nataliakalim Natália Kalim

Sophia sempre foi uma pessoa excêntrica e um tanto solitária, mas encontrou nas páginas do seu próprio livro uma maneira de se refugiar. Enquanto escreve sua ópera espacial, Sophia se torna a Capitã Impacto e encara a difícil missão de salvar o universo, sempre com um ótimo bom humor e belas roupas dos anos 80. O leitor está convidadíssimo para embarcar nessa aventura com ela, desde que não pise nas abóboras que ela acabou de plantar e se lembre de que as rochas são vivas.


Humour Satire Tout public.

#80s #ficçãocientifica #comedia #humor #soapopera #spaceopera #espaço
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Introdução a Mim

Certo. Uma folha em branco, algumas palavras. Por onde começar?

Já sei! Vamos do começo!

Primeiro houve o Caos, uma matéria eterna e indescritível que é princípio de tudo aquilo que existe.

Não, não tão do começo assim.

No princípio havia eu e eu não era nada além de uma coisa cabeçuda e serpenteante; um espermatozoide em busca de um óvulo e da misteriosa centelha da vida. Por razões de trauma, vamos pular a parte dos meus pais e toda aquela coisa em que eles se meteram, envolvendo línguas, cutucadas e cenas que não queremos presenciar. O que importa é que deu certo e, em poucos meses, eu me tornei uma espécie de bola de carne careca e chorona. Minha maior preocupação era morder a mesa da cozinha e sujar minhas fraldas. Bons tempos.

Então eu cresci. Para a felicidade dos meus pais, minha preocupação deixou de ser morder mesa da cozinha e fazer cocô. Me tornei uma garota não tão feia, com longos cabelos castanhos e um corpo que não chega a ser esbelto, apenas magro em todos os lugares em que ele não devia ser. Quando meus seios começaram a despontar (só começaram mesmo, terminar que é bom nada), comecei a me preocupar com as mesmas coisas que as outras garotas da minha idade, como homicídio e a difícil definição metafísica da sopa enquanto janta (é ou não é?). Nunca consegui resolver a questão da sopa, então tive que começar a me preocupar com coisas melhores.

Como a literatura.

Os livros são minha grande paixão e o sentido que norteia a minha existência. Rapidamente, deixei de ser somente uma leitora e me tornei também uma escritora. Bastante boa, modéstia a parte. Apesar disso, seria uma mentira se eu te dissesse que ser uma escritora é fácil, e eu só pretendo começar a mentir lá pelo capítulo cinco.

Não, não é fácil. E só quem tem essa intimidade com as palavras sabe o quão doloroso pode ser espremê-las para fora de você, fazê-las tomar vida. Às vezes, escrever significa nunca terminar aquele capítulo que você gostou tanto ou simplesmente levantar sobressaltado de madrugada porque você teve uma inspiração divina enquanto sonhava. A inspiração é uma amante traiçoeira que pode ficar muitos meses sem te mandar nenhuma mensagem no seu whats-cerébro, te lançando em um bloqueio criativo terrível e merdificador (sim, amigo, você vai se sentir um merda), para reaparecer mais sedutora do que nunca.

Creio que vocês não queiram saber dessa bobagem, mas se algum escritor estiver lendo, sei que ele se identificará.

Ademais, basta dizer que eu não gosto muito de pessoas. E, por um número sem fim de motivos, eu decidi criar meu próprio mundo onde eu poderia ficar longe delas. E não, isso não me torna louca. Apenas extremamente excêntrica, imaginativa e potencialmente solitária. Mas, em resumo, saiba que eu me apeguei bastante aos meus personagens e essa foi a maneira que eu encontrei de sobreviver nessa selva. Há muitas pessoas piores do que eu, e que provavelmente são loucas de verdade. Tipo quem prefere tomar chá verde ao invés de café logo de manhã.

Voltando aos meus personagens, basta dizer que eles são meus verdadeiros amigos e que nunca vão me abandonar. Eles estão na minha mente, prontos para sair pro papel. Antes disso, porém, eles vivem. Dentro da minha cabeça.

Não vá me olhando torto tão rápido, pois não é como se eu falasse com eles em voz alta. Só em pensamento. Tá, às vezes eu sussurro, mas são apenas lapsos. É sério, não é como se...

TEK, POR FAVOR PARA DE COMER O MEU SOFÁ!

Depois dessa pequena interrupção, acho que estou pronta para te apresentar a eles. Mas antes disso, se vai entrar no meu mundo, há algumas regrinhas que você precisa cumprir. Toma aqui, eu escrevi uma lista:


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REGRAS PARA ENTRAR NO MUNDO DE UMA ESCRITORA EXTREMAMENTE EXCÊNTRICA, IMAGINATIVA E POTENCIALMENTE SOLITÁRIA.

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1. Não pise nas abóboras. Eu acabei de plantar.

2. Não entre usando meias listradas. Jamais! Não ouse!

3. Jamais desrespeite meus métodos ou a terra vai te engolir e te prender para toda eternidade com os fãs fanáticos de alguma banda adolescente. Eles vão amar tudo que você odeia e, assim como eu, eles não vão calar a boca.

4. Nunca, e eu repito, nunca questione as árvores. Elas sabem de tudo.

5. Não deixe Star e Tek ficarem perto de nenhum estofado.

6. Não se assuste com o quanto esse mundo é estranho e impossível, porque tudo é diferente do mundo comum e nada é como parece. Exceto, talvez, pelas melancias. Elas sãos sempre as mesmas.

7. Não esqueça sua toalha.

8. Cuidado onde pisa. As rochas são vivas.


∴ ════ ∴ ❈ ∴ ════ ∴


Agora que você já está suficientemente avisado, talvez eu já possa te falar mais sobre o pessoal.

Em primeiro lugar, temos a Roxanne. Ela é nossa piloto, mas vale dizer que ela é meio instável e autodestrutiva. Embora ela goste de ocasionalmente destruir algumas luas com os canhões da nave, seu pior defeito é ser nanica. Ela tem cerca de 1,30m e todo ódio do universo condensado dentro do peito. Percebi que isso é comum nas pessoas baixinhas. Talvez porque elas estejam mais próximas do inferno.

Luv é nossa especialista em armas de laser. Ela é toda loira e cheia daquela positividade irritante. Não passe muito tempo perto dela. Não vai querer ouvi-la cantar.

Não sei como Star e Tek vieram fazer parte da nossa tripulação, mas provavelmente é porque eu achei eles fofinhos. Além de serem gatos alienígenas, eles pilotam um robô gigante que é capaz de dar socos muito muito fortes. Pouca coisa não se resolve no espaço com socos muito muito fortes.

Agravaine é nosso engenheiro e não é de falar muito. Talvez porque ele seja um cachorro de dois metros de altura, talvez porque ele possa se comunicar com os mortos. Pelo menos ele é muito bom no trabalho dele, mesmo quase explodido nossa nave uma vez ou outra.

E por fim, a pessoa mais ilustre e importante de toda tripulação: EU! Meu nome real é Sophia e o sobrenome não te interessa. Eu diria que a única coisa que é importante é que quando eu estou no meu mundo eu me torno a Capitã Impacto, líder dos Ousados Baderneiros e dona da Aurora do Amanhã, nossa humilde navezinha, e de um tapa olho muito maneiro. Ninguém atira melhor do que eu nem é melhor saqueador, inclusive no que tange a roubar corações.

Talvez todo o problema tenha começado aí, pois quando somos os melhores do mundo em alguma coisa, acabamos reféns daquela estranha necessidade de manter nosso posto. Foi isso que transformou essa história de um possível "como eu salvei a galáxia" para um provável "como eu quase destruí ela". O que importa é que tudo deu certo no final, certo?

CERTO?

Não faça essa cara de novo. Eu já vou te contar como foi.

17 Octobre 2022 03:00:47 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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A propos de l’auteur

Natália Kalim Mineira. 20 anos. Formada em filosofia com especialização em história. Medievalista em construção. Às vezes me permito dar vida às palavras.

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