nebularae Mafê

MARTÍRIO: LIVRO 1 A chegada do misterioso Miguel à pacata cidade de Imus foi marcada por mudanças abruptas no clima, um incômodo eclipse e mudanças comportamentais bizarras dos moradores da cidade interiorana. E de alguma forma, Astrid Collins está ligada ao recém chegado visitante que insistentemente diz ser um enviado de Deus para salvar a humanidade.


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#sobrenatural #romance #dark-romance
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Prelúdio

O vento soprou forte do lado de fora, fazendo as copas das árvores balançarem com força. Mesmo que o sol não estivesse acanhado e decidira mostrar a face em Imus naquela manhã, ainda fazia frio.

Era pouco depois das cinco da tarde quando o meteorologista anunciou no rádio que a temperatura seria amena na noite de terça-feira da pacata Imus, um município miúdo localizado ao norte de Montana, entre a Glendale Colony e Del Bonita, na fronteira com o Canadá. Era cercada de colinas e comumente abraçada por um frio insistente.

Na maior parte do ano, o rio Milk era completamente impossível de nadar, mas em dias como aquele, Astrid Collins poderia até suportar a ideia.

Encarando-se no espelho, ela pensou no que poderia fazer com o próprio cabelo, que caía em ondas negras na metade de suas costas. Decidira deixá-lo crescer no último ano, mas agora a ideia parecia uma tolice, porque não era chegada nas longas rotinas de cuidado que seu cabelo demandava.

Terminou prendendo-o num rabo de cavalo no alto da cabeça e piscou algumas vezes. Algo estava estranhamente diferente em si naquele dia, mas ela não conseguiu dizer o quê. Apenas parecia estranho e incômodo, como um frio na boca do estômago.

Astrid tinha completado dezesseis anos em fevereiro; seu rosto era miúdo e os olhos verdes grandes e arredondados, era franzina e de baixa estatura e sua constante preferência por roupas largas também não a tornavam a mais atraente das meninas de sua idade.

Não que fosse um incômodo ou qualquer coisa do tipo; ela não se importava com estes pormenores. Ela apreciava os momentos de solitude e de olhar o sol se pôr na "borda do fim do mundo".

Não possuía muitas amigas, uma vez que conversar não era seu forte, mas ainda sim, quando tinha feito sete, conhecera Aaron Decker.

A mãe dele havia chegado da Alemanha há pouco e, desde então, tornaram-se melhores amigos. Se não estava sozinha, Astrid certamente estaria com Aaron.

Ele era um rapaz completamente diferente da melhor amiga: era alto, com os ombros largos e olhos castanhos; seu cabelo era loiro e cacheado e sua avó, a senil Sra. Collins, costumava chamá-lo de anjinho, porque ele parecia um, decerto.

Compartilhavam todos os segredos, até os mais íntimos, sem medo algum. Como uma amizade deve ser.

— Anda logo, As — Aaron reclamou, se encostando na janela. As Collins moravam em uma casa simples, de apenas um andar e dois quartos no centro da cidade. Seu jardim era bem cuidado e Astrid não andava de carro, só de bicicleta.

As pessoas costumavam fofocar sobre a presença constante do Decker na casa, mas quando sua sexualidade veio à tona, pareceram dispostos a deixá-los em paz. Por algum tempo, Astrid temeu que aquilo pudesse se tornar uma caça às bruxas, mas no fim das contas, ninguém realmente se importou.

— 'Tá com pressa? — Ela provocou, enfiando o próprio celular no bolso do jeans e suspirou, caminhando até a janela: — Por que não usou a porta?

— Sua avó vai me fazer tomar chá de alho por causa do surto de gripe se eu entrar. Vamos logo! — Ele reclamou, saltando do parapeito da janela e atravessando o jardim até alcançar sua própria bicicleta.

'Vó! — Ela gritou, olhando brevemente para a porta do quarto fechada: — 'Tô saindo com o Aaron. Volto 'pro jantar!

E pulou a janela em seguida; pegou a bicicleta encostada na mureta e então, olhou para o amigo, sorrindo: — Corrida?

Ele não a respondeu, apenas pedalou velozmente, desaparecendo em poucos segundos.

Não vale, Aaron!

A borda do fim do mundo ficava entre duas colinas; um desfiladeiro íngreme que culminava numa cachoeira. Ninguém nunca nadava naqueles lados, tampouco Astrid e Aaron, mas gostavam de sentar ali e olhar o tempo passar.

— Eu to te falando — Aaron reclamou, encaixando a ponta de um baseado entre os lábios. — Eu sei que ele é gay, As!

— As vozes da sua cabeça te disseram isso, foi? — Soltou, dando uma risadinha em negação. Aaron era perdidamente apaixonado por Samuel, um jogador de futebol extrovertido que estava quase se formando. E não é como se ele fosse um cara mal; era até muito divertido e sempre o chamava para as festas, por isso, ele interpretara aquilo como um convite, quando o garoto parecia apenas estar sendo genuinamente gentil.

— Me deixa viver meus sonhos e fantasias — Reclamou, tragando a fumaça de um baseado recém bolado: — Quer?

— Não, obrigada. Não sei como ninguém percebeu ainda que você gosta dessas coisas — Astrid divagou, vendo os feixes alaranjados pintarem o céu.

— Oi? Mas todo mundo sabe que eu gosto de homem, As! — Aaron respondeu, genuinamente confuso e a Collins revirou os olhos, dando uma risadinha:

De maconha, Aaron. Não de homem, de maconha! — Ela explicou e por alguns segundos, o amigo a encarou, confuso e terminou dando uma risadinha, finalmente entendendo o que ela quis dizer.

— Você devia prov... — Aaron se interrompeu, unindo as sobrancelhas e pendeu com os lábios entreabertos: — Eu 'tô muito doidão ou tem alguma coisa caindo do céu?

Astrid ergueu os olhos, encarando a mesma direção que ele e ofegou. Não, ele não estava delirando. Definitivamente algo como um feixe de luz despencava do céu, envolto em uma nuvem de fogo e fumaça, estritamente em direção à eles.

O que quer que fosse, bateu contra alguns pinheiros violentamente, por fim caindo ao fim do desfiladeiro, onde a água da cachoeira desbocava.

As foi a primeira a se levantar, esticando a mão para o Decker; não o estava dando a alternativa de se recuperar, embora ele parecesse tentado a sair correndo. Só Astrid Collins correria em direção a um maldito asteroide.

O caminho até que alcançassem a base do desfiladeiro foi longo e aquela hora, já estava escuro, mas ao ponto que Aaron parecia apavorado, Astrid era um poço de animação. Ficaram parados à borda da água, tentando ver algo dentro; não era fundo, mas nunca tinham se aventurado a mergulhar por ali.

As velhas de Imus costumavam chamar aquela cachoeira de cachoeira dos anjos. E foi no que Astrid pensou quando viu a água borbulhar e então, uma mão alcançar a superfície, o corpo se projetando para fora buscando ar:

Que porra é essa? — Aaron sussurrou, assistindo um homem se colocar de pé; a pele era bronzeada e os fios escuros caíam em cachos úmidos na frente do rosto. Mesmo estando escuro, ele pôde ver os olhos verdes brilhando e engoliu em seco: — Ele é um ET? É bem gostoso para um ET...

Por um instante, Astrid quis rir, mas no fim, acabou dizendo:

— Oi? Sabe onde está? Qual o seu nome? — O homem, por fim, a olhou em retorno e piscou algumas vezes à medida que alcançava a borda, esticando os braços: — Tá tudo bem? Precisa de ajuda?

Astrid — Ele chamou, num sussurro e então, seus olhos se fecharam enquanto o corpo ruía e ele desmaiava sobre os braços da Collins.

4 Novembre 2022 23:41:00 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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