nathymaki Nathy Maki

Em algum lugar de sua cabeça, Midoriya sabia que eles estavam no meio de uma missão. Provavelmente encrencados, quase certeza que sendo seguidos e, sem dúvida alguma, perdidos. Ainda assim, quando Shouto o empurrou para dentro daquele armário abandonado para que pudessem se esconder até os perseguidores passarem, tudo que ele pôde pensar foi na ironia da situação e em como eles estavam absurdamente perto um do outro.


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Histoire courte
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Capítulo Único


Em algum lugar de sua cabeça, Midoriya sabia que eles estavam no meio de uma missão. Provavelmente encrencados, quase certeza que sendo seguidos e, sem dúvida alguma, perdidos. Ainda assim, quando Shouto o empurrou para dentro daquele armário abandonado para que pudessem se esconder até os perseguidores passarem, tudo que ele pôde pensar foi na ironia da situação e em como eles estavam absurdamente perto um do outro.

A respiração morna de Shouto fazia cócegas em seu pescoço enquanto as mãos firmes estavam bem seguras em suas costas, mantendo-o perto devido ao pouco espaço disponível.Izuku tentou se ajustar em uma posição mais confortável, mas tudo o que conseguiu foi se enrolar ainda mais em seus braços. Ele expirou lentamente e com força. Aquilo não fazia bem algum para a sua sanidade.

Como se sentisse sua agitação, Todoroki inclinou a cabeça de modo que os lábios estivessem alinhados com seu ouvido e sussurrou:

— Desculpe por isso, Midoriya, mas foi o único plano em que consegui pensar. Não podemos ser pegos e entrar em conflito agora.

Ele sabia. Aquela deveria ser uma missão furtiva: invadir o esconderijo, roubar os planos de ataque, a localização da possível bomba, as plantas do estabelecimento junto a lista dos envolvidos, e então sair antes de serem notados. E fora de fato, até Midoriya tropeçar na maldita linha de alarme e eles precisarem fugir como se o inferno os estivesse perseguindo. Não comprometa a integridade da missão, não entre em batalhas que possam levá-los a se expor desnecessariamente, o responsável pela agência na qual atuavam durante o rodízio naquele estágio reiterara mais de uma vez como se soubesse a exata de que forma aquilo acabaria (uma individualidade de previsão talvez?).

Ele sabia de tudo aquilo, mas isso não o impedia de quase deixar escapar um gemido de frustração pela sua situação atual. Midoriya não queria que Todoroki se desculpasse por suas ações. Pelo contrário, queria-o mais perto. No fundo, um fundo bem ciente e assumido de seus desejos, ele estava adorando aquele plano. Três vivas para Todoroki e sua genialidade despercebida!

Do lado de fora, passos pesados e vozes roucas invadiram o beco pelo qual haviam corrido.

— Onde aqueles heróis desgraçados foram? — uma delas rosnou, tão rude quanto Kaachan fora um dia, fazendo Izuku soltar um suspiro resignado.

Os dedos de Shouto imediatamente subiram para cobrir sua boca, os olhos heterocromáticos o censurando por fazer quaisquer ruídos que pudessem denunciar a sua posição. A respiração de Midoriya ficou presa em algum ponto de sua garganta ao senti-lo inclinar mais a cabeça contra as pequenas frestas que deixavam passar luz o suficiente para iluminar o interior e entrever os acontecimentos externos. Os corpos se prensaram ainda mais com o movimento e, de repente, a bochecha de Izuku se encontrava pressionada contra o peito de Shouto, acompanhando na pele os batimentos rítmicos de seu coração acelerados pela corrida desenfreada de ambos.

Era demais.

Seu rosto ardeu com uma intensidade dolorosa e ele se perguntou por um instante absurdo quanto sangue afluindo para a cabeça seria necessário antes que seu cérebro sofresse alguma pane e se Shouto poderia senti-lo queimar do rubor acumulado bem ali e agora. Mas, para a sua sorte, o colega estava muito concentrado no que acontecia do lado de fora para se atentar a sua pequena crise interna.

— Eu posso jurar que vi eles correndo para esse beco — uma segunda pessoa falou e um barulho horrível de raspagem acompanhou suas palavras. Uma lâmina quem sabe? Era tudo o que podia supor, já que não conseguia ver a cena.

— Então só existe um caminho que eles podem ter feito — o último apontou a única direção na qual o beco seguia, o esconderijo deles passando despercebido para o seu alívio, tomado como parte da paisagem danificada ali onde estava oculto entre as tábuas soltas e lençóis puídos.

Murmúrios de concordância vieram dos demais e os passos retornaram fortes e implacáveis em sua perseguição, afastando-se aos poucos do local onde eles estavam espremidos juntos e tensos como um arco preparado para disparar.

Os segundos se passaram e Midoriya arriscava olhares de relance para Shouto que parecia tão forte e heróico ali, os cabelos de cores diferentes repartidos à perfeição, caindo sobre os ângulos afiados de suas bochechas e destacando os olhos díspares que se fixavam em seu rosto com uma intensidade que antecedia a batalha a qual ele reconhecia de seu longo tempo de convivência. A cicatriz trazia um equilíbrio à expressão estóica e, para Izuku, ao contrário do que as demais pessoas poderiam pensar, esta nunca era uma imperfeição em sua pele, mas uma prova de que ele havia sobrevivido. Uma demonstração da coragem e da resiliência silenciosa com a qual ele lutou por todos aqueles anos, porque Midoriya sabia que Shouto era muito mais do que uma bela aparência; ele era gelo quebradiço em manhãs de inverno, frágil, mas aguentando firme, e chamas furiosas em dias de verão, impossível de se desviar o olhar, flamejante e vívido, uma realidade em si mesmo, independente e mortal quando provocado, porém, cálido e compassivo em seus humores ocultos, uma adorável confusão. E Izuku estava ávido por aprender cada um deles. Cada faceta diferente era como estar diante de um novo e brilhante Shouto que ele desejava ardentemente desvendar.

Agora, havia um foco renovado em seus olhos. O desejo de cumprir uma missão e realizar um trabalho bem feito, sabendo que no fim, aquilo faria a diferença. Eles estariam fazendo a sua parte para salvar vidas. E Midoriya? Bem, ele estava um pouco mais apaixonado e todo aquele espaço apertado ao seu redor e inexistente entre seus corpos não estava ajudando em nada seu pobre coração.

Por um momento, sua mente cedeu aos devaneios e ele imaginou como seria beijá-lo. Por um momento, ele pensou em palavras gritadas em uma arena, em chamas tomando vida e um sorriso selvagem pelo qual Midoriya sacrificaria todas as partes do seu corpo apenas pela oportunidade de vê-lo mais uma vez diante de seus olhos. Por um momento, ele pensou em batalhas compartilhadas e sessões de estudos em seu quarto, pensou em um silêncio tranquilo de entendimento mútuo e em conversas sussurradas no meio da noite e seu coração tropeçou por várias batidas.

Não. Foco, disse a si mesmo, estapeando-se mentalmente para que pudesse sair dessa situação e fugir da tentação de ceder aos próprios desejos tortuosos. Forçou a respiração a voltar a circular e a se acalmar, afastando os dedos de Shouto que ainda cobriam a sua boca para dizer:

— Parece que eles se foram. Acha que já é seguro sair?

Não que ele quisesse, mas eles tinham um trabalho a fazer, afinal. Entretanto, era difícil lembrar disso com tantos pontos de contato entre eles espalhando uma dormência deliciosa por seu sistema e causando o bambolear de seus joelhos. Que os deuses o perdoassem pelo trocadilho, mas Shouto era tão quente e Midoriya sentia seu corpo ferver em resposta ao menor toque dele em sua pele.

Shouto não respondeu sua pergunta.

Os dedos dele resvalaram em sua coluna, acariciando ao longo de sua espinha, responsáveis por enviar uma série de fagulhas por seu corpo que irradiou com uma dose de força mal controlada do One for All a qual ele precisou conter em sua mente para não explodir aquele armário apertado.

— Midoriya — Shouto chamou, o tom rouco e mais hesitante do que jamais ouvira. Izuku ergueu os olhos verdes inocentemente para o encarar, perguntando-se o que poderia estar errado e se surpreendeu com o ar intenso que o rodeava. Conflito ardente tomava os olhos heterocromáticos e Shouto parecia tenso, cabeça erguida em seus centímetros a mais, ombros rígidos e queixo apertado, como se algo estivesse lhe custando toda a sua determinação.

— Sim, Todoroki-kun? — Ele engoliu em seco, sentindo-se subitamente hiperconsciente da proximidade dos corpos, mais como uma presa do que quando estavam sendo perseguidos pelos vilões.

A névoa de dúvidas se dissipou e Midoriya sentiu o olhar dele em seus lábios enquanto os lambia, subitamente consciente de que estava sendo observado com um afinco irrestrito. Ele parecia ter tomado uma decisão, uma que Izuku sequer poderia imaginar, mas aguardava ansiosamente o desfecho.

— Eu vou beijar você agora, tudo bem?

O quê?, sua mente girou.

— O qu…? — ele tentou perguntar, mas não houve tempo.

Antes que pudesse concluir, seus lábios foram tomados pela boca quente e acolhedora de Shouto e então ele não soube mais o que estava acontecendo. Ou melhor, ele não se importou. Oh, ele pensou entorpecido, sentindo a mão que antes tapava sua boca subir para inclinar o seu queixo e aprofundar ainda mais o beijo, então é assim que é. Lábios encontrando lábios com uma harmonia até então desconhecida para si, movendo-se sincronia e abrindo-se um para o outro como ambos necessitassem de mais, mais daquele contato, mais daquele desejo que fazia seu poder estalar em suas veias com uma intensidade dolorosa. A língua de Shouto encontrou a sua e, ah, ele era bom naquilo, Midoriya pensou, atordoado demais para se expressar de forma coerente.

Os dedos dele em sua coluna se fecharam com mais força em suas roupas, arranhando sua pele sob elas, como se ele não o pudesse trazer para perto o suficiente e Midoriya sentiu seus próprios braços reagirem em resposta, as mãos subindo para enlaçar-lhe a nuca, os dedos se fechando nos fios macios como sempre sonhara em fazer. Midoriya traçou lenta e delicadamente a cicatriz em seu olho esquerdo com um carinho sem reservas, esperando que Shouto pudesse sentir a adoração contida naquele gesto, e sentiu-o estremecer em resposta. Shouto se moveu contra si, e as bocas se afastaram, trêmulas e ofegantes, apenas para Midoriya o puxar de volta, toda a sanidade e bom-senso abandonados em prol daquele momento mágico e irreal que estava acontecendo bem diante de seus olhos.

Ele estava mesmo beijando Todoroki Shouto.

Calor se espalhou por seu corpo até a ponta dos seus dedos dos pés e Izuku não se importaria de começar a queimar ali mesmo, não quando tinha o rosto dele sob seus dedos, as mãos dele o pressionando contra a parede do armário de tal forma que seu coração ribombava no peito suplantando quaisquer pensamentos racionais que pudesse vir a formular. Todoroki Shouto podia ter uma individualidade de fogo, mas seria aquele beijo, o encontro dos lábios ávidos e exploradores que parecia ao mesmo tempo um novo horizonte e um velho conhecido, o responsável por catalisá-lo ao seu fim em chamas.

A boca dele deixou a sua e então prosseguiu pelo seu rosto, beijando cada uma das sardas espalhadas por suas bochechas com uma delicadeza que ameaçava estilhaçar seu coração em mil pedaços, até o nariz afundar em seus cachos bagunçados. Midoriya arfou ao sentir os dentes dele rasparem contra o lóbulo de sua orelha, provocando-o, antes de rir baixinho contra ela.

— Shouto… — ele deixou escapar, a voz em um tom sôfrego que não reconhecia em si mesmo, algo entre um suspiro e um gemido que fez Todoroki sorrir satisfeito contra sua pele.

— Izuku — Shouto devolveu, os lábios passeando por seu pescoço em uma carícia suave, um caminho sem volta. — O que você quer?

O que ele queria? A resposta era simples: Midoriya queria mais. Mais outro beijo, mais outro toque, mais das mãos dele passeando por seu corpo e ativando nervos que sequer sabia que possuía, mais da boca em seu pescoço, sussurrando em seu ouvido, mais dos calafrios em sua espinha e do calor devastador em seu estômago que o ameaçava consumir vivo e por inteiro; ele queria mais de Shouto em toda parte.

Porém, antes que pudesse responder, a porta se abriu, quebrando o clima e estilhaçando a realidade encerrada no pequeno armário para o horror de Izuku. Ambos os heróis em treinamento caíram no chão frio, embolados um sobre o outro, membros enlaçados, roupas bagunçadas, lábios inchados pelos beijos e as expressões culpadas de quem se desviara do caminho para cometer atos libidinosos em um armário apertado.

Ao menos, a de Midoriya estava.

— Ora, ora, o que temos aqui?

— Uraraka-san — Midoriya resmungou, metade alívio disfarçado, metade descrença mortificada por terem sido pegos em tal condição.

Ochako ergueu as sobrancelhas, divertindo-se mais do que deveria com a situação toda. Não era difícil adivinhar o que havia acontecido ali. E, francamente, se a opinião dela valesse de algo, já estava mais do que na hora. O que não significava que ela facilitaria a vida do seu queridíssimo colega. Uraraka era uma boa amiga assim.

— Deku, querido, tem alguma coisa que você queira me contar?

Maldita influência de Kaachan. O loiro explosivo a havia corrompido mais do que esperava.

— Os inimigos seguiram naquela direção — Shouto apontou, erguendo-se de onde havia caído, parecendo muito calmo e composto para quem fora pego em flagrante aos beijos em um armário com um colega no meio de uma missão. Só de se imaginar dizendo essas palavras em voz alta, as bochechas de Midoriya arderam e sua cabeça ameaçou fumegar de tanta vergonha. Ele nunca mais teria coragem de mostrar a cara na agência novamente caso a história se espalhasse. — Estavam em três, dois humanos e um com características animais, e um deles estava armado com uma lâmina expansiva.

As sobrancelhas dela se ergueram ainda mais alto, desafiando-o a prosseguir sem comentários. Mas se ela desejava encarar a capacidade de silêncio de Todoroki, então se encontraria diante de uma impenetrável muralha de gelo.

— Precisamos agir antes que eles corram para muito longe do nosso alcance. — Foi a sua tentativa de contribuição para o assunto, ainda estatelado de onde estava no chão. Shouto estendeu a mão para ajudá-lo a se erguer e Midoriya tentou não pensar demais no que o gesto significava.

Ochako olhou de um para outro, então para o ponto onde suas mãos estavam unidas e deixou escapar um suspiro profundo que expressava toda a sua decepção acumulada.

— Muito bem, se vocês preferem assim, o que acontece a portas cerradas, fica entre elas. — E começou a seguir na direção indicada, passando a se focar no trabalho que tinha pela frente. — Vamos agir.

— Midoriya — Shouto o chamou, os dedos dele detendo-se nos seus e os apertando sobre as luvas. Ele se arrependia intensamente de estar as usando.

— Sim, T-Todoroki-kun?

Os olhos heterocromáticos encontram os seus e Midoriya podia jurar que havia um brilho de diversão oculta neles ao retribuírem o seu olhar acuado.

— Continuaremos a nossa conversa depois da missão.

Izuku engasgou. E então ficou de quinze tons de vermelho diferentes enquanto tentava gaguejar uma resposta adequada.

Não conseguiu pensar em nenhuma.

Ochako, aparentemente se compadecendo de seu sofrimento, deu um tapinha em seu ombro e começou a puxá-lo dali na direção em que os vilões haviam encaminhado-se, pensando que, talvez um pouco de adrenalina pudesse fazer bem para o seu cérebro e o fizesse voltar ao normal. Midoriya, porém, não queria partir assim, sem mais nem menos, e deixá-lo ter a última palavra sobre o assunto. Afinal, fora algo desejado pelos dois, certo?

Então enfiou os solados de metal do seu uniforme bem fundo no chão para se firmar e ergueu o queixo para o encarar de frente, olhos verdes brilhantes e decididos em suas próprias razões, antes de assentir e dizer com o máximo de eloquência que conseguiu reunir:

— Depois da missão.

E foi tudo. Puxou Uraraka de volta, ativando o One for All, e saltou para as paredes do beco envolto em energia luminosa, começando a perseguição aos inimigos como se sua vida dependesse disso.

Parado onde estava, Shouto sentiu os lábios se erguerem em um raro sorriso que apenas Midoriya era capaz de gerar, enquanto o observava desaparecer nas sombras em um flash de faíscas verdes e cachos bagunçados.

Não havia quem pudesse enganar, ele estava ansioso pelo depois.

30 Juillet 2022 18:36:25 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
6
La fin

A propos de l’auteur

Nathy Maki Fanfiqueira sem controle cujos plots sempre acabam maiores do que o planejado. De romances recheados de fofura a histórias repletas dor e sofrimento ou mesmo aventuras fantásticas, aqui temos um pouco de tudo. Sintam-se à vontade para ler! Eterna participante da Igreja do Sagrado Tododeku <3

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