theblueb0y Levi Luka

Onde Itachi é apaixonado por Sasuke e passa a sofrer da doença de Hanahaki, tal qual o faz tossir belas pétalas de camélias vermelhas, as favoritas de seu irmão mais novo. Porém, Sasuke está com outra pessoa, e Itachi se vê desencorajado a contar seus sentimentos por querer que o caçula seja feliz com quem ama. Seu cérebro entende isso, mas seu coração zonzo de paixão e seus pulmões afetados pelo amor não entendem isso, e seus lábios se recusam a interferir no relacionamento do irmão. Nessa situação, Itachi vê a si mesmo sufocado entre as pétalas e as palavras. [Hanahaki|Angst]


Fanfiction Anime/Manga Interdit aux moins de 18 ans.

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.Camélias Vermelhas.

Lembro-me que foi numa tarde ensolarada de um sábado, no qual estava esparramado no sofá da sala de minha casa, que senti algo fazer cócegas em minha garganta.

De imediato, o que passou pela minha cabeça, foi que era o costumeiro incômodo e o choro reprimido, como um nó bem no meio da traquéia que trancava a respiração. Aquela mesma sensação que me tomava quando via o protagonista de meus pensamentos doentios e pecaminosos com Uzumaki Naruto, seu namorado.

Eu tossi para aliviar a inquietação e, para minha surpresa, uma pétala escorregou de meus lábios e esvoaçou de maneira graciosa, como o vestido de uma dama quando rodopiava, caindo sob minha mão com a suavidade que as folhas de outono decaem ao chão.

Era colorida em vermelho, com uma superfície macia e borda arredondada. Naquela hora, não entendi o que havia acontecido, fiquei com medo de ter engolido uma pétala de flor e fechei minha boca o máximo de tempo que podia, evitando que pudesse deglutir mais da planta.

Tsc, mal sabia eu com o que estava lidando.

Quem diria que os sentimentos inadequados pelo meu irmão mais novo desencadeariam aquilo? Já era desesperador o fato de estar apaixonado por alguém proibido, e era duas vezes pior quando este alguém fazia pétalas suscitarem em minha garganta.

Pétalas de camélia vermelha, as favoritas de meu Otouto.

O engraçado era que elesupostamenteodiava flores. Bom, pelo menos até Naruto declarar-se com um belo e vasto buquê de camélias vermelhas, cujo Sasuke passou horas com um sorriso frouxo desenhado nos lábios, deixando o perfume levemente adocicado adentrar suas narinas, acariciando as flores com o mesmo esmero que afagava meus cabelos quando estávamos juntos e, de quebra, futucou toda a internet atrás do significado delas, chegando animado para falar comigo que elas representavam o amor romântico e paixão desenfreada. Não demorou muito para que ele ficasse completamente apaixonado naquela flor, e não o julgava por isso.

Como o amoroso irmão mais velho que era, sorri e escutei atentamente, parabenizando-o pelo namoro, mas a verdade era que meu peito doía, e forcei as lágrimas e soluços pesados para dentro.

Foi sempre assim. Itachi: o garoto quietinho, obediente, calado, responsável, que não trazia problemas. Sempre engolira tudo que sentia para mim, e tornei-me um adolescente nervoso que constantemente engolia sapos para não incomodar as outras pessoas. E o mais irônico de tudo isso, é que aterrei tanto essa paixão por Sasuke, que agora não engolia somente sapos, mas também pétalas.

A coceira irritava minha garganta quando via meu tão amado irmão mais novo com o loiro que roubara seu coração — e o roubara de mim — e, em vez de tossir e deixar ir, prendia-nas e não ousava abrir a boca, assim como fazia com meus sentimentos. Tudo isso para que ninguém notasse o que se passava comigo.

Porém, era árduo esconder quando eu constantemente tinha crises de tosse quanto meu ciúme contagiava meu corpo, ou quando a tristeza de saber que nunca poderia tê-lo para mim era arrebatadora. Eu dava a desculpa de ser gripe, e ao menos parecia funcionar.

A cada vez que aquela sensação horripilante subia pela minha garganta, tinha vontade de contar para Sasuke meus sentimentos, mal podia me conter. Sei que era um desejo egoísta ter Sasuke para mim, e me culpava, ficando péssimo por Naruto-kun por desejar seu homem.

E, apesar de tudo, eu não teria coragem para falar. Sou um covarde. Covarde até a última gota de meu ser, até meu último fio de cabelo.

Como eu conseguiria fazer isso, quando meu irmãozinho ficava com os olhos tão brilhantes quando falava sobre Naruto? Como eu conseguiria fazer isso, quando o Uzumaki o fazia tão bem? Sasuke era um rapaz acanhado e frio, só conseguia se soltar comigo, mas o loiro havia mudado aquilo em si. Era o que sempre quis, que ele interagisse mais. Não podia tirar isso dele por causa de um mero capricho incestuoso. Tudo que eu queria era que ele fosse feliz, e ele seria com Naruto, isso bastava para mim.

Todavia, isso não bastava para meu coração cego de paixão e para meus pulmões afetados pelo amor que sentia por ele, e não importava o que eu dissesse para meu cérebro, as flores que meu corpo cultivava não parariam.

A cada dia que passava, a quantidade de pétalas crescia, e tudo começou a desandar de vez quando Sasuke encontrou-me empapado de suor sob os lençóis, respirando ofegante, com os olhos marejados, tossindo sangue e de garganta dolorida. Ele pegou-me no colo, desesperado, passando a mão pelo meu rosto exausto, segurando minhas mãos, que não tinham forças para retribuir o contato.

Enquanto ele tentava cuidar de mim, meus olhos seguiam para o pequeno móvel no canto do quarto, sustentando um olhar com o vaso de camélias vermelhas que haviam saído de mim. Flores inteiras. Havia doído como o inferno, destroçado-me por dentro. Elas não passavam pelo vaso sanitário, então precisei deixá-las em algum lugar.

Como se não bastasse o ardor na garganta, agora tinha a prova material de minha sina.

Meus pais sempre haviam falado que devia tomar cuidado com o amor, que ele curava, mas também podia machucar. Eu fui descuidado, esqueci esse conselho, e agora esse é o preço que pago.

Coincidentemente, a única coisa que poderia me curar, seria o amor recíproco por parte do Sasuke. Eu me recusava a isso, mas também rejeitava a possibilidade de uma cirurgia para remover o caule dos buquês, pois a consequência seria esquecer para sempre de Sasuke, e isso era uma ideia insuportável para mim. Além de tudo, caso eu contasse, me encheriam de perguntas que não sei se estou pronto para lidar e responder, seria melhor deixar como estava.

Nada mudaria minha mente, estava decidido a morrer com aspalavras e pétalas sufocadasem minha garganta, mesmo que isso me assombrasse.

Na mesma noite que decidi isso, passei a noite em claro, com Sasuke grudado à mim, cuidando da minha saúde frágil, me medicando com xarope para tosse. A maneira que ele sorria e me olhava era tão doce... E a forma como ele deixava eu descansar minha cabeça em seu colo, acariciando meu rosto e apertando minhas mãos com força para garantir que eu iria ficar bem... Ah, mesmo sabendo que não devia, eu me derretia!

O nó na garganta veio por volta das 21:00 PM. Eu tossia abrupto para aliviar a coceira, mas nada vinha. Em contrapartida, podia sentir uma grande leva de flores subindo, e tinha ciência que já não duraria muito tempo neste mundo. Quando o relógio bateu 04:00 AM, corri de pernas bambas e cambaleando até o banheiro, sendo seguido por Sasuke, que segurou meu cabelo, alisando minhas costas ao me ajoelhar perante o vaso.

Expeli camélias vermelhas suficientes para fazer um buquê. Eram tão rubras que misturavam-se à cor de meu sangue. Fiquei hipnotizado, pois eram realmente bonitas. Deixei-me levar pela delicadeza das flores, até recordar-me que elas seriam o motivo de minha morte.

Mas fazer o quê, não é? Já não tinha saída, e quando isso acontece, o que me resta é tentar enxergar algum resquício de poesia e encanto em minhas algozes e tragédias.

Eu amava Uchiha Sasuke, meu pequeno e adorável irmãozinho. Amava tudo nele, desde seu mau humor e falas rabugentas até os sorrisos que ele só soltava quando estava comigo. O amava de um jeito tão arrebatador e intenso que chegava a ser torturante. Acho que não conseguiria amar se isso não me chacoalhasse, dobrasse e quebrasse em mil estilhaços.

Naquela mesma noite, não teve jeito. Sasuke correu às pressas para chamar uma ambulância em plena madrugada, enquanto eu era forçado a vestir uma roupa limpa. Eu andava febril, com o passo fraquejando, o corpo trêmulo.

Recordo-me dos sons estridentes da ambulância, de Naruto acompanhando meu Otouto com os olhos inchados pelo sono, preocupado comigo. O loiro abraçava Sasuke, que chorava copiosamente sob seu peito. Fora a visão mais dolorosa que já havia visto.

Após isso, havia desmaiado, e só recobrei a consciência quando estava acamado no hospital, com o "bip" irritante do monitor de sinais vitais fazendo minha cabeça latejar. Ao meu lado, jazia Sasuke sentado numa cadeira, tomando minha mão entre seus dedos. Sentia que estava recebendo oxigênio, mas isso não me impediu de sorrir fraquinho para o caçula.

—Otouto... — sussurrei, apertando a palma de sua mão calorosa —

—Nii-san?! Ah, graças aos céus! Você está vivo! — ele comemorou com a voz trêmula, mordendo os lábios para não chorar — Fiquei tão preocupado...

—Estou bem, Sasuke. Não precisa mais se preocupar. — menti —

—Mentiroso... — ele resmungou — Por quê não me contou que tinha Hanahaki? Aniki, você precisa fazer uma cirurgia! Ainda dá tempo de reverter! Se não fizer logo, você vai... — ele interrompeu a si mesmo, tristonho —

—Desculpe, Sasuke... Eu não queria incomodar.

—Não incomoda, seu idiota. Sabe que te amo e pode me contar tudo, droga!

—Eu sabia que você ia querer que eu fizesse a cirurgia... Mas não quero esquecer a pessoa que amo, me entende?

—E-Eu entendo, mas... — ele fungou, debrulhando em lágrimas — Dói demais, Itachi! Não estou preparado 'pra ver você partir...

—Eu vou estar sempre com você, mesmo que não seja pessoalmente.

—Nii-san, não me deixe, por favor! — ele implorou — Vai perder sua vida por alguém que não te quer? Você merece mais que isso!

—Não diga isso! Ele é muito importante 'pra mim! — me exaltei, acabando por tossir —

—Se acalma, ou vai piorar! — ele me deitou na cama, ajudando-me a regularizar a respiração e os batimentos cardíacos acelerados que apitaram no monitor ao lado da maca — Ita...

—Sim?

—Posso pelo menos saber quem é ele?

Meu coração falhou uma batida com a pergunta, mas, por um momento, senti o impulso de revelar a verdade.

—Não quero que me odeie por isso, Sasuke.

—Não vou te julgar numa hora dessas, só quero saber quem é esse cara que você ama tanto.

Sorri comedido pela fala dele, negando com a cabeça. Eu não tinha muito tempo restando... Então não deve fazer mal, não é?

—Certo... Pode chegar um pouco mais perto?

—Uhum. — concordou num murmúrio —

Chamei-o para perto de meu rosto, e ele veio. Meus lábios trêmulos e glaciais demonstravam meu nervosismo, assim como minhas mãos vascilantes que tocaram com calma seu rosto, desfrutando da textura lisa de sua pele, colando seu nariz ao meu. Meu rosto ardeu como brasa, fiquei tímido e querendo desviar o olhar, mas resisti.

—Me desculpe, Sasuke.

Antes que o moreno pudesse responder, meus dedos finos puxaram com pouca força o tecido de sua camisa, e colei minha boca a sua em um selinho casto, que me deu um friozinho gostoso na barriga e sensação de alívio na garganta. Ele ruborizou, arregalando os olhos em um semblante confuso.

—S-Sou eu? — ele perguntou, ainda atônito —

—Sim, é você. — confirmei, receoso —

O negrume cintilante de seus olhos fitou os meus e, assim como fiz, ele me beijou, surpreendendo a mim mesmo, levando meu fôlego embora consigo. Iria aprofundar o contato de nossas bocas, quando a imensurável vontade de tossir veio de lá de dentro.

—Nii-san?! — ele clamou, nervoso — Itachi? Respira, bota isso 'pra fora, por favor!

Minha visão ficou turva, assim como minha cabeça. As minhas forças estavam se esvaindo, e as poucas que restavam debatiam-se dentro de mim, furiosamente tentando tossir o enorme buquê que queria sair. O oxigênio faltou, assim como a vontade de meus pulmões continuarem a funcionar. O suor descia grosso pela minha testa enquanto escutava os passo de Sasuke correndo e sua voz bradando, clamando pelos médicos. Tossia e rasgava minhas entranhas de dor. Já não era capaz de suportar a magnitude daquela enfermidade. Aos poucos, fui aceitando o que viria. Deitei-me novamente, o coração que bombeava o sangue com lepidez agora desacelerava, e aos poucos a vida esvaíra-se de meu corpo.

Apesar da falta de ar, pelo contrário do que imaginei, minha morte não foi angustiante e dolorosa. Não faleci com o nó das palavras entarameladas na garganta.

Desvaneci com o rosto sereno e o toque amoroso do meu amado, o de sua mão e o de seus lábios nos meus. O canto de seus olhos derramava lágrimas grossas, mas podia enxergar uma nuance de alívio e alegria, com quem dizia"eu fico feliz de ter beijado você antes de partir".

Desvaneci, sufocado entre as pétalas.

Contudo, finalmente, minhas palavras estavam

Libertas.

22 Mars 2022 19:23:12 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Levi Luka 🔹𝕋𝕠𝕠 𝕨𝕖𝕚𝕣𝕕 𝕥𝕠 𝕝𝕚𝕧𝕖, 𝕥𝕠𝕠 𝕣𝕒𝕣𝕖 𝕥𝕠 𝕕𝕚𝕖🔹 Iae, meu nome é Levi. Bem vindes ao meu lar doce inferno. Quer saber um pouco mais sobre mim? Então toma: 🔭Ele/Dele. 🔭LG(B)(T)QI(A)☽☾ ⚧ ♤. 🔭Homem trans. 🔭Obcecado por Naruto. 🔭ShiItaSasu OTP. 🔭Escrevo porquê me completa, me fascina, mas principalmente, para fugir da realidade. 🔭Apaixonado pela arte. 🔭Minhas criações são minha fonte de energia. 🔭#MakeChesterProud.

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