l-b-goularte Luana Borges

Bom... Não sei ao certo como iniciar essa história, talvez devesse seguir os clichês de adolescente e mostrar como todos eram exuberantes? Não, não gosto disso. Não combina com a história... É, realmente, é um clichê adolescente, uma história como tantas outras, com as suas pontas doloridas e risonhas, mas é mais complicado que isso.


Histoire courte Tout public.

#conto #romance #amor #adolescente #escola
Histoire courte
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Capítulo Único

Bom...

Não sei ao certo como iniciar essa história, talvez devesse seguir os clichês de adolescente e mostrar como todos eram exuberantes? Não, não gosto disso. Não combina com a história...

É, realmente, é um clichê adolescente, uma história como tantas outras, com as suas pontas doloridas e risonhas, mas é mais complicado que isso.


Vamos do início.


A protagonista dessa história era feia, não por sua aparência, mas pela forma que ela se via no mundo, uma visão reclusa e adoentada, aquela garota de cabelos ondulados maltratados, havia vivido uma vida muito maior que suas mãos poderiam segurar. Quem via sua face neutra ou ouvia sua risada cômica não poderia imaginar as angústias infantis pelas quais passou ou das dores que carregava pelos anos de bullying. A garota era como qualquer pessoa, cabelos rebeldes que brigavam com o pente e viviam presos, um óculos a tiro colo e roupas que vinham da feira da cidade.


Essa história se inicia no ensino médio, a garota que vou acompanhar, era desleixada, e gostava de se afundar nos livros didáticos, lutava muito por suas notas e aquecia sua cabeça com informações, além de ser estudiosa, ansiava por seu romance adolescente, aquele que assistia nos filmes, nas novelas e lia em livros. Havia uma visão desconecta de amor, era possível ver os suspiros de esperança enquanto ela sentava frente a televisão e assistia mais uma novela, observando na trama e como o amor era mágico, e sonhava com aquilo, a garota criava ideia para o futuro, realmente acreditava que alguém chegaria e amaria cada pedacinho seu, mesmo que a própria não gostasse.


Antes do encontro com seu futuro, a garota teve algumas paixões rasas, e mesmo sem profundidade, ela entregava seus sentimentos e tentava ser a melhor pessoa possível, claro que nunca deu certo essa abordagem, todavia, a jovem gostava de ser sincera e não escondia nenhuma emoção, escrevia poemas, se declarava e sentia… mesmo que no final ganhasse apenas uma nova rejeição ou um projeto de novo amigo, e certo que com as experiências vividas, ela acabava sentindo a culpa, e nenhum dos seus poucos amigos, realmente sabiam quantas noites em claro ela passou pedindo aos céus para ser diferente do que era, para ser mais bonita, mais animada, mais delicada, mais baixa, mais magra, mais desinibida…


Carregando seus amontoados de dúvidas e inseguranças, ela caminhava calma nos corredores de sua escola, estava só e curtia seus pensamentos agitados, estava animada com as aulas de informática, no fim, ela se sentia feliz, entre seus passos, ela avistou os olhos que fariam ela ver céu e inferno, ele era alto, tinha bochechas fofas e usava um moletom. As borboletas saltaram no estômago na menina, e durantes as poucas trocas de olhares, o coração bateu agitado. A próxima conversa entre eles, aconteceu meses depois e a cena, era memorável.


Ela esbravejava raivosa um “Presta atenção por onde anda!” após topar com ele na saída da biblioteca, não havia borboletas, havia uma raiva, talvez, não era essa conversa que fosse esperada, mas era a que estava acontecendo. O ensino médio é complexo, e mentes tão jovens, são complicadas de se entender ou acompanhar, poucas palavras, poucas fofocas podem decidir caminhos, e foi isso que aconteceu, a garota ouviu histórias e isso criou certo alerta… quem sabe se ela tivesse escutados esses alertas, a história pudesse ser diferente.


Ela tinha um julgamento forte e duro, inflexível, era boba, também diria que entre suas características, existia a teimosia… então, em seu comportamento infantil, desprezar não era errado naquela situação, se tantas informações ruins sobre ele chegavam a ela, ela fielmente acreditava que havia um motivo, e confiou nisso, e se houver alguma curiosidade sobre os boatos, as más línguas diziam que ele tinha uma mente pequena e falava frases polêmicas sobre alguns assuntos, no final, pré julgamentos estavam guiam o caminho dos dois, mas o destino, é algo improvável…


Cercada de seus livros e atividades extracurriculares, ela ganhou uma oportunidade única, a animação era palpável no ar enquanto a jovem contava animada sobre a viagem que faria, sua escola era uma instituição federal e seu ensino médio lhe entregava novas aventuras, ela iria para outra cidade para apresentar um trabalho acadêmico, parecia que seus esforços estavam sendo recompensados e se sentia nas nuvens, já estava no terceiro ano e parecia que aquele ano tudo estava dando certo.


Com sua mala grande, chegou pronta para a viagem, o microônibus da instituição já estava a espera, observava que sua amiga também iria e que outros conhecidos também estariam por lá, e isso a tranquilizou um pouco a ansiedade, mas entre sua conversa animada com sua amiga, viu ele chegar… Lá estava ele, com seu moletom e sorriso estupido, vendo o rapaz sentiu uma certa irritação e jurou que fingiria que ele não existia, a amiga da moça também estava indecisa sobre a ida do rapaz, mas parecia bem mais aberta a ser amigável.


Como o destino gosta de agir…


O pior que ele podia ter feito, ele arquitetou para fazer, a professora queria que todos os alunos menores de idade ficassem perto do seu quarto de hotel, no fim… a moça ficou como vizinha dele, era engraçado como ele sorria pra ela e o chamava de vizinha enquanto ela fazia a cara mais séria possível, e a teimosia falava mais alto, então ela mesmo não aceitava o fato que ele parecia ser mais legal do que as histórias que ouviu.


A semana do evento foi um misto de emoções, os grupos compartilhavam conhecidos, e lá estava ele, sorrindo e tentando fazer amizade, e ela estava lá, tentando a todo custo afastar o rapaz, o evitando, o ignorando… a situação estava no extremo que até tapas ele já tinha ganhado por suas insistências. E a garota teimosa levava um sermão da amiga, sobre ser amigável e deixar de ser tão grossa por uma raiva tão boba.


A contragosto e irritadíssima, silenciou e baixou suas guardas, e permitiu uma conversa decente com o rapaz, e foi assim que aquilo se iniciou, uma conversa pequena e risonha sobre matérias da escola e preparativos para os vestibulares, e ali foi o começo da tragédia.


De poucas palavras, se transformou em horas, quando a moça percebeu, a viagem tinha acabado e ela ainda estava conversando com o rapaz, horas e horas de mensagens foram se tornando uma rotina. Era assunto que não acabava mais, parecia que sempre havia algo para contar, algo para descobrir, as conversas por mensagens foram se transformando em longas chamadas de telefone, as ligações animadas se tornaram em encontros de estudos na biblioteca, e disso começou a render caronas para voltar para casa, encontros e saídas, era um grande salto, mas as coisas acontecem.


Em pouco meses, ele havia se tornado importante para a menina, ele entregava aquilo que ela sempre quis, era um bom ouvinte e sempre atencioso a suas histórias, e gostava de mimar a moça como se ela fosse uma princesa, era a primeira vez que a garota tão insegura recebia esse tipo de afeto, então ela se agarrou aquilo, se apegou a cada afeto, a cada sorriso, a cada elogio, a garota amava ouvir que ele gostava das características que ela mesmo odiava, ela se apegou aos cafés e bombons que ganhava, ela se prendeu a todos os afetos dele, começou a escrever sobre ele, poemas e mais poemas, ela estava sonhando o mais alto que podia.


Ela queria continuar sonhando, era a primeira vez que sentia aquilo e ela queria continuar sentindo, queria ser sua totalidade com alguém e podia ser isso, então ela começou a se esforçar para continuar sonhando, ela andava caminhos mais longos para passar pela porta dele, começou a beber café, mesmo que a fizesse mal a sua ansiedade, pra ela não importava sentir tremores ou coração agitado ou pequenas tonturas, escutava as bandas favoritas dele e até decorou algumas músicas, começou a ajeitar os cabelos rebeldes e passar batom queria ser mais bonita para ele, disse adeus a sua hora de dormir… não importava o sono ou as olheiras, ela tinha as mensagens dele, revisou varias e varias materias para poder ensinar a ele, mesmo que não tivesse tempo para isso, começou a fazer trabalhos para ele e ajudar no que ele precisava. Ela estava aceitando mudar toda a sua rotina para manter seus afetos, ela silenciou tudo o que tinha para silenciar… ela queria os afetos.


Num ímpeto de coragem, ela decidiu contar seus sentimentos, ela estava apaixonada e junto com a coragem, veio o choro forte, ela pensou na rejeição que poderia vim, e se precipitou em sentir tudo o que poderia acontecer, mas, talvez… a rejeição não teria sido tão ruim assim para aquela garota.


Ela ainda era bem tímida, e eles eram bons amigos, e escondida pela tela de um celular, ela contou e enviou seus poemas intensos, a rejeição pela qual chorou, não veio, ela tinha um novo sabor na boca, expectativas, ela ganhou ideias para um futuro e algumas palavras bonitas que para aquela garota, parecia seu romance de cinema, ela segurou forte aquelas emoções e se apagou ainda mais pelo rapaz, ela estava conseguindo ser correspondida.


Se lembrava de tudo o que já tinha lido enquanto conversava sobre casamento e sonhos de juventude, ele nem era seu namorado e nem seus lábios tinham se tocado ainda, mas ela acreditou em todas as palavras, como a boba que era, ela só aumentou os seus sonhos e ele alimentou todas as expectativas possíveis, ele era bom em falar as coisas que ela queria ouvir.


Vivia seu sonho secreto, e estava radiante com isso, estava terminando o ensino médio, estava apaixonada, já tinha feito o enem e outros vestibulares, e ela ia poder se concentrar em receber afetos, em continuar vivendo seu conto de amores.

Até que aconteceu…

O castelinho de areia caiu…


Era uma palestra qualquer, e era uma das vezes que todas as turmas estariam juntas, a moça sonhadora viu o rapaz dos seus sonhos, ela não estava só como sempre, estava rodeado com seus amigos, eles riam e brincavam entre si, de longe, a moça não sabia ao certo o que fazer… mas pensando em todas as palavras que já tinham trocados entre si, se aproximou feliz para falar com o garoto, mas como seus sonhos eram altos, a queda não poderia ser pequena.


Ele nunca tinha a tratada com tanta indiferença, ele parecia não a conhecer ela, e aquilo doeu,,,


E quando ela chegou em casa, ainda em choque, ela apenas deitou em sua cama, e chorou muito, muito, muito naquela noite, chorou ao ponto de tapar a própria boca no travesseiro para silenciar os soluços, chorou até duvidar de tudo… o que era lágrimas de uma indiferença, se tornou lágrimas sobretudo, sua aparência, sua personalidade, começou ali a duvidar de tudo e se perguntava internamente…


Será que estava desarrumada?

Será que lhe faltou uma maquiagem?

Será que estava gorda?

Será que eu estava sendo inconveniente?


Ainda dolorida, juntou seus pedacinhos e resolveu questionar o rapaz sobre aquilo, e as ruínas do castelo de areia, terminaram de ruir, a resposta era cruel, mas era verdade o que ele dizia.


Eles não eram nada.


Aquilo foi quase uma facada na moça. E era extremamente confuso para ela, no final, não tinha sido nada…


Poucos dias depois, ele a bloqueou de tudo e disse o de sempre para justificar, falou que a moça merecia mais e que ele não era a pessoa que ela imaginava, de certa maneira era verdade, mas a jovem não pensou nisso, ela tinha entregado todos os seus sentimentos, enfrentar aquilo foi dolorido. Ela saiu do sonho, voltou a sua realidade, voltou a seus problemas familiares, aos seus problemas de imagem e aceitação, as suas preocupações com o futuro, estava tudo ali de volta, e parecia que tudo estava mais à mostra, a garota via com clareza seus erros, defeitos e sua personalidade ruim.


Bom, aqui seria o melhor momento para começar a narrar como a protagonista superou essa paixão e venceu em sua vida, mas, a vida real é mais dolorosa, e a história não acabou por aí, ela ainda tinha coisas para vivenciar…


Após o distanciamento, ela ainda sentia uma mistura de coisas, havia se passado dois meses, até que as notas do enem foram postadas e eles conversaram denovo, e a história se iniciou novamente por mensagens, e foi aí, que a dores pararam e a garota decidiu silenciar todas os sentimentos negativos e voltar ao seu sonho… Mas não tinha uma garantia, havia apenas sonhos.


E então ele sumiu novamente por um tempo…

E voltou depois, pedindo desculpas

E ela aceitou a pequena migalha de esperança.


E então ele sumiu novamente por um tempo…

E voltou depois, pedindo mais uma vez desculpas

E ela aceitou a pequena migalha de esperança.


E então ele sumiu novamente por um tempo…

E voltou depois…

E ela aceitou, as migalhas de sonhos


E esses sonhos levaram a garota por muitos meses doloridos, mais de um ano sendo mais clara, nesse meio tempo ela se acostumou com a dor, e quando ele partia e sumia da sua vida por semanas, ela aceitava, e quando ele voltava do nada e pedia desculpas pelo sumiço, ela também aceitava, ela ainda queria sentir os afetos dele e se negou até onde podia para tentar viver aquele sentimento, chegou a um ponto que ela tinha pedacinhos de coração e nenhum deles conseguia mais sentir o que antigamente sentia, estava cansada…


Ela não era mais uma adolescente de ensino médio, ela já estava numa faculdade, uma cidade nova, e ela não queria mais sentir a dor enclausurada em seu peito, então ela cortou os laços, ela disse adeus e aceitou sentir a dor do adeus.


Ela aceitou parar de sonhar e ser a adulta que tinha que ser.


Ela se reconstruiu, mas as marcas ainda estavam ali, agora de sonhadora nata, ela era uma medrosa… e se contentou em ter medo de amar. Claro que não durou muito, o coração gosta de viver… mas isso é outra história.


Enquanto solto essas palavras nesse papel, eu dou uma pequena risada com lágrimas leves, nem parece que eu vivi essa história tão boba, não parece que ela deixou tantos estragos para trás, que eu precisei de meses para acreditar em meus sentimentos, agora eu dou pequenas risadas e conto essa história como uma grande piada de mal gosto.


Essas palavras são um adeus a essa história e suas consequências… Nada dela me atinge mais, nenhum medo ou fantasma existe, ela se encerra como um conto como outro, que é lido e esquecido no tempo, eu não sou mais uma menina insegura de ensino médio, eu sou uma mulher forte que cresceu e venceu suas batalhas.


Carrego comigo, apenas o riso e a dor de lembrar e esquecer…



23 Décembre 2023 13:15 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Luana Borges Uma pessoa apaixonada por contos, microcontos e poesias que ama se aventurar pelas palavras. "Uma alma sem forma Pelo tempo se transforma"

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