nolongerstella 96hime

O fato é que Chuuya gostava do natal e Dazai gostava de Chuuya, então a época acabou se tornando especial para eles – dois pirralhos perdidos que aprenderam a ter um ao outro ao menos em um dia, ao menos no natal.


Fanfiction Interdit aux moins de 18 ans.

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Histoire courte
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merry christmas

Era véspera de natal – Dazai e Chuuya não precisavam mais de desculpas esfarrapadas para se verem.

Quando Chuuya entrou em seu apartamento, Dazai já o esperava. Pode parecer mentira, mas ele tinha a chave. Na verdade, ambos tinham a chave um do outro, assim, quando precisavam se usar, as coisas se tornavam mais simples: não era preciso que abrissem a boca e começassem o que poderia terminar em mais alguma discussão exaustiva; só apareciam assim, do nada no apartamento do outro e todo anseio em potencial se acalmaria com poucas palavras e muito sexo – para eles, a resolução mais apropriada para problemas de qualquer natureza.

Apesar da visita repentina, Chuuya já o esperava, portanto, ao abrir a porta e dar de cara com Dazai jogado no seu sofá, bebendo do seu vinho, o ruivo não se surpreendeu. Ficou com raiva pela cara de pau dele, claro, mas não surpreso; isso porque era véspera de natal. Era costume que os dois ficassem juntos entre os dias 24 e 25 de dezembro – algo tão natural quanto a neve, lá fora, cobrindo a cidade de branco.

Mas esse pequeno ritual deles não começou de propósito. Nos primeiros anos era apenas coincidência, talvez fosse até inevitável, sabe, dois meninos da mesma idade na máfia... é meio óbvio que eles iriam acabar juntos, afinal, não tinham amigos ou família para visitar. No início, Chuuya gostava do natal, pode-se dizer. Ele era aquele tipo de criança que se encantava facilmente por coisas bonitas, e Yokohama no natal nunca o decepcionava. Naquela época ele ainda era ingênuo o suficiente para crer que, na vastidão de luzes que brilhava na cidade, em algum lugar, em algum momento, encontraria um lugar só seu. Mesmo sozinho, quando via tantas famílias inteiras e felizes, não se aborrecia – acreditava que um dia seria ele a experimentar dessa felicidade ordinária, que os mafiosos por natureza desconhecem.

Dazai, por outro lado, se incomodava profundamente com os cenários aparentemente inofensivos que o natal podia proporcionar. Como diabos algumas luzes e trocas de presentes poderiam fazer com que todos de repente parecessem tão felizes? Todas as pessoas eram assim? Por que, fosse natal, ano novo, páscoa ou qualquer outra merda, ele não conseguia sentir nada? Ah, essas dúvidas enchiam de desespero seu peito enfaixado mesmo quando criança; contudo, por algum motivo desconhecido, quando estava com Chuuya podia se ver quase livre de suas preocupações existenciais rotineiras.

O fato é que Chuuya gostava do natal e Dazai gostava de Chuuya, então a época acabou se tornando especial para eles – dois pirralhos perdidos que aprenderam a ter um ao outro ao menos em um dia, ao menos no natal. Eles eram família; não como as que andavam juntas nos shoppings, se enchendo de tralhas caras e mediocridade, e sim como conseguiam ser. Se estavam certos ou errados não sabiam, mas também não pensavam sobre isso. Viviam à sua própria maneira, até porque nunca lhes foi dito como se vivia corretamente.

Agora, como a relação desses dois garotos se tornou tão desgastada que apenas dividir o mesmo ar se tornava tão insuportável? Talvez fosse cortesia hormonal da adolescência: nervos à flor da pele, bombas de ansiedade presas na garganta, incompreensão mútua... o problema dessa idade é que sempre buscamos que o outro nos entenda quando nós mesmos não somos capazes de fazê-lo, o que, inevitavelmente, causa mais sofrimento do que se é possível tentar descrever em algumas palavras. Vai ver fosse assim para eles também, dois adolescentes que, mesmo em situação semelhante, não conseguiam perceber um no outro qualquer sinal de alívio para o vazio que os consumia de dentro para fora.

Mas isso era fácil de se resolver com sexo.

Quer dizer, não é como se algo de fato fosse resolvido; mas, quando estavam com os corpos unidos, entregues ao instinto que os faziam se buscarem desesperadamente com os quadris, as coisas não pareciam mais tão ruins. Era um vício. Mesmo que se odiassem, nessa hora calavam a boca e usufruíam um pouco do calor do outro.

Enfim, ambos já eram indiferentes quanto ao natal; Chuuya ainda gostava de coisas bonitas, mas já havia aceitado que o único lugar que o acolheria era a máfia, então pro inferno o resto. Com bom vinho e sexo poderia aproveitar um pouco a vida mesmo que, para si, não restasse muito além de previsibilidade e tédio. Dazai pensava parecido, exceto pela parte de conseguir aproveitar alguma coisa. Ultimamente ele apenas se afundava mais nos desprazeres de se estar vivo, sozinho, sem sinal aparente de salvação... Ainda assim, sem um verdadeiro motivo, eles se encontraram no natal; mesmo que não significasse nada, lá estavam, de cara um para o outro graças ao mal hábito escapista de ambos.

― Estava esperando você. ― Estirado no sofá no centro da sala de Chuuya, Dazai sorria; as pernas cruzadas, a camisa amassada, uma taça de vinho em mãos e o olhar presunçoso de sempre. Sem o sobretudo que costumava dar-lhe uma aura meio sombria, condizente com o tipo de trabalho que realizava, Dazai parecia mais com o adolescente que era – um bem despreocupado e desleixado, por sinal.

― Mas que inferno! Se você bebeu todo meu vinho eu te mato, desgraçado! ― E Chuuya queria mata-lo mesmo, mas quando cruzou a sala a passos pesados e agarrou Dazai pela camisa, foi desarmado pelo toque dos lábios que tanto odiava. O aroma do vinho estava o embriagando – Chuuya gostaria de argumentar; mas o que realmente deixava suas pernas bambas era Dazai, o gosto de álcool que sentiu quando a língua dele pediu passagem entre seus lábios era só um detalhe.

Depois, é fácil de se imaginar o que se sucedeu. Chuuya foi o primeiro a acabar sem roupas, deitado sobre o carpete da sala. O beijo quase casto que estreara a noite havia se transformado num envolvimento puramente carnal, capaz de fazer com que ambos se perdessem conforme suas línguas se encontravam. Daí resultaram os puxões nos cabelos, os arranhões, as mordidas... quase como se as preliminares deles fossem uma briga, daquelas bem feias; mas era assim sempre, até que Dazai, após vagar demoradamente pelo pescoço, peito, barriga e coxas de Chuuya, tocasse onde realmente interessava.

― Chuuya... olha pra mim. ― A voz de Dazai parecia se derramar sobre o ruivo como mel; difícil de ignorar. Um pouco hesitante, ele olhou para o homem entre suas pernas para o ver sorrindo, dessa vez, mais pervertido do que o habitual.

― Tsch... ― O resmungo de Chuuya só fez com que Dazai sorrisse mais ainda e levasse os lábios até a única peça de roupa que o outro ainda vestia: as cuecas.

De repente começou a ficar muito calor para os dois: para Chuuya, que tinha a paciência testada através dos beijos nada contidos sobre seu pênis, e para Dazai, que tinha que se esforçar para controlar seus instintos quando já podia sentir o gosto de seu parceiro mesmo separado dele por aquele pedaço de tecido... ah, foda-se o controle. Para que calma quando poderiam foder? Foi o que se deixaram fazer.

Quando se livrou da roupa que separava seus lábios da carne de Chuuya, Dazai fechou os olhos e suspirou. Cheiro de sexo. Logo depois, gosto ácido na boca, meio salgado. Dazai gostava; o sugou como queria sem desviar-se da mira de Chuuya, celeste, quase como o próprio céu, seu Paraíso... Dos testículos até a glande, distribuiu seus melhores chupões, carícias com a língua e às vezes alguma mordiscada quase inocente só para sentir Chuuya tremer até os ossos, falhar em conter sua voz... Nisso, o ruivo estava prestes a ter um orgasmo – devorado não apenas pela boca quente de Dazai, como também pelos olhos selvagens dele, castanhos dum vulcão vivo, faiscando fogo. Ele provavelmente se queimaria, mas era impossível de se escapar. Ah, mas não queria escapar... foi do que Chuuya se deu conta quando lhe agarrou pelos cabelos e gozou (as costas meio arqueadas, alguns músculos retorcidos em espasmos não tão desagradáveis). Olhou bem para a expressão que tomava o rosto de Dazai enquanto ele o tinha na boca. Nem sinal daquele sorriso arrogante agora, né? Chuuya preferia mil vezes essa cara pervertida – os fios de cabelo escuros misturados ao suor, os olhos marejados, a boca cheia de porra... assim combinava melhor com quem eles realmente eram.

E o fim do orgasmo de Chuuya deu início à noite. Daí vieram mais beijos, agora muito mais depravados, já que não continham apenas saliva e vinho, e toques muito mais desesperados, porque após sentirem um ao outro dessa maneira, o natal só poderia acabar de um jeito – um que envolvia Chuuya sobre Dazai o despindo, afrouxando as ataduras sobre o corpo dele para que seus lábios encontrassem algum pedaço de pele. Mesmo que junta ao tecido, Chuuya não odiava a sensação da pele meio áspera dele, marcada por mais cicatrizes do que qualquer um dos dois se preocupava em contar.

Então, sexo. Chuuya movimentando os quadris e Dazai, sentado no carpete com as costas apoiadas pelo sofá, ora cravando os dedos nas coxas do ruivo, ora puxando-o pela gargantilha para beijá-lo foi o que se sucedeu. Mesmo que não conseguissem manter um beijo enquanto buscavam por ar e gemiam o nome um do outro, as bocas se aproximavam e em sopros e suspiros eles se compartilhavam; quentes e um pouco roucos.

Dessa forma, trepidavam, gozavam, pausavam por cerca de três minutos e repetiam; simples assim.

No sofá, Chuuya com o rosto apoiado no acento e os pés no chão, os quadris erguidos e as nádegas afastadas para facilitar o trabalho de Dazai.

Contra a parede, Dazai levantando Chuuya pelas coxas, as pernas entrelaçadas ao redor de si o puxando de encontro ao corpo do ruivo.

Na banheira, Chuuya de costas para Dazai, espalhando água a cada investida guiada pelas mãos que ele conhecia melhor do que as próprias.

Na cama, Dazai por cima, os cabelos acastanhados dele despencando através dos dedos de Chuuya enquanto a cama gemia a cada movimento vicioso que faziam...

Daí, fogos de artifício pela janela. Devia ser meia noite.

Não é como se eles tivessem algum interesse pelo que acontecia lá fora, mas quando o quarto escuro onde estavam foi tomado por claridade, não puderam mais ignorar o que havia além deles mesmos. Luzes azuis, verdes, vermelhas e douradas se refletiam na pele clara de Dazai, nos olhos cristalinos de Chuuya... então era natal. Eles sabiam e, através dos fogos que ascendiam e desapareciam, pela primeira vez puderam se ver banhados por cor.

Quando cansaram, ou melhor, foram derrotados pela sucessão de orgasmos daquela noite, os fogos ainda repetiam seus ciclos ínfimos de vida no céu, apesar de nenhum dos dois mostrar interesse pelo que acontecia do outro lado da janela. Deitaram-se, ambos com os olhares presos no teto como se lá tivesse algo de muito interessante, e tudo que podia ser ouvido era o desrítmo de suas respirações e as explosões que se dissipavam acima de Yokohama.

― Feliz natal? ― Não ficou claro se Dazai estava desejando um feliz natal, perguntando se o natal estava feliz ou ainda confirmando se já era, de fato, natal. Talvez ainda quisesse falar algo além disso, ou mesmo nada do que fora aqui especulado, não se sabe. Chuuya não entendeu, mas respondeu da forma mais completa que pensou ser possível no meio segundo que levou para abrir a boca:

― Eu acho. Feliz natal. ― Chuuya virou o rosto para Dazai.

― Eu não comprei nada pra você. ― E Dazai virou o rosto para Chuuya.

― Isso não importa. ― Esticando o braço até o criado mudo ao lado, Chuuya pegou um isqueiro e uma caixinha escura, a sacudindo. Tirou um cigarro e o levou aos lábios, logo após oferecendo a caixinha a Dazai.

― Detesto concordar, mas você tem razão. ― Ele pegou um cigarro e aproximou seu rosto do fogo que Chuuya ascendeu em um click metálico. Por cerca de três segundos, no quarto se ascendeu uma luz que não vinha da rua e, ao se apagar, apenas o silêncio remanesceu; nada além de cigarros queimando, fumaça se dissipando e fogos de artifício morrendo no céu.

Estavam conformados. Os medos deles continuavam os mesmos, as dores também; mas ambos sabiam que seria assim desde o princípio, não sabiam? Entrelaçaram os dedos sob os lençóis e o silêncio prevaleceu sobre os ruídos do coração. Mesmo que a vontade de gritar fosse grande, a voz de ambos sempre falhava em momentos como esse; deixava um vazio na garganta que nem Dazai nem Chuuya sabiam como lidar.

Então se beijaram. A nicotina parecia mais amarga quando trocada com a saliva de outra pessoa, mas os dois não odiavam – por mais estranho que parecesse, os gostos quase completavam-se.

26 Février 2018 04:51:25 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
2
La fin

A propos de l’auteur

96hime uma fujoshi sem salvação que propaga sofrimento através de personagens 2D

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