pablomedinaviana Pablo Medina

Em um Egito distópico os sobreviventes de um cataclismo global vivem de baixo de um regime opressor e meritocrata. Onde Jovens são enviados para disputarem até a morte por uma oportunidade de mudar de vida. Essa disputa ficou conhecida como DESAFIO DE SANGUE.


Post-apocalyptique épique Tout public.

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CAPÍTULO 1- Ditty. (Cantiga).

Tinha uma música. Como ela era mesmo? Não consigo me lembrar. Acredito que ela começa assim.

“Tudo é cinza agora, inclusive Meu amor, chamas ardem lá fora com o bom e familiar fervor.

Fui destruído com meu império, a dor é minha donzela Agora, o mais doce Refrigério.

Você disse que dominaríamos o Mundo, a mas bela das mentiras, com um início triunfante, hoje me encontro em ruínas.

Danço uma valsa com a morte, Ela me corteja sem sessar, Com colar de cordas ela me presenteia Jurando que em breve vou te encontrar.”

Agora com a voz roca e soluçante me levanto. Quatro dias se passaram desde a morte de meu pai, estou exausto pois são as mesmas quantidades de dias que não adormeço. Ele costumava cantar essa cantiga para mim e Rhul, meu irmão mas velho quando éramos menores, não entendíamos a letra, porém sua voz melancólica e suave, com excelentes graves e sutis agudos, faziam com que a canção nos afundasse em um oceano vasto de fantasias e sonhos impossíveis. Estou vislumbrando o desfiladeiro que cerca Troncoh, já são por volta de sete horas da manhã, o sol acabará de iniciar sua alvorada, ouço meu irmão me gritando ao longe.

— Ghray! — Sua voz me talha mas profundo que qualquer lâmina, pois sei que meu momento de paz terá seu fim, que terei de voltar a minha trágica realidade.

— O que está acontecendo? — respondo sem olhar para trás.

— não passou a noite em casa, então a mãe mandou eu vir procurar por você, sabia que iria encontrar você aqui.— diz ele enquanto me viro para encará-lo.

— já está na hora? — Falo enquanto respiro fundo, e deixo o ar frio da manhã fazer com que meus pulmões ardam.

— está… vamos. — Diz ele com um tom autoritário, o mesmo tom que ele tem usado nos últimos quatro dias.

Andamos três quilômetros até chegarmos em casa. Quando abro a porta de madeira pútrida da entrada. Zoe pula em meus braços fazendo com que eu perca meu equilíbrio e ambos caímos no chão, a cena faz com que minha mãe e Rhul deem uma risada, algo que tem sido raro de acontecer devido as cruéis circunstâncias.

— irmão onde estava, fiquei com saudades.— diz Zoe com seus olhos cinzentos repletos de um brilho que ilumina os meus.

— fui dar um passeio, acabei perdendo a hora, peço desculpas.— digo com um tom doce e único que desenvolvi especialmente para ela.

— venham. Sentem-se, precisam comer antes de irem para as tarefas, os representantes do torhy’s estarão aqui em breve.— diz a matriarca de Nossa família, nosso exemplo de força e garra, Maran nossa mãe.

Todos nos sentamos a mesa de jantar, que nada, mas é que um pedaço de tronco rudimentar e avantajado de uma árvore antiga que havia no quintal. Para o d’jejum, em nossas tigelas é acrescentado um creme pastoso cor de musgo e com tirinhas de cebola cortadas bem minúsculas, e um pequeno pedaço de pão, a mistura pasto lenta faz com que todos na mesa criem caretas desconfiadas.

— Acreditem, o gosto compensa a aparência, então comam. — Diz nossa mãe levando a primeira colher do alimento a sua própria boca. Com movimentos hesitantes levamos todos de forma sincronizada uma colher do alimento a boca, e de fato minha mãe estava certa o gosto não é tão ruim, para ser honesto me agrada bastante. Rhul e eu terminamos a refeição, e com uma pontualidade perfeita, um som estridente que faz com que meus pelos da nuca e em seguida os demais pelos do meu corpo se arrepiem.

— Chegaram. — Diz Rhul com pesar de frustração em sua voz.

Nossa mãe nos puxa para um abraço coletivo, e então Rhul e eu nos despedimos delas de forma breve, e vamos de encontro aos supervisores do SCT (sistema de cota torhy’s). Homens altos, com vestimentas cintilantes nos tons de verde-escuro, dourado e um negro puro, que os revestiam de seus ombros ligeiramente largos até seus calcanhares, suas botas haviam adereços de metais e pedras preciosas. Sempre achei desnecessário joias nos calçados, mas quem sou eu para julgar, se não tivesse de me preocupar com a alimentação de minha família, e as altas cotas que tenho de cumprir, talvez eu também achasse a ideia algo genuíno, mas decido que não deixarei meus pensamentos tirarem meu foco do que é de fato necessário focar. Em seguida somos guiados a uma carruagem proeminente que comporta quatro rodas de cerca de um metro e meio de altura, em cada lateral do veículo totalizando assim oito rodas. Rhul e eu ficamos parados sem qualquer reação por alguns minutos, até que inesperadamente a porta se abre sozinha. É surpreendente por que não estamos acostumados a lidar com objetos mecânicos e tecnológicos, sabemos de suas existências, mas não é comum em Troncoh.

— Entrem. — exclama um homem alto para mim, Rhul e outros três jovens que se juntaram a nós nesses minutos que esperávamos a porta da carruagem abrir. Adentramos e ficamos impressionados como o quão grande é o interior do veículo. Sem perder tempo nos alojamos o melhor possível e então damos início a viagem. Foi nos comunicados que a viagem até nosso destino que são as minas de mármore e a forja de bronze durará em média três horas. Ficaremos confinados catorze dias na mina, o tempo estimado para nos ensinar os serviços necessários. No vagão é nos dados uma aula de história que todos já sabemos. Um dos supervisores do SCT começa sua explicação do porque estamos ali, ele inicia dizendo, que Ictohrux e as outras quatro províncias, Salfiux, Nenimah, Palatrhax e Troncoh, é uma sociedade forjada através da cooperação de todos os cidadãos, todos em Nova Cairo tem um papel fundamental a desempenhar. E de repente o tom de voz do anunciante que anteriormente doce e tranquilo, muda para ríspido e neutro.

— Se vocês estão aqui. É porque não estão cooperando suficiente. — Dispara o anunciante.

Em seguida um gráfico é nos mostrado, que indica o que cada província e famílias são responsáveis por produzir para o SCT, ou seja, para o governo, ou seja, para Ictohrux. Nenimah, como é localizada próximo ao grande rio nalfiilu’s, São responsáveis por produzir pesca, legumes verduras, frutos, e também água. Palatrhax, que fica localizada em terra arenosa, mas com uma diversidade boa de Campinas e árvores que são adeptas ao deserto, fez com que essa província ficasse responsáveis pelo gado, ou seja, carne. Salfiux produz artigos de luxo, como roupas, joias, e qualquer outras dessas tolices que eu particularmente acho inúteis. Ictohrux, é o governo, ou seja, os beneficiados com o sofrimento e esforço das demais províncias e criadores do desafio de sangue, meu corpo treme com um calafrio ao lembrar desse ponto cruel de nossa sociedade. E por último, minha província. Troncoh. Somos responsáveis pela mineração, por estarmos localizados na parte noroeste de toda Nova Cairo, onde ficam posicionadas as montanhas de calcário e mármore. Dizem que a milhares de anos havia um vulcão que explodiu dando forma ao que conhecemos hoje como a província de Troncoh.

O Homem tranquilo que agora transborda arrogância continua seu discurso dizendo que as pessoas que cumprem suas cotas anuais são cidadãos prósperos e exemplos da sociedade. Mas que também existem os que não são. Esses são os chamados shed’s, ou seja, os devedores do sistema, que não produzem o necessário para terem estabilidade e então tendem de trabalhar o dobro. E então ele chega ao ponto da aula que faz com que os passageiros que antes éramos cinco, mas que somos agora uma pequena multidão aglomerada que faz com que o antigo veículo gigantesco se torne claustrofóbico.

— Caso a dívida de sua família suba excessivamente, o governo pede que seja doado um membro entre 14 e 18 anos do sexo masculino para participar do desafio de sangue, uma competição nobre que da oportunidade única de um indivíduo quitar suas dívidas com a sociedade. Então boa sorte a todos e um bom primeiro dia de produção. — encerra ele com a voz gentil de quando iniciará falar.

Nobre… sério mesmo que ele usou essa palavra? Questiono-me. Como ver centenas de jovens morrerem em uma competição pode ser nobre? Patético. Decido que não vou, mas pensar nisso por enquanto, então volto meus pensamentos na cantiga de meu pai que curiosamente está me atormentando com frequência nesses últimos dias, A melodia triste, a letra trágica, porque meu pai cantava tal canção para duas crianças? Talvez pelo fato de que não entendíamos a letra, meus pensamentos são interrompidos pelo parar da carruagem. Somos mandados desembarcar e observar para ver se não esquecemos nossos pertences. Rhul me puxa pelo braço e me ponhe a sua frente de forma que ele possa me guiar sem que me perca de vista, com sua mão em meu ombro começamos a andar no meio da multidão, a entrada da mina é uma grande cratera na lateral do maior cume dentre as dezenas que há. Gigantescas filas se formam na entrada da caverna com inúmeros homens a mutuados. Rhul, eu e os trabalhadores iniciantes fomos encaminhados para outra direção, entramos todos em um corredor feito de mármore polido e tênue, com luzes florescentes laranjas e vermelhas que dão à impressão de que o corredor está em chamas, quando chegamos ao fim do vasto corredor nos deparamos com um saguão enorme com diversos aparelhos eletrônicos e maquinários de escavação que fazem minha imaginação saltar, o saguão é repleto de túneis que levam a diversos setores e andares. O que aparentava ser apenas uma montanha, na verdade, é uma rede de operações mineiras.

Após dez minutos de espera eu, e as centenas de jovens que aguardavam juntos a mim, somos recepcionados e divididos em quatro grupos para começarmos a aprender as funções de produção. Rhul, eu e khali, um antigo amigo nosso, somos postos no mesmo grupo.

— Vocês sabiam que as minas eram assim? — Pergunta Khali com entusiasmo.

— Não tínhamos ideia, nosso pai não costumava contar nada desse lugar. — Responde Rhul secamente.

— Nem o meu, durante toda a viagem ele ficou calado, penso que era o sono.— Responde Khali com seu entusiasmo intacto.

Passaram-se nove dias desde nossa chegada, as minas, calor, suor e essa maldita fornalha que não se apaga nunca nem quando vamos dormir, a primeira semana foi árdua, mas sem dúvida menos cansativa que essa, antes de virmos para a forja de bronze, tivemos uma semana trabalhosa nas minas, aprendemos todo o ofício, desde montar nossas próprias picaretas, à finalização de mármores para a entrega. Rhul, khali e eu, tínhamos facilidade de aprendizado e terminávamos nossas cotas diárias com excelência, quando tínhamos tempo extra, ajudávamos na contabilidade, não fazíamos por que gostávamos do trabalho muito pelo contrário, nos sentíamos explorados de todas as formas, mas como somos devedores do sistema temos que produzir o máximo possível, por não queremos parar no desafio de sangue E consequentemente nossas mortes. Mas aqui nessa forja não penso dessa forma, cogito mesmo que de forma adversativa, que talvez eu pudesse sobreviver ao desafio de sangue, então não teria que voltar para esse inferno nunca mais. Porém, na hora do jantar esses pensamentos desaparecem por completo de minha mente. Em nossas bandejas são servidos um caldo grosso de tomates com uma infinidade de temperos que fazem com que meu paladar exploda em uma satisfação calorosa, a porção é bem satisfatória, para refrescar é nos servidos juntamente do caldo, jarros e jarros de água bem gelada.

O apito agudo soa indicando que o expediente da forja se encerrará, Rhul, Khali e eu, nos encaminhamos para um setor onde podemos descansar e dormi, o lugar é um simples galpão com colchões e sanitários para podermos fazer nossas necessidades durante a noite, nós três nos deitamos alinhados ao lado da porta de entrada do galpão para que assim que chegar a hora de voltarmos ao trabalho possamos ser os primeiros a sair. Hoje especialmente estamos inquietos, extremamente exaustos, mas inquietos, Rhul para compensar a falta de sono fica olhando fixamente para o teto, Khali gira um pedaço de mármore entre os dedos com movimentos abios e coordenados. E eu estou dançando uma valsa com meus pensamentos intercalando de um para outro, estou preocupado com minha mãe e Zoe, a saudade delas se acumulam a cada dia que estou aqui, mas certamente elas estão bem. Minha mãe nunca deixaria nada faltar a elas e isso é um alívio que me permito sentir. O outro pensamento que luta para ter um espaço em minha mente, e está perdurando por dias, é a cantiga de meu pai, involuntariamente começo a canta-lá em baixo tom.

“Tudo é cinza agora inclusive meu amor, Chamas ardem lá fora com o bom e familiar fervor.”

Parece-me retratar o fim de uma guerra ou algo do tipo, mas a variáveis infinitas de possibilidades para o significado desse verso. Continuo a cantiga e percebo que Rhul e khali estão me olhando fixamente, mas os ignoro.

“Fui destruído, com meu Império, a dor é minha donzela Agora O mais doce Refrigério.”

Talvez um homem que perdeu tudo que tinha nessa guerra e agora sofre amargamente. Sinceramente não encontro outro significado para tal verso. Porém, é no terceiro verso que Rhul se junta a mim. Nossas vozes em um dueto fúnebre ecoa pelo galpão.

“Você disse que dominaríamos o Mundo, A, mas bela das mentiras, Com um início Triunfante Hoje me encontro em ruínas.”

Já não me importo com a interpretação, Rhul e eu estamos conectados, por nossas memórias e por nosso luto. Começamos a cantar o final com as lágrimas lutando firmes para não rolarem.

“Danço uma valsa com a morte e ela Me corteja sem sessar, com um Colar de corda ela me presenteia, Jurando que em breve vou te encontrar.”

Quando encerramos percebo que Khali não era o único espectador, olhos de várias direções nos observavam dentro daquele caloroso galpão. Nada foi dito, nenhum pedido de biz., nem aplausos, nem murmúrios, apenas um silêncio e olhares fixos para nós, então apenas me viro para tentar dormir e percebo que todos fazem o mesmo.

Já estamos no décimo primeiro dia de aprendizado nas minas, são por volta de quinze horas, estou andando por um corredor estreito me perguntando onde se encontram khali e Rhul, não os vejo desde o café da manhã, eles foram levados para um setor diferente do meu, que até então soa normal, mas também não os vi no almoço, que me fez ficar ligeiramente preocupado. Continuo andando por corredores cada vez, mas fundo nas extremidades da forja até que chego no caldeirão, o forno principal da forja. Extremamente quente, mas graças a tecnologia aplicada nos recipientes fervilhados é possível suportar o calor. Adentro com passos calmos e trêmulos a sala, e ando pelas dezenas de plataformas de tonéis aquecidos até que ouço uma voz.

— PARE!— A voz grita para alguém.

— PARE! — Ouço novamente, a voz é familiar, porém não facilmente reconhecível.

— O que está fazendo?— A voz grita e agora reconheço, é Khali. Tenho certeza.

Começo a apressar meus passos para finalmente me deparar com a situação que ocasionará os gritos, paro próximo a um tonel e observo khali e Rhul sendo covardemente atacados por um dos supervisores do SCT, ambos estão algemados o que justifica não estarem revidando, minha mente luta para que eu interfira, mas meu corpo já não me pertence, estou tomado pelo medo, então a única coisa que faço é olhar. Chutes e socos são Severamente aplicados em khali e meu irmão, quando tomo total consciência do que está havendo descido fazer algo, pôs tenho medo de algo grave acontecer com eles, então recolho um cascalho e o lanço em uma direção qualquer, ao colidir com o metal da plataforma o som ocó se espalha escandalosamente pelo setor vazio e ecoa por segundos duradouros, o som faz com que o supervisor se assuste e se distraia por um segundo, um segundo que se torna uma eternidade pois o que acontece a seguir se torna catastrófico.

Rhul aproveita a distração do supervisor e o chuta com toda força e ódio que possuí naquele momento, fazendo com que seu agressor perca o equilíbrio e caia da plataforma em direção a um dos tonéis com metal borbulhante. Em um último ato desesperado e cruel, o infeliz supervisor agarra a corrente presa ao tornozelo de Rhul fazendo com que ambos caiam para dentro da morte fumegante que os aguardavam em baixo. Pisco os olhos Rhul está vivo. Pisco novamente não está mais, estou em choque, a cena de meu irmão derretendo com seus gritos abafados por conta do metal pesado e quente que dilaceraram suas cordas vocais com todo seu corpo é grotesca.

— NÃO!— grito correndo em direção ao local da queda sabendo que nada mais poderia ser feito, khali me segura e me abraça forte para conter meus impulsos insanos de tentar ajudar meu irmão.

— GHRAY! ,GHRAY! ESCUTA, VAMOS EMBORA, TEMOS QUE SAIR DAQUI AGORA, VAMOS!— Grita khali segurando meu rosto contra o dele com uma força onde não consigo olhar para outra direção, apenas para os olhos apavorados, porém firmes dele.

— GHRAY! Está me entendendo? — vamos embora agora. Ele grita novamente.

Quando ele percebe que não respondo aos seus comandos, ele me levanta no colo contra minha vontade, e começo a berrar como uma criança histérica.

— ME SOLTA TENHO QUE SALVAR MEU IRMÃO, ME SOLTA NÃO POSSO DEIXAR ELE LÁ, ME SOLTA, ME SOLTA.

Então do nada, um som de soco e em seguida uma dor causticante na minha bochecha. khali me bateu? Questiono-me mesmo sabendo que a resposta é sim. Estou parado olhando para o sangue nas costas da minha mão direita após limpar minha boca com ela. Viro-me para khali, e ele está sério, nem um remorso se manifesta em sua fisionomia. O que me deixa ainda, mas irado, ando até ele lentamente, ele abaixa a guarda por pensar que sua ação teve o efeito desejado, que seu soco fez com que eu me acalmasse porém. Quando palavras começam a se formar em seus lábios, ô golpeio na cara com toda a força que meu corpo magricelo comporta. Então começamos um combate corpo a corpo, khali é mais alto e forte que eu, porém tenho o ódio da perda para me dar vigor, e isso é algo ao meu favor, trocamos socos em inúmeras partes de nossos corpos até que ele me derruba e com um golpe na nuca me apaga.

Quando abro meus olhos, eles levam um tempo para se ajustarem. Observo ao meu redor e percebo que estou e uma área nova, mas ainda estou nas minas, por conta do mármore e calcário que cercam as estruturas do que eu indico ser o hospital. Khali está ao meu lado, com hematomas visíveis de nosso confronto, e isso me alegra, porém, não estou em melhores condições que ele, tento mover meu corpo para agredi-lo, porém é inútil pois estou sobre efeito de medicamentos fortes e anestésicos.

— Como você está? Consegue falar?— Diz khali olhando para mim.

O ignoro apenas fechando meus olhos por ser uma das poucas partes do meu corpo que possuo controle.

— Ghray. Perdão, não queria machucar você, mas eu também estava assustado e confuso com tudo que rolou.— A voz cansada de Khali falou — Rhul era meu melhor amigo assim como você também é, eu não queria que isso tivesse acontecido com ele.— Continuou Khali com um pesar crescente em sua voz. — foi tudo devido à música.— Lamenta khali. Meus olhos abrem e encaram khali.

— Do que está falando?— Pergunto com a voz trêmula por conta dos medicamentos.

— Chegou aos ouvidos do supervisor, de que estávamos cantando músicas inadequadas — diz ele.

— Músicas inadequadas? — Questiono.

— sim, disseram ao supervisor que a letra incitava possíveis conflitos e guerras, e tais assuntos são proibidos em toda Nova Cairo. — Explica khali.

— Então fomos chamados por um supervisor, mas Rhul e eu decidimos que só nós seríamos declarados responsáveis, seu irmão fez isso para poupar você de qualquer problema, pois ele sabia o quão difícil estava sendo para você. — Encerra ele.

Apenas fecho os olhos e vislumbro toda cena, Rhul sendo puxado para morte, sua pele se desfazendo em segundos, seu crânio e toda sua ossada exposta.

— Só, mas uma coisa Ghray. — diz khali com um tom sóbrio de sobreaviso. — Você não sabe de nada.— Diz ele levantando e saindo do quarto do hospital.

No fim do dia recebo alta do hospital e sou mandado diretamente para o galpão aonde todos os produtores iniciantes dormem, percebo que enquanto avanço pelo galpão olhos me observam, mas os ignoro pois sei que entre eles está, ou estão os delatores de minha cantiga, e os encomendadores da morte de meu irmão, vou até o fundo do galpão e me deito próximo de khali e digo.

— eu te entendo.

Khali me olha por um instante e assenti com a cabeça em aprovação, e vira para o outro lado. Não falamos nada a noite inteira, mas sabemos que ambos não dormimos.

Nosso último dia na forja foi trabalhoso, estou operando alguns tonéis de metal fervente, de repente me vem a memória da morte de Rhul, e que talvez o tonel que estou operando esteja comportando seus restos mortais e isso faz com que eu vomite, recolho um balde com pano e limpo tudo antes que um supervisor chegue. No almoço pergunto khali qual desculpa ele deu aos supervisores e médicos para os nossos ferimentos devido a nossa luta, ele diz que lhes falou que caímos e rolamos 2 metros em uma pilha de metal liso e mármores achatados enquanto andávamos sobre a escavação.

— Eles acreditaram? — Pergunto.

— Eles não ligam para nossas vidas, se quer sentiram falta do seu irmão.— Diz ele apertando os punhos envoltos da caneca de água.

O assunto morre.

A seguir, somos mandados pegar nossos pertences pôs concluímos nossos quatorze dias de treinamento, estou com a cabeça a, mil pôs não sei como contar a minha mãe sobre a morte de Rhul, quando estamos quase chegando a nossa carruagem, supervisores, param a mim, e khali e o levam de volta para dentro das minas, eu tento lutar para que não o levem, mas sou detido e levado para minha carruagem a força, a única coisa que pude ouvir foram as últimas palavras de khali.

— Ghray! Ghray! Por favor. Avise meu pai, diz que eu o amo.

Quando estou prestes a gritar de volta para ele...

Bummm.

A porta da carruagem se fecha e começa a seguir caminho.

Merda, merda, merda, merda… penso.

Sou ordenado a ir para um canto e me acomodar, pôs foi informado que a viagem seria complicada pôs havia uma tempestade se aproximando, e há grandes possibilidades de cair quando estivermos voltando para casa. Vou para os fundos do veículo e me acomodo no chão mesmo. Khali. Seu nome ecoa em meus pensamentos. Khali, será que ele está bem? Não. Não está. Tenho certeza de que não está. Certamente a morte dele estava encomendada. O que me leva a pensar que a minha também esteja, é só questão de tempo para descobrirem meu envolvimento involuntário na morte de Rhul e o supervisor, e agora na morte de khali, mas isso não é minha maior preocupação, a forma que transmitirei meus pêsames a minha mãe pela morte de Rhul, e ao Sr. Tolitis a morte de khali, isso sim, me perturba. Passo a viagem toda quieto, intacto, nada é proferido de minha boca, quando chegamos ao nosso vilarejo desembarcam, eu, e os três jovens cujo subiram na carruagem com Rhul e eu a catorze dias a atrás. Não quero ir para casa e ter que dar a notícia de que minha mãe e irmã não só perderam o marido, e pai, como também perderam um filho e irmão, então mudo o caminho e corro, corro rapidamente para meu desfiladeiro onde sempre vou para refletir, enquanto corro, a chuva começa a cair e o clima ficará humido que dificulta a respiração, mas continuo correndo, enquanto corro a maldita cantiga volta a minha mente então começo a socar minha cabeça para afastar os pensamentos da canção que ocasionará a morte de meu irmão. Quando chego ao penhasco sento em sua beira, e a li permaneço por horas até que a chuva para, e um arco-íris se forma no céu. A cena me traz a memória uma lembrança a muito esquecida. Rhul, khali e eu costumávamos em dias como este nos banhar e um bosque que transbordava sempre que chovia tanto como hoje, mergulhávamos e saltávamos de árvores direto na água, e sempre que a chuva sessava corríamos para o desfiladeiro para observar o arco-íris que estava sempre presente. Agora só eu estou observando o arco-íris.

Só eu...

— Ghray? — A voz de minha mãe chega a mim como uma flecha que me atinge trazendo-me de volta a realidade.

Viro-me para ela, olho em seus olhos, e seus olhos encontram os meus, ela pergunta por Rhul, mas permaneço quieto. Então um oceano de lágrimas que eu estava segurando a dias jorram e caio de joelhos., não preciso dizer nada, minha mãe sempre teve um talento para entender o que as lágrimas diziam, como se cada lágrima possuísse sua própria voz. Então ela corre até mim, me abraça, e ali choramos amargamente juntos, ali com nada além do vazio obscuro do luto como testemunha novamente, soluçamos, gritamos e lamentamos, nossa dor se amplifica em duas, cinco, oito, cem vezes, pela última hora apenas lamentamos e choramos em frente ao desfiladeiro e o arco-íris que agora parece comportar só cores cinzentas e um limpo preto.

Após nosso momento de melancolia, minha mãe e eu fomos para casa informar Zoe sobre o ocorrido, mas não conseguimos, quando ela soube da morte do pai ficou doente, E não podemos ter o luxo de ficarmos doentes sendo que não temos condições de comprar remédios, mesmo que sejam caseiros. Zoe ama Rhul, então optamos por contar uma mentira que pudesse evitar uma grande dor.

Mas não conseguimos. É impossível olhar nos olhos de Zoe e menti para ela, então ela chora, todos choramos novamente, uma noite longa que perdura entre soluços reprimidos e fungadas abafadas. Zoe dorme ao meu lado mais leva um tempo para adormecer.

Eu, por outro lado, permaneço acordado, algo que tem sido recorrente e que já não me incomoda mais, apesar de está acabado, no dia seguinte crio forças e coragem para comunicar o ocorrido com khali ao pai dele. Dou a notícia logo cedo pôs tenho medo de perder a coragem no decorrer do dia, ou do próprio Senhor Tolitis vir até mim, questionar-me de onde se encontra seu filho. Dou a notícia, e ele chora, dou um abraço para o confortar, porém, é o máximo que faço, além de dar uma satisfação chula sobre o ocorrido com seu filho, apenas disse que Rhul e khali sofreram um acidente no setor de tonéis de metal. Fui um tanto frio. Um tanto? Não. Fui uma montanha de gelo, mas tive de ser pelo fato da situação está sendo incrivelmente insuportável para mim, em seguida vou para casa e fico sentado na mesa de tronco de árvore por horas até que minha mãe chega até a mim.

— Como está se sentindo? — pergunta ela.

— Como se tudo isso fosse culpa minha.— digo com a minha voz ressoante, roca, rasgada, e minha garganta dói ao proferir quais quer palavras.

— Não diga isso. Nunca mais diga isso, foi uma tragédia o que aconteceu com seu irmão.

— Uma tragédia causada por mim mãe, se hoje te falta um filho nessa mesa, é por minha causa, e devido à maldita cantiga do meu pai. — grito minha última frase.

— Está com raiva, e está sofrendo eu entendo. Mas não culpe os mortos, e nem se culpe.— A serenidade com que ela fala me irrita, mas, no fundo, sei que ela está sofrendo tanto quanto eu.

— Não aguento mais mãe. Nova Cairo é injusta, nossas vidas são injustas, trabalhamos uma vida para que outro povo desfrute do que produzimos, e somos recompensados com migalhas, não quero mais isso nem para senhora, nem para Zoe. — Digo e antes de concluir minha oferta o bater na porta atrapalha nossa conversa.

Minha mãe vai até à porta, e quem está atrás dela é um supervisor, mas diferente dos que costumamos ver em Troncoh e nas minas, suas roupas são iguais dos supervisores daqui, mas possuem colorações diferentes, e muito mais adereços e joias por todo traje.

— Boa tarde o que deseja? — Questiona minha mãe.

O senhor apenas entrega um papel dourado com adereços de esmeraldas e mármore liso, e em seguida se vira e vai embora. Minha mãe para por um instante e ler o conteúdo da carta.

— Que está escrito? — Pergunto.

Sua expressão murcha, e lágrimas rolam pelo seu rosto.

— o que foi mãe? — Pergunto alterando o tom. Se virando para mim ela fala.

— Você está sendo intimado a participar do desafio de sangue.

Meus olhos se arregalam e deixo a minha caneca cair no chão e ela se estilhaça em milhares de fragmentos de vidro. Eu vou para o desafio de sangue, ecou suas palavras. Eu vou para o desafio de sangue. Vou para o desafio de sangue. Essa frase perdura em meus pensamentos. Minha mãe me abraça, mas não choramos pôs não temos, mas lágrimas que possam ser derramadas, mas o lamento sepulcral está novamente em minha casa. Começo a me questionar se fiz algo de tão ruim para que todo esse caos e sofrimento caia sobre mim e minha família, porque o universo coopera tanto para minha dor? Mas enfim, eu deveria saber que isso aconteceria uma hora ou outra, todos os anos jovens de todas as famílias devedoras do sistema de cota torhy’s, são mandados para quitar as dívidas de suas famílias com suas próprias vidas. É cruel e sádico, mas como justificativa o governo Ictohrino diz que o desafio de sangue é um sistema que funciona, dessa forma eles alegam controlar a alta população e a divisão de recursos.

Bom. Penso que essa baboseira toda só se aplica a Ictohrux é as demais províncias de Nova Cairo, pôs aqui em Troncoh vivemos das migalhas e restos, somos esquecidos, que faz com que todos em minha província, acredite que somos apenas úteis para esculpir mármores e fundir bronze e metal para seus Palácios e monumentos, e contribuirmos de forma considerável para o massacre do desafio de sangue, pôs somos a província com o maior número de devedores do sistema por não termos tanto com o que colaborar segundo o governo.

Os, insulto em meus pensamentos. Trabalhamos como escravos e não temos valor. Cuspo de ódio.

Minha mãe interrompe nosso abraço e lê algo mais, na carta exageradamente enfeitada.

— Diz mais algo? Pergunto nos colocando de pé.

— Sim. — Responde ela dando uma pausa e prosseguindo logo em seguida.

— Eles virão amanhã recolher todos os jovens de nossa província intimados a irem para o desafio.— Encerra minha mãe.

Dessa vez decidimos deixar esses acontecimentos, minha participação no desafio de sangue ocultos de Zoe, simplesmente falamos que vou fazer uma viagem e que em algumas semanas estarei de volta.

Já é noite e estou refletindo sobre tudo que ocorrerá nas últimas semanas. A morte de meu pai, a morte de Rhul e khali, minha inevitável participação nos desafios, e a forma que ainda não enlouqueci decorrente a tudo isso, algo que se acontecer, seria bem justificável, pôs a pressão psicológica que esses acontecimentos ocasionam é quase insuportável, mas ainda estou de pé. São. Começo a focar meus pensamentos no desafio de sangue, essa competição tão temida pelas províncias e principalmente pelos jovens de famílias devedoras, onde centenas de garotos morrem e apenas 5 saem com vida, sendo um representante de cada uma das 5 províncias.

Começo a cogitar minha morte, mas também começo a cogitar minha vitória.

Levanto e dou alguns passos por minha humilde casa, paro enfrente ao quarto de Zoe e vejo o quão sereno e lindo é seu rosto enquanto dorme., como uma corrente elétrica por todo meu corpo uma conclusão me alcança.

É por ela, penso. É por elas que tenho que vencer, é por elas que vou vencer, e por Rhul e por khali e por meu pai, eu vou vencer. Vou para meu quarto e faço algo que há muito tempo se tornou um desafio para mim, vou para meu quarto e durmo. Durmo como Zoe, durmo como se não houvesse com o que se preocupar. Simplesmente durmo. Sou acordado por gritos e confusões matinais normais em dias de coleta dos participantes, jovens sendo arrastados de suas casas e lutando contra os supervisores para não serem levados, famílias gritando e chorando suplicantes para que não fossem tirados seus filhos.

É triste.

Por outro lado, apenas me visto e desço e vou ao encontro do supervisor que já está a minha porta, não questiono, não luto, não faço nada apenas vou em direção a ele.

— De Troncoh saímos. — Diz minha mãe segurando suas lágrimas com, zoe agarrada a sua saia.

— para Troncoh voltamos.— Digo de volta.

— Em breve vou está de volta, podem contar com isso.— digo virando de costas e dando uma piscadela para Zoe.

E com um sorriso sarcástico em meu rosto vou embora.

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AV Andrea Vidal
Início bem chato, mas depois é só desgraça na vida do garoto kkk. Curti!
July 10, 2023, 11:07
DS David Suzano Narvais
Eita porra o que é isso que eu li!!! ❤️❤️❤️❤️
November 25, 2022, 16:21

MR Marcelo Rangel Silva
Não esperava menos do PBO conceito interessante de distopia
November 24, 2022, 10:53

~

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