monalisaholmes Mona Lisa

Sortner é um par, simplesmente um par. Por que isso era importante? Era um mundo construído com pares e que sobrevivia com a afeição recíproca entre suas almas. Havia simpatia, sentimentos, proteção. Havia demais e em toda parte. E não havia mortes ou guerras por isso, porque todos possuíam um Sortner e todos sabiam que se intrometer entre eles era complicado demais para um único mundo. Respeitar a vida e a relação de um Sortner é uma lei natural, porque todos podiam imaginar a dor de perder um par. Exceto que toda regra possui uma exceção. Sherlock Holmes precisa descobrir se é uma exceção ou se essa exceção será apenas seu novo caso.


Fanfiction Série/ Doramas/Opéras de savon Déconseillé aux moins de 13 ans.

#BBC #JohnWatson #SherlockHolmes #Johnlock #Sherlock
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Interligado demais

Era ridículo e intragável.

Tudo bem, talvez estivesse exagerando. Talvez não fosse tão intragável, mas com certeza era ridículo. Era um mundo ridiculamente interligado e sentimental demais para Sherlock Holmes.

E enquanto caminhava pelas ruas londrinas, não conseguiam parar de observar aqueles que não eram diferentes, aqueles que eram comuns. E naquele dia em especial, Holmes se sentia particularmente feliz e satisfeito por ser diferente, mesmo que o tédio ainda fosse um problema. Era o Dia da Alma, o dia em que a maior parte do mundo parava para fazer o nada além de aproveitar o momento com seu Sortner, seus companheiros de alma ou, como muitos chamavam, suas “almas gêmeas”.

Sherlock odiava esse termo, além de estupidamente sentimental, era errado. Para serem gêmeas as pessoas precisavam ser geradas ao mesmo tempo e nascidas com uma curta diferença de tempo entre elas, o mesmo poderia ser dito sobre suas almas, não? Mas naquele caso, naquele mundo, almas poderiam nascer com anos de diferença e ainda assim completar uma a outra e serem ligadas por toda a eternidade.

Para o Detetive-Consultor era justamente nisso que morava o problema. Um Sortner era isso, uma pessoa a quem seria ligado e dependente por toda uma vida parecia ser mais um pesadelo do que uma realidade aceitável. Como poderia ser diferente? Como poderia sequer considerar a possibilidade de se importar tanto com alguém e dividir sua vida com ela?

Mas para sua sorte, ou assim pensava, Sherlock estava entre os Solos, aqueles sem uma alma companheira. Até onde sabia, não era o único Solo a vagar sozinho por simplesmente não conhecer seu par, mas a maioria havia perdido seus companheiros e agora lutavam por uma vida saudável, o que também era extremamente difícil de conseguir.

Ironicamente, Sherlock provavelmente era o único a conseguir uma vida tão próxima do normal.

Considerou-se com sorte, tinha seus vícios e suas manias, mas nunca era abatido pela tristeza ou solidão. Porque não sentia falta de quem não conhecia. Por vezes situações assim aconteciam e mesmo com a tão famosa ajuda do destino, os pares demoravam anos para se encontrarem. No entanto o detetive jamais seria o primeiro a ter esperança, primeiro porque não queria um par grudado ao seu lado, segundo que nunca demorava tanto tempo, nunca eram décadas.

Novamente, Sherlock era o diferente. Por um tempo imaginou que não havia um par para ele, que estava verdadeiramente sozinho naquele mundo de pares, porque depois de vinte e sete anos de vida ninguém surgiria para livrá-lo daquele destino solitário. Seria tão ruim, de fato. Entretanto, sabia que era impossível. Todo mundo tinha um Sortner, uma alma companheira. Além disso, conseguia senti-la às vezes.

Era raro, estranho, inquietante e quase intimidador. Atravessou a rua agitada se lembrando da primeira vez. Ainda estava na adolescência, no meio de um dia qualquer, de Dezembro, quando seu coração saltou com força dentro do seu peito e seus joelhos cederam, assim como sua consciência. Sonhara com destroços do carro, sangue e vozes, sentiu o sofrimento que não era seu. Quando acordou estava no hospital com os olhos preocupados de seus pais em sua direção e seu irmão mais velho no canto perto da porta. Então soube que realmente não estava sozinho e aquelas dores de origens desconhecidas não eram suas.

Foi fácil deduzir sobre o acidente de carro e pela primeira vez Sherlock lamentou por um desconhecido.

Também não foi a última vez. Houve uma madrugada em que acordara gritando, a dor parecia corroer todo o seu ombro esquerdo, seu pulmão ardia como se estivesse em brasa e algo em sua garganta o fazia engasgar. Desabou no chão quando tentou se levantar e fechou os olhos tentando conter a dor. Sentiu o ar abafado ao seu redor, o gosto de sangue em sua boca e barulhos ensurdecedores em sua cabeça, imediatamente soube que seu Sortner estava com problemas e por muito tempo pensou que o perderia sem nem conhecê-lo primeiro.

E não pela primeira vez lamentou se preocupar tanto.

As lembranças se afastaram assim que entrou no prédio da Scotland Yard, então suspirou com a familiar sensação de trabalho.

― Lestrade!

O Inspetor-Detetive se virou e logo sorriu ao vê-lo.

― Sherlock, finalmente... ― saudou entrando em sua sala, sendo seguido pelo mais alto. ― Achei que não viria mais.

― Bobagem, apenas me atrasei. Tive que fugir dos transportes públicos e os táxis estavam lotados. Assim como o resto da cidade.

― Oh sim, o grande dia dos Sortner, finalmente ― Lestrade suspirou quase aliviado enquanto arrumava os papeis sobre a mesa.

Sherlock apenas deu de ombros. Era apenas um dia comum para ele, talvez mais entediante, mas ainda assim um comum. Mas o resto do mundo não via da mesma maneira, enxergavam-no com pena. Assim como Lestrade o olhava naquele momento.

Pobre homem solitário, é o que diriam se Sherlock ousasse entrar em algum lugar público nesse dia. Pigarreou, ansioso para fugir do assunto.

― Vai passar o dia com Molly?

― Sim, sim ― o inspetor jogou o cachecol ao redor do pescoço. ― Estou saindo agora na verdade.

― E o que tem pra mim?

― Não muito e lamento por isso. Deus sabe como gosto de manter você ocupado.

― Em dias como esse aceito qualquer coisa ― Sherlock garantiu com convicção.

Lestrade riu compreensivo e entregou uma pasta a ele. O detetive logo a abriu.

― Uma mulher, Clara Samuels, alega que a namorada grávida, Harriet Watson, está sendo mantida presa pelo pai, em casa. A Srta. Samuels pede discrição e cautela, aparentemente o Sr. Watson é violento e ela não quer uma tragédia. Não quero que banque o salvador, Holmes, apenas vá até lá e consiga as provas para que eu possa prendê-lo. Quero pelo menos invasão de propriedade e cárcere privado, não espero menos de você. Ligue assim que conseguir.

Sherlock assentiu, colocou a pasta sob o braço e saiu em silêncio.

Uma leitura rápida do caso lhe revelou que Clara e Harriet eram um par, então não era muita surpresa que fossem realmente um casal. Mas não havia uma regra para isso, os pares poderiam se encontrar e ainda assim se apaixonar por outros, como Mycroft e Lestrade que em breve se casariam, mesmo não sendo companheiros de alma. No entanto, era sempre muito mais fácil quando o par se tornava um casal, assim as crises de ciúmes eram evitadas. Não podia esquecer do quão insuportável Mycroft ficava quando Lestrade criava uma bolha particular com Molly.

De novo era infinitamente agradecido por não ter que lidar com tais questões emocionais.

A casa de Harriet possuía dois andares e não era exatamente grande, mas com certeza recebera cuidados melhores alguns anos atrás. O detetive até poderia classifica-la como agradável se não soubesse a prisão que uma mulher tinha que aguentar do lado de dentro. De acordo com Clara, o pai de Harriet não aceitava o relacionamento entre as duas, mesmo aparentando não ter nenhum problema com a gravidez. Havia ameaças, até mesmo de morte, e um advogado muito caro garantindo a inocência do Sr. Watson e a distância entre os policiais e a casa. Seria interessante destruir aquilo. Caminhou displicente até a entrada, como quem não queria nada, mas em vez de bater na porta, desviou para a lateral da casa. Sentiu-se aliviado pelas janelas baixas e, discretamente, começou a tentar espiar através de delas. Pelo menos teria uma visão do primeiro andar.

Dali parecia só mais uma casa normal, arrumada e aparentemente vazia. Sherlock sabia que alguém deveria estar ali, então procurou a janela com uma visão mais próxima da escada e alcançou o celular, discando os números que estavam na pasta.

Quando o telefone começou a tocar foi questão de segundos até escutar passos apressados e pesados, quase desesperados. Logo uma mulher de estatura mediana desceu as escadas, com os cabelos loiros soltos e uma barriga proeminente, correndo até onde o telefone deveria estar.

Alô? ― atendeu em um sussurro ofegante.

― Harriet Watson?

Sim.

― Seu pai está em casa?

Sim, está dormindo no andar de cima. É da polícia?

― Abra a janela perto da escada ― ordenou antes de desligar o telefone.

Alguns segundos de espera que lhe pareceram muito mais e Harriet surgiu em seu campo de visão, pálida e com os olhos assustados, mas sem hesitar em abrir a janela.

― Você não é da polícia.

― Mas estou aqui em nome dela ― o detetive respondeu rapidamente. ― Meu nome é Sherlock Holmes, vou ajudar você.

― Eu sei quem você é, mas como vai me ajudar? ― Harriet sussurrou exasperada. ― Não tenho provas contra meu pai e se eu tentar fugir ele vai me matar, e se não conseguir vai matar a Clara.

― Ele agrediu você em algum momento?

― No início sim, mas acho que percebeu que eu poderia usar isso contra ele.

Sherlock bufou. Não podiam fazer um exame de corpo de delito e Harriet, a única que poderia prestar uma queixa certeira, não o faria por medo do que aconteceria com si mesma e com aquela que amava. Quase revirou os olhos, mas no final era forçado a aceitar as consequências irracionais da humanidade. Então o que faria? Deixar a polícia invadir a casa era arriscado e ele mesmo poderia encontrar as provas de que precisava sozinho.

― Ele sai de casa em algum momento?

― Raramente ― ela lamentou antes de se inclinar sobre o batente da janela com os olhos marejados. ― Mas, por favor, Sr. Holmes, tire-me daqui. Essa criança não vai sobreviver por muito mais tempo nessas condições, nem eu.

Sherlock desviou o olhar, incerto sobre o que fazer. Algo naquela mulher atraia o seu lado humano. Não compreendia os motivos do Sr. Watson, tudo o que via era uma mulher tentando ser feliz, lutando por alguém que nem havia nascido ainda.

Então súbita e precipitadamente tomou uma decisão.

― Venha comigo, agora.

Harriet arregalou os olhos.

― O quê? Escutou o que acabei de dizer? Ele-

― Eu sei, eu sei ― Sherlock cortou agitado. ― Mas tenho como proteger você e Clara. Você presta a queixa e garanto que assim que eu assim que tiver acesso a casa, conseguirei as provas.

A mulher hesitou, intercalando seu olhar entre ele e as escadas.

― Confie em mim ― o detetive insistiu.

E respirando fundo, o olhar dela rapidamente mudou de amedrontado para determinado.

― Tudo bem, espere um pouco.

Sherlock arregalou os olhos ao vê-la se afastar, mas engoliu seu chamado. Ela não parecia ser tão idiota, então havia algum motivo compreensível para tal ação. Um pouco mais de um minuto depois Harriet voltou, em seus braços havia algo que ele reconheceu como sendo uma arma de fogo, embrulhando em um pano, uma foto e um Beagle.

Um Beagle. Um cachorro.

Harriet lançou animal para o lado de fora da casa, este apenas se agitou sobre suas patas e a esperou pacientemente.

― Segure pra mim ― pediu entregando o embrulho e a foto. ― É uma arma. Acho que ele tem outra, mas pelo menos estou tentando. Ajude-me aqui, a porta está trancada e uma barriga de cinco meses já atrapalha bastante.

O detetive ia dizer que poderia arrombar a porta, mas Harriet já se lançava pela janela, ele rapidamente deixou a arma cair no chão e a segurou, evitando uma queda maior.

― Oh, você é forte ― Harriet comentou enquanto saia de seus braços para pegar a arma no chão. ― E de acordo com os jornais, é esperto e completamente louco. Meu irmão iria gostar de você.

Ele revirou os olhos e segurou sua mão, puxando-a para longe do campo de visão de quem estivesse na casa, com o cachorro em seus calcanhares. Não foi difícil pegar um táxi e assim que entraram, Harriet empurrou o embrulho na sua direção.

― Você é da polícia ou quase isso, então é seu. O resto fica comigo ― esclareceu agarrando a foto com mais força contra o peito e afundando a outra mão no cachorro para acaricia-lo.

Sherlock inclinou a cabeça e discretamente olhou as costas da foto, encontrando os dizeres “Para Harry. Cuide-se. Dezembro de 2005”. Foi interrompido de reler por um tufo de pelos escuros que surgiu a sua frente. O cachorro escapara das mãos de Harriet e agora sentava em seu colo, encarando-o com curiosidade.

― Esse é Stone ― ela apresentou sorrindo. ― Meu irmão o deixou comigo quando foi para o exército.

― Esse é o seu irmão? ― Sherlock questionou apontando para a foto.

O sorrido dela se tornou triste ao colocar a foto sobre o colo, mostrando-a melhor.

― Sim, John, meu irmão mais velho.

― Ele ainda não voltou?

Harriet respirou fundo e negou, antes de esclarecer.

― Há três meses recebi uma carta informando que ele desapareceu durante um combate.

― Sinto muito... ― ele lamentou sincero.

― Tudo bem, obrigada. De qualquer forma... ainda tenho esperanças, meu irmão sempre foi muito... persistente.

Por algum motivo Sherlock engoliu em seco, sentindo sua respiração pesada e seu coração batendo mais forte que o normal. O cachorro o despertou lambendo seu rosto com avidez, querendo chamar sua atenção.

― Ele gostou de você.

Sherlock franziu o cenho.

― Só porque está sujando meu rosto?

― E também por isso ― ela apontou para o rabo do animal que não parava quieto. ― Stone é um beagle estranho, não gosta de estranhos e não é desobediente. Só fica muito animado quando se sente à vontade.

Sherlock não conteve um sorriso e acariciou o animal que se animou ainda mais, depois voltou a olhar para a mulher ao seu lado, garantindo com determinação:

― Não se preocupe, Harry, vou ajudar você. Seu pai não será mais um problema.

***

― Você enlouqueceu ― Lestrade riu incrédulo enquanto olhava por cima do ombro para a mulher sentada na outra sala. ― Eu disse para conseguir provas, não para raptar a mulher da casa.

― Eu não raptei ninguém, só achei que era melhor tirá-la de lá o mais rápido possível... E ela concordou, até pulou a janela ― Sherlock se defendeu dando de ombros.

O Inspetor arregalou os olhos.

― Deixou uma pular grávida pular a janela?

― Ela se apressou! Nem me esperou dizer que eu conseguia arrombar a porta.

Lestrade suspirou e deixou seus ombros cederem. Sherlock quase riu de seu desespero.

― E o que faço com ela?

Sherlock deu de ombros novamente:

― Anote a queixa dela, faça todos os exames e então prenda Henry Watson. Só precisa da casa para conseguir as provas.

― Só? ― Lestrade franziu o cenho.

― Como eu conheço a lentidão do seu trabalho, tenho certeza de que Watson estará longe quando for indiciado. Então que consiga encontra-lo, Harriet e Clara ficarão sob a proteção do Governo.

― Mycroft?

― Mycroft.

Com uma última olhada para um Lestrade irritado por ter seu dia Sortner interrompido, Sherlock deu as costas e se afastou até a sala, então parou diante da cena a sua frente. Era muito comum ver os pares se abraçando como se não fossem ter mais chance para repetir o ato, porque, querendo ou não, a maioria era sentimental demais na maior parte do tempo. Mas naquele momento, vendo Harriet e Clara se abraçarem, e as lagrimas em ambos os rostos, compreendeu o sentimento. Mesmo sem um parceiro, conseguia imaginar como era ser ligado a alguém e esse alguém, de repente, estar longe demais, em perigo. Deveria ser desesperador.

― Posso interromper? ― pediu forçando um sorriso ao entrar na sala.

Stone, o cachorro, imediatamente se animou e pulou ao redor de suas pernas enquanto as duas mulheres se afastavam, sorrindo e tentando se recompor.

― Claro, Sr. Holmes ― a mulher de cabelos castanhos se adiantou ― Eu sou Clara e preciso agradecê-lo por tudo o que está fazendo.

― Não me agradeça ainda ― Sherlock retorquiu distraído, tentando afastar o cachorro. ― Guarde para quando eu encontrar Henry Watson.

― E como ficaremos até isso acontecer? ― Harriet quis saber. ― As ameaças...

― Vão ficar em um local seguro cedido pelo Governo, lá encontraram o necessário para o bem estar de vocês duas... e do bebê.

Os sorrisos de ambas aumentaram.

― Muito obrigada, Sr. Holmes ― Harriet agradeceu.

Sherlock não quis ser repetitivo quanto ao agradecimento precipitado, então apenas forçou mais um sorriso ainda tentando afastar o cachorro, empurrando-o com os pés.

― Ele gostou mesmo de você.

― Isso ajuda muito ― Mycroft comentou parado a porta, olhando-o com curiosidade.

Sherlock arqueou uma sobrancelha em questionamento, mas bastou alguns segundos para deduzir o obvio.

― Eu não vou cuidar do cachorro.

Mycroft sorriu de forma convencida e se aproximou, respondendo:

― Um animal chama muita atenção completamente desnecessária quando se está escondido de um... maluco, principalmente um Beagle que parece ter um apreço exagerado por humanos.

― Então pague alguém pra ficar com ele ― Sherlock insistiu.

― Não seja tolo, Sherlock ― o mais velho revirou os olhos. ― É apenas um cachorro e é por pouco tempo. De acordo, srta. Watson?

― Claro ― Harriet concordou avidamente. ― Stone já gosta dele.

Foi a vez de Sherlock revirar os olhos.

― Eu não acredito que-

Não conseguiu completar quando sentiu uma pontada dolorosamente aguda no ombro esquerdo. Com uma careta, imediatamente apertou o local tentando suprimir a sensação, ainda assim um gemido de dor escapou de sua garganta.

― Sr. Holmes?

Quando a dor se tornou mais amena, o detetive ergueu a cabeça e encontrou três pares de olhos o fitando com preocupação, incluindo seu irmão.

― Será que podem esperar lá fora? ― pediu Mycroft. ― Preciso de um momento a sós com meu irmão.

Quando as duas mulheres saíram em silêncio, o Holmes mais velho apenas fechou a porta e em seguida caminhou ao longo da parede, fechando as persianas da janela e impedindo a visão externa.

― Isso não é necessário ― Sherlock tentou protestar quando irmão começou a se aproximar.

Mycroft franziu levemente o cenho e manteve o olhar determinado até Sherlock bufar contrariado, retirando o sobretudo e sentando na cadeira mais próxima.

― Estou bem ― o mais novo tentou novamente enquanto abria os primeiros botões da camisa social.

― Não é esse o ponto.

Com a camisa branca suficientemente aberta, Mycroft afastou a parte superior até o ombro esquerdo ficar exposto por completo. Franziu o cenho com a visão.

― Muito ruim? ― Sherlock quis saber.

― Está arroxeado... e parece que vai ficar assim por um bom tempo ― Mycroft respondeu concentrado antes de apertar levemente o local, fazendo outro prender a respiração. ― Dói?

― Claro que dói, foi um tiro.

― Como tem certeza de que foi um tiro?

― Eu senti ― Sherlock sibilou o fuzilando com o olhar. ― Provavelmente só senti um terço da dor, mas já deduzi com menos.

Mycroft suspirou e se afastou, pensativo:

― Pelo menos agora sabemos que, onde quer que esteja e quem quer que seja, seu Sortner está vivo. E aparentemente ele sofre tanto quanto você sofria na escola.

Sherlock se limitou a apenas fazer uma careta de desgosto e fechar a camisa.

― Como consegue ter tanto azar, Sherly? ― Mycroft abanou a cabeça, lamentando. ― Como consegue ser tão ligado fisicamente a alguém que sequer viu? É tão raro até dentro da normalidade, mas aí está você, recebendo as marcas de um desconhecido.

O detetive compreendia a preocupação na voz de Mycroft, porque ele próprio a compartilhava. Mesmo os pares sendo mais próximos entre si do que com os familiares consanguíneos, a intensidade da ligação era mais emocional, raramente física e quase nunca ambos. Assim a ligação se intensificaria diretamente proporcional a proximidade que possuíam e desse modo os parceiros não só sentiam uma parcela da dor do outro, como também poderiam controlá-la. Qualquer dor e sentimento paralisador de um não seria um problema para o outro, afinal, um Sortner possuía os instintos ideias para lutar pela sobrevivência de seu companheiro e não morrer com ele.

― Não pode ser tão ruim... ― Sherlock tentou brincar. ― Lestrade e Molly são muito unidos, física e emocionalmente.

Mycroft crispou os lábios, nitidamente enciumado.

― Sim, mas eles se conhecem desde a infância e, ainda assim, Molly quase nunca recebe as marcas que Greg ganha como policial.

O pequeno sorriso de Sherlock sumiu. Era verdade.


28 Mars 2018 14:21:30 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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