monalisaholmes Mona Lisa

Uma noite e tudo mudou. Harry devia saber que as coisas aconteceriam dessa forma, a vida gostava de levá-lo ao limite com os motivos mais óbvios e inesperados afinal. Podia acabar nisso, era o suficiente. Porém, não. Era Harry Potter e, como tal, tinha que ter mais. Sem alfa, prestes a perder o emprego e tendo que lidar com as próprias paranoias, Harry é surpreendido pelos Dursley e vai ser obrigado a aceitar que nem todo mundo alimentava uma motivação. Para alguns, há mais satisfação em observar a loucura do que criar a fatalidade. "Estou grávido. Se estou escrevendo, então é claro que é seu. Nunca te pedi nada, estou implorando agora. Não me deixe no escuro. Completamente aterrorizado, H. Potter"


Fanfiction Livres Interdit aux moins de 18 ans.

#drarry #harry-potter #draco-malfoy
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Uma carta (in)desejada

Malfoy,

Eu sei que prometi não entrar em contato e fingir que nada aconteceu, mas infelizmente os eventos estão contra mim. Me desculpe por isso. Prometo que vai ser minha primeira e última carta, então sumirei da sua vida se assim desejar. Não escrevo pra falar dos meus sentimentos ou qualquer coisa do tipo, mas pra dizer algo que é do seu interesse, a gente querendo ou não.

Estou grávido. Se estou escrevendo, então é claro que é seu. Ainda não fui ao hospital, mas fiz todos os testes possíveis, bruxos ou não, também falei com Fleur (aquela veela do Torneio Tribruxo), fiz as contas, fiz feitiços diagnósticos, pedi pra Hermione também fazer, falei com dois médicos diferentes. Todos os resultados deram positivo e não tive relação sexual com nenhuma outra pessoa, muito menos no mesmo período em que estive com você. Não sei se você vai acreditar em mim, tenho quase certeza que não, mas você precisava saber. Não se engane, minha primeira reação depois do pânico foi sair correndo, mas Hermione foi sensata e me trouxe de volta à razão, como sempre.

Que fique claro, Malfoy, não estou contando por causa do seu dinheiro ou qualquer besteira que surgir na sua cabeça. Não preciso que me dê nada. É seu direito saber e seu direito querer participar ou não da vida dessa criança. Porém, não poderei esperar por você por muito tempo. Como já deve saber, tenho alguns Comensais e seguidores de Voldemort focados em me destruir, o que não é nenhuma novidade, mas me deixa sem muitas escolhas. Irei embora assim que possível, sozinho dessa vez.

Vou completar três meses de gestação no fim desse mês, esperarei por uma resposta sua até esse período. Por favor, me responde dentro desse prazo, não importa se vai ser um sim ou não ou um xingamento, só preciso de uma resposta sua pra saber como devo seguir em frente. Qualquer resposta que não seja positiva e eu prometo que vou facilitar pra que esqueça que isso aconteceu.

Estou no meio de um caso imenso e cansativo no Ministério e tenho um chefe horrível, então só consegui marcar um exame em St. Mungus para daqui duas semanas. Era isso ou arriscar sair no Profeta Diário no mesmo dia. Levarei até o fim do mês pra resolver tudo e conseguir sair antes do meu cheiro começar a mudar e me trazer problemas, também preciso da comprovação médica pra conseguir uma licença sem ser demitido ou processado.

Nunca te pedi nada, estou implorando agora. Não me deixe no escuro.

Completamente aterrorizado,

H. Potter

P.S. Sabendo que você não quer que ninguém ao menos sonhe com as coisas que estou escrevendo, enfeiticei essa carta pra que apenas você possa ler.


Harry respirou fundo, encarando Cissus se afastar no céu escuro e nublado de Londres. Suas mãos tremiam pelo nervosismo e, por alguns segundos, quase fez um feitiço convocatório para fazer a coruja cinza voltar com a carta, mas não podia, não podia. Parecia muito ruim e seus olhos ficavam úmidos só de pensar no que poderia acontecer, mas o outro precisava saber. É claro que não esperava muita coisa, tinha quase certeza de que Malfoy queimaria a carta assim que recebesse ou com qualquer frase envolvendo um xingamento e uma despedida seca.

Ciente. Adeus. Não foi nada bom te conhecer.

Sabia que parte disso era resultado do seu medo que o fazia exagerar nas negativas que poderia receber, não se surpreenderia se tivesse pesadelos sobre o sonserino invadindo sua casa e roubando a criança. Fechou os olhos, as lembranças o torturando como faziam todas as noites.

― Não me olhe assim, Potter ― Malfoy exigiu entre dentes, o desprezo transformando seu rosto em uma careta ― Se não fosse pelo cio, isso nunca teria acontecido. E nem vai acontecer de novo.

Engoliu em seco e tentou colocar firmeza na voz enquanto escondia parte do seu corpo nu sobre os lençóis.

― Mas... Malfoy, você é o meu alfa.

Era isso que significava, não era? Quando ômega e alfa se encontravam em uma idade madura e instigavam o cio no outro, significava que eram parceiros, combinações perfeitas.

Eu não sou seu alfa ― Malfoy rosnou enfurecido, fazendo seus ouvidos arderem ― E você definitivamente não é o meu ômega. Você é nojento, Potter, abrindo as pernas na primeira oportunidade que tem, se aproveitando das situações onde não temos controle. Tão desprezível quanto qualquer puta.

Malfoy colocou as roupas de qualquer jeito e jogou a camisa para o outro com violência.

― É melhor esquecer que isso aconteceu. Pode ter certeza de que farei o mesmo.

Por mais inesperado e idiota que fosse, Harry não sentia raiva dele. Sabia que Malfoy ainda não estava em seu estado normal naquele momento, que o choque da situação o tinha acertado com mais força, mas também não podia fingir que estava indiferente. Não podia fingir que não estava machucado desde então. Além de um pouco de sangue nos ouvidos e de um corpo dolorido, Harry foi deixado na própria cama se sentindo um completo lixo, tão desprezível quanto tinha sido acusado. As palavras ainda o machucando como facas, criando cortes internos e inalcançáveis.

Sentia raiva de si mesmo. Assumia sua parte da culpa sem medo, o mencionado dia não tinha sido um dos melhores... do ano, estava cansado, bêbado, despreparado e com os nervos borbulhando. Quando se encontraram em um bar e sentiu que o controle se esvaia a cada segundo que se olhavam, sequer hesitou em o segurar pelo pulso e aparatar em sua casa. Não pensou duas vezes antes de beijá-lo e se livrar das roupas. Não se arrependeu quando prendeu as pernas na cintura do mais alto, que o prendeu contra a primeira parede que encontrou. E na segunda. E na terceira. E na cama. Mais de uma vez.

E ainda não se arrependia, mas... merda! As consequências!

Tinham tido uma puta sorte de não saírem com uma mordida e uma ligação que os prenderia em um eterno purgatório.

Deixou seu corpo desabar na poltrona. Estava exausto e se sentia mais doente a cada dia. A rejeição de um alfa podia ser mortal e Harry estava se saindo bem já que nunca abaixava a cabeça com facilidade, mesmo para alfas com o dobro de seu tamanho.

O maior motivo para a irritação de Harry era, vejam só, ele mesmo. Por ter se descontrolado tão fácil, só pra começar. Malfoy era o seu maldito ponto fraco desde o princípio. A presença era tão marcante que quase se sentia sufocar, a voz lhe causava arrepios em lugares que nem lembrava ser possível e o cheiro... aquele maldito cheiro de chocolate com baunilha. Harry nem sabia que gostava de chocolate amargo até que foi bombardeado pelo aroma no bar. Desde então basta um olhar e Harry ficaria de joelhos se pedisse.

Era patético. Se Malfoy lhe mandasse uma resposta negativa, ficaria feliz em nunca mais vê-lo. Seria uma humilhação a menos.

― Merda...

Fez uma careta para o enjoo repentino e correu para a pia da cozinha, colocando para fora apenas a bile por causa de seu estômago vazio.

― Vai acabar cuspindo os próprios órgãos se continuar assim.

Harry lavou a boca e fez um feitiço de limpeza, encostando-se no balcão em seguida.

― Desculpa se acordei a senhora.

Narcisa Malfoy revirou os olhos enquanto entrava na cozinha, amarrando o robe que escondia seus pijamas luxuosos. Ela fez um floreio no ar com a varinha e Harry começou a ouvir o barulho das porcelanas sendo movidas, arrumando-se para um chá.

― Já conversamos sobre essa cordialidade, querido. Eu salvei sua vida, você está salvando a minha depois de salvar a mim e meu filho de Azkaban. Colocaria você no testamento da família se fosse possível, quem sabe um dia...

― Perdão. Força do hábito ― Harry esboçou um sorriso amarelo.

Narcisa fez um pequeno aceno com as mãos, garantindo que estava tudo bem. As porcelanas flutuaram pela cozinha e suavemente pousaram na mesa. Ela sentou na mesa e o chá começou a ser servido. Ele entendeu o convite implícito e tomou o lugar a frente dela.

― Conseguiu mandar a carta? ― Narcisa perguntou de forma neutra.

― Sim, finalmente. Quase fiz Cissus voltar duas vezes.

― Muito bom, Harry. Não fique nervoso, conheço meu filho e sei que ele vai tomar a decisão certa.

Harry engoliu em seco.

― E qual seria?

― Ficar ao seu lado, é claro ― Narcisa respondeu com um sorriso de canto antes de tomar um gole de chá ― Não prometo um casamento, mas garanto que Draco estará lá quando precisar.

― Também acho isso, apesar de tudo ― Harry confessou fazendo-a franzir o cenho em questionamento ― Mas uma voz dentro da minha cabeça ainda insiste em dizer que ele nem vai abrir o envelope. Provavelmente vai jogar na lareira assim que receber. Ele nunca foi muito curioso, afinal.

― Só um pouco intrometido, eu sei ― ela concordou dando de ombros ― Mas sei que as coisas mudam quando se trata de você.

― Não acredito muito nisso, sem ofensas.

― Eu entendo... mas recebi uma carta interessante e bem exasperada dele depois daquela noite no bar.

Sentiu suas bochechas esquentarem e teve certeza de que seu rosto estava com vários tons de vermelho. Sabia que Narcisa estava bem ciente do que tinha acontecido, mas será que Malfoy poupou detalhes?

Ela riu, divertindo-se com a situação.

― Calma, ele não deu detalhes. Mas parecia bem arrependido do que aconteceu... depois.

― Depois? ― Harry questionou com descrença ― A briga? Mas entendo que ele estava fora de si, eu também estava. É claro que... aquilo me machucou, mas-

― Não faz diferença, Harry ― Narcisa o interrompeu ― Uma situação que sai do nosso controle não é uma autorização para o nosso próprio descontrole. Meu filho sabe disso. Mais do que isso, ele é seu alfa agora-

― Ele não é meu alfa ― Harry a corrigiu de forma automática, corando logo em seguida.

Narcisa comprimiu os lábios e balançou a cabeça.

― Ele é seu alfa agora ― ela repetiu o ignorando ― Mas vocês se conhecem desde os onze anos. Obviamente ele sabe que aquilo te feriu, sabe o quanto foi cruel. Seu instinto ômega pode estar te tornando miserável agora, mas será seu coração que vai te impedir de esquecer aquelas palavras. É mais do que instinto, são anos de proximidade, mesmo que vocês insistissem nessa besteira de serem inimigos.

― Draco nunca me deixava em paz, Cissa.

― James também não largava do pé de Lilian, olha só você aqui. Rony Weasley está amaldiçoando todas as gerações Zabini há mais de um ano... mas apostaria uma joia de família que sai um casamento até final do ano que vem.

Harry fechou os olhos e passou as mãos por debaixo dos óculos, tentando se manter calmo. Se entre ele e Malfoy havia algum sentimento além de desprezo e ódio nos tempos de Hogwarts, não se importava muito, na verdade evitava pensar nessa possibilidade. Naquela época era mais do que sentiam um pelo outro, tratava-se do lado que defendiam, dos obstáculos que enfrentavam. Tudo seria tão diferente... talvez pior. Mas era diferente agora. Estavam mais velhos, supostamente mais maduros e os lados não importavam tanto assim. Ainda não dependia unicamente deles, mas tinha que partir deles, do principio de que a tentativa de estarem juntos, de serem uma família ou ao menos amigos, valia o risco. Ainda assim...

― Apostado ― anunciou de repente.

― Perdão?

― Aposto uma joia da família Potter que Rony fica grávido até o final do ano que vem. Zabini realmente tá tentando, de verdade, significa que não esteve com ninguém no último ano. É capaz de prender Rony num quarto quando finalmente conseguir.

Narcisa o encarou por alguns segundos, confusa com a súbita mudança do assunto, mas logo em seguida seus olhos brilharam e ela voltou a sorrir, dessa vez com uma malícia eu Harry conhecia bem.

― Certo, mas se estamos nesse caminho, quero adicionar algo na minha aposta.

― Tudo bem... ― Harry concordou com desconfiança.

― Se houver casamento até final do ano que vem, você me deve uma joia. E se Rony ceder até o final desse ano... eu escolho o nome do meu primeiro neto.

― O quê?!

Os olhos verdes se arregalaram, desacreditando no que tinha acabado de ouvir. Primeiro de tudo: escolher um nome?! Isso não era importante, intimo ou qualquer coisa assim? Ainda não pensava assim, mas poderia mudar de ideia até lá, não é? Malfoy ficaria irritado?

Depois, como assim primeiro neto? Só se Malfoy tivesse com outra pessoa, porque Harry definitivamente teria apenas um.

― Merda, okay ― cedeu sem pensar uma segunda vez ― Mas... se Hermione receber o pedido primeiro você vai dar uma chance pra financiar as Gemialidades Weasley.

― Que absurdo!

― Vamos lá... é só uma chance. O que tem a perder?

Narcisa revirou os olhos e concordou a contra gosto.

― Tudo bem, confio na sensatez da srta. Granger.

― Vou deixar ela ciente disso ― Harry garantiu sorrindo.

― Não deve me fazer tão mal... ― ela deu de ombros antes de forçar um sorriso ― Já que consegui distrair você pelo menos por um tempo... eis o nosso café da manhã adiantado.

Harry ergueu as sobrancelhas quando ela tirou um exemplar do Profeta Diário de só Merlin sabe onde e colocou sobre a mesa, expondo a primeira página daquele dia. Um exemplar extra lançado do horário usual para cobrir noticias que não podiam esperar pelo dia seguinte.

Arregalou os olhos para a manchete.

A inesperada perfeição chamada Potter-Malfoy

As almas-gêmeas que o mundo sempre quis, mas nunca esperou ver

― Merda... seu filho vai me matar.

9 Janvier 2023 16:10 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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