omegakim Amelia Kim

Junmyeon sabia desde o segundo em que descobriu aquele sentimento que jamais podia se livrar dele, por isso, depois de lutar tanto contra, optou por seguir a correnteza. Foi assim que terminou de joelhos diante de Sehun, implorando para que vivessem aquele amor proibido.


Fanfiction Groupes/Chanteurs Interdit aux moins de 21 ans.

#seho #abo #incesto #fluffy-and-smut #pwp-com-enredo
3
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UM

Aviso: Essa fanfic se trata de um INCESTO entre tio e sobrinho, se não gosta, por favor, não leia. Além disso, essa fanfic apresenta as seguintes tags: ABO, crempie, breeding, age gap (JM 24 anos e ômega x SH 36 anos e alfa), semi-public sex, cock warming, masturbação, angst, hurt/comfort, fluffy e smut.



A mão dele era quente quando tocou o seu rosto, as pontas dos dedos ásperas quando acariciaram as suas bochechas macias. Ele pescou as lágrimas dos cantos dos seus olhos, os dedos passando por baixo das lentes dos óculos com desleixo; pegou as que desciam pelas maçãs do seu rosto e aquelas que escorriam por seu queixo. Sehun pegou cada uma delas como se fossem diamantes e Junmyeon se sentiu corar mais um pouco, mesmo sabendo que não era mais possível. O Kim se sentia tão quente, tão necessitado, tão usado e ainda assim tão bem. Uma prova disso era a forma como sua lubrificação vazava aos montes, molhando o interior das suas coxas cobertas e a parte de trás do seu jeans e da cueca. Sentado daquele jeito no chão, pernas juntas e com o rosto erguido para o alfa, Junmyeon achava que nunca tinha parecido tão bonito aos olhos de alguém. Era estranha a sensação de prazer que viajava por suas veias, estourava no seu peito como fogos de artificio e o fazia flutuar.

O cheiro de Sehun estava ficando mais forte, mais opressor. Isso o obrigou a abrir a boca para respirar, precisava se livrar um pouco daquela carga de feromônios antes que terminasse descobrindo o pescoço e pedindo para ser marcado ou talvez, terminasse de bunda para cima e implorando por um nó.

A unha do indicador de Sehun raspou no seu lábio inferior, traçou a linha e parou no seu queixo, fazendo-o erguê-lo mais um pouco. Junmyeon o encarou, olhos grandes brilhantes, pupilas dilatadas em um desejo primitivo e a boca aberta, ofegante. Sehun sorriu quando se inclinou na sua direção. Junmyeon esperava por um beijo, por isso fechou os olhos, mas o que teve foi a respiração dele encontrando a sua bochecha esquerda, a língua alcançando a pele macia e chupando, dentes raspando. Leve. Devagar. E ainda assim feroz. Um gemido escapou dos seus lábios quando ele se afastou, a perda o abalou mais do que imaginou.

— Você parece tão destruído, babe, e nem começamos ainda — Sehun disse, o rosto a centímetros do seu.

Junmyeon esfregou uma coxa na outra atrás de um pouco de alívio, qualquer coisa para se livrar daquela excitação que corroía seus ossos. Sehun riu e afastou os cabelos molhados de suor da sua testa, arrumou os óculos no seu rosto. Carinhoso. Cuidadoso. Junmyeon suspirou quando teve sua bochecha acariciada e depois, quase gemeu quando a ponta da língua de Sehun tocou o canto da sua boca. Tentou captura-la em um beijo, mas Sehun se afastou de novo e Junmyeon sentiu os olhos encherem-se lágrimas, queria tanto beijá-lo que o peito se comprimia inteiro, era difícil respirar.

O alfa percebeu seu estado, a necessidade estampada no seu rosto era tanta que Junmyeon achava difícil qualquer um não notar. As mãos dele seguraram o seu rosto, palmas quentes cobriram suas bochechas e apertaram o seu rosto. Daquele jeito, Junmyeon pensou que era muito pequeno para as mãos de Sehun, muito maleável, muito fácil de se ter. O ômega inclinou-se para frente e Sehun afastou-se de novo, fugindo dos seus lábios com um sorriso. Junmyeon gemeu e mais lubrificação escapou do seu buraco.

Sehun soltou-o e ficou em pé na sua frente, começou a abrir os botões da camisa branca. Ainda estava usando o conjunto social do trabalho, da reunião que compareceu antes de entrar no avião para a Coréia. Junmyeon piscou os olhos e deixou o pensamento vagar um pouco para longe, sair pela janela do quarto de hotel e ir até a China. Em segundos, sua mente criou o cenário perfeito de Sehun andando de um lado pro outro no seu escritório, celular na orelha ou só com a mão cheia de papéis. Junmyeon o imagina bravo, sobrancelhas juntas e lábios comprimidos. Ele quase podia vê-lo andando de um lado para o outro, afrouxando a gravata em irritação, falando sobre lucros e demissões, pedindo novas intervenções, sendo tão autoritário que faria o ômega gozar somente com o som da sua voz.

Ele se livrou da camisa jogando-a no chão e depois começou a trabalhar na calça, desafivelou o cinto e abriu o botão, o zíper. Junmyeon fechou as mãos em punho sobre as coxas e suspirou, inspirou de olhos fechados e pegou o máximo que pode do cheiro dele. Mais um gemido escapou e suas coxas voltaram a se comprimir, esfregando-se uma na outra com pressa. Ele queria tanto que Sehun o pegasse no colo, o deitasse na cama e empinasse sua bunda só para fodê-lo com força. Ele queria satisfazê-lo, queria ser usado. O desejo não o surpreendeu. Junmyeon estava familiarizado com a sua submissão, com a forma como Sehun sempre despertava o desejo mais primitivo da sua classe. Ele queria se submeter e além disso, queria que Sehun o reconhecesse por isso.

Sehun não tirou a calça, apenas manteve-a aberta enquanto andava até a cama e sentava-se na beira. Junmyeon mexeu-se sobre os joelhos para acompanhar seus passos. Ainda não havia recebido permissão para se levantar, para se apresentar e ele não queria se deixar levar pela excitação e ser punido. O alfa o encarou enquanto abaixava a calça, enrolando-a nos tornozelos e depois, a chutando para longe com uma calma que só servia para fazer o Kim ofegar. Ele manteve-se sentado somente com a cueca no corpo, mas Junmyeon conseguia notar a ereção formada, esticando o tecido da peça. A boca salivou com a possibilidade de ter aquilo na boca ou na sua entrada.

— Venha aqui — Sehun chamou dando um tapinha na própria coxa.

Junmyeon não ousou ficar de pé, apenas engatinhou na sua direção e parou na sua frente. Sehun estendeu a mão até seu rosto e acariciou sua bochecha novamente, empurrou os cabelos escuros da sua testa para o lado e traçou a linha do seu lábio, o polegar entrou na sua boca, a unha raspou nos seus dentes e se pressionaram deliciosamente contra seus caninos e afundaram mais um pouco pela boca, Junmyeon deslizou a língua pelo dedo. O chupou com os olhos voltados para o rosto do alfa e Sehun lambeu os lábios. Ele tirou o polegar da sua boca e descansou as mãos sobre as pernas, o encarou de cima de forma analítica, como se ainda não tivesse entendido como o ômega terminou naquele estado.

— O que você quer? — ele perguntou, a voz profunda em um desejo que Junmyeon gostava.

O Kim ajeitou os óculos no rosto e Sehun observou o ato com atenção exagerada. Ele expirou, baixinho e reuniu coragem para se aproximar mais um pouco, enfiar-se entre as pernas abertas do alfa. Deitou a cabeça na coxa direita de Sehun, piscou os olhos lentamente para ele e então, esfregou a bochecha na pele dele, a ponta do nariz, a boca, a língua. Ali, tão perto da virilha, o cheiro de Sehun era forte. Tão deliciosamente forte que estava o deixando tonto. Soltou um gemido e foi agraciado com o som do gemido do próprio alfa.

— Eu quero te chupar — sussurrou contra a pele dele.

Sehun ofegou, pela primeira vez parecia afetado de verdade com todo aquele jogo de tocar e acariciar. Junmyeon gostou mais disso do que gostou de toda a forma com que foi conduzido até ali. A quanto tempo foi? Desde que horas eles estavam naquele quarto? Por que Junmyeon correu até ali? Ah, foi por causa do cheiro. Quando soube que o alfa estava de volta a Coréia, não hesitou em largar o trabalho e correr até ali. Precisava tanto sentir o cheiro dele de novo que foi impossível se conter. O desejo tinha latejado nos seus ossos de tal forma, que deixou seu corpo inteiro quente durante o caminho. Apenas a possibilidade de vê-lo de novo tinha o deixado tão molhado, que quando entrou no quarto de hotel de Sehun já sentia a parte de trás da calça encharcada e o seu cheiro estava tão forte que o alfa só o empurrou contra a parede ao lado da porta e rosnou contra seu pescoço.

— Eu quero te beijar.

O alfa colocou a palma contra sua bochecha e Junmyeon deitou a cabeça em direção ao toque.

— Eu quero você.

Sehun segurou o seu rosto com a outra mão e inclinou-se na sua direção ao mesmo tempo que o puxava para si. Junmyeon fechou os olhos e entreabriu os lábios, faminto pelo beijo. O alfa expirou contra o canto da sua boca antes de encostar os lábios na sua bochecha, Junmyeon sentiu os olhos encherem-se de lágrimas no momento em que sentiu os dentes dele raspando na sua pele. Tentou virar o rosto para capturar sua boca, mas as mãos do alfa o impediram. Não, não, não. Junmyeon precisava ser beijado, precisava tanto que Sehun o segurasse perto e o beijasse. Tinha sonhado com aquilo naqueles dois anos da sua ausência e não aguentava mais fantasiar, precisava que se tornasse real. O ômega não percebeu que estava soluçando até o momento em que Sehun aproximou a boca da sua, dando-lhe o que queria.

Junmyeon o segurou pelos ombros, as unhas cravaram-se nele temendo que o alfa se afastasse enquanto sua boca pressionava-se contra a dele com tanta força que seus dentes bateram. Sehun se afastou minimamente, mas o ômega cobriu a distância com pressa. Capturou seu lábio inferior em uma mordida e gemeu quando enfiou a língua na boca dele. As mãos do alfa continuavam no seu rosto, tentando impedi-lo de se aproximar tanto, mas Junmyeon estava longe de se importar com isso quando continuava e continuava se empertigando, roubando tudo o que conseguia sem pensar em mais nada, sem se importar com a bagunça que fazia.

Sehun o afastou e Junmyeon choramingou, olhos fechados e bochechas manchadas de lágrimas secas. Precisava ser beijado de novo, queria tanto ser beijado de novo.

— Amor, calma — o alfa falou, baixo e carinhoso.

Junmyeon piscou e fez beicinho, então Sehun aproximou-se de novo e o beijou o mais lentamente que conseguia. E quando se afastou, o ômega parecia mais relaxado. Ele beijou suas bochechas, o queixo, as pálpebras e o canto da boca. Junmyeon gemeu, baixinho, completamente deliciado. Então, o Kim voltou a cair de joelhos, os lábios inchados e o gosto do beijo viajando pelo seu interior como uma droga. Ele o fitou de baixo e o alfa o olhou de volta, a mão dele segurou o seu queixo e o polegar tocou seu lábio inferior, então guiou o seu rosto para baixo, em direção a sua ereção.

O Kim sentiu a saliva se acumular na boca a medida que seu rosto se aproximava do tecido da cueca, esfregou a bochecha contra a ereção evidente. O cheiro de Sehun era mais forte ali, tão forte que estava fazendo mais lubrificação vazar. Não demoraria até que estivesse sentado em uma poça do seu próprio líquido. Enfiou os dedos pela borda da cueca e a puxou para baixo, o pau libertou-se, ereto, e Junmyeon o segurou sem hesitar. Sehun grunhiu, alguma coisa parecida com um rosnado e o som viajou pelas veias do ômega como se ele fosse feito de cordas.

Havia pré-gozo vazando da ponta e a medida punhetava o pau, espalhando o líquido ao longo do tamanho, arrancava gemidos do alfa. Junmyeon aproximou o rosto do pau, encostou a ponta na sua bochecha e esfregou-a contra o canto da sua boca. A mão de Sehun segurou o topo dos seus cabelos, puxando-os levemente. O ômega gemeu ao notar as pupilas dilatadas no alfa. Abocanhou o pau, enfiou tudo o que conseguia até senti-lo contra sua garganta. A pressa o traiu quando sentiu o reflexo de vomito vir. Sehun riu enquanto o via se afastar.

— É demais para você, babe? — ele perguntou, divertido. — Você tem que ir com calma.

Junmyeon fez uma careta, mas tornou a se aproximar. Teimoso, enfiou o pau na boca novamente. Dessa vez, tinha mais calma quando chupou a ponta e ao desliza-lo mais fundo, se concentrou em relaxar a garganta, mas não o pressionou muito. Ele lambeu, punhetou, sugou tudo o que conseguia do pré-gozo e dos gemidos de Sehun, que se tornavam mais altos a cada pedaço de tempo. A mão dele continuava no seu cabelo, guiando-o, fazendo-o aguentar tudo. Seu corpo inteiro vibrava com aquilo, a autoridade empregada no ato e a certeza de que estava indo bem.

— Olha só para você, porra. Está me levando tão bem — Sehun disse e o aperto no cabelo afrouxou, virou um carinho. — Você está tão bonito assim com as bochechas cheias do meu pau.

Junmyeon gemeu e esfregou as coxas uma na outra com mais força. Se sentia tão duro dentro da própria calça que era sufocante e sentir a sua mancha grudar-se na sua pele também não estava ajudando. Ele estava mais do que pronto para receber um nó, tinha certeza que Sehun só precisaria deslizar para dentro de si sem estica-lo antes. Pensar nisso, o fez gemer novamente e os dedos de Sehun embrenharam-se mais no seu cabelo, puxando-o para trás enquanto levantava o quadril para que seu pau fosse mais fundo na sua boca.

— Você veio até aqui para isso, não é? Só pra eu foder sua boca. — Ele estocou com mais pressa, Junmyeon sentiu os olhos encherem-se de lágrimas. — Tão bom... você é tão bom. — Sehun tirou o pau da boca do ômega e esfregou a ponta por sua bochecha. Junmyeon se contorceu, estava perto do próprio clímax e sequer tinha recebido algo mais do que um beijo. A cabeça do pau do alfa pressionou-se contra seus lábios fechados e ele abriu a boca, língua para fora e olhos brilhantes em súplicas. — Uma vadia tão boa. — Sehun pressionou a cabeça do pau contra sua língua e deixou que Junmyeon lambesse toda a sua extensão antes de voltar a estocar na sua boca sem pressa.

O Kim segurou as coxas do alfa, os dedos enfiaram-se na pele com força quando forçou sua cabeça para baixo para pegar tudo o que Sehun oferecia. A cabeça do pau dele pressionou-se deliciosamente contra sua garganta e Junmyeon afastou-se, tossiu e sorriu para Sehun, então tornou a abrir a boca e pega-lo de novo. De novo e de novo e de novo. Saliva e gozo escapavam pelos cantos da sua boca, também sentia o queixo molhado. Ele sugava o que conseguia, engolia tudo sem pensar muito. Sehun gemia e o deixava no controle para ir e voltar, mas, às vezes, não conseguia se conter e estocava contra sua boca com força e rapidez. Ele estava perto, Junmyeon sabia. Por isso, somente deixou que o alfa usasse sua boca da melhor maneira, socando e socando o pau contra sua garganta até que o reflexo de vômito fosse apenas uma lembrança.

Era tão bom escuta-lo gemer e derramar sobre si todos os elogios. Junmyeon era bom, era bonito, era o melhor ômega do mundo. Era tudo o que Sehun tinha pedido aos céus e por isso, era tão sortudo. Junmyeon sorvia cada elogio, deixava que eles impregnassem na sua pele, entrassem na sua corrente sanguínea. O alfa acariciou a sua bochecha enquanto o fodia e não tirava os olhos do seu rosto. Era gostoso. Era tão incrivelmente gostoso que quando Junmyeon sentiu o nó de Sehun formando-se, só conseguiu ficar mais excitado.

O tesão percorreu seu corpo com mais força. Tinha certeza que estava sentado em uma poça. Imaginou aquilo dentro de si, esticando suas bordas, o preenchendo. Gemeu. Sehun gemeu de volta quando sentiu os dentes do ômega rasparem na ponta inchada do seu pau. Junmyeon o percebeu se afastando e quase implorou para tê-lo de novo, mas seu corpo estava um pouco fora de órbita. Havia excitação demais correndo por suas veias. Ele esfregou as coxas mais um pouco, com toda a força que sentia e viu Sehun gozar. O líquido respingou no seu rosto, manchou a bochecha e a boca, as lentes dos óculos e um pedaço da franja. O ômega abriu a boca e pegou tudo o que era lhe oferecido ao mesmo tempo que sentia seu próprio gozo vir, molhando sua cueca e calça.

Sehun jogou a cabeça para trás enquanto gozava, Junmyeon lambeu o gozo dos lábios e pegou um pouco da bochecha com os dedos e colocou na boca. Sua entrada pulsava como se Sehun tivesse o fodido, o deixado aberto com estocadas fortes. Seu corpo estava tremendo quando deitou o rosto sujo e corado na coxa do alfa. Sehun o fitou, as pupilas pareciam mais dilatadas do que antes e ele inspirava pelo nariz como um animal, provavelmente tinha sentido o cheiro do ômega depois do orgasmo. Ômegas sempre cheiravam melhor depois de gozar, mais forte, mais doce, mais atraente.

O alfa acariciou sua bochecha com as costas dos dedos. Ele tirou os resquícios do próprio gozo do seu rosto e levou a boca. Livrou-o dos óculos sujo de porra e segurou seu rosto. O trouxe para perto, o lambeu com cuidado. Junmyeon gemeu, sensível demais depois de ter chegado ao clímax. Sehun o sentou no seu colo e beijou cada parte sua que encontrou. Tão cuidadoso, tão devoto e tão apaixonado.

— Eu amo você.

Junmyeon não sabia se tinha saído dos seus lábios ou se tinha escutado. Ele ainda estava um pouco longe, um pouco mole demais nos braços do amante. Se importaria com isso mais tarde, prometeu a si mesmo.

***

— Jesus! O que aconteceu com você? — Baekhyun perguntou no segundo em que o notou sentado no sofá da pequena sala do apartamento, que eles dividiam, com as luzes apagadas e uma expressão miserável no rosto.

Junmyeon bem podia imaginar como parecia: cabelo desgrenhado, usando uma roupa que não era sua e com os olhos perdidos. Tinha esquecido os óculos no quarto de hotel e agora tudo o que ele via estava um tanto embaçado. No caminho para casa, tinha encostado a cabeça no vidro da janela do táxi e visto as luzes passarem, os carros e as pessoas. Tudo embaçado e distante como se estivesse tentando ver através da chuva. Ele ainda estava se sentindo assim, como se uma tempestade inteira estivesse acontecendo dentro de si.

Piscou e encarou o amigo.

— Estou indo dormir — levantou-se, não se deu ao trabalho de responder ao beta.

Recolheu os sapatos que tinha abandonado no pé do sofá e começou a andar. O olhar de Baekhyun o seguiu, cheio de perguntas, mas Junmyeon não estava preparado para aquilo e além do mais, não era difícil saber o que aconteceu consigo, o cheiro na sua pele denunciava todo o ato. E talvez, fosse isso que o deixava tão miserável. Realmente havia acontecido. Depois de dois anos de puro silêncio, Junmyeon tinha corrido atrás dele como um cachorrinho sem hesitar. Fechou a porta do quarto com um chute e encostou a testa na madeira.

Ah, como queria odiar Oh Sehun.

Afastou-se em direção a cama, largou os sapatos no pé da cama e jogou-se na cama em seguida. Encolheu-se no meio, abraçou os joelhos e mordeu o lábio quando o primeiro soluço ameaçou escapar. Não queria chorar agora, mas sabia que já havia segurado aquilo por bastante tempo. Precisava daquele alívio para a confusão de emoções que crescia no seu peito.

α

A mensagem de texto tinha chegado no começo da manhã, mas o alfa tinha a ignorado por conta de uma reunião online. Isso não tinha agradado a pessoa que mandou a mensagem, mas Sehun não tinha o que fazer sobre isso. Seu trabalho estava em primeiro lugar e não podia deixar qualquer coisa o distrair quando havia batalhado tanto para chegara até ali. Contudo, quando atendeu o interfone, soube que devia ter lido a mensagem mais cedo. Minseok apareceu tão rápido na sua porta que por uma fração de segundos o Oh achou que estava de volta a China, com eles como vizinhos de porta e sócios, ainda tão grudados quanto na época da faculdade.

— O que está fazendo aqui? — perguntou no segundo em que reconheceu o amigo.

Minseok bufou em resposta e passou por baixo do seu braço para entrar no quarto. Era um bom quarto, uma suíte vip com uma vista bonita. Sehun não ligava realmente para a vista, em parte porque quase não passaria tempo a observando, mas daquela vez, tinha que admitir que era uma vista incrível. O assobio maravilhado de Minseok deixou isso mais do que claro.

— É assim que recebe um amigo? — o ômega perguntou com as mãos na cintura.

— Onde está o amigo? — Sehun olhou em volta e Minseok revirou os olhos com a palhaçada do alfa, mas os dois acabaram rindo. Eles se abraçaram depois que Sehun fechou a porta. — Por que está aqui? Achei que fosse aproveitar minha ausência para tirar férias com Chanyeol.

— Estamos de férias aqui. Tan-dam! — ergueu os braços para sinalizar a surpresa e Sehun franziu o cenho. — Não estamos te seguido, eu juro. A minha família e a de Chanyeol estão aqui, então achamos que seria uma boa vir e fazer companhia para você. — Ele se aproximou e ficou na ponta dos pés para passar o braço por cima dos ombros do alfa. — Como nos velhos tempos, hein? — cutucou sua costela e Sehun se contorceu, Minseok riu. — Nós três zanzando por Seul. — mas ao contrário da expressão sonhadora no seu rosto, o rosto de Sehun estava contorcido em desconfiança. — Não faça essa cara.

— Você disse que ia para o Havaí — pontuou com os braços cruzados e Minseok se afastou em direção ao frigobar.

— Chanyeol quis mudar de planos na última hora. — ele bufou enquanto pegava uma latinha de café gelado. — Uma pena. Havaí seria incrível — lamentou.

Sehun balançou a cabeça e foi em direção a mesinha de centro, que tinha transformado em mesa de trabalho. Sentou-se no chão, sob o tapete felpudo e começou a mexer no computador. Estava dando uma olhada nas planilhas e relatórios que Lu Han — seu segundo sócio — havia mandado. Ao contrário dele e Minseok, Lu Han tinha ficado na China para segurar as pontas enquanto os dois tiravam uma folga. Sehun tinha reservado duas semanas para passar em Seul, por conta da festa de bodas de 50 anos dos seus pais. Era um evento imperdível, sua irmã tinha dito, o que significava que era mais do que obrigado a comparecer.

— Por que está trabalhando? — Minseok sentou-se no sofá em frente a mesinha e observou toda a confusão de papéis e cálculos que Sehun tinha espalhado.

— Eu não estou de férias, Minnie — falou e digitou algumas porcentagens na planilha. — Concordei em continuar trabalhando online, aliás tenho mais uma reunião com Hannie daqui a uma hora. — conferiu o horário no relógio do notebook.

Minseok bufou.

— Você é tão viciado em trabalho quanto Hannie — disse e bebeu mais do seu café.

Sehun bem sabia que o amigo era viciado em cafeína. Se Chanyeol não o tivesse colocado em uma dieta, sabia que o ômega estaria bebendo café como água. Pensar no parceiro do amigo fez uma pergunta aparecer na sua mente.

— Você e Chanyeol estão ficando aqui? — Se referiu ao hotel.

— Essa é uma história engraçada. — Minseok riu, nervoso e Sehun tornou a cruzar os braços.

— Por que está aqui? — viu o amigo abrir a boca para repetir a história das férias, mas o impediu de tentar: — Fale a verdade.

— Ok, ok. — Minseok cedeu e largou a latinha de café vazia sobre a mesinha. — Chanyeol soube por Yixing que você estaria vindo para Seul por duas semanas para as bodas dos seus pais e colocou na cabeça que tínhamos que vir também, para te dar suporte e... — O ômega encolheu os ombros e desviou o olhar. — Ele só achou que você precisaria de ajuda e eu também achei.

Sehun encarou os papéis espalhados na mesa e o cursor piscando na tela do notebook. Ele bem podia imaginar como parecia para os seus amigos durante aqueles dois anos em que morou na China. Enquanto, Minseok tinha Chanyeol e Han tinha Krystal, ele tinha apenas o trabalho. Desde que tinha se mudado, não havia tido nenhum namoro duradouro e até mesmo antes disso, não havia tido ninguém significante depois de Jongin. Não gostava de pensar em Jongin, em parte porque a ferida do abandono ainda queimava e em parte, porque bem sabia que se pronunciasse o nome dele receberia aquele olhar solidário dos seus amigos, como se eles dissessem “pobre Sehun”.

— São apenas as bodas dos meus pais e além do mais, vou ficar somente duas semanas. Não há nada para se preocupar, não é como se eu fosse encontrar Jongin na esquina. Ele sequer está na Coréia, sabia? — Viu o amigo erguer as sobrancelhas e Sehun quase se sentiu envergonhado por deixar claro assim que havia o espionado. — Ele se mudou para os Estados Unidos com Taemin. — O nome do alfa era amargo na sua boca.

Minseok suspirou.

— Não estávamos preocupados com Jongin. — Ele apertou as próprias coxas do modo que fazia quando estava nervoso e Sehun o fitou. — Na verdade, estávamos pensando em Junmyeon.

O alfa engoliu em seco diante do nome do Kim. Ficou de pé e andou calmamente em direção ao frigobar, apanhou a primeira lata de cerveja que achou e bebeu um longo gole. Precisava se recompor antes de fazer uma cena ou deixar estampado na sua cara que já havia caído na tentação. Minseok e Chanyeol tinham chegado tarde demais. Ele tornou a encarar o amigo, sobrancelhas franzidas em arrependimento. Minseok comprimiu os lábios de volta, parecia ter adivinhado, mas quem não o faria? O cheiro de Junmyeon ainda estava nos lençóis, as roupas dele estavam espalhadas pelo chão do seu quarto. As pistas estavam lá desde a chegada de Minseok.

O ômega jogou a cabeça para trás e fechou os olhos. Sehun sentiu-se envergonhado e derrotado, mas sequer conseguia se culpar. Junmyeon foi quem apareceu na porta do seu quarto de hotel, foi quem entrou e o beijou do mesmo jeito como tinha beijado lá trás, dois anos antes de Sehun fugir para a China com o pretexto de trabalho. Seria mentira se dissesse que não havia gostado, que não tinha pensado nele no instante em que saiu do avião e que estava ansioso para vê-lo de novo. Seria mais mentira ainda se dissesse que não havia gostado e talvez esse fosse a raiz de todo o problema, porque gostar significava encorajar.

— Você o procurou? — Minseok perguntou, a voz distante e séria.

— Ele veio até aqui — respondeu.

— E não o mandou embora por que...?

Sehun abaixou os olhos e corou como um adolescente. Minseok tornou a comprimir os lábios.

— Isso é... — o ômega se parou antes que dissesse algo que pudesse se arrepender, mas Sehun não precisou fazer muito esforço para continuar a frase na sua mente.

Nojento. Aquilo era nojento.

Bebeu mais da cerveja e deixou a latinha pela metade sobre o frigobar. Disse que iria até o banheiro e ficou lá por tempo suficiente para escutar a porta batendo, indicando que Minseok havia saído. Suspirou enquanto lavava as mãos e evitou encarar seu reflexo no espelho em cima da pia, não tinha coragem de encarar os próprios olhos e constatar o desejo, a saudade imensa por alguém proibido e a falta de arrependimento por tê-lo deixado se aproximar. Suspirou mais um pouco e resolveu sair do banheiro, ainda tinha trabalho para terminar.

No entanto, ao sair do banheiro se deparou com Chanyeol e Minseok sentados no sofá, um ao lado do outro e com uma expressão séria. Sehun encolheu os ombros e se aproximou com passos pequenos. Ao que parecia o casal de amigos ômegas tinha se juntado para lhe dar um sermão e para o bem da verdade, Sehun sabia que merecia. Por isso só sentou no sofá em frente à eles e escutou tudo de cabeça baixa.

Junmyeon espalmou a mão no peito do alfa e o manteve deitado. Rosnou quando sentiu as mãos do homem no seu corpo e este as afastou com um pedido de desculpas perdido na expressão de prazer ao ter o ômega descendo e subindo no seu pau. O Kim continuou cavalgando, o mais rápido que conseguia. O ritmo tão intenso que estava deixando o homem embaixo de si louco.

Abriu a boca e gemeu, inspirou fundo o cheiro do outro e quase choramingou de frustração. Não era o que estava esperando, mas era o tinha para ajudá-lo naquele pré-cio. Seu ômega estava insatisfeito e irritado com a escolha, e Junmyeon compartilhava dos sentimentos, mas não podia simplesmente correr em direção a Sehun depois ter seu cio despertado. Seria humilhação demais e o Kim já estava com a cota cheia. Por isso, tinha decidido foder com um alfa qualquer da universidade. Do Kyungsoo não era tão ruim apesar de ser um pouco esquisito e Junmyeon quase achava seu cheiro atraente. Quase.

— Deixe-me tocar em você. — o alfa pediu em meio a um gemido.

Junmyeon abaixou-se e aproximou a boca da dele, roçou seus lábios levemente.

— Não — sussurrou e tornou a se afastar.

Desceu e subiu no pau de Kyungsoo com força. Já podia sentir o nó dele se formando. Não demoraria até que ambos ficassem travados, mas Junmyeon não queria aquilo. Ele não queria um nó, queria apenas se satisfazer. Levou as mãos aos próprios mamilos e os puxou enquanto fechava os olhos. Kyungsoo rosnou, excitado, embaixo de si mas não se mexeu para tocá-lo. Ele sabia o quanto alfas gostavam de dominar, tocar e dar atenção, mas o ômega não estava interessado, por isso, quando seu orgasmo veio, Junmyeon apenas sujou o peito de Kyungsoo e jogou-se para o lado no seguindo seguinte, saindo de cima do pau dele.

O alfa tentou puxa-lo para perto de novo, queria encaixar-se em si e perseguir o seu próprio orgasmo, mas Junmyeon afastou as mãos dele com pressa e segurou o pênis dele. Punhetou até que Kyungsoo gozasse na camisinha com um gemido rouco. E enquanto, o Do tentava normalizar a respiração, Junmyeon esticou o braço até a cômoda ao lado da cama e apanhou o maço de cigarro. Acendeu um.

— Por favor, não fume — o alfa pediu e o ômega revirou os olhos.

— O que você vai fazer? Me multar? — desafiou e tragou o cigarro.

— Eu vou te foder — Kyungsoo disse e Junmyeon riu.

— Do jeito que acabou de fazer? — Junmyeon desdenhou e Kyungsoo bufou, meio rindo.

— Teria sido melhor se tivesse me deixado te tocar — falou e o ômega revirou os olhos. — Ou te dar um nó. Não é disso que ômegas gostam?

Junmyeon bufou e ficou de pé, começou a procurar suas roupas no chão. Vestiu a cueca e a calça jeans com o cigarro preso entre os lábios.

— Nem todos — resmungou mau-humorado.

— Onde está indo? — Kyungsoo sentou-se no meio da cama.

— Embora. — Procurou a camisa e enfiou pela cabeça, mas tirou-a no momento em que percebeu que tinha a colocado do avesso. — Tenho um compromisso. — Tragou o cigarro uma última vez e o apagou contra a cômoda arrancando de Kyungsoo uma careta de desaprovação.

— Achei que estivesse no cio. — O alfa puxou a camiseta largada sobre a cama e limpou o gozo do seu peito.

— Eu estou, mas depois disso aqui — se referiu ao sexo —, me sinto melhor. — Forçou um sorriso, mas Kyungsoo o estava fitando com desconfiança.

Junmyeon foi em direção a saída e apanhou a mochila largada de qualquer jeito perto da porta, colocou-a nas costas.

— Você tem um parceiro, não é? — Kyungsoo subitamente perguntou fazendo o ômega estancar onde estava, a mão na maçaneta. — Eu senti o cheiro dele em você quando me chamou para transar e você não me deixou tocá-lo, e para falar a verdade, eu mal sinto o seu cheiro. Não parece um ômega no cio.

O Kim ergueu a mão e bagunçou o cabelo em irritação. O olhou por cima do ombro.

— A falta de cheiro é porque estou tomando supressor e não, eu não tenho um parceiro. Pode parar de me interrogar agora e só aceitar que essa foi uma transa de merda? — Junmyeon bufou e Kyungsoo arregalou os olhos, parecendo machucado. — Desculpa. — Suspirou e voltou a encarar a porta. — Só estou com muita coisa na cabeça.

Abriu a porta e saiu sem esperar por qualquer resposta do alfa. Caminhou pelo corredor do dormitório da faculdade, foi direto para a saída. Procurou o celular na mochila e verificou se alguém tinha mandado mensagem. Havia algumas mensagens de Baekhyun perguntando se tinha terminado a lista de cálculo III e outra da sua mãe o lembrando da prova de roupas às 14 horas para a festa de bodas. Suspirou. Tinha esquecido disso completamente. Digitou uma resposta rápida para Baekhyun dizendo que estava com a lista quase pronta, mas demorou bastante para responder a mãe. Pensou em dizer que estava no cio, o que não era mentira, mas também sabia que isso só a chatearia porque tinha lhe assegurado que não entraria no cio até mês que vem.

Chegou no ponto de ônibus e ficou parado na calçada esperando o seu ônibus aparecer. Resolveu que era melhor responder a mãe dizendo que iria, afinal não era como se seu cio estivesse tão alto. E além do mais, era apenas uma prova de roupas. Não devia demorar muito. Podia se sustentar até o fim do dia depois daquela foda meia boca e com os supressores.

Fez sinal para o ônibus quando o viu se aproximar e entrou. Estava mais vazio do que imaginou, mas aquilo era bom. Procurou um lugar no fundo do ônibus para descansar. Viu a senhora no banco da frente enrugar o nariz na sua direção e imaginou que não estava cheirando bem. Devia estar com o cheiro de Kyungsoo grudado na pele misturado com seu próprio e o cheiro de suor. Suspirou e encostou a cabeça no vidro da janela, apanhou os fones de ouvido e ficou a viagem inteira escutando música.

O ônibus o deixou no terminal e de lá teve que pegar outro para poder chegar até a casa da mãe. Achou que ir direto para lá o faria parecer menos atrasado, mas quando chegou no bairro da sua família, já passava das duas e sua mãe estava furiosa na sala o esperando.

— Por que demorou tanto? — ela perguntou assim que ele passou pela entrada.

— Eu vim de ônibus — respondeu. — Vou tomar um banho rápido e já desço.

A mãe abriu a boca para protestar, porque já estavam atrasados, mas Junmyeon foi rápido em correr escada acima, direto para o seu antigo quarto onde ainda haviam algumas roupas suas. Eram da época do colegial, mas Junmyeon não havia mudado tanto. Sequer havia crescido em altura e apesar de ter ganhado uns quilinhos, não achava que as peças podiam ficar desconfortáveis.

Foi direto para o banheiro e tirou as roupas às pressas. Quase tropeçou ao entrar no box quando foi apressado demais para ligar o chuveiro. Riu do próprio desastre, mas quando estava embaixo do chuveiro sentiu o pênis começar a endurecer, indicando que seu cio estava ficando alto novamente. Começou a se acariciar. Não demoraria muito a gozar, nunca demorava quando estava com os hormônios correndo nas suas veias. Suspirou e a água gelada descendo contra sua nuca só servia para fazê-lo se arrepiar quando seu corpo estava começando a ficar febril.

Tentou não formar uma imagem mental de ninguém em especial. Naqueles momentos, Junmyeon não gostava de pensar em rostos de conhecidos, porque era sempre estranho olhá-los nos olhos depois. Por isso, mantia sua imaginação limitada a detalhes. Imaginou em mãos grandes segurando sua cintura, a uma boca de lábios rosados segurando a cabeça do seu pau. Sentiu seu buraco começar a escorrer. Chupou dois dedos e depois os enfiou em si de uma única vez. Ainda estava esticado da foda com Kyungsoo, por isso não precisou se preocupar em ser cuidadoso. A água do chuveiro lavava sua lubrificação e deixava seus movimentos mais secos.

Punhetou o pau com mais rapidez. O chuveiro continuava despejando água na sua nuca quando encostou a testa na parede, um pouco acima do registro. Adicionou mais um dedo na sua entrada e socou o mais fundo que conseguia, queria poder alcançar sua próstata naquela posição, mas era difícil. Precisaria se inclinar mais um pouco e isso atrapalharia enquanto se punhetava, mas no estado em que estava, não precisava de tanto estímulo. Satisfazer o desejo de ter algo enfiado em si era o suficiente.

Seu pensamento correu solto mais um pouco. Havia alguém o empurrando contra a parede do banheiro, alguém estava o agarrando por trás, enfiando os dedos longos e grossos dentro de si e segurando seu pau com vontade, deslizando a palma quente pelo comprimento devagar, diferente da maneira frenética com que fodia seu buraco. A pessoa travaria os dentes no seu pescoço, só para invocar um pouco de submissão e o faria gemer e implorar tão alto por um nó, que Junmyeon terminaria de joelhos no ladrilho do banheiro, a bunda levantada e escorrendo. Pronto para procriar.

Gemeu com o pensamento e antes que pudesse se controlar, a pessoa sem rosto da sua imaginação ganhou um cheiro e o cheiro trouxe um rosto. De repente, ele estava vendo sobrancelhas retas e olhos escuros o encarando, a boca comprimida naquela linha de desaprovação que o fazia tremer inteiro, mãos grandes de dedos calejados que eram delicados ao lhe tocarem. Não queria dar um nome, mas a palavra já estava saindo da sua boca em uma súplica mal calculada.

— Sehun.

Imaginou o alfa lhe segurando, o inclinado para receber o seu pau, estocando fundo na sua bunda. Metendo e metendo todo o seu comprimento, abrindo mais espaço com o nó. Gemeu um pouco mais alto enquanto aumentava a velocidade da punheta, estava tão perto de gozar agora. Eram os dentes de Sehun contra seu ombro, a respiração dele contra sua pele e a voz dele no seu ouvido, enchendo-o de elogios. O chamando de bom garoto, uma boa vadia, um buraco perfeito para preenchido com esperma. Junmyeon mordeu o lábio para impedir mais gemidos de sair, não queria soar tão alto e muito menos queria que a mãe descobrisse o que estava fazendo.

Tirou os dedos da sua entrada e usou a mão livre para se apoiar melhor na parede. Seus movimentos eram mais frenéticos, descendo e subindo a mão ao longo do seu comprimento.

— Junmyeon! — A mãe bateu na porta do banheiro. — Está tentando acabar com a água do mundo? Por que está demorando tanto? — Ela esmurrou a porta, irritada, e o ômega segurou a vontade de gemer em frustração, estava tão malditamente perto e não podia parar agora.

— Eu... eu já vou sair. — Tentou soar o mais normal possível.

— Rápido! Sua avó está me enlouquecendo com ligações. — e como que para pontuar isso o celular da mãe tocou e ela se afastou para atender.

Junmyeon forçou mais um pouco sua imaginação. Sehun estaria com a mão contra sua boca para impedi-lo de fazer barulho, ele não teria parado de meter nem mesmo quando sua mãe bateu na porta. Continuaria perseguindo seu orgasmo, louco para amarra-lo em um nó. “Eu quero gozar em você”, ele diria e Junmyeon deixaria. E depois que acontecesse, Sehun o seguraria muito perto, um meio rosnado preso na boca enquanto mordia seu ombro e diria que o amava. O ômega mordeu o lábio mais forte e sentiu o gosto de sangue na língua no segundo em que seu orgasmo veio. Suas pernas tremerem e falharam, o fazendo deslizar até o chão. Encostou a testa na parede e respirou de boca aberta, a água do chuveiro caiu direto no topo da sua cabeça ao mesmo tempo que lavava o seu gozo do chão do box. Ergueu o rosto e deixou a água cair no rosto, lavar toda a culpa que começava a crescer no seu interior e o sangue do seu lábio.

Forçou-se a ficar de pé e terminou o banho. Quando saiu do banheiro, sua mãe não estava no quarto, mas tinha deixado uma roupa separada para si sobre a cama. Tudo para que se arrumasse o mais rápido possível. Junmyeon engoliu dois comprimidos de supressor. Aquilo mais a masturbação no banheiro deviam ajudá-lo a ficar bem até o fim da prova de roupas. Apanhou a mochila e saiu do quarto. Encontrou sua mãe na sala ainda falando com sua avó no telefone. Ela fez sinal para a porta e Junmyeon saiu primeiro enquanto a via apanhar o chaveiro e o seguir.

— O que há com você? Por que demorou tanto? — Ela abriu a porta do motorista e Junmyeon abriu a porta de trás, pretendia ir deitado nos bancos traseiros. — O que está fazendo?

— Estou um pouco cansado — confessou. — Foi uma semana cheia na faculdade e no estágio.

A expressão raivosa no rosto da ômega caiu e foi substituída por pena. Ela estendeu a mão e acariciou seu rosto.

— É só uma fase, querido. Logo, você vai estar bem.

Seohyun, sua mãe, entrou no carro e Junmyeon fez o mesmo. Deitou-se nos bancos de trás e fechou os olhos. A mãe o encarou pelo espelho retrovisor mas não disse nada. Limitou-se a dirigir até o centro da cidade, onde o ateliê que sua mãe tinha escolhido, ficava.

***

Foi Jongdae quem o acordou.

Junmyeon abriu os olhos devagar e viu que o primo estava batendo no vidro da janela do seu lado com um sorriso maníaco no rosto. Ele esfregou os olhos e olhou para o banco do motorista, mas sua mãe não estava mais lá. Suspirou e ficou sentado. Verificou o horário no seu celular. Há quanto tempo estava ali? Por que sua mãe não o acordou? Esticou os braços o melhor que pôde e abriu a porta do carro com um bocejo.

— Você estava babando no banco — Jongdae disse e Junmyeon fez uma careta.

— Oi pra você também pirralho. — O puxou para perto em um meio abraço.

Jongdae tinha dez anos de idade e era o único filho do seu tio Changmin, o irmão mais novo da sua mãe, Seohyun.

— Onde está todo mundo? — perguntou e olhou em volta, estavam numa calçada em frente ao ateliê.

— Lá dentro. — Jongdae apontou para o ateliê. — Vovó estava resmungando há horas por causa do seu atraso, mas ela deixou você dormir esse tempo todo depois que o tio Sehun chegou. Você sabia que ele já viajou para a Austrália? Ele também foi para Nova York. Eu vi as fotos no celular dele!

O ômega fez uma careta quando a voz de Jongdae ficou aguda demais em animação, mas se esforçou para não parecer tão mau-humorado quando escutou o nome de Sehun em meio as coisas que o primo dizia. Devia ter se preparado melhor para aquele encontro, pensou. Jongdae o levou para dentro do ateliê.

Sua família estava reunida no sofá no meio do ateliê, em frente aos provadores. Bebendo e conversando alto. Seu padrasto não estava ali ainda, provavelmente tinha ficado preso no trabalho, mas de qualquer forma, ele sempre podia vir depois com a sua mãe. Seu tio Heechul, pai ômega de Jongdae, estava ao lado do marido beta, Changmin. Sua avó ômega, Dami, não estava a vista, o que só podia significar que estava no provador. Viu também a cabeça de Sehun, sua postura reta enquanto falava com o pai — avô alfa de Junmyeon — na ponta do sofá. Decidiu que não prestaria atenção a sua presença, era melhor para a sua saúde apenas ignorar.

— Junmyeon! — Heechul exclamou seu nome com tanta animação, que o ômega arregalou os olhos. — Venha, venha. Estávamos falando de você. — O tio se aproximou do Kim e o conduziu pelo resto do caminho até o grupinho formado por sua mãe, Heechul e Changmin. — Olhe só — Ele segurou o seu rosto. — Junmyeon vai ficar lindo com a roupa tradicional.

Ele olhou para os lados e pegou olhar de Sehun na sua direção, mas desviou rapidamente, tornou a encarar os parentes.

— Como assim roupa tradicional? — perguntou.

— Sua avó insiste por um casamento tradicional, é por isso que estamos aqui. Viemos experimentar hanboks — Changmin respondeu com um suspiro.

— Aí vem ela! — uma mulher saiu do provador e anunciou, todos se mexeram para ficar de frente para o provador quando a cortina foi puxada e sua avó apareceu em pé sobre um tablado redondo.

Sua avó virou-se de frente para eles para mostrar mais da roupa que estava usando. O hanbok vermelho era lindo, com mangas longas e cheios de bordados em dourado. Junmyeon ficou impressionado e pela forma como notou seu avô encarando a esposa com olhos brilhantes, não era o único assim. Todos bateram palmas, rindo e elogiando a forma como a cor realçava os traços da sua avó e a senhora riu, maravilhada. Seohyun e Heechul se agitaram em volta da mulher para verificar os detalhes da roupa mais de perto, mas Junmyeon permaneceu onde estava.

Ainda se sentia sonolento, um pouco cansado demais. Escondeu um bocejo atrás da mão e piscou as lágrimas de sono para longe. Olhou em volta e foi até a recepção. Pediu por uma atendente para ajudá-lo com a escolha do hanbok. Queria terminar aquilo logo para ir para casa descansar. Um ômega chamado Sunho veio atendê-lo e Jongdae permaneceu na sua cola durante o resto do tempo. E em nenhum momento, ele falou com Sehun ou lhe direcionou qualquer olhar. Era melhor assim, afinal. Porque sentia que se qualquer interação acontecesse, estaria se entregando, escancarando seu crime para toda a sua família.

— Você cheira ao tio Sehun — Jongdae disse quando os dois ficaram sozinhos dentro de um provador.

Sunho tinha ido pegar mais dois modelos de hanbok depois de ter ajudado Junmyeon com um conjunto em tons de azul-escuro. Ele estava ajeitando as mangas e a saia da vestimenta enquanto se encarava no espelho, virando de lado e de costas. O comentário de Jongdae o pegou de surpresa, fez seus olhos se arregalarem e encarar o priminho através do espelho como se ele fosse um alienígena.

— O que? — perguntou, a voz caindo naquele tom nervoso.

Jongdae esfregou o nariz e repetiu:

— Você cheira ao tio Sehun. Não é forte, é bem fraco — contou.

Era normal que crianças na idade de Jongdae tivessem um nariz mais afiado e notassem fragrâncias distintas e fracas. Não era um problema realmente, mas tinha deixado Junmyeon tão nervoso, que não percebeu que estava mordendo o lábio até que sentiu o gosto de sangue. Tinha aberto a ferida de mais cedo. Segurou um suspiro e abaixou-se para ficar na altura do primo.

— É porque estamos no mesmo lugar, é normal que cheiros se agarrem a pele dos outros assim. — Mentiu e Jongdae assentiu.

O Kim beliscou o nariz do primo, o fazendo rir e ficou de pé em seguida. Mas ainda se sentia um pouco nervoso, como se estivesse andando na corda bamba. Não sabia o que faria se o cheiro fosse forte o suficiente para qualquer um dos adultos notar e na verdade, sequer conseguia explicar porque o cheiro de Sehun ainda estava na sua pele depois de ter transado com Kyungsoo. Era de se esperar que ainda estivesse cheirando ao outro alfa, afinal, esse havia sido um dos motivos pelos quais correu na sua direção. Queria, desesperadamente, mascarar qualquer vestígio de Sehun no seu corpo.

— Achei você. — Seohyun abriu a cortina e apareceu atrás de si, sorrindo e um tanto aliviada por saber que ele ainda estava ali. — Deixe-me ver. — ela o segurou pelos ombros e o virou.

Junmyeon notou que a mãe estava usando um hanbok em tons de rosa.

— Tão bonito. — apertou suas bochechas. — Eu fiz um filho muito bonito. — enfiou os dedos pelos cabelos e os escovou com carinho, Junmyeon sorriu.

Em momentos como aquele, em que a mãe o encarava com tanto carinho, ele tentava imaginar sua expressão de desgosto quando soubesse sobre a forma como correu atrás de Sehun na noite anterior, como ficou de joelhos e o chupou até que gozasse na sua boca. O quão decepcionada ela ficaria? O quanto o odiaria? Seohyun o mandaria embora na primeira oportunidade, tinha certeza. Ela e toda a família jamais o olharia na cara novamente. A rejeição latejou atrás dos seus olhos, mas Junmyeon empurrou aquilo tudo para longe. Não pensar talvez ajudasse a não dar um passo em falso no seu papel de bom filho.

A cortina se abriu novamente.

— Voltei! — Sunho se anunciou, animado. — Eu trouxe essas duas cores, acho que combinam com a sua pele.

Seohyun pegou os dois e colocou os dois em cada lado da bochecha do filho para tentar ver qual o destacava mais.

— Tente esse verde. — empurrou o hanbok contra seu peito e Junmyeon o segurou.

Sunho fechou a cortina e sua mãe o ajudou a tirar o hanbok ao mesmo tempo que Jongdae corria de volta para os pais.

α

Sehun podia ter inventado qualquer desculpa para não ir naquela prova de roupas. Seus pais não ficariam exatamente chateados. Só precisava dizer que iria depois, que estava cansado da viagem ou que tinha uma reunião online marcada com o seu sócio — coisa que não era mentira. Chanyeol e Minseok o tinham encorajado a mentir, a não aparecer e ficar de molho por aquele dia, ficar confinado no quarto de hotel como se tivesse de castigo. Quem sabe, merecesse mesmo aquele castigo, o silêncio e toda a culpa. Céus, tinha deixado seu sobrinho lhe pagar um boquete! Merecia o fogo do inferno e um pouco mais.

No entanto, estava ali, naquele ateliê, sentado ao lado do seu pai e o escutando contar todas as coisas que tinha perdido naqueles dois anos em que se mudou para a China enquanto fingia não prestar atenção em Kim Junmyeon, andando de lá para cá, conversando, rindo e brincando com o pequeno Jongdae e seus pais, ou qualquer pessoa que o chamasse para perto. Não que ele estivesse prestando atenção, mas para o seu pesadelo pessoal, estava e estava até demais. Tanto, que foi com desgosto que notou o cheiro diferente agarrado a pele do ômega. O cheiro de um alfa.

— Então, Dami acha que você precisa casar e convenhamos, já passou da hora de superar o que aconteceu com Jongin. — Seu pai estava dizendo ao mesmo tempo que Sehun acompanhava a figura de Junmyeon entrando no provador com um atendente e Jongdae. — Sehun? Está me escutando?

O alfa piscou e moveu os olhos em direção ao pai.

— O que?

— Encontro às cegas, sua mãe armou um encontro às cegas para você. — Ele tocou seu ombro e Sehun quis se encolher em exasperação. — É uma linda beta, vai adora-la. Tenho certeza.

— Pai, não estou procurando uma esposa. O trabalho tem tomado muito tempo, estamos no meio de uma transação milionária.

— Mas você está aqui, não custa nada ir até lá e conhecê-la. — Apertou seu ombro mais um pouco e Sehun abriu a boca para responder.

— Vocês dois! — Heechul os chamou alto e Sehun se assustou tanto com a intromissão que esqueceu o que ia dizer. — Vamos, vamos, se mexam. — O ômega se aproximou e segurou os dois pelas mãos, começou a puxa-los para ficar de pé e ir em direção ao provador.

Changmin e Seohyun tinha escolhido o seu hanbok. Dami parecia feliz com a sua escolha e estava conversando com a atendente, provavelmente atrás de um desconto para a família. Jongdae estava correndo pelo ateliê com Junmyeon, os dois vestidos em hanboks, rindo e fazendo palhaçada.

Eles eram uma família normal. Qualquer pessoa que os olhasse de longe não desconfiaria de nada. Eles eram normais. Um casal, três filhos, dois netos. Não havia nada fora da linha, nada meramente suspeito e Sehun não queria estragar tudo aquilo só porque não conseguiu manter o pau dentro da calça, por isso, tinha decidido que se concentraria somente no trabalho e na festa de bodas. Quando tudo aquilo acabasse, ele voltaria pra a China e eles dois podiam esquecer que alguma vez fizeram todas aquelas coisas.

Tentou limpar da sua mente qualquer coisa sobre Junmyeon e seguiu o dia normal. Heechul o ajudou a escolher um hanbok e seus pais pareciam felizes depois de combinar as cores, mas o sorriso deles ficou definitivamente maior quando disse que aceitava conhecer a garota beta. Era isso, disse a si mesmo, seria o filho perfeito por duas semanas.

— Devia aparecer para jantar lá em casa antes de voltar para a China. — Changmin o convidou depois que tinham terminado a sessão de provas e estavam do lado de fora do ateliê.

— Claro, só marcar um dia. — Sorriu e viu Seohyun se aproximar.

— Papai e mamãe disseram que você aceitou o encontro às cegas — a irmã disse e Sehun encolheu os ombros. — Parece que finalmente está tentando desencalhar.

— Falando assim parece que eu estou desesperado — resmungou e Changmin riu.

— E você não está? Indo encontros às cegas e tudo mais — Seohyun disse.

— Como foi mesmo que você conseguiu casar? — Sehun rebateu e a irmã corou.

Changmin riu mais alto, pois era de conhecimento geral que Seohyun conheceu seu atual marido em um encontro ás cegas, três anos depois de se separar do primeiro marido, Jihun, o pai biológico de Junmyeon.

— Parece que sou o único que não precisou da interferência dos pais. — Chagmin estufou o peito e Seohyun acertou um tapa na sua nuca, o fazendo se encolher.

Sehun riu.

— Pare de se gabar — ela resmungou.

Sehun verificou o horário no seu relógio e arregalou os olhos, precisava voltar para o hotel. Sua reunião diária com Han começaria dali uma hora.

— Preciso ir, tenho uma reunião com Hannie. — Começou a se afastar, mas Seohyun o puxou pela gola da camisa para perto e o abraçou.

— Não fique trabalhando tanto e não esqueça de comer. — Sehun a abraçou de volta.

— Eu vou te ligar para marcar um dia pro jantar. — Changmin o abraçou quando a irmã o soltou.

— Claro, claro — concordou e foi até os pais para se despedir.

Os dois o abraçaram também e o fizeram prometer que aparecia para um almoço antes de voltar para a China. Ele também se despediu de Heechul e de Jongdae, prometendo para esse último que lhe compraria um presente antes de ir embora. Junmyeon não estava entre seus parentes, parecia ter ido embora ou podia estar se escondendo dentro do ateliê, não o culparia por isso. Era bom que os dois se evitassem.

Se afastou da loja e foi em busca do carro alugado para aquelas duas semanas. Não estava estacionado muito longe, por isso, não precisou andar muito. Também não demorou a começar a manobrar para fora da vaga e depois, para longe do ateliê. Ainda deu tchau para os parentes através da janela e recebeu acenos de volta juntamente a sorrisos, mas não conseguiu se impedir de procurar por Junmyeon. Ele não estava lá. Parecia estranho pensar que ele já podia ter ido embora, mas sem a mãe? Sem ninguém para levá-lo de volta? Ele podia ter pegado um táxi ou ido de ônibus, tudo para simplesmente sair mais cedo e fugir de Sehun.

Seu celular tocou enquanto dirigia e sequer havia chegado na esquina ainda, o apanhou apressado e colocou no suporte para poder atender e dirigir ao mesmo tempo. Era Minseok o ligando.

— O que foi? — perguntou e quase se recriminou por parecer tão rude com o amigo.

Uau, quanto mal humor. — Minseok estalou a língua em desaprovação. — Chanyeol quer que jantemos juntos hoje.

— Tudo bem, mas tenho uma reunião daqui a pouco, pode terminar tarde.

Vamos só descer para o restaurante do hotel e comer lá ou podemos pedir algo para comer no quarto.

— Se for assim, tudo bem — concordou e pegou a rua principal, mas teve que parar em um sinal vermelho.

Marcado, então. — Minseok disse. — E pare de trabalhar tanto. — Ele desligou antes que Sehun pudesse dizer mais uma vez que não estava de férias.

Suspirou e batucou os dedos no volante enquanto esperava o sinal abrir. O trânsito não parecia cheio naquele dia, coisa pelo qual agradeceu, porque significava que chegaria no hotel a tempo e, quem sabe, conseguisse alguns minutinhos antes da reunião começar. O sinal abriu e Sehun voltou a dirigir, mas se viu quase vacilando pé no freio quando reconheceu a figura de Junmyeon no ponto de ônibus, sentado e com fones de ouvidos. Comprimiu os lábios e decidiu que não pararia. Tinha só que continuar em frente, contudo, que tipo de tio seria se não parasse para o oferecer uma carona? E além do mais, tinha visto notícias sobre assaltos em pontos de ônibus e se algo do tipo acontecesse com Junmyeon? Não se perdoaria nunca. Mordeu a parte interna da bochecha e parou o carro em frente ao ponto de ônibus.

Abaixou o vidro.

— Junmyeon — chamou e o ômega ergueu o rosto e o encarou com olhos arregalados. — Você quer uma carona? — Não fazia mal oferecer, se ele dissesse não podia seguir em frente sabendo que tentou.

Junmyeon olhou para os lados como se estivesse atrás de possíveis testemunhas para a sua infração e Sehun se sentiu encolher em vergonha, parecia que tinha ultrapassado qualquer que fosse o limite que o ômega tinha traçado. Ele arrumou a postura e assentiu, tirou os fones e veio em direção ao banco do passageiro, ao seu lado. Sehun começou a dirigir enquanto via o sobrinho colocar o cinto de segurança e apoiar a mochila sobre as coxas. Notou como aquilo era familiar, como parecia que eles tinham voltado pro natal de dois anos atrás quando Junmyeon sentou no banco do passageiro do carro que dirigia e o beijou quando ficaram presos no trânsito. O primeiro passo de uma sucessão de erros.

— Você está indo para a faculdade? — perguntou e Junmyeon virou o rosto para o lado oposto, encarou a paisagem.

— Estou indo para casa, na verdade — respondeu e Sehun notou as mãos dele sobre a mochila, brincando com o pingente em forma de coelho em nervosismo.

— Tudo bem, posso te deixar lá — falou e Junmyeon assentiu, mas não disse mais nada, limitou-se a se inclinar até o GPS e digitar o seu endereço.

O rádio não estava ligado, então tudo o que pairou sobre eles foi o silêncio. Sehun sentiu o desconforto ficando mais pesado no seu peito, descendo pela garganta como cimento. E o cheiro adocicado do ômega não ajudava, estava entrando por suas narinas como uma droga. Nunca tinha prestado atenção em como Junmyeon tinha um cheiro marcante, algo que parecia atrair e na verdade, sequer tinha notado que o sobrinho tinha um cheiro tão forte. Segurou o volante com mais força.

— Todos estão muito felizes que você voltou — Junmyeon disse, subitamente, baixo e ainda sem olhá-lo.

Sehun aspirou mais do cheiro dele, queria tanto se aproximar e enfiar o rosto no seu pescoço que se surpreendeu com o pensamento. Piscou e focou a visão no trânsito. Era o melhor a se fazer.

— É, pois é. — Limpou a garganta. — É uma ocasião especial, não podia faltar.

— 50 anos — Junmyeon balbuciou ainda olhando pela janela. — É muito tempo.

— É. — Sehun ecoou sem saber mais o que poderia dizer.

Eles ficaram em silêncio. Sehun se concentrou em seguir o caminho que o GPS mostrava. Junmyeon tornou a colocar os fones de ouvido e ficou quieto escutando música, não parecia disposto a falar mais nada e uma parte do alfa estava bem com isso. O sol estava terminando de se pôr, o céu estava mais escuro do que claro, mas Sehun conseguia ver alguns traços de laranja por aqui e ali. E Junmyeon parecia estar olhando direto para lá, olhos perdidos e tristes, bochechas pálidas e um lábio partido. Se perguntou se o ferimento no lábio tinha sido causado pelo mesmo alfa com quem ele parecia ter transado. Apertou o volante, de repente, com raiva demais para se conter.

Junmyeon enrugou o nariz e virou o rosto na sua direção, confuso. Sehun percebeu tarde demais que tinha espalhado feromônios de raiva no ar.

— Tudo bem? — o ômega perguntou e Sehun forçou-se a não olha-lo, manteve o rosto virado para o trânsito.

Assentiu. Junmyeon comprimiu os lábios e não disse mais nada.

Sehun suspirou, baixo, frustrado com aquele clima. Não queria que as coisas tivessem chegado naquele ponto, não queria que eles tivessem se tornado dois desconhecidos, mas aquele parecia ser o curso natural enquanto não conversassem sobre o que aconteceu. Não somente sobre noite passada, mas também sobre dois anos atrás quando aquilo tudo começou. Pensar no começo ainda o frustrava, porque realmente não conseguia entender de onde tinha vindo aquilo. Às vezes, achava que tinha imaginado tudo, que Junmyeon nunca tinha segurado seu rosto e o beijado, tão tímido, tão apaixonado como se tivesse aguardado por aquele momento por anos.

Mas o que Sehun tinha feito para que chegassem naquele ponto? O que havia de errado? Ele havia enviado sinais errados para Junmyeon? Tinha sido legal demais ou misterioso de menos, tinha passado do limite em algum momento? Por que — droga! — seu sobrinho achou que seria ok beijá-lo na véspera de natal? Não conseguia aceitar, mas ainda assim tinha se deixado cair na armadilha. O que aconteceu na noite passada era o exemplo perfeito disso, tinha se deixado envolver, havia abraçado aquela loucura junto com o Kim e agora, quando tentava empurrar tudo de volta, percebia que não tinha como. Não tinha como apagar o que fizeram e principalmente, não tinha como ignorar o que estava sentindo.

As pessoas costumavam dizer que o sentimento romântico entre amigos não surgia de um dia pro outro, era uma coisa que sempre tinha estado lá. Uma coceira atrás da orelha, que só era percebida de verdade quando se presenciava um momento crucial, mas no seu caso isso não se aplicava. Não estava lá desde sempre, não fazia sentido estar. Porque durante muito tempo Junmyeon foi somente seu sobrinho, o bebê rechonchudo que Sehun pegou no colo, a criança que tomou conta enquanto Seohyun trabalhava, o adolescente que ensinou a dançar para o baile de formatura. Sehun nunca olhou para Junmyeon de outra forma, simplesmente porque seus olhos sempre pertenceram a Jongin.

Kim Jongin, que tinha sido seu melhor amigo e namorado de longa data. Eles tinham namorado durante a adolescência inteira e quando chegaram na vida adulta, estavam mais do que confortáveis em continuar com o relacionamento. Parecia certo. Sehun o amava e Jongin o amava de volta, não havia nada fora de lugar até o segundo em que o beta conheceu Taemin. Ele ficou impressionado, ele não conseguia parar de olhá-lo e muito menos de falar sobre. Sehun achava que era só uma admiração passageira, mas quando Jongin rejeitou seu pedido de casamento e terminou o namoro, soube que era muito mais.

Foi um golpe duro, doeu como o inferno e durante um ano inteiro, Sehun se afundou no trabalho. Seus pais ficaram chateados com o fim do relacionamento, todos sempre tinham acreditado que eles terminariam casados e no fundo, Sehun também achou. Jongin tinha sido seu mundo inteiro durante anos. E tinha sido tão difícil se desligar da sua imagem, mas tinha tentado. Havia aceitado que a mãe armasse encontros às cegas, tinha saído em festas com Minseok e talvez, tenha passado tempo demais com Junmyeon, ajudando-o a estudar para os vestibulares. Era provável que o Kim tivesse entendido os sinais errados, que tivesse visto algo que Sehun não mostrou e isso os conduziu até fatídico beijo. Era um erro perdoável. Eles podiam ter conversado e seguido em frente, mas Sehun ficou tão assustado que simplesmente fugiu.

A certeza de que podia ter encorajado Junmyeon tinha o consumido como fogo durante os dois anos em que morou na China. Um fantasma que sempre sussurrava no seu ouvido o quanto tinha sido irresponsável ao fugir e agora, na única oportunidade que tinha de consertar tudo, havia simplesmente deixado que Junmyeon entrasse no seu quarto de hotel e lhe pagasse um boquete.

— Você pode me deixar aqui. — A voz de Junmyeon o arrancou dos pensamentos, Sehun virou o rosto para encara-lo.

O interior do carro estava escuro, mas a janela aberta do lado de Junmyeon oferecia luz assim como o painel do seu carro. Não era difícil ver os ângulos do seu rosto e notar a expressão cansada. O ômega parecia terrivelmente cansado e isso ficou mais claro quando o viu bocejar.

— Mas o seu prédio é depois daquela esquina — Sehun falou e continuou dirigindo.

— Eu quero ir na loja de conveniência ali — Junmyeon apontou para a lojinha um pouco antes da esquina. — Preciso comprar suprimentos.

— Para que? Está sem comida em casa? — A preocupação não foi proposital, mas tinha se sobressaído de tal forma que o deixou envergonhado.

— Estou no cio — ele respondeu calmamente com o rosto virado na direção do alfa, avaliativo.

Sehun parou o carro em uma guinada e Junmyeon soprou uma risada. Isso ao menos explicava porque seu cheiro estava mais intenso.

— Isso é... isso... — Não conseguia formar uma frase coerente, o que só fez o sobrinho rir mais um pouco.

— Estou bem, não precisa fazer essa cara. — Junmyeon tirou os fones e guardou na mochila. — Prometo que não vou pular no seu pescoço — brincou, então destrancou a porta e abriu. — Obrigado pela carona, tio.

A provocação estava ali, escorrendo em cada palavra em um divertimento desdenhoso. Sehun surpreendeu-se, mas não conseguiu reagir a tempo, quando percebeu, Junmyeon já tinha fechado a porta do carro e andava pela calçada em direção a loja de conveniência. Piscou, sem saber o que deveria fazer. A surpresa em saber que ele estava no cio corria por suas veias da forma errada, o deixava agitado. Sabia o que era, mas não queria se encorajar. Segurou um suspiro quando escutou seu celular tocar. Era Lu Han.

A reunião, lembrou-se e atendeu.

O carro não o seguiu e Junmyeon estaria mentindo se dissesse que isso não tinha o deixado chateado, mas lidar com a rejeição parecia ser um exercício diário. Suspirou e continuou andando, preferiu não olhar para trás. Ainda tinha um pouco de dignidade. Avistou a loja de conveniência e apressou o passo, não queria demorar ali, porque a rua para o seu prédio estava com um poste de luz quebrado, então o caminho era escuro. Perigoso para desacompanhados, ainda mais ômegas não-marcados como ele.

Entrou na loja e deu oi para a moça do caixa, apanhou uma cestinha e começou a passear pelos corredores, pegando tudo o que fosse fácil de preparar. Ele e Baekhyun não eram muito bons na cozinha, mas o amigo ainda cozinhava melhor que ele, o problema era que Baekhyun não estaria lá o tempo inteiro. O beta tinha a faculdade e o estágio. Suspirou ao pensar no estágio. Precisava escrever uma mensagem para sua supervisora para avisar sobre seu cio adiantado e também mandaria mensagem para o seu orientador, para cancelar as reuniões privadas na próxima semana.

Apanhou uma variedade de comidas prontas. Empanados, salsichas, ramen, alguns pratos feitos que só precisava colocar no micro-ondas. Podia pedir a Baekhyun para esquenta-los e deixar na porta do seu quarto antes de sair. Pegou também três garrafas de Gatorade, era bom para repor o líquido e sais minerais, já que se cansaria se masturbando até não aguentar mais. Não pretendia convidar Kyungsoo ou qualquer pessoa pra ajuda-lo, sabia que não daria certo. Ele estava apaixonado, não adiava mais mentir para si mesmo, e estar apaixonado significava ter seu cio adiantado e pior do que isso, significava desejar essa pessoa durante aquele período infernal, somente e somente aqueles toques o satisfariam.

Pegou alguns pacotes de batatas chips e outros salgadinhos, alguns sanduiches de arroz e alga. A cestinha estava cheia, tinha o suficiente. Andou em direção ao caixa, a moça estava arrumando o cabelo usando a câmera do celular. Ele colocou as compras na bancada e ela largou o celular para atendê-lo. Eram só os dois naquela lojinha.

— Semana difícil? — ela perguntou enquanto passava suas compras.

Junmyeon encolheu os ombros. Não precisava sentir vergonha por estar no cio, mas ainda se sentia um pouco culpado porque, no fundo, sabia que tinha provocado aquilo quando foi atrás de Sehun.

— Um pouco — respondeu com um meio sorriso.

— 7.210, 86 won — ela disse e começou a colocar tudo em uma sacola.

Junmyeon abriu a mochila e procurou a carteira, começou a contar as notas que tinha e percebeu que não tinha o suficiente. Ainda não tinha recebido o salário do estágio e o seu cartão de crédito estava em casa, escondido na gaveta de meias para impedi-lo de gastar mais do que deveria em bobagens. Mordeu a parte interna da bochecha, chateado consigo mesmo, quase bateu o pé em frustração.

— Eu vou ter que deixar algumas coisas — falou, baixo, envergonhado, e a moça comprimiu os lábios, mas não pareceu muito chateada.

— Tudo bem.

Junmyeon começou a separar os itens que ficariam.

— Pode deixar, eu pago — alguém atrás de si disse.

O ômega ergueu o rosto e virou-se. Sehun estava atrás de si, um pouco perto da entrada. Ele devia estar sentado em uma das mesas dentro da loja, as reservadas para clientes comerem. Junmyeon engoliu em seco e estancou os movimentos. Tornou a encarar suas compras, nervoso. Não sabia mais o que fazer. Não esperava ver Sehun ali, tinha acreditado que ele havia ido embora. Era o certo, afinal. Mas ali estava o alfa e isso... isso estava fazendo seu peito inflar em esperança.

O escutou se aproximar e o viu colocar um cartão preto sobre a bancada. Junmyeon só tinha visto um daqueles em filmes. Piscou e continuou com as mãos nas compras. A atendente puxou-as para longe dos seus dedos e as colocou na sacola. E o ômega viu o cartão ser inserido na máquina, viu Sehun digitar a senha, o recibo saiu da máquina. Estava tudo pago. Ele havia pago suas compras e agora, estava o conduzindo para fora da loja, a mão cuidadosamente pressionada no meio da sua costa. Junmyeon quis derreter no toque, quis se aproximar de Sehun e deitar a cabeça no seu peito, esfregar sua bochecha lá e fazê-lo cheirar como si.

— Junmyeon? — o escutou chamar.

O ômega piscou e o encarou, estava descendo da sua nuvem cor-de-rosa aos poucos.

— Suas compras. — Sehun estendeu as duas sacolas na sua direção e o Kim encarou-as como se não soubesse o que era.

Junmyeon piscou novamente e encarou o alfa. Quem sabe, fosse o cio falando alto. Ele com certeza estava um pouco mais enfiado em hormônios, porque sentia o cheiro de Sehun mil vezes mais forte. Era normal que ômegas no cio adquirissem um olfato mais afiado, servia para que pudessem detectar um parceiro mais rápido. Junmyeon tinha encontrado Sehun. Ele ficou na ponta dos pés quando avançou sobre o alfa em frente à loja de conveniência.

Sehun assustou-se e deixou as compras caírem, segurou-o pelos pulsos e o afastou antes que sua boca alcançasse a dele. Junmyeon foi largado a uma distância segura como se fosse um artigo perigoso, nada desejado.

— Sinto muito. — O ômega pediu, abaixou o rosto e pegou as compras apressado.

Começou a se afastar, as lágrimas já estavam descendo. Sabia que Sehun não viria atrás dele, que tipo de pessoa ele seria se viesse? Seu tio era um cara legal, uma pessoa decente. Era alguém que não combinava em nada com Junmyeon, que era desleixado e terrivelmente apaixonado por alguém que não podia ter, por alguém que não conseguia desistir. Sempre tinha achado que se empurrasse o sentimento para o mais fundo, ele sumiria, que um dia olharia para trás e riria de toda aquela loucura. Afinal, quem nunca teve um interesse em alguém mais velho? Um professor, o amigo do irmão, um primo, um tio? Parecia normal. Tinha lido em algum lugar que acontecia, fazia parte do desenvolvimento psicossexual, mas que sumiria. Tudo se resolveria, teria sua atração corrigida à medida que crescesse.

Não aconteceu.

Ficou pior e estava cada vez pior. Todo o sentimento que reprimiu ao longo dos anos estava vindo à tona, irrigando as extremidades do seu corpo como veneno, fazendo tudo doer, o transformando em um refém de si mesmo. Por isso, Junmyeon teve que ir atrás dele há dois anos e na noite anterior, precisava se dar essas pequenas migalhas antes que enlouquecesse, antes que terminasse na cama de mais um alfa, sendo fodido até a inconsciência porque não conseguia parar de fantasiar com seu próprio tio, sangue do seu sangue.

Apressou o passo, queria ir para o mais longe de Sehun. Queria esquecer a expressão no rosto dele. Tinha sido a mesma que ele lhe deu a dois anos atrás quando o beijou na véspera de natal, a delicadeza com que segurou o seu pulso tinha a mesma amargura que habitou sua boca quando se afastou. Naquela época, ele tinha as bochechas geladas de frio e os lábios rachados, ele tinha gosto de cerveja e biscoito — os caseiros da sua avó —, mas os seus olhos... seus olhos estavam escuros em surpresa e desgosto, como se não conseguisse decidir se sentia nojo ou decepção. Junmyeon lembrava de se encolher no assento e abaixar a cabeça, pedir desculpas e dizer que nunca mais faria aquilo, que tinha bebido demais. Lembrava também de Sehun dizendo que estava tudo bem, que eles só precisavam esquecer.

Não aconteceu, Junmyeon tinha repetido pelo resto do caminho para casa. Não aconteceu. Não aconteceu, mas ele nunca tinha desejado tanto que tivesse acontecido, que Sehun o tivesse segurado de volta, que tivesse correspondido ao beijo, que o cobrisse de declarações amorosas.

— Merda! — Chutou a primeira parede que encontrou.

Ele se encostou ali, as compras pesavam na sua mão, então as largou no chão e se encolheu contra a parede. Levou as mãos ao rosto e escondeu as lágrimas e soluços. Às vezes, Junmyeon apenas se odiava. Não percebeu que estava sentado no chão chorando até que viu Sehun abaixar-se na sua frente, os olhos cheios de preocupação.

— O que você está fazendo? — Quis gritar a perguntar, mas tudo o que saiu da sua boca foi um guincho choroso.

Respirou fundo e limpou as lágrimas do rosto com as costas das mãos.

— Eu vou te levar pra casa — ele disse cuidadosamente como se temesse que Junmyeon saísse correndo de novo. — Vem. — estendeu a mão para o ômega e Junmyeon a encarou como se tivesse saído de outro mundo, mas a pegou mesmo assim, porque não conseguia se forçar a rejeita-lo.

Sehun o ajudou a ficar de pé e apanhou as duas sacolas. O Kim o fitou e naquela meia luz dos postes, o alfa parecia muito alto e protetor. Alguém a quem gostaria de se enroscar e pertencer. Aspirou o cheiro dele mais um pouco e deu um passo em sua direção. Sua cabeça estava virando uma bagunça de novo e tinha certeza que choraria se não o abraçasse naquele momento, por isso apenas avançou. Fechou os braços em volta dele e escondeu o rosto no seu peito. Sehun não se mexeu. Seu corpo inteiro ficou tenso e Junmyeon sentiu o próprio coração bater mais forte.

— Junmyeon — ele chamou, o tom de repreensão que costumava usar quando o ômega era mais novo e fazia algo de errado.

— Por favor, não me mande embora de novo — pediu, a voz embargada de choro. — Por favor, toque-me, senão morro.

— Junmyeon, não faça isso. — Ele suspirou e o Kim sentiu as lágrimas descerem novamente. — Eu sou seu tio. — Junmyeon soluçou e Sehun fechou os olhos. — Por favor, não chore.

— Eu odeio você — Junmyeon disse, mas a voz saiu tão embargada que Sehun soube que estava mentindo. — Odeio você, odeio, odeio, odeio. — o Kim largou o alfa e acertou seu peito com as mãos fechadas. — Odeio você! Odeio você! Odeio você!

Sehun largou as sacolas e segurou os pulsos do sobrinho para cessar o ataque.

— Pare com isso, pare. — Junmyeon tinha a cabeça baixa e os ombros tremendo enquanto chorava. — Não faça isso, Junnie. — Sehun largou seus pulsos e segurou seu rosto, limpou as lágrimas das suas bochechas, mas Junmyeon continuava produzindo mais. — Pare de chorar, por favor. — Sehun parecia tão preocupado, tão machucado com a dor que via nos seus olhos, que o ômega só sentia mais vontade de chorar.

Tudo estava doendo no seu corpo. Suas entranhas pareciam se retorcer, levando todos os músculos juntos, girando seus ossos sob a pele, enviando dor e mais dor por todo lado. Era o cio e era também a dor da rejeição. Toque-me, senão morro. E Sehun estava tocando, segurando seu rosto, limpando suas lágrimas e pedindo para que parasse, que não fosse tão cruel em insistir naquele pecado. Fechou os olhos. Não queria mais ver aquela expressão, mas as lágrimas continuavam vindo e por mais que comprimisse os lábios, os soluços escapavam e faziam seu corpo inteiro tremer.

— Por favor, por favor, por favor — Sehun continuava repetindo como um mantra.

Junmyeon queria esconder o rosto na curva do pescoço dele e chorar até que seu corpo secasse, até que toda a dor sumisse e então, pudesse renascer como alguém limpo. Suas mãos fecharam-se nas laterais da camisa do alfa, apertando o tecido como se precisasse daquilo para não cair de joelhos no chão e se encolher para chorar. Sehun continuava o encarando, as palavras se transformaram em pequenos murmúrios e a respiração dele assentou contra sua bochecha, a testa encostou com a sua, mas as mãos nunca deixaram o seu rosto.

O tio o empurrou até a parede, Junmyeon deixou, assim como deixou que a boca dele pairasse sobre a sua como uma promessa. O alfa ainda estava murmurando, tão baixinho que o Kim já não entendia palavra alguma. Era uma prece? Ele estava pedindo aos céus para não cair em tentação ou para não ir para o inferno ou para que ninguém descobrisse? Junmyeon sentiu o lábio tremer por conta do choro, de repente, foi tomado por um medo louco de que ele se afastaria, que o largaria naquela rua escura e voltaria para a China no dia seguinte. Então, seria condenado ao silêncio novamente. Seus dedos apertaram-se mais no tecido da camisa dele e Sehun veio para mais perto.

O coração de Junmyeon batia tão rápido que fazia o sangue correr por seus ouvidos como um rugido. Desespero. Aquele momento tinha gosto de desespero. Os dois estavam desesperados para não ceder, para correr para longe, para acabarem com aquilo de vez, mas eles se seguravam tão perto que era difícil acreditar que queriam mesmo ficar longe. Junmyeon tomou coragem para abrir os olhos e quando encarou Sehun, havia tanta coisa estampada no seu semblante que não foi capaz de ler, porque ele mesmo se sentia uma bagunça.

— Por favor — pediu ou escutou, não sabia mais.

Eles se encararam. Aquela era a hora de ouro, pensou. O momento exato em que se podia contemplar o começo do maior erro da sua vida, era o último segundo para a desistência. Se Sehun se afastasse naquele único segundo, Junmyeon consideraria acabado. Ele desistiria de vez, disse a si mesmo. Mas o alfa se aproximou. Contra todas as suas expectativas e as próprias orações dele próprio, Sehun se aproximou e descansou a boca contra a sua.

E naquele segundo, Junmyeon lembrou-se de um poema que leu na época do colegial: “O primeiro beijo tem gosto de luz do sol, lama e rosas.” No entanto, aquele não era o seu primeiro beijo. O primeiro beijo tinha gosto de cerveja, biscoitos e rejeição. Mas aquele, naquela rua vazia, embaixo de uma noite sem estrelas e escondidos na escuridão de um poste quebrado, Junmyeon quis acreditar que era o primeiro. Era a primeira vez que Sehun somente o beijava, que o segurava com delicadeza, que o correspondia com todo o seu coração.

O primeiro beijo tinha gosto de noite, rosas e pecado.

— Eu te amo. — O ômega ofegou durante o beijo e Sehun o segurou mais perto, as mãos tinham saído do rosto para segurar sua cintura, possessivo. — Eu te amo tanto — Junmyeon disse mais um pouco e Sehun beijou sua bochecha, o canto da sua e seu pescoço.

Sehun o empurrou contra a parede e enfiou a língua na sua boca, colocou as mãos embaixo das suas coxas e o içou de modo que Junmyeon fechasse as pernas na cintura do alfa. Ele gemeu e se esfregou contra Sehun, fazendo-o grunhir contra seu pescoço.

— Seu cheiro é tão bom — Sehun sussurrou, os lábios pressionados na sua pele. — Me diga para parar — ele pediu, mas continuava beijando-o. Junmyeon suspirou, deliciado.

— Não. — O ômega deslizou as mãos por baixo da camisa do Oh e alcançou seu abdômen.

— Junmyeon.

— Você não me quer? — Ele encostou a testa na do alfa, Sehun o encarou.

— Eu quero — confessou, a boca a centímetros da do ômega.

— Então, me pegue.

***

Eles foderam no carro.

O espaço era pouco, mas tinham conseguido administra-lo bem. Junmyeon travou as portas do carro e subiu os vidros escuros, empurrou Sehun contra os bancos de trás e o beijou. Eles tiraram as roupas um do outro, apressados demais para se preocuparem em serem delicados, mas Sehun ainda tentou. Tinha segurado Junmyeon tão bem, dado atenção a todos os detalhes do seu corpo que conseguia alcançar.

Sehun o puxou para o seu colo depois que as peças de roupas foram embora, seus peitos se encostaram e Junmyeon expôs a linha delgada do seu pescoço. O alfa se aproximou e deixou beijos por toda a extensão de pele. Junmyeon sentiu-se lubrificar e o seu cheiro ficar mais forte, seu cio com certeza tinha começado de vez agora. A dor estava começando a se alastrar por suas entranhas, a necessidade vinha em ondas. O corpo tremeu sobre o de Sehun e o alfa, o abraçou. Beijou seu ombro, raspou os dentes sobre sua clavícula.

— Você é tão perfeito — ele sussurrou e Junmyeon estremeceu. — Tão bonito que não parece real.

O ômega segurou o rosto do Oh e o fez encara-lo.

— Eu sou real — disse e abaixou-se para beijá-lo. — Eu estou aqui.

Sehun aumentou o aperto na sua cintura e Junmyeon gemeu. O alfa o beijou, a língua dele deslizou para dentro da sua boca e Junmyeon a chupou, mordeu seu lábio e tornou a beijá-lo, mais intenso, mais cheio de desejo. O alfa levou as mãos aos seus mamilos e brincou com eles, puxando e esfregando, os deixando mais que eriçados. Junmyeon segurou o pau de Sehun e o posicionou na sua entrada, não achava que podia esperar mais, seu cio estava transformando suas entranhas em uma bagunça dolorosa e não ajudava sentir o pênis do alfa batendo, duro, contra suas nádegas.

— Deixe-me...

— Não, tudo bem. — Junmyeon o tranquilizou e começou a afunda-lo em si, devagar.

O Oh fechou os olhos e deixou a boca pender aberta, em um gemido cortado. O Kim continuou descendo, o mais lento que conseguia. Ele tinha sido esticado mais cedo por Kyungsoo e mesmo que já tivessem se passado horas desde aquela transa, ainda estava um pouco dilatado e a lubrificação ajudava, o cio ajudava. Sehun procurou sua boca e o beijou com carinho. Junmyeon fechou os olhos, o alfa segurou sua bunda e o ajudou a descer. As lágrimas ficaram presas nos seus cílios e Sehun beijou suas bochechas, raspou os dentes na pele sensível. E quando Junmyeon se acomodou por completo, deixou que Sehun ditasse o movimento, que fosse fundo em si.

Junmyeon segurou-o pelos ombros, as unhas enfiaram-se na pele a medida que Sehun empurrava contra seu buraco, chegando na borda apenas para entrar com força. Sentiu suas presas despontando e as travou no ombro do alfa. Queria marca-lo, misturar seu cheiro com o dele por tempo suficiente para que ninguém duvidasse que o pertencia. Era o seu alfa.

— Meu — ele declarou contra a pele antes de mordê-la.

Sehun gemeu e arremeteu com mais força, segurando a bunda do ômega com força. Junmyeon choramingou. Era tão bom ser esticado daquela forma, estar seguro nos braços do homem que amava. Lambeu a ferida que causou e o gosto de Sehun era doce na sua língua.

— Você me mordeu — ele declarou e Junmyeon gemeu enquanto aproximava seu rosto do dele, colocou a língua para fora e deixou que Sehun a chupasse de modo desleixado.

Naquele espaço pequeno do carro, o ar parecia mil vezes mais concentrados com seus feromônios. E Junmyeon se sentia tão quente, fervendo um pouco mais a cada vez que Sehun o tocava, acertava sua próstata e o beijava. Expôs o pescoço mais um pouco e o alfa aproximou o rosto, raspou os dentes na pele e Junmyeon estremeceu, sua entrada se contraiu e apertou o pau dele, fazendo-o acertar um tapa na sua bunda.

— Vai me fazer gozar rápido desse jeito, amor — disse e o ômega fez de novo só para vê-lo perder o controle mais um pouco. — Junmyeon. — Repreendeu e o Kim assumiu o comando dos movimentos, subindo e descendo do jeito que gostava.

Sehun apertou suas coxas, afundo os dedos na carne de tal forma que o ômega tinha certeza que ficaria marcado. Ele aproximou o rosto do dele e o beijou com pressa, diferente da forma com que subia no seu pau, juntou seus peitos e garantiu um pouco mais de fricção para o seu próprio pau, duro e vazando pré-gozo. Sehun o segurou tão perto quanto conseguia e lambeu seus lábios, a linha do seu queixo e suas bochechas.

— Quero que goze dentro de mim — Junmyeon pediu. — Me dê um nó.

O Oh segurou os cabelos da sua nuca e puxou sua cabeça para trás, expondo a linha inteira do seu pescoço. Os dentes dele travaram sobre sua glândula de feromônio e Junmyeon sentiu o corpo ficar mole em submissão, suspirou, deliciado. Por favor, me morda, ele queria pedir, mas tinha medo da forma como isso podia assustar Sehun. Então, só deixou que o alfa brincasse consigo, que o domasse e o desmontasse, o fodesse e o amarrasse.

— Você vai engravidar se eu te der um nó durante o cio — Sehun disse, a voz rouca em excitação. — Não quer isso. — passou a língua por sua pele.

— Eu quero — Junmyeon subiu e desceu com pressa, Sehun segurou o seu quadril no lugar e ele choramingou, o lábio inferior projetado para frente em chateação. — Eu quero.

— Você é uma coisinha tão bonita. — O alfa beijou-lhe a boca, devagar e desfez sua expressão de desgosto. — Mas é tão teimoso. — Ergueu a mão e tocou-lhe a bochecha, Junmyeon inclinou a cabeça em direção ao toque. — Sempre foi tão teimoso. — Tirou a mão do seu rosto e colocou de volta no seu quadril. — Tão mimado. — Se aproximou para beijar seu queixo e começou a fodê-lo novamente, com força.

Junmyeon meio gemeu meio gritou quando teve sua próstata atingida. Sehun beijou mais partes do seu rosto ao mesmo tempo que segurava a bunda do ômega e separava as bandas para que ele pudesse levar tudo do seu pau, o mais fundo possível.

— Você quer um nó? Eu vou te dar um nó. — Junmyeon segurou-o pelos ombros, se agarrou a ele como se o alfa fosse seu mastro de salvação. — Eu vou te deixar tão cheio. Vou te criar tão bem, ômega.

Junmyeon jogou a cabeça para trás e gemeu alto sem se importar se alguém podia escutá-lo fora do carro. Nada mais importava além daquilo. Sehun aumentou as estocadas, perseguia seu orgasmo como um louco e Junmyeon sentia o seu próprio cada vez mais perto. Seu pau balançava entre seus corpos, tão duro e às vezes, deliciosamente pressionado contra a barriga de Sehun. Ele levou a mão até lá e começou a se acariciar, devagar, diferente das estocadas que recebia. O alfa tirou sua mão dali e segurou seus pulsos atrás das costas. Junmyeon gemeu mais um pouco, mas ainda se inclinou para um beijo desajeitado. Seus dentes bateram, a língua dele tocou a sua e seus lábios se pressionaram com força quando o ômega sentiu o nó de Sehun começar a se formar.

Do lado de fora o trânsito estava correndo, luzes de carros passavam rápido. Flashes coloridos indo de lá para cá, ninguém preocupado com o carro preto que estava estacionado no começo de uma rua escura, perto de uma loja de conveniência. Era estranho que um carro estivesse lá, mas todos estavam correndo, atarefados demais com suas vidas para prestar atenção na forma como o automóvel balançava ou nos sons obscenos que escapavam vez ou outra.

Junmyeon rebolou no pau de Sehun, o trouxe para mais dentro, mas teve seu quadril erguido e depois, de volta para baixo. Arqueou as costas. O começo do nó pressionava-se de um jeito gostoso contra sua próstata e estava crescendo, esticando-o por dentro. Sehun rosnou contra seu pescoço quando Junmyeon o apertou, os dedos dele escavaram no seu quadril, as unhas enfiadas na sua pele. Doeu, mas ainda assim foi deliciosamente somado a forma que sentia o nó crescendo. Sehun estocou mais algumas vezes antes do seu nó se tornar grande demais para se mexer. Junmyeon sentiu o líquido o preencher e procurou a boca do alfa.

Sehun o beijou ao mesmo tempo que gozava. Não demorou até que Junmyeon o acompanhasse. Seu peito subia e descia em uma respiração ruidosa. Bochechas coradas, a pele coberta de suor e lábios inchados. O Kim sentia que tinha corrido uma maratona até ali, seus músculos doíam e o cansaço o estava fazendo flutuar, mas talvez isso fosse culpa do barato causado pelo orgasmo. Quando descansou a cabeça sobre o ombro do amante, viu que o tinha sujado inteiro com gozo. Listras inteiras de esperma cobriam sua barriga e peito, mas Sehun não parecia nenhum pouco preocupado com isso quando acariciava suas costas e se empenhava em deixar beijos de borboleta na sua têmpora.

E Junmyeon se sentia tão cheio, tão satisfeito, que podia simplesmente dormir.

— Eu amo você — sussurrou para o alfa e Sehun o fez erguer o rosto.

— Eu amo você também.

Eles se beijaram, devagar, sem a fome de antes, só o velho retumbar do coração para acompanhar. Junmyeon bocejou quando se separaram e Sehun sorriu, afastou a franja molhada de suor para longe dos seus olhos e guiou seu rosto de volta para o seu ombro. O ômega se aconchegou e fechou os olhos. Sehun o deixou dormir enquanto seu nó não se desfazia.

α

Seu celular não parava de tocar e Sehun sequer precisava verificar a tela para saber que estava completamente ferrado. Tinha deixado Lu Han esperando, não tinha lhe dado nenhuma desculpa para a adiar a reunião e também não havia mandado qualquer sinal de vida para Chanyeol e Minseok. Agora, já passava das nove da noite e Sehun torcia para que ninguém estivesse o esperando em frente ao seu quarto de hotel, porque não tinha como esconder sua burrada dessa vez. Estava levando Junmyeon consigo.

Ele ainda estava dormindo, cochilando nos bancos de trás depois que Sehun fez o seu melhor para limpa-lo e vesti-lo. Não tinha sido o suficiente, mas ao menos ele não parecia tão destruído, ao contrário do Oh, que imaginava que não parecia em nada com o alfa sério de negócios que seus amigos conheciam. Tentou arrumar o cabelo no espelho retrovisor e suspirou quando percebeu que só continuava bagunçando as madeixas.

Saiu do carro no estacionamento do hotel e fez uma nota mental de falar com alguém para conseguir uma limpeza pro carro. Era nessas horas que sentia falta da sua secretária, com certeza ela resolveria tudo em cinco minutos depois que lhe enviasse uma mensagem. Mas Li Na estava na China, aproveitando suas duas semanas de folga. Abriu a porta do passageiro e foi até Junmyeon, o acordou com leves sacudidas e o conduziu para fora do estacionamento. O ômega se agarrou ao seu braço e caminhou sonolento ao seu lado, os olhos meio fechados. Sehun levava sua mochila.

A recepcionista do hotel lhes lançou uma olhadela curiosa, mas o alfa fingiu que não viu. Eles entraram no elevador. Não demorou até que estivessem no andar do seu quarto e suspirou, aliviado quando não viu Minseok ou Chanyeol patrulhando sua porta em irritação, loucos para lhe dar um sermão sobre seu sumiço. Procurou o cartão no bolso e depois o inseriu na porta para liberar a tranca. Junmyeon bocejou mais um pouco ao seu lado.

— Onde estamos? — ele piscou e olhou em volta.

— No meu quarto de hotel. — Sehun o viu caminhar em direção a cama. — O banheiro fica por ali — apontou para a direita — e eu mandei lavar suas roupas, hum, da última vez, devem ser essas sobre a cama — disse e o ômega assentiu. — Eu preciso fazer algumas ligações agora, tudo bem?

Junmyeon sentou-se na beira da cama e assentiu de novo. Sehun se aproximou e deixou a mochila ao seu lado, mas beijou sua testa antes de se afastar em direção a varanda. Ele fechou a porta da varanda para não incomodar o ômega caso ele voltasse a dormir. Pegou o celular e ligou primeiro para Han. Se desculpou pelo ocorrido, disse que havia acontecido um imprevisto com a sua família e Hannie o perdoou, então remarcaram a reunião para dali 30 minutos. Seria coisa rápida, o amigo tinha lhe prometido. Só precisava lhe contar algumas coisas sobre a margem de lucro e as recentes polêmicas que a embaixadora da marca tinha se metido.

O próximo telefonema foi para Minseok, que o xingou, mas depois se acalmou e escutou sua história. Sehun não sabia como contar o que tinha feito, mas também não sabia como mentir. Parecia demais esconder aquilo do amigo quando Junmyeon estava no seu quarto. Chanyeol e Minseok descobririam de qualquer forma.

— Ele está aqui — disse de uma vez.

Chanyeol xingou alto do outro lado da linha e Minseok seguiu o exemplo.

Você ficou maluco?! — Minseok vociferou.

— Me diga que não dormiu com ele! — Chanyeol gritou ao mesmo tempo.

Sehun teve afastar o celular da orelha para poupar sua audição de tantos gritos.

Quantos anos ele tem? Que porra você tem na cabeça?! — Minseok parecia mais bravo que Chanyeol.

— Pessoal — chamou e os dois abaixaram o tom de voz —, não posso mandá-lo embora. Junmyeon está no cio.

Oh, meu Deus! Isso é pior do que eu imaginei! — Chanyeol tornou a falar alto.

Você com certeza enlouqueceu! — Minseok disse. — Eu estou indo aí.

Sehun suspirou.

— Não está não. — falou, firme e os dois ficaram em silêncio do outro lado. — Escutem, eu sei como isso soa, eu já estou me culpando o suficiente, mas não consigo mais fazer isso. Não consigo ignora-lo, não consigo ignorar o que sinto. Vocês dois podem desaprovar e se afastar de mim. Minseok, você pode pedir para terminar nossa parceria na empresa, mas não me peça para deixar Junmyeon. Eu não posso e para falar a verdade, não quero deixá-lo.

Os dois amigos ficaram em silêncio e Sehun mordeu o lábio, encarou a paisagem. Prédios e mais prédios, ruas movimentadas, postes de luzes, tudo contribuía para formar uma imagem bonita. Fazia-o sentir falta da China, do seu apartamento, das suas coisas, da sua rotina. Se ainda estivesse lá, não tinha se metido naquela loucura e agora, não estaria correndo risco de perder seus dois amigos.

Acho melhor conversamos quando todos estivermos mais calmos — Chanyeol disse, era típico dele ser o cabeça fria da relação, o apaziguador. — Boa noite, Sehun.

A ligação se encerrou sem nenhuma resposta de Minseok e o alfa guardou o celular, encarou a paisagem mais um pouco e levou a mãos aos cabelos. Aquilo tudo era uma dor de cabeça das grandes. Se Minseok decidisse sair da empresa, como explicaria aquilo para Lu Han?

— Sehun? — escutou seu nome ser chamado e virou o rosto para trás.

Junmyeon estava na entrada da varanda, segurando a porta de correr meio aberta e usando óculos, que tinha esquecido na noite anterior. Pelo visto, o ômega tinha o encontrado na sua cômoda. Lembrava-se de ter limpado e os deixado lá, pois não sabia como devolvê-los sem inseri-los em um clima estranho. Seu cabelo escuro estava úmido do banho e estava usando as roupas de Sehun, uma camisa grande demais para seu corpo e shorts folgados. Adorável, não conseguiu se impedir de pensar.

— Como você está se sentindo? — Ele se aproximou e tocou-lhe a testa para conferir a temperatura.

Parecia normal, apesar de achar que o ômega estava um pouco quente. Era normal que ômegas no cio ficassem febris durante esse período, tinha alguma coisa haver com a descarga hormonal. Junmyeon o encarou com o lábio inferior preso entre os dentes.

— Estou bem, mas estou com fome — disse.

— Tudo bem, podemos pedir alguma coisa para comer no quarto. Você pode ligar do interfone para a recepção e fazer o pedido. — Abriu mais a porta e entrou no quarto, Junmyeon o seguiu. — Eu vou ter que entrar em uma reunião agora, mas você pode comer a vontade e dormir também, se quiser.

O ômega assentiu e foi em direção ao interfone. Sehun seguiu até a mesinha de centro, onde tinha espalhado todo o seu trabalho e ligou o notebook. Entrou na sala online com Lu Han e eles começaram a reunião falando em mandarim. E deve ter se distraído tanto com isso, que quando deu por si Junmyeon estava sentado ao seu lado no sofá mastigando algumas uvas como sobremesa. Sehun o encarou e o Kim sorriu na sua direção, o nariz se enrugou e fez os óculos subirem de um jeito engraçadinho. Tornou a olhar para a tela do notebook onde Han continuava falando e falando de números, mas sua mente já estava viajando no cheiro de Junmyeon. Tão incrivelmente doce, que não percebeu que estava de olhos fechados aspirando o cheiro dele até que Lu Han chamou sua atenção.

Você parece cansado — Lu Han disse em mandarim e Sehun assentiu enquanto tentava disfarçar seu embaraço.

— Foi um dia cheio — disse, por fim.

Já estou no final, prometo. — Ele arrumou os óculos no rosto e continuou a leitura do documento. — Na página 15, tem essa margem de lucro de 15%, mas...

Sehun se distraiu quando sentiu uma mão parar sobre sua coxa direita. Olhou para o lado e Junmyeon tinha acabado de mastigar as uvas e agora, parecia um pouco mais perto, um pouco mais travesso. A mão dele subiu mais um pouco, perigosamente em direção a sua virilha e Sehun juntou as sobrancelhas em reprovação, mas Junmyeon tinha os olhos brilhando em diversão. O Oh desligou o seu microfone e a câmera da sua chamada. Lu Han estava tão distraído lendo o relatório que sequer percebeu.

— Pare com isso, estou trabalhando. — Ele tentou repreender o ômega, mas pareceu mais desesperado do que qualquer outra coisa.

Junmyeon riu e se aproximou mais um pouco, enfiou o rosto na curva do seu pescoço e ficou ali, quieto. A mão subiu e desceu por sua coxa, chegou na virilha e parou sobre seu pênis coberto. Sehun engoliu em seco e agradeceu por Lu Han não estar vendo nada daquilo.

— Vai ser rápido, eu prometo — Junmyeon disse, arrastado contra sua pele e Sehun se sentiu começar a aquecer.

O ômega desabotoou a calça e colocou o pau de Sehun para fora, começou a masturba-lo devagar. Sehun lutou para não gemer alto. Junmyeon o beijou para impedir que muito barulho saísse, o alfa mordeu seu lábio e chupou sua língua. Sequer lembrava-se mais de Lu Han e da reunião. Junmyeon se afastou e tirou o short que usava, o alfa notou o quanto ele estava molhado quando viu a lubrificação descer por suas coxas, deixando a pele brilhante. Sentiu-se salivar só de olhar, queria colocar o ômega de quatro e chupar tudo o que pudesse do seu buraco.

— Junmyeon, eu não posso me distrair — Sehun disse, mas já estava distraído, não conseguia tirar os olhos do Kim.

Deixou o notebook sobre a mesinha e o ômega veio na sua direção, segurou seu pau e o enfiou na sua entrada. Sehun jogou a cabeça para trás em um gemido e Junmyeon continuou descendo até ter tudo dentro de si. O Oh segurou o quadril do ômega, o impedindo de se mexer. Junmyeon choramingou.

— Seja um bom menino e fique paradinho — ele disse — Me deixe terminar a reunião, tudo bem? Então, eu vou dar tudo o que você quiser. Pode fazer isso pelo Hyung?

Junmyeon assentiu, as bochechas coradas e os lábios separados. Sehun o beijou levemente e só se separou quando escutou Lu Han o chamando na reunião.

— Estou aqui — ativou o áudio novamente e o ômega deixou a cabeça no seu ombro.

O que aconteceu com sua câmera?

— Não sei, acho que apertei alguma coisa, mas estou te escutando e te vendo — falou e Lu Han se conformou, parecia cansado, louco para terminar aquela reunião.

Sehun procurou o rosto de Junmyeon e tornou a beijá-lo. Ele mexeu-se um pouco, devagar demais para satisfazer o ômega, mas ainda assim bom. Lu Han continuou falando e Sehun o respondia. Eles discutiram bastante tempo sobre as margens de lucro, os números daquele início de semana desde o escândalo com a embaixadora da marca. E enfim, o amigo pareceu satisfeito e encerrou a chamada.

Ele fechou o notebook e o afastou com pressa. Junmyeon gritou quando Sehun o pegou no colo, fechou as pernas na sua cintura com medo de escorregar. Sehun o deitou na cama e começou a fodê-lo depressa. Ele era tão liso, tão bom de se estar dentro que o alfa não conseguiu se controlar. De repente, os dois eram só uma bagunça de gemidos e estocadas. Junmyeon estava lindo embaixo de si, cabelo bagunçado, os óculos tortos e os lábios vermelhos de tanto morder. Sehun se abaixou e o beijou, foi o mais fundo que conseguia dentro dele só para tê-lo gemendo contra sua boca pedindo por mais. Segurou seus quadris e o fodeu com força até que sentiu o seu nó se formando. Junmyeon gemeu quando Sehun travou os dentes no seu ombro, as presas tinham despontado e a vontade de marca-lo era tanta, que sua mandíbula doía somente com a possibilidade. O ômega gozou com o ato, o líquido sujou ambos mas Sehun não parou de estocar, perseguindo o próprio orgasmo.

O Kim estava tão sensível, tão corado, que tudo o que saia da sua boca eram palavras desconexas. Sehun escutou seu nome em algum momento e o beijou, língua com língua. Ele tinha um gosto maravilhoso e seu cheiro estava mil vezes melhor, mais doce, mais concentrado e mais misturado ao seu. Sehun gozou dentro do ômega, empurrando seu nó contra a próstata dele até que Junmyeon se tornasse somente uma bagunça de suspiros e respirações. Ele o beijou mais um pouco para acalma-lo enquanto seu nó continuava liberando esperma dentro do ômega.

Junmyeon mexeu os quadris, fazendo o nó de Sehun se pressionar mais dentro dele. O alfa gemeu e o Kim o abraçou.

— Fizemos uma bagunça — Sehun disse, a voz rouca. Junmyeon assentiu, mas os olhos estavam fechados em cansaço. — Vamos tomar um banho.

— Não — o ômega gemeu e fechou as pernas na cintura do Oh, para mantê-lo onde estava. — Vamos fazer de novo — pediu. — Desse jeito.

Sehun o encarou.

— Eu gosto — ele confessou. — Eu gosto quando me enche desse jeito, quando me prende com um nó. Eu gosto quando faz isso de novo e de novo e me deixa tão cheio, me fazendo vazar.

Céus! — Sehun encostou a testa na dele e Junmyeon o encarou de volta. — Você vai ser a minha morte.

Junmyeon sorriu e o beijou.

Cindo dias depois


Baekhyunnie: Onde você está?!

Baekhyunnie: Eu devo procurar seu corpo no IML?!

Baekhyunnie: KIM JUNMYEON AAAAAAA APAREÇA SEU IDIOTA!!


Junmyeon revirou os olhos e rolou na cama de modo que ficasse de peito para cima. Sehun tinha saído da cama há algum tempo, provavelmente havia ido providenciar o café da manhã. E ômega ainda estava na cama, rolando de um lado pro outro e verificando todas as notificações que havia recebido naqueles dias que esteve fora de casa e das vistas de qualquer um. Ele sabia que devia ter avisado Baekhyun sobre seu cio e sobre ficar com Sehun, em vez de simplesmente desaparecer.

Baekhyunnie: Seus pais estão no meu pé, eu disse a eles que você só estava ocupado com as provas. Mas, por favor, dê um sinal de vida antes que eu ligue para a polícia.

Pelo menos o amigo não havia dito aos seus pais que estava desaparecido, isso evitava uma confusão e tanto. Começou a digitar uma mensagem para o amigo: “Estou bem. Eu estava no cio, passei com um alfa... aquele alfa (^-^). Estamos bem e logo estarei em casa. Obrigado por mentir para meus pais. Prometo que te pago um lanche.”

Baekhyunnie: Graças a deus seu corpo não está jogado em uma vala!! Você me deixou tão preocupado (T-T) Eu devia te processar!!

Baekhyunnie: Volte logo para casa, quero saber da história inteira.

Junmyeon: Daqui a pouco apareço aí. bjs.

Baekhyunnie: xoxo ♡

Travou a tela do celular e saiu da cama, deixou o celular sobre a cômoda perto da cabeceira da cama e foi atrás de Sehun. Olhou no lugar inteiro, mas ele não estava em lugar nenhum, então achou que podia ter descido para pegar o café da manhã ou fazer qualquer outra coisa. Decidiu tomar um banho enquanto esperava. Tirou a roupa e entrou no box, ligou a água quente. Não demorou tanto embaixo do chuveiro, mas ficou muito tempo se encarando no espelho. Haviam marcas arroxeadas no seu pescoço, ombro e clavícula, nas coxas e no quadril. Suspirou. Se usasse maquiagem ia conseguir disfarçar, mas o problema mesmo era o cheiro. Se qualquer um da sua família sentisse o cheiro de Sehun tão forte na sua pele, tudo estaria acabado. Suspirou e escovou os dentes. Talvez, os supressores resolvessem aquilo, pensou.

Saiu do banheiro e procurou suas roupas, acabou pegando um dos casacos de Sehun. Ficava grande no seu corpo mas era confortável e o melhor, tinha seu cheiro. Junmyeon gostava de cheirar como ele, gostava que os outros pensassem que ele tinha um alfa, mas sabia que tudo isso era perigoso. Se qualquer um da sua família descobrisse... se sua mãe sequer sonhasse com isso... não conseguia imaginar a tragédia que seria. Ele sentou-se no sofá e decidiu esperar pelo amante.

Alguém bateu na porta depois de um tempo e Junmyeon se agitou em direção a porta. Abriu sem desconfiar de nada. Ergueu as sobrancelhas quando percebeu que eram dois homens, um muito alto com o cabelo castanho e orelhas proeminentes e um mais baixo com o um olhar felino. E pelo cheiro que sentiu, ambos eram ômegas e não pareciam funcionários do hotel.

— Posso ajudar? — perguntou e os dois ômegas se encararam.

O menor deles cruzou os braços.

— Você é Kim Junmyeon? — perguntou.

Junmyeon olhou para os lados, desconfiado. Já podia sentir o nervosismo subindo por sua espinha, mas mesmo assim assentiu. Os dois avançaram na sua direção, Junmyeon deu um passo para trás em espanto. A porta abriu-se mais e os dois entraram. O ômega olhou para os lados e pensou em sair correndo, se esconder no banheiro até que Sehun aparecesse.

— Não saia correndo, só queremos conversar — o mais alto dos ômegas disse. — Eu sou Chanyeol e esse é meu marido, Minseok. Somos amigos do Sehun.

Junmyeon arregalou os olhos e enfiou as mãos nos bolsos do casaco em nervosismo. Minseok estreitou os olhos para a roupa e comprimiu os lábios. Odiava aquela situação inteira, dava para ler no seu semblante.

— Nós sabemos o que você e Sehun tem feito — o desprezo era evidente na voz do ômega mais baixo.

Junmyeon corou e abaixou o rosto, envergonhado e sem saber o que mais deveria fazer.

— Oh droga, eu consigo sentir o cheiro dele em você. — Minseok continuou. — O que vocês dois tem na cabeça? Essa é a coisa mais nojenta que já vi.

O Kim travou os dentes, tentando prender o rosnado. Ele não precisava de conselhos sobre aquilo, já sabia de tudo. Sua mente estava constantemente o lembrando da forma como ele e Sehun estavam indo contra as regras ao se submeterem àquela situação. Cruzou os braços e estalou a língua no céu da boca, os olhos de Minseok faiscaram na sua direção.

— Por que está se metendo nisso? — Junmyeon atirou de volta e viu o choque passar pela face dos dois ômegas. — Eu não preciso do sermão de nenhum dos dois, tenho 24 anos e sei o que estou fazendo. Sehun também já é adulto. Ele poderia estar fodendo o Papa e vocês não teriam nada a ver com isso, sabe por que? Porque é a nossa vida, não a sua.

— Você é tão atrevido — Chanyeol resmungou. — Não me admira que sejam da mesma família.

Junmyeon fechou as mãos em punho dentro dos bolsos do casaco.

— E Sehun é nosso amigo, estamos apenas tentando poupa-lo de um erro horrível. O que acha que vai acontecer depois que todos descobrirem? Sua família vai ficar feliz em saber disso? — Chanyeol falou. — Você é só uma criança, não deveria estar enfiado em uma bagunça tão grande. Aposto que entrou nisso pela adrenalina, por ser proibido. É isso que te dar tesão? Ou você só tem algum tipo de complexo de Édipo mal resolvido?

— Sehun não é meu pai.

— Ele é seu tio e tem que concordar que isso é estranho para um caralho — Minseok disse.

— E o que mais? Você pode dizer tudo o que pensa, mas isso não vai me fazer ir embora. Eu estou apaixonado há tanto tempo e fiz tudo o que pude para que isso fosse embora. Eu disse a mim mesmo todos os dias o quanto isso era podre e vil e tão tão tão nojento. Mas quer saber, cansei. Sehun me quer e eu o quero de volta, então não vou parar só porque vocês dois disseram que devo. Também não vou parar quando minha família descobrir. — Respirou fundo, havia falado tão rápido. — Então, saiam daqui. — Indicou a porta aberta e deu um passo para trás, virou de costa para dar aquela conversa como encerrada.

Podia sentir o olhar dos dois ômegas nas suas costas, podia quase escutar seus pensamentos, os prováveis xingamentos que queriam gritar na sua direção. Ele esperou, sabia que viria. Pessoas naquele estado nunca o deixariam dar a última palavra.

Chanyeol soprou uma risada e Junmyeon o olhou por cima do ombro.

— Acha que isso vai durar pra sempre? O máximo que vocês dois tem são alguns dias antes de Sehun voltar para China e reduzir você a uma mera aventura sexual. Viemos aqui para te alertar, quem sabe, você pudesse se poupar dessa humilhação se não for tão idiota — Chanyeol disse.

Junmyeon virou-se de frente para os dois ômegas.

— Sehun nunca vai te assumir. Ele pode ter dito tudo o que você queria ouvir durante esses dias e te comido durante o cio como se fosse ficar, mas você não serve pra ele. — Chanyeol continuou quando viu a forma como o olhar no rosto do Kim caiu. — Se sua família descobrir sobre isso, você vai terminar sozinho porque tudo o que Sehun tem está na China. Ele só precisa voltar, mas e você? O que vai fazer? Vai ficar aqui esperando ele voltar? Você sabe como isso termina, Junmyeon. Ele vai casar com um ômega e ter filhotes e você vai ser reduzido a um segredo sujo.

Junmyeon sentiu a parte de trás dos olhos doerem anunciando um choro, piscou tentando afastar as lágrimas. Não queria começar a chorar na frente daqueles dois. Seria humilhação demais. E não era como se nunca tivesse pensado nisso. Eles foderiam e Sehun voltaria para a China, Junmyeon fingiria que tinha uma vida normal, que não estava com o coração partido. Era a história que ele tinha fantasiado ao longo dos anos depois que Sehun foi embora. Junmyeon imaginava e imaginava, sem nenhuma pretensão que acontecesse, mas aconteceu. Eles tinham acontecido. Sehun estava ali e tinha o amado tão bem; ele o olhava como se fosse a coisa mais bonita do mundo, tocava em si com tanto cuidado. Que tipo de pessoa agiria assim somente por conta de uma foda? Parecia demais.

Ele sentiu a primeira lágrima descer e a limpou rapidamente, um pouco raivoso demais e o olhar de Minseok vacilou, pareceu com pena. O Kim desviou o olhar, não queria parecer quebrado na frente deles.

— Isso sempre vai ser mais fácil para alfas. Eles só vêm e pegam, então voltam e tudo fica bem. — Chanyeol não parava de falar e Junmyeon queria gritar pra que ele calasse a boca, mas todas as suas palavras estavam entaladas na garganta.

— Pare — Minseok sussurrou para o marido, mas ele continuou:

— Sehun pode ter dito todas as coisas bonitas, mas é mentira. Junmyeon, sabe tão bem quanto eu que não serve para ele.

O Kim tirou as mãos de dentro do casaco e as apertou mais forte, em punho, ao lado do corpo. Sentiu as unhas enfiando-se nas palmas. Uma onda grosseira de raiva inundou seu peito, sequer pensou quando correu em direção a Chanyeol. Os olhos dele se arregalaram, mas Minseok foi mais rápido em segurar Junmyeon, o impedindo de acertar o outro ômega.

— Cale a boca! Cale a porra da boca! — o Kim se debateu, tentou acertar Minseok para escapar do seu aperto, mas o ômega se mantia firme em tentar evitar que o marido levasse uma surra. — Fora daqui! — Junmyeon gritou mais um pouco. — Me solte! — acertou o cotovelo no meio das costelas do ômega e o escutou gritar, o aperto afrouxou e ele conseguiu se soltar.

Minseok tentou segurar Junmyeon novamente e o ômega o empurrou. Chanyeol gritou quando viu o marido no chão e foi na sua direção, mas Junmyeon o interceptou. Os dois rolaram no chão, Minseok gritou e tentou segurar Junmyeon. Então, de repente, os três eram uma confusão de gritos, tapas e xingamentos.

— Chega! — Minseok vociferou e puxou Junmyeon para longe de Chanyeol.

O ômega rolou no chão e Minseok se pôs entre os dois para impedi-lo de se aproximar do marido de novo. Junmyeon ficou de peito para cima e encarou o teto, as bochechas e os braços doíam dos tapas e arranhões que ganhou de Chanyeol. Virou o rosto e viu Minseok verificando o corpo do marido, a preocupação escorria dele aos montes. Pôs-se sentado e tocou o rosto, notou que havia perdido os óculos e ao olhar em volta, os viu largado perto dos dois ômegas. A armação parecia torta e uma das lentes estava rachada. Fez menção de se aproximar para pegá-los, mas foi barrado.

— Não se aproxime — Minseok demandou em meio a um rosnado e Junmyeon revirou os olhos.

O ômega cruzou os braços e se preparou para retrucar, jogar qualquer maldição naqueles dois, mas todas as suas palavras viraram pó na língua quando escutou passos. Os três olharam em direção a entrada do quarto e viram Sehun aparecer, o rosto se aprofundando em espanto nos segundos em que notava a bagunça que os três haviam se enfiado.

— O que...? — Sehun arregalou mais os olhos e largou a sacola que segurava na entrada, correu direto para Junmyeon. — Você está bem? — Segurou seu rosto entre as mãos e começou a verificar suas bochechas vermelhas de tapas e o arranhão sangrento na maçã esquerda. — O que aconteceu? — Estranhamente sua voz saiu do tom de preocupação e tornou-se algo quase raivoso quando encarou Minseok e Chanyeol, depois de notar os óculos de Junmyeon quebrado no chão. — O que vocês fizeram? — o ômega encolheu-se contra o Oh e Sehun o abraçou, então, ele lançou um sorriso vitorioso para os outros dois.

Minseok fez menção de se aproximar, mas a mão de Chanyeol no seu braço o manteve no lugar.

— Nós viemos conversar, mas seu sobrinho não tem nenhuma educação — Chanyeol disse e massageou o queixo, tentando aliviar a dor do soco que o Kim tinha lhe acertado.

— Eu disse a vocês para não se aproximarem — Sehun falou, as sobrancelhas juntas em raiva. — Saiam daqui.

Desviou sua atenção para Junmyeon e acariciou seu rosto, a preocupação estava de volta, dilacerando seu olhar de tal forma que o ômega não conseguiu se impedir se empertigar para beijá-lo. Não se importava com o que Minseok e Chanyeol iam pensar. Sehun o beijou de volta e deixou mais beijinhos no canto da sua boca e bochecha.

— Tudo bem, amor — ele disse contra sua pele, tão baixinho que Junmyeon achou que podia ter imaginado.

— Sehun — Minseok chamou e o alfa o encarou. — Pare com isso — ele pediu e Sehun rosnou.

Chanyeol arregalou os olhos e se encolheu. Minseok apenas juntou as sobrancelhas em uma preocupação dolorosa, mas não se mexeu. Junmyeon observou seus lábios se comprimirem e se perguntou se ele começaria a chorar, porque seus olhos pareciam terrivelmente brilhantes, mas o ômega apenas se manteve parado. Sehun continuou o encarando. Então, ele se pôs de pé e não esperou por Chanyeol enquanto marchava em direção a saída.

— Se você insistir em continuar com isso — Minseok parou na entrada, a um passo de sair, de costas para Sehun e Junmyeon —, não precisa mais me considerar seu sócio e amigo.

Chanyeol levantou-se e foi até o marido.

— Minseok — tentou tocar seu ombro, mas ele desviou e saiu.

O ômega olhou para trás, alarmado, abriu a boca para dizer alguma coisa, quem sabe, fosse pedir para Sehun ir atrás do amigo, mas ele pareceu pensar melhor e só comprimiu os lábios e saiu atrás do marido. O alfa trouxe Junmyeon para mais perto e o Kim o encarou.

— Talvez... — o ômega começou, mas se interrompeu quando Sehun o encarou de volta, desviou o olhar para o lado, nervoso. — Talvez, devesse ir atrás dele — falou.

As mãos de Sehun saíram das suas costas para segurar suas mãos. Junmyeon encarou o ato. O alfa tinha dedos longos com unhas bem aparadas, gostava do formado e mais do que isso, gostava da textura. Gostava de tê-lo perto, de ser tocado e acariciado e gostava, principalmente de estar na mira do seu olhar, de poder mergulhar naquele mar castanho e banhar-se em toda aquela adoração que era lhe direcionada.

— E deixar você aqui? Que tipo de companheiro eu seria se deixasse meu ômega assim? — ele falou e Junmyeon apertou seus dedos nos deles. — Eu só consigo me importar com você agora, eu só consigo sentir raiva deles por terem te machucado, eu...

O ômega segurou o seu rosto e o beijou. Sehun o beijou de volta, um pouco mais feroz, um pouco mais necessitado.

— Eu não devia ter saído — ele disse.

— Tudo bem. — O tranquilizou. — Eu bati mais do que apanhei — contou meio rindo, tentando amenizar o clima e Sehun analisou o arranhão no seu rosto. — Não é tão ruim quanto parece — disse e o alfa o encarou, encostou a testa na sua.

— Eu sinto muito por tudo isso. Eles não tinham o direito...

— Tudo bem. — Junmyeon o beijou para impedir que mais desculpas saíssem dele. — Não acho que eles vão voltar tão cedo. — Brincou e soprou uma risadinha, mas Sehun continuava sério e preocupado. — Eu estou bem, prometo. — Encostou a testa no seu ombro e sentiu as mãos de Sehun nas suas costas, o mantendo perto e o acariciando. — Não acreditei em nada do que disseram.

— Tem certeza?

Assentiu e se apertou mais contra o alfa, aspirou o seu cheiro, devagar para se acalmar mais. O arranhão no seu rosto não estava mais latejando tanto da mesma forma que suas bochechas.

— Junmyeon, você pode me falar qualquer coisa — Sehun disse e o ômega quis se encolher contra ele, guardar-se sob sua pele só para fugir daquela conversa.

Mas sabia que não podia e além do mais, precisava enfrentar aquilo o quanto antes, porque no segundo em que colocasse os pés para fora daquele hotel, enfrentaria coisas muito piores, então precisava saber se Sehun estava realmente comprometido com aquilo ou se não passava de um desejo momentâneo, algo que seria reduzido a um segredo sujo no fim do dia. Segurou as laterais da camisa do alfa com força e suspirou, então, forçou seu rosto a se levantar para fita-lo.

— O que... o que isso significa para você? É apenas diversão?

— Foi o que te disseram? — Junmyeon assentiu e Sehun suspirou. — Não. Que tipo de canalha eu seria se fizesse isso só por diversão? Se eu quisesse sexo teria ido atrás de opções mais fáceis, acredite.

— Então, o que vamos fazer? Seus amigos me odeiam e nossa família vai fazer o mesmo, e você ainda vai perder seu sócio. Isso vai prejudicar seu negócio. — Junmyeon afastou-se das mãos de Sehun, de repente, muito exasperado. Se pôs de pé. — Minha mãe vai me deserdar e eu não tenho a menor ideia do que meu pai vai dizer, porque sequer sei onde ele está. E eu ainda estou na faculdade e você... você nem mora aqui. Como isso vai funcionar? Sequer podemos casar e talvez, nem possamos ter filhos. — Respirou fundo. — Só... só deveríamos parar.

Sehun ficou de pé e Junmyeon deu um passo para trás quando o percebeu se aproximando. O alfa comprimiu os lábios e foi até a porta, fechou-a e quando tornou a encarar o Kim, ele estava sentado no sofá com o rosto entre as mãos. Aproximou-se devagar como se temesse que ele saísse correndo, Junmyeon ergueu o rosto e o encarou, seu lábio inferior tremia levemente, indicando um provável choro. Sehun se aproximou mais e o ômega o abraçou.

— O que nós vamos fazer?

— Vamos dar um jeito. — Sehun garantiu o abraçando de volta. — Não se preocupe com Minseok, meu negócio não vai falir só porque ele saiu. E você não vai estar numa faculdade para sempre, pode vir para a China comigo quando se formar. — Junmyeon se afastou para encara-lo. — Não podemos nos casar, mas isso não impede que eu te marque. Casamento é apenas uma formalidade, mas se você quiser tanto uma cerimônia, podemos fazer uma. E eu não me importo em não ter filhos, só me importo em ter você. Eu te amo.

Junmyeon deitou a cabeça no ombro do alfa e sentiu o peito inteiro aquecer. Podia sentir a sinceridade de Sehun em cada uma das palavras pronunciadas. Ele não estava mentindo, não estava o usando e também não estava o obrigando a continuar. Sabia que podia simplesmente pedir para que esquecessem aquilo e seguissem em frente. Era o sensato a se fazer, era o jeito mais fácil de mantê-los a salvo, mas Junmyeon não conseguia fazer aquilo. Havia passado tempo demais sufocando aquele sentimento, não queria perder tudo tão rápido assim. Queria insistir mais, queria ver até onde aquilo daria, queria tanto estar ao lado de Sehun como seu companheiro.

— Vamos fazer isso — ele disse e Sehun deixou tapinhas no meio da sua costa. Junmyeon mordeu o lábio em apreensão, mas ergueu o rosto para falar olhando nos olhos do alfa. — Me marque.

As sobrancelhas de Sehun se ergueram e Junmyeon quis rir da expressão comicamente surpresa, mas estava nervoso demais para isso.

— O que?

— Me reivindique — pediu de novo.

Era a garantia que precisava para saber que eles se manteriam juntos até o fim, para saber que estavam mesmo juntos naquilo, mas tinha plena certeza de como aquilo soava extremo, Sehun podia simplesmente dar para trás depois de escutá-lo. Não ficaria magoado, afinal falar sobre marcar alguém e realmente fazê-lo eram coisas totalmente diferentes, contudo, ainda precisava mostrar a ele que estava disposto a tudo para que ficassem juntos.

— Tem certeza sobre isso?

— Sim.

Sehun segurou o seu rosto e o beijou, profundo e faminto. Junmyeon começou a descasar os botões da sua camisa e o alfa beijou seu pescoço enquanto o livrava do casaco. As mãos se tornaram desajeitadas em tanta pressa quando tentaram tirar a calça um do outro. Junmyeon estava rindo quando se atrapalhou com a cueca e Sehun estava tão bonito quando o moveu para o seu colo e segurou-lhe a cintura. Seus olhos eram brandos, suave demais para o momento, deixava Junmyeon sem fôlego. Aquilo era melhor que todas as suas fantasias juntas, pensou e encostou a testa na dele, fechou os olhos e encheu seus pulmões com o cheiro dele.

— Eu te amo — declarou e Sehun beijou sua bochecha, desceu os lábios pela linha do seu pescoço até chegar no seu ombro, o lugar exato onde uma marca deveria ficar.

— Eu também te amo — ele disse, a voz rouca em um desejo que Junmyeon compartilhava.

Sentiu a língua dele passar sobre sua pele e pequenos chupões serem deixado pelo mesmo caminho. O ômega gemeu e exibiu mais do pescoço, deixando mais do que claro o quanto queria aquilo, mas eles ainda tinham tempo até que Sehun cravasse os dentes na sua pele, tempo suficiente para se perder nas caricias um do outro. Junmyeon procurou sua boca e o beijou. Eles se declararam mais um pouco e se tocaram com cuidado como se aquela fosse a primeira vez que se amavam.

Sehun o pegou nos braços e o levou para cama. O deitou com cuidado sobre os lençóis e beijou cada pequena parte do seu peito, a língua empenhou-se em dar atenção aos mamilos, chupando e mordendo. Junmyeon enfiou os dedos por entre seus cabelos enquanto gemidos saiam cada vez mais alto da sua boca. Ele o puxou para cima do seu corpo, fechou as pernas na sua cintura e esfregou-se contra o alfa.

— Não precisa me foder para me marcar — Junmyeon disse e descobriu o pescoço.

— Mas ainda assim quero te foder. — Sehun raspou os dentes sobre sua pele e o ômega tremeu, deliciado.

O alfa tocou-lhe por entre as coxas, as unhas rasparam pelo caminho e a ponta dos dedos tocou sua entrada. Junmyeon forçou-se para baixo, atrás de um pouco mais de contato e Sehun deslizou a língua por seu pescoço.

— Olhe só para você, tão molhado com tão pouco. — Ele pressionou o polegar na entrada do ômega, Junmyeon se contraiu e choramingou.

— Não provoque — pediu e Sehun o fitou, aproximou o rosto para beijá-lo.

Junmyeon sentiu mais lubrificação escorrer do seu buraco à medida que Sehun continuava o provocando com os dedos. Gemeu e se empurrou para baixo, Sehun riu no pé do seu ouvido e acabou lhe dando o que queria. Empurrou dois dedos de uma vez. A surpresa do ato quase o fez recuar, mas Sehun o segurou o lugar. Junmyeon apoiou a testa no ombro dele e suspirou quando o alfa retirou os dedos, apenas para mete-los de novo no segundo seguinte. O ômega gemeu e segurou-se nos ombros do Oh, rebolou nos dedos de Sehun, forçando-os para mais fundo. O alfa gemeu e curvou os dedos levemente, então os retirou.

— Sehun — Junmyeon gemeu. — Por favor.

O alfa deixou beijos nas suas bochechas e acariciou seu pau, subindo e descendo a mão em uma masturbação vagarosa. Junmyeon não sabia o que fazer com tanto estímulo, então, descontou tudo chocando sua boca contra a do Oh, mordendo seu lábio e chupando sua língua, mas Sehun o afastou. Ele o largou e saiu de cima do seu corpo, Junmyeon o encarou, confuso e excitado.

— Você está incrível, porra — Sehun se aproximou e tocou suas bochechas coradas, traçou a linha do seu lábio inferior com a unha do indicador. — Tão perfeito — Junmyeon empertigou-se para frente querendo beijá-lo, mas o alfa o segurou onde estava. — Só meu. — Sehun abaixou-se e capturou o lábio inferior do ômega entre os dentes.

Eles se beijaram. Junmyeon o acomodou entre suas pernas e Sehun não parou de beijá-lo enquanto enfiava o pênis nele. Seus gemidos foram abafados pela boca do outro, o alfa ficou parado por um tempo para dar tempo do Kim se acostumar e quando aconteceu, começou a se mover devagar. Junmyeon se agarrou no alfa, as unhas afundaram na sua pele e Sehun gemeu, aumentou as estocadas. A cama rangeu e o som que suas peles faziam ao se chocarem só o deixava mais excitado.

O Kim guiou a mão até o próprio pau e começou se masturbar enquanto sentia o alfa maltratar seu buraco com estocadas mais que assertivas. Sehun deslizou os lábios por sua bochecha até chegar no seu pescoço e Junmyeon não conseguiu evitar se exibir. As presas de Sehun despontaram e rasparam na sua pele enviando arrepios por seu corpo. O ômega segurou-se no Oh quando sentiu-as pressionando em si, mas não havia força suficiente para romper a pele. Junmyeon fechou os olhos e aspirou mais do cheiro do seu companheiro enquanto sentia as presas indo mais fundo. Podia sentir os olhos tornando-se marejados, mas não sabia dizer se isso vinha da dor do começo da mordida ou do prazer imenso que inundava seu corpo a cada vez que Sehun crescia dentro de si.

O nó dele começava a crescer e acertava sua próstata com mais precisão, o esticava inteiro. Junmyeon percebeu que estava murmurando alguma coisa, mas não tinha ideia do que falava, porque seu corpo inteiro estava mole em submissão, seu pescoço esticado o suficiente e Sehun, fechou os braços na sua cintura e pressionou seus peitos juntos, seu nó ficou maior, tornando impossível dele se mexer. Junmyeon fincou as unhas nas costas do alfa no segundo que sentiu a dor no ombro ficar mais forte, os dentes dele afundaram na sua pele, a boca se abriu em um meio grito meio gemido. Então, seu corpo inteiro relaxou enquanto atingia o orgasmo. Sentiu que estava caindo, que não tinha mais movimentos, era como flutuar. Sentiu a língua de Sehun no seu ombro, lambendo a base do pescoço, farejando sobre sua pele, choramingando baixinho em um pedido de desculpas envolto em realização.

Junmyeon deitou o rosto sobre o ombro do alfa e respirou de boca aberta. A língua de Sehun alcançou sua bochecha quando ele moveu seu rosto. O ômega continuou de olhos de fechados enquanto o companheiro cuidava de si, beijando-lhe todos os pedaços de pele que alcançava, cobrindo-o de palavras doces e calor. Junmyeon estava tão cansado, tão em paz que não percebeu que havia dormido até o momento em que despertou. Sehun ainda estava o segurando perto, seu nó ainda não havia se desfeito, latejava no seu interior de um jeito delicioso. Ele podia sentir o gozo do seu amante acumulando-se dentro, escapando pela borda aos poucos e o deixando pegajoso. Notou que o seu próprio esperma tinha secado entre seus corpos, sobre a barriga de Sehun e a sua.

Eles dois eram uma bagunça.

— Você está bem? — Sehun perguntou, a voz profunda em preocupação e carinho.

Junmyeon balançou a cabeça em afirmação, pressionou o nariz sob a glândula de feromônio do alfa e aspirou.

— Seu cheiro parece mais nítido — falou e apoiou o queixo no ombro dele.

— O seu também. Eu poderia te achar numa multidão com você cheirando assim.

O ômega riu e Sehun fechou mais os braços a sua volta. Eles ficaram em silêncio. Junmyeon queria poder dormir mais, contudo, sabia que precisava parar para pensar sobre o que haviam feito. Não havia como voltar atrás agora, mas não se arrependia. Tinha achado que poderia sentir algum pavor, o medo irrefutável de quem sabe que fez algo errado, porque bem sabia que a situação inteira era um grande erro, no entanto, não havia nada além de realização habitando seu peito. Um alívio enorme por, finalmente, ter o que desejou por tantos anos.

— No que está pensando? — Sehun perguntou.

— Em você — Junmyeon ergueu o rosto e o encarou. — Não me arrependo do que fizemos.

O alfa segurou o seu rosto e o beijou, devagar. Junmyeon suspirou, deliciado.

— Eu também não.

O Kim voltou a apoiar o queixo sobre o ombro do alfa.

— O que nós vamos fazer agora? — perguntou, baixinho.

Sehun ficou quieto e isso fez o nervosismo brotar no peito do ômega.

— Podemos esperar a festa de bodas passar para contar — a voz calma do Oh serviu para segurar a tempestade que começava a crescer dentro de si.

Era isso, pensou. Eles tratariam aquilo como um comunicado, uma notícia que os seus familiares podiam decidir aceitar ou não, mas, no fim, não tinha mais importância o que eles achavam, porque não havia como separa-los. O que estava feito, estava feito. Sehun o abraçou para que ficasse mais confortável e Junmyeon fechou os olhos, e deixou-se dormir mais um pouco. Havia sido uma longa caminhada para os dois, mas, agora, estava tudo bem, eles estavam onde deveriam estar: nos braços um do outro.

1 Août 2022 01:45 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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