l-b-goularte Luana Borges

Deixou para trás na cena do crime, apenas um bilhete grudado na cortina azul claro... "Os medos que possuem te impedem de fazer besteira" Aviso de gatilho: Violência explícita


Histoire courte Interdit aux moins de 18 ans.

#conto #terror #horror #assassinato #sangue #
Histoire courte
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Capítulo Único

A alameda das mimosas, era uma rua calma e tranquila, as casas eram próximas entre si, e abrigavam as mais diversas famílias. A maioria das pessoas ali, tinham a alma boa, eram só pessoas cuidando de seus filhos e parentes, à mercê do tempo e das complicações da vida. Era uma rua como tantas outras, iluminada pelo sol de verão, enquanto as crianças corriam e brincavam entre si. Em um grupo de meninos corajosos, a ideia de se aventurar nas férias, estava sendo levada bem a sério.


O desafio era o mais tenebroso possível, as crianças arquitetaram uma aventura pesada, no amontoado de casas simples, havia uma em questão que era um tanto duvidosa, a diferença não estava nas paredes claras ou na entrada que era como nas outras, era no proprietário. Um senhor de idade desconhecida que vivia com vendas de doces, algumas crianças tinham medo de como ele olhava e ou de como ele sorria com os dentes abertos e simpáticos, mas ele permanecia ali, havia uma história macabra que uma menina pediu doces na sua porta e ela desapareceu poucos dias depois.


Um dos rapazes mais velhos do grupo, contava a história como um conto de terror, descrevia como a menina subiu as escadas sorridente, e de como bateu a porta com insolência, e de como choramingou por doces para o senhor e de como ele foi amistoso e solicito para doar doces a menina chorosa a sua porta, e então, contava como tinha sido encontrado o corpo da menina, como ela estava desconfigurada, como as partes do corpo estavam cortados de maneira agressiva e como o sangue pingava na árvore que ela tava amarrada, e o rapaz terminava a história macabra dizendo que ela tinha um pacote de bala no bolso.


Uma parte dos meninos se horrorizaram com a história, outros tremiam com medo, todavia, havia um menino de 9 anos que encarou a história e muito corajoso disse que devia ser mentira, porque não teria como ser verdade e o homem morar ainda na rua, mas o rapaz que contava a história, respondeu dizendo que não acharam provas o suficiente para condenar ninguém e que certamente, quem fez o crime, sabia como escapar, então nada impediria ele de matar novamente.


O clima ficou tenso, e as crianças tinham medo, começaram a se entreolhar e um silêncio doloroso se instalava, quem contava a história, encarou sorridente o menino corajoso e jogou o desafio para ele, bater na porta de número 459 e pedir doces ao senhor, era sábado a tarde e o dono da casa estava lá. Parecia simples, na realidade era, o que poderia dar errado em subir uns degraus, bater uma campainha e pedir doces para um vendedor, pegar os doces e dividir com seus vizinhos, mas a atmosfera infantil e as emoções encabuladas dos menores, transformava a ação em algo tão hediondo, como se quando batessem na porta, eles estivessem entregando a vida a algum estranho que os mataria no final da noite.


O menino aceitou, mesmo que ele estivesse exalando astúcia, apenas ele sabia como o coração batia rápido, as mãos suavam, e como pouco a pouco, o medo e o pavor iam tomando de conta do seu ser, o deixando levemente nervoso. Puxando o ar para o peito, subiu os degraus da entrada da casa, sentiu a mão tremendo e viu um mini filme de sua vida por seus olhos, a garganta queimava e cada passo, sentia como se entregasse para a morte.


Com a mão inquieta, tocou a campainha e permaneceu imóvel, mesmo que seus nervos estivessem em alerta, a porta foi aberta sem demorar muito, e a figura do homem, abrilhantou na vista do menino, o senhor que parecia ter a idade de seu pai era estranhamente medonho, tinha os olhos estalados e quase fixos, parecia que o homem não piscava, tinha um sorriso aberto e extremamente gentil que quase faz o coração do menino morrer de susto ali mesmo, o homem perguntou o que ele queria ali de forma tão lenta que parecia uma eternidade.


O menino disse hesitante sobre querer doces, e disse que só estava ali por causa de seus amigos, o senhor fechou a porta por alguns segundos e reabriu novamente, com um saco de papel em mãos, e entregou para o menor sem demora, ainda sorridente disse que ele poderia voltar sempre se quisesse, mas o pequeno não tinha vontade alguma de voltar ali, porque de alguma maneira, aquele homem realmente parecia ser macabro e o vendo tão perto, temeu pela morte, com os doces em mãos, correu daquela porta o mais rápido que podia, seu coração ainda batia forte e sua mão ainda tremia.


...


Era tarde da noite, tão tarde que era possível escutar só os grilos no meio das plantas ou a copa das árvores se mexendo, não havia nem luz ou barulho de televisão ligadas, nesse horário tão pacífico, havia um menino corajoso agitado debaixo da coberta, sentindo o peito ansioso e o medo crescente.


O quarto do menino era pequeno, mas extremamente decorado e vivo, a cortina azul claro descia como uma cascata sobre a parede branca, as janelas tinham aberturas de vidro, mas a cortina espessa impedia o vislumbre da rua, o chão era antigo e a cama tinha lençóis de dinossauro, um quarto que exalava infância, o dona do quarto se encontrava abaixo de todas os panos possíveis da sua cama, o corpo estava encolhido numa posição fetal, tinha pavor entre seus veias, sentia como se estivesse em perigo, lembrava do rosto do vendedor de doces e do sorriso perturbador que tinha.


Tomado por uma bravura momentânea, levantou da cama e foi para cozinha, ligando todas as luzes da casa pelo caminho, a cabeça do menino decidiu que se ele bebesse um pouco de água poderia ficar mais calmo, então assim fez, retornando para sua cama logo em seguida, ainda nervoso se colocou debaixo de seus lençóis, buscava calma e tentava não chamar sua mãe, ele era um garoto grande e para ele, deveria ser corajoso.


Enrolado com sua coberta favorita, tampava o rosto, aquele edredom com estampas de dinossauros era um presente antigo que sua avó havia lhe dado antes de falecer, então era como uma lembrança de uma pessoa querida, ele se sentia minimamente mais protegido. Com a vista tapada, o menino não percebeu a cortina meia aberta e nem como a janela estava destrancada, não percebeu o senhor alto o encarando no canto do quarto e não percebeu quando o vendedor de doces aproximou de sua cama pequena com uma corda em mãos.


O menino não teve chance de grito, de se debater ou de lutar pela sua vida, seu agressor tampou sua boca com a própria coberta de dinossauros, enquanto aproveitou-se da própria força para enrolar a corda no pescoço fino da criança, e em poucos segundos, apertou a corda de maneira fria, até escutar um barulho mórbida de estalo, demorou pouco para o menino astuto não sentir mais dor, não sentir falta de ar, não sentir agonia, ele nem teve tempo de sentir todo o medo ou de pensar no que aconteceria com ele. O vendedor de doces no final era realmente o mal daquela rua, e ele sujava novamente as mãos, mais uma vítima.


Com o mesmo sorriso que utilizou para entregar os doces para o menino, ele utilizou para desmontar o corpo pequeno, pedaço por pedaço, com uma faca tão afiada que dava para escutar o barulho dela se movimentando no vento, era uma faca de desossar utilizadas em cozinhas e açougues, começou pelas mãos, cortando de maneira lenta, retirando depois o antebraço de forma tão limpa que era possível observar o úmero do braço esquerdo, após retirar os membros superiores, decepou os pés, parou por alguns segundos observando o branco dos ossos da tíbia e fíbula, então ele ajeitou o corpo como de todas suas vítimas, o deixando com as roupas, mas de maneira tão macabra que não fosse possível reconhecer, com os membros do corpo afastados entre si, o sangue respingando por todo o quarto, como uma pintura mórbida e cuidando detalhe por detalhe para retirar todos os registros de sua presença.


O senhor, exalava uma emoção tão desgrenhada e doentia, possuía uma felicidade estampada em seus movimentos, não parecia movimentar um corpo ou que espalhava sangue ao redor de lençóis infantis, era uma verdade que o vendedor de doces não fazia aquilo há um tempo, mas ele não se esquecia das sensações, para ele, parecia que era a primeira vez, lembrava da primeira criança que ceifou a vida num bosque no inverno, as emoções eram as mesmas, a única diferença, é que com o tempo, passou a se sentir inabalável, como se ninguém fosse capaz de descobrir seus crimes e isso o encorajava a ser pior a cada ato.


Deixou para trás na cena do crime, apenas um bilhete grudado na cortina azul claro...


"Os medos que possuem te impedem de fazer besteira"


...


Gritos, gritos e gritos.


Foi assim a manhã de domingo na Alameda das Mimosas. A mãe do menino encontrou o corpo dele, e ninguém está preparado para ver uma cena como aquela, ainda mais encontrar um filho morto da forma mais hedionda possível, entre os carros de polícias, barulho de sirene, os curiosos de plantão e os parentes inconformados com a morte, havia dois detalhes na cena daquela manhã que mereciam atenção.


Primeiro, entre os curiosos estava o vendedor de doces, carregava um semblante desolado, quem o observava por fora, podia jurar que ele era apenas mais um sentindo pena da família, nenhum deles podia ver como ele estava excitado com aquilo tudo, com as sensações doentias de ser intocável e que ninguém o pegaria, por entre suas entranhas, ele gargalhava como se fosse estivesse acima de todos ali.


Segundo, havia uma alma.

Sim, uma alma.


Um espírito infantil pairando sobre a casa, as causas da morte do menino foram tão brutais e repentinas, que ele ainda estava na terra, e ainda entendia as circunstâncias que estava, observava sua mãe chorar, seu pai em choque e seus amigos sendo consolados. Ele não sabia o que fazer e parecia permanecer entre ficar triste observando seus familiares e irritado em como a polícia não capturava seu assassino ali na porta de sua casa, ou de como podia escutar os policiais falando não ter nenhuma pista.


Era uma alma desolada, que parecia estar condenada a vagar por aí, sem rumo. Até que chegou em seu encontro... Outros espíritos infantis, outras vítimas perdidas no tempo, crianças eternas que queriam descansar.


...


Era noite quando o vendedor de doces retornou para casa, andou perto do seu crime e depois passeou pela cidade, curtindo o domingo e sorrindo para o mundo, olhando para todos com alegria, exalando vida e entusiasmo. Ele não sabia o que o esperava. Não sabia que seria cobrado por seus crimes naquela noite.


Ele passou por sua porta, calmo, e se jogou na poltrona da sala, e libertou o riso guardado, estava na sua essência, louco e sem controle, deixou se levar por bons minutos de inconsistência com risos e movimentos aleatórios, a alma do homem parecia arder de tanta insanidade, até os demônios esperavam sua queda para recebê-lo no inferno, o castigo dele o esperava, dolorido e eterno, ele era aqueles casos que não tinha justificativa.


Teve uma mãe boa, que moveu céus e terras para criá-lo, teve um pai amoroso, teve até amigos na infância e na adolescência, mas, aquela sede por sangue, a vontade de experimentar sensações diferentes foi o dominando, as vezes ele sentia como se fosse duas pessoas, existia a parte tranquila que trabalhava e permanência só, e aquela outra parte, a mais escondida que tinha desejos hediondos e que agia como um bicho incontrolável, e ele por fim gostava, gostava de se sentir acima de tudo.


Após terminar os risos, ele tão cético não podia enxergar quantas almas estavam ali com ele, não podia ouvir os sussurros e os preparativos, os espíritos soltos haviam se cansado de esperar por justiça... Eles mesmos iam buscar por justiça.


Havia na sala sete espíritos…


Estavam ao redor de seu agressor, cada um carregando o fardo de vagar sem o descanso eterno, observando seus familiares e amigos padecendo por sua perda. Eles já tinham conversado, iam penetrar os poros do assassino e qualquer outra abertura, um de cada vez, o possuindo e o entregando no fim, para as portas do inferno, eles estavam no número certo, nenhum humano aguentaria tantas possessões.


A primeira vítima, o possuiu, o vendedor sentiu como se seus nervos estivessem repuxando e os seus sentidos ficaram bagunçados, perdendo o controle de seus movimentos. A próxima coisa que o assassino sentiu, foi a cabeça sendo batida na mesa de centro da sala e seu olho indo de encontro a um enfeite de vidro, um urro de dor foi ouvido ao tempo que o globo ocular dele foi dilacerado, vingando a primeira vítima que teve seus olhos retirados ainda com vida.


A segunda vítima, adentrou pelo nariz sangrando, causando uma ardência forte, o assassino sentiu o corpo suando frio e não teve tempo de raciocinar quando seu corpo foi jogado contra o piso da cozinha, batendo novamente a cabeça, dessa vez no chão, ele não entendia o que acontecia, mas sua cabeça foi batida três vezes no chão da cozinha e de forma sobrenatural, ainda permanecia acordado, vingando a segunda vítima que teve o crânio quebrado.


A terceira e a quarta vítima, entraram juntas, assim como foram mortas, o agressor só sentia as dores invadindo os nervos e as vozes das vítimas em sua cabeça, elas gritavam, ele relutou um pouco, quando sua própria mão embalou uma faca e se acertou no braço, ele estava de joelhos no chão da cozinha e os suspiros de dor saem dos seus lábios, vingando a terceira e quarta vítima que foram esfaqueadas.


A quinta vítima, o possuiu, fazendo o vendedor de doces, cortar a própria língua, ele estava banhado de sangue e suor, a sexta vítima, tampou sua visão e gritou tão alto em sua consciência que os ouvidos sangraram, vingando cada um sua própria morte.


A última vítima, o menino da coberta de dinossauros, se apossou do corpo do assassino, fazendo o homem cortar o próprio antebraço, vingando por seu esquartejamento. O sangue jorrou e ele foi entregue ao inferno, entre gemidos de dor e confusão extrema.


Ao tempo que a morte do serial killer de crianças foi acontecendo, as almas das crianças foram desaparecendo, finalmente conseguiram o descanso eterno. Cada uma deixou suas memórias para trás e finalmente podiam seguir…




9 Novembre 2023 03:12 1 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Luana Borges Uma pessoa apaixonada por contos, microcontos e poesias que ama se aventurar pelas palavras. "Uma alma sem forma Pelo tempo se transforma"

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Bella Oliveira Bella Oliveira
Parabéns
November 09, 2023, 07:33
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