umehatake Ume Hatake

Eu não sei sobre o que vai ser essa história, eu não sei como os personagens irão interagir. Talvez seja sobre um romance com lenhador gostosão ou um romance mágico com uma ninfa curiosa, talvez vire até mesmo um monólogo. Talvez contenha um amor arrebatador e cenas picantes, talvez seja um romance intenso e cheio de surpresas. A questão é... que não importa. Talvez vocês descubram ou não... Isso vai depender do próprio fluxo da história. Seja bem vindo a história sem história.


LGBT+ Romance jeune adulte Interdit aux moins de 18 ans.

#+18 #arrebatador #novidade #romance #amor
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Um

O ponteiro do relógio fazia tique-taque incessantemente, talvez o som alto fosse apenas um indício de que sua mente estava em um lugar distante demais dando batidas espaçadas por segundos, era o que fazia a mente dela viajar por horas e horas sem pausa.


Lia aguardava entediada o desejado fim daquele encontro, havia passado meses lutando para que finalmente estivesse livre. Mas agora, parecia que aqueles segundos que batia com o ponteiro do relógio tinha se tornado horas.


Ninguém apareceu desde que ela chegou ali, nenhum advogado tanto o seu próprio quanto do seu futuro ex-marido.


Um acordo não amigável e um divórcio acirrado. Na verdade, Lia nunca quis nada dele, isso nunca foi sua prioridade — embora precisasse pagar os honorários que seu advogado contabilizou.


Ainda assim, não precisava de um tostão. Nem do carro, nem da casa que compraram e reformaram juntos, nem mesmo o cachorro que adotaram enquanto ainda se amavam ela queria.


Mas sua liberdade era uma outra conversa. Isso Lia desejava mais do que a própria vida, mais do que horas com um amor platônico incondicional, mais do que bens materiais que a sustentariam por anos.


Tique-taque. Tique-taque.


Uma hora a cada segundo.


Um horário combinado que ela fez questão de chegar mais cedo dizendo a si mesma que era apenas para que não pensassem mal de um possível atraso, mas Lia sabia no fundo do seu ser que era apenas uma desculpa para amenizar sua ansiedade.


Tique-taque. Tique-taque.


Sons de carros apressados e impacientes ecoavam ao fundo vindo dos vitrais antigos da advocacia que contratou. Um prédio de três andares que foram divididos entre um restaurante de comida chinesa no térreo, um consultório médico no primeiro andar, um estúdio musical no segundo e finalmente a advocacia no terceiro.


Tique-taque. Tique-taque.


Dessa vez os batuques soavam dentro dos ouvidos dela como uma bateria particular, um tambor pessoal feito do seu próprio tímpano.


A ansiedade era uma vadia sacana, suas mãos estavam a ponto de pingar de suor. A maquiagem que se forçou a passar no rosto deveria estar começando a derreter. Lia não tinha certeza disso, mas o calor excessivo que deixou seu corpo aquecido além do normal lhe deu a resposta.


O celular estava descarregado dentro da bolsa, o amado Fusca azul bebê estacionado do outro lado da calçada e os cabelos presos tão alto no topo da cabeça que fazia o coque parecer um enorme laço preto.


Lia podia sim ser uma bagunça, mas nesse dia não importava. Nesse dia ensolarado do centro da cidade, estaria livre.


Depois de anos amando por dois, vivendo um casamento por dois e não sendo feliz pelos dois também, faria o que deveria ter sido feito antes… pensar em si mesma.


Tique-taque. Tique-taque.


Pelos cálculos dela, todos deveriam chegar em poucos minutos e finalmente assinariam aqueles papéis odiados pelo seu futuro ex-marido.


Lia passou os olhos uma última vez pelo escritório, seria a última vez que entraria ali e depois que tudo estivesse firmemente acordado entre as duas partes conversariam apenas pelo telefone. Seu advogado havia afirmado isso e Lia agradeceu mentalmente por não precisar olhar de novo para aquele sujeito arrogante.


Marco tinha apenas alguns fios transpassados acima da cabeça e a autoestima de um cavalo, o que era possivelmente culpa de seu porte físico aparentemente musculoso. Lia imaginava que ele focava toda a sua atenção no corpo para poder compensar a calvície, ou talvez um possível órgão genital pequeno.


Era sempre uma luta segurar os risos quando ele tentava ser profissional e falar difícil enquanto os fios ralos da careca balançavam com o vento do ar-condicionado. Ele talvez soubesse do sarro interior que ela tirava e apenas a ignorava por ter o ego inflado demais, no entanto, ficava nervoso com muita facilidade.


Tique-taque. Tique-taque.


A madeira desgastada da sala de reuniões parecia estralar junto com as batidas do ponteiro, tudo velho demais, desgastado e empoeirado demais. Enfeites antigos ficavam ao lado de um punhado de quadros, molduras que guardavam os diplomas dos advogados daquele escritório.


Era uma sala terrível, mas ela leu boas coisas daquele lugar asqueroso. Várias matérias e comunicados sobre como aquele lugar velho e imutável fazia um bom trabalho, não era mentira, embora Lia desejasse um acordo ameno Marco havia conseguido benefícios para ela que pagavam seus honorários e a deixava financeiramente bem por longos meses à frente.


Finalmente o click da porta a tirou de seus devaneios, Lia endireitou o corpo inconscientemente após o susto. Marco entrou na sala seguido do advogado oposto e de Leo. Lia prendeu o ar até que todos estivessem sentados, Marco indicou para que ela se sentasse ao seu lado enquanto os outros dois homens ocupavam o outro lado da mesa.


— Esperamos que nada seja modificado em nosso acordo e sendo assim, aceitamos os termos. — Ela finalmente expirou.


Marco tirou os próprios papeis da maleta acinzentada e entregou para Lia assinar primeiro.


— Desde que assinem o combinado, nada mais será mudado. — Marco ao menos fazia questão de que ela não precisasse responder, o que a deixava extremamente grata.


— Olivia, você tem certeza?


Lia parou com a ponta da caneta no traço de assinatura, os tremores nervosos voltaram e foi difícil para ela manter a postura com a voz chorosa de Leonard.


— Combinamos que não haveria conversa entre as duas partes, por favor, respeite o pedido da minha cliente. — Mais uma vez Marco salvara sua pouca dignidade.


— Não pode dizer que não posso perguntar a minha mulher se ela tem certeza disso, nunca fui a favor da nossa separação e ainda não sou. — Lia conseguia ver o quanto estava apertando o plástico da caneta enquanto rabiscava sua assinatura com pressa demais para alguém aparentemente tranquilo. — Olivia, me escute...


O clique de outra caneta ecoou pela sala, Marco havia retirado outro documento da pasta e olhava fixamente para o advogado oposto. Lia entregou o documento rápido e voltou a endireitar as costas na cadeira.


— Faça seu cliente obedecer ao acordo ou serei obrigado a colocar a quebra de contrato por parte de vocês e tirarei de vocês mais do que a casa que colocamos no acordo.


— Você não pode. — Lia apertou os nós dos dedos ainda em silencio, não havia nada mais doloroso para ela que saber que seu ex-marido ainda pensava que havia um casamento entre eles.


— Já chega Leonard. — O advogado oposto o cortou sério. — Você assinou o acordo e não contestou quando isso foi imposto.


— Eu não havia pensado direito sobre.


— E não pensará mais, estamos de acordo? — Marco não deixou que Leo tentasse um novo contato com ela.


— Estamos. — O advogado oposto respondeu e indicou que Leo fizesse o mesmo.


— Okay.


Lia quase escorregou pela cadeira, uma sensação ruim tinha tomado seu estômago e parecia que a faria vomitar a qualquer momento. Além disso, não conseguiu encarar Leo desde que chegara ali, parecia ser um esforço grande demais ter que ver a dor nos olhos turquesa e ela não estava pronta para bater de frente com ele, pelo menos não nesse momento.


Ela se culpava pelo fim do casamento não importava o quanto a verdade estivesse na cara. Leonard deixou muita coisa da relação de lado e não foi apenas o amor, parte da vida conjunta havia esfriado e esquecida por parte dele. Mas ele não enxergava isso, para ele, estavam tão bem quanto no começo da relação — pelo menos, era o que demonstrava.


Os esforços para que tudo desse certo era único e individual dela, Lia sempre fez um esforço a mais para continuar o romance que sua imaginação criara para ela. Só que a realidade era diferente e a colocou com os pés firmes no chão quando tudo desmoronou de uma vez só em seu interior.


Foi em uma das tardes que passavam juntos em casa, os cômodos tinham se tornado um refúgio para que não precisassem se ver. Leonard se fazia de desentendido quando ela tocava no assunto e nada era resolvido. Nesse dia, Lia pesquisou por advogados e Marco a respondeu em instantes. Ela fez tudo sem que Leo desconfiasse e quando os papéis finalmente saíram, Lia os deixou na mesa de mármore antes que ele chegasse em casa e partiu para um apartamento de apenas um quarto no centro da cidade.


Foi um dia complicado, ela não deixou seu novo endereço anotado em nenhum lugar e o telefone foi o único modo que Leo tinha para tentar contato com ela. Ignorar o homem que pensou ser para a vida inteira doía no fundo da alma dela.


O processo demorou quase um ano para ser aceito por ele, entre um mês e outro Lia tinha que escapar de lugares que frequentaram por anos juntos, também foi necessário trocar de número telefônico quando ele entendeu que nada poderia ser feito contra a sua decisão. Havia acabado.


— A partir de hoje você volta a ter seu nome de solteira e nosso contato fica apenas pelo telefone. — Marco a tirou novamente de seus devaneios e dessa vez foi tão profundo que não viu seu ex-marido saindo da sala com o advogado, muito menos o viu assinar o documento.


— Obrigada Marco.


Foi a primeira coisa que disse naquele dia, a primeira palavra que saiu depois de finalizar um casamento que tinha durados gloriosos e dolorosos doze anos.


— Faça bom proveito da sua liberdade e caso precise de algo mais pode me chamar novamente, foi gratificante vê-lo sair calado de dentro dessa sala.


Lia suspirou fingindo sorrir como Marco fazia, acabar com uma relação de anos não era tão libertador e leve como ele fazia parecer.


— Entrarei em contato se necessário. Obrigada mais uma vez.


Lia não deu espaço para aquele advogado inoportuno brincar outra vez, mas faria o que ele disse, aproveitaria sua liberdade mesmo que não passasse de uma vida tranquila e sem expectativas.

18 Septembre 2022 21:15:59 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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