uma_chapeleira_maluca Lyne Gomes

Um conto sobre tristeza e alegria. Tento passar a mensagem de como são importantes experenciá-las e como é mais fácil lidar quando se tem o outro, quando se tem ajuda.


Histoire courte Déconseillé aux moins de 13 ans.

#vida #conto #dor #Amizade
Histoire courte
1
679 VUES
Terminé
temps de lecture
AA Partager

Pra Quê Chorar?

Talita era uma menina sempre em busca da próxima diversão. Quando a tristeza ameaçava surgir, ela logo arrumava um jeito de atrasá-la. O que iria sempre ter espaço em seu coração era a alegria

O sorriso era sua introdução e o desenvolvimento eram seus risos e a maneira divertida de descrever as situações de seu dia a dia.

Logo conseguia companhias que gostavam e precisavam se aquecer em sua luz vibrante. As pessoas chegavam a pensar que Talita era imune às dores, mas Julia desconfiava que o coração dela doía como qualquer outro, no entanto, era rápida em apaziguá-lo.

Quem a conhecia, sabia que foi trocada por um homem pela própria mãe, nunca conheceu seu pai e trabalhava às duras horas e sob condições questionadoras numa lanchonete para ajudar seus tios nas despesas de casa e do tratamento da doença grave que sua pequena prima enfrentava diariamente.

Dava um baita contraste sua estória de vida com sua personalidade.

Um dia, em seu início, Julia e Talita se preparavam para a caminhada matinal que costumavam fazer. Julia perguntou como andava as coisas para Talita e sua resposta revelou estarem cambaleando, prestes a tombar.

O plano de saúde não conseguia mais cobrir todos os tratamentos necessários que a prima precisava para enfraquecer sua doença. Era preciso mais dinheiro para não só esse percalço, mas também para o aumento do aluguel, gás e energia elétrica.

O sonho de iniciar seu curso de fisioterapia foi novamente adiado. Não poderia pagar outro curso preparatório para o Enem, e sequer se dedicar aos estudos, pois o tempo era outro sacana com ela.

Mas Talita temperava aquelas situações contadas com seu típico bom humor. Dizia que chorar e viver pra baixo não a ajudaria e nem àqueles que amava.

Julia não concordava.

"Taly, te admiro em buscar luz em meio a esse momento sombrio, de verdade. Isso te faz forte, mas também alienada."

"Você precisa ficar triste também. Não é um estado legal, mas irá te preparar para melhor lidar com tudo isso também, assim como seu otimismo."

Talita rebateu.

"Me preparar? Para o quê? Para estragar o dia da minha prima que já é estragado o suficiente com aquela doença? Ou da minha tia que já tem de lidar com um patrão e funcionários abusivos todos os dias? Ou os MEUS dias no trabalho me fazendo perder o emprego? Você sabe como minha patroa é. Sempre quer que sua lanchonete pareça a Disney. Você não sabe o que tá falando. Não há motivo pra ficar chorando pelos cantos. Só torna tudo muito pior"

Ela completou com rispidez e um brilho leve nos olhos. A inimiga lágrima querendo aparecer e fazer seu show.

Julia se silenciou por um tempo e em seguida disse à amiga:

"Você tem todo o direito de ficar com raiva como estar ficando agora. Deixa as lágrimas caírem, deixar a dor latejar. Vou ficar aqui com você quando terminar."

Ainda gentil e calma, Julia completou:

"Sabe, nunca contei, mas algumas vezes, quando estava na bad, eu gritava. O mais alto e com mais fúria que conseguisse. E xingava em voz alta, mesmo parecendo uma louca, rsrsrs. Me isolava em algum lugar e fazia tudo isso. Te juro, me ajudava. Eu entendi que eu deveria me irar e chorar diante daquela merda do momento, pra coisas clarearem na minha mente e saber o que fazer."

Rindo, ela ainda falou:

"Pode continuar xingando as atitudes escrotas da sua chefe. Sou toda ouvidos."

As duas riram, e logo Talita se revoltava com cada ato soberbo e explorador que sua patroa fazia, quando os mesmos vinham à sua mente.

O choro preso à garganta aos poucos escapava.

"Já tentei procurar algum emprego mais digno pra poder ajudar mais em casa e me preparar pra vestibulares, mas agora entendo melhor meu tio por ainda estar desempregado. Tá tudo um caos nesse país."

"Minha priminha tem esses novos exames e tratamentos pra fazer, e isso é o que mais me desespera, pois, se trata da vida dela e o dinheiro mal paga a comida e as outras necessidades... Não consigo entender esse negócio de saúde ser também comércio. Como assim porra? Não é um direito humano?"

"Eu queria já estar cursando um curso superior, já queria estar em uma universidade. Teria uma chance maior de ganhar um salário mais vantajoso, de lutar contra a filha da puta daquela doença junto com el... Que merda, que merda!"

"Ela é só uma criança. Como pode carregar um fardo desses?"

Talita já não se importava com a raiva, o rosto e olhos vermelhos e úmidos. Decidiu então soltar um estridente e poderoso grito. A dor, a tristeza, a ira, a frustração estavam presentes sem qualquer impedimento em seu coração.

Julia que chorava e ouvia tudo, a abraçou. Dessa vez só ouvia os soluços e suspiros da amiga. Protegia Talita naquele abraço e dizia:

"As coisas vão se tornar claras logo, logo. Você vai entender e vai superar isso da melhor forma. Você estará aberta a isso, mas por agora, chora. Vou ficar aqui até terminar."

27 Juillet 2022 23:48:04 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
2
La fin

A propos de l’auteur

Lyne Gomes Amante de livros, sorvete e girassois^^ Uma jovem nordestina de cidade pequena que sonha grande. Um tanto estranha, atrapalhada, insegura e esperançosa, e é nas palavras que ela lida melhor com tudo isso. 🎩🫖 •●.°

Commentez quelque chose

Publier!
Il n’y a aucun commentaire pour le moment. Soyez le premier à donner votre avis!
~