Histoire courte
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O Roubo do Sorriso Taquarense

Gilson Dorneles, o renomado detetive de casos especiais, acordava com o papagaio aninhado em seu peito. Começar o dia com pensamentos fofinhos, era um sinal divino que Gilson acreditava para ter um excelente dia. A ave verde abriu as asas e se chacoalhou toda, jogando a preguicinha matinal de lado.

As pantufas de coelhinho ao pé da cama davam o conforto necessário para levantar naquela manhã chuvosa e fria.

— Bom dia, Hercule! — Gilson colocou seus óculos.

— Bom dia, Gilson! — Hercule Parrot voou até o ombro de Gilson Dorneles e bicou sua bochecha, como se fosse um beijo.

Miave, eu tenho uma surpresa para você, ali no escritório, sim. — disse o Gilson.

Ambos foram até o escritório, que ficava no corredor, mais a frente, perto da entrada. Virando à esquerda, o papagaio logo pode ver, ao lado da placa de detetive de casos especiais de Gilson Dorneles, estava uma placa igualmente de cobre. Os dizeres? “Hercule Parrot – Renomado parceiro de casos especiais”.

— Vamos, precisamos come… — a campainha toca violentamente, interrompendo o detetive.

Em sinal de alerta, Gilson se move agilmente, enquanto a ave verde se posicionado ao lado da porta. Com mãos habilidosas, o detetive abre a porta, revelando uma mulher, de capa de chuva de bolinhas, com botas de borrachas de glitter e incrivelmente bonita.

— A GATA KRISH!


O detetive de casos especiais

O que precisar, procurar, ele faz

Nenhum mistério

Por mais caótico

Gilson Dorneles

Atende tudo

Até o gótico


Gilson preparou sua mesa de chá, para receber sua melhor amiga de infância. Com as bochechas salientes em um sorriso acostumado, ela trazia consigo péssimas notícias.

— Gilson, querido, estou preocupada com a sua mãe. Nunca mais a vi. — o detetive lembrou-se do bilhete deixado pela Dona Dorneles, em seu escritório. De fato, fazia um tempo desde que ela não retornava do tal encontro.

— Krish, querida, ainda bem que você está aqui. Podemos resolver isso juntos. — disse Gilson, enquanto apertava a mão de sua amiga gentilmente.

— Posso passar uns dias, até encontrarmos ela. Daí, então, vou escrever minhas histórias em outro lugar... — Disse a gata Krish, renomada escritora de contos.

A campainha voltou a tocar violentamente, piruliruluuu. A ave verde, pousou no ombro de Gilson e ambos foram até a porta novamente. Dessa vez, a prefeita da cidade, em prantos, chorava em meio à chuva.

— Roubaram nosso sorriso, Gilson! Roubaram nosso sorriso!! O que será de nós, se roubaram nosso sorriso? — a mulher, em prantos atirou-se na primeira cadeira que encontrou, arrebentando a cordinha do assento.

— Milady, tome um pouco de chá, sim… — Gilson ofereceu a xícara a ela. — E por favor, ative um alerta de calamidade pública.

— Que tipo de sorriso? — perguntou Gilson, anotando em seu bloquinho, apenas um ponto de interrogação.

— De todos os tipos. Desde os infantis, até os mais idosos. As casas de asilo estão desoladas. As creches estão tristes, e as pessoas continuam sendo as pessoas, essas já não tinham sorrisos mesmo. Sabe como é… A grande depressão.

— Sim, Milady. Faz todo o sentido. Bom, vejo que foi algo grandioso demais para ser feito por alguém ordinário. As câmeras registraram algum suspeito?

— Não… Temos apenas um bilhete deixado na testa da estátua da praça Marechal Deodoro. Direcionado para você, Detetive Gilson. Por isso o procurei.

— Tristão Monteiro. Nosso suspeito gosta de trocadilhos. Pode me passar o bilhete, sim, Milady? — o renomado detetive de casos especiais inspeciona o bilhete. Apenas quatro letras, formando a palavra “CAOS”.

Retirando o papel de seu bloquinho, ele expôs na mesa o ponto de pergunta.

— Aqui, Miamigos, está o nosso suspeito. — pausa dramática. — Se vocês virarem este ponto de interrogação, teremos um sorriso safado.

— Isso significa que… — Krish pegou o bilhete. — … O seu arqui-inimigo está em Taquara!

Ambos se olham em espanto. Hercule Parrot fechou as asas ao redor da face. Gilson Dorneles derrubou uma xícara de chá. A prefeita agarrou a mão de Krish.

— Gerson Patife, o gerador de Caos e Discórdia e sua fiel escudeira, Arara Arrá Flamejante. — Pronunciou o detetive.

— Não é seu irmão gêmeo do mal, né? — perguntou a prefeita.

— Não, não, é só coincidência mesmo, Milady, sim, sim… Só pode ser ele. — “Hmm” pensou Gilson em francês. Às vezes, um suspiro pode significar muito. Neste caso, com certeza.

— Bom, preciso ir agora. Tenho que cuidar da cidade. — disse a prefeita se retirando.

— E agora, Gilson? — disse a ave.

— Preciso investigar. Onde estarão esses sorrisos? Alguém tem alguma ideia? — disse o renomado detetive, andando de um lado para o outro, mergulhado em pensamentos.

— Bom, se eu fosse escrever uma história sobre isso, começaria me perguntando por que deixar uma cidade inteira triste.

— De fato, bom questionamento, Miamiga. Vamos nos separar, sim? Cada um seguindo uma pista, nos encontramos ao final da tarde para conversarmos.

Krish abriu a janela para que Parrot sobrevoasse a cidade. Gilson permaneceu no escritório, enquanto Krish foi para o escritório da Dona Dorneles. Lá, o bilhete que ela deixara ainda estava sobre a mesa.

— Me pergunto se isso não seria obra do Patife, também…

Os três, incansavelmente procuraram por pistas em todos os lugares. Computadores estavam ligados, cadernos a postos, e, entre bilhetes e rascunhos, pistas e obstáculos, chás da tarde e canetas, ambos reúnem-se ao redor da mesa novamente. Dessa vez, exaustos.

— O que encontraram, Miamigos? — disse Gilson estendendo uma toalha para que a ave se secasse.

— Encontrei o motivo — disse Krish.

— Encontrei o esconderijo. — disse Hercule Parrot.

— Vou ligar para a prefeita. — disse Gilson pegando o telefone fixo e ligando para o gabinete da prefeitura.

Com as informações em mãos, dirigiram até o esconderijo de Patife. Pelo caminho, as pessoas repousavam inconsoláveis. Crianças seguravam sorvetes de casquinha tristemente, enquanto os idosos reclamavam de pecuinhas de suas adolescências com seus amigos de asilo. Pelas ruas só se ouvia choradeiras. Os adultos, procuravam acalmar seus pais ou filhos. Os atendentes de lojas eram quase como robôs insensíveis perante os sentimentos alheios. Era caos. Era discórdia. Era um chororô desenfreado. Até que chegaram no velho hospital, em cima de um morro, seguindo pela rua central. O antigo hospital, agora abandonado, era o esconderijo perfeito para Gerson Patife. O carro da prefeitura chegou junto com o patinete elétrico de Gilson Dorneles. Hercule Parrot chegara voando enquanto Krish estacionava em seus patins.

A porta entreaberta indicava o sinal de arrombamento do antigo hospital. Entraram por essa porta, e surpreenderam-se com a tamanha organização dos sorrisos Taquareses. Em uma prateleira lateral estavam os dentinhos de crianças enumeradas por idade, e na prateleira logo a frente, também lateral as dentaduras eram guardadas em copos d’água por idade e quantidade de dentes.

— Precisamos levar isso para a população. — Disse a prefeita.

— Acho mais fácil trazer a população para cá. Vamos até a Praça da Bandeira anunciar nossa descoberta. — ponderou Gilson.

Entre dois copos, mais ao meio da prateleira, Gilson encontrou outro bilhete direcionado a ele. Dessa vez, seu arqui-inimigo fora longe demais. A nota registrava “Estimado Detetive de Casos Especiais, Gilson Dorneles. Criei esse caos apenas para desviar sua atenção, uma vez que estou com Dona Dorneles ao meu poder. Prepare sua arminha de bolhas de sabão. Vamos duelar! Muahahaha, risos maléficos de Gerson Patife, o gerador de Caos e Discórdia.”

— Querido amigo! Isso é gravíssimo! As arminhas de bolhas de sabão são extremamente alérgicas! — Preocupou-se a gata Krish.

— Não temos tempo para isso agora. Precisamos devolver o sorriso para a população Taquarense! Quando nos encontrarmos frente a frente, vou aceitar o duelo. Por enquanto, ficamos assim, sim, Miamiga. — disse Gilson Dorneles zen.

O grupo caminhou até a Praça da Bandeira, onde a prefeita fez seu anúncio:

— Povo Taquarense. Hoje acordamos com tristeza em nossos corações. Nosso sorriso fora roubado. Pudemos contar com o suporte do nosso renomado detetive de casos especiais, Gilson Dorneles e seu fiel parceiro Hercule Parrot para desvendar esse mistério! Nossa cidade fora atacada por um inimigo. Ele fugiu, mas deixou nossos sorrisos de volta. Acreditamos que o motivo do crime, fora um ataque ao nosso hino. Somos conhecidos por sermos a Capital do Sorriso! Sim, não há motivos para tristeza, uma vez que somos alegria Por favor, dirijam-se, com calma, até o antigo hospital da cidade. Obrigada!

— A população aplaudia, comemorava, deixando à mostra suas banguelas.

Entre frases aleatórias que o povo dizia, destaca-se essa:

— A que tem todos os dentes, é minha!


O detetive de casos especiais

O que precisar, procurar, ele faz

Nenhum mistério

Por mais caótico

Gilson Dorneles

Atende tudo

Até o gótico

17 Avril 2024 02:47 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Krishna Grandi Sou escritora e publicitária. Gosto de escrever sobre tudo um pouco, mas tenho focado em escrita sexy, contos de suspense, mistério, drama e comédia. Criadora do Blog Beijos e Bilhetes - Crônicas de uma Jovem Mulher e do Processo Criativo "Conto com vocês". Um beijo. Aguardo vocês no meu Youtube!

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