_smoke Nicole vilela

Séculos se passaram, o inverno estava chegando e o trono de ossos permanece intacto sem nenhum herdeiro, a ausência do dragão ancião e a falta de um herdeiro interferiu no mundo apenas com negatividades e destruição. Mas ainda há esperança, com o nascimento de uma criança bastarda em um clã de pouca influência que carrega consigo uma maldição terrível. A guerra se aproxima com a morte de tal clã, uma fugitiva surge das sombras buscando seu caminho até o topo, para salvar sua mãe das garras de seu temível irmão postiço, Violet carrega um incrível poder jamais conhecido por meros mortais, juntamente com um selo em suas costas aprisionando um terrível monstro que tomava posse de seu corpo. A neve caía, e a guerra era infinita, seu destino estava preso junto com os resultados, será que este mundo encontrará a salvação no meio do sangue que banhava a neve por gerações? Só sabemos que... O poder do grito está com ela, uma plebeia bastarda, uma ninguém.


Fantaisie Médiévale Interdit aux moins de 18 ans.

#Medieval #deepoca
13
3.6mille VUES
En cours - Nouveau chapitre Toutes les semaines
temps de lecture
AA Partager

A besta

Violet Adolpha



Sou amaldiçoada desde o dia que nasci por ser bastarda, desde que eu passei a existir minha mãe sofre... E esta é apenas mais uma noite congelante de pesadelos e mau estar. Acordei ofegante em minha cama vendo que o sol já estava nascendo, depois de mais uma madrugada de pesadelos. Me levantei rapidamente colocando os trapos que me deram para eu vestir, enfaixo meus punhos e pulsos e prendo meus longos cabelos em um coque.



Logo um pensamento desagradável se passou na minha cabeça: Hoje é meu aniversário de dezoito anos, e em todos os meus aniversários os meus "irmãos" me preparavam uma "surpresa", penso nessas palavras duvidosas com muitas aspas.

Saí de meu quarto indo para o campo de treinamento, e logo vi meus irmãos treinando pontaria. Peguei uma espada e comecei a treinar tudo que me ensinavam desde os cinco anos de idade, no caso, tudo que eu sei fazer é matar e machucar, e eu nem sou tão boa assim. Comecei a bater no tronco e treinar meus movimentos com aquela espada pesada de aço, até que vejo uma flecha voar perto de meu pescoço e quase me acertar, logo em seguida acertando a árvore que estava na minha frente. Olhei para trás e meus irmãos estavam sorrindo maliciosamente.


– Foi mal aí, bastarda- Falou o irmão mais novo que tinha por volta de doze anos – Se eu soubesse que não iria lhe acertar eu teria mirado mais pro lado- Disse dando uma risada.


– Tenta a sorte, pirralho- Respondi.

– Você tanto treina, mas nem despertou sua maldição ainda. Ah é! Lembramos que você não tem- Falou o moleque se aproximando de mim com o arco e as flechas – Talvez essa noite eu vire Lobo e aproveito pra te devorar- Escuteu isso com muita fúria e logo atolei minha espada no chão.


– Quantas vezes eu trouxe o jantar pra essa casa? Você acha que um Lobo fraco e medíocre como o seu pode deter minha boa vontade? Tenta a sorte, filho da puta. Nem meu irmão de sangue você é- Falei andando e o empurrando no chão, passando logo em seguida por cima – Fica no meu caminho de novo e eu te mostro quem é o fracassado- Saí andando e bufando de raiva, nem percebi mas acabei me deixando levar pelas lágrimas. Levei uma das mãos ao rosto para enxugar a água caindo de meus olhos e acabei esbarrando em alguém, olhei para cima e era Boris, o mais velho.

– Você não deveria falar daquela forma com uma criança, Violet. Vai acabar sendo punida pelos seus atos- Disse Boris com desdém – O que eu te disse sobre chorar?


– Sai do meu caminho, não preciso das suas merdas hoje...- Falei tentando passar, mas ele me empurra e me puxa pelo coque para perto.


– Está rebelde hoje só por causa do seu aniversário, bastarda? Você me respeita, se não já sabe- Falou agarrando cada vez mais forte em meu cabelo.


– Eu não vou me render mais a isso...- Não consegui falar, pois a sua outra mão foi em meu pescoço para me sufocar.


– Insolente...- Disse soltando meus cabelos e acertando um soco em minha barriga, logo em seguida ele me solta e me acerta com um tapa na cara. Tossindo me levantei o olhando com raiva – Ora, vamos! Você nunca me ganhou sequer uma vez!- Disse Boris me provocando.


– Talvez seja a hora de todos vocês me pagarem...- Falei rouca cuspindo sangue, ele veio andando em minha direção tentando me acertar mais um tapa, mas eu me abaixei desviando, para meu azar fui surpreendida com uma joelhada no nariz e caí para trás, mas não era isso que iria me derrubar.


– A bastardinha vai me ensinar como eu devo me comportar? Venha, imponha sua moral!- Gritou com um sorriso nos lábios, corri em sua direção novamente com uma sequência de golpes e acabei acertando sua têmpora com meu cotovelo, o fazendo recuar – Sua vadia imunda!- Gritou vindo em minha direção me socando com toda sua força, consegui desviar do primeiro soco, mas o segundo me pegou de surpresa no queixo e eu caí nocauteada.


– B-boris...


– Eu vou te matar, pode até não ser agora, mas um dia pode ter a certeza disso- Disse cuspindo em meu rosto enquanto eu estava no chão e indo embora, me largando no campo sangrando.


(...)



Abri meus olhos e vi um rosto embaçado a minha frente, escutei uma voz doce e logo reconheci quem era.


– Vi... Vi...- Senti lágrimas caírem sob meu rosto – Não pode ficar aqui, hoje é lua cheia e os meninos vão caçar nas matas, você sabe como os lobos são nesse período.


– M... Mamãe?


– Isso... Eu vim aqui te procurar... Vem, eu te ajudo a levantar- Disse me colocando de pé – Não foi o pior que já te fizeram, mas o Boris não tinha o direito de te machucar desta forma...- Disse limpando meu nariz com um lenço.


– Com o tempo eu me acostumei, tá tudo bem...


– Você não deveria! O que houve?! Por que não bateu nele?- Disse ela me acompanhando de volta para uma das cabanas.


– E-eu tentei... Me perdoa...


– Ei... Não peça desculpas, um dia você vai dar um gostinho disso pra ele- Disse minha mãe com um sorriso nos lábios, o seu sorriso acabou me contagiando – É mesmo! Quase me esqueci!- Falou animada pegando em minha mão e me puxando até a nossa cabana.


– O que foi?- Perguntei dando uma risada, ela abre seu baú e me entrega algo dobrado em um pano de couro.


– Feliz aniversário, minha filha!- Disse alegre – Vamos! Abra!- Falou e eu desembolei o pano, me deparando com um colar contendo um pingente de safira.


– Isso é...


– Sim! Uma safira! A pedra da sabedoria, para te guiar pelo melhor caminho: O da luz!- Explicou com a expressão mais alegre possível – Você gosta?


– Eu amei- Falei o colocando imediatamente – Como você o conseguiu?


– Eu fiz com alguns minérios das expedições, não foi difícil.


– Bom... E-eu não sei o que falar...


– Se anime!- Disse segurando meus ombros – E sempre use esta pedra para te guiar quando não souber o que fazer.


– Mãe...- Meus olhos se encheram de lágrimas – Eu posso chorar?


– O Boris te proibiu de chorar também? Ridículo... Esse homem é uma aberração mesmo- Disse me envolvendo num longo abraço – Desabafe tudo que precisar, minha querida- E foi assim que eu desabei nos braços de minha mãe por horas, a forma que ela me segurava fazia eu me sentir segura para fazer aquilo, mesmo que Boris, meu meio irmão, tivesse proibido que eu chorasse a qualquer custo e a qualquer momento.


(...)



Acordei com uma certa comoção, vi que minha mãe não estava mais ali, mas logo escutei seus gritos do lado de fora da cabana e saí para ver o que era.


– Mãe!- Gritei até o lado de fora e vi meu padrasto a segurando pelos cabelos, minha mãe sangrava e chorava, e quando me viu arregalou bem os seus olhos.


– Violet! Fuja! Salve-se!- Gritou em desespero.


– Lá está ela!- O Mago do clã gritou apontando o dedo indicador para mim, arregalei meus olhos e tentei correr, mas senti Boris me segurando. Meu padrasto veio até mim e me olhou profundamente.


– Vai servir...- Disse com desdém – Leve ela, Boris.


– O que?! Como assim?! Ei!


– Chegou seu dia de servir pra alguma coisa, bastarda- Disse me carregando até a cabana principal, onde os líderes ficavam. Entramos em um quarto com apenas uma cama e uma banheira de madeira com água fervendo.



Fui acorrentada e me jogaram na cama, o Mago do clã pegou um livro que desde criança eu fui proibida de ler e começou a recitar palavras de uma língua antiga enquanto me olhava. Logo senti minhas costas ardendo, como se algo extremamente gelado ao ponto de queimar estivesse me rasgando. Gritei em desespero e senti água fervente sendo jogada em meu rosto.


– Precisa manter o corpo dela aquecido- Meu padrasto falou – O corpo pode ser fraco, mas servirá como pelo menos uma prisão para... Ele.


– O que caralhos eu fiz pra merecer isso?! Me respondam!- Gritei enquanto todo meu corpo passava por uma dor insuportável, wu gritava cada vez mais, nem sequer conseguia sentir meus pulmões.


– Nasceu- Boris disse acompanhado de uma risada – A vadia da nossa mãe traiu meu pai com algum filho da puta aleatório e engravidou de você, eu tenho vergonha de compartilharmos o mesmo sangue, sua praga.


– Boris! Deixa isso pra lá, ela não pode morrer antes que esse processo seja concluído.


– Você acha mesmo que esse pingo de gente vai conseguir aprisionar um ancião tão poderoso?


– Boris! Saia! Você está atrapalhando!


– Tsc... Tanto faz...- Disse saindo pela grande porta de ferro.


– Prossiga- Disse meu padrasto olhando para o Mago.



(...)



Foram horas e horas de uma dor insuportável passando pelo meu corpo todo, até que finalmente eu pude descansar, achei que ia morrer, mas... Acabei escutando uma voz em minha consciência.


"Me deixe sair, humana miserável..."


Acordei naquela cama sem as minhas roupas suando feito um porco, não estava mais acorrentada e a banheira permanecia com metade da água que já estava morna. Me levantei com muita dificuldade logo entrando na banheira para me lavar. Respirei fundo vendo que ainda estava viva e inclinei minha cabeça pra cima, olhando fixamente para o teto.


– Francamente... Não tenho forças nem pra chorar... Merda- Disse para mim mesma olhando de volta para a água, mas para a minha surpresa o meu reflexo não era mais eu, era uma besta monstruosa me olhando fixamente com um ódio imenso, chegava a penetrar minha alma.


Arregalei meus olhos e Gritei, saindo rapidamente da banheira. O que eles fizeram comigo? ——

27 Janvier 2022 01:06:53 1 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
2
Lire le chapitre suivant O Despertar

Commentez quelque chose

Publier!
DB Deyse Baptista Pires
Gostei muito do enredo.
March 02, 2022, 18:24
~

Comment se passe votre lecture?

Il reste encore 4 chapitres restants de cette histoire.
Pour continuer votre lecture, veuillez vous connecter ou créer un compte. Gratuit!