l-b-goularte Luana Borges

Era um gato preto e um Golden Retriever… Rapazes tão diferentes, tão opostos, mas como dizem, os opostos se atraem…


Histoire courte Déconseillé aux moins de 13 ans.

#conto #romance #amor #casal #bl #yaoi
Histoire courte
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Capítulo Único

Era uma tarde, quase pôr do sol, o sol brilhava sem nuvens no céu, o clima permanecia quente com um toque suave úmido no ar, as cores do dia pareciam vibrantes e em frente ao shopping as pessoas andavam com suas vidas monótonas e corriqueiras, cada uma com uma história e uma vivência diferente, carregando suas inseguranças e dilemas próprios.


Havia nesse emaranhado de pessoas, dois jovens de história tímida e relutantes entre si, observando como um gráfico a história deles parecia uma função de senos e cossenos, subindo e descendo como um amontoados de montanhas. No olhar que um sustentava para o outro, tinha um ar de desafio e competição, como se fossem eternos rivais dentro de suas histórias.


Sentados na praça de alimentação, os rapazes se encararam, em silêncio, um a frente do outro separados por uma mesa de madeira, ninguém imaginaria que o clima dos dois se tornaria assim, dizem que a faculdade é quando as pessoas amadurecem e deixem os costumes da adolescência, mas os dois ali naquela mesa era a prova do contrário, o motivo de estarem ali começou semanas antes...


Antes de contar os motivos dos olhares raivosos e relutância dos dois, precisamos conhecê-los um pouco mais, para sigilo dos nomes, — que talvez sejam reais — como também essa história, teremos o rapaz gato preto e o rapaz golden retriever, animais esses que representam suas personalidades.


Nosso Golden Retriever, era um rapaz extrovertido, carismático, simpático, com opiniões próprias e de boa convivência, seguia a si mesmo e vivia as verdades que acreditava, tinha muitos amigos e era considerado uma pessoa legal até mesmo com aqueles que ele não se dava bem.


Já o gato preto, era um rapaz sarcástico com um humor diferente, de semblante fechado e irritadiço, demonstra sua amizade via suas brincadeiras que quase todo tempo eram repetitivas, não demonstrava se importar com as opiniões alheias, se diziam que era chato, aceitava e ria com descaso.


Os dois eram de aparência bonita, altos e atrativos aos olhos das moças, mas era como se esses rapazes fossem de pólos opostos, da mesma sala e de muitas aulas juntos, permanência num clima ameno mesmo que se sentisse uma pequena batalha do mais forte e inteligente, Golden não gostava da maneira tão criteriosa e quase ambiciosa do gato que pouco se lixava se as pessoas o achavam um "caçador de notas excelentes" ou um egoísta por seu jeito hipócrita de moralista.


Talvez o erro do Golden nessa história foi ter aberto a boca, como seu jeito fofoqueiro de ser guardar as emoções era difícil, característica essa que o Gato não gostava muito, para o felino essa ideia de fofoca era uma perda de tempo, e para ele, tempo era muito valioso para de perder com coisas aleatórias. O retriever tinha sua matilha, as pessoas que ele viam como um lar, pessoas que ele confiava incondicionalmente e não poupava contar tudo o que lhe afligia. O problema de contar para seus amigos as opiniões sobre o Gato, era que as portas eram falsas e as paredes nada silenciosas.


E foi assim, que o Gato soube que o Golden não ia com sua cara, e isso de alguma forma acertou o felino, ele não esperava que o rapaz tão extrovertido e que lhe tratava bem não ia com sua cara, primeiro sentiu raiva, considerou ele falso e pensou em ignorar como ele fazia com quem ele não gostava, mas o Gato ficava surpreso, pois toda vez que encarava pelo corredor o Golden, o rapaz sorria e parecia amigável, era de forma verdadeira, mesmo que dentro de sala se acendia uma rivalidade.


O felino gostava da rivalidade entre eles, e temeu que as frases que escutou mudassem a dinâmica entre eles, e por isso, com sua forma decidida de ser, foi ao cachorro alegre e disse "quero falar contigo sobre coisas que você fala de mim", e o encontro foi marcado.


Golden sentia um nervoso e uma ansiedade antes de entrar no shopping, sabia que de alguma forma, o gato havia descoberto seu sentimento negativo, mas era estranho até para o rapaz extrovertido, era verdade que às vezes não gostava de algumas pessoas, mas a sensação de irritação ou de frustração era muito alta perto do felino, era como se ele por si só o deixava nervoso, e acabava com raiva, pois o gato parecia nem se importar com sua presença.


O gato queria uma resposta, encarou novamente os cabelos lisos e a face de paisagem do rapaz a sua frente, e não tardou a falar.


— O que eu te fiz? — disse irritado com a postura solta na cadeira da praça de alimentação.


— Você não entenderia... — o outro respondeu a mesma altura.


— Então me explica, ué... — gato falava com o seu tom de que tudo era muito fácil de resolver.


O Golden olhou mais segundos do que o necessário para o rapaz ranzinza, sentiu o coração acelerar… Por que era tão difícil dizer que ele o deixava nervoso? O extrovertido pensou se sentindo acuado.


— Por que tá me olhando? Tu é...?— o gato brincou, sorrindo com o seu jeito meio leviano de ser.


— Égua, tu é muito chato... — disse o Golden se estressando e se levantando da cadeira, e partiu para a saída, não queria pensar na possibilidade da irritação ser algo a mais.


O felino acompanhou o outro rapaz com o olhar, ponderou internamente sobre ir atrás dele, o que isso poderia significar... Sentiu uma pequena curiosidade em si, então tomou sua decisão.


Golden estava no estacionamento, suspirava buscando calma enquanto mexia no cabelo, o alisando com os dedos, tentava colocar os pensamentos em ordem. O gato chegou furtivo e calma próximo ao rapaz, tinha passadas lentas e não demonstrava o nervosismo que começava a se instalar em seu interior.


— Não precisava dar piti car...


Golden explodiu, no tumulto de suas emoções conflituosas, chamou um soco de direita no rosto quase perfeito do felino, o calando. O gato ficou tonto por alguns segundos e revidou com as mãos, rápido como um reflexo, então o extrovertido tentou capturar outro soco no rapaz, mas foi impedido pelo felino segurando o seu pulso.


Golden tentou, com a outra mão, bater desesperado no rapaz, e foi segurado pela outra mão do rapaz a sua frente, na bagunça dos corpos e as frases soltas sem sentido, o felino tropeçou num meio fio aleatória do estacionamento, levando o outro rapaz consigo para o chão.


No momento do encontro ao chão, os dois olharam as faces tão próximas entre si, sentido uma tensão diferente no ar, Golden tentava entender a curiosidade em explorar os lábios do rapaz que tanto o estressava, e o Gato pensava como seria o gosto e a textura do lábio tão próximo e convidativo do rapaz que era seu rival.


O Gato Preto cedeu à curiosidade e o Golden Retriever aceitou, deixando os lábios do felino alcançar o seu, algo lento e proveitoso, a posição dos dois se encaixaram melhor sobre o meio fio, e as mãos começaram a trabalhar.


Enquanto Golden ia direito para o pescoço, pedindo mais aproximação, o Gato ia para a cintura o puxando com uma mão e segurando seu cabelo com a outra, o beijo se tornou mais necessitado, e as línguas se tocaram em uma batalha interna.


Entre os pensamentos voados, e as sensações boas, o rapaz ranzinza e com alma de gato, se assustou pela ação que fez, se separou e olhou assustado para o Golden que parecia perdido pela reação, ele fugiu, correndo deixando um cachorro abandonado no meio fio, o Golden se arrependeu de ter tocado os lábios do rapaz.


Os dois foram para suas casas pensativos, e esperando que o destino não os juntasse sozinhos novamente.



Se passaram quatro semanas, e as coisas andavam como se nada tivesse acontecido, nenhum dos dois falou mais um com o outro, não houve bom dia, aceno de cabeça e nem mesmo compartilhavam o mesmo espaço sem necessidade, mas…



Era inevitável que o Gato não voltasse a memória, sua mente tão automática e prática voltava a cena de semanas atrás, relembrando o toque e a sensação quente que afundou em seu peito, o problema maior dessa história na cabeça dele era que havia perdido a coragem de encarar e falar sobre o ocorrido, pensava na eminente rejeição ou de como sua mente o perseguia com as afirmações de paixões.


Para o Golden, a situação na sua cabeça parecia mais caótica, havia beijado o cara que jurou de pé junto que um dia ia amassar na porrada, pensou em todas ás vezes que disse que ele era insuportável, chato, hipócrita e um “pé no saco”, relembrou ás vezes que reclamou para os amigos sobre como o felino queria ser muito “certinho”, no meio de toda sua incredulidade, pensou na coisa que mais passou pela sua mente, havia gostado do beijo.


Depois de tantas tentativas de se evitarem, ocorreu algo inesperado, era de conhecimento comum que havia um projeto da faculdade em que os dois participavam em conjunto, mas em áreas diferentes, e por isso nas reuniões e atividades nunca se esbarravam, mas em uma reunião extraordinária, todos os alunos foram convocados pelo professor coordenador.


Na sala do projeto, Golden estava desde cedo utilizando um dos computadores para um trabalho que estava em cima da hora da entrega, entretido pelo desespero de estar quase perdendo metade da nota do semestre, focou na tela e no teclado. Não prestou atenção na porta da sala abrindo e muito menos nas mensagens do celular, tinha que entregar a atividade até as 18h.


Xingava internamente por ter esquecido da atividade e mais ainda por não ta conseguindo sair de uma das questões, praguejava sobre ter escolhido engenharia, relendo novamente a questão sobre força normal num plano inclinado, era a matéria que havia reprovado semestre passado, então estava nervoso, nem reparou na cadeira que foi colocado em seu lado.


— Quer ajuda? Tirei “Bom” nessa matéria… — era o felino, sentado lendo a tela do computador, parecia neutro, mesmo que estivesse um pouco nervoso.


— Preciso não… tá tudo tranquilo mano — mentiu, Golden não havia percebido o rapaz, era como se ele tivesse deslizado pela sala, sentiu o coração acelerar um pouco, e lembrou do dia no shopping.


— A segunda questão está errada… — O gato disse observando atentamente a tela, ignorando as falas contrariadas do outro rapaz.


— Fica de b…


— Não posso te ajudar cara? A reunião é daqui uns vinte minutos, tem um tempo — o felino cortou a fala do Golden, deixando escapar um pouco de irritação na voz.


— Vinte minutos não dá tempo pra fazer nada, bicho. — o rapaz extrovertido disse se sentindo um pouco frustrado por não ter ido bem pela segunda vez na mesma matéria.


— Depende do que for, dá pra fazer muita coisa… — O gato respondeu no automático em tom de brincadeira e malícia, era de sua personalidade fazer esse tipo de piada, mas ele se arrependeu depois que percebeu o que tinha dito e para quem — Desculpa, foi automático.


Golden parou de olhar a tela, e encarou o rapaz ao seu lado, queria bater nele por ele estar tão calmo com o ocorrido, respirou fundo e decidiu falar.


— Foi mal aquele negócio do shopping... — disse meio baixo, com vergonha.


— Que negócio? — o felino levantou a sobrancelha e esboçou um leve sorriso de canto nos lábios.


— Aquele negócio... — a voz saiu mais irritada e nervosa, olhou atentamente para o rosto do rapaz.


— O beijo? — o felino disse baixo se aproximando da face do Golden, estavam próximos, mas nenhum recuou.


O rapaz tão tagarela, ficou em silêncio, apenas fazendo sinal afirmativo com a cabeça para o outro rapaz.

— Eu que peço desculpas... Sai correndo do shopping — o gato sentiu o coração acelerar, estava assumindo que se arrependeu de ter saído correndo.


Golden pensou alguns instantes, nunca assumiria que havia gostado do beijo e de como os lábios se encaixaram tão bem, mas saber que o gato não estava cheio de raiva o aliviou um pouco, poderia esquecer isso e no fim, ser amigos ou conhecidos de corredor.


— Quiser... Eu te ajudo naquela matéria que tu foi mal na prova e tu me ajuda nessa. — Golden cortou o contato visual e disse amigável, decidiu que se esqueceria daquilo.


— Pode ser.



— Cala a boca!


Disse o Golden irritado, queria socar a cara daquele infeliz, o estudo estava indo bem, até que o gato se sentou perto demais, apertou sua coxa e começou a falar seus erros com a voz mansa, como se flutuasse no ar.


— Me cale!


O gato respondeu risonho, o desafiando com o olhar profundo, após a reunião, eles resolveram estudar juntos, um iria ajudar o outro, escolheram a casa do Golden por questões de logísticas, mas o rapaz extrovertido já tinha percebido que tinha feito burrada em aceitar a ajuda dele, era estranho.


Ele se sentia estranho, era uma nova sensação permeando seus poros, era uma vontade inquietante de realmente calar a boca daquele rapaz, encostar os lábios, abraçar o corpo e sentir a pele sobre suas mãos, e ligando o dane-se para todas as atividades e papéis espalhadas, agarrou o pescoço do rapaz risonho.


E aprofundou um beijo agressivo e intenso, com as mãos envoltas na face e pescoço, o rapaz que lançou o desafio, ficou uns segundos desnorteado pelo golpe, mas não demorou a corresponder, encaixou suas mãos no corpo do rapaz alto.


E ali, naquele quarto, as roupas foram se perdendo pouco a pouco, o ar foi faltando e sendo recuperado, os papéis já estavam bagunçados em qualquer canto, e havia corpos se descobrindo nos lençóis de uma cama macia, e dali em diante... Um casal novo estava feito.


Não um casal qualquer, um casal formado por um Gato Preto e um Golden Retriever.





2 Novembre 2023 22:16 8 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
6
La fin

A propos de l’auteur

Luana Borges Uma pessoa apaixonada por contos, microcontos e poesias que ama se aventurar pelas palavras. "Uma alma sem forma Pelo tempo se transforma"

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Daniel Trindade Daniel Trindade
Saudações! Sou membro da Embaixada Brasileira do Inkspired. Parabéns, sua história foi examinada recentemente e está sendo verificada. Desejo que ela seja apreciada por diversos leitores de nossa comunidade. Sucesso e felicidade em sua arte! ♡
November 11, 2023, 17:28
Bella Oliveira Bella Oliveira
Amei...
November 03, 2023, 00:53

JV Jonnan Van
Dinâmica bem maneira, quase senti que o gato ia soltar um lá ele kkk
November 03, 2023, 00:26

~