nathymaki Nathy Maki

Após a separação de Rei e Enji, os Todoroki se mudam para um casarão no topo de uma colina que se localiza ao lado de um Jardim no qual mora um Espírito que troca poemas por Flores do Desejo. O problema? Ninguém nunca viu o Espírito responsável pelo Jardim, muito menos ganhou uma das lendárias Flores do Desejo. Shouto tenta não se deixar levar pelo mistério, mas ao avistar o Espírito, ele fica imediatamente encantado e não se deixar levar é a última coisa em seus pensamentos. (arte da capa por @kinueum)


Fanfiction Anime/Manga Tout public.

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Histoire courte
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Capítulo Único

Notas iniciais: Olá, olá!

Eu deveria realmente estar acabando minhas outras fics em andamento, mas tive essa ideia e pensei "precisa escrever!" e então estamos aqui! De todo modo, o objetivo inicial era para o dia 2: The garden of wishes da IzushouFantasyWeek2023, mas eu atrasei o dia, atrasei a postagem da semana (só finalisei os último parágrafos agorinha, desculpe!), eu sei, então estou postando e cruzando os dedos para me aceitarem mesmo tendo perdido todos os prazos possíveis.

Eu também só tive essa ideia uns dias depois que o tema tinha saído, então pensei, "é, eu posso provar a mim mesma que consigo escrever algo curto e fofo com isso!"

*ri histericamente*

Agora, 9k depois e com um pouco de hurt/comfort se infiltrando, eu sinto que é melhor aceitar que esta é a meu destino.

Eu estou obcecada com a boa relação familiar dos irmãos Todoroki, me processe.

Também recentemente eu estou lendo MDZS, então me baseei em uma das lendas que eles falam no capítulo 45 e dei uma adaptada para cumprir meus próprio propósitos.

De toda forma, espero que gostem!

Boa leitura!


***


Touya encontrou o caminho para o Jardim no terceiro dia após eles se mudarem.

O casarão no topo da colina era a propriedade de verão dos Himura a qual os avós gentilmente cederam para a filha e os netos após A Decisão. Tinha paredes amarelas e mais quartos do que eles poderiam usar, além de um forte cheiro de velho que fazia seus narizes coçarem todas as noites antes de dormir. Havia muito trabalho a ser feito, muita limpeza e caixas a carregar até que pudessem chamar aquele lugar de lar, mas a mãe estava entusiasmada. Livre pela primeira vez da influência do marido, ela descobriu que havia espaço em seu coração para sonhar.

Eles deveriam estar ajudando com a arrumação, mas o pensamento de carregar mais uma caixa sequer fazia seus ombros estremecerem em horror generalizado, de modo que todos decidiram por unanimidade dar uma pausa bem merecida e correr pela propriedade em busca de algo que lhes chamasse a atenção.

Foi assim que Touya encontrou o Jardim.

Em retrospecto, não deveria ser surpresa qual deles se depararia com as sebes altas e muito vivas, esbanjando a cobertura verde e o cheiro intoxicante de flores em plena floração. Touya sempre fora o mais aventureiro entre eles, com Shouto seguindo logo de perto em seus calcanhares, ávido por se provar a altura dos outros dois irmãos, e Natsuo gritando desafios atrás, deixando o papel de mediadora e mantenedora da ordem para uma Fuyumi muito exasperada.

Dessa vez, porém, nem mesmo ela tinha algo a dizer quando todos pararam diante o arco em espiral, admirando as folhas exuberantes e as pétalas cheias de graça que os rodeavam de todas as direções. Haviam lírios brancos tão puros quanto as nuvens mais fofas vistas no céu, lavandas em violeta profundo como tinta fresca em uma tela recém pintada, girassóis que voltavam ao menor raio de sol que espreitava pela copa, um número sem igual de amores-perfeito que formavam um tapete que ondulavam a brisa leve da manhã, cada perfume mais atraente que o anterior, cada tom pintado exatamente pronto para fazê-lo adentrar os caminhos de tijolinho vermelho e nunca mais retornar.

— Tenho certeza de que não deveríamos estar aqui — a garota disse, a mais sensata dos quatro. — Um jardim como esse não deve se manter sozinho, se entrarmos, estaremos invadindo.

— Olha, tem uma coisa escrita nesta parte do muro — Natsuo disse, de repente, afastando um conjunto de ramos que encobriram uma placa de pedra entalhada e de aparência muito antiga. — “Deixai um poema vós que entrais.” — ele leu.

Touya zombou.

— Que besteira. Quem recita um poema apenas para entrar em um lugar?

Eles não entraram no Jardim naquele dia, mas perguntaram à mãe durante a noite se ela conhecia o local.

— Vocês estão falando do Jardim do Espírito das Flores do Desejo? — Quatro pares de olhos a encararam com atenção e Rei sorriu para si mesma com alegria. A domesticidade da cena era algo que ela vinha ansiando por tanto tempo que tê-la agora a fazia sentir como se pudesse começar a chorar a qualquer momento. — Muito bem, vocês querem ouvir a história? — Todos assentiram com entusiasmo e curiosidade crescentes. — Isso foi algo que meus pais me contaram enquanto eu passava meus verões aqui e que os pais deles contaram a eles e foi assim por várias gerações. Há muito tempo nessa região existia um jardim no qual habitava um espírito. Se alguém recitasse uma poesia e o espírito gostasse, ele concederia ao portador uma flor dos desejos com o poder de realizar um único pedido de seu coração; mas se considerasse a poesia ruim ou fosse ofendido de algum modo, ele atiraria uma flor de ofensa no rosto da pessoa e a expulsaria do Jardim sem nem mesmo mostrar sua face.

— Como o espírito foi parar lá? — Shouto perguntou, interessado. Para ele parecia tempo demais para se passar sozinho.

A mãe sorriu e passou os dedos pelos cabelos do filho mais novo, voltando à história.

— Dizem que o dono do Jardim era um poeta e que ele mesmo plantou aquelas flores e as tratava como velhas amigas, recitando poesia em seus caminhos todos os dias. Tocado pela emoção da poesia, um espírito se materializou da flora do jardim e se transformou no Espírito das Flores do Desejo, em atenção ao primeiro e único pedido que o dono do Jardim lhe fez.

— E essas Flores do Desejo funcionam mesmo? — foi a vez de Natsuo questionar, um brilho de cobiça em seu rosto.

— É claro que não, tudo não passa de uma história.

— Touya! — Fuyumi repreendeu.

A mãe riu com o embate e abaixou o tom para criar um clima, sussurrando alto o suficiente para todos ouvirem:

— Muitas pessoas vieram até aqui com doces poemas e rimas delicadas em suas vozes, mas parece que o espírito não concedeu uma Flor do Desejo a nenhuma delas.

— Viu só, se ninguém pode conseguir uma é porque elas não existem — Touya disse com arrogância, o tom de voz de quem está na idade daqueles que pensam que o mundo inteiro precisa se curvar diante de si.

— Ah, é? Aposto que está dizendo isso porque não consegue fazer com que ele apareça e dê uma para você! — Natsuo desafiou com ares de superioridade.

As bochechas de Touya coraram.

— Você não sabe do que está falando — ele rebateu. Não gostava de ser desafiado pois sempre se sentia compelido a provar que podia fazer o que estava sendo questionado. — Amanhã você vai ver só, eu vou fazer esse tal espírito aparecer e me dar uma Flor do Desejo!

— Então eu quero ver!

— Pois vai mesmo!

Fuyumi apenas soltou um suspiro cansado, já sabendo onde aquilo tudo iria parar, e trocou um olhar com a mãe que apenas lhe sorriu com ternura, sabendo que ela estaria lá para tomar conta deles caso algo acontecesse. Shouto ouviu a troca de insultos sem muito interesse, concentrado em comer o seu macarrão em silêncio e pensar que, fosse o que fosse que Touya planejasse fazer, aquele espírito deveria ser muito mais inteligente do que isso para ter passado tanto tempo sem conceder uma única flor.

Na manhã seguinte, eles se reuniram novamente diante das sebes verdejantes e arriscaram o primeiro passo para entrar no Jardim. Foi como adentrar um mundo completamente diferente. Borboletas circularam suas cabeças e pousaram nas pétalas, sugando o néctar doce e exibindo as asas em suas colorações exuberantes; abelhas zumbiam por seus ouvidos, carregando mel em suas patas. E haviam as flores, preenchendo o verde das árvores, grama e arbustos com cor e beleza rara e voluptuosa a cada espaço que seus olhos encontravam.

A tentação de sair do caminho de tijolinhos e colher grandes buquês de crisântemos tão dourados quanto a luz do sol era grande, mas eles tinham vindo com uma missão e não podiam falhar. Continuaram seguindo até encontraram um banco de pedra erguido sob a sombra de uma sakura e dele Touya se aproximou com uma postura confiante, e começou a declamar em uma voz que não deixava espaço para dúvidas, mas que fez Fuyumi exclamar “Touya!” e correr para tapar os ouvidos de Shouto e Natsuo soltar uma longa risada.

Quando ele acabou, as flores ao redor pareciam definitivamente mais murchas e um silêncio sepulcral se estendia por todo o ambiente.

— Acho que ele não gostou — Touya disse, parecendo decepcionado, embora sorrisse como se tivesse acabado de fazer uma boa ação.

Porém, antes que ele pudesse dizer mais alguma palavra, seu corpo foi subitamente arremessado para fora do Jardim, aterrisando do outro lado do arco de entrada, batendo suavemente na grama. Os irmãos correram para conferir se ele estava bem.

— Acho que isso foi um não volte mais — Fuyumi constatou, sentindo-se mais aliviada e meio dividida entre rir do acontecido e grunhir ao ver a determinação que brilhava na expressão do mais velho. Ah, não.

— Bem, vejamos quem é mais teimoso: eu ou esse tal Espírito.

E assim se iniciou a guerra.

Touya retornou várias vezes durante a semana para recitar poemas ruins e ser atirado para fora do Jardim, onde batia a poeira e prometia voltar no dia seguinte com um novo achado para adicionar a coleção crescente de fracassos. Natsuo parecia encantado com o fracasso dele e Fuyumi já havia desistido de tentar corrigir suas atitudes e se resignara apenas a assistir e garantir que eles não estragassem sem querer nenhuma flor em uma de suas visitas. Shouto não entendia por que o irmão continuava insistindo em um plano que claramente não estava funcionando, mas ele apenas sorria e dizia: “Apenas observe.” e continuava a irritar o espírito com a mesma graça displicente com que irritava os outros três.

Shouto não entendia.

Até o dia em que ele entendeu.

Aconteceu no meio da primavera, quando as flores estavam desabrochando em grandes botões cobertos de graça. Touya tinha escolhido um poema especialmente comprometedor naquele dia e em algum ponto de sua leitura, uma cintilação surgiu no ar junto a uma figura com cabelos encaracolados como o verão e uma pele prateada que brilhava com o mais singelo dos raios de sol surgiu. Tinha os olhos mais verdes que Shouto já vira, orelhas pontudas e o ar etéreo de magia que fizera o queixo dos quatro cair em admiração instantânea, isso se não fossem as lágrimas que caiam por suas bochechas e o tom ofendido que usou antes de atirar um punhado de flores com pétalas delicadas no rosto de Touya com uma força que o fez recuar e dizer com uma voz de soprano:

— Por favor, vá embora!

E então não houve tempo para uma resposta esperta antes de ser novamente atirado para fora como um animal cuja casa do dono foi bagunçada e agora precisa ser disciplinado.

— Ele te deu frésias — a irmã falou para o mais velho quando eles saíram, uma risada em seus lábios. Ela parecia mais relaxada do que nos últimos meses. Talvez a aparição do espírito tivesse algo a ver com isso. — Não posso dizer que não concordo.

— Humpf — ele fez, descartando as flores. — O Espírito existe, isso prova algo. Mas continuo duvidando daquela história de Flores do Desejo. Se minha personalidade magnética não conseguiu obrigá-lo a me dar uma, não existe nada nesse mundo que o faça.

— Ah, sim, porque sua personalidade magnética é o melhor que ele tem a ganhar. — Fuyumi provocou, trocando um olhar com Shouto e logo todos eles estavam rindo enquanto tomavam o caminho de volta para casa.

Por muito tempo, Shouto se lembraria daquele dia; das risadas ecoando nas copas das árvores, dos últimos raios de sol iluminando os olhos de Touya, o sorriso de Fuyumi e o modo como Natsuo e agarrava as costas do irmão mais velho em sua própria imitação do que ele chamava de “personalidade magnética". Ele se lembraria da alegria e dos momentos felizes, das frésias descartadas e de chegar em casa e ser recebido por xícaras de chocolate quente e a risada da mãe ao contarem o que havia acontecido.

Porém, Shouto também lembraria daquele momento no Jardim, do instante em que o Espírito havia se revelado. Ele pensaria nas flores em seus cabelos e no tom exato de verde de seus olhos, em como seu rosto redondo era delicado à luz do sol e das orelhas pontudas que pareciam vir de um conto de fadas.

Ele pensaria e pensaria e não dormiria aquela noite.

Afinal, é assim que as histórias começam, com um momento significativo e algum grau de obsessão.

Ele acabou voltando ao Jardim muito mais tarde naquela noite, aceitando a insônia como um fato, e levando consigo um poema dobrado em papel (Você é como as estrelas a brilhar,/ Mas não se compara a nenhuma delas,/ É como um infindável sorriso de criança,/ É como a mais linda pétala de rosa) e um saquinho com sementes de violetas que pegou das coisas da mãe. Deixou ambos no banco sob a sakura e disse:

— Eu sei que o meu irmão pode ser irritante às vezes, mas espero que isso possa servir como um pedido de desculpas pelas coisas que ele fez.

E então esperou, esperou e esperou um pouco mais.

Esperou por tanto tempo que o sono o reivindicou e ele adormeceu ali mesmo, encostado na pedra fria e cercado pelo orvalho matinal.

Quando acordou, não encontrou suas oferendas, apenas um único jasmim que o encarava de volta, singelo.

Shouto o pegou com um sorriso suave.

— Obrigado — ele disse para o Jardim, sem saber se o Espírito o estava escutando ou não, mas torcendo para que estivesse.

Aquela não seria a primeira vez que ele retornaria, muito menos a última.

♣︎

Em algum momento ao longo dos anos, todos os seus irmãos encontraram seus próprios caminhos e, um a um, eles se foram. Shouto foi deixado para trás com um “Até logo!” e um “Nos vemos no Natal!” e um “Não faça nada interessante até eu voltar, sim?”. Ele sabia que família não queria dizer manter, mas não podia deixar de se sentir abandonado na imensa casa como um brinquedo quebrado que todos se cansaram de usar. A mãe apenas balançou a cabeça e o abraçou mais firme, dizendo:

— Sua hora vai chegar.

Mas ele não queria ouvi-la agora, estava chateado, triste e com ciúmes dos irmãos e de sua liberdade, de forma que apenas murmurou uma aquiescência e correu porta afora.

O Jardim então se tornou o seu segredo.

Ele retornava quase todos os dias, às vezes com livros de poesia que encontrava perdidos na biblioteca do casarão, às vezes com um regador amarelo que pegava das coisas de jardinagem da mãe, ou mesmo com alguns dos biscoitos caseiros que ela fazia com nozes e gengibre, apenas porque ele sentia que o Espírito também merecia uma recompensa por todo o seu trabalho duro de manter aquele lugar florido e intacto por tanto tempo. Às vezes ele lia em voz alta trechos que gostava e sempre encontrava flores em seu caminho: buquês de madressilva e dálias, bluebell e azaléias.

Shouto sempre agradecia por cada um deles.

— Obrigado, mas não precisa se incomodar — disse um dia, pegando um buquê especialmente grande de hibiscos. — Eu venho aqui porque gosto de como é tranquilo, não estou querendo nada em troca das poesias. Só fico feliz que goste delas também.

O vento soprou e então todo o ar pareceu se encher de vida quando uma cintilação dourada apareceu no espaço do banco ao seu lado. No instante seguinte, a mesma figura mística de cabelos cacheados e olhos ainda mais brilhantes estava sentada ali olhando para ele com curiosidade clara e límpida.

— Você é alguém interessante, Todoroki-kun. Há muito tempo não encontro um humano assim.

Shouto se sentiu sem palavras por um momento, antes de se recompor, como se encontrar espíritos das flores fosse algo que ele fizesse todos os dias.

— Eu espero que isso seja uma coisa boa.

O Espírito inclinou a cabeça, parecendo pensativo. Seus cachos balançaram e as gardênias em seus cabelos se inclinaram com o gesto. Sua pele prateada cintilava à luz filtrada da copa da sakura e Shouto notou que ele tinha uma série de pontinhos marrons espalhados pelo rosto, braços e onde quer que a pele estivesse exposta, como sardas ensolaradas que o lembravam a terra escura sob o solo do Jardim. Sua túnica branca era simples e esvoaçava a brisa, presa com um cinto trançado de pequenas pedrinhas douradas.

— Hmm, isso só o tempo irá dizer.

— Você tem um nome além de Espírito das Flores do Desejo?

Shouto não perdeu o momento em que o outro estremeceu, como se houvesse algo de desagradável em ser conhecido por esse título.

— Midoriya — ele disse quando o momento passou. — O homem que me trouxe a vida me deu o nome de Midoriya Izuku.

— Eu me chamo Todoroki Shouto, é um prazer enfim te conhecer adequadamente.

O espírito sorriu e foi como se mil sóis se reunissem naquele esticar de lábios.

— Eu sei, tenho observado você e seus irmãos, Todoroki-kun. Embora o desagradável não tenha aparecido mais para encher meus ouvidos com aquela poesia ruim.

— Você está falando de Touya?

Ele assentiu enfaticamente, então fez uma careta e fechou os punhos como se mal pudesse esperar por outra chance de jogar mais algumas flores face convencida de Touya que lhe dissessem exatamente o que pensava de sua atitude. Imaginar a visão fez Shouto sorrir.

— Bom, seja como for, fico feliz por ele ter desistido — ele concluiu. — Mais alguns poemas como aqueles e todas as flores logo estariam murchando por minha culpa.

Shouto sentiu uma onda de simpatia pelas flores atingidas pelos planos nefastos do irmão.

— Peço desculpas de novo por isso, mas garanto que não vai precisar se preocupar com ele por um longo tempo.

— Por quê? Aconteceu algo com ele? Sua família está bem? — ele perguntou, preocupação repentina invadindo seus olhos, o verde se infundindo com o tom exato das copas das árvores.

— Eles estão bem — Shouto garantiu. — Apenas… partiram. Saíram em busca de seus próprios caminhos. Sei que parece bobagem falar assim, mas eu só… eu…

— Você sente a falta deles — o Espírito disse, compreensão espalhada em seu rosto. Shouto desviou o olhar.

— Parece bobagem — ele repetiu.

Mas o outro balançou a cabeça com força, discordando com uma convicção que Shouto não esperava ver.

— Não é bobagem. Pelo que vi enquanto os observava, vocês pareciam muito próximos. É normal se sentir assim. O vazio de quem tinha algo e de repente não tem mais vai permanecer por algum tempo. Não menospreze seus sentimentos, Todoroki-kun, eles também são válidos.

— Você…

E então ele pareceu se dar por conta que havia falado demais e suas bochechas coraram em um tom adorável de vermelho, polvilhando o prateado com cor. Amarílis floresceram em seus cabelos, quase como se ele estivesse inconsciente da ação.

— Desculpe por isso, faz muitos anos desde a última vez que eu tive alguma companhia e às vezes eu me deixo levar.

Shouto pigarreou, ainda absorvendo tudo o que ele dissera. O quanto soava verdadeiro.

— Não, está tudo bem. Eu não me incomodei, você pode continuar.

— Você não planeja ir embora também para se juntar a eles? — O espírito questionou agora que o consentimento fora dado. Podia ser impressão de Shouto, mas havia um quê de tristeza na voz dele ao mencionar o pensamento de partir.

— Talvez um dia, depois que eu me formar e tiver certeza de que a minha mãe está vivendo confortavelmente eu parta como eles também. Até lá, permanecerei aqui. — Foi a primeira vez que ele colocou esses pensamentos em palavras. Shouto não percebeu o alívio que sentiria ao fazê-lo até ser forçado a isso. Ele se voltou para o outro que continuava a encará-lo com a mesma gentileza e atenção que parecia dedicar às flores. — E você, não planeja deixar este Jardim um dia?

O olhar dele se desviou de seu rosto e assumiu um ar contemplativo e nostálgico, como um arrependimento antigo deixado para o tempo resolver.

— Esse Jardim é minha casa e tudo que eu sou. Não posso deixá-lo.

Shouto podia dizer que havia bem mais em suas palavras do que entendera a princípio, mas ele estava feliz que o espírito tivesse aparecido e não queria estragar a primeira conversa deles.

— Isso quer dizer que eu posso continuar voltando e encontrando você aqui?

Se os viajantes soubessem da existência daquele sorriso, todas aquelas tentativas para fazê-lo se mostrar agora faziam sentido. Era pura vida e beleza. Shouto se sentia agraciado com um raro presente.

— Volte amanhã e me traga um poema, Todoroki Shouto, e veremos isso então.

♣︎

Shouto voltou no dia seguinte e em todos os outros desde então, usando o tempo quando não estava ocupado com as aulas ou ajudando a mãe em casa no Jardim na presença de Midoriya. Ele rapidamente descobriu que o espírito estava ávido por companhia e era capaz de falar por horas a fio sobre cada flor e planta do local se ninguém o interrompesse. Shouto não se importava com o murmurar suave, ele gostava da companhia serena e do fato de saber que não precisava fingir ou se esconder ali, era como se tivesse uma segunda casa. Shouto era Shouto e Midoriya era Midoriya, e os dois tinham uma amizade estranha que se estendia a poemas e flores trocadas e ocasionalmente conversas profundas entre páginas viradas.

— Eu perguntei a minha vez uma vez se ela sabia como você tinha vindo parar aqui — Shouto disse, baixando o livro e deixando o olhar vagar para onde Midoriya flutuava despreocupadamente, regando os botões de rosas brancas e cantarolando para si mesmo. Seu peito doeu com a familiaridade da cena, mas ele empurrou o sentimento para baixo, afinal não havia motivos para isso. Ele tinha Midoriya bem ali e agora. O que mais poderia desejar?

— E o que ela disse? — ele o incentivou, embora parecesse distraído.

— Que o dono original do Jardim era um poeta e que, por causa disso e das flores, você tinha se materializado. — Midoriya soltou uma pequena risada e Shouto se sentiu satisfeito por ser capaz de produzi-la. — Ela estava certa?

— Eles romantizam demais essas histórias quando as contam por aí — ele disse, pousando o regador de Shouto e voltando os olhos verdes muito vivos para ele. Shouto sentiu novamente aquela coceirinha em seu peito, como uma fogueira cujas brasas queimavam mais forte todas as vezes que ele o olhava. Nada com que se preocupar, repetiu para si mesmo. — Mas, sim, ela está perto da verdade.

— Esse dono original do Jardim foi o mesmo que te deu o seu nome?

Midoriya falava muito pouco sobre o seu extenso passado e Shouto sabia que havia algo lá que ele hesitava em compartilhar. O próprio Shouto tinha os seus demônios para lidar - um em particular - e queria estender a Midoriya a mesma cortesia que ele o estendia ao não perguntar e forçar o assunto quando ele não queria conversar sobre essas coisas. Por isso, decidiu que se ele não lhe respondesse, encerraria a conversa por ali.

Porém, para a sua surpresa, em um tom melancólico, ele disse:

— Sim, ele era o mesmo.

Sentindo-se um pouco mais seguro e quente por dentro ao saber que Midoriya o considerava ao ponto de se abrir para ele, Shouto continuou:

— Você parece gostar muito dele. Como ele era?

O sorriso de Midoriya se curvou ao relembrar as memórias, um pequeno raio de sol em um dia já ensolarado.

— Ele, Toshinori, era como um bom chá. Efusivo, mas calmante na medida certa. Podia correr por todo o Jardim e então se perder pelo caminho em igual medida. Dava os melhores conselhos e então se atrapalhava em segui-los ele mesmo. Era apaixonado pela paz e a justiça e tinha um coração de ouro, daqueles que você só escuta refletido nos grandes heróis dos épicos. Ele plantou esse Jardim para a Mestra dele que estava gravemente doente, sabia? Ela veio aqui algumas vezes e tinha um sorriso que faria qualquer pessoa no mundo acompanhá-la. Ele, os dois, eram boas pessoas. As melhores que já conheci.

Havia tanto amor e admiração na voz ensolarada de Midoriya e o quadro que ele pintava era de uma beleza infindável. Infelizmente, Shouto sabia que Midoriya estava sozinho há muito tempo neste Jardim imenso e essa história não tinha um final feliz. Ele hesitou, mas por fim acabou perguntando:

— O que aconteceu com ele?

Midoriya se aproximou, flutuando lentamente para baixo até estar sentado ao lado de Shouto no banco sob a sakura. Grossas lágrimas escapavam de seus olhos, escorrendo por suas bochechas e cobrindo suas manchinhas marrons em trilhas como o orvalho fresco da manhã.

— Ele se foi há muito tempo, Todoroki-kun.

— Eu sinto muito — Shouto falou, tentando oferecer o conforto que ele parecia precisar. — Sinto muito por ele ter partido e sinto muito por você ter ficado sozinho por todo esse tempo. Deve ter sido solitário.

Um soluço cortou o ar. As flores ao seu redor estavam murchando visivelmente. Midoriya fungou em uma tentativa de se recompor.

— Eu estou bem agora. Já se passaram tantos anos, não sei por que ainda estou chorando por isso. Desculpe, Todoroki-kun, você não deveria ver isso.

A questão é que Shouto queria. Ele queria estar lá presente para o que quer que Midoriya precisasse.

Sem muito jeito, ele estendeu as mãos e enxugou as lágrimas dele, uma a uma, até que elas cessassem e seu cabelo estivesse coberto de flores de áster. Shouto as colheu como vira o outro fazer em várias ocasiões e logo tinha um belo buquê em mãos o qual levantou e gentilmente depositou sob o tronco da sakura, curvando-se para a árvore como se pudesse ver a figura que um dia estivera em pé ali naquele mesmo ponto. Ele retornou ao banco e havia gratidão nos olhos de Midoriya ao observar suas ações. Shouto queria quebrar a distância que os separava, estender a mão até segurar a dele e garantir que tudo ficaria bem, mas ele sentia que ainda havia algo entre eles, uma barreira sobre a qual nenhum falava abertamente e ambos se recusavam a reconhecer.

— O que você é de verdade?

Midoriya tentou esconder, mas era óbvio que a pergunta o pegara desprevenido.

— Um espírito — ele respondeu com a facilidade praticada de quem há muito tenta se convencer de algo. Parecia uma expressão resignada e errada em seu rosto normalmente vivo e alegre. — Sou um espírito nascido de um desejo e isso é tudo que sempre vou ser.

Shouto não comentou o quanto achava isso triste.

♣︎

Não foi até o inverno, quando a maior parte do jardim estava protegida contra o vento cortante e a neve vindoura e Midoriya estava sentado ao seu lado, colhendo flores que surgiam em seu cabelo, grandes tulipas amarelas impossíveis de serem encontradas com aquele clima, e as trançava em um padrão complicado e com uma concentração que deixava Shouto com inveja. Ele próprio tinha um pouco de chá de camomila quente entre as mãos e um cachecol com flocos de neve estampados que a mãe havia lhe presenteado naquela manhã enrolado no pescoço em voltas e mais voltas, formando ondas como as nuvens no horizonte.

Como sempre, o espírito vestia a mesma túnica branca, inabalado pelo clima, e parecia irradiar uma luminescência dourada, caloroso como um sol em miniatura em seu brilho próprio. Shouto, inconscientemente, se inclinou mais para perto dele, a mão subindo para a cicatriz em seu olho esquerdo que, com a chegada do tempo frio, lhe incomodava mais que o normal. Midoriya pareceu brilhar e aquecer-se com mais insistência ao que ele era grato, o calor da primavera banhando suas bochechas com o doce perfume que ele sempre parecia irradiar, floral, mas não muito doce, como terra molhada após a chuva e algo nostálgico que fazia seu coração doer com um sentimento incompleto o qual não compreendia ainda.

— Está tudo bem, Todoroki-kun?

— Sim, não precisa se preocupar, Midoriya.

Mas o espírito era perceptivo e bom demais para o próprio bem. Ou para o de Shouto.

— Você está desconfortável. E com dor. Posso fazer algo para ajudar?

Shouto sorriu levemente com a rapidez com que ele se ofereceu para ajudá-lo. Sim, Midoriya era bom demais para o próprio bem.

— Não se preocupe comigo, é apenas algo comum para esta época. Já estou acostumado.

— O que aconteceu? — Izuku perguntou, eternamente gentil e cuidadoso.

— Uma sombra do meu pai — Shouto respondeu, os olhos semicerrados contra a luminosidade fraca que se infiltrava na copa da frondosa árvore. No céu, as nuvens se moviam rápido demais em seus caminhos silenciosos, carregando o tempo e o vento em seu encalço, além de histórias veladas que não permaneceriam assim por muito mais tempo.

Ele não queria pensar nisso, fazia anos que não pensava nisso, sem falar que as coisas estavam melhores com a sua mãe. Mas Izuku flutuava a centímetros do chão, a expressão preocupada de quem acabara de cometer um erro e Shouto suspirou. Sabia que o outro estava preocupado consigo, nunca com ele mesmo, só com seus sentimentos e isso é importante, Todoroki-kun, seus sentimentos são válidos por mais que Shouto insistisse no contrário. Dos dois, Izuku era o precioso, o fenômeno raro que deveria ser protegido e resguardado de todas as coisas maléficas no mundo.

Ele se recostou, resignado.

— Aconteceu quando eu era mais novo — disse por fim. — Você já ouviu falar de casamentos arranjados? Não é uma prática mais tão comum, mas meus pais se conheceram assim, por escolha de suas famílias. Não foi o melhor para eles, nem mesmo o melhor ambiente para se crescer. Meu pai não era exatamente a pessoa mais amorosa que você pode pensar. A casa estava sempre tensa, o ar sufocado e cheio de gritos. Se Touya estivesse aqui ele teria uma dúzia de piadas prontas sobre o quanto trauma uma pessoa consegue carregar em um ambiente desses antes de suas costas começarem a doer. — Os cantos dos lábios de Shouto se contraíram com sua tentativa de humor e logo sua mão voltou a tocar a borda da cicatriz, sentindo sua textura e a pouca sensibilidade na pele arruinada. Ele sabia que a queimadura não o tornava exatamente amigável aos olhos dos outros, mas não havia nada que pudesse fazer quanto a isso. — Quando eu tinha cinco anos, minha mãe me queimou. — Ele se adiantou ao ver a reação de Midoriya. — Não foi culpa dela. Aquela altura ela já não estava bem mentalmente, meu pai tinha a desgastado lentamente por todos aqueles anos. Ele a tratava pior do que o restante de nós porque ela tentava nos proteger. No final, ela acabou não resistindo e precisou se retirar por alguns anos para se cuidar corretamente.

— Ah, Todoroki-kun…

Shouto desviou o olhar daqueles olhos verdes compreensivos demais. Eles o faziam ter dificuldade de se concentrar na história agora que havia mergulhado nela, bem como as pontas de seus dedos coçarem para afastar alguns dos cachos que lhe caíam sobre a testa. Impulsos estranhos aos quais ele não estava familiarizado digladiavam em seu peito com a atenção do espírito totalmente focada em si, seu trabalho com as flores abandonadas em seu colo, como se Shouto fosse a sua maior prioridade no momento.

— Está tudo bem, Midoriya. No final, ela voltou por nós. Assim que recebeu alta, moveu céus e terra para nos tirar daquele homem e então viemos para cá. E eu encontrei você — acrescentou, apenas para receber um sorriso iluminado em troca. — Nós conversamos sobre isso e eu entendo o que ela passou, o que sofreu. Eu sei que ela nunca me machucaria se estivesse bem naquela época. Já aceitei isso. Mas às vezes não posso deixar de me ressentir dele por ter causado tanta dor por todos aquele anos, por ter me causado isso. Quem sabe as coisas fossem diferentes sem essa marca em meu rosto me separando dos demais? Quem sabe eu não fosse normal? — Shouto cuspiu a palavra como se ela a machucasse profundamente.

Os cachos de Midoriya se agitaram quando ele balançou a cabeça com força.

— Todoroki-kun — ele disse, sua expressão séria e penetrante, as mãos pousando suavemente sobre as suas, os dedos se encontrando na beirada da cicatriz como se ele não estivesse assustado ou enojado pela feia marca em seu rosto. — Ainda é você, cicatrizes e tudo. E não existe nenhuma parte em você que não seja bonita.

Shouto se sentiu momentaneamente como se todo o ar houvesse sido sugado de seus pulmões. Bonito, ele me acha bonito, sua mente forneceu em looping. Midoriya pareceu sentir que ele precisava de um minuto, então voltou ao seu projeto, concluindo o que identificou ser uma coroa de tulipas amarelas intricadamente bem feita. O espírito a ergueu, satisfação brilhando em seu rosto e se virou para Shouto com uma interrogação nos olhos. Ele assentiu e com um sorriso que poderia acabar com o inverno, Midoriya a colocou em seus cabelos.

— Fica bem em você, Todoroki-kun — ele concluiu após observá-lo por um longo minuto, calor nadando em seus olhos, sem soar como se não tivesse acabado de virar o mundo de Shouto de cabeça para baixo há poucos instantes.

— Obrigado, Midoriya.

Se seu coração bateu mais rápido e suas bochechas aqueceram tanto que o cachecol se tornou quase desnecessário, apenas Shouto poderia saber.

♣︎

— O que há com os desejos?

Midoriya o olhou e Shouto sentiu a decepção cruzar seu rosto. Eles estavam plantando as sementes de violeta com as quais ele presenteara Midoriya em sinal de desculpas após o incidente com Touya, o espírito insistindo que esta era a época perfeita para isso, quando a questão surgiu.

Midoriya atacou a terra por algum tempo, mastigando sua resposta antes de enfim libertá-la num rompante:

— Todos querem algo que não podem ter e tentam de tudo para obtê-lo, mas nunca se dão conta que ao se disporem a ir longe demais estão essencialmente corrompendo esse desejo que deveria ser intocado em primeiro lugar.

Shouto colocou as sementes no buraco que havia cavado e as cobriu com a terra macia.

— Você não gosta de ter o poder de conceder desejos — ele deduziu. Pelo tom de sua voz, isso estava claro.

— Não gosto de como isso sobe a cabeça das pessoas. De como tem o poder de torná-las menos humanas. Desejos são criaturas perigosas, Todoroki-kun. Por isso deve-se tomar cuidado ao cultivá-los ou um dia eles podem se voltar contra você.

Shouto voltou sua atenção para o trabalho que tinha em mãos e deixou o silêncio após as palavras dele ressoar por alguns minutos.

— E quanto a você? Disse que os desejos dos outros os torna menos humanos, mas você não é humano. Então se você pudesse fazer um desejo, qual seria?

Midoriya abriu um sorriso, embora não fosse seus sorrisos luminosos e ensolarados aos quais Shouto estava acostumado. Havia uma tristeza profunda enraizada no canto de seus lábios, um ansiar saudoso que só podia ser medido em anos de solidão quieta e sonhos derradeiros.

— Meu desejo também me torna menos espírito, Todoroki-kun. Ele me levaria para um mundo do qual não faço parte e no qual não seria aceito.

— É por isso que você nunca concedeu uma Flor do Desejo. — Midoriya piscou, parecendo surpreso, como se tivesse se afastado e estivesse vendo muitos rostos diferentes, muitos anos se passando diante dos seus olhos. — Não encontrou alguém que tivesse um coração verdadeiro, que não fosse usar o desejo para si mesmo ou para algum fim egoísta.

O espírito corou efusivamente.

— Bem, você pode ver isso dessa maneira — ele murmurou, amarílis florescendo em profusão em seus cachos.

Shouto se perguntou vagamente o que aquilo significava.

♣︎

Midoriya podia dizer que algo estava errado com Shouto a partir do momento em que ele entrou no Jardim.

Seus passos não tinham o mesmo tom quieto e macio de sempre, os cabelos branco e vermelhos se misturavam em seus tons de tanto que o outro já passara os dedos por eles, e havia aquela aura de perturbação insegura encobrindo sua presença normalmente tranquila. Ele fez o melhor que pôde, usando de sua presença para acalmar o outro e garantir que ele estava seguro e a salvo ali, que nada poderia alcançá-lo e prejudicá-lo; que eram apenas os dois, Midoriya e Shouto, e Midoriya estaria lá para escutá-lo e apoiá-lo enquanto ele o quisesse por perto.

Eles colheram edelweiss e sua tonalidade branca, bem como a familiaridade da construção de um buquê pareceu ajudar a trazer Shouto a um estado de espírito mais equilibrado. Ele afastou uma pétala estragada de uma das flores e a encaixou no meio das demais, antes de finalmente contar a Midoriya o que estava errado.

— Meu pai apareceu esta manhã — disse e ouviu o espírito prender a respiração, parte horrorizado e parte irritado. — Ele me pediu desculpas e perguntou se eu gostaria de voltar a morar com ele na cidade.

— Sabe, eu teria algumas flores muito importantes para apresentar ao seu progenitor.

Shouto sentiu uma risada vindo à tona e a surpresa disso o pegou desprevenido de forma que ela escapou por seus lábios em uma nota alta e libertina. Midoriya pareceu surpreso e encantado por tal ação. Ele queria se voltar e pedi-lo para que fizesse novamente, mas sabia que o momento não pedia risadas. Então se contentou a guardar o som como uma pequena dádiva e voltou a ajudá-lo a montar o buquê, escolhendo algumas peônias para complementá-lo.

— E o que você pensa sobre tudo isso?

Shouto hesitou. Pensar sobre isso era só o que ele tinha feito durante o dia todo. Por um instante, ele não queria pensar sobre isso. Por um instante, ele queria que lhe dissessem o que fazer.

— Eu não sei ao certo como proceder — Shouto respondeu, sincero. — Por um lado, antes parecia impossível que ele tivesse uma atitude como essa. Por outro lado, eu ainda me ressinto dele. Ele errou, nos machucou. Mas talvez esteja mudando e eu penso se não devo ajudá-lo com isso. Se não devo… perdoá-lo. Que talvez de algum modo eu esteja errado me apegando a essas coisas e sendo egoísta apenas porque ainda dói.

Foi nesse momento que Midoriya se ergueu, as flores esquecidas no banco, seus olhos focados apenas no rosto de Shouto como se nada mais no mundo importasse. A intensidade daquele olhar queimou sob sua pele e incendiou aquelas brasas que moravam em seu peito até que elas ardessem com a intensidade de uma fogueira acesa e que não dava sinais de que iria se apagar tão cedo.

— Eu disse antes e vou repetir quantas vezes precisar até que você entenda: é a sua vida. São as suas escolhas. E elas importam. Você importa, Todoroki-kun — ele disse, todo convicção fervorosa e olhos brilhantes. — Não importa o que você faça, desde que seja seu, eles não poderão tirar isso de você ou dizer que está errado, porque foi você quem decidiu, porque sentiu que estava certo, que era o caminho a se escolher. Então faça o que você sente no seu coração que é correto, Todoroki-kun, porque, lá no fundo, eu sei que você já tem uma resposta.

Oh.

Naquele momento, Shouto caiu. Ele caiu como o outono e as folhas amareladas das árvores, tão suave quanto a mudança das estações.

Oh.

A fogueira se espalhou por todo o seu corpo e Shouto sentiu como se pudesse entrar em combustão espontânea a qualquer momento, como se fogo fosse uma parte de seu ser e ele precisasse exteriorizá-lo para controlar sua temperatura interna. Felizmente para o Jardim e para Midoriya, isso não aconteceu. Houve apenas a volta completa de seus sentimentos e percepção que se abateu sobre ele como uma última martelada. Oh, eu o amo. E foi assim que Shouto soube que este era um caminho sem volta. Ele havia caído muito forte e muito profundo agora para retornar.

Midoriya recuou, parecendo se dar por conta de sua própria explosão, alheio ao sentimento que agora se expandia no peito de Shouto como sua própria versão de uma supernova. Suas bochechas prateadas ficaram escarlates e ele balançou as mãos na frente do rosto, envergonhado.

— Sinto muito, isso pode ter soado um pouco rude. Eu não quis me impor ou dizer o que você deveria fazer.

Shouto segurou uma de suas mãos agitadas, afastando-a de encobrir as bochechas dele com delicadeza.

— Não se preocupe, Midoriya. Não acho que tenha soado rude — ele garantiu. — Soou exatamente como deve ser. Soou certo.

Os pânico nos olhos dele se suavizou e anêmonas tão azuis quanto o céu de verão brotaram em seus cabelos.

— Fico feliz por isso, Todoroki-kun.

♣︎

O problema de se dar por conta de que tinha sentimentos por Midoriya era que ele não conseguia parar de encontrar pequenas coisas às quais tinha vontade de fazer. Desde toques singelos a imagens de lábios se encostando e a sensação de correr os dedos pelos cachos de Midoriya agora flutuavam por sua mente e tornavam agonizantes os minutos ao seu lado. Enterre isso, disse a si mesmo a cada sorriso que recebia, a cada “Todoroki-kun!” chamado, a cada olhar compartilhado como um segredo oculto que só as flores eram dignas de conhecer.

Shouto pensou que o tempo fosse torná-lo forte e fazê-lo resistente a tentações. Ele não previu o quanto Midoriya se esforçaria para torná-lo difícil essa luta para ele.

Aconteceu em um de seus últimos anos morando no casarão da colina. Shouto tinha comemorado seu aniversário de dezoito anos há alguns dias e conseguira uma cesta de morangos frescos para que pudesse ter uma segunda comemoração com Midoriya. Ele estendeu uma toalha quadriculada que pegou das coisas da mãe e disse ao espírito que estariam fazendo um piquenique naquela tarde, o que causou toda uma onda de excitação e várias explicações sobre o que isso significava. Não era muito diferente do que eles faziam com frequência quando Shouto levava chá e biscoitos, mas a adição da toalha e a comemoração deixaram Midoriya em um estado de animação fervilhante.

A sakura tinha seus galhos vazios, indicando que o inverno estava em seu auge, e Shouto trazia seu cachecol, embora o calor de Midoriya fosse o suficiente para aquecê-lo confortavelmente. Ele comeram os morangos maduros e o sumo escorreu pelo canto dos lábios de Midoriya, pele e bochechas, manchando-os de vermelho e pingando na túnica branca. Shouto sentiu uma risada em seu peito com o modo desajeitado dele e estendeu a mão, dizendo:

— Aqui, deixe-me consertar isso para você.

Ele passou os dedos pelo local, tentando limpar a bagunça a princípio e então mais lentamente, dando-se por conta da maciez e suavidade da pele; como era quente e se moldava ao seu toque. Sua mente gritava para que se afastasse, mas seus instintos há muito desejosos daquilo assumiram a frente e ele prosseguiu sua exploração como fizera somente em sonhos. Traçou os contornos das manchinhas marrons em suas bochechas, ligando-as com o sumo vermelho da fruta em constelações que ele não sabia o que significavam, seguindo para os lábios entreabertos e a respiração rápida que saía entre eles.

Shouto hesitou, seus próprios batimentos soando muito altos em seus ouvidos, e então pressionou o polegar contra o contorno macio dos lábio de Midoriya, sentindo-os se moverem em um único nome:

— Shouto…

Seus batimentos dobraram de intensidade e o calor correu por toda a sua pele como uma criatura viva e exigente. Mais, ele pedia, mais, mais… Ele contornou os lábios de Midoriya, gravando na pele e na memória seu traçado e sensação, e então sua outra mão subiu, os morangos esquecidos entre eles, olhos verdes muito arregalados o encarando com parcelas iguais de medo e deslumbramento. Shouto podia sentir o mesmo olhar espelhado em seu rosto. Será possível que…? Shouto poderia ter essa sorte?

— Shouto — ele repetiu.

Ele se ajoelhou e suas mãos seguraram o rosto de Midoriya como se tivesse o mundo entre os dedos e soltá-lo pudesse causar a própria destruição. Porque ele tinha o poder de destruir Shouto e nem mesmo se dera por conta disso.

— Izuku, eu… — ele começou e então se interrompeu, por que como explicar aquele sentimento, como explicar a falta de ar e a repuxar das cordas em seu coração todas as vezes que o avistava? Como colocar em palavras suficientes a completa adoração e todas as pequenas coisas que Shouto amava e faziam Midoriya ser quem era? Shouto não era bom com as palavras, para sua sorte, ele não precisava usar as dele. — “Todos os dias você brinca com a luz do universo./ Sutil visitante, tu chegas na flor e na água,/ Tu és mais que esta cabeça branca que seguro apertado/ como um ramo de flores, todos os dias, entre minhas mãos./ Você é como ninguém desde que eu te amo./ Há muito tempo que amo a madrepérola ensolarada do teu corpo./ Até eu acreditar que você é o dono do universo./ Trarei flores alegres das montanhas, jacintos, avelãs escuras e cestas rústicas de beijos./ Quero fazer com você o que a primavera faz com as cerejeiras.”

Lágrimas escorriam dos olhos de Izuku e Shouto as enxugou com uma delicadeza ímpar, tomando cada uma como se fosse um cristal precioso. As mãos dele subiram para encontrar as suas, ainda apoiadas em suas bochechas, segurando-o como o mais precioso dos tesouros.

— Shouto, você não pode. Eu não posso. Nós não podemos…

Mas Shouto não queria ouvir isso, não quando o que via refletido nos olhos verdes era tão claro quanto o dia mais verdejante de verão. Shouto estava cansado de hesitar. Suas escolhas importam, a voz de Midoriya lhe disse, convicção em seu tom. Então a partir de agora Shouto escolhia o amor. Ele não teria mais medo.

— Eu te amo, Izuku. Como o sol ama o verão, como as flores amam a primavera, como folhas caem no outono e a neve no inverno, eu te amo como as estações que sempre existiram e sempre vão existir. Por favor, me deixe provar isso a você, que você é bom, é iluminado, e merece ser amado. Eu penso em você, eu espero por você, eu anseio pela sua companhia. Você é tudo o que eu vejo quando acordo e meu último pensamento antes de dormir. Tudo sempre volta para você, Izuku.

— Shouto — ele chamou, novas lágrimas caindo por suas bochechas. — Isso não é justo. Para mim, tudo que existe é você.

E então, antes que ele pudesse continuar a convencê-lo, as mãos de Izuku se infiltraram em seu cabelo, puxando-o suave, mas insistentes, para a frente até o ponto onde suas bocas pudessem se encostar. Quando os lábios se moldaram, doces, macios e familiares, como se o momento pertencesse a eles, Shouto sentiu que não poderia desejar mais nada.

♣︎

Shouto descobriu que estava errado muito rapidamente e que o que Midoriya disse sobre os desejos se provou mais acertado do que ele poderia ter pensado a princípio.

A primavera começara com força e agora todo o Jardim rugia com vitalidade renovada ao seu redor, fragrâncias e beleza exuberante exibidas por onde quer que os olhos pousassem. Shouto não tinha interesse em nenhuma delas, a única entidade capaz de roubar sua atenção deitada bem ao seu lado, com a cabeça encostada na curva de seu pescoço e os dedos enrolados nos seus como se nada o deixasse mais confortável do que a presença de Shouto.

Ainda era difícil de acreditar que ele podia ter aquilo, que ele podia tocar Izuku quando quisesse, podia ouvir todas as suas risadas e ser aquele que recebia seus olhares amorosos, o único a perceber o enrugar no cantinho dos seus olhos e ouvir o barulhinho que ele fazia no fundo da garganta ao beijá-lo muito profundo e muito doce. Shouto se sentia suspenso em um espaço no tempo onde os dias eram sonhos e fantasias agradáveis e ele agia como se cada beijo fosse ser o último.

Por isso, quando a tempestade veio, ele não ficou surpreso.

— Nós precisamos conversar — Shouto disse, arrependendo-se na hora ao ver como a expressão de Izuku caiu e a seriedade se infiltrou por ela.

O espírito se sentou e Shouto lamentou a perda da tranquilidade ao igualar sua posição, os dois de frente um para o outro como costumavam sentar em seus dias iniciais.

— O que você precisar, Shouto — Izuku garantiu. — Vou estar aqui para você.

Seu coração se partiu com a certeza em sua voz.

— Tem algo que eu não contei a você, Izuku. — Ele respirou fundo. — Meus irmãos conseguiram uma casa na cidade para a minha mãe. Ela quer que eu me mude com ela.

Izuku entendeu imediatamente.

— Você está partindo.

Shouto balançou a cabeça.

— Eu não quero. Disse a ela que permaneceria aqui nesta casa de campo e ela poderia ir sem mim. Eu ficarei com você, como disse que faria.

Foi a vez de Izuku acenar tristemente.

— Há muito tempo você me disse que gostaria de partir quando chegasse a hora, Shouto. Quem eu seria se tirasse isso de você agora que esse momento chegou? Não posso fazer isso. Você deve ir.

— Não! Eu não posso deixar você! Eu não desejo isso!

— Oh, Shouto. — Izuku agarrou suas mãos, os dedos acariciando os seus gentilmente. — Você precisa. Eu estou preso a esse jardim para guardá-lo e protegê-lo, esse foi o desejo de Toshinori, foi assim que fui concebido, foi por esse motivo que fui trazido ao mundo, por isso não posso me afastar dele. Mas você tem uma vida pela frente. Não deixe que eu o impeça de vivê-la.

— Mas Izuku, você…

Ele sorriu, o mesmo sorriso de triste reflexão que às vezes Shouto via em seu rosto quando ele falava do passado.

— Eu ficarei bem, darei um jeito de estar com você.

— O que você quer dizer?

Midoriya acenou diante do próprio corpo e uma luz dourada suave irradiou de seu peito. Pouco a pouco, uma pequena flor pareceu emergir do ponto sobre seu coração. A expressão dele era um misto de dor e concentração plena, e a flor cresceu até que Shouto percebesse que, apesar de seu formato de rosa, era feita de páginas cobertas de palavras. Poemas, ele percebeu.

Com um suspiro, Izuku segurou a rosa que flutuava entre seus dedos e a estendeu para Shouto.

— Pegue isso, Shouto, é sua agora.

Shouto se sentiu paralisado, como se fosse uma das árvores habitantes do Jardim e sua sina fosse estar para sempre enraizado naquele mesmo lugar. De repente, as peças que Modoriya já lhe dissera sobre si mesmo se juntaram em sua mente com um estalo e ele entendeu. Em um nível fundamental e que realmente importava, ele entendeu o que aquele gesto significava.

— Mas isso é…

Izuku sorriu, brilhante como um sol, olhos iluminados e nos cabelos. Amor verdadeiro, Shouto pesquisara em um súbito arroubo de culpa, como o que sentimos quando temos a certeza de que devíamos ter nos importado mais cedo.

— É uma Flor do Desejo — ele disse, o tom de soprano tão suave quanto a brisa. Shouto queria estender a mão e tocá-lo. Ele queria fechar os olhos e manter aquela imagem no fundo de suas pálpebras até o seu último suspiro. — Estou dando ela para você.

— Não — Shouto respirou, o peso da realização atingindo-o por fim. — Você não pode! Isso não pode ser dado! É seu…

— Meu coração — Izuku concluiu. Havia apenas aceitação cálida em seus olhos e um desprendimento em seus ombros que o tornava leve, mais leve do que a existência durante todos aquele anos insuportáveis de solidão. — Eu posso e vou. Estou dando ele para você, Shouto, porque ele pertence e sempre vai pertencer a você.

— Você disse que os desejos são criaturas perigosas.

Izuku sorriu e o olhou com os olhos mais confiantes que ele já havia visto.

— Eu acredito em você, Todoroki Shouto.

Lentamente, a Flor do Desejo flutuou para o espaço formado entre seus dedos e Shouto a encarou com um deslumbramento crescente.

— É linda — disse. — Mas o que vai acontecer com você?

Izuku deu de ombros, descartando sua preocupação.

— Sem a rosa-coração eu provavelmente devo desaparecer em alguns dias.

— O quê? — Shouto o olhou em pânico. — Por que você não me contou isso antes de me oferecê-la?

— Eu sabia que você não aceitaria. Mas assim, se você levá-la, eu poderei ir com você, e você poderá lembrar de mim.

— Mas então você terá desaparecido, Izuku. Se você acha que eu posso viver com isso está errado.

Shouto se recusou a aceitar aquela lógica e ergueu uma das mãos - a que não estava segurando a Flor - e a pousou na bochecha dele que não tinha nem de perto o calor que costumava ter. Preocupação correu por suas veias. Izuku ia simplesmente desaparecer? Não havia nada que ele pudesse fazer?

— Eu ficarei bem, Shouto. Finalmente estarei livre para ir. — Shouto sentiu as próprias lágrimas caírem pelas bochechas e logo os dedos de Izuku o consolaram como ele um dia o fizera. — Shh, está tudo bem, amor. Eu viverei, os espíritos não morrem de verdade. Estarei para sempre observando você.

— Não, eu me nego a viver em um mundo onde não posso ter você, Izuku — Shouto encarou as pétalas delicadas da Flor dos Desejos, seu papel frágil, suas palavras escolhidas com cuidado delicado, guardada por tanto tempo, protegida por um coração que era gentil e forte e se importava demais; e tomou uma decisão. — Se esta Flor é seu coração e realmente tem o poder de atender desejos, então eu peço que me escute agora com os céus e terra por testemunhas, porque o único e verdadeiro desejo que mora em meu coração é que você, Izuku, seja livre para ser você mesmo, que você seja livre de tudo que o prende a este mundo, de todas as promessas e expectativas e possa viver como desejar, que possa se tornar quem quiser ser de verdade.

Houve apenas um instante no qual Izuku o olhou com os olhos arregalados como um cervo pego pelos faróis, medo e incredulidade reluzindo no verde vivo, e então a rosa em sua mão se acendeu e todo o corpo dele foi envolto em luz dourada quente e intocável como o sol.

— Izuku! — ele gritou, desesperado, pensando que, no fim, o tinha perdido por completo e seu desejo causara mais mal do que bem a uma situação já ruim. Mas, aos poucos, a luz diminuiu o suficiente para que Shouto pudesse ver que no lugar onde Izuku estava havia um menino de aparência adorável, rosto redondo e pele bronzeada salpicada por sardas estreladas. Ele tinha cabelos cacheados que caiam em ondas e os mesmo olhos verdes que Shouto reconheceria em todos os universos. — Izuku.

— Shouto… Eu estou… eu estou aqui?

Ele encarou as próprias mãos como se não pudesse acreditar. Tocou o corpo vestido pela túnica fina, o rosto e os cabelos como se pudesse sentir as flores que antes cresciam neles e então se voltou para Shouto com um largo sorriso que poderia iluminar planetas por décadas.

— Você usou a Flor! — ele riu, jogando os braços ao seu redor com um entusiasmo que foi rapidamente retribuído. — Você a usou para um desejo que não era por si mesmo!

— Izuku, Izuku!

Shouto não se cansava de repetir, segurando-o apertado em seus braços sem acreditar naquele pequeno milagre que lhe fora concedido. Suas mãos envolveram bochechas macias, não tão aquecidas quanto antes, mas ainda quentes, adoravelmente vermelhas e humanas, e traçaram um novo padrão de sardas que se misturavam às suas antigas manchinhas as quais ele estava ansioso por mapear. Izuku era novo e tão conhecido ao mesmo tempo e seu corpo cantava por ele como uma velha canção há muito aprendida.

— Shouto, você me salvou! Você me libertou!

— É claro que eu fiz, eu não podia deixar você simplesmente desaparecer bem diante dos meus olhos e não fazer nada!

— E agora? — Izuku perguntou, havia alegria genuína em seus olhos.

Shouto se inclinou para beijá-lo e quando os lábios se encontraram a fogueira em seu peito se iluminou e queimou por todo o caminho ameaçando estremecer montanhas e queimar cidades com o poder de seus sentimentos. Tinha gosto de futuro e felicidade. Era ao mesmo tempo renovação e uma morte eterna. Shouto queria se perder nos dedos de Izuku em seus cabelos e na dança bem coreografada de suas bocas, em como seus dedos se moldavam a perfeição que era o ponto na base da garganta dele e o mundo poderia explodir ao seu redor enquanto Izuku mordia seu lábio inferior com um sorriso. Shouto pensou que nunca poderia ter o suficiente daquilo. Para sua sorte, o tempo parecia estar ao seu lado.

— Agora suponho que nós fazemos o que desejarmos, Flor do Desejo ou não. Temos todo um mundo para explorar.

Izuku se inclinou para mais perto e entrelaçou os dedos aos seus.

— Eu não poderia desejar nada melhor.


***


Notas finais: Então, o que acharam? Deixe-me ouvir seus pensamentos!

Preciso dizer que não sei nada sobre a hanakotoba, então fiz algumas pesquisas e usei esse site (https://www.petalrepublic.com/hanakotoba-guide/) para me basear ao longo da fic. Vou deixar aqui os significados das flores usadas:

Amarílis - timidez

Anêmona - sinceridade

Flor de Áster - Remembrance

bluebell - gratidão

Edelweiss - poder ou coragem

Frésia - infantil ou imaturo

Gardênia - amor secreto

Hibisco - gentil

Jasmim - amigável

Peônia - bravura

Girassol - brilho, respeito e amor apaixonado

Violeta - honestidade

tulipas amarelas - amor não correspondido

Madressilva - Generoso

Dália - Bom gosto

Azaléia - Paciente, Modesto

Rosa (Branca) - Inocência, Silêncio, Devoção

miosótis - amor verdadeiro

Os poemas aqui citados são trechos de Você de Dan Lemes e Todo Dia Você Brinca de Pablo Neruda.

É isso, até uma próxima vez e não deixem de conferir os meus outros trabalhos se gostou deste!


17 Janvier 2023 01:06 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Nathy Maki Fanfiqueira sem controle cujos plots sempre acabam maiores do que o planejado. De romances recheados de fofura a histórias repletas dor e sofrimento ou mesmo aventuras fantásticas, aqui temos um pouco de tudo. Sintam-se à vontade para ler! Eterna participante da Igreja do Sagrado Tododeku <3

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