lys-lopes8215 Cee Bento

"Era uma vez, numa pequena cidade às margens da floresta, uma garota de olhos verdes e louros cabelos cacheados, tão graciosa quanto valiosa. Mas, ela não usava um capuz vermelho e também não tinha medo de um lobo mau. Ela tinha medo de uma serpente. " - Elizabeth nunca fale com os serpentes. - Alertava sua mãe. - Principalmente com o Jughead Jones.


Fanfiction Interdit aux moins de 18 ans.

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Último dia de verão

It's you right there, right there in the mirror

(É você ali, bem ali no espelho)

And you don't wanna hurt yourself, hurt yourself

(E você não quer se machucar, machucar)

Looking too closely, uh

(Olhando muito de perto, uh)

Looking too closely, uh

(Olhando muito de perto, uh)

Looking Too Closely - Fink


Narração da Autora


Era o último dia de verão do último ano escolar para quase todos os adolescentes da Riverdale High. Por esse mesmo motivo tudo parecia tão magicamente nostálgico para grande parte dos jovens daquela região.

E Betty Cooper não era uma exceção aos demais moradores.

O ar cheirava a últimas chances.

E ela não deixaria essas chances passarem por si mesma como fizera nos outros anos.

Aquele era o ano de chutar o balde para muitos - aproveitar os últimos meses de colegial - criando novas lembranças que seriam valiosas alguns anos mais tarde.

Passou as mãos pelos cabelos alinhando ainda mais - se isso era possível - os fios dourados em seu habitual penteado.

Declarar-se ia ao seu melhor amigo e vizinho Archie Andrews.

- Onde a mocinha pensa que vai? Posso saber?

Estava tão distraída com o próprio reflexo que nem reparou em sua mãe, Alice Cooper observando-a com os olhos de águia na soleira da porta.

- Vou me encontrar com o Archie. - Respondeu. - É dia de nos encontrarmos no Pops.

- Último dia de verão. - Comentou aproximando-se da filha. - Eu sei.

Depositou as mãos nos ombros da moça, sorrindo para a mesma pelo espelho.

Olhando de perto as duas eram muito parecidas ambas tinham olhos azuis, narizes idênticos e belos cachos, porém, Betty ainda possuía aquele brilho jovial de inocência que sua mãe deixara para trás.

- Elizabeth eu sei que vocês dois são amigos, mas... - Suspirou fitando-a. - Esse é o último ano de colegial.

A garota olhou para a mãe por alguns minutos - analisando as expressões - mastigando a parte de dentro de sua bochecha.

- Não deixe que ele estrague as suas chances de ir para uma boa universidade.

- Archie não faria nada... - Resmungou confusa.

Alice moveu-se pelo quarto.

- Eu sei, eu sei. - Concordou. - Ele é um bom garoto, mesmo assim...

Betty compreendeu naquele mesmo instante do quê se tratava aquela conversa, - era sobre o melhor amigo do seu melhor amigo - tudo sempre parecia girar em torno dos Serpentes. E o rosto de sua mãe contorcia-se em uma careta desgostosa todas as vezes que o assunto pendia para o lado sul do rio Sweetwater.

- Não pode me pedir isso. - Falou indignada. - Nós somos melhores amigos, mãe!

A loira começou com seus argumentos saturados de tão repetitivos.

- Eu não vou pedir que pare de andar com o Andrews, Betty. Pode ficar calma.

Alice sentou-se na ponta do colchão e deu leves batidinhas do seu lado convidando a mais nova para sentar. Betty deu alguns passos em direção a cama e sentou com delicadeza sobre a colcha florida.

- Porque estamos tendo essa conversa outra vez. - Perguntou receosa.

- Me preocupo com você. - Disse tomando as mãos dela nas suas. - Eu quero que tenha o melhor. Você se esforçou tanto querida. É perfeita em tudo o que faz e tenho medo que possa se deixar levar por um erro bobo como a sua irmã.

Outra vez estavam falando sobre Polly.

Betty mordiscou a parte de dentro da bochecha nervosa. Cansada de ser comparada com a irmã mais velha - e mais cansada ainda de ser rotulada como um produto. Ela se esforçava tanto para ser tudo aquilo que seus pais queriam e não merecer nenhuma confiança.

- Era uma vez, numa pequena cidade às margens da floresta, uma garota de olhos azuis e louros cabelos cacheados, tão graciosa quanto valiosa. Ela era perfeita em tudo o que fazia e tinha um futuro promissor pela frente.

Fechou os olhos quando começou a ouvir aquelas palavras. Elizabeth Cooper realmente estava farta de ouvir aquela história, poderia recitá-la

- A garota vivia com a sua família em uma casa muito agradável e segura. Ela era feliz e a única regra que tinha que seguir era para a sua própria proteção.

- Mãe, eu já conheço o final. - Ela interrompe aquele conto infantil toscamente inventado. - Posso dize-lo agora mesmo se quiser que o faça.

Duas pequenas rugas de expressão surgem entre as sobrancelhas de Alice.

- O final não é a questão aqui, Betty. - Pronunciou com desgosto.

Ela sabia qual era a questão. Não entendia nada sobre a questão - achava tudo ridículo - mas, mesmo assim respeitava. Sua vida era essa afinal.

Ser a garota perfeita. Filha perfeita. Irmã perfeita.

- Estou atrasada. - Mentiu, só queria sair dali logo. - Posso ir, não posso?

- Pode. - Respondeu.

Levantou-se e alisou a calça caqui. Caminhou até a porta e quando estava quase saindo do quarto virou-se outra vez com o dedo em riste e uma expressão estranhamente cansada.

- Elizabeth nunca fale com os serpentes. - Alertou sua mãe. - Principalmente com o Jughead Jones.

[...]

Archie Andrews falava sobre o seu verão - como ele havia passado os dias trabalhando na empresa de construção do seu pai, como havia descoberto uma aptidão incrível para música, como estava empolgado para o início das aulas e até mesmo ousava dizer sobre suas expectativas em ser finalmente o capitão do time de futebol. - ele não parecia dar a miníma atenção se a garota a sua frente tinha algo a falar.

Eles estavam sentados em sua mesa habitual na ChoccoLoja do Pop's - uma lanchonete retro que estava ali a no minimo duas gerações - onde ainda se podia tomar um verdadeiro milkshake com malte e comer os melhores lanches possíveis.

As pernas de Betty grudavam suadas no banco de vinil vermelho e ela pensava entre um comentário e outro - que o ruivo a sua frente soltava alegremente - o motivo de ter vestido aquela saia de lã.

Mais o que ela estava pensando quando comprou uma peça como aquela? Além de quente era curta.

Se os seus motivos para vestir aquela saia sem uma meia-calça fossem sensualizar para o rapaz -que se entupia de batatas e sorria como uma criança travessa - estava falhando miseravelmente.

- Ah! - Ele exclamou. - E sua mãe não vai mais precisar te amolar tanto por minha causa. - Limpou as mãos em um guardanapo de papel, abrindo um de seus sorrisos contidos. - O Jughead não tá mais falando comigo. Aparentemente não somos mais tão amigos assim.

Se ela não o conhece-se desde menina não saberia que aquele sorriso era falso.

Mas, ela o conhecia e sabia que alguma coisa estava errada entre os dois. Eles não se desgrudavam desde os seis anos, muitas vezes deixando-a com ciúmes da amizade que tinham.

- Como assim? - Surpreendeu-se. - Vocês brigaram?

Archie balançou a cabeça sem jeito. Não sentia-se confortável para falar sobre aquele assunto nem mesmo com Betty.

- Não quer falar sobre isso, né? - Archie anuiu com um sorriso tímido. - Tudo bem. - Concordou, tomando as mãos dele nas suas em um subito de coragem ela falou: - Sabe, Archie... - hesitou enquanto escolhia as palavras. - É o nosso último ano. - Os olhos dele iam de suas mãos entrelaçadas para os olhos dela. - Eu acho que estamos prontos para dar um passo a mais na nossa relação...

A sineta acima da porta tocou e Archie soltou suas mãos das de Betty virando-se no banco. O sorriso em seu rosto alargou-se ainda mais dentro do possível, seus olhos pareciam vidrados na direção da bela morena que desfilava até eles em seus saltos de marca.

Betty viu a moça falar com o Pops e seguir em direção a mesa deles, ela podia ver a boca da morena se mexer, mas, não conseguia associar nada do quê ela falava com Archie - os dois riam e trocavam olhares significativos - enquanto, sentia-se a cada segundo mais jogada de lado.

- Verônica, essa é Betty Cooper. - Apresentou. - Minha vizinha e a melhor amiga que você possa imaginar.

Betty murchou com o melhor amiga. Sentiu-se idiota.

Como ela permitiu a esperança criar raízes em seu coração?

- Betty, essa é Verônica Lodge. - Os olhos dele brilharam. - Nossa nova colega de escola e minha companhia para o baile de volta as aulas.

- É um prazer Betty Cooper. - Disse estendendo a mão. Ela parecia simpática e sincera. - Espero que sejamos grandes amigas!

Betty sorriu forçadamente e apertou a mão dela. Estava no piloto automático, não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo.

Verônica sentou-se ao lado de Betty sem ao menos pedir licença, mas, Archie poderia muito bem tê-la convidado a sentar que a loura não teria percebido, estava aérea com a beleza e poder que exalavam da morena.

Rapidamente percebeu que estava sendo deixada completamente de lado. E foi isso o que aconteceu, só Verônica falava naquela mesa e quando ela tentava introduzir Betty - ou por pena ou por educação - na conversa, Archie logo arrumava um modo de voltar a fazê-la falar. E ela falou.

Sobre sua vida em Nova Iorque. sobre suas viagens e festas de milionários.

Quando finalmente recebeu o seu pedido e foi embora prometendo encontrá-los de manhã na escola, Archie suspirava pelos cantos completamente enfeitiçado.

- Ela não é demais? - Perguntou sorrindo.

- Onde você a conheceu?

Foi a resposta de Betty. O sangue de jornalista em suas veias aflorava quando estava com raiva e ela passava a responder todas as perguntas com outras.

- A mãe dela e o meu pai são sócios agora. - Respondeu alheio as coisas ao seu redor. - Não pode contar para ninguém ainda. É segredo.

Archie colocou os cotovelos sobre a mesa e apoiou o queixo sobre as mãos sorrindo sonhador.

- Você vai levar ela no baile? E a nossa promessa?

Betty estava tremendo por dentro. Ela queria gritar.

- Você não levou a sério aquela bobagem de anos atrás levou?

Não havia desdém na voz dele e era isso que piorava tudo para Betty. A inocência de seu vizinho e amigo sobre aquela pergunta só demonstrava o quanto ele estava por fora dos sentimentos que ela nutria.

- Não! - Desmentiu rápida, fazendo pouco do caso. - É só que tomo mundo espera que a gente vá meio que junto.

- Nah! - Sorriu. - Eles esperam que sejamos um casal. Não entendem o nosso amor, os fofoqueiros!

Betty se permitiu sorrir de leve. Afinal, ele dissera que a amava.

- Você me ama? - Falou piscando os olhos verdes.

- Claro que amo! - Archie tombou a cabeça de lado, sorrindo bobamente. - Você é minha melhor amiga!

Era a hora.

- Não! - Exclamou ela. - Não assim. Quero dizer como algo mais.

Levou dois minutos inteiros para que ele pudesse entender o que havia sido dito.

- Ahn... Tá falando como namorada? - Coçou a cabeça meio incerto. - É isso?

- É, Arch, é isso. - Ela sentia que aquilo não ia acabar bem, mas, não podia voltar atrás. - Você acha que pode me amar como sua namorada?

- Não, Betty. Desculpe.

Os olhos dela encheram-se de lagrimas.

- Porque não?

- Eu amo você e não quero te magoar. - A voz dele era macia e verdadeira, seus olhos pareciam tristes. - Mas, eu tô com a Verônica agora. Ela me entende sabe?

Betty fechou as mãos em punho, enfiando as unhas recém pintadas de branco pérola na pele fina de suas palmas.

- Eu entendo você. - Sussurrou. - Te conheço desde os quatro anos.

- Não você não entendeu o que eu...

- Explique! - Interrompe-o.

As próximas palavras de Archie Andrews foram um elogio, mas, aquelas palavras foram 

o principal motivo de vários acontecimentos seguintes. Tanto bons, quanto maus.

- Você é perfeita demais. - Ele disse. - Ninguém nunca será bom o bastante para você. 


26 Février 2018 00:51:31 1 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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À suivre…

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