oi_k4w4 Nyco Oikawa

Onde Wakatoshi está em guerra e precisa da ajuda do deus do vinho. 🎨 editado da pintura de Hendrick ter Brugghen, Bacchante with an Аре, 1627 UshiTen


Fanfiction Anime/Manga Interdit aux moins de 18 ans.

#haikyuu #wakatoshi-ushijima #satori-tendou #ushiten
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Apokries

NOTAS INICIAIS

Feliz de finalmente tirar essa história dos rascunhos, aproveitem.


PS.: Capítulo não betado.


Apokries

Wakatoshi estava preocupado em terminar as economias do seu reino quando um de seus soldados, Shirabu, entrou em sua sala ofegando e suando.


- O que está acontecendo? - perguntou levantando o olhar para o outro.


- Dionísio, está vindo para cá.


- Sozinho?


- Não, ele vem acompanhado dos seus seguidores e deuses menores.


O rei olhou para a janela e suspirou alto coçando a parte de trás da cabeça. Dionísio e suas festas eram um problema, Wakatoshi sabia bem, entretanto seu reino estava quase entrando em guerra com o reino vizinho por conta de território e ele também sabia que apenas a bênção de um deus o ajudaria a vencer Koutarou e seu enorme exército.


- Mande o mensageiro mandar um convite a ele - o soldado fiel elevou uma das sobrancelhas, curioso e preocupado com as palavras do rei. - O convide para fazer a festa no jardim do meu palácio, na clareia junto à floresta e ao rio.


- Senhor... Não é muito arriscado abrigar as festas de Dionísio? Elas geralmente são longas e caras... E se o povo parar de trabalhar de vez? Estaremos perdidos!


- Estaremos ainda pior se ficarmos sozinhos contra Koutarou, sabe bem que eles têm Atena consigo. Precisamos de um deus conosco ou seremos esmagados.


Ao fim do discurso, ele se levantou e parou ao lado da mesa ainda encarando a grama bem aparada do lado de fora.


- Vamos criar um feriado no dia da chegada dele, assim mascaramos a festa com mais uma comemoração, e acho que deve durar até ele ir embora.


- Certo. Qual o nome que devo dar a ele? - Questionou prontamente.


- Apokries - disse após um longo tempo pensando sobre a questão.


Rapidamente o soldado fiel saiu da presença do rei para lhe fazer o que fora ordenado, claro que achava insensato, mas certamente não o questionou por confiar em demasia no rei, enquanto isso, o homem alto com cabelos e olhos verde-oliva encarou o céu azul límpido da janela suspirando, precisava de ajuda e rápido, fez uma rápida oração a Zeus e voltou aos afazeres.


Apokries

No dia que Dionísio chegou, a cidade fora enfeitada com decorações vibrantes de aspecto feliz e dançante, a maioria dos aldeões lotava o castelo onde uma enorme festa foi organizada havia gente dançando, flertando, cantando, comendo e bebendo, mas havia bastante união ali, o rei não pode deixar de notar, sorriu olhando toda a bagunça em sua casa, sempre foi óbvio que o garoto nunca se dava bem com festas, nem mesmo quando ainda servia o exército do pai, contudo estava amando ver seu povo feliz daquela forma.


Estava sentado em seu trono de frente para tudo o que acontecia, seu corpo era envolvido por panos de origem persa mas feitos por tão gregas quantos as suas, era uma túnica branca bem alinhada ao corpo forte, uma capa roxa como vinho com uma águia desenhada com fios de ouro, a capa estava presa à túnica com um broche em forma de folha feito de ouro. Em sua cabeça uma coroa cravejada de diamantes, safiras e olivinas davam o ar superior que lhe era atribuído, ninguém naquele salão ousava dizer que Wakatoshi não nasceram para estar onde estava, sua postura denunciava seu destino desde o berço.


Sentiu um toque suave em sua mão e virou o rosto notando que o mesmo viera de sua mãe sentada no trono ao lado, ela estava linda, com um vestido branco que lhe acentuava as curvas e uma coroa de louros talhada em ouro. Seus olhos tão verdes quanto os seus o fitavam com carinho.


- Como se sente meu menino?


- Ansioso, nunca vi um deus antes - suspirou e voltou a olhar os súditos felizes, viu uma de suas criadas sorrir amorosamente para Shirabu então deu uma rara risada da forma que o mesmo corou, como uma garotinha virgem.


- Mãe, já viu algum deus antes? - A mulher suspirou feliz e olhou para frente.


- Já sim.


- Como foi? Como soube que era um deus? - Questionou interessado, durante muitos anos sempre quis saber mais sobre a própria mitologia, mas seus pais se recusaram a lhe explicar qualquer coisa que fosse, logo a declaração da mãe o pegou de completa surpresa.


- Não pude saber de primeira que ele era um deus. Sabia que aquele homem era diferente, mas não que era um deus - um sorriso nasceu em seu rosto. - Bom, eu o encontrei durante as minhas caminhadas pela montanha, estava procurando um bom lugar para pensar, na época recebi o convite de seu pai para nos casarmos, então precisava de um tempo só - o rei se ajeitou no trono, seus olhos encaravam a progenitora interessados. - Ele me encontrou sentada na ponta do precipício, conversou comigo por um longo tempo - o outro não deixou de lado o tom apaixonado que a voz de sua mãe sairá. - Ele prometeu voltar quando foi embora, eu acreditei e fui para casa. Duas semanas depois eu me casei com seu pai. - Ela sorriu para si e se levantou. O homem estava confuso e ainda mais curioso, no fim, sua mãe não lhe explicou nada.


- Como vou saber qual deles é o deus? - Perguntou já sabendo que não adiantava forçar sua mãe a dizer nada.


- Vai saber quando o ver.


Então a mulher de meia idade, acariciou suas bochechas olhando os olhos verdes lamentando internamente eles serem como os seus, não como os do pai. Ela se abaixou e selou a testa do seu garoto confuso e ainda mais ansioso.


- Estarei em meu quarto - avisou e se retirou do salão.


Wakatoshi usou os últimos momentos antes da chegada de seu convidado para refletir sobre as palavras da mãe, claro que ele percebeu que aquelas duas semanas foram cheias de acontecimentos importantes que estavam sendo escondidos, tentou imaginar alguma coisa, contudo nada lhe veio à mente. Suspirou e levantou o olhar à entrada ao mesmo tempo que um homem de aparentemente 22 anos, cabelos encaracolados, escuros, com um sorriso eloquente passou por ela seguido de vários outros que cantavam e riam, notou que alguns estavam nus ou seminus mas todos extremamente embriagados. Seus olhos não desgrudaram do homem belo no meio de todo aquele fuzuê, avaliou a postura confiante e todo o ar sexy ao seu redor assim como o forte cheiro de vinho que invadia o recinto.


Suspirou sentindo o rosto esquentar com a lascividade que o outro encarava seu corpo. Um silêncio se fez no enorme salão enquanto o deus caminhava até o trono do rei que agora já de pé sem saber o que falar em seguida.


- Não vai se ajoelhar? - A voz rouca e melodiosa lhe perguntou. A boca do rei se abriu e fechou várias vezes, ele tinha perdido o fio de pensamento ao ouvir aquela voz que parecia tão antiga muito diferente da aparência jovial.


Quando viu as sobrancelhas negras arqueadas se ajoelhou de cabeça baixa.


- Perdão, é a minha primeira vez na presença de um deus - falou com sinceridade olhando os pés descalços.


- Tudo bem criança, se levante - ordenou e fez um sinal para que seus seguidores se espalhassem pelo local. O rei se levantou e como estava mais perto viu parreiras enroladas em volta dos cachos perfeitos, sua mão formigou com a vontade de tocar, mas se limitou a encarar com curiosidade.


- O que tanto olha em mim senão meu rosto? - Questionou com um tom de voz arrastado, que fez Shirabu engolir em seco ao observar a cena de longe.


- Seus cabelos, são bonitos, e essas vinhas ficaram bem neles - falou sem nem ao menos pensar, desde que aquele homem entrara no salão, o cheiro de vinho estava o deixando cada vez mais hipnotizado pela figura a sua frente.


O sorriso convencido perturbou mais um pouco a sanidade e inocência do jovem rei.


- Obrigado, rei.


Por um longo tempo os dois apenas se olharam avaliando a presença do outro, Dionísio olhava o corpo belo do mortal com malícia, interessado na aura forte que o outro tinha ao redor de si.


- Então... Permita-me lhe mostrar meu jardim - falou o rei firme oferecendo o braço direito para o homem num gesto de cortesia.


- Seria um prazer - Dionísio despejou as palavras num tom sexy enquanto enroscava o braço no do outro.


Acima do trono, flutuando de lado, o deus ruivo olhava aquela situação com um sorriso divertido, ele chegou antes de Dionísio contudo se manteve escondido para que pudesse observar o garoto em paz. O pouco tempo que o observou foi o suficiente para que seu membro começasse a vibrar de necessidade por o preencher e ser preenchido.


- Que jardim belo. Quem cuida dele? - Perguntou o deus olhando o lugar muito bem cuidado.


- Eu e minha mãe - Wakatoshi respondeu com um leve rubor nas bochechas.


O deus se virou novamente para ele e sorriu travesso quando viu Satori rodeando o rapaz causando arrepios na pele bronzeada pelo sol do sul da Grécia.


- Creio que tens mãos muito habilidosas, Perséfone ficaria orgulhosa - Usou um tom sensual para a frase que foi amplificado pela voz do deus da luxúria sussurrando no ombro humano.


Dionísio se segurou para não negar com a cabeça rindo das travessuras da prole de Afrodite, mas a quem ele culparia? Wakatoshi era realmente extremamente gostoso e interessante.


- Am... Obrigado... Senhor... - respondeu engolindo em seco e tentando inutilmente segurar uma ereção que não passaria despercebida pelo outro.


- Eu quem agradeço majestade - e novamente, Satori sobrepôs sua voz à sexy do deus deixando o título ainda mais sexual.


Wakatoshi não aguentou, seu título dito daquela forma, por aquele ser, ele estava insano por sexo de uma forma que jamais fora, contudo sabia que não poderia fazer nada, deuses se ofendiam muito fácil e ele queria evitar ao máximo situações complicadas.


Dionísio voltou a olhar o belo lugar para que o outro conseguisse se recuperar minimamente, com seus olhos atentos notou que belas ninfas saiam de seus esconderijos para certificar que aquela presença era mesmo sua. Sorriu quando ouviu uma exclamação excitada de Satori, agora parado ao seu lado.


- Quantas será que eu consigo comer antes de desmaiar? - Questionou animado vendo uma ninfa nua saindo da água do rio que dividia o jardim da floresta.


Dionísio riu divertido, não pode deixar de pensar que Satori apesar de ser um deus novo era um dos melhores que já havia conhecido e se relacionado, por isso ainda o mantinha consigo.


Sem entender o comportamento do outro, Wakatoshi apenas analisava as costas alheias refletindo sobre os efeitos que ele tinha sobre si.


- Venha nos visitar, estamos na clareira perto do meio do rio. Será um imenso prazer ter você conosco - Dionísio anunciou enquanto movia a mão chamando seus súditos para o local que acabara de dizer.


Se virou e deu uma piscadela para o rei antes de começar a andar para dentro da floresta, os olhos verdes não saíram da figura até que ela já não estivesse mais visível. Escorregou para o chão com as costas apoiadas na parede, seu membro doía como nunca havia sentido antes, mordeu o lábio inferior e movido pelo instinto envolveu o membro rígido com os dedos para, por fim, iniciar um sobe e desce ritmado.


Ficou gemendo baixinho e se estimulando ignorando a sensação de estar sendo observado, até que a voz de Shirabu lhe invadiu a mente no exato momento em que se derramava na própria mão pensando no corpo jovial e sedutor do deus.


- Senhor! Senhor!


O espanto tomou conta das feições do soldado ao encontrar seu superior daquela forma, jogado no chão todo gozado, ele, em todos os 19 verões que estivera ao lado de Ushijima, jamais havia o visto daquela forma.


- Shirabu, preciso que tome conta do reino junto a minha mãe... - pediu ofegando limpando a testa com a mão limpa.


- M-mas... E se Koutarou nos atacar? Se algum imprevisto acontecer? - Questionou completamente desacreditado das palavras do outro.


- Vá até a clareira na floresta, próxima ao meio do rio, eu estarei lá - disse se levantando apoiado à parede.


- Mas senhor e quanto a comemoração? O que devo dizer ao povo?


- Deixe que dure... Aproveite também... Considere férias! - A mente do outro estava coberta pela névoa de tesão que o deus lhe proporcionou, para ele nada importava senão encontrar aquele ser e o tomar para si.


- Estou indo, confio em você. - Não esperou a resposta do outro e seguiu para dentro da floresta ignorando o olhar do falcão acima de si num galho alto.


Às suas costas, Satori se deliciava com as gotinhas de esperma que conseguiu pegar antes que o outro levantasse, o ruivo olhava o homem cambaleante e trêmulo com um sorriso largo e travesso. Sem pensar duas vezes, se transportou para o colo de Dionísio e se livrou logo dos finos panos que lhe envolviam enquanto atacava a boca gostosa e familiar do outro.


Apokries

A primeira coisa que o rei viu ao entrar na clareira foi a enorme orgia misturada com música e o cheiro inebriante de vinho e sexo, seus olhos correram pelo local com curiosidade, em cada canto haviam casais, trios, orgias de pessoas e vários tipos de seres mitológicos se pegando, bebendo, cantando ou só se tocando, mas a cena que o prendeu foi de um garoto ruivo, de pele pálida com uma expressão de prazer ao beijar uma garota que aparentava ser uma ninfa enquanto quicava no colo do deus do vinho estocando a boca de Artemisa, sua criada. Completamente envolvido pela beleza e o charme do mesmo se aproximou da enorme orgia a passos lentos já que retirava as roupas roxa e branca devagar, sem tirar os olhos do corpo que subia e descia agora sem o corpo da ninfa pra atrapalhar seus movimentos, seus olhos se encontraram e nesse momento o corpo do rei se acendeu como fogo, aquele olhar penetrante e o sorriso cafajeste que veio depois o excitaram de uma forma violenta, direta e muito assustadora que nunca antes tinha sentido por ninguém, tudo que o jovem rei queria e precisava era possuir aquele corpo da maneira mais impura que conseguia com sua carne mortal.


E no meio disso tudo havia o olhar de Dionísio, aquele olhar que trazia o mais obscuro tesão de Wakatoshi. A mão do garoto ruivo empurrou sua criada para o lado a tirando da cena, os três se olharam profundamente antes que o ruivo pálido se abaixasse no peito forte de Dionísio abrindo mais as pernas magras expondo a entrada abusada para o rei. As estocadas do deus do vinho continuaram, incitando Wakatoshi a se juntar a eles, os olhos verdes subiram para os rostos daqueles homens, Dionísio mordia o pescoço alheio olhando para si e estimulando o membro alheio, nesse momento o garoto jogou a cabeça para trás e gemeu alto.


- Venha, rei. Mostre que tem tanta habilidade no sexo quanto seu pai tem - clamou o ruivo sem ao menos o olhar.


Uma pena que Wakatoshi estava embriagado demais para se apegar às palavras ditas e se questionar como eles conheciam o velho rei que era seu pai, sem querer perder mais tempo, Ushijima se ajoelhou entre as penas do ruivo desconhecido para si, guiou o membro para a entrada cheia dele e forçou até que estivesse junto ao deus naquele interior quente e ridiculamente estreito.


Os gemidos do garoto se sobreporam aos outros sons do ambiente, entrando diretamente nos ouvidos dos parceiros.


- Sempre escandaloso, Satori - a voz do outro estava sensualmente rouca.


Wakatoshi foi o primeiro a se mover indo e vindo com uma curiosidade enorme, para si estava sendo extremamente intrigante como aquele ser magro e pálido sequer tentou expulsar seu membro quando a sua primeira estocada bruta veio acompanhada de uma mordida forte na clavícula esquerda do garoto.


Em seus pouquíssimos anos de vida Ushijima nunca sentiu um prazer e uma necessidade como aquela, foi fácil perder a noção e o controle para mergulhar profundamente nas sensações inebriantes, excitantes e deliciosamente dionisíacas.


Entre uma estocada e outra, o rei centrado e gentil perdia espaço para o homem bruto e agressivo que treinou anos e anos no exército real, sem ele saber, Wakatoshi conseguiu suprir com extrema destreza as necessidades dos dois deuses que tocava.


A transa desenfreada durou impressionantes quatro dias e só parou porque Wakatoshi desmaiou, aquela reação já era esperada por Satori e Dionísio, afinal eles já tinham conhecido tantos humanos que lhe seria desonesto expressar a quantidade em números, mas a resistência e a potência do jovem rei merecia uma atenção especial.


Por isso, ambos fizeram questão de levar o corpo dele de volta para o castelo que ele tão humildemente abriu para os receber.


No caminho eles notaram que o feriado ainda continuava sendo comemorado e ainda haviam tantas pessoas cantando e dançando prosas em homenagem a Dionísio, o olimpiano sorriu. Além de gostoso, Wakatoshi também era inteligente, lhe oferecendo como sacrifício quatro dias de festival em sua homenagem, mesmo sobre a constante ameaça de invasão, uma oferenda daquele tamanho não lhe dava opção de ignorar seu pedido, seja lá qual ele fosse.


- Você não pode negar que ele é esperto - Satori sussurrou ao lado de Dionísio chegando à mesma conclusão que o deus do vinho.


- E ele não para de nos impressionar não é mesmo? Mas é chegada a hora de partirmos - Dionísio declarou entrando no salão onde a graciosa rainha permanecia sentada em seu trono assistindo seu povo festejar caindo de bêbados em seu salão de comemoração.


A mulher parecia preocupada, mas ao botar os olhos sobre os dois o alívio era claro nos olhos da mãe que apesar de tudo não disse nada enquanto assistia o jovem ruivo colocar seu filho sentado no trono que lhe pertencia.


- Obrigado por trazê-lo - agradeceu respeitosamente às duas divindades.


- Quando ele acordar, avise-o que quando precisar de mim basta fazer uma oração - a voz implacável de Dionísio ressoou pelo ambiente. - Agradeço a oferenda do vosso reino, mas precisamos partir neste momento.


A rainha não tinha muito o que falar, sua voz parecia congelada na garganta como há muito tempo não acontecia, inevitavelmente ela sentiu medo do destino deles, mas preferiu esconder aquele sentimento enquanto assistia os dois deuses caminhando para fora pelas grandes portas encaradas.


Ushijima acordou poucas horas depois completamente desnorteado, mas bastou que sua mãe e Shirabu lhe explicassem o que aconteceu nos últimos dias que ele conseguiu se situar.


Apesar dos dias intensos que teve, o rei não estava cansado ou confuso, pelo contrário, sua mente parecia silenciosa e esclarecida como nunca antes. A tensão constante em seus ombros tinha sumido e ele estava profundamente relaxado, era como se não existissem problemas, apesar dele saber que Koutarou os invadiria a qualquer momento.


Entretanto, Wakatoshi não sentia mais aquele medo constante de antes da chegada de Dionísio.


Ele não sabia o que era, então só poderia agradecer ao deus por seja lá o que tivesse feito consigo.


Antes de retornar à sua sala para replanejar as estratégias de ataque e defesa no caso de invasão junto à Shirabu, o rei decidiu declarar à população que aquele seria oficialmente o último dia de comemoração e que no próximo amanhecer todos deveriam estar à postos em suas funções, mas ele se preocupou em declarar que, caso ganhassem a guerra contra o reino de Koutarou, nos próximos anos e pela eternidade eles repetiriam o feriado.

Sem saber, ali Ushijima cravou sua vitória sobre o rei devoto à Atena.


Apokries

Ao contrário do que Wakatoshi estimou, o ataque aconteceu mais cedo do que o esperado, pegando seu exército de surpresa no início da noite de primavera. Sua sorte foi estar no campo de treino até um pouco mais tarde que o comum e somente por isso conseguiu assistir o enorme exército arrombando os portões de sua cidade sendo liderados pelo rei Koutarou em pessoa.


Sem esperar muito ele mesmo tocou a corneta de emergência enquanto corria em direção ao castelo empunhando sua espada para assassinar quaisquer invasores que encontrasse pelo caminho, sabendo que seus soldados extremamente treinados também saíam de suas casas preparados para guerrear até a última gota de sangue de seus corpos.


A primeira hora foi desesperadora, muitas casas foram invadidas, muitos civis foram mortos, a cidade estava em chamas e Wakatoshi se questionava constantemente se realmente tinha tomado a decisão correta de lutar naquele terreno conhecido ao invés de arriscar a morte de todos num terreno desconhecido e longe de casa.


Mas algo dentro de si sabia que era a decisão correta, todos eles seriam massacrados em qualquer outro lugar. Foi somente ao fim da segunda hora que Ushijima deu de cara com o rei inimigo, em meio à praça pública onde dias antes seu povo cantava e dançava em homenagem ao deus do vinho.


O rei sabia que aquele confronto iria decidir o curso daquela batalha, se ele morresse seus homens perderiam a fé na vitória e imaginava que para o lado contrário seria a mesma coisa, por isso, antes de atacar Koutarou ele fez sua prece à Dionísio garantindo que nos próximos anos ele faria a comemoração de novo e quantas vezes fossem necessárias para pagar a dívida que pedir sua bênção em batalha geraria.


Ao longe, Satori divertidamente observou a luta, ambos os reis eram guerreiros formidáveis então aquele confronto se alongou noite adentro sobre seus olhos atentos, não muito distante ele também sentia a presença da própria Atena observando os dois.


O imortal queria se iludir achando que estava ali só pela curiosidade inquietante que Wakatoshi causou em si que lhe fez muito querer saber se ele seria vitorioso ou não, mas no fundo algo lhe dizia que havia mais alguma coisa, ele não procuraria saber, claro.


Era perigoso demais ter tanta curiosidade com mortais.


Em meio às suas reflexões conflitantes, a batalha se desenrolou cada vez mais violenta, mais intensa e imprevisível até o fim anticlimático da rendição de Koutarou vinda junto de uma proposta de acordo.


Pelo visto ele tinha alguém para voltar em casa que valia mais que as terras que cederia.


Satori apenas riu e negou com a cabeça, mortais eram tão peculiares.


- Bom, ao menos ano que vem já tenho uma grande festa para comemorar.


O ruivo rapidamente deixou o local enquanto os dois reis se afastavam com seus exércitos com a promessa de retornar contato para negócios.


Não era o fim que Wakatoshi esperava, mas era muito melhor que morrer ou pior, assistir todos ao seu redor morrer por sua culpa, então no fim, ainda foi uma vitória para si.


Os longos e arrastados meses que se passaram foram desconfortáveis, estranhos, cheio de situações complicadas com o reino vizinho, mas a promessa do Apokries se aproximando era o fio de esperança para Wakatoshi que não conseguia tirar o homem ruivo de seus sonhos e pensamentos.


Havia uma enorme curiosidade se ele apareceria novamente, ou se restaria para Ushijima se contentar com as próprias lembranças. Ele esperava que não, que pudesse ter oportunidade de conhecer mais da divindade misteriosa que lhe intrigava.


Por isso o rei fez questão de gastar muito ouro nos preparativos daquele ano, fazendo questão de logo no amanhecer do primeiro dia fazer uma oferenda generosa com as melhores cabras das fazendas aos deuses junto à população para abrir o evento. Ao fim, o rei retornou para seus aposentos para observar pela janela o jardim atrás do palácio colorido por diversos frutos e flores se recordando das experiências vividas no ano anterior.


Ele ficou ali horas e horas ouvindo a cantoria dos bêbados, perdido nas próprias curiosidades e lembranças, até que ouviu batidas em sua porta. Curioso, ele se levantou e a abriu se surpreendendo ao ver uma mulher com o cabelo encaracolado perdidamente ruivo e os olhos misteriosos e febris tal qual o homem de um ano atrás.


Não houveram palavras, não precisava na verdade. Apesar do corpo diferente, Ushijima não era louco de confundir o rosto único de Satori em lugar algum, por isso envolveu a mulher em seus braços e a puxou para dentro do quarto para aproveitar os belos quatro dias de Apokries.


Foi assim todos os anos pelos próximos vinte anos, com cada ano Tendou aparecendo com um gênero diferente, mas apesar de querer conhecer Satori além do sexo extremamente gostoso, Wakatoshi não sabia o que fazer.


Até que no fim do vigésimo primeiro Apokries, Tendou apareceu com uma criança minúscula nos braços. Ele não lhe explicou muito, apenas disse que era filho deles e que aquela era a última vez que se veriam porque agora Wakatoshi tinha um pedaço de si para ter consigo até o fim da vida.


Claro que o rei ficou extremamente feliz por ter um herdeiro e ao mesmo tempo desolado por nunca mais poder ver o deus novamente. Entretanto, Tendou apenas disse para ele se alegrar porque ainda era um mortal extremamente sortudo, afinal não teve nenhum fim trágico e seu reino prosperava mais a cada dia.


Era sim contraditório, mas Satori precisava se afastar estava ficando perigosamente apegado ao rei não tinha o que fazer, por isso ele partiu sem medo e sem remorso. Deixando para trás um Wakatoshi que cumpriria sua promessa e se esforçaria ano após ano para que seu festival crescesse cada vez mais e se tornasse eterno, mesmo que mudasse de nome de novo e de novo.


E o filho deles que ouviria o último suspiro dele em seu lugar, que amaria Wakatoshi como ele jamais poderia, que estaria sempre lá pelo pai e que herdaria não só um reino próspero, mas o dever de continuar a tradição do Apokries, o transformando em Bacanal com a chegada dos romanos e passando a tradição pro seu filho que o transformaria em Carnaval com a chegada dos católicos.


Dionísio o recebeu com um olhar reprovador sabendo o que fez, mas não disse nada e apenas o puxou para um abraço silencioso sabendo por experiência própria o quão doído era não poder estar lá por seu amado.

23 Février 2024 21:21 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Nyco Oikawa ↬Elu|Ele ↬ 23 anos ↬Todo o conteúdo desse perfil é um safe place para pessoas LGBTQIA+, neurodivergentes, PCD's, praticantes e entusiastas de BDSM e pessoas com fetiches convencionais ou não. ↬As minhas histórias são encontradas nos sites Spirit, Wattpad, Inkspired, Fanfiction.net e AO3, todos

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