serenityelian Serenity Elian

Tudo começou com uma simples viagem, um tempo a sós com sua esposa. A comemoração do aniversário de casamento. Mas foi ali que descobriam segredos, desejos e sentimentos ocultos.


Fanfiction Anime/Manga Interdit aux moins de 18 ans.

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Capítulo Único

O aniversário de dois anos de casamento se aproximava. Dois anos. Dois anos que não era mais um homem solteiro, livre, descompromissado. Jurava que estaria espumando de ódio, em pé de guerra constante com sua esposa, mas não. Não havia um relacionamento romântico entre eles, não se amavam, muito menos estavam perdidamente apaixonados um pelo outro. Entretanto, tinha nela uma parceira, não apenas sexual, como no carteado e eventualmente na bebida.

Apesar da falta de sentimentalismos entre eles, decidiu levá-la em uma viagem, um tipo de segunda lua-de-mel, além de claro, poder descansar um pouco. Quanto à primeira que seguiu a cerimônia e festa de casamento, não poderia fazer uma única reclamação, pois aproveitou como nunca pensou que faria. A primeira lua-de-mel foi uma viagem — surpresa de seu pai Abel —, foi para um dos destinos mais paradisíacos do mundo, Maldivas. Uma viagem regada a muito sexo. Ali estava algo que não tinha do que reclamar de sua agora esposa — além do tesão que sentia por ela — era que se queria transar, bastava um beijo mais quente, uma mãozinha boba, puxá-la para si e pronto, estavam na cama transando, pegando fogo.

— Então marido, ainda não me disse para onde estamos indo — ela comentou sem olhá-lo, pois respondia uma mensagem.

— Surpresa — disse simplesmente. Ele era bom em ficar de boca quieta, quando não estava com raiva ou puto, e bom em manter segredos. — Mas… Garanto que vai gostar.

— Se você diz… — Sendo tudo que ela disse. Serenity por sorte não era uma pessoa que morria de curiosidade, sabia e conseguia conter.

O percurso até o destino da viagem estava sendo feito no jato particular de Abel. Ela sequer imaginava o motivo e manteria assim, visto que não comemoraram o primeiro aniversário de casamento porque estavam constante brigas por terem sido forçados ao casamento por seus pais e seu acordo comercial antiquado e o mais terrível com um contrato nupcial minuciosamente bem elaborado, dificultando um possível divírcio.

Três horas e vinte minutos de viagem depois, o jato aterrissava no aeroporto Charles de Gaulle, localizado na capital francesa. Imediatamente a esposa de Kanon reconheceu o local. Obviamente já esteve ali em várias ocasiões.

— Paris? — olhou para o marido. — Tendo lapsos de romance, marido?

Kanon apenas sorriu de lado, de maneira arrogante. O tom dela era levemente jocoso, o provocando. Estava ciente que a cidade era conhecida por ser um destino romântico para os demais casais apaixonados, o que não se aplicava a eles. O máximo que faria ali era levá-la às compras em uma das ruas mais famosas da capital, a Champs-Élysées. Gostava de exibi-la, afinal era uma mulher muito bonita, o longo cabelo de ébano que gostava de puxar, a tez de porcelana, os olhos azuis que lembravam o mar Egeu, o corpo curvilíneo, seios grandes, uma bunda que ele gostava de apertar e baixa, sim, ele gostava de mulheres de baixa estatura.

— Não ficaremos aqui, esposa, nosso destino é em outro lugar, mas agora vamos de carro. — Explicou enquanto a ajudava a descer do jato.

Por serem herdeiros de quem eram, passaram pela imigração rapidamente, não sendo necessário enfrentar uma enorme fila. Sequer precisaram se preocupar com as malas, pois um homem devidamente uniformizado as colocava em uma Mercede-Benz EG3 AMG, na cor preta, os recepcionando em seguida, falando em francês, afinal estavam na França. Serenity sabia que Kanon era fluente na língua, mas nunca o ouviu falando. Tinha que admitir que gostou de como a voz dele soava na língua, dando ideias para depois.

Fez uma observação mental, não sabia que a família Elián possuía negócios no país, achou interessante. Havia aspectos do marido que desconhecia e não se incomodava com isso, porém não gostaria de ter nenhuma surpresa desagradável, esperaria pacientemente que o próprio Kanon contasse algo.

— Quem diria que meu marido é uma caixinha de surpresas. — Brincou com ele, após entrar no veículo.

— Não me conhece tão bem assim, minha cara — ele disse, fechando a porta dela e em seguida entrando no veículo pela outra porta, sentando-se ao lado dela. Dando ordens ao chofer para saírem dali. — E você sabe que não gosto de hotéis.

— Sim, eu sei — o olhou, disfarçando a curiosidade ao mesmo tempo que tentava captar qualquer informação que fosse, só que Kanon… Era duro na queda. — E também vai manter o mistério para onde estamos indo.

A viagem de carro foi feita em total silêncio, um confortável entre eles. Outro motivo para isso era o cansaço, ela teve uma crise de insônia, o que ocasionou trabalhar a madrugada e a manhã inteira, já Kanon virou a noite para terminar a acusação, odiava deixar trabalho atrasado.

Ele queria passar para ela a impressão de que aquela viagem foi uma ideia de última hora, sendo que não era a realidade. Havia semanas que vinha planejando cada detalhe daquela viagem sem levantar uma única suspeita e pediu ajuda de seu sogro quanto a folga da esposa e segredo total.

Serenity tentava prestar atenção em todo trajeto, no entanto, em algum momento fechou os olhos, cochilando em seguida. Já Kanon estava bem acordado, apesar do cansaço, habituado a ele, fora que gostava de apreciar aquela visão da paisagem, o clima ameno da época do ano. O concreto deu lugar à floresta, deixando a viagem mais aprazível.

O belíssimo caminho pavimentado, ornamentado por cercas vivas captaram a atenção da morena recém despertada, indicando que avançaram bem. Logo um imenso portão entrou no campo de visão seguido de que ao longe lembrava um Chateaux, todo iluminado, era uma bela visão. Olhou para o marido de soslaio, ele fingia não perceber a mirada dela.

— Um Chateaux? — perguntou enquanto observava maravilhada o lugar. — De fato, muito melhor que um hotel, Kanon.

— Sei que tenho bom gosto para tudo — respondeu.

O chateaux era de tirar o fôlego, um jardim muito bem cuidado, a fachada pintada de creme, o telhado em azul escuro, janelas grandes, iluminado. A fonte na frente dava um toque especial ao lugar. O carro parou na entrada principal. Kanon saiu primeiro, o motorista abriu a porta para ela.

Um empregado veio recepcioná-los, enquanto o motorista tirava as malas do porta-malas do carro. Kanon passava instruções ao homem, ela entendia cada palavra dita em francês, a deixando mais curiosa sobre tudo. Apesar de deslumbrada com aquele pequeno palacete, permitiu que o marido a guiasse por ele.

Todo aquele local exalava luxo puro, do chão ao teto, obras de arte penduradas nas paredes, móveis clássicos franceses, a escada que levava ao segundo andar possui corrimão de ouro, tapete vermelho, cada detalhe meticulosamente pensado e decorado.

Kanon a levou até uma porta dupla branca com detalhes, abriu e esperou a esposa entrar a seguindo. A decoração era em cores claras, detalhes em dourado, janelas grandes, cortinas de tecido leve e branco, os móveis tinham um toque do estilo Louis XIV, ela encontrou a porta que levava para o quarto em si, a cama king size em estilo dossel, um closet enorme que no final dava para o banheiro da suíte. Tudo exalava riqueza e luxo. Não estava exatamente surpresa, afinal foi o mundo que tanto ela quanto ele cresceram.

— Isso deixa muitos hotéis de luxo no chinelo — comentou. — Ainda não sei o que apronta, marido, mas estou gostando.

Kanon manteve-se quieto durante toda a exploração da esposa pelo local, notou o tom curioso em sua voz, porém ainda não era o momento para responder nenhuma pergunta que se formulava na mente dela. Era de relaxar, longo de tudo e de todos. Olhou rapidamente para o cômodo que não entrava há três anos.

— Que tal um banho? — perguntou, encostada no batente do closet. — Trabalhamos de manhã, ontem até muito tarde…

— Barganhando sexo? — brincou enquanto afrouxava a gravata.

— Tudo bem, não quer, não quer. — Deu de ombros.

— Jantar primeiro, não sei você, mas eu estou com fome. — Tirou o paletó o deixando na poltrona, junto do colete e da gravata.

O jantar foi servido em uma belíssima sala de jantar, uma mesa longa com doze lugares, em madeira clara, cadeiras modernas também em tom claro. Os pratos de louça fina e diria antiga, do tipo que passa de geração em geração. A refeição em si foi bem leve, uma salada de folhas caprichada com uma proteína e suco, muito similar a que eles faziam em sua casa na Grécia.

Serenity tentava encaixar as peças daquele pequeno e muito interessante quebra-cabeças. Ou o marido era dono daquele local, ou seu sogro, ou até mesmo Saga, ou então era amigo íntimo do dono. Mais um lado do esposo que ela não conhecia, mas assim eram eles dois um com o outro, o que tinham de fogo e entendimento na cama, fora dela, não se aplicava, de certa maneira ainda eram estranhos um ao outro.

— Que tanto pensa? — ele perguntou quando notou o olhar distante dela.

— Me distraí, só isso.

Kanon não fez mais perguntas porque imaginava o que era, sorriu minimamente, ela queria perguntar, só que o orgulho dela não permitia.

— A comida está gostosa — ela comentou.

— Sim.

— Como foi a manhã no tribunal?

— Exaustiva, como sempre — respondeu. — Está falando hoje.

— Até parece que não conversamos durante o jantar, marido. — Rebateu, depois sorveu um gole do suco.

— Verdade, mas o dia foi como todos os outros, pesados e exaustivos.

— Quanto tempo vamos ficar aqui? — perguntou, porque Kanon era como o pai, se deixasse só trabalharia, vinte e quatro horas por dia.

— Três semanas.

Ela sorriu, seria bom para ele descansar.

O restante do jantar passou mais tranquilo, conversaram mais um pouco e depois subiram para o quarto. Serenity não aguentava mais aquela roupa, ainda no closet começou a se despir, sem se importar se o marido a olhava ou não. Prendeu o longo cabelo em um coque, tirou a maquiagem, caminhou até a banheira e abriu a torneira de água quente e esperava encher um pouco quando sentiu as mãos grandes de Kanon em sua cintura a puxando para ele.

— Você não respondeu o que te perguntei antes.

— E eu lá preciso barganhar sexo, Kan? — questionou.

Ele distribuía leves beijos pelo pescoço dela, a provocando. Estava cansado, mas nada que impedisse de tê-la antes de dormirem. Serenity se virou para ele, na ponta dos pés para conseguir beijá-lo, afinal ela tinha apenas 1,62 e ele 1,90, uma boa diferença de altura.

Entraram juntos na banheira e continuaram as provocações e brincadeiras, a teve ali mesmo, quando a água esfriou a levou para cama, dando continuidade ao que começaram. Sexo nunca faltou naquele casamento, mesmo que estivessem aborrecidos, putos um com o outro, jamais foi impedimento para dividirem seus corpos.

(...)

Na manhã seguinte, quando acordou, passou a mão pelo lado do marido e estava vazio e frio, indicando que ele levantou a tempos, resmungou. Falta de certos sentimentos românticos à parte, detestava acordar sozinha na cama, levantou a contragosto, rumou até o banheiro, lavou o rosto, escovou os dentes, penteou o cabelo.

Vestiu uma roupa confortável e leve, saiu do quarto em busca de Kanon, só esperava não se perder naquele lugar. Estava descendo as escadas quando encontrou o mesmo empregado que os recepcionou na noite anterior.

— bonne journée madame — ele a cumprimentou.

— Bonjour, savez-vous où est mon mari? — ela perguntou na língua dele, o surpreendendo.

— Dans le jardin, attendant la dame. viens avec moi s’il te plait — respondeu e a guiou até os jardins.

— Merci.

Havia uma linda mesa de café da manhã preparada, mas o marido não se encontrava. Onde ele estaria? Achou estranho, o homem disse que ele estaria ali. Passou os olhos por todo local, nenhum sinal dele.

— Acordou. — Kanon apareceu como se conjurado por seus pensamentos. Ele puxou a cadeira para que ela sentasse, dispensando o empregado em seguida.

— Até dormiria mais um pouco… — comentou. — Mas alguém… Me largou sozinha… E você?

— Como um anjo — respondeu enquanto se servia uma xícara de café.

— Levantou muito cedo?

— Não, acho que há uns quarenta minutos.

Serenity apenas o observou, o cabelo loiro preso em um rabo de cavalo alto, uma blusa polo azul escura, calça jeans e sapatênis. Uma visão tentadora de homem, porém sua atenção se prendeu no rosto dele, mesmo o olhar malicioso não era capaz de disfarçar o cansaço, as olheiras — que apesar de mais claras — se faziam presentes. Sabia muito bem que o trabalho na promotoria era exaustivo, fora a investigação do assassinato da mãe dele, mas Kanon já não era mais um menino com todo tempo do mundo em suas mãos e sim um homem de trinta e quatro anos, e todo aquele cansaço e estresse começavam a pesar e cobrar seu preço. Aquelas pequenas férias vieram no momento certo.

— Aqui já é lindo a noite, mas olhando agora na luz do dia, é muito mais — comentou. — Como soube deste lugar, marido? É do seu pai? De algum amigo?

— Qual o milagre de tanta curiosidade? — perguntou em tom jocoso.

— Vamos… Não seja mau, marido. — Ela sabia que ele não cederia assim facilmente, Kanon era bem duro na queda e se tornava mestre em deixá-la doida de curiosidade.

— Vai ficar na curiosidade por enquanto. — Brincou com ela enquanto abria o jornal para ler as notícias.

— Pois bem, sei ser paciente — disse pegando um croissant, abrindo e o recheando com alguns frios. — Tem algum plano para hoje? Ou vamos ficar por aqui mesmo?

— Quer conhecer o local? — perguntou sem tirar os olhos do jornal.

— Claro que sim, este lugar é lindo, seria um desperdício não explorar.

— Podemos explorar com calma, temos tempo.

Todo aquele mistério estava mexendo com ela, a atiçando. Olhou para o marido que fingia não sentir seu olhar sobre ele.

— Sei que sou lindo.

— Bobo.

— Podemos ir a Paris?

— Já quer ir às compras? — questionou em tom de ironia.

— Quem sabe no final da viagem, ia apenas sugerir um daqueles passeios clichês — respondeu, esperando a reação dele. — Aqueles que os demais casais costumam fazer… Passear com meu marido um pouco.

Kanon teve que rir, definitivamente ela era a parceira ideal para ele. Pois ela odiava aqueles clichês superestimados tanto quanto ele, principalmente os atribuídos à capital francesa. Sorriu divertido, aceitaria a brincadeira, era bom estarem se dando melhor, as brigas diminuíram consideravelmente no último ano. Cada um alegava que não queria conhecer a fundo o companheiro, só que aquilo estava longe de ser a verdadeira realidade deles. Ele ocasionalmente reclamava o quão mimada sua esposa era, porém a mimava da mesma maneira, fora que adorava exibi-la nas raras aparições públicas do casal. E assim como ele, gostava de manter sua vida particular, privada, longe de rodas de fofoca e revistas sensacionalistas, prezava pelo nome, reputação tanto pessoal quanto profissional. Ou seja, seu casamento deixava de ser uma fachada e se tornava conveniente para ele, confortável até.

— Muito bem, um passeio clichê teremos. — Dobrou o jornal e o colocou de lado, dando atenção a ideia inusitada de sua esposa.

(...)

Após o café, Kanon mostrou primeiro o interior do palacete, sala de vídeo, de jogos — os olhos dela brilharam com a mesa de bilhar —, uma piscina interna aquecida, alguns dos demais quartos e a cozinha. Em outro momento mostraria o exterior, a levaria até a vinícola, contaria um pouco da história daquele local tão lindo e sossegado. Quando achasse que fosse a hora, contaria os pormenores, afinal sua confiança nela era algo recente.

Observou cada reação dela enquanto caminhavam pelo local, o fascínio, a atenção dela a cada detalhe. Estavam tão distraídos e aproveitando genuinamente a companhia um do outro que sequer perceberam que andavam de mãos dadas e dedos entrelaçados. Começavam a relaxar mais na companhia um do outro.

— Que tal irmos até uma cidade perto? — ela perguntou.

— Claro. — Concordou.

— Podemos almoçar fora, depois a noite um lanche e um filme.

— Terror, claro. — Brincou. Outro ponto positivo sobre a esposa, comédia romântica e melosa não era com ela, a entediava ou então dormia. — Um bom programa para o primeiro dia.

— Estava pensando… — começou. — Acho que Lua e Peta iriam adorar aqui, tanto ar puro e lugar para brincar.

De fato, as duas bichanas iriam à loucura.

— É verdade, Peta deve estar puta comigo, viajei sem ela, de novo — Kanon comentou.

— Admito que estou com saudades das duas. — Fez um biquinho, ele tinha que admitir que foi bonitinho, segurou as bochechas dela e lhe deu um selinho.

Ela ficou levemente corada. Terminou o passeio pelo palacete, pegaram o carro e foram até a cidade mais próxima aproveitar o dia, como não tinham hora nem compromisso com nada, poderiam aproveitar o máximo cada passeio.

(...)

A premissa de que o tempo voa quando está se divertindo, não poderia ser mais verdadeira. Quando se deram conta já estavam no final da primeira semana ali. Talvez fosse o tanto de exercícios sexuais praticados, perdiam a noção de tempo. Além de claro irem a cidades ao redor do chateaux.

Era sexta-feira, o dia em que prometeu levá-la à capital para as compras. Deixou que ela assumisse o volante — como fizera em outras ocasiões — tinha que admitir que para quem dormiu parte do trajeto na chegada, sua memória era boa. Não se surpreendeu quando chegaram à Paris sabia exatamente onde estava indo. Pensou por um breve momento, que se as circunstâncias fossem outras, poderiam viver ali no chateaux sem problema algum. Aquele pensamento o agradou.

Serenity não percebeu o olhar do marido, tão pouco quando ele a olhou, estava focada no trajeto, em especial para chegar na Champs-Élysées e por sorte conseguiu uma vaga de cara.

— Perguntar se precisa de guia é redundância. — Brincou.

— Non, non mon mari. — Ela entrou na brincadeira.

— Você fala francês? — Kanon foi pego de surpresa, pois já ouviu a esposa falar em inglês, espanhol, italiano, até mesmo japonês, mas francês, era uma novidade.

— Oui, mon chéri — ela deu uma piscadinha marota para ele. — Desde os quinze anos, fiquei um tempinho aqui na cidade, justamente para aprender.

— Então vem entendendo tudo o que venho falando para os empregados? — questionou.

— Só quando prestei atenção e ainda assim, não foi muita — respondeu. — Além do mais, marido, nunca me perguntou se eu falava mais alguma língua.

Ele ficou quieto, digerindo a novidade, por alguns minutos. Bom, talvez fosse hora de conhecer melhor sua esposa, não queria nenhuma surpresa desagradável ou algum esqueleto dentro do armário, fantasmas do passado.

— Por onde quer começar? — perguntou desviando o rumo de seus pensamentos, aquilo era assunto para outra hora.

— Não precisa ficar grudado em mim, Kan — notou que a surpresa não foi nada bem recebida pelo esposo e que possivelmente ele precisaria de um tempo para digerir aquilo. — Se quiser ver algo que goste, ou só perambular…

— Se eu me entediar, quem sabe? — falou de maneira que soasse casual.

Andaram por quase toda a rua, olhando lojas e mais lojas, Kanon ficou surpreso em como a esposa aguentava andar naqueles sapatos de salto tão alto e sem reclamar.

— Ah Louboutin! — ela exclamou, os olhos de safira brilharam. — Paraíso!

— Nunca vou entender porque mulheres são tão fissuradas em sapatos. — Pensou alto.

— Dito pelo homem que tem quase tantos pares de sapato quanto a própria esposa, marido. Além do mais, eles ficam divinos nos meus pés e meu querido marido é uma muralha…

— Não é minha culpa você ser nanica! — Defendeu-se.

Ela entrou na loja parecendo uma criança em uma loja de doces. A atendente pegou todos os pares que ela pediu, o que o assombrou um pouco. Sua esposa experimentava um por um, andava, dava uma volta, tudo de frente ao enorme espelho.

Já ele não tirou os olhos das pernas dela, a observava, e estudava um pouco também. Não sabia dizer quanto tempo exatamente estavam ali, porém estava entediado por demais, queria sair dali.

— Meu amor. — Era tão difícil chamá-la assim no dia-a-dia em público, mas tinham uma imagem a manter e zelar.

— Oi vida. — notou a expressão entediada dele pelo espelho. — Pode ir se quiser, nos encontramos depois. O que acha de almoçarmos naquele bistrô que passamos mais cedo?

— Ótima ideia, me ligue quando sair, não quero você andando por aí cheia de sacolas. — Deu um leve beijo nos lábios dela e saiu.

Já na rua, andou a esmo pela rua, sentiu-se um pouco sufocado naquela loja, não se importava de caminhar sozinho, o fizera tantas vezes. Olhou para as vitrines desinteressadamente, sem objetivo específico quando uma loja de roupas infantis chamou sua atenção. Kanon mantinha um segredo de todos, guardado a sete chaves, o desejo de ser pai. Ninguém sequer suspeitava disso, nem seu pai ou Saga, seu gêmeo e melhor amigo. A vantagem de estar casado é que não precisaria recorrer a uma barriga de aluguel, sua esposa seria a mãe dos seus filhos, ou assim esperava.

Apesar do jeito autoritário e controlador de Abel, sempre foi um pai muito presente, cuidou dele e de seu irmão, cada febre, resfriado; se ausentou por um longo período do trabalho após o assassinato de Atalanta para cuidar exclusivamente dos filhos, pensava às vezes que aquela mania de controle não seria o medo do pai de perdê-los como perdeu a esposa.

Interrompeu o fluxo de lembranças e entrou na loja, olhou tudo com calma, imaginando seu filho ou filha usando algumas das roupinhas, brincando com alguns dos brinquedos que havia ali, ou no seu colo. Sorriu. Passando os olhos, dois pares de sapatinhos capturaram sua atenção. Ambos de meninos, um era escuro com estampa de âncoras sem cadarço ou velcro e o outro era um tênis de velcro com um barquinho na ponta do velcro. Olhando mais um pouco, viu um de menina, uma sapatilha estilo bonequinha, branco com lacinho cravejado em pequenas pérolas. Chamou a atendente e pediu os três em um embrulho bem bonito.

Saiu muito feliz da loja, colocou os presentes na mala do carro, não queria a esposa fazendo nenhuma pergunta, queria evitar a fadiga de uma briga, estavam aproveitando tão bem as férias. Verificou o celular, duas ligações perdidas dela, retornou.

— Oi marido.

— Saindo?

— Sim, mas da Louis Vitton.

— Me espere aí. — Desligou.

Quando a encontrou, pôde contar pelo menos dez sacolas de compras nas mãos, pelo jeito teve tempo de ir a outras lojas. Pelo jeito seu pequeno passeio durou mais do que julgou.

— Misericórdia, Serenity, aí tem pelo menos dez! — Exclamou e aproximou-se da esposa.

— E? — Ela deu de ombros. Pagou com o próprio dinheiro, não o dele. Aliás, esse era um dos acordos mais importante entre eles, independência financeira, cada um tinha seu próprio dinheiro e apenas coisas relacionadas a casa o dinheiro era usado de maneira conjunta.

Kanon preferiu manter-se calado, desaprovava aquele consumo de sua companheira, no entanto, não poderia reclamar, não era o seu dinheiro e sim o dela. Mas não significava que não causava brigas. Voltaram rapidamente até o carro e deixaram as sacolas. Ele agradeceu ser grande o suficiente para caber as travessuras da esposa.

— Almoçar? — ele perguntou.

— Sim! — respondeu feliz, o dia estava sendo tão bom, tão tranquilo, a companhia do marido maravilhosa. — Escolha o lugar, te arrastei para as compras e sei o quanto você odeia isso.

— Torre Effiel? — perguntou. Já que iam fazer todo aquele clichê tradicional, por que não almoçar lá?

— Estamos levando a brincadeira a sério — riu. — Vamos!

Abriu a porta para ela e entrou depois no lado do motorista e rumaram para a Torre.

Na manhã seguinte que chegaram, fizeram uma aposta de quanto tempo aguentariam fazer os passeios românticos que os demais casais fazem na cidade. Tinham que admitir que não havia do que reclamar, tudo ia muito bem, na curtíssima história deles.

Seria uma pena se aquele equilíbrio tão delicado fosse perturbado. O casal esqueceu-se do mundo e principalmente do paparazzi, os seguindo e fotografando pela cidade, um prato cheio não apenas para os tabloides franceses, mas para os gregos também. Eram raríssimas as aparições públicas do casal Elián-Solo.

Enquanto o casal aproveitava as férias, sua segunda lua-de-mel, em Atenas, era só o que se falava em todas as revistas e tabloides. Alguns dos mais famosos estavam nas mãos da assistente pessoal de Abel que caminhava naquele exato momento até a sala de seu chefe entregá-los. Toda e cada publicação na qual saia os nomes dos gêmeos, ele checava. Queria saber o teor, se havia algum potencial problema, mentira, escândalo, algo que os prejudicaria. Este hábito começou quando Saga se relacionava com Saori, o comportamento de seu primogênito saiu do controle, estampando todos os veículos de comunicação do país, sem se importar com aquilo.

— Sr. Elián, como o pedido, aqui estão as revistas em que mencionam o nome de seu caçula. — Deixando todas na mesa dele.

Abel desviou os olhos da tela do notebook para examiná-las. Pegou a primeira, Casal Herdeiro em Segunda Lua-de-Mel em Paris. No fundo, ele desejava que fosse aquilo mesmo, não casou seu filho caçula apenas por conta de um negócio lucrativo, mas porque acreditava piamente que a moça seria uma ótima esposa para Kanon.

Pegou a próxima revista: Casal Herdeiro em Clima Apaixonado. Mas foi a terceira que mais chamou sua atenção: Casal Elián e seu Ninho de Amor Francês. Abriu a revista e começou a folhear até encontrar a matéria, as fotos dos dois em um jardim impecavelmente cuidado, depois a foto de um Chateaux no arredores da capital. A matéria dizia que a propriedade pertencia aos gêmeos Elián há pelo menos nove anos. Continuou a leitura, descobrindo um segredinho de seus filhos, mas não se importou, muito pelo contrário. Demonstraram iniciativa e montaram um negócio que era deveras lucrativo, estava orgulhoso deles. Claro que quando fosse visitá-los, sondaria para saber mais.

— Isso vai causar uma briga entre eles, espero que não vejam — disse para si mesmo. — Eles odeiam esse tipo de publicidade…

(...)

Quando deram por si, já era o final da segunda semana, tudo ia muito bem, se divertiam com aquela pequena aposta, mas naquele dia, decidiram não fazer nada. Descansar um pouco, entretanto, quando Serenity acordou, não viu o marido em lugar algum, quando perguntou dele, havia saído cedo e não disse a hora que voltaria. Não gostou nem um pouco disso, seria paciente e esperaria por ele.

Naquele meio tempo aproveitou para fazer um spa day. Ela terminava de se secar e andava para o closet quando notou uma das portas do armário do marido aberta, achou estranho, ele nunca deixava assim. Enrolou a toalha e foi até lá fechar, quando uma sacola chamou sua atenção, não era de mexer em nada dele, mas sentiu que havia algo fora do lugar, pegou a bolsa e dentro havia três embrulhos coloridos. Procurou por algum cartão, algo que indicasse para quem era os presentes. Será que era para Ulisses, seu sobrinho? Sabia que o marido gostava no pequeno, mas não lembrava de ser o suficiente para tantos presentes. Um talvez, mas três… Acreditava que algo estava muito errado.

Para ela, sabia que não era, afinal não estava grávida. Sua cabeça começava a matutar ideias e teorias e não gostava de nenhuma delas. Não estaria Kanon a traindo, não é? Ou pior, estaria esperando um filho com outra mulher? Aquele pensamento a fez sentir-se ultrajada, seu sangue fervia. Se ele quebrou o acordo mais importante que tinham, faria de sua vida um verdadeiro inferno. Pediu ao marido, nada de amantes e o mesmo da parte dela, sabia o tipo de vida que levava antes do casamento. Era melhor que a explicação fosse plausível.

Colocou tudo no lugar e fechou a porta do armário. Quando ele teve… Lembrou-se do dia que fora para capital, estavam na loja Louboutin, ele alegou tédio e saiu. Deve ter sido naquela hora que saiu enquanto ela ficou, não poderia ter sido outro momento, foi o único em que se separaram. Filhos era um assunto que nunca tocaram, aliás, ela morria de medo da reação dele, caso ela engravidasse.

— Kanon… Kanon… — Estava enfurecida, como nunca pensou ser possível. Descartou ciúme, porque não havia sentimentos românticos entre eles. Ao menos era isso que sua mente sempre lhe dizia. Mas não deixaria transparecer, esperaria por algum vacilo dele.

Vestiu algo quente e confortável, pois as noites naquele lugar eram como gostava, frias. Depois foi para a sala de vídeo, aquela pequena sala de cinema particular. Escolheu um filme de terror/suspense A Freira, mesmo já tendo assistido inúmeras vezes. Uma a mais, uma a menos, não faria diferença. Só queria se distrair do fato que seu marido não estava, já anoitecera e nada dele, nenhuma notícia, nada. Sabia que nada havia acontecido como acidente, porque aquele tipo de notícia corria rápido. Então, onde ele estava?

Queria muito se distrair, mas sua mente voltava ao pensamento de que talvez ele estivesse nos braços de outra, alguma amante francesa, aquilo a deixava louca, enfurecida. E pior, outro acompanhou o primeiro, o fato de estarem tão afastados da cidade, seria para que ela não desconfiasse de nada? Para que a corna fosse a última a saber.

Bebia o vinho em uma velocidade impressionante, pouco antes da metade do filme, já estava na segunda garrafa. Embriaguez e fúria era uma combinação perigosa, chegando a ser letal e seria algo que Kanon desejaria nunca mais ver em toda sua vida.

Ele regressou ao chateaux pouco depois das nove da noite, o silêncio do local o incomodou um pouco, além de sentir um arrepio na espinha. Procurou pela esposa e não a encontrou de primeira, ótimo, era a chance que tinha de guardar os presentes que comprou, afinal naquele fim de semana era o aniversário de casamento deles. Abriu seu armário para colocar tudo e não encontrou a sacola da loja infantil, não no local que originalmente colocou. Esperava que fosse apenas esquecimento dele, pois tudo que não precisava era uma briga com a esposa. Antes era necessário encontrar uma maneira de abordar o assunto filhos com ela e convencê-la a terem um. Foi tomar um banho, antes de procurar por ela novamente.

Mal sabia o geminiano da avalanche que vinha em sua direção.

(...)

Encontrou Serenity na sala de vídeo, que passava um filme bem violento, o som muito alto e ela… Dormindo. Sabia que o sono dela era de pedra, porém com aquele volume do filme, já era demais. Chegou mais perto e notou as garrafas vazias, os melhores vinhos brancos da casa, ficou imaginando a velocidade com que a esposa bebeu, impressionante. Nunca viu nada parecido nos últimos dois anos praticamente.

— É… Parece que tem um fígado de ferro, esposa. — Desligou o projetor, recolheu as garrafas e foi pegá-la no colo e ouviu um resmungo dela.

Serenity abriu os olhos devagar, sentia-se leve demais, suas bochechas estavam vermelhas por conta da grande ingestão de álcool. Sua visão focou aos poucos e lá estava seu marido, cabelo molhado, cheirava a banho recém tomado, um perfume um pouco forte para seus sentidos naquele momento. Ele queria disfarçar o cheiro da outra, era isso! Ah, mas não deixaria barato não, sua expressão fechou, sendo notada por Kanon. Ela odiava fazer cena, barraco, essas coisas, só que em seu estado alcoolizado, controle era a única coisa que não tinha, nem mesmo um raciocínio preciso.

— Acordou — Ele tentou pegá-la no colo, mas não foi permitido.

— Por que chegou tão tarde? — Sua voz saiu arrastada, a embriaguez era maior do que pensou.

— Eu avisei que teria que resolver algumas pendências. — Explicou com toda calma do mundo levando em conta o estado dela.

— Pendências… Sei… Uma amante… — Ela disparou sem pensar duas vezes, tentou se levantar sozinha, mas cambaleou um pouco, piscou algumas vezes. Foi uma péssima ideia beber tanto de estômago vazio.

Kanon não conseguia acreditar no que ouvia, não daria o menor crédito aquilo, era conversa de bêbado. Loucura de bêbado.

— Vem, melhor deitar. — Tentou outra vez no colo, mas ela puxou o braço com força que a fez cair de novo no sofá.

— ADMITE! VOCÊ QUEBROU A MERDA DA ÚNICA PROMESSA QUE TE PEDI! — o rosto dela ficou ainda mais vermelho com os gritos. — CANALHA MENTIROSO!

— PARA COM ISSO, SERENITY! — ficou louco de raiva com aquela acusação infundada. — MAS QUE MERDA, MULHER! PELA PRIMEIRA VEZ EM DOIS ANOS ESTÁVAMOS NOS DANDO BEM E VOCÊ ME VEM COM ESSE ABSURDO!

— VAI NEGAR? — ela sentia ganas de arrancar a verdade do jeito que fosse. — SUMIU O DIA INTEIRO, NÃO DISSE PARA ONDE FOI NEM COM QUEM!

— Não me lembro de ter que dar satisfação de tudo que faço e com quem, esposinha. — Sua voz saiu anormalmente calma, péssimo sinal, não estava puto, estava além disso. Ele sabia que ela odiava quando era chamada daquela maneira, usava apenas para irritá-la, ainda mais de maneira pejorativa.

— Ah não? Caso essa sua mente tenha convenientemente esquecido, você tem sim, pois é casado, COMIGO! — exclamou mais alto que o necessário. — Então, Kanon Elián, é sim da minha conta!

— Casado, minha cara, não nasci grudado em você, mas junto de Saga, meu irmão gêmeo, e não, Serenity, não te devo nenhum tipo de explicação. — Deu um passo em direção a ela. — E pare com esse papel ridículo de esposa ciumenta, não combina com você e o mais importante, não temos esse tipo de relacionamento.

— CONTINUA NÃO NEGANDO QUE ESTAVA COM OUTRA! — Serenity começava a ficar fora de si, queria esmurrá-lo. — E O PIOR… VAI TER UM FILHO COM A VAGABUNDA!

Aquilo o atordoou, ela viu os embrulhos, por isso todo aquele escândalo. Deveria ter escondido melhor. Serenity estava despeitada por pensar que ele teria um filho com outra mulher, era isso, óbvio que ciúmes não poderia ser, não se amavam, nem um pouco, era despeito, puro e simples.

— Não sei de onde vem tamanho absurdo — ele segurou o queixo dela sem machucá-la, mas para que o encarasse nos olhos. — Talvez, eu devesse ficar de olho em você, pois quem me garante que não está apontando o dedo na minha cara para disfarçar sua própria infidelidade, huh? Quem sabe não se aproveitou da minha ausência para se encontrar com algum amante? Quem sabe… Apolo? — Ele jogou na cara dela, mas sinceramente, o mero pensamento de outro homem tocando sua esposa, o deixa cego de ódio, poderia não amá-la — ou assim acreditava —, mas ela era dele, esposa dele e somente ele tinha permissão de tocá-la.

De tantas coisas e nomes que ele poderia usar ou jogar em sua cara, tinha que ser logo aquele, da pessoa que ela mais odiava em toda face do planeta. A única possibilidade de vê-lo seria ele comendo grama pela raiz, enterrado bem fundo na terra. Se até aquele momento não era guerra, agora seria.

— SEU MERDA! TER UM CASO COM AQUELE LIXO? PREFIRO A MORTE! — ela gritou ainda mais alto. O destempero era tanto que a alterou ainda mais. — KANON, SEU IDIOTA! AINDA NÃO NEGOU QUE TEM UMA AMANTE E VÃO TER UM FILHO! É HUMILHAÇÃO DEMAIS!

Agora chorava.

— Uma amante… Talvez desse para fazer vista grossa — disse com o rosto molhado pelas lágrimas. — Mas um filho? O primogênito? Eu vi a sacola, os embrulhos…

Kanon emputecido era uma máquina de falar, mas Kanon cego pelo ódio? Era mudo, pois o ódio o levava a frieza e a frieza ao foda-se.

— Nega, droga! Nega! — ela o encarava, tentando em vão intimidá-lo. — Até quando vai me manter no escuro? Hein? Droga Kanon, fala alguma coisa! Desde que chegamos me mantém no escuro, sobre tudo, esse lugar.. Agora isso…

Ele manteve-se calado, mesmo no estado em que estava, o choro de sua esposa o estava afetando, mais do que queria admitir. Serenity não permitia que ninguém a visse naquele estado, ninguém mesmo, nem ele, nem sua família. Odiava deixar transparecer suas fraquezas, era orgulhosa como ele.

— Nega, maldição, nega! — Ela tentou acertá-lo com um tapa, mas o álcool tirou toda. — Nega que vai ter um filho com outra!

Kanon segurou a mão da esposa, sua vontade era de deixá-la naquela agonia por levantar acusações infundadas e absurdas contra ele, a olhou com raiva. Entendeu que o pensamento dele ter um filho com outra mulher a afetava. Mas não teria aquela conversa com ela naquele momento. Sua vontade, na verdade, era de colocá-la de bruços em seu colo e dar-lhe umas boas palmadas na bunda dela como se fosse uma criança de cinco anos de idade, mas não faria isso, primeiro porque era uma covardia sem tamanho, segundo e mais importante porque ele não era agressor de mulheres, era melhor que passassem a noite separados.

— Para com esse papelão todo, Serenity, está parecendo uma louca. — Sua voz saiu fria. — Tome um banho e vá dormir, vou dormir em outro quarto.

Ele saiu pisando duro e o mais incrível de tudo, magoado de verdade com a esposa. Tinha ciência de que se ela encontrasse aquela sacola as coisas poderiam sair do controle e saíram. Mas não conseguiria dividir o quarto com ela naquela noite, aquela briga foi mais que o suficiente por uma vida inteira para ele.

(...)

A briga os afetou em graus diferentes, tanto que estavam a um dia e meio sem se falarem ou verem. O aniversário deles seria naquele sábado, estavam brigando de novo. Kanon sentiu-se levemente arrependido dos presentes que comprou para a esposa. Planejou tudo com cuidado, cada detalhe daquela viagem, três semanas longe, para descansar, só que acabou estressado. Até mesmo um jantar para comemorar o segundo aniversário planejou, mas agora achava difícil acontecer, pois não sentia um pingo de vontade de falar com ela.

A esposa tão pouco o procurou naquele meio tempo, não depois de ter provocado o que julgava ser a pior briga entre eles e manteve-se onde não pudesse ser vista, sabia que para casa não foi, pois o passaporte dela estava com ele junto ao dele. Entrou no quarto para pegar uma muda de roupa e tomar um banho, agradeceu o local estar vazio, a cama arrumada.

Sentou-se na cama, contemplativo, sua mente voltava para a briga, a pior e mais pesada, nunca chegaram àquele ponto e Serenity… nunca tentou agredi-lo fisicamente por mais raiva que sentisse dele, não sabia se aquele surto agressivo era resultado de uma mente alcoolizada ou se foi para valer. Por que aquilo o afetava tanto? Respirou bem fundo, sentiu um nó se formar em sua garganta, seus olhos marejarem, não a amava, daquilo estava certo, não estava? Então por que doía tanto? Sentia que estava no limite do seu estresse e que se subisse mais um pouco, enfartaria. Permitiu que as lágrimas caíssem, chorando pela primeira vez desde a morte de sua mãe.

(...)

Serenity voltava de uma longa caminhada, precisava. No dia anterior quando acordou estava com a que provavelmente era a pior ressaca de sua vida, ninguém mandou beber como se não houvesse amanhã, era a única culpada da situação em que estava, E para piorar tudo, acordou sozinha na cama, algo que odiava com todas as forças, se habituou a acordar com ele ao lado ou agarrada nele. O destratou tanto, apontou o dedo em sua cara e gritou coisas horríveis para ele, o acusou de ter uma amante e que teriam um filho, não permitiu que ele explicasse nada. A resposta dele foi o silêncio e só fazia aquilo no ápice da raiva, era a maneira dele de evitar uma tragédia, afinal ele era maior e fisicamente muito mais forte que ela. Se ele quisesse poderia machucá-la sem esforço algum, mas jamais levantou um dedo contra ela, sempre respeitou sua integridade física, ela deveria ser grata, pois nem todas tinham a mesma sorte que ela.

Entrou insegura no chateaux, sabia que em algum momento teria que encarar seu marido, pedir desculpas pela grande injustiça que cometeu. Encarar a vergonha de seus atos. Tudo que ele fez foi planejar uma viagem de três semanas, só os dois, para descansarem, comemorarem o aniversário de casamento, desfrutar da paz que até então reinava entre eles. Mas não, ela tinha que colocar tudo a perder, jogou no lixo todo o esforço de um Kanon que vinha sendo nada além de atencioso e carinhoso. Bela esposa que ela era… Uma piada isso sim.

Acreditava piamente que não estava apaixonada, sua mente gritava que não, no entanto, a briga a afetou por demais. Além do que, sua mente não a deixou em paz quanto ao significado daqueles presentes, seria algo que ela não entendia? Ou será para alguém no trabalho dele? Se antes não sabia, agora com certeza não, Kanon não contaria.

Caminhou a passos lentos para o quarto deles, temerosa de encontrá-lo e ter o castigo que sabia que merecia. Colocou a mão na maçaneta para abrir a porta quando escutou um choro. Kanon estava chorando? Ou ainda estava sob o efeito da bebida? Abriu a porta devagar, mas foi traída pelo ranger da porta. Entrou devagar no quarto, o ver em lágrimas partiu sem coração.

— O que você quer? — A voz dele saiu ríspida.

— Conversar…? — Deixou a insegurança transparecer em sua voz.

— E por que eu deveria ouvir você? — Kanon limpou o rosto.

— Kan… — Ela sentia tanta vergonha do que fez, não conseguia encará-lo nos olhos.

— O que? — Praticamente gritou. — Veio jogar mais algum absurdo na minha cara?

Ele levantou e ficou de frente para ela, olhando para baixo.

— N-não… — sentiu-se intimidada por ele naquele momento. — V-vim pedir desculpas.

— Não acredito em você.

— E-eu fui injusta, cruel… Você planejou tudo e eu… Estraguei tudo. — respirou fundo. — Estou arrependida de tudo que falei.

Kanon prestava atenção, aquilo era o mínimo que deveria sair da boca dela.

— Eu… Vi os embrulhos e… — Foi interrompida.

— Por que mexeu? Nunca foi disso, de mexer nas minhas coisas… Agora quer bancar a esposa ciumenta?

— Eu não abri pra mexer… Estava saindo do banheiro, notei a porta aberta e fui fechar… Aí vi os embrulhos… — Olhou para o chão. — Aí me veio o pensamento de que talvez… Você tivesse outra e teriam um filho… Isso me dominou.

O loiro respirou fundo e contou até dez mentalmente. Ainda sentia vontade de esganá-la, mas esclarecer toda essa situação era mais importante, não queria nunca mais que aquela briga se repetisse. Era um desgaste muito grande. E não queria vê-la bêbada nunca mais nada, nunca mais mesmo.

— São meus, Serenity. Os comprei para mim. — Confessou.

— Você tem algum filho que eu não saiba?

— Não, sua tonta, também não tenho nenhum a caminho. — Exaltou-se.

— Então…? — Insitiu. — Kanon, não quero mais ficar no escuro.

— Esse chateuax, pertence a mim e Saga, assim como a vinícola, há quase uma década — contou. — Tenho negócios, além das ações da empresa do meu pai. Aqui é a minha casa longe de casa, do mesmo jeito que você mantém seu apartamento e acha que não sei.

— Eu…

— Você é a primeira mulher que trago aqui, queria um pouco de paz, sossego — respirou. — Com uma esposa que não amo!

Ouvir aquelas palavras doeram muito. Uma esposa que não amo.

Aquele tempo com ela, vinha mudando a visão que tinha dela, assim como seus sentimentos.

— Kan…

— Quieta, você já falou demais aquele dia — não permitiu que ela continuasse. — Não comemoramos nosso primeiro aniversário, estávamos sempre em guerra, sempre brigando, mas de algum tempo para cá as coisas se acalmaram, mudaram, então o idioda aqui pensou: por que não viajarmos? Ter um tempo só pra nós dois, curtir a companhia um do outro. Então sim, planejei uma segunda lua-de-mel, um clichê romântico com uma esposa que não amo, só pra ficar a sós com ela.

Serenity sentiu os olhos marejarem, sua infantilidade colocou tudo a perder. O que mais doía era ele reafirmar que não a amava. Se a reciproca era verdadeira, por que ela doía tanto?

— Mas não… Minha mimada esposa tinha que mexer nas minhas coisas, tirar conclusões precipitadas, me colocando o dedo na cara e me acusar de absurdos! — era a vez dele de brigar. — Ah, Serenity… Você não me conhece, nem um pouco, mas fique tranquila, não faço a menor questão de te conhecer.

Ela sentiu as lágrimas caírem por seu rosto, deveria ter abordado o assunto de outra maneira e sóbria.

— Eu comprei três pares de sapatinhos porque eu quero ser pai! — desabafou, tirando o peso do segredo de suas costas. — Há anos, eu quero ser pai, mas não queria uma mulher qualquer carregando meu filho, do meu lado, porque sei que o usariam para tirar dinheiro de mim, vantagem de ser a Sra. Elián. Cheguei a pensar em usar uma barriga de aluguel para resolver a questão, mas aí… Meu pai me casa com você, a mimada e arrogante herdeira Solo, a princesinha acostumada a ter tudo o que quer na hora que quer …

— Kan… Por que não falou nada antes? — ela perguntou.

— Porque não confiava em você e depois do que aconteceu… Não sei se vou confiar outra vez. — Ele também chorava, cansado.

— Nunca mencionou filhos antes… Achei que não os quisesse… Aí eu vi a sacola, fiquei com raiva, pensei que não os quisesse comigo… — desbafou. — Também nunca mencionei nada porque tinha medo da sua reação.

— Não tente colocar a culpa em mim, mulher!

— Como você mesmo disse, nosso primeiro ano era uma guerra entre nós dois… Fiquei assustada de te contar que… Estava grávida e me acusar de ser de outro. — Confessou.

— É o que? Você ficou grávida? — ele a segurou pelos braços. — Por que não me contou? Serenity… O que você fez? Se você abortou, eu juro que…

— Eu sofri um aborto… O médico disse que foi por causa do estresse, mas que não teria problemas de engravidar de novo se quisesse. — o choro aumentou. — E agora me diz que quer ser pai…

Ele a largou e se afastou, passou as mãos pelo cabelo de maneira nervosa, ouvir que seu sonho quase se realizou, que escapou pelos dedos, o deixou mal, mas saber que talvez ela nunca contasse do aborto que sofreu, o deixou furioso.

— É isso que você quer? — perguntou.

— O que? — respondeu com outra pergunta.

— Um filho — respondeu.

Por um momento, o clima entre eles ficou menos denso.

— Kanon, não pode simplesmente me jogar isso e não conversar comigo… — tentou se aproximar, mas ele não permitiu. — É sério.

Observava o marido, andar de um lado para o outro, nervoso.

— Do que adianta? Eu querer e você não? — perguntou de maneira retórica. — De duas uma, ou me divorcio e uso uma barriga de aluguel ou então arrumo uma amante… Até porque não me lembro de sair da sua boca que queria ser mãe.

— Nunca passou pela minha cabeça me casar, e olhe… Estou na véspera de completar dois anos de matrimônio… Também nunca me imaginei mãe, mas não significa que rejeitaria a gravidez se caso engravidasse de novo, só se fosse fruto de estupro.

Kanon absorvia as palavras da esposa, pois se ela concordasse, facilitaria tudo e ele teria o filho que sempre quis.

— Está me dizendo que teria um filho? — Kanon não queria que seu desejo de ter um filho o enganasse.

— Sim, teria, ainda mais se meu marido também quer.

Após as confissões, ambos ficarem em silêncio. No final das contas, a briga serviu para trazer algumas coisas à tona. Kanon sentia-se mais leve, falar em alto e bom som que queria ser pai, ajudou muito.

Serenity sentou na poltrona que havia no quarto, refletindo sobretudo que ouviu e descobriu do marido. Kanon estava certo, ela era mimada e arrogante, mas nem por isso, indiferente aos sentimentos daqueles que a cercam, não poderia ser aos do próprio marido. Gostaria de poder apontar quando, de fato, tudo começou a mudar entre eles, como saíram da zona de guerra em que viviam para a paz.

— Olha Kan… Eu realmente me arrependo de ter dito aquelas coisas horríveis a você, o fato de ter me embriagado não é desculpa… — seu peito doía. — Fiquei fora de mim quando pensei que… bom, achou que não preciso repetir, fora o fato de não saber nada daqui… Eu conectei os pontos que deram, mesmo não chegando a uma conclusão precisa…

Ele apenas a olhava.

— Vou entender se… Quiser voltar pra casa, não comemorar nada…

— Volte se você quiser, mas eu vou comemorar, com ou sem você. — Saindo em seguida, precisava ficar um pouco sozinho.

(...)

Naquela noite, não dormiram separados, para Serenity duas noites foram mais que o suficiente. Acordou antes dele, o que achava um sacrilégio, pois estava quente e aconchegante. Quem diria que ela iria gostar tanto de ficar deitada com o próprio marido?

Levantou com todo cuidado para não acordá-lo, andou na ponta do pé até o closet, abriu seu armário, pegou o presente que comprou para ele no dia que foram a Paris, colocou no armário dele de maneira estratégica. Deixou que ele acreditasse que tudo que comprou era apenas para ela. Voltou para cama em seguida, se aconchegando nos braços dele.

Sentiu ele apertar sua cintura, sorriu. Era hora de se redimir, começou a distribuir beijos pelo peitoral definido do marido. Aprendeu naqueles dois anos a gostar da presença do marido e ficar sem ela, a apavorou. Ouviu um resmungo dele.

— Querendo se redimir? — perguntou sonolento.

— Uhum — continuou os beijos, subindo até o pescoço dele. — Feliz aniversário, marido.

— Feliz aniversário, esposa — beijou a testa dela. — Vamos dormir mais um pouco.

Kanon decidiu deixar toda aquela briga, aquele episódio no passado, ela reconheceu que provocou a briga, se desculpou, era um bom recomeço. a apertou nos braços, ainda deveria ser muito cedo e não queria levantar.

Mais tarde, ele acordou antes da esposa, levantou a deixando dormir mais um pouco. Foi para banheiro, tomou uma ducha para despertas, quando estava no closet abriu a porta e deu de cara com um pacote que não estava ali antes, pegou e abriu com cuidado, uma caixa de um Rolex. Sorriu, ela deve ter comprado enquanto ele caminhava pela rua. Abriu e viu o modelo, era o que ele estava de olho, sua esposa só fazia cara de paisagem, mas prestava atenção. Colocou de volta no armário, se vestiu e foi até a cozinha.

Verificou se tudo que pediu estava pronto para o café e se os ingredientes para o jantar eram suficientes. Pegou a bandeja de café e voltou para o quarto. A esposa ainda estava dormindo, mas pela posição, logo despertaria, principalmente quando sentisse o lado dele vazio e frio.

— Hum… — resmungou. — Cadê ele…?

Ficou quieto, esperando para ver quanto tempo ela levaria para percebê-lo no quarto. Ela levantou resmungando.

— Bom dia, esposa.

— Bom dia, marido — se espreguiçou. — Nossa, dormi demais… Está até vestido…

Kanon caminhou até a cama, esperou ela se sentar e entregou a bandeja para ela.

— Ai que cheiro bom! — sentiu o aroma do chá, da comida quente, waffle, croissant. — Se vai voltar para cama, está usando roupas demais…

Ele tirou a roupa devagar, a provocando, foi para o seu lado da cama, sentou ao lado dela e tomaram café. Sequer parecia que tinham brigado tão feio naquela semana. Que bom.

— Que delícia de geléia! — parecia uma criança, pegou um pouco mais e passou no waffle. — Me lembre de comprar algumas para casa!!! É boa demais.

— Tudo bem, posso providenciar algumas — disse, observando o sorriso de criança dela.

Kanon não poderia reclamar muito, a mimava mais que o pai e os irmãos, ela não era de pedir, nem sempre comentava, mas ele dava a ela. Assim que terminaram de comer, pegou a bandeja do colo dela, colocou na mesa que havia no quarto, aproveitou que estava de pé e foi até o closet e pegou o presente dela.

— Que tá aprontando aí? — perguntou.

Ele voltou para o quarto com a sacola da Tiffany’s na mão. Serenity piscou surpresa.

— Eu já vi o meu presente, aqui está o seu. — Entregou para ela.

Serenity pegou item por item da sacola e abriu as caixas. Era as jóias da nova coleção, franziu o cenho por um segundo, não lembrava de ter comentado nada com o marido.

— Como…?

— Naquele dia… Eu passei o dia resolvendo assuntos relacionados a vinícola, já que estava por aqui mesmo, deixar os negócios em dia, organizados — comentou. — Aí aproveitei que estava na cidade, olhei as lojas, vi o conjunto e comprei.

— Obrigada, amor, são lindas. — Ficou derretida com o gesto, ela guardou tudo com cuidado e colocou na mesa de cabeceira do lado dela.

Kanon a puxou para si e a beijou, sendo prontamente correspondido. Apartaram o beijo quando sentiram necessidade de respirar.

— Está usando roupas demais, meu amor. — Ele a provocou, passando a mão pelas costas dela.

— Me ajuda a tirar? — perguntou usando um tom travesso.

Ele que de bobo nem a cara tinha, tirou as peças devagar, beijou o pescoço dela, saboreando a pele da esposa, suas mãos percorriam o corpo que ele conhecia tão bem e não se cansava de marcar. Deitou sobre ela, continuando os beijos, descendo do pescoço para o colo e seios dela — tinha que admitir que era tarado nos seios da esposa, generosos e harmoniosos com o corpo dela — brincou com eles, desceu os beijos pela barriga lisa até a intimidade dela. Distribuiu beijos pela parte interna das coxas, se deleitando com os gemidos de sua esposa.

— Kan.. Não seja mau… — Ela implorou, querendo senti-lo lá.

Sorriu arrogante e caiu de boca, brincou com o clítoris dela com a ponta da língua, a penetrou com dois dígitos, enquanto ela se contorcia com um prazer que só seu marido era capaz de proporcionar. Kanon era muito experiente no sexo, ela seria capaz de desfalecer de prazer só com a boca dele. Ele não parou até que ela atingisse o ápice.

— Você ainda… Vai me matar de prazer — disse ofegante.

Sem dizer uma única palavra, a virou de bruço, deu um beijo em cada nádega. Sorriu, começaria sua pequena vingança, depositou um beijo na base da coluna e depois passou a ponta da língua desde a base até a nuca dela, sentindo o arrepio que causava na pele. Os gemidos dela era só o que queria ouvir.

— Estamos apenas começando, mulher — sussurrou no ouvido dela.

Pegou a camisola que ficou ali jogada pela cama e usou para prender as mãos dela. Não permitiria que ela o tocasse ainda, empinou a bunda dela, dando um tapa. Sabia que ela gostava, nunca negou ou fez qualquer doce na cama.

— Essa bunda gostosa. — Deu outro tapa antes que ela pedisse.

— Você está se vingando… — Percebendo a intenção dele.

— Ah, pode ter certeza que sim!

A penetrou devagar, atento às reações e gemidos dela. Começou a estocá-la, com a mão esquerda puxando o cabelo dela, aumentando o ritmo e força aos poucos.

— Puta merda, mulher, como é gostosa.

— Amor, quero gozar. — Ela implorou, estava tão excitada, tão perto.

— Implore mais, meu amor.

Ela fez um muxoxo, mas implorou. O segundo orgasmo foi mais intenso que o primeiro, mas nem por isso sentia cansaço. Ciente que ele possivelmente estenderia aquela vingança. Mas queria virar o jogo, sentiu quando ele saiu de dentro dela, se soltou, o jogou na cama, ficando por cima dele.

— Gostoso, minha vez de brincar — disse enquanto passava as mãos pelo abdômen pecaminosamente esculpido dele. Inclinou-se e o beijou nos lábios, no pescoço, no peitoral e nos gomos do abdômen. Até chegar , começou a felação. Kanon gostava de sexo oral tanto de fazer quanto de receber.

Ele gemia, colocou as mãos no cabelo dela, ditando o ritmo, o prazer dominando cada célula do seu corpo, ela variava apenas para provocá-lo. Sentia que gozaria a qualquer momento.

Ela engoliu tudo, sem desperdiçar uma única gota, sorriu safada para ele.

O marido a puxou para o colo dele, rebolou em sinal de provocação até que ele a penetrasse outra vez.

— Porra, mulher. — Ele a apertou em seus braços, aumentando a força das estocadas.

Ambos eram ninfomaníacos, um acusava o outro de ser, mas nunca negavam fogo. Não havia melhor forma de se reconciliarem do que aquela.

A última semana na França, passou voando e tudo entre eles voltou a ficar bem. Se permitiram entrar mais no mundo um do outro, reconstruindo a confiança, construindo uma base sólida para um relacionamento duradouro.

Regressaram para Grécia diferentes, mais companheiros, mais amigos, carinhosos um com o outro. A mudança era nítida e notada por todos que conviviam com o casal.

(...)

Os anos se passaram e o casal Elián-Solo foram agraciados com dois filhos para completa felicidade de Kanon. Argos e Tessa, seus pedaços de céu, como o chamava desde que descobriu que a esposa estava grávida. Se antes ele já a mimava, quando engravidou ele dobrou os mimos, atendeu a todo e qualquer desejo que ela teve, não permitiu que ficasse na vontade nenhuma vez, sem se importar com o que fosse.

Se Kanon era babão, Serenity competia com ele. Gostavam de observar os filhos enquanto dormiam. Isso quando não dormiam no meio da cama deles. Sentiam-se felizes com a família que construíram.

Naquela manhã, Kanon decidiu ficar em casa, aproveitando sua cria. Estava com Tessa em seu colo, ajeitando as chiquinhas que ela adorava que o pai fazia em seu cabelo.

— Minha princesinha está linda! — Exclamou enchendo a filha de beijos e ouvindo a gargalhada mais gostosa do mundo.

Tessa era a cara da mãe, mas loira de olhos verdes como ele. Já Argos, seu primogênito, era seu clone, mas com cabelos negros e olhos azuis como a mãe.

— Vamos tomar café, a mamãe e o Argos estão nos esperando — disse enquanto a pegava no colo e rumavam para a cozinha.

Argos, que já tinha quatro anos, estava sentado no colo da mãe. Cada filho era carrapatinho de um dos pais, além de terem como companhia as gatas dos pais, Lua e Peta.

Kanon olhou para sua família e não poderia estar mais feliz e em paz. Seu maior desejo se realizara.

29 Août 2022 00:58:46 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

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