teffychan Lilith Uchiha

Quando Vegeta decide contar a verdade sobre Papai Noel para as crianças Saiyajins em plena véspera de Natal da pior maneira possível toda sua família, amigos e rivais se voltam contra ele. Agora o Príncipe dos Saiyajins precisa dar um jeito de salvar o Natal, ou o que restou dele.


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Capítulo Único - O Segredo do Papai Noel

Depois de muito tempo, a Terra estava em paz outra vez. E, para comemorar, Bulma convidou seus amigos para passar o Natal em sua casa, que era bastante espaçosa. Ela esperava que a família de Goku comparecesse, assim como seus velhos amigos como Kuririn e seu ex-namorado Yamcha, no entanto recebeu mais visitantes do que imaginava. Videl também foi, assim como seu pai. Até Piccolo compareceu, provavelmente a pedido de Gohan.

Não que ela estivesse reclamando, adorava ver a casa cheia durante datas comemorativas. Alguns dos amigos ali presentes costumavam inventar desculpas para fugir das festas que ela organizava com frequência, era bom reunir todo mundo em uma ocasião de paz. As crianças se divertiam enfeitando a enorme árvore de Natal, com ajuda de Gohan e Videl. O clima era de perfeita harmonia.

Bom, quase.

Vegeta nunca foi muito fã de festas. Aparentemente não existia Natal em seu planeta de origem, o que era apenas mais um motivo para aquela data deixá-lo aborrecido. Até quando encontrava os outros rapazes em alguma ocasião em que precisavam se reunir para derrotar um inimigo em comum ele se sentia desconfortável em precisar trabalhar em equipe, sempre preferiu lutar sozinho. Mas aquilo não era uma luta, era véspera de Natal, um dia de paz harmonia. Mais um motivo para deixá-lo de mau-humor.

Ele realmente estava tentando não estragar a data, Bulma conseguia perceber isso. Não estava reclamando sobre as várias pessoas reunidas em sua casa, rindo e falando baboseiras sobre o espírito natalino, mas também não estava participando da comemoração. Isso seria pedir demais para ele.

— Vou colocar outro boneco de neve aqui — Goten falava sorridente enquanto voava para colocar outro enfeite de boneco de neve na árvore de Natal que quase relava no teto de tão alta.

— Não, Goten! Já tem muitos bonecos de neve nesse lado! — Trunks reclamou — Coloque o enfeite de anjo.

— Por que sempre tem que ser como você quer? — o menino resmungou, mas cedeu.

— Porque eu sempre tenho razão — Trunks falou convencido — Ei, Goten… quando acabarmos aqui vamos fazer biscoitos para o Papai Noel?

— Boa ideia! Desse jeito ele vai trazer um presente bem legal para a gente! — Goten abriu um largo sorriso.

— Um pacote enorme! — Trunks concordou.

— Mas você sabe cozinhar? — Goten inclinou a cabeça para o lado — Você mora nessa casa enorme cheia de empregados, aposto como deve ter pessoas que cozinham para você todos os dias.

— Sim, mas a mamãe me ensinou a fazer biscoitos para o Papai Noel — Trunks respondeu, colocando outro enfeite de anjo na árvore — É a única coisa que eu sei cozinhar — ele riu sem graça.

— Então podemos fazer os biscoitos juntos — Goten concordou — Aposto como os meus vão ficar melhores do que os seus. Eu ajudo minha mãe a cozinhar todos os dias.

— Não vão não! Os meus vão ficar melhores!

— Os meus é que vão! — Goten retrucou, quase derrubando a árvore enquanto voava de volta para o chão.

— Já chega dessa palhaçada! — Vegeta calou os dois com um grito, perdendo a paciência de vez. Aproximou-se dos meninos, que se encolheram — Você não precisa cozinhar nada, Trunks, os empregados existem para isso. Para que fazer biscoitinhos idiotas para uma coisa que nem existe?

— Meus biscoitos não são idiotas! E não é para uma coisa que não existe, os biscoitos são para o Papai Noel! — Trunks retrucou.

— Exatamente! — Vegeta rebateu — Esse tal de Papai Noel nunca existiu. É só uma invenção ridícula dos humanos para dar presentes para as crianças. E para fazê-las aprender a cozinhar, pelo que parece.

Trunks e Goten encararam o homem com os olhos arregalados durantes vários segundos. Aos poucos, os demais presentes na sala também voltaram o olhar para ele. Um silêncio pesado permaneceu no ar pelo que pareceram horas até que Goten o quebrou.

— O Papai Noel…

—… não existe?

— É isso mesmo — Vegeta confirmou a frase das crianças, satisfeito que finalmente tivessem entendido aquela verdade tão óbvia — Como eu disse antes, é só uma invenção estúpida dos humanos. Agora que entenderam, esqueçam essa idiotice de cozinhar…

Vegeta não terminou a frase. Naquele mesmo instante Goten e Trunks começaram a chorar. E o choro de crianças Saiyajins era dezenas de vezes mais alto do que o de uma criança humana.

— Mas o que…? Por que estão chorando agora, moleques? — Vegeta exclamou, entre confuso e irritado. Como resposta, os meninos correram para suas respectivas mães.

— Mamãe! Eu fui um menino mau esse ano? Por isso não vou ganhar presente? — Goten fungava agarrado à barra da saia da mãe.

— Nós matamos o Papai Noel, mamãe? — Trunks choramingou.

— O que? Não querido, é claro que não — Bulma respondeu, perguntando-se como o filho tinha chegado àquela conclusão.

— Mamãe, ressuscita ele com as Esferas do Dragão! — Trunks pediu.

— É! Traz o Papai Noel de volta, por favor! — Goten choramingou.

— Vocês são idiotas? Já falei que essa coisa de Papai Noel não existe! — Vegeta repetiu.

— Mas eu sempre ganhei presentes dele — Trunks lembrou.

— Sua mãe comprava e dizia que era dele — Vegeta respondeu o óbvio.

— Mas… e os biscoitos que eu preparava…? — Goten murmurou.

— Provavelmente a sua mãe ou o seu pai é que comiam — Vegeta explicou com impaciência — Francamente, vocês são burros?

Goten e Trunks se entreolharam por um momento e em seguida recomeçaram a chorar ainda mais alto do que antes. Todos tamparam os ouvidos, mas não adiantou para abafar o som do choro das crianças. O barulho só diminuiu quando os dois correram para o segundo andar da casa e se trancaram em um dos quartos.

Novamente um silêncio pesado e constrangedor instalou-se na sala. Vegeta abriu a boca para falar alguma coisa, mas Chi-Chi o fez primeiro.

— Vegeta! — ela caminhou a passos firmes até o homem — Como se atreve a dizer aquelas coisas horríveis ao meu pequeno Goten?

— O que? Mas eu só disse a verdade — por algum motivo ele recuou um passo. Ela podia até ser apenas uma humana frágil, mas mães eram assustadoras quando estavam zangadas.

— Mas não precisava contar isso daquele jeito — Bulma censurou — Os dois ainda são muito novos, o que custava deixá-los acreditar no Papai Noel mais um pouco?

— Eles são Saiyajins com potencial para se tornarem grandes guerreiros no futuro se treinarem devidamente. Não precisam perder tempo com essas baboseiras — Vegeta rebateu.

— Eles são crianças! — Chi-Chi exclamou — O Goten tem apenas sete anos, você não tinha o direito de fazer isso com o meu filho!

— Você realmente não precisava ter contado isso desse jeito, Vegeta — Goku coçou atrás da cabeça — Se ia contar a verdade, podia ter sido de uma forma mais delicada.

— E a mamãe tem razão, não tinha porque envolver o Goten nisso — Gohan acrescentou.

O olhar de censura de todos estava começando a irritar Vegeta. Por que todos sempre o tratavam como se ele fosse o vilão da história? Ele só tinha dito a verdade!

— Que engraçado ouvir isso de você, Kakarotto — Vegeta desconversou — Não me diga que você sabia sobre essa baboseira de Papai Noel, mesmo estando morto quando seus filhos nasceram? Gohan foi praticamente criado pelo Piccolo se me lembro bem. E você só conheceu Goten há pouco tempo, estava morto nos primeiros anos de vida do moleque.

— Você tem razão — Goku riu sem graça — Mas Chi-Chi me disse para confirmar essa história para não magoá-los, e que eu poderia comer os biscoitos que os garotos preparassem em segredo. Parece que não vou poder comer biscoitos no fim das contas.

— Acho que isso não é muito importante no momento— Videl observou, perguntando-se como ele conseguia pensar em comida em uma hora como essa.

—O Goku é assim mesmo. Só pensa com o estômago — Chi-Chi censurou, cruzando os braços. Goku riu sem graça, coçando atrás da cabeça.

— Francamente, não sei qual de vocês é pior — Piccolo comentou, olhando de Goku para Vegeta — Os meninos ainda estão chorando — acrescentou. Podia ouvir o choro das crianças melhor do que os demais com sua audição aguçada.

— Agora escute aqui, Vegeta — Bulma inclinou-se para ficar na mesma altura que o marido — Você disse ao Trunks e ao Goten que Papai Noel não existe em plena véspera de Natal de uma forma terrivelmente grosseira e acabou com o Natal dos dois. Você vai consertar isso, não importa como. Não admito ter duas crianças chorando em plena véspera de Natal na minha casa! Entendeu?




~~~~~X~~~~~X~~~~~




As horas se passaram, mas as crianças não quiseram descer para o primeiro andar para a ceia de Natal, mesmo estando famintas. Tinham parado de chorar, mas continuavam trancadas no quarto de Trunks, tristes demais para comemorar um Natal sem Papai Noel.

— Trunks, eu estou com fome — Goten reclamou. Seu estômago roncou como se provasse o que ele dizia.

— Pode ir comer se quiser. Os outros já devem estar jantando.

— Você não vem?

— Não — o mais velho respondeu — Eu não quero ouvir meu pai dizer aquelas coisas horríveis de novo.

— Nem eu — Goten deitou de bruços na enorme cama do amigo — Acha que aquilo é verdade mesmo? Que o Papai Noel não existe?

— Meu pai disse que sim. E ele não costuma contar mentiras — Trunks falou, agarrado a um travesseiro — Por que os adultos mentiram para a gente todos esses anos?

— Eu não sei — Goten murmurou — Mas o seu pai bem que podia ter esperado mais um pouco para dizer isso. Eu não vou mais ganhar presente esse ano.

— Nem eu — Trunks lamentou — Papai disse que isso é uma invenção dos humanos. Acha que não vamos ganhar presentes do Papai Noel de verdade porque somos Saiyajins?

— É… talvez o Papai Noel não goste de Saiyajins — Goten concordou — Mas ele não existe, não é? Foi o que o seu pai disse.

— Tem razão. Acho que não importa se somos humanos ou Saiyajins. O Papai Noel… simplesmente não existe.

Em algum momento Trunks e Goten adormeceram, cansados demais de chorar e lamentar, porém teimosos demais para descer e jantar com os outros. No entanto, um barulho de algo sendo derrubado fez com que Goten despertasse.

— Hein…? Já é hora do café da manhã? — ele sentou-se e olhou para os lados, lembrando-se de que não estava em casa. Ouviu novamente um barulho e começou a sacudir Trunks, que dormia ao lado dele — Ei, Trunks! Trunks, acorda!

— Hã? O que foi Goten? — ele também se sentou, esfregando os olhos, sonolento.

— Eu ouvi um barulho lá embaixo.

— Já está tarde, todo mundo deve estar dormindo. Você deve ter sonhado — Trunks deitou de novo.

— Eu não estava sonhando! Ouvi mesmo um barulho! — Goten puxou o cobertor do amigo, que se encolheu por causa do frio.

— Não seja bobo, não tem ninguém lá embaixo — Trunks retrucou — E mesmo que tivesse você não escutaria. Você tem o sono pesado, até parece que acordaria com um barulho vindo do primeiro andar.

— É que eu estou com fome, por isso não consigo dormir direito…

— Se me acordou apenas para isso, apenas desça e vá comer alguma coisa — Trunks suspirou — Não precisa inventar que tem alguém… — ele interrompeu-se ao escutar o barulho de alguma coisa sendo derrubada — Isso veio do primeiro andar?

— Viu só, eu disse que tinha alguém! — Goten exclamou.

— Deve ser um ladrão — Trunks saltou da cama — Não sei como ele passou pelo nosso sistema de segurança, mas eu vou acabar com ele.

— Eu vou junto! — Goten foi atrás dele.

Os meninos desceram o mais silenciosamente que conseguiram até o primeiro andar. Do pé da escada, viram um homem baixo vestido de vermelho com uma cabeleira branca, carregando um saco nas costas perto da árvore de Natal. Entreolharam-se e não pensaram duas vezes antes de voar até ele e acertá-lo com um chute certeiro.

— Ai! O que pensam que estão fazendo, seus… — o homem interrompeu-se bem a tempo de dizer a palavra “vermes” — Seus… adoráveis garotinhos.

Vegeta ainda não conseguia acreditar que estava mesmo fazendo aquilo. Como o Príncipe dos Saiyajins podia se prestar a tal tarefa humilhante? Vestir-se como um idoso gorducho, fruto da fantasia de moleques terráqueos. Tudo por causa daquela tradição ridícula que os humanos inventaram. Se eram presentes que as crianças queriam, os pais poderiam simplesmente comprar, não precisavam inventar toda essa idiotice de Papai Noel, e renas, e biscoitos com leite… aquilo era um monte de baboseiras!

Mas… por outro lado, tinha que admitir que não tinha gostado nem um pouco de ter feito seu filho chorar. Vegeta ainda achava que era por um motivo idiota e que mais cedo ou mais tarde Trunks teria que saber a verdade. Mas, aparentemente, Bulma preferia que fosse mais tarde. Por que aquela mulher sempre o convencia a fazer suas vontades? Agora lá estava ele, vestido com aquelas roupas vermelhas chamativas apenas para fazer seu filho voltar a acreditar em uma mentira que ele teve tanto trabalho em esclarecer apenas para que Trunks não ficasse deprimido por um motivo idiota. E, como se não bastasse, também teria que agradar Goten.

— Não vamos deixar você levar nossos presentes! Vá embora antes que a gente acabe com você, seu ladrão! — Trunks colocou-se em posição de luta, sequer cogitando chamar a polícia ou os seguranças da casa.

— Eu não estou roubando nada seu estu… — Vegeta interrompeu-se outra vez, quase chamando o filho de estúpido. Céus, como era difícil ser gentil! — Estudioso… sim, você deve ser muito estudioso, tem cara de quem é inteligente — ele deu uma risada nervosa.

— Ah, é? Se não estava roubando então por que estava colocando os nossos presentes dentro da sacola, hein? — o menino rebateu.

— Trunks — Goten chamou baixinho — Acho que ele é o Papai Noel.

Eles permaneceram em silêncio pelo que pareceu longos segundos. Ótimo, Vegeta tinha convencido um deles. Agora só precisava convencer Trunks.

— Você está enganado, Goten — o amigo respondeu. Ainda mantinha a posição de luta, mas agora exibia uma expressão magoada — Meu pai falou que o Papai Noel não existe, lembra?

— Mas é claro que ele existe… quero dizer, que eu existo! Estou bem aqui na sua frente, não está vendo? — Vegeta deu a risada mais alegre que conseguiu. Não foi muito convincente.

— É mentira! Aposto como você alugou essa fantasia apenas para entrar aqui em casa roubar a gente! — Trunks acusou. E estava certo, exceto pela parte de roubar.

— Eu não vim roubar ninguém! Sou mesmo o Papai Noel. Não vim roubar nada, vim entregar seus presentes — Vegeta falou, começando a ficar impaciente. Por que seu filho tinha que ser tão teimoso?

— Então prove — ele praticamente ordenou, cruzando os braços.

— O que?

— Boa ideia! — Goten o imitou — Prove que é o verdadeiro Papai Noel!

Aquilo estava ficando cada vez pior. Graças à teimosia de Trunks, o filho de Kakarotto também voltou a duvidar dele! Como Vegeta poderia provar que era Papai Noel?

— Muito bem. O que querem que eu faça?

— Bem, onde está o seu trenó? — Trunks perguntou.

— Trenó? — Vegeta repetiu. Ah, é mesmo. Tinha alguma coisa com renas na história do tal Papai Noel. Ele provavelmente estava falando disso.

— Está estacionado no telhado — Vegeta respondeu a primeira coisa que lhe veio à mente.

— Vamos lá ver! — Goten abriu a janela e voou para o lado de fora da casa, sendo seguido pelo amigo. Vegeta esqueceu completamente de como aquelas crianças gostavam de aprontar. Segurou por pouco o impulso de voar atrás dos dois. Tinha quase certeza de que o tal Papai Noel não conseguia voar sozinho. Se conseguisse, não precisaria de um trenó voador.

Poucos instantes depois as crianças voltaram para dentro da casa, bastante decepcionadas.

— Não tinha nenhum trenó no telhado. Você estava mentindo! — Goten acusou.

— É que… hã… o trenó é invisível. Só eu consigo ver — Vegeta respondeu, torcendo para que eles acreditassem.

— Ei, isso é verdade? — Goten perguntou ao amigo.

— Acho que a mamãe me disse isso uma vez — Trunks respondeu incerto — Mas isso não prova nada. Sem trenó, sem provas.

— Já disse que ele é invisível, Trunks. Sua mãe te disse isso também, não foi?— Vegeta apelou.

— Sim, mas… espera, como sabe o meu nome?

— Hein?— Vegeta percebeu tardiamente a gafe que havia cometido— É que… bom, eu sou o Papai Noel afinal! É claro que sei o nome de todas as crianças—ele forçou outra risada.

— Não sei não… ainda não me convenceu— Trunks cruzou os braços.

— E o que vocês querem agora? — Vegeta suspirou cansado. Não podia acreditar que estava recebendo ordens de duas crianças!

— Mostre a lista de crianças boas e de crianças más! — Goten sugeriu.

— Lista?

— É! — Trunks concordou — Você sabe, a lista de crianças que foram boas e se comportaram esse ano e as que foram más e que não merecem ganhar presentes.

Obviamente Vegeta também não tinha nenhuma lista. E não podia inventar que ela era invisível também. Droga, por que aquilo precisava ser tão difícil? Seu plano era tão simples. Vestir aquela roupa ridícula de Papai Noel, fazer um barulho alto o suficiente para acordar apenas as crianças para que o vissem e voltassem acreditar no tal bom velhinho, disfarçar a voz caso precisasse falar com os meninos e depois ir embora. Como as coisas chegaram a esse ponto?

— Não posso mostrar a lista, é confidencial — Vegeta respondeu por fim — Mas vocês dois com certeza estão na lista de crianças boas.

— A Marrom também? — Goten perguntou.

— Quem? — Vegeta repetiu. Demorou alguns instantes para se lembrar que esse era o nome da filha de Kuririn — Ah, sim! Com certeza, ela foi uma boa menina esse ano.

— E quem está na lista de crianças más? — Trunks perguntou curioso.

Vegeta sabia que havia um menino na mesma classe da escola que Trunks que o filho odiava, mas não lembrava o nome dele, embora Bulma estivesse sempre falando do tal garoto. Fez um esforço enorme para lembrar o nome dele, até que respondeu por fim:

— Não posso revelar os nomes, mas acho que você conhece uma das crianças. Aquele menino com quem você está sempre brigando na escola…

— O Kaito?

— Esse mesmo! — Vegeta ficou feliz em lembrar o nome do tal garoto — Esse daí om certeza não vai ganhar presente.

— Papai Noel! — os olhos das crianças brilharam de alegria e os dois correram até Vegeta e o abraçaram com força.

O homem teve o impulso de empurrá-los para longe, mas segurou-se a tempo. Aquilo era irritante, Vegeta detestava demonstrações de afeto. E essas crianças eram tão grudentas! Mas estavam felizes outra vez. Bom, se era para fingir ser Papai Noel, era melhor fingir direito, certo? Ainda que a contragosto, colocou as mãos nas cabeças dos dois, bagunçando os cabelos dos meninos.

— Sim, sim, sou eu, o Papai Noel. Eu disse que era eu desde o começo, não disse? — Vegeta desvencilhou-se deles com o máximo de delicadeza que conseguiu.

— Mas, se você está aqui, então por que o meu pai disse que você não existia? — Trunks perguntou, pegando-o de surpresa. Vegeta estava torcendo para ele não perguntar isso.

— Veja bem, Trunks — ele se abaixou até ficar na mesma altura do filho — O Natal é uma tradição apenas do planeta Terra. Seu pai não está acostumado com essa tradição dos humanos, por isso ele não acredita em mim.

— Então, se o senhor Vegeta veio de outro planeta, significa que ele nunca ganhou presente de Natal? — Goten perguntou.

— Exatamente — o homem confirmou — Como eu falei, não existe Natal no planeta de origem dele.

— Coitadinho do senhor Vegeta! Nunca ganhou um presente! — Goten exclamou com cara de choro.

— Ei, cale a boca, seu… — Vegeta interrompeu-se outra vez, forçando-se a controlar seu tom de voz — Garotinho lindo — voltou-se então para Trunks — Ele pode ter sido rude ao dizer aquilo, mas só queria que vocês ficassem mais fortes. Ele não fez por mal. Trunks, é verdade que o seu pai nunca ganhou um presente de Natal, mas… ele tem você e Bulma… vocês são os maiores presentes da vida dele.

Vegeta não conseguia acreditar que estava falando aquilo. Por mais que fosse verdade, era constrangedor demais pensar nisso, que dirá falar em voz alta. Mas ele não era “Vegeta” agora, era “Papai Noel”. Talvez nunca mais tivesse outra chance de dizer isso sem passar tanta vergonha, então era melhor aproveitar.

— E você — ele se voltou para Goten, sem ter a menor ideia do que dizer a ele. Mas precisava falar alguma coisa, pois Papai Noel não podia dar favoritismo a uma só criança — Eu sei que o Kakarotto… quero dizer, o seu pai ficou morto durante anos, mas ele gosta de você, então não fique triste com isso. E, hã… a sua mãe com certeza também gosta de você Chegou até a enfrentar o Príncipe dos Saiyajins para te defender! Não é qualquer humana que tem essa coragem.

— Você parece até o meu pai falando — Trunks riu.

— Papai Noel, desculpa. Nós não preparamos biscoitos esse ano — Goten murmurou cabisbaixo.

— Não tem problema. Apenas façam o dobro no ano que vem — ele respondeu simplesmente — Agora eu preciso ir… sabe, entregar outros presentes e aquela coisa toda — ele abanou a mão distraidamente — Ah! E não contem para ninguém que me viram! Se não nada de presentes no ano que vem!

— Pode deixar! — os meninos acenaram para Vegeta quando ele saltou pela janela e voou para o teto em direção ao trenó imaginário.

— Ei, Trunks — Goten chamou depois que o “Papai Noel” sumiu de vista — O Papai Noel sabe voar sem o trenó?

— Eu não sei — o amigo respondeu, só percebendo isso agora — Parece que sim.

— Se ele sabe, então por que ele precisa das renas?

— Vamos perguntar para a mamãe amanhã — Trunks sugeriu e o mais novo concordou, rumando para o quarto junto com o amigo para voltarem a dormir.




~~~~~X~~~~~X~~~~~




Na manhã seguinte Goten e Trunks correram até o primeiro andar sem se darem ao trabalho de trocar o pijama por roupas comuns ou se pentear. Os demais já estavam reunidos na sala, tomando café da manhã. Os meninos apenas gritaram “bom dia”, pegaram qualquer coisa que pudessem comer com as mãos e correram para a árvore de Natal, onde havia vários embrulhos reunidos.

— Ei, vocês dois! Venham tomar café da manhã, depois podem abrir os presentes — Bulma chamou.

— Já vou, mãe — Trunks falou de boca cheia, de forma que ela não entendeu nada.

— Goten, largue os presentes e venha comer! — Chi-Chi mandou.

— Só um instante! — o menino falou com cara de quem ia demorar muito mais do que um instante.

Os dois procuravam por um embrulho específico. Depois de bagunçarem todos os presentes ao redor da árvore, finalmente encontraram o que estavam procurando.

— Achei! — exclamaram ao mesmo tempo, começando a rasgar o papel de presente.

— O que estão procurando aí? — Gohan se aproximou deles.

— Olha irmão! O Papai Noel trouxe um presente para mim! — Goten mostrou o carrinho com controle remoto que tinha acabado de desembrulhar.

— E para mim também! — Trunks exibiu seu mais novo videogame.

— Ah, então quer dizer que o Papai Noel passou aqui ontem a noite, é? — Goku olhou para Vegeta, imaginando o que o homem tinha feito para consertar o estrago do dia anterior.

— O que está olhando, seu verme? — Vegeta exclamou com cara de quem lutaria com ele ali mesmo se pudesse.

— Nada, nada — Goku riu — Só estou feliz que as crianças tenham ganhado presentes.

—Não foi só isso, nós vimos o Papai Noel ontem! — Trunks correu até o pai, com um enorme sorriso no rosto — Papai, pode deixar que eu vou continuar treinando para ficar cada vez mais forte. Mas eu também quero comemorar o Natal. O Papai Noel disse que o senhor não comemorava o Natal no seu planeta e por isso não ganhava presentes… mas eu posso dividir o meu presente com o senhor. Podemos jogar videogame juntos.

Vegeta sentiu que não devia ter dito todas aquelas coisas na noite anterior quando percebeu que todos na sala estavam segurando a vontade de rir com enorme dificuldade.

— Prefiro que se concentre no treinamento. Se quiser jogar videogame, que seja, mas jogue com Goten ou com alguma outra pessoa — ele respondeu simplesmente.

— Ah, é mesmo! — Goten voltou-se para Chi-Chi — Mamãe, o Papai Noel sabe voar sem a ajuda do trenó?

— Hm… acho que não, querido. Por que a pergunta?

— É que ontem o Papai Noel não voltou para o trenó usando a chaminé. Ele voou pela janela até o teto da casa — Goten explicou — Como ele fez isso?

Todos os olhares recaíram sobre Vegeta novamente. E dessa vez ninguém conseguiu segurar o riso.



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Notas Finais:

Essa história também foi postada no Nyah! Fanfiction, no Spirit e no Ao3.



15 Décembre 2021 17:09 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

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