibrilador.

SCULLY: - (GRITA) Afastem-se!

MÉDICO: - O que está fazendo?

SCULLY: - (GRITA NERVOSA) Sou médica!

A enfermeira abre a camisa de Mulder. Scully tenta ressuscitá-lo. Nada.

SCULLY: - (GRITA) Vamos, Mulder, reage!

Outra tentativa. Nada.

SCULLY: - (GRITA) Mulder, seu desgraçado! Reage! Reage! Reage! Você não pode me abandonar, não agora...

Scully se desespera e tenta mais duas vezes, em vão. Ela está fora de si.

MÉDICO: - Doutora... Ele está morto.

Scully não acredita no que vê. Fica estática segurando o aparelho nas mãos. Ameaça tentar de novo. Os médicos a seguram.

MÉDICO: - Deixe-o. Ele se foi.

As lágrimas caem dos olhos de Scully. Ela não acredita no que vê.

MÉDICO: - Hora do óbito: Sete e cinqüenta e cinco.

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ LÁ FORA


BLOCO 1:

Memphis - Tenessee - 1991

Creche municipal - 10:45 A.M.

O terrorista Hancock segura uma menina de 9 anos, pelo pescoço, no alto do prédio. A polícia cercou o todo o lugar. A S.W.A.T. e agentes do FBI estão a postos. Mulder aproxima-se do agente que conduz a operação.

MULDER: - Quantas pessoas estão lá dentro?

BLANCHARD: - Mais de 50 crianças, 20 recreacionistas e três professoras. Ele não está blefando!

Mulder fecha os olhos, nervoso.

MULDER: - Vou entrar.

BLANCHARD: - Mulder, ele não quer troca de reféns. Ele quer explodir o prédio. E se você não percebeu, temos uma escola e um hospital ao lado. A escola foi evacuada e começamos a retirar os pacientes graves do hospital.

Mulder observa Hancock no alto do prédio.

BLANCHARD: - Ele vai explodir tudo. É melhor sairmos daqui.

MULDER: - Mas e as crianças?

BLANCHARD: - Mulder, com sorte só perderemos 73 pessoas.

MULDER: - E os atiradores de elite?

BLANCHARD: - Ele está com uma refém. E com a bomba na cintura. Não temos chance!

Mulder afasta-se. Corre abaixado por entre os carros de polícia.

BLANCHARD: - (GRITA) Mulder! Louco desgraçado! Volte aqui!

Mulder chega ao lado do prédio. Quebra uma das janelas com a arma. Hancock não percebe. Mulder entra pela janela.

BLANCHARD: - Mulder! ... Ele não vai conseguir! Idiota, filho da mãe! Mulder, vou matar você!

No alto do prédio, Hancock segura com o braço, a menina pelo pescoço.

HANCOCK: - (AOS GRITOS) Eu vou explodir tudo, seus desgraçados! Quero os meus amigos livres ou eu vou matar esses pestinhas yankees, sem um mínimo de piedade!

Hancock sacode a menina. A menina está chorando, assustada.

BLANCHARD: - Não vai ficar bem pro governo essas crianças morrerem...

POLICIAL 1: - Não adianta. Os idiotas de Washington negaram a soltura dos cúmplices dele.

[Corte]

Mulder passa por uma sala de aula. Vê as funcionárias confortando as crianças. Há bebês ali também. Escuta-se o choro das crianças. Mulder tenta abrir a porta. Está trancada. Faz sinal pra elas se acalmarem. Entra pela porta que dá acesso às escadas, com a arma em punho.

Lá em cima, Hancock continua gritando com os policiais. Mulder chega ao topo do prédio. Abre a porta lentamente. Vê Hancock com a arma apontada na cabeça da menina. Mulder olha pra menina. Ela se parece com Samantha. Mulder mira a arma. Hancock pressente e vira-se.

HANCOCK: - (GRITA) Ora, o que temos aqui? Pelo visto não sou eu o único kamikaze!!!

MULDER: - (GRITA) Solte a criança, Hancock! Você não precisa dela! Você tem uma bomba!

HANCOCK: - (GRITA) Acha que sou estúpido? Que não sei dos atiradores escondidos no prédio da frente?

Hancock continua sacudindo a menina, com a arma rente aos cabelos cacheados dela. Ela chora.

HANCOCK: - (GRITA) Cala a boca, pirralha! Joga a arma no chão, ou eu atiro nela!

Mulder continua com a mira da arma em Hancock.

HANCOCK: - (GRITA) Joga a arma ou eu vou explodir o cérebro dela e tudo por aqui!

Mulder engatilha.

HANCOCK: - (NERVOSO) Você não vai fazer isso, agente do FBI. Se você atirar em mim, pode errar. Atirar em alguém com um refém é contra as normas de vocês. Mas eu não sigo normas.

Mulder olha pra menina. Olha pra Hancock. Olha pra menina. Vê Samantha nela. Escuta a voz da irmã.

SAMANTHA CRIANÇA (OFF): - Fox, me ajuda! Ele vai me matar...

MULDER: - (ÓDIO) Você não vai fazer comigo o que o Barnett fez. (GRITA) Dessa vez não!

Mulder atira em Hancock. A bala pega na cabeça. Ele cai no chão, sem reagir. Lá embaixo os policiais entram no prédio. Mulder abraça a menina. Ela abraça-se nele, chorando e soluçando, toda respingada de sangue.

MULDER: - Calma. Está tudo bem...

MENINA: - O homem mau morreu?

MULDER: - Ele não vai mais machucar você.

[Corte]

Mulder sai do prédio com a menina no colo. A mãe da menina toma a menina dos braços de Mulder, chorando muito.

MÃE: - Obrigado, senhor policial. Muito obrigado!

Mãe e filha choram. Mulder se comove. O chefe de operações aproxima-se.

BLANCHARD: - Você devia ganhar uma suspensão por isso, seu imbecil! O que pensou que estava fazendo? Colocou todos em perigo, quebrou os procedimentos do Bureau! Quero sua cabeça, Mulder! É melhor arranjar outro emprego porque no FBI você não vai fazer carreira, está me entendendo?

Mulder vira as costas e sai. Os paramédicos levam Hancock. Ele está vivo, mas paralisado. A polícia ajuda os paramédicos.

HANCOCK: - (SUSSURRANDO) Quem era aquele homem?

POLICIAL 2: - Fox Mulder, seu desgraçado. O herói do dia!

HANCOCK: - Fox... Mulder... (SORRI) Eu não vou me esquecer de você... “amigo”.


TEMPO ATUAL:

Segunda-feira, 06:31 A.M.

[Som: Roger Daltrey – Without Your Love]

O despertador toca. Mulder dá um tapa nele. Vira-se na cama e agarra o travesseiro. Escuta o barulho do chuveiro. Levanta-se. Tropeça numa garrafa de champanhe.

MULDER: - Odeio segundas-feiras!

Mulder entra no banheiro. Começa a passar a espuma de barbear no rosto, na frente do espelho. O chuveiro é desligado. Scully abre o box e pega o roupão de banho de Mulder. Veste-o.

SCULLY: - Bom-dia, senhor dorminhoco!

MULDER: - Acordou cedo, “senhora insaciável”...

SCULLY: - Perdi o sono. Estou fazendo um café...

MULDER: - Deveria ter deixado essa tarefa pra mim.

SCULLY: - Você já me levou café na cama o fim de semana todo. Vai me acostumar mal.

MULDER: - Quero te acostumar mal.

SCULLY: - Deixa que eu faço isso.

Scully pega o barbeador da mão dele. Mulder a levanta. Coloca-a sentada no balcão da pia. Fica entre as pernas dela.

MULDER: - Sabe fazer isso?

SCULLY: - Mulder, sou perita em objetos cortantes...

Mulder afasta o rosto e faz aquela cara de “pânico”. Scully ri.

SCULLY: - Não se preocupe, não vou fazer uma incisão em Y.

MULDER: - Queria que o fim de semana não tivesse terminado.

Mulder acaricia as pernas dela. Scully tira o barbeador do rosto dele. Mulder aproxima o rosto do rosto dela.

SCULLY: - (RINDO) Não, Mulder! Vai me sujar!

MULDER: - Estou muito mal intencionado, Scully...

SCULLY: - Mulder, não! Vamos nos atrasar.

Mulder fita-a. Ela continua fazendo a barba dele.

SCULLY: - O Skinner foi viajar. Disse que há um caso pra nós, na mesa da secretária dele. Não acha estranho que ele tenha ido pro Himalaia? Mulder, acho que o Skinner sabe de nós. Armou pra que isso acontecesse.

MULDER: - Impressão sua.

Scully termina de barbeá-lo. Desce da pia.

SCULLY: - Vou secar os cabelos e colocar a roupa.

MULDER: - Precisamos ir pro trabalho hoje?

SCULLY: - Mulder, prometemos que nada vai mudar. Eu sou eu, você é você, e os Arquivos X nos esperam.

Mulder se aproxima dela. Scully afasta-se. Sinaliza que não com o dedo.

SCULLY: - Mulder, por favor... Vamos nos atrasar.

MULDER: - Tá bom. Eu tento me controlar. É que são anos de desejo, e três noites não me bastam...

SCULLY: - Depois sou eu a “insaciável”...

Scully vai para o quarto. Mulder vai pra cozinha. Vê uma garrafa sobre a mesa.

MULDER: - Que garrafa é essa?

SCULLY: - Entregaram pelo correio. Veio em nome do Skinner.

MULDER: - (PÂNICO) Scully, ele sabe de nós!

Mulder abre a garrafa. Toma uns goles.

MULDER: - Ugh! Parece chá! Quer um gole?

SCULLY: - Não, obrigado. Não bebo pela manhã.

MULDER: - Tá me chamando de bêbado?

Batidas na porta. Mulder corre pro quarto.

MULDER: - (SUSSURRA) Scully! Esconda-se no banheiro!

Scully entra no banheiro, com as roupas debaixo do braço. Mulder abre a porta.

FROHIKE: - Onde estava todo o fim de semana?

Frohike vai empurrando Mulder e entra. Olha pra todos os lados, curioso. Mete a cara na porta do quarto. Mulder põe-se na frente dele. O empurra pra sala.

FROHIKE: - Deixei recado na secretária! Seu celular estava desligado... Liguei sexta falando sobre a queda de um OVNI e você... Que cara abatida é essa?

MULDER: - Dormi demais. O que quer aqui a essa hora?

FROHIKE: - Estávamos preocupados com você.

MULDER: - Eu estou bem.

FROHIKE: - Não me parece. Parece abatido.

MULDER: - Tive um final de semana desgastante. (SUSPIRA) Muito desgastante.

FROHIKE: - Exercícios físicos?

MULDER: - (DEBOCHADO) Abdominais. Muitas abdominais. Estou todo doído. O que me faz pensar que estava muito fora de forma...

Frohike começa a mexer o nariz.

FROHIKE: - Que perfume é esse?

MULDER: - É um perfume pra ambientes. Isso aqui fica muito tempo fechado...

FROHIKE: - Eu conheço esse perfume...

MULDER: - Frohike, eu ligo pra você depois, tá legal? Estou atrasado.

Mulder empurra Frohike pela porta. Fecha-a. Scully sai do banheiro.

SCULLY: - Ele percebeu alguma coisa?

MULDER: - O seu perfume. O tarado desgraçado sabe até o seu cheiro!

Mulder entra no banheiro. Vai pro chuveiro.


7:25 A.M.

Mulder entra na cozinha, dando o nó na gravata. Scully toma café. Mulder rouba a caneca das mãos dela. Scully ajeita o nó da gravata dele.

SCULLY: - Mulder, eu entro primeiro. Você entra depois, pra não chamar a atenção das pessoas. (RI) Ah, Deus, como estou neurótica! Parece que está escrito na minha testa: “Ela fez amor com Mulder!”

Mulder começa a ficar tonto. Vê Scully indo pra sala. A imagem dela está distorcida.

SCULLY: - Estamos atrasados! Ainda bem que o Skinner não está.

Scully vira-se pra ele. Percebe algo de errado.

SCULLY: - Mulder, você está pálido! Esta se sentindo bem?

MULDER: - É... Scully... Eu... Tô mal.

Mulder vê tudo girar. Cai no chão da cozinha.


Hospital Geral - Washington D.C. - 8:05 A. M.

Frohike, Byers e Langly entram na emergência. Scully, sentada num banco, com a cabeça abaixada e as mãos no rosto. Eles se aproximam.

FROHIKE: - Scully?

Scully ergue a cabeça, chorando em desespero.

SCULLY: - Ele morreu!

Frohike senta-se ao lado dela. Abraça-a. Byers olha pra Langly.

SCULLY: - Não pode ser verdade... Isso não está acontecendo...

FROHIKE: - Scully...

Frohike mexe o nariz, sentindo o perfume dela. Fica intrigado.

SCULLY: - Eu falhei, não consegui trazê-lo de volta...

BYERS: - Scully, não se culpe. Não foi sua culpa.

FROHIKE: - E-eu não entendo, ainda falei com o Mulder esta manhã? Como aconteceu?

SCULLY: - Ele caiu na minha frente... De repente. E agora...

Um enfermeiro sai do quarto, levando o corpo de Mulder coberto na maca, para o elevador. Scully tem um acesso de choro.

SCULLY: - Ele está morto!

LANGLY: - Qual a causa da morte?

SCULLY: - Parada cardíaca.

LANGLY: - Scully, você sabe que o Mulder era um sujeito forte. Você tem que ser forte agora, pra descobrir o que o matou.

FROHIKE: - Concordo com o Langly. Tem dedo alheio nessa história!

BYERS: - Pode ter sido envenenado?

Scully levanta-se. Respira fundo.

SCULLY: - É a única explicação que tenho. Ele recebeu uma garrafa pelo correio.

FROHIKE: - De quem?

SCULLY: - Do Skinner.

LANGLY: - O Skinner não faria isso.

SCULLY: - Não sai da minha cabeça a cena em que ele caiu no chão da cozinha... Os paramédicos chegaram rápido... Eu falhei...

FROHIKE: - Scully, o que estava fazendo na casa do Mulder?

SCULLY: - E-eu... Eu vi quando você saiu, eu fui até lá... O que importa isso agora?

BYERS: - Sabe onde está o Skinner?

SCULLY: - Está fora do país.

Scully respira fundo.

SCULLY: - Preciso da ajuda de vocês, e-eu não consigo mais raciocinar.

FROHIKE: - Tem o número do Skinner? Vamos ligar pra ele.

SCULLY: - Tenho... Aqui, na minha bolsa.

Scully tira uma agenda.

SCULLY: - É um hotel, no Himalaia...

Byers e Langly pegam a agenda e saem. Frohike abraçado em Scully, tenta consolá-la. Scully começa a chorar de novo.


Hospital Geral - Sala do necrotério - 10:45 A.M.

Scully entra na sala. Aproxima-se da maca. Levanta o lençol. Olha pro rosto de Mulder. Ele está com os olhos abertos. Ela passa a mão sobre os olhos dele, mas não consegue fechá-los. Começa a chorar. Deita a cabeça no peito dele. O legista entra.

LEGISTA: - Tem certeza de que quer fazer isso? Acho que não está em condições...

Scully levanta a cabeça. Olha pro legista.

SCULLY: - Alguém matou meu parceiro. Tenho certeza de que ele gostaria que eu fizesse isso.

O legista sai. Scully olha pra Mulder, afaga seus cabelos.

SCULLY: - Você tinha razão, Mulder. Perdemos tempo demais.

Scully põe o avental. Coloca as luvas e a máscara. Pega o bisturi. Aproxima-se de Mulder. O celular toca. Scully atende.

SKINNER (OFF): - Agente Scully, eu não mandei nada pelo correio!

SCULLY: - Onde está, senhor?

SKINNER (OFF): - No aeroporto, no Nepal. Estarei aí pela madrugada. Mandou analisar o conteúdo da garrafa?

SCULLY: - Mandei pelo Byers ao FBI. Terei respostas à tarde.

Scully desliga. Olha pra Mulder novamente. Fecha os olhos. Olha pros olhos dele.

SCULLY: - Me perdoa, Mulder.

Scully coloca o bisturi no peito de Mulder. Olha pros olhos de Mulder. Mulder está olhando pra ela. Close no rosto de Mulder. Os olhos arregalados.

MULDER (OFF): - (DESESPERADO) Scully, não faz isso! Eu não estou morto!


BLOCO 2:

Scully aperta o bisturi. Não consegue. Desiste. Olha pra Mulder.

SCULLY: - Levanta daí e diz que é brincadeira. Não vou brigar com você.

MULDER (OFF): - Scully me ajuda! Eu não consigo me mexer, mas eu não estou morto!

Scully tira as luvas e a máscara.

MULDER (OFF): - Graças à Deus, Scully! Você não pode me escutar, mas olha pra mim! Pelo menos uma vez duvide da ciência!

Scully passa a mão no peito gelado dele. Tenta ouvir o coração. Não há batidas. Ela começa a chorar debruçada nele.

MULDER (OFF): - Scully, não chora! Eu estou aqui! Ah, meu Deus! Scully! Eu não sei o que tá havendo...

Scully coloca o lençol sobre o rosto dele.

SCULLY: - Posso descobrir de outras maneiras, mas ninguém vai fazer autópsia em você.


FBI – Departamento de análises químicas - 7:45 P.M.

Uma médica vai até Scully, que está parada, olhando pro nada.

MÉDICA: - Agente Scully, desculpe a demora. Mas foi muito difícil chegar a uma conclusão lógica das amostras que me mandou. Foi isso que matou o agente Mulder?

Scully faz que sim com a cabeça. Os olhos estão inchados de chorar.

MÉDICA: - Isso é uma mistura de plantas venenosas. Apresenta tetradoxina pura, em grande quantidade. Seja quem foi que misturou isso, sabia que o efeito era rápido.

SCULLY: - Tetradoxina?

MÉDICA: - Sim. O que me intriga é que apresenta algumas células animais. E humanas.

SCULLY: - Humanas?

MÉDICA: - Parece até coisa de bruxa, agente Scully. Mas o que posso lhe dizer a respeito disso? Não tenho explicações científicas.

SCULLY: - Tem certeza do que me falou?

MÉDICA: - Absolutamente. O agente Mulder foi envenenado por essa mistura.


Apartamento de Mulder - 10:40 P.M.

Scully entra. Acende as luzes. Seu olhar vai direto para o chão da cozinha. Ela fecha os olhos. Vai até o aquário. Põe comida pro peixe. Sorri.

SCULLY: - Hoje você e o gato não vão pra rua.

Scully olha os objetos de Mulder pela sala. Vai até a cozinha. Pega o embrulho que atirara no lixo, o embrulho em que estava a garrafa. Lê o nome de Skinner. Observa o carimbo do correio. Ergue as sobrancelhas.

SCULLY: - Memphis, Tenesse?

Scully pega o celular.

SCULLY: - Aqui é a agente especial Dana Scully, do FBI. Preciso que verifiquem a pessoa que postou uma caixa, endereçada para Washington... (GRITA) Eu não quero saber quem vai fazer isso! Se não há pessoal disponível no momento, acorde-os! Quero respostas rápidas... Estou indo pra aí.

Scully vai até a porta. Pára. Olha pro quarto. Vai até lá. Olha pra cama, ainda desfeita. Vê a garrafa de champanhe no chão. Pega-a. Admira-a. Abraça a garrafa e senta-se na cama. Chora.

SCULLY: - Não é justo! Não é justo!


Memphis – Tenessee

Posto dos correios – Rua 3 - 2:56 A.M.

Byers desliga o carro. Scully desce, com o embrulho debaixo do braço. Frohike a segue. Langly fica no carro com Byers. Scully e Frohike batem na porta dos correios. O vigilante vem atender. Uma funcionária, com cara de sono, vem ao encontro deles. Scully mostra a identificação.

FUNCIONÁRIA: - Recebi um telefonema do vigilante. Disse que o FBI está com problemas... Espero que sejam problemas importantes, porque tive que sair de casa no meio de uma boa noite de sono.

SCULLY: - Quero ver as fitas de vídeo datadas do dia...

Scully lê a caixa.

SCULLY: - Da sexta-feira passada. Alguém despachou esta caixa daqui.

A funcionária pega a caixa.

FUNCIONÁRIA: - Foi alguém que atendi. Lembro-me bem dessa caixa. O homem ainda pediu cuidado, porque era uma garrafa de bebida, presente pra um amigo em Washington. Mas isso é crime?

SCULLY: - Quando o conteúdo é veneno e mata um agente do FBI, acho que não restam dúvidas.

FUNCIONÁRIA: - Me acompanhem, eu vou mostrá-las.

SCULLY: - Quero os registros. Ele deve ter usado nome falso, mas quero ter certeza disso. Pode me falar o que conversaram?


3:15 A.M.

A funcionária pausa a fita.

FUNCIONÁRIA: - Foi esse homem. Lembro bem dele. Tinha uma cicatriz feia na cabeça.

Scully olha pro homem. Frohike também.

FROHIKE: - O conhece?

SCULLY: - Não... Preciso levar essa fita pra Washington e descobrir quem ele é.


Washington D.C. - Apartamento de Diana Fowley - 3:21 A.M.

O Canceroso entra. Senta-se no sofá.

CANCEROSO: - Mulder está morto.

DIANA: - O quê?

CANCEROSO: - É o que ouviu, agente Fowley. Virou presunto. Alguém conseguiu caçar a raposa e pô-la em seu devido lugar.

DIANA: - O que você fez com ele?

CANCEROSO: - Por incrível que pareça, agente Fowley, não tenho nada a ver com isso. Estou encarando como um presente dos céus.

Diana sai correndo pro quarto. O Canceroso acende um cigarro.

CANCEROSO: - Um problema a menos...


Pistoleiros Solitários - 6:35 A.M.

Close da impressora. A foto de Hancock começa a surgir na frente dos olhos de Scully. Langly está no computador. Os outros dois em volta.

FROHIKE: - É esse o assassino de Mulder?

SCULLY: - Me deem uma cópia em disquete.

FROHIKE: - O que vai fazer?

SCULLY: - Vou até o FBI descobrir quem ele é.

Langly sorri.

LANGLY: - É só você me dar a sua senha ou digita-la que entro no sistema rapidinho pra você.

Scully olha pra ele, sorrindo amavelmente. Byers entra com uma caneca. Entrega pra Scully, com uma fisionomia de piedade.

BYERS: - Acho que você está precisando de um cházinho...

SCULLY: - O que eu faria sem vocês? Não consigo nem raciocinar direito!

Frohike a abraça. Sente o perfume dela. Fica mais desconfiado. Langly acessa o sistema do FBI.

Corta para a porta do necrotério. Câmera de aproximação lenta até o refrigerador.

Close do rosto de Mulder debaixo do lençol.

MULDER (OFF): - (GRITA) Me tirem daqui! Me tirem daqui! Socorro!


Apartamento de Mulder - 8: 15 A.M.

Scully, sentada na cama, observa a foto de Hancock. Batidas na porta. Scully levanta-se. Abre a porta. Skinner entra.

SKINNER: - Sabia que estaria aqui. Scully, e-eu... Eu sinto muito.

SCULLY: - Senhor...

Scully abraça-se nele, com lágrimas correndo dos olhos.

SKINNER: - E-eu...

Skinner a abraça forte. Beija-a na testa.

SKINNER: - Ele era o único amigo que eu tinha. Também vou sentir falta dele.

Skinner tenta conter as lágrimas. Os dois ficam abraçados por segundos. Skinner a solta. Olha pra ela.

SKINNER: - Você vai ter que ser forte, Scully.

SCULLY: - Obrigado pelo que fez por nós dois.

SKINNER: - .... (ABAIXA A CABEÇA)

SCULLY: - Eu sei que você armou tudo pra que a gente se confessasse... Não sei como percebeu o que havia entre eu e Mulder, antes que nós mesmos descobríssemos... Senhor, eu... Eu amo Mulder demais!

SKINNER: - Me sinto culpado por isso. Não podia imaginar que uma coisa dessas ia acontecer... Scully, agora é uma hora muito difícil pra você. Se quiser, eu investigo quem fez isso com o Mulder.

SCULLY: - Já descobri o homem senhor. E não vejo conexão alguma.

Scully mostra a foto.

SKINNER: - Quem é ele? Trabalha pro Canceroso?

SCULLY: - Não. Ele é um terrorista Haitiano, que fugiu da cadeia há alguns dias. É procurado por diversos atentados, inclusive o de uma creche em Memphis.

Skinner vai até o computador de Mulder. Liga-o.

SCULLY: - O que vai fazer, senhor?

SKINNER: - Tenho acesso a outros departamentos, agente Scully.

Skinner entra no sistema do FBI. Digita seu código. Surge na tela o pedido de uma senha. Skinner digita.

SCULLY: - Seção de crimes violentos?

SKINNER: - Hancock... Donald Hancock. Preso em 1991 após tentativa de terrorismo com bomba, no Tenesse... Mulder atirou nele.

SCULLY: - Foi então uma vingança?

Skinner levanta-se da cadeira.

SKINNER: - Acho que não é bom pra você ficar por aqui. Precisa dormir um pouco. Tem algum lugar pra onde possa ir?

SCULLY: - Tenho, senhor, mas...

SKINNER: - É uma ordem, agente Scully. Tome um sedativo e vá descansar. Precisa estar bem pra conseguir pegar esse canalha.

SCULLY: - Pra onde vai?

SKINNER: - Pedir um mandado de busca. Nem que tenha que revirar Memphis, eu acho esse desgraçado! Vou colocar o FBI em peso atrás dele.


Residência de Margaret Scully - 10:20 A.M.

Meg abre a porta. Vê a filha, num semblante caído, lágrimas nos olhos.

MARGARET: - (ASSUSTADA) Dana? O que aconteceu?

SCULLY: - O Mulder... Mãe, o Mulder morreu!

Scully abraça-se na mãe.


Apartamento de Teena Mulder - 10:25 A.M.

A mãe de Mulder olha a foto dele. Não há lágrimas em seus olhos.

TEENA: - Sabe, perder um já dói. Mas perder os dois...

O Canceroso senta-se ao lado dela, pegando em sua mão.

CANCEROSO: - Não há motivos pra lamentar. Você sabe disso.

TEENA: - Há motivos sim, eu era ligada ao Fox! Não pode desfazer os erros que cometeu no passado! Eu me envolvi! Você sabe bem disso! Primeiro a Samantha, agora o Fox! Você é um desgraçado, sabia disso? Arruinou toda a minha vida! Por Deus, se o Bill estivesse vivo eu o mataria e mataria você!

CANCEROSO: - Juro que não tenho nada a ver com isso. Não me odeie.

TEENA: - Você é um hipócrita! As coisas que fez pro Fox...

CANCEROSO: - Você sabe da minha relação de amor e ódio pelo Mulder.

TEENA: - Ponha-se daqui pra fora! Me deixe sofrer em paz!

CANCEROSO: - ...

TEENA: - Uma vez na vida, me deixe sofrer em paz! A dor é minha! Nunca será sua!

O Canceroso sai. Teena fecha os olhos.


Residência de Margaret Scully - 2:31 P.M.

Meg abre a porta. Skinner olha pra ela.

SKINNER: - Sou Walter Skinner, amigo da agente Scully.

MARGARET: - Ah, senhor Skinner, entre por favor. Vou chamá-la.

SKINNER: - Ela dormiu um pouco?

MARGARET: - Com alguns sedativos. Mas já está acordada, está trocando de roupa.

Scully desce as escadas. Rosto inchado e cansado.

SCULLY: - O que conseguiu, senhor?

SKINNER: - Agente Scully, e-eu... Precisamos saber a causa da morte do agente Mulder.

SCULLY: - Foi envenenamento.

SKINNER: - Sei, mas... Os procedimentos gerais do FBI pedem...

Skinner olha pra Margaret. Olha pra Scully. Está tenso.

SKINNER: - Eles querem provas de que o líquido foi ingerido...

Scully olha pra ele em desespero.

SKINNER: - Se não quiser fazer isso, eu chamo outro legista. Mas preciso da sua autorização. O Mulder deixou as decisões pra você, num papel, e a burocracia pede pra que você...

SCULLY: - Não vou deixar que ninguém toque nele!

SKINNER: - Scully, é o único modo que temos pra provar...

Margaret olha pra filha e entra em desespero. Scully pega um casaco.

SCULLY: - Eu faço isso.

Scully sai. Skinner olha pra Margaret. Ela põe a mão o rosto e abaixa a cabeça. Skinner sai. Margaret seca as lágrimas.


Hospital Geral - 1:30 P.M.

Scully entra na recepção. Agitação de médicos e enfermeiras na porta do hospital. Várias macas são levadas pra dentro. Scully passa por eles.

SCULLY: - O que aconteceu?

PARAMÉDICO: - Houve um tiroteio num banco. Alguns já chegaram mortos. Outros estão feridos.

Vemos pelo olhar de Scully. Ela olha pra uma das macas. Vê uma menina em cores. Olha pra outra. Vê uma mulher em preto e branco.

Scully esfrega os olhos. Olha para a mulher novamente.

Vemos pelo olhar de Scully, a mulher em preto e branco. A menina em cores. Um outro homem. Preto e branco.

Scully sacode a cabeça e toma o elevador.

[Corte]

Scully no necrotério, vestida com avental, luvas e máscara. Aproxima-se do corpo de Mulder. Levanta o lençol. Respira fundo. Coloca o bisturi sobre o peito do parceiro, pressionando-o. Ligeiramente o sangue escorre.

MULDER (OFF): - (DESESPERADO) Scully!!!!!!! Eu não estou morto!

Um enfermeiro entra empurrando a maca. Na maca, o corpo da mulher que levou um tiro no banco.

ENFERMEIRO: - Desculpe. Ela acabou de morrer, doutora.

O enfermeiro sai. Scully, intrigada, abaixa a máscara. Aproxima-se do corpo da mulher e levanta o lençol. Observa.

Vemos pelos olhos de Scully. A mulher em preto e branco.

Scully vira-se para o corpo de Mulder.

Vemos pelos olhos de Scully. Mulder, em cores.

Scully cobre o corpo da mulher e aproxima-se de Mulder. Observa-o com intriga. Ergue o bisturi sobre o peito dele.

SCULLY (OFF): - ... Eu estou bem. Apesar de estar num leito de hospital...

SKINNER (OFF): - Bem? Você levou um tiro! O médico me disse que ainda não entende como você não morreu! E também não entende como Fellig morreu. Quer me explicar o que aconteceu, agente Scully? O que houve naquele apartamento? Esse fotógrafo realmente estava envolvido? Como justifica que ele sempre era o primeiro a chegar no local dos crimes?

A mão de Scully treme, ela não consegue cortar Mulder.

SCULLY (OFF): - ... Eu acreditava que ele estava envolvido com os crimes, mas Mulder, mesmo sem estar designado para o caso, ficou o tempo todo me dizendo que havia algo estranho. Então Mulder descobriu que... Fellig era mais velho do que supúnhamos.

SKINNER (OFF): - Como assim?

SCULLY (OFF): - E-eu... Senhor, isto não é oficial.

SKINNER (OFF): - Omitirei do relatório.

SCULLY (OFF): - O fotógrafo, o senhor Fellig, me falou coisas estranhas em seu apartamento, pouco antes de morrer. Ele disse que descobriu há muitos anos atrás, em seu leito de morte que se não olhasse para a morte na hora em que ela viesse buscá-lo, ela não poderia levá-lo. Então ele ficou para trás, nunca mais conseguiu morrer, apesar de inúmeras tentativas de suicídio.

SKINNER (OFF): - Agente Scully, devo entender que Fellig olhou para a morte antes de você e assim morreu em seu lugar, passando o dom dele pra você?

Scully deixa o bisturi cair ao chão. Vira-se de costas pra maca, suor escorrendo da testa, olhos assustados. Leva os cabelos que caem ao rosto pra trás, num gesto rápido e nervoso, mantendo a mão sobre eles, virando-se pra Mulder.

MULDER (OFF): - Isso, Scully, por favor, desconfie!

Scully aproxima-se do rosto do parceiro. Olha em seus olhos. Pega o celular.

SCULLY: - Sou eu, senhor. Já fiz a autópsia. Morte por ingestão de tetradoxina.

Scully desliga. Assina a autópsia. Olha desconfiada pra Mulder. Coloca o lençol sobre ele e sai da sala, nervosa.

MULDER (OFF): - (GRITA) Scully, Scully! Me ajuda! Me tire daqui! Faça alguma coisa! Não vai embora!


Funerária “Carter & Bowman” - 4:16 P.M.

Uma mulher esquelética aproxima-se do corpo de Mulder. Tira o lençol.

MULHER 1: - É pra fazer o quê com este aqui? Embalsamar?

MULDER (OFF): - (GRITA) Ai, meu Deus! Essa não!

A outra grita da sala ao lado.

MULHER 2: - Não, a família não quer. Ponha uma roupa decente nele e vamos colocá-lo no caixão. O enterro é às 6! Não tem muita bobagem, ele tinha poucos amigos.

MULDER (OFF): - (GRITA) Enterro? Vão me enterrar? Alguém aí, pelo amor de Deus me ajude!

A mulher começa a tirar as roupas de Mulder.

MULDER (OFF): - (GRITA) Essa não! Que situação humilhante!

MULHER 1: - Do que este morreu?

MULHER 2: - (GRITA DA OUTRA SALA) Foi envenenado!

MULHER 1: - Ele tem cara de safado. Aposto que uma mulher traída conseguiu se vingar! Sabe como são essas coisas.

Ela tira as calças de Mulder.

MULHER 1: - Nossa! Não é à toa que a mulher tinha ciúme.

MULHER 2: - (GRITA DA OUTRA SALA) O cara é bonito?

MULHER 1: - Bonito e “bem talentoso”.

A mulher esquelética cobre Mulder nu, com um lençol.

MULDER (OFF): - (DESESPERADO) Ah, Jesus, isso não tá acontecendo. É um sonho! Eu quero acordar!!!!!!!!!

A outra mulher se aproxima, toda suja de sangue. Olha pro lençol que a outra segura com as mãos.

MULHER 2: - Meu Deus! Que desperdício!

MULDER (OFF): - (GRITA) Vão embora, suas taradas! Isso é propriedade privada!

MULHER 1: - Quer guardar de lembrança pra sua coleção?

MULDER (OFF): - (GRITA) Ah, não, essa não!

MULHER 2: - Não. Ele é agente do FBI. Pode dar algum galho.

A mulher esquelética começa a vestir Mulder.

MULDER (OFF): - (GRITA) Se eu sair dessa vou abrir um inquérito nessa espelunca por maus tratos aos mortos!


FBI – Gabinete do diretor assistente - 4:26 P.M.

Scully entra. Skinner levanta-se da cadeira.

SKINNER: - Eu já soube que você assinou a autópsia mas não a fez. Isso é problema seu, não meu. É sua reputação profissional que está em jogo.

SCULLY: - ... (PERTURBADA)

SKINNER: - Preciso beber alguma coisa, porque não sei se vou conseguir aguentar o que vem pela frente.

SCULLY: - Não vou ao enterro.

Skinner olha pra ela.

SCULLY: - E-eu ainda não consigo acreditar que ele está morto. Não sei explicar mas... Eu... (COMEÇA A RIR DE SI MESMA) Eu acho que consigo diferenciar pessoas vivas de pessoas mortas pela cor... E não falo da coloração roxa comum de um cadáver...

Scully sai, perturbada. Skinner chama a secretária.

SKINNER: - Em “off”. Me traga uma garrafa de uísque! Quero fazer um último brinde ao Mulder.

[Corte]

[Som: Roger Daltrey – Without Your Love]

Scully entra nos Arquivos X. Olha pro pôster na parede. Olha pras coisas dele. Senta-se na cadeira. Pega a placa com o nome de Mulder.

SCULLY: - Eu “queria uma escrivaninha”. Mas não desse jeito...

Scully se debulha em lágrimas.

SCULLY: - Mulder, covarde! Você é um covarde! Você me deixou aqui, sozinha! Eu te odeio! Te odeio!


FBI – Gabinete do diretor assistente - 5:11 P.M.

Scully entra na sala de Skinner com um papel nas mãos. Entrega pra ele.

SKINNER: - O que é isso?

SCULLY: - Minha demissão. Não posso continuar aqui, senhor. Não sem o agente Mulder.

SKINNER: - Agente Scully, sei que o fato da paixão de vocês...

SCULLY: - Não tem nada a ver com nossa vida pessoal. É uma decisão profissional.

SKINNER: - Pense melhor. Acredito que se o Mulder estivesse vivo, gostaria que você prosseguisse com seu trabalho. Ele lutou tanto por isso, não pode abandonar...

SCULLY: - Não vou ficar, senhor. Poupe seus argumentos.

SKINNER: - Fique, agente Scully. Se não for por você, que seja em memória do agente Mulder.

Scully pega a garrafa de uísque de Skinner. Bebe no gargalo.

SKINNER: - Não está em juízo perfeito para tomar decisões.

SCULLY: - Nem você para dizer o que tenho que fazer!

Scully sai furiosa. Skinner suspira.


Cemitério “São Frank Spotnitz” - 6:05 P.M.

O caixão de Mulder está aberto, para as últimas despedidas. Teena Mulder está ao lado. Todos prestam condolências à ela. Ela está séria, sem derrubar uma lágrima. Meg aproxima-se.

MARGARET: - Minhas condolências pela morte de seu filho, Sra. Mulder.

TEENA: - Quem é a senhora?

MARGARET: - Sou a mãe da agente Scully, parceira do seu filho. Não sei se deveria estar aqui, mas... Eu gostava muito do Fox. Ele salvou a vida da minha filha. Queria retribuir isso se pudesse... Sei a dor que está passando. Perdi uma filha também. Isso mata o coração de uma mãe. Temos o direito de sofrer.

TEENA: - Não estou sofrendo, Sra. Scully. Agora sei onde ele está.

Meg olha pra ela sem entender. Lança um olhar de raiva.

[Som: Glenn Miller – American Patrol (instrumental)]

Os Pistoleiros aproximam-se do caixão.

Vemos pelos olhos de Mulder a cara de cada uma das pessoas que se inclina sobre o caixão, para a última despedida.

FROHIKE: - Adeus, amigo. Você era uma grande pessoa. Seus parafusos eram meio soltos, mas o que importa isso?

MULDER (OFF): - (GRITA DESESPERADO) Frohike, me tira daqui!

BYERS: - Adeus, Mulder. (CHORANDO) Por sua causa eu conheci a Susanne, o amor da minha vida... Não vou nunca me esquecer disso.

MULDER (OFF): - Byers, Byers... Seu sentimental, você não muda mesmo!

LANGLY: - Adeus, cara. Eu te amava.

MULDER (OFF): - Vou fingir que não ouvi isso.

DIANA: - Mulder, e-eu... Vou sentir sua falta.

MULDER (OFF): - Vagabunda! Quem te convidou pra festa? Vai tomar champanhe depois, pra comemorar com o Fumacinha?

SKINNER: - Mulder... Espero que encontre as verdades que procurou durante sua vida.

MULDER (OFF): - Até agora você teve o melhor discurso.

MARGARET: - Fox... Você era um filho pra mim. Pena que eu não tenha falado isso à você antes. Você era um bom menino.

MULDER (OFF): - Ah, ‘sogrinha’... Se tivesse uma mãe como a senhora eu não estaria aqui! Teria sido uma pessoa normal.

Scully, vestida de preto, se inclina chorando e gagueja no ouvido dele.

SCULLY: - (SUSSURRA) Eu amo você, Mulder.

MULDER (OFF): - Ah, Scully, eu tenho certeza disso, mas não precisa ser assim. Me tira daqui, você é a única que o pode fazer!

TEENA: - Fox..... Você era tudo o que me restava.

MULDER (OFF): - Mãe... Eu não tô morto, me tira daqui! Use seu instinto materno, se é que algum dia já teve um!

Eles fecham o caixão. Mulder grita desesperado, mas ninguém pode ouvi-lo.


BLOCO 3:

Ao longe, Hancock, disfarçado com um chapéu, observa a cena. Todos vão embora. Scully fica por ali, ao lado da mãe, segurando algumas flores e olhando pro caixão do parceiro. Scully vira-se para Margaret.

SCULLY: - Mãe, preciso ficar sozinha.

Margaret a beija na testa e sai. Hancock aproxima-se.

HANCOCK: - Você era a esposa dele?

Scully olha pra Hancock.

SCULLY: - Quem é você?

HANCOCK: - Um amigo de infância.

SCULLY: - (DESCONFIADA) Onde o conheceu?

HANCOCK: - Na escola. Fiquei sabendo no obituário do jornal. Triste fim pra um cara como o Fox.

SCULLY: - (DESCONFIADA) Fox? O chamava pelo nome?

HANCOCK: - Meus pêsames, senhora. Espero que ele tenha deixado filhos...

SCULLY: - Não, não deixou.

HANCOCK: - É uma vida estranha, sabe? Um dia se está por aí, outro se está morto.

Os olhos de Scully se enchem de lágrimas. Ela coloca as flores sobre o caixão, com algumas sementes de girassol. Sai dali cabisbaixa. Entra no carro. Observa Hancock.

Hancock abre o caixão. Tira o chapéu. Inclina-se sobre o caixão. Olha pra Mulder, num sorriso.

HANCOCK: - Eu sei que está me ouvindo, Fox Mulder. Lembra-se de mim? 1991. Memphis.

MULDER (OFF): - Hancock?

HANCOCK: - Que final trágico pra você não? Ser enterrado vivo. Isso fica pelo tiro que levei e pelos anos que estive na cadeia e deitado em uma cama sem poder me mover. Está sentindo o que é não poder se mover, agente Fox Mulder?

MULDER (OFF): - O que você fez?

HANCOCK: - O melhor de tudo, é que ninguém acredita em vodu. Você vai penar aí até o dia em que eu morrer. E, quando isso acontecer, Fox Mulder, você vai acordar gritando, embaixo da terra. E ninguém vai te ouvir. (RI) Já pensou que doloroso e angustiante é morrer por asfixia?

MULDER (OFF): - (GRITA) Me tira daqui, seu desgraçado!

HANCOCK: - Sua viúva é muito interessante. Acho que está precisando de um consolo...

MULDER (OFF): - (GRITA) Não se aproxime da Scully!

HANCOCK: - Quem sabe eu faço com ela o que fiz com você? Agora você me pertence, Fox Mulder. Eu sou o dono da sua alma.

Hancock fecha o caixão. Afasta-se. Mulder grita desesperado. Hancock passa pelo carro de Scully, mas não percebe que ela está ali dentro. Scully olha pra cicatriz dele na cabeça. Abre a porta do carro, puxando a arma e mirando nele.

SCULLY: - (GRITA) Parado aí, senhor Hancock. FBI!!!!!!

Hancock pára. Scully o empurra pra cima do carro. Mira a arma na cabeça dele.

SCULLY: - (GRITA) Seu filho de uma vaca! Afaste as pernas, fique encostado no carro, com as mãos onde eu possa vê-las!

Scully o algema. O coração está disparado. Pega o celular.

SCULLY: - Aqui é a agente especial Dana Scully. Preciso de apoio.


FBI - Sala de interrogatórios - 8:50 P.M.

Scully nervosa e com raiva, anda de um lado pra outro. Skinner ameaça Hancock.

SKINNER: - (FURIOSO) Você vai para a cadeia, canalha! Fuga e assassinato! Não precisa assinar sua culpa, porque as provas estão todas contra você! Você envenenou e matou o agente Mulder. Vai para o corredor da morte! E estarei na sua execução, ali, de pé, aplaudindo!

Hancock ri. Skinner ameaça agredi-lo. Scully segura o braço de Skinner.

SCULLY: - Senhor, não perca seu tempo... O que fez com o Mulder?

HANCOCK: - ... Nada.

SKINNER: - Você tá ferrado, Hancock!

Hancock continua rindo.

HANCOCK: - Eu e outra pessoa... Somos dois ferrados. E enquanto eu permanecer ferrado, ele também estará.

SCULLY: - Você tem um cúmplice?

Hancock começa a rir mais alto.

SKINNER: - Com sorte, morrerá na cadeia, depois de uns 30 anos.

Hancock ri mais alto.

HANCOCK: - Trinta? Se me matassem agora poderiam poupar tempo para o... Ah, esqueçam. Daqui há 30 anos eu gostaria de ver a cara de alguém acordando...

O celular de Scully toca.

SCULLY: - Scully.

FROHIKE (OFF): - Scully, venha depressa pra cá.

SCULLY: - O que houve, Frohike?

FROHIKE (OFF): - Não posso falar por telefone.

Scully desliga. Sai às pressas.


Pistoleiros Solitários - 9:24 P.M.

Frohike tira todas as trancas da porta. Scully entra. Vê Langly com o relatório da autópsia de Mulder, na tela do computador.

SCULLY: - O que...

FROHIKE: - Por que não nos disse que o Mulder havia ingerido tetradoxina?

SCULLY: - E que diferença faz isso?

FROHIKE: - A vida dele!

Scully olha pra eles, as lágrimas caem.

SCULLY: - Vocês estão tão perturbados quanto eu...

LANGLY: - Scully, sabia que Donald Hancock é haitiano?

SCULLY: - E o que isso tem a ver?

BYERS: - Escravidão mortal.

SCULLY: - O quê?

LANGLY: - Ele é um sacerdote vodu. Ou um bokôr, como quiser chamar.

FROHIKE: - O Mulder está vivo, Scully! O desgraçado do Hancock deu uma poção pra ele beber e o tornou um morto-vivo. Um zumbi.

SCULLY: - (MAGOADA/ GRITA) Vocês não têm o direito de fazer isso comigo!!!!! Não mexam com meus sentimentos! Acho que já estou sofrendo o bastante...

LANGLY: - Eles transformam as pessoas em zumbis por dois motivos: castigar alguém por alguma coisa errada que fez ou pra vender a pessoa como escrava.

BYERS: - Acredito que o Mulder se encaixe na primeira.

LANGLY: - Ele quis se vingar do Mulder.

FROHIKE: - (SACUDINDO UM PAPEL NA MÃO) Sabe do que é feita a poção ou o pó de mozombi? É um caldo, feito com ossos humanos, sementes e plantas venenosas, sapos, lagartos e aranhas. Misture à isso uma flor haitiana chamada Datura. E a carne do baiacu, rica em tetradoxina. Você é médica, sabe que poucas doses de tetradoxina... (ENTREGA O PAPEL PRA SCULLY)

SCULLY: - (PASSA OS OLHOS NO PAPEL) ... São suficientes pra deixar a pessoa desacordada...

BYERS: - Imagine uma grande quantidade disso! Ele colocou a poção na garrafa e mandou pro Mulder.

FROHIKE: - A coisa é tão potente que reduz o metabolismo a uma estado de morte. Depois de administrado, a vítima é enterrada. Por que não há sinais de vida no corpo. Apenas o cérebro funciona em estado letárgico. Nem o coração consegue ser captado. A pessoa não respira.

LANGLY: - Houve um caso no Haiti de um homem, chamado Narcise. Entrou no hospital cuspindo sangue. Foi dado como morto. Dezoito anos depois ficaram abismados ao ver Narcise andando pela cidade. Ele era propriedade de um bokôr, assim como Mulder.

BYERS: - Quando o bokôr morreu, Narcise voltou à vida. O feitiço termina com a morte do bokôr. Consciente no enterro, Narcise chegou a contar o peso que sentiu da terra sobre ele. Tem a cicatriz do prego do caixão no rosto até hoje.

SCULLY: - Vocês estão perturbados...

FROHIKE: - Pensa bem, Scully!

SCULLY: - Isso não é lógico! Isso é lenda, é xamanismo, são crenças ridículas, criadas com o intuito de impressionar e pôr medo nas pessoas...

LANGLY: - Scully, não confia na gente?

SCULLY: - O Mulder está morto! Ele não respira mais! Deixe-o descansar!

FROHIKE: - Ele está vivo, Scully. E sinto muito, mas a ciência não vai explicar isso.

Frohike puxa Scully.

FROHIKE: - Vamos pro cemitério. Temos que tirar o Mulder de lá!


Cemitério “São Frank Spotnitz”- 12:00 A.M.

[Som: Glenn Miller – American Patrol]

Byers, Frohike e Scully de lanternas nas mãos, iluminam o túmulo de Mulder no escuro. Langly cava com uma pá.

SCULLY: - Isso é violação de túmulo! Existem leis contra isso...

PISTOLEIROS EM CORO: - Cala a boca, Scully!

Scully olha pra eles, incrédula. Encara Byers.

SCULLY: - Pensei que de todos, você fosse o menos retardado... Vocês precisam de uma autorização pra fazer isso...

FROHIKE: - Até vir a autorização, nosso amigo vai ficar aí sofrendo.

SCULLY: - Eu não sei porque não prendo vocês três por vandalismo!

Langly tira o suor da testa. Sai do buraco. Entrega a pá pra Frohike.

LANGLY: - Preciso de água.

Langly e Byers saem. Scully pega a pá de Frohike. Pula no buraco da sepultura.

SCULLY: - Eu cavo. Vou provar pra vocês que o Mulder está morto e que deviam respeitá-lo!

Scully começa a cavar com ódio deles. Alguém se aproxima.


BLOCO 4:

Bill Scully aproxima-se do túmulo. Ao ver Scully, olha pra ela seriamente.

BILL: - (INCRÉDULO) O que pensa que está fazendo?

Scully vira-se. Levanta a cabeça. Ergue as sobrancelhas, embaraçada com a situação.

SCULLY: - B-Bill? O que faz aqui?

BILL: - Vim trazer umas flores pra ele, já que me atrasei pro enterro. Afinal de contas, ele era louco mas era seu amigo. E o que você está fazendo aí?

SCULLY: - (COM CARA DE MAROTA) Eu? Nada... Estou... Bem, eu... Eu estou... Desenterrando o Mulder.

BILL: - (INDIGNADO)Você tá maluca?

SCULLY: - Eu acho que ele não tá morto...

BILL: - Você conviveu tempo demais com esse biruta! Ficou igual à ele! Saia já daí. Tá parecendo uma fanática seguindo a seita dele!

Bill a puxa pra cima. Frohike se aproxima.

FROHIKE: - O que está...

Bill encara Frohike. Frohike observa a altura dele, com medo.

FROHIKE: - Seu brutamontes, você não pode fazer isso! A agente Scully está certa...

Byers e Langly se aproximam.

BILL: - Eu vou chamar a polícia agora! Não sei quem são vocês, seus depravados! Mas a ideia tem que ser de vocês três, não é? De trazer minha irmã pra um cemitério e ficar desenterrando caixões! Que tipos de tarados são vocês? Orgias com mulheres indefesas e defuntos?

Bill leva Scully de arrasto, sob os protestos dela. Um carro da polícia pára para ver o que está acontecendo. Byers, Langly e Frohike saem correndo pelo meio dos túmulos.


Residência de Margaret Scully - 12:55 A.M.

[Som: Glenn Miller – American Patrol]

Meg levanta-se da poltrona, alternando um olhar incrédulo para Scully e para Bill.

MARGARET: - (GRITA ESPANTADA) Fazendo o quê????

BILL: - Desenterrando o lunático!

MARGARET: - Dana, você estava fazendo isso?

Scully, como uma adolescente rebelde, está sentada no sofá, de braços cruzados e um beiço enorme de quem foi pega em flagrante delito.

MARGARET: - Dana... Filha, eu sei que você está perturbada com a morte do Fox. Mas se você estivesse no lugar dele, eu odiaria pegá-lo revirando o seu túmulo. Pense na pobre mãe dele... Aliás, não pense nela não. Mulher esquisita... Nem parecia estar no enterro do filho, não vi nenhuma lágrima.

BILL: - Mãe do lunático, o que você esperava?

SCULLY: - ...

BILL: - Dana, nós entendemos que o lunático era seu amigo...

SCULLY: - Não chame o Mulder de lunático! Ele está vivo! Eu sinto isso! Se eu tivesse acreditado nas coisas que vi, isto não teria acontecido!

MARGARET: - (CURIOSA) O que você viu, Dana?

SCULLY: - (FASCINADA) Mãe, eu agora vi a verdade. Vejo quando uma pessoa vai morrer e quando ela está morta. Foi um dom que me passaram, e só agora me dei conta de que o possuo...

BILL: - (CONTRARIADO) Ótimo! Mais uma na família! Agora ela ficou igual à Melissa, vê coisas, sente vibrações e vai começar a comprar estatuetas de gnomos. Mãe, leve a Dana à um psicólogo. Temos plano de saúde pra quê?

SCULLY: - (GRITA) Eu não estou louca!

BILL: - Eu sempre falei que você devia pedir transferência daquele porão! A loucura daquele sujeito narigudo ia contaminar você! Eu falei, mas eu nunca tenho razão.

MARGARET: - Bill!!!!

Margaret serve um chá. Entrega à Scully.

MARGARET: - Beba, vai se sentir melhor, filha.

SCULLY: - Eu não quero chá nenhum! Eu quero voltar lá e desenterrar o Mulder!

Bill e Margaret se olham. Bill pega o telefone.

BILL: - Vou chamar um médico. A coisa é séria, mãe. A pancada foi forte.

Scully levanta-se do sofá. Sobe as escadas furiosa.


1:10 A.M.

Scully está sentada numa cadeira, no quarto, de frente pra janela. Olha pras estrelas. De repente uma pedra atinge a janela. Scully levanta-se. Abre a janela. Vê Frohike no gramado.

FROHIKE: - Ei, quer fugir pra ir à festa?

Scully sorri.

SCULLY: - Estou de castigo!

FROHIKE: - E daí?

[Som: Glenn Miller – American Patrol]

Scully pula a janela. Desce até o chão pela escadinha de flores. Frohike olha pra ela debochado.

FROHIKE: - Você é expert nisso, não?

SCULLY: - Achei que já tinha perdido o treino. Vamos embora, temos que salvar o Mulder.

Frohike olha pra ela surpreso.


BLOCO 4:

Cemitério “São Frank Spotnitz” - 1: 36 A.M.

[Som: Glenn Miller – American Patrol]

Langly pula o muro do cemitério. Byers atira uma pá por cima do muro, acertando a cabeça de Langly, que já estava do outro lado.

LANGLY: - (GRITA) Querem me matar?

SCULLY: - Shii! Parem de fazer barulho!

Um carro de polícia se aproxima, fazendo a ronda. Eles se escondem atrás de uma árvore. Langly grita do outro lado do muro.

LANGLY: - (GRITA) Vocês não vêm? (DESESPERADO) Eu não quero ficar sozinho aqui no meio de gente morta!!!!!!!!!!!

FROHIKE: - Psiu, cala a boca, seu retardado!!!!!

A polícia passa. Eles voltam pro muro. Byers ajuda Frohike a subir. Mas exagera no empurrão e Frohike se espatifa no chão, do outro lado do muro, aos pés de Langly.

FROHIKE: - Odeio ser baixinho!

Byers ajuda Scully a pular. Scully não consegue.

BYERS: - Scully, me desculpe...

Byers empurra-a pelo traseiro. Do outro lado, Langly a ajuda a descer. Byers pula. Os quatro correm por entre os túmulos, até chegarem no túmulo de Mulder. Byers pega a pá e pula pra dentro.

BYERS: - Devemos estar perto do caixão.

SCULLY: - (TENSA) Se ele já não estiver morto...

FROHIKE: - Ele não está sentindo nada, Scully. Só desespero! Imagine ser enterrado vivo!

SCULLY: - Mas e a respiração?

FROHIKE: - Ele respirava quando saiu do hospital?

Scully cala-se. Alguém sai de trás de um túmulo. Os quatro gritam assustados.

SKINNER: - Sabia que estariam aqui.

SCULLY: - O que faz aqui, senhor?

SKINNER: - Sua mãe ligou pra mim, estava nervosa porque você ‘fugiu’ de casa.

Skinner tira o paletó. Entrega pra Scully.

SKINNER: - Já vi tantas coisas que não vou duvidar dessa. Ele confessou. Hancock confessou que fez vodu contra o Mulder. Claro que o Bureau inteiro riu disso, com uma piada de “Estranho Mulder termina de maneira estranha. Entrou para os próprios Arquivos X”.

Skinner pula pra dentro da sepultura. Pega a pá de Byers. Scully e Frohike sentam-se no gramado. Scully treme de frio. Veste o paletó de Skinner. Põe a mão no bolso. Percebe a garrafinha de uísque. Olha pra Frohike, erguendo as sobrancelhas.

SCULLY: - Senhor, acho que está bebendo demais...

Scully pega e toma um gole.

SCULLY: - Estou precisando disso... (RI) Parece coisa de adolescente. Mulder, me desculpe, mas há anos não me divirto assim!

SKINNER: - Isso vai ser omitido de seu relatório, não é agente Scully?

SCULLY: - Senhor, creio que o FBI não aceitaria a ideia de uma agente especial bebendo no cemitério, em plena madrugada, enquanto observa o diretor assistente abrindo uma cova com uma pá. Não poderia explicar isso cientificamente.


1:45 A.M.

Skinner, todo sujo de terra, bota a cabeça pra fora da sepultura.

SKINNER: - Encontrei.

Skinner abre o caixão de Mulder. Olha pra ele. Mulder fica aliviado.

MULDER (OFF): - Amo você Skinner. Nunca pensei que diria isso.

SKINNER: - Se você estiver vivo, eu juro que te mato. Me ajudem aqui!

Langly pula. Ajuda Skinner a erguer Mulder.

SKINNER: - Esse desgraçado é pesado...

Byers, Frohike e Scully puxam Mulder pra cima, com muita dificuldade. Skinner e Langly saem da cova.

LANGLY: - E agora? O que vamos fazer com ele?

FROHIKE: - Como se acorda um zumbi?

SCULLY: - Pensei que vocês soubessem!

MULDER (OFF): - Eu tô perdido! Devia ter tido mais amigos quando pude. Alguns mais inteligentes...

LANGLY: - Eu não sei... Pensei que...

SKINNER: - Tá bom, tá bom. Alguém aqui tem um manual de instrução de vodu?

Todos ficam em silêncio.

SKINNER: - Ótimo! Temos um corpo aqui e não sabemos o que fazer com ele.

MULDER (OFF): - Qualquer coisa contanto que me tirem daqui!

FROHIKE: - Vamos levá-lo pro apartamento dele até descobrir como podemos ressuscita-lo.

SKINNER: - Scully, me diga que isso é um pesadelo. Você é uma cientista, me diga o que estamos fazendo aqui?

SCULLY: - E-eu não sei mais no que acredito, senhor.

Scully olha pra Mulder. Não o vê em preto e branco.

SKINNER: - Precisamos tapar essa cova pra não levantar suspeitas.

Eles começam a tapar a cova. Scully segura Mulder nos braços.

MULDER (OFF): - Ah, Scully... Adoro quando você faz isso. Ainda bem que você não está me ouvindo porque eu vou dizer um monte de palavrões pra esses três!


FBI - Gabinete do Diretor Assistente - 8:33 A.M.

Scully entra na sala. Skinner olha pra ela.

SKINNER: - E o Mulder?

SCULLY: - Continua desacordado.

SKINNER: - Você tem certeza de que ele está vivo?

SCULLY: - Senhor, e-eu não sei explicar, não é uma coisa racional... Clinicamente está morto, mas... Eu sei que ele está vivo.

Skinner levanta-se. Serve uma dose de uísque. Bebe num gole só. Scully o observa, tentando não rir.

SKINNER: - Creio que o que está me dizendo é que isso tem algo a ver com o Fellig e aquela história toda... Onde deixou Mulder?

SCULLY: - No apartamento dele. O coloquei na cama.

SKINNER: - Tem certeza de que ninguém vai aparecer por lá, como a mãe dele por exemplo? Já tem mortos demais nessa história. Não quero ser responsável por um ataque cardíaco na senhora Mulder.

SCULLY: - Não, senhor. Ela nunca o visitava quando vivo, quanto mais depois de morto. Está tudo em ordem. Menos uma coisa.

SKINNER: - O que é?

SCULLY: - (RECEOSA) Segundo os... Os...

SKINNER: - Os ‘Três Patetas’.

SCULLY: - Segundo eles o encanto só se desfaz quando o feiticeiro vodu morre. Então ele liberta seu escravo.

SKINNER: - (SE ENGASGA COM A BEBIDA/ TOSSINDO)

SCULLY: - (ERGUE AS SOBRANCELHAS) ...

SKINNER: - (INCRÉDULO) Está querendo me dizer que o Mulder vai ficar naquela cama, como a Branca de Neve, esperando por um príncipe que o beije na boca?

SCULLY: - Isso não funciona, senhor.

Skinner olha pra ela. Ela faz expressão de culpada.

SCULLY: - Eu já tentei.

SKINNER: - Ainda temos o julgamento do Hancock e até ele ser executado, serão anos! O que vamos fazer com o Mulder até lá?

SCULLY: - O que vamos fazer com Hancock?

SKINNER: - Pressionaremos ele para quebrar o feitiço.

SCULLY: - Não funciona assim.

SKINNER: - (FURIOSO) Deus! Deus! Tinha que ser o Mulder! Até morto ele me dá problemas!

Skinner serve outra dose de uísque.

[Corte]

Scully caminha até o elevador. Alguns agentes, parados no corredor, fazem questão de aumentar a voz para que Scully escute o que falam.

AGENTE 1: - ... E disseram que tinha um bonequinho narigudo na gaveta dos Arquivos X. Estava cravado de alfinetes no traseiro!

Eles riem. Scully finge que não escutou. Entra no elevador, lotado de agentes. Os que estão ali também riem de Mulder.

AGENTE 2: - ... É, disseram que foi vodu. Agora, tem gente aqui que ganha dinheiro pra ficar procurando feiticeiros vodus e bonequinhos cravados de alfinetes...

AGENTE 3: - Ah, encarem dessa forma. O Estranho Mulder morreu, mas não vai nos deixar em paz. Vai assombrar o porão do FBI até contratarmos uma médium espírita pra expulsar o espírito dele daqui. Então ele vai provar que paranormalidade existe!

Eles se matam de rir. Scully fica indignada.

A porta abre-se. Scully sai esbarrando em todo mundo.


Apartamento de Mulder - 10:45 A.M.

[Som: Roger Daltrey – Without Your Love]

Scully senta-se na cama. Olha pra Mulder, deitado ali de pijamas.

SCULLY: - Mulder, você está aí?

MULDER (OFF): - Estou, Scully. Ainda bem que perguntou.

SCULLY: - Olha, se estiver me ouvindo, eu não sei o que fazer.

MULDER (OFF): - E eu não posso fazer nada! A não ser deixar meu destino nas suas mãos. Não sei o quê é mais preocupante. Deixar isto nas suas mãos racionais ou na daqueles imbecis retardados!

Scully levanta-se. Tira o blazer.

MULDER (OFF): - Ah, Scully, não faz isso. Não tortura!

Scully vai pra sala. Senta-se no sofá.

SCULLY: - Pense, Dana, pense...

Scully volta pro quarto. Pega o blazer e as chaves do carro. Sai, batendo a porta.

MULDER (OFF): - Scully, não me deixa aqui sozinho! (GRITA) Scully! Scully!


Presídio Municipal Dr. Mark Snow - 11:18 A.M.

O guarda abre a cela. Scully entra. Hancock ergue a cabeça, olhando pra ela. O guarda se afasta alguns metros, observando.

SCULLY: - Vim aqui pedir que retire o feitiço do Mulder.

Hancock ri debochado.

HANCOCK: - Está pedindo que me mate?

Scully escora-se na cela.

SCULLY: - Por que fez isso?

HANCOCK: - Porque ele atirou em mim! Porque destruiu minha vida. Nada mais justo que agora eu destrua a vida dele... Pense só no que deve estar sentindo... O peso da terra sobre si. Não pertence ao mundo dos vivos, nem dos mortos...

Scully sai da cela. O guarda a tranca. Scully caminha com a cabeça baixa, entristecida.


Arquivos X - 1:33 P.M.

Scully procura nos arquivos alguma coisa sobre vodu. Acha uma pilha de pastas. Pega-as. Senta-se na cadeira de Mulder e começa a ler as pastas.

Batidas na porta.

SCULLY: - Entre.

O Canceroso entra fumando. Scully levanta-se da cadeira, perplexa.

SCULLY: - O que o senhor está fazendo aqui?

CANCEROSO: - Vim oferecer minha ajuda.

SCULLY: - (INCRÉDULA) Ajuda?

CANCEROSO: - Quer salvar seu parceiro, não quer?

Scully olha pra ele, aflita e indecisa.

CANCEROSO: - Tenho os meios de salvá-lo. É só você dizer que sim.

SCULLY: - Pessoas como o senhor sempre querem algo em troca. Não confio em você.

CANCEROSO: - Agente Scully, eu tenho os meios. Justifique seus fins.

SCULLY: - Saia daqui, por favor!

CANCEROSO: - Vou lhe dar algum tempo pra pensar no assunto.

O Canceroso sai. Scully cai sentada na cadeira, olhos aflitos. Põe as mãos no rosto, num suspiro.


Gabinete do Diretor assistente - 1:45 P.M.

Skinner já está com a garrafa de uísque sobre a mesa.

SKINNER: - (ENGASGANDO-SE COM O UÍSQUE) Ele o quê?

SCULLY: - Senhor, ele ofereceu ajuda.

SKINNER: - Scully, em hipótese nenhuma aceite alguma coisa daquele homem. Entendeu? É como negociar com o próprio demônio. Você perde a sua alma. Acredite em mim. Sei do que estou falando.

SCULLY: - Mas senhor... Ele pode trazer o Mulder de volta.

SKINNER: - Vamos trazer o Mulder de volta. Mas sem a ajuda desse homem. Só preciso de tempo pra pensar... Fui claro?

Scully abaixa a cabeça.

SKINNER: - Tire o resto da semana de folga. Você não está em condições de trabalhar... Embora nem eu esteja, estou me tornando um alcoólatra desde que esse pesadelo começou!


Apartamento de Mulder - 6:50 P.M.

Scully come batatinhas fritas, sentada na cama ao lado do parceiro.

SCULLY: - Devo estar louca! Você está morto! ... Mulder, se você começar a cheirar como um cadáver, eu te enterro no quintal.

Scully cheira o pescoço de Mulder.

SCULLY: - Hum... Não. Não cheira como morto.

MULDER (OFF): - Scully não faz isso... Eu não posso ter reações físicas, mas acredite, adoraria tê-las agora!

Scully olha pra janela. Olha pra Mulder.

SCULLY: - Você tá vivo?... Mulder, o que estou fazendo com o seu cadáver do meu lado? Se a polícia descobrir vou ser presa, acusada por necrofilia!

MULDER (OFF): - Scully, você não pode me ouvir mesmo. Em outras circunstâncias, seria uma fantasia sexual excitante eu me fingir de morto...

SCULLY: - Mulder... Me dá algum sinal, me diz o que fazer. E-eu não entendo dessas coisas... Não posso matar o Hancock, ninguém vai poder fazer isso!

Scully olha pra Mulder, ali, paralisado. Começa a chorar. Pega o celular. Vai para o banheiro.


10:44 P.M.

Hancock está deitado em sua cela. Escuta passos que se aproximam. Senta-se na cama. Krycek aproxima-se, vestido de preto. Pára em frente a cela dele.

KRYCEK: - Donald Hancock?

HANCOCK: - Quem é você?

KRYCEK: - Você é Donald Hancock?

HANCOCK: - Sou.

Krycek puxa uma arma da jaqueta, com um silenciador na ponta.

KRYCEK: - Você maltratou um amigo meu.

Krycek dispara dois tiros em Hancock e sai rapidamente.


Apartamento de Mulder - 10: 46 P.M.

Mulder senta-se na cama num movimento rápido. Tenta respirar com dificuldades, fazendo gestos com as mãos de quem tenta empurrar o ar pra dentro da boca. Olha pra Scully, que está deitada ao lado dele, vestindo uma de suas camisas. Mulder espicha o braço e toca nela. Scully acorda-se de sobressalto.

SCULLY: - (ASSUSTADA) Mulder!!!!!!!!

Mulder, com os olhos arregalados, tentando respirar. Levanta-se da cama e abre a janela. Enfia a cabeça pra fora. Respira fundo. Está tenso. Scully vai até ele.

SCULLY: - Mulder, quer ajuda?

Ele sinaliza que não. Respira fundo novamente, agora mais tranqüilo. Sai da janela. Olha pra ela. Scully se abraça nele. Os dois ficam ali abraçados, ele começa a suar frio, ainda assustado com o que aconteceu.


FBI - Gabinete do diretor assistente - 7: 35 A.M.

Skinner olha pasmo pra Mulder, sentado ao lado de Scully. A garrafa de uísque está na cesta do lixo.

SKINNER: - (ESPANTADO) Eu... Vejo mas... Não entendo.

MULDER: - O mais terrível disso foi ver tudo o que se passava e não poder reagir. E o mais constrangedor foi quando tiraram minha roupa na funerária.

Scully olha pra ele, séria. Skinner sorri.

SKINNER: - Bem vindo ao lar, agente Mulder.

MULDER: - Estraguei sua semana de folga.

SKINNER: - Não se preocupe com isso.

MULDER: - Te devo mais uma, Skinner.

SKINNER: - Hancock foi achado morto em sua cela esta manhã. Agente Scully, sabe algo a respeito disso?

SCULLY: - Não, senhor. Não imagino quem poderia ter feito isso.

A secretária abre a porta.

SECRETÁRIA: - Senhor, a senhorita Keva ligou e disse que recebeu seu recado. Está vindo do Himalaia e se encontrará no chalé dos vinhedos, assim como o senhor combinou.

Skinner olha pra secretária sem entender nada. Mulder e Scully seguram um sorriso. Skinner olha pra eles.

SKINNER: - Vocês dois não...

MULDER: - Acho que ninguém vai sentir sua falta por aqui, já que a atenção do momento é o “Estranho Mulder”, que ressuscitou ao terceiro dia...

Skinner sorri.

MULDER: - Vá viver um pouco. Você me disse isso uma vez. Agora siga suas palavras.

SKINNER: - Mulder, você...

MULDER: - Encare isso como uma ajudinha, amigo. Estou retribuindo um favor.

Mulder levanta-se da cadeira. Scully também. Os dois se dão as mãos. Mulder olha pro relógio.

MULDER: - Está perdendo tempo aí sentado, Skinner.

Mulder e Scully separam as mãos. Ele se ajeita. Os dois saem da sala.

[Corte]

No corredor, os agentes olham assustados pra Mulder. Ele retribui o olhar com um “búú” fantasmagórico pra cada um.

Mulder e Scully param na frente do elevador, Scully tenta segurar o riso. O elevador abre-se. Os agentes ali dentro recuam quando vêem Mulder. Os dois entram. Mulder num ar debochado, mãos na frente do corpo, ao lado de Scully, que segura o riso.

MULDER: - Scully, as pessoas não costumam acreditar em fantasmas. Mas pela reação delas, parece que viram um.

SCULLY: - Talvez elas sejam paranormais, Mulder, e estejam vendo você, que está morto.

AGENTE 1: - Não sei como saiu dessa, Mulder. Mas retirou o bonequinho narigudo cravado com alfinetes no traseiro de dentro do armário?

Mulder olha pra ele.

MULDER: - As mulheres aqui que me desculpem a indelicadeza, mas agora quem vai cravar coisas no traseiro de muita gente por aqui sou eu!

O elevador abre e os agentes saem quietos. As mulheres riem. Scully ri também. Eles descem do elevador. O celular de Scully toca.

SCULLY: - Scully.

KRYCEK (OFF): - Agente Scully, aqui é Alex Krycek. Estou ligando pra dizer que você me deve um favor. E eu vou cobrá-lo.

Scully respira fundo. Desliga.

MULDER: - (PREOCUPADO) O que foi, Scully?

SCULLY: - Nada, Mulder. (SORRI) Nada que seja mais importante do que você estar vivo...

Fade out.


15/11/1999

17 Novembre 2018 08:02:30 0 Rapport Incorporer 1
La fin

A propos de l’auteur

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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