hieroway hieroway

Frank Iero sempre foi um rapaz com muitos sonhos na cabeça. Cresceu cercado de pôsteres colados na parede de seu quarto e o prazer de tocar e encantar. Aos 20 anos, conheceu Gerard, alguém completamente distinto de tudo o que estava acostumado. Centrado, estudioso, com grandes planos para o futuro, já que "sonho" era muito pouco para ele. Way se encantou com o jeito leve de Iero, sempre de bem com a vida, com aqueles olhos brilhantes e riso fácil, sua paixão pela música e o sonho de um dia ser um astro do rock. No entanto, essa paixão se tornou algo beirando a obsessão e logo as divergências de opiniões apareceriam, colocando a prova o amor dos dois.


Fanfiction Groupes/Chanteurs Déconseillé aux moins de 13 ans.

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Histoire courte
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Capítulo único

27 de outubro de 2016

Corri para baixo de uma marquise para me proteger da chuva. Gerard logo chegaria e eu não via a hora de abraça-lo depois das longas horas que passamos separados durante mais da metade daquele dia. Mandei-lhe uma mensagem simples para avisar que já estava o esperando e ali fiquei, molhando-me por completo, devido ao vento acompanhado dos grossos pingos da chuva.

Observei as pessoas que esperavam seus respectivos transportes, cada uma em seu mundo particular, reclamando com o vento a respeito da mudança do clima repentino e ri ao perceber que eu poderia me enquadrar perfeitamente naquela situação, com meu mau humor constante e a péssima mania de reclamar de tudo.

Na maioria das vezes, acordava batendo as coisas por ser muito cedo, pela falta de dinheiro e das infinitas contas que chegavam. Reclamava pela minha banda favorita ter acabado, dos professores chatos, da louça suja na pia da cozinha e por ter que andar demais.

Quando, na verdade, eu deveria agradecer por tudo isso. Simplesmente por acordar. Agradecer por a banda um dia ter existido, de ter condições de cursar uma faculdade, de ter o que comer e ter a capacidade de andar.

Já tentei mudar isso inúmeras vezes, mas sempre acabava reclamando por ser assim. Essa, definitivamente, é uma das características que eu não consigo mudar em mim, por mais que tente e me esforce muito.

Gerard me repreendia bastante a respeito disso, além do pavio curto, que me fazia explodir e fechar a cara por qualquer motivo bobo. Muitas vezes, era ele quem se tornava o chato por sempre reclamar desse meu jeito. Acho que é aquela velha história de que uma mão lava a outra, ou seja, eu teria que mudar para muda-lo.

Éramos o casal perfeito, daqueles que você olha e até estranha, já que raramente brigamos e sempre é por algo fútil, que se resolve com uma boa dose de cócegas e sexo, seguido de uma boa noite de sono com seu pênis roçando em minha bunda pela posição que gostávamos de dormir.

Todo casal tem diferenças, é claro, e conosco não era diferente. Nossos gostos eram completamente distintos. Eu gostava de rock, ele de lírico. Eu gostava de escrever, ele de desenhar. Eu gostava do básico, ele não se contentava com pouco. No entanto, isso nunca nos atrapalhou, resolvíamos bem ouvindo um ao outro falar de algum assunto que não estava na lista de favoritos, apenas para ouvir, mostrar que estava ali. É assim que nos completamos, nas diferenças.

Depois que o conheci, minha vida mudou completamente, para melhor, devo afirmar. Seu modo de ver a vida era totalmente diferente do meu e aquilo me encantou. Um jovem com planos, não sonhos longínquos, metas a serem seguidas e um objetivo a ser alcançado. Sua personalidade forte, seguindo o ariano que é: explosivo, impulsivo e enérgico; quer tudo à sua maneira e em sua hora, ai de quem se mete em seu caminho. Quer conhecer o mundo, construir uma família, ter uma boa casa, como no típico sonho americano, apenas mudando a parte de que a grama do vizinho sempre será mais verde, pois ele lutaria de tudo para ganhar um concurso da grama mais verde da vizinhança se fosse preciso para ser o melhor.

Enquanto eu era um ferrado antes dele, completamente sem liberdade, recriminado pelo pai por conta da homossexualidade; mãe frustrada pela separação mal resolvida e a vida amorosa na merda; me recuperando de uma depressão e sem rumo para tomar na vida. Não conseguia me concentrar nos estudos, e, por isso, não consegui uma boa faculdade na época, apenas aumentando a cota de decepções para meus pais.

Após sua chegada em minha vida, ele me mostrou que as coisas não são como em um livro de romance, em que o mocinho e a garota mais bonita da festa ficam juntos no final. Que a vida real tem muito mais com o que se preocupar; me ensinou a malícia, não no modo chulo da palavra, mas no sentido de prestar atenção aos detalhes e não confiar em alguém de primeira só porque ele tem um sorriso bonito ou uma lábia de dar inveja (o que ele tinha muito, por sinal).

Meu maior sonho era me tornar um astro do rock, viver da música, fazer o que realmente amo, e ele sempre me apoiou quando tinha algum teste de banda para participar, mesmo sabendo que eu deveria arrumar um trabalho e parar de pensar apenas nisso.

Às vezes até sentia certo medo de...

— Oi gatinho, vem sempre aqui? — fui interrompido por aquela fala arrastada que eu tanto gostava. Gerard havia chegado e eu sequer percebi que tinha parado de chover.

Havia acabado de acender um cigarro e tragava-o lentamente enquanto sorria para ele.

— Como foi no trabalho? — perguntei e o agarrei pelo pescoço, beijando-o, ignorando os olhares recriminadores que poderíamos receber. Ele me contou sobre sua exaustiva rotina e finalizou me perguntando como foi a aula, que foi prontamente respondida com um chato com as vogais arrastadas.

— Dorme comigo hoje? — sussurrou em meu ouvido de modo sedutor, (como se quisesse me convencer de algo, caso já não morássemos juntos) o que me causou arrepios instantâneos e um sorriso escancarado no rosto. — Por favor, Frankie... — murmurou.

— Vai ter que fazer melhor que isso, baby. — Provoquei, despertando seu lado safado bem no meio de um terminal de ônibus. Ele começou a gemer baixinho em meu ouvido como se não houvesse uma dúzia de pessoas ao nosso redor, que, graças a um ser superior, estavam completamente absortos ao resto do mundo. — Tudo bem, você venceu! — cedi, fingindo-me de contrariado, mas me segurando para não rir. — Estava pensando que a gente podia ir viajar. O que acha? — perguntei, imaginando nós dois naquele chalé maravilhoso que encontrei na internet.

— O quê?! Nós não temos dinheiro, Frank. Além do mais, falta menos de dois meses para visitarmos sua mãe em Jérsei.

— Mas e se... — tentei argumentar, porém fui interrompido.

E se nada, Iero. Prioridades, conhece essa palavra?

Murchei de imediato. Estava tão animado com a possibilidade de viajarmos juntos, que ser contrariado dessa maneira me deixou mal, mas como odeio ficar nesse clima com ele, lhe dei meu melhor sorriso e ficou tudo bem, como sempre fica.

— Nosso ônibus, vamos! — disse ele, subindo pela porta do mesmo.

Joguei o cigarro no chão e o amassei com a ponta do tênis, sentindo pela metade daquele tubo branco viciante que foi desperdiçado. Sentei ao seu lado e pus meu fone de ouvido, ainda de modo que pudesse ouvi-lo. Minha playlist habitual começou a tocar e eu o ofereci o outro fone, que prontamente negou, fechando a cara.

— Não sei porque ainda pergunto. — resmunguei, todavia lembrando do que a pouco aconteceu e na minha péssima mania de querer estar “de bem” sempre. — Será que você pode me dar uma opinião? — revirou os olhos, porém ainda assim pegou o fone, murmurando consigo que não merecia aquilo. Intercalei de música e ele bufou, escolhendo a primeira opção, logo jogando o fone de lado e encostando a cabeça na janela, fechando os olhos. Enquanto eu imaginei que estivesse cansado após um dia de trabalho e resolvi não incomoda-lo, por isso voltei minha atenção para o celular.

Chegando em casa, Gerard continuava com a expressão fechada e deitou na cama sem dizer uma palavra. Fui para a cozinha, a fim de lavar a louça que deixamos pela manhã e logo me esgueirei ao seu lado na cama.

— Vem tomar banho comigo, porquinho. — chamei-o e ele recusou com um “Depois eu vou” mau humorado.

Dirigi-me ao banheiro e permiti que algumas lágrimas rolassem e se misturassem à água quente do chuveiro, que fiz questão de deixar bem quente, à ponto de deixar minha pele avermelhada. E eis que mais uma de minhas péssimas manias se mostrou.

Sempre que algo de ruim acontecia, os pensamentos recorrentes de quando a depressão ainda fazia parte de minha vida voltavam com tudo e me faziam querer me machucar propositalmente. Como prometi para Gerard que nunca mais me cortaria novamente, assim o fiz, mas não conseguia conter os arranhões e apertos em minhas pernas sempre que brigávamos. Aquilo só o irritava mais, mas era algo mais forte do que eu e extremamente difícil de controlar.

Balancei a cabeça e tentei fugir da vontade que ainda me consumia e vesti uma roupa simples, indo para a cozinha, passando pelo quarto apenas para encostar a porta. Conectei meus inseparáveis fones de ouvido e concentrei-me em preparar o jantar.

Como se meu celular tivesse um sensor para identificar meu humor, ele pulou de uma música triste, para outra mais triste ainda, fazendo-me comprimir os lábios para não chorar novamente.

Algumas lágrimas rolaram, não pude controlar, ainda mais quando Hayley Williams cantou Last Hope em meus ouvidos, me fazendo refletir com a letra da música e me fez pensar que minha última esperança qualquer hora iria descer pelo ralo assim como o resto de amor próprio que ainda havia em mim.

Com o jantar pronto, minha fome foi para o caralho, e quando voltei para o quarto, Gerard já havia tomado seu banho e mexia no celular, como antes.

— A comida está pronta, quer comer? — Apenas um não extremamente seco foi a resposta que recebi. Me aconcheguei nas cobertas e tentei abraça-lo, porém mais uma vez fui ignorado. — O que está acontecendo com você? — perguntei, insistindo para que falasse, sentindo que estava cutucando a onça com vara curta e me arrependeria depois.

— Você deveria saber. — Foi tudo o que disse. Apenas virei para o lado e me contive para não chorar, sabendo que aquilo só o irritaria mais.

— Foi por causa do que te perguntei? — deu de ombros. — Foi por causa de uma maldita opinião, Gerard? É sério?! — Eu queria, queria mesmo não ter falado nada, mas eu não aguentaria ficar assim por mais tempo, precisava resolver na hora ou entraria em ataque.

— Não foi por causa de uma “maldita opinião”, Iero. Foi apenas a gota d’água. E não quero falar sobre isso. Respeite! — falou, sem tirar os olhos do celular. Bufei e voltei para o meu.

— Desculpe-me se quero saber a opinião do meu namorado.

Mandei uma mensagem para Bert e contei por cima o que estava acontecendo, que tentou me ajudar da melhor maneira possível, inclusive me indicando desenhos animados para parar de pensar no assunto.

Segui seu conselho por apenas cinco minutos, já que minha fértil imaginação não permitiu que eu assistisse uma maldita animação sem pensar para onde iria caso ele terminasse comigo hoje mesmo. Cenas passavam pela minha mente e a perfeição das palavras me machucaram, mas não tanto quanto ver Gerard levantar de nossa cama com o travesseiro em mãos e sair do quarto.

— O que está fazendo?

— Esse será meu quarto agora. — murmurou, como se fosse a coisa mais simples do mundo, arrumando o lençol em cima da cama de solteiro que havia no quarto de hóspedes.

— Você está terminando comigo, Gerard?

— É isso o que você quer. — disse, frio.

Não foi uma pergunta, eu não ouvi errado! Como ele pode afirmar que é isso que eu quero?!

— Você só pode estar louco! Senta aqui e vamos conversar. O que te faz pensar que é isso que eu quero? — falei calmamente, puxando-o pelo braço para que sentasse na cama.

— Suas atitudes, Frank. Nós não temos conversas mais, já que você só sabe falar de duas coisas. Se tornou insuportável. Não há o que falar.

— Tudo bem, já entendi. Realmente não há o que conversar. — disse e saí, voltando para o quarto onde um lado de uma cama de casal ficaria vazio naquela noite.

— Tá vendo? Esse é o seu problema. — Gerard apareceu na porta, mais irritado do que antes. — Tudo pra você é “tá, tudo bem”, fugir da conversa, das responsabilidades, tentar resolver varrendo tudo para debaixo do tapete.

— Pra que conversar se tudo o que você faz é me machucar? Gritando feito um louco. Mas se quiser falar direito comigo, estou aqui.

— Frank, não dá mais. Você nem ao menos tenta. Suas atitudes a respeito de brigas sempre são as mais infantis possíveis, você só sabe chorar e pedir desculpas. Já conversamos sobre isso um milhão de vezes e você nunca me escuta. Você só pensa nas suas bandas, nas suas histórias, nos seus amigos de grupo e esquece a nossa vida. Suas prioridades são diferentes das minhas e se for para ter um namorado alienado que não caminha ao meu lado, eu não quero. — cuspiu as palavras em cima de mim e eu fiquei impressionado por não ter desabado em lágrimas ali mesmo. — Você usa nossa vida para escrever, Frank. Você passou do nível “escritor sexy” que eu enxergava e agora escreve por visualizações.

— Ser minha fonte de inspiração é tão ruim assim?

— Inspiração é uma coisa, o que você faz é outra! Você usa nossas brincadeiras, nossas fantasias e cria situações impossíveis na cabeça, sendo incentivado por essas pessoas que você chama de amigos. Porra, quer um grupo de escritores? Tem vários, posso te indicar alguns até, mas isso não é hobbie, é obsessão. Você faz da nossa vida um conto de fadas que não existe.

— Às vezes queria que fosse mesmo, nos pouparia de situações como essa.

— Você nem ao menos nega! Não tenta mudar... Você sabe muito bem pelas coisas que passei e coisas que realmente odeio e faz exatamente igual! Nós já tivemos essa conversa várias vezes, você diz que vai mudar e nunca muda, nem por um mísero dia!

De repente lembrei-me de um ex que ele descreveu, no qual era completamente fissurado por animais, deixando-o propenso a nunca mais ter nem um peixinho dourado.

— Eu sinto falta do que você era, Frankie. Sinto falta daquele menino sorridente que dançou para mim no dia em que nos conhecemos. Não sei se você apenas mudou ou se fingiu esse tempo todo e eu caí como um bobo. — falou, tentando segurar as lágrimas que brotavam em seus olhos. — Você não enxerga? Não percebe que é você quem está ruindo nosso amor? — E aquela foi a gota d’água para mim. Já que tudo o que ele conseguia fazer naquele momento foi me machucar. — Você não tenta... Insistiu tanto para que eu falasse para agora ficar calado? — disse, com notável exaustão na voz.

— Eu tenho chance, Gerard? Eu tenho alguma porra de chance de falar? Tudo que você falou agora entrou aqui como uma lança em meu coração. Eu tento, puta merda, como eu tento fazer tudo certo, mas não consigo, eu sou humano e erro como qualquer outro. Não acho justo você cair em cima de mim só porque seus gostos são diferentes dos meus.

— Engloba muito mais do que apenas gostos diferentes, você ainda não percebeu? É tudo o que vem acontecendo ultimamente. Você só reclama, parece que é um martírio estar aqui quando as contas começam a chegar, ou pior, você finge que nada acontece e se fecha nesse seu mundinho imaginário com seus amigos. É Bert pra cá, Bert pra lá. Por que não esquece que saiu de Nova Jérsei e entende que essa aqui é a sua vida agora? Não dá pra você achar que a sua vida vai ser aquilo pra sempre ou os romances que você escreve. Sai da bolha, Frank! Eu não sou sua mãe ou seu pai para ficar te dando bronca o tempo todo. Está na hora de amadurecer. Isso aqui é a vida real, onde você leva porrada sim, mas também precisa aprender a se levantar ou vai levar mais e mais chutes. — falou, sem levantar a voz, o que foi quase um milagre.

— Eu não sei o que fazer, Gerd. Eu realmente não sei! — falei, transformando a frase num sussurro exasperado ao que fui levado pelas lágrimas.

— Esse é outro problema. Você nunca sabe de nada! Se eu soubesse disso desde o início, nunca teria saído daqui...

Levantou-se como quem vai embora de um estabelecimento e me deixou sozinho naquele quarto, para pensar mais uma vez em que nada muito perfeito dá certo, desafiando todos os pensamentos a respeito de nós que tive mais cedo.

26 Février 2018 12:43:37 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

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