asheviere Marianna Ramalho

Após ser condenada à morte pelo atentado terrorista contra à Bifrost e a consequente morte de Baldur, Loki desperta aprisionada, porém ainda viva, para descobrir que Odin tem planos diferentes para ela. E lamentar pela doce morte que lhe foi negada. [Oneshot | Loki/Sigyn | Inspirada pelo álbum The Bifrost Incident, de The Mechanisms]


Histoire courte Déconseillé aux moins de 13 ans.

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Histoire courte
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Erase me, unmake me.

Notas: Eu acho que ninguém conhece The Mechanisms, mas espero que dê para entender a fic mesmo sem contexto, me esforcei para isso. Se passa antes do álbum, de qualquer forma. Só tenham em mente que em The Bifrost Incident, Loki e Odin são mulheres.

***


A luz branca brilhando sobre ela dificultava o esforço de manter os olhos abertos, e as dores fortes na cabeça e no peito ecoavam os eventos de suas memórias mais recentes. Muitas coisas confundiam seus sentidos já bastante desorientados, mas o que mais chamou sua atenção, a maior estranheza, maior peça deslocada, era o próprio fato de estar ali, de olhos abertos e ainda respirando, para observar todas essas coisas.

Loki havia acordado, e isso não deveria ter acontecido. Significava que ainda estava viva quando tinha suas dores para lembrá-la de que não deveria estar. Dores do corpo e da alma. Logo a memória de Sigyn retornou, seu olhar aterrorizado enquanto corriam na direção uma da outra. Por um instante, Loki pensou que conseguiria alcançá-la. Fugiriam para Midgard, se esconderiam com os outros membros da resistência de Fenrir, e continuariam suas vidas pensando em um dia de cada vez…

E no instante seguinte, estava grata por não ter conseguido.

No chão, com os Asgardianos em volta apontando suas armas, arrastando-lhe para longe de sua esposa, Loki apenas esperava que ela a perdoasse por deixá-la sozinha quando havia jurado que sempre estaria ao seu lado, mas agradecia por não arrastá-la para a execução também. E nos olhos de Sigyn no meio da multidão que as separava, viu a mesma dor da perda e da culpa, quase como se ela achasse um crime não ficar ali para morrer ao seu lado.

Loki tentou se sentar. Só então percebeu as amarras que restringiam seus braços, suas pernas e o tronco, impedindo qualquer tentativa de movimento. Conforme a mente clareava, o receio retornou. Lady Odin tinha lhe condenado à morte pelos ataques terroristas, e a autoproclamada Mãe de Todos não costumava mudar de ideia. Misericórdia significava apenas trocar a morte certa por um destino pior.

Como se atraída pelos pensamentos, Loki ouviu o deslizar das portas em algum lugar do quarto que não conseguia ver. Passos firmes indicaram uma aproximação, então Odin apareceu em seu campo de visão, o rosto normalmente sério agora mostrava sinais de uma expectativa contida, seu olho esquerdo brilhava com um anseio execrável ao lado do tapa-olho que escondia o direito.

— O que está acontecendo? – exigiu saber, mas o fato de achar que podia fazer exigências desse tipo pareceu divertir Odin. Mau sinal. Pelo que tinha feito com os testes do projeto da Bifrost, o buraco de minhoca artificial que tinha sido a paixão científica da governante de Asgard pelos últimos trinta anos, Loki achava que Odin a mataria com as próprias mãos no momento em que a encontrasse.

— Estamos retornando com o projeto do Expresso Ratatosk, é claro.

Loki deixou escapar um riso curto e amargo, tentando parecer confiante. Não podia ser verdade, não depois de tudo o que tinha feito. Os mísseis não apenas destruíram os trilhos do Ratatosk, o trem espacial que Odin tanto sonhava lançar através da Bifrost, que faria o trajeto de Asgard à Midgard em apenas 3 dias. Também havia explodido a base que monitorava os testes e todos os arquivos do projeto.

— Você não pode recomeçar o projeto, tudo foi perdido. Todos os cálculos, os esquemas, os relatórios... – Dizer em voz alta a fez relaxar. Tinha conseguido, tinha certeza disso.

Mas a permanência da calma de Odin minava sua confiança, aquele ar arrogante e condescendente.

— Você se engana. Nem todos os arquivos foram perdidos. – Odin se moveu, desaparecendo de sua visão por um instante. Logo reapareceu, dessa vez na cabeceira da maca, e apesar da tentativa de recuo de Loki, pousou a mão na lateral de seu rosto em um gesto quase afetuoso. – Você trabalhou para mim por mais de trinta anos, Loki. Se queria destruir o projeto do trem, deveria ter morrido no local. Deveria ter morrido na explosão, deveria ter morrido com Baldur.

A menção a Baldur ainda era uma questão delicada. A morte dele não era sua intenção, mas a provocaria outra vez se isso impedisse a abominação científica que Odin estava construindo. Mas o que mais lhe dava asco era saber que Odin tinha ficado mais enraivecida pelo atraso dos planos do que pela morte dele.

— Mãe de Todos, realmente se tornou uma velha tola se acha que vou ajudá-la e trabalhar com aquilo porque me poupou. Seu perdão não vale o bastante.

— Acho que você me entendeu mal. Loki não foi perdoada. Loki foi executada. Todos viram, mesmo a pobre Sigyn, onde quer que sua resistência se esconda. Não é de Loki que eu preciso, muito menos de suas opiniões. – Da cabeceira da maca, seu sorriso invertido parecia inebriado. Com a mão que ainda estava em seu rosto, tamborilou de leve o indicador em sua têmpora duas vezes. – Apenas de seu conhecimento.

A temperatura da sala pareceu esfriar mais do que as luas de Jotunheim. Um destino pior do que a morte... Loki lutou com as amarras, mas elas permaneciam insensíveis ao seu desespero quando Odin se afastou outra vez.

— Espere! Espere, eu…

— Mesmo que decidisse cooperar, você provou que não é mais confiável. – O som de instrumentos desconhecidos sendo dispostos em uma mesa cortou a fala. Loki sentiu o suor nas mãos. – Mas eu farei com que seja.

— Odin, ouça a razão! O trem vai nos destruir, vai destruir tudo! Você estava lá quando testamos a Bifrost, não viu o que há além dela?! Não ouviu?!

— Ouvi... – Havia deleite na voz dela, apenas confirmando as suspeitas que Loki tinha quando abandonou o projeto e fugiu para Midgard. O Vazio a tinha mudado. – Além das estrelas, o Vazio canta para mim, e eu responderei ao chamado.

Antes que pudesse tentar responder, embora fosse óbvio que nada iria dissuadi-la, a dor lhe invadiu, tão forte e súbita que tudo ao redor desvaneceu por um instante, apenas a luz no teto permaneceu em seu lugar. As amarras apertaram com mais força, ou então estavam apenas resistindo ao impulso involuntário do corpo. Arquejou, tentando atrair mais do ar que parecia inútil em seus pulmões. Odin era apenas um vulto borrado a sua esquerda, segurando um de seus instrumentos. Ela alisou seus cabelos, afastando-os dos olhos para encará-la, e Loki quase não entendeu suas palavras que pareciam sussurros distantes.

— Não se preocupe, eu sei como preservar os conhecimentos úteis, mas vou livrá-la do encargo de suas distrações.

— Si... gyn…

— Não é fácil se deixar apagar, não é fácil se permitir deixar de ser. Então é um processo doloroso, infelizmente. – Ela não parecia infeliz. – Mas a duração dele vai depender de você.

A dor queimou novamente, porém frio, algo como uma corrente elétrica de origem desconhecida estendendo-se por cada músculo e tendão. Na terceira vez, soube da origem. Era algo atrelado em sua cabeça, ou um toque demorado em seu pescoço, ou uma agulha em seu braço... Nem sempre era elétrico, nem sempre queimava, nem sempre era frio, mas Odin estava sempre por perto. Nem sempre era dor. Às vezes era a falsa paz injetada em suas veias, feita para nublar os pensamentos. Mas Loki jurou que iria resistir. Podiam privá-la da vida, mas não das memórias sobre o que era viver. Quando ficava sozinha, sentindo o corpo dilacerado por dentro, apenas não sentia a mente em igual estado por se agarrar ao que mais lhe importava.

Sigyn. Sigyn. Sigyn.

Sempre repetia para si mesma, como se estivesse segurando sua mão para impedi-la de se afastar. Era apenas um nome, mas sentia como se fosse capaz de lhe curar todos os ferimentos que conseguia perceber e os que não conseguia. Era uma promessa do que buscar, embora não acreditasse que poderia sair dali.

Sigyn. Sigyn. Sigyn.

Não deixaria que tirassem a vida que tinha, a pessoa que era, não deixaria que partissem sua mente em pedaços. Mas por mais que assegurasse isso para si mesma, após alguns dias (ou semanas, ou meses?) suas juras mentalizadas pareciam valer menos do que seus gritos. Estava em pedaços, por dentro e por fora. Não percebia mais a presença de outra pessoa na sala, ou não conseguia associá-la como a causa de tudo. Era feita de quadros em branco, todas as memórias escorrendo pelas paredes. A resistência midgardiana não significava nada. Midgard não era nada. A culpa por Baldur desapareceu. Baldur em si desapareceu.

Às vezes olhava ao redor e sabia que não estava onde devia estar. Mas também sabia que não conhecia nada fora daquele lugar. Ouvia a própria voz em um fragmento de memória e não conseguia reconhecer a quem pertencia. Intacto, só havia restado o trem, a Bifrost, informações e estudos que, ao mesmo tempo que lhe confortavam por ter algo ao que se agarrar, não conseguia evitar a sensação de que queria tudo aquilo esquecido. Essa sensação não precisou ser arrancada, ela mesma a reprimiu, porque não fazia sentido algum sozinha.

Quando não mais lembrava de já ter sido uma pessoa inteira, quando todos aqueles vazios começaram a lhe parecer algo natural, a dor deixou de ser uma visita tão frequente. E isso era melhor. Os choques pararam, o frio em seu peito e o fogo em suas veias também. E isso era melhor. A mulher com um tapa-olho lhe ajudou, cuidou de seus machucados, entregou-lhe um caderno com rascunhos e esquemas que, apesar de incompletos, conseguia entender perfeitamente. E isso era melhor. Parecia certo. Mais do que o rosto turvo e o nome desconhecido que continuavam aparecendo em sua mente sem qualquer significado.

Sigyn...

Jurou que nunca arrancariam o nome dela de sua boca ou o rosto dela de seus sonhos.

Sigyn…

Com lágrimas nos olhos, a imagem dela desvaneceu de sua mente, escapou pelos seus dedos.

Sig…

Quando esqueceu por quem chorava, as lágrimas pararam.


3 Avril 2022 12:53:26 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Marianna Ramalho Também posto no Nyah, no Spirit e no Wattpad sob o nome de Jupiter L. Se houver interesse pela minha escrita de forma "integral", sugiro acompanhar pelo Nyah ou Inkspired. Nem todas as histórias são postadas no Spirit e no Wattpad.

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