uma_chapeleira_maluca Lyne Gomes

Neste conto, você irá acompanhar Maria. Uma mulher que descobre coisas terríveis sobre o mundo onde cresceu e vivia.


Histoire courte Tout public.

#brasil #drama #ficcaohistorica
Histoire courte
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Bolha Pátria.

Em um pequeno mundo habitavam famílias compostas por uma mãe, um pai e dois filhos — um menino e uma menina — E vamos agora voltar nosso foco para a família Albuquerque, mas especificamente, na matriarca dessa família, Maria.


Maria era uma dona de casa como todas as mulheres de seu mundo, e mãe — como todas também. Pariu um casal de gêmeos lindos e saudáveis, e dedicava quase que cem (porcento) de seus dias para os cuidados deles. O que sobrava, era gasto para cuidar do esposo.

O pobre homem chegava sempre exausto e irritado do trabalho que conseguiu graças à seu pai, que era empregado do lugar graças a seu tio, que também era mão de obra de lá graças a seu filho.

O dia a dia deles era belamente sistemático e focado, não dando muito espaço para outros afazeres na vida, mas, bem, ele era um homem, um pai, um trabalhador. Era seu dever, era o valor mais honroso que um homem poderia ter.


Numa manhã, Maria preparava panquecas para o café dos filhos e esposo. Era uma tarefa difícil para ela, pois não conseguia cozinhar panquecas saborosas e perfeitas. Porém, abraçou o desafio de superar aquela dificuldade graças à seu marido, que lhe alertava de aprender com excelência seus hábitos domésticos, para assim de fato ser uma mulher, uma esposa e uma mãe.


Ela precisava aprender! Não queria desonrar essas definições tão prestigiadas pela igreja, seu bairro e seu mundo. Tudo em sua casa já caminhava super bem. Tudo era bem limpo e vivo, pois as cores predominantes do lugar eram o amarelo e o verde. Cores que representavam o orgulho de pertencer aquele mundo. Cores que lembravam como era feliz viver sob a moral e a lei de seu humilde recanto.


Conseguiu fazer panquecas até que bonitas, mas não tão saborosas, porém o dia já iniciava de forma corrida e não havia tempo para reclamações, o que ela agradeceu. Maria já estava limpando a sala de estar quando ouviu uma notícia relatada vinda de sua TV.

Um protesto havia sido combinado para se opor a lei de que estudo de gêneros seria radicalmente proibido de ser passado em escolas e universidades. Maria pegou seu controle remoto rapidamente para não perder seu tempo ouvindo tudo aquilo, mas os protestantes entrevistados conseguiram prender sua atenção para causa. Falavam de maneira humanista, tocante... Aquilo realmente a envolveu.


De repente, Maria sentiu uma dor e um formigamento forte em sua nuca, seguido de um estalo. Como se algo houvesse quebrado, porém, não parecia ser um osso. Quando a dor diminuiu, Maria se deparou com sua sala de estar coberta por uma espécie de redoma. Assustada e surpresa, percebeu que toda a casa como seu bairro estava envolto naquilo.

Quase que imperceptível, mas ainda sim, ela encontrou, fios que já não estavam mais presos em seus antebraços, costas e joelhos. Ela parecia... parecia... Deus! Uma marionete! Uma marionete natural! Ainda em choque, quase foi engolida pela redoma. Sim! Ela poderia atravessá-la!


Maria refletindo sobre tudo que estava presenciando, se deu conta de que seu mundo era uma prisão e parecia que cada passo seu, era programado e controlado por aqueles fios e a gigante redoma. Tudo isso atingiu seu coração de um jeito tão doloroso e revoltante. Não era feliz e livre como sua igreja pregava. Na verdade... Nunca em sua vida se sentiu assim. Maria voltou a olhar a redoma e depois para os habitantes de seu bairro, que notavam sequer o que ela estava notando agora. Respirou então fundo, se voltou novamente para redoma e atravessou-a.


Despencou por alguns segundos em um breu assustador, e atrás dela, viu como era seu mundo de verdade. Uma bolha que espremia todos dentro. Se surpreendeu ao encontrar os manifestantes da TV ao seu redor com lanternas e tão confusos quanto ela. Escutou um estrondo vindo de cima e de repente, avistou mãos gigantes tentando capturá-la como também seus novos companheiros. Ela só pensou em correr o mais velozmente possível para não se sabia onde. Até que encontrou outras inúmeras mãos com fitas amarradas a seus pulsos. Mãos com fitas vermelhas, outras mãos tinham fitas coloridas, outras com estampas africanas, ou indígenas. Muitas fitas ela via, além dessas mãos dar-lhe a impressão de quererem salvá-la das outras lá de cima.


Mesmo incerta e com medo, ela agarrou uma das mãos que estampava uma tatuagem com os dizeres "O Futuro é Feminino", e logo foi puxada para fora daquela escuridão. Uma moça havia a salvado, e tentava agora acalmá-la. Maria trêmula e incrédula, observava inúmeras pessoas ao seu redor, com cores diversas, além das quais ela conhecia, vestes de todo tipo, cabelos, idades, indivíduos sujos e com aparências doentes, outros mais nutridos e bem cuidados... E para além deles, uma cidade enorme com um caos sonoro e visual que jamais viu. A moça que cuidava dela, falou: "Fico feliz que está de volta ao Mundo. Mais um ser humano resgatado da "Bolha Pátria."


"Agora você já sabe que aquele lugar é uma alienação e muitos daqui foram abduzidos para lá."


"Ma... mas como se chama aqui?" Perguntou, Maria.


"Aqui é o Brasil."

12 Août 2022 22:50:01 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Lyne Gomes Amante de livros, sorvete e girassois^^ Uma jovem nordestina de cidade pequena que sonha grande. Um tanto estranha, atrapalhada, insegura e esperançosa, e é nas palavras que ela lida melhor com tudo isso. 🎩🫖 •●.°

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