Histoire courte
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Capítulo Único

Minha mãe foi expulsa de casa quando descobriaram que ela tava gravida, ela tinha 16 anos. Sorte que uma tia dela tava precisando de uma ajuda aqui em São Paulo.


Meu pai? Sabe como é... foi comprar cigarro e nunca mais voltou.


É, não foi fácil. Ela me criou sozinha e se esforçou muito pra me dar uma boa vida.

Ainda mais quando descobriram um problema na minha cabeça, um tipo de malformação que impedia o fechamento completo do crânio. Mas com o tempo, acho que eu tinha uns três ou quatro anos, o osso fechou sozinho...


Agora ela tem quase uns 40 anos e, apesar de não precisar tanto, ela ainda se mata de trabalhar.


Eu moro sozinho a alguns anos, tô conseguindo pagar o aluguel do Apê e a faculdade de boas com meu trampo de modelo e uns bicos de garçom. Mas na verdade o que me dá uma grana boa é ser acompanhante, transar, com umas senhoras, muitas vezes mais velhas que minha mãe. Lógico que ela não sabe disso.


Eu poderia dizer que tenho 99 problemas, mas mulheres nunca foi um deles. Perdi minha virgindade novinho e não lembro de ter levado um fora na vida! Enquanto isso meus amigos vivem reclamando das mulheres e de como é difícil entendê-las. Sério?! O que tem de tão complicado?


Apesar disso, eu sempre evitei relacionamentos longos e serios. Filhos? Nem pensar!


Minha veia, de vez em quando, diz “Meu sonho é ter um netinho e te ver casado, mas você é um conquistadorzinho barato igual ao seu pai”,é raro ela falar sobre ele. O pior é que quando minha mãe fala daquele filho da puta os olhos dela se enchem de brilho.


E falando no desgraçado...


Numas ferias resolvi ir pro Amazonas, terra de minha mãe.


Como um lugar pode ser tão quente e húmido? Parecia o inferno molhado!


Lá eu usei meu charme pra descolar um ingresso pra uma festa num barco no Rio Amazonas, dentro da floresta mesmo! A lua cheia refletia na água, muito foda!


Então eu tava lá de boa na festa, bebendo, trocando uma ideia com uma garota até que senti uma forte dor de cabeça junto com uma sensação muito estranha...


De canto de olho eu vi um senhor de chapéu branco que jogava um papo numa morena. Era ele! Certeza!

Foi como se eu tivesse olhando no espelho. O meu pai estava ali, bem na minha frente!


Larguei a mulher falando sozinha e fui em direção ao velho. Toquei no ombro dele: “Pai?!”


O senhor virou assustado e invés de lhe dar um abraço apertado, dei um soco bem no meio da cara dele com toda força! O murro fez o velho ir pra trás, bater na beirada do barco e cair na água, desfazendo o reflexo da lua cheia.


Me arrependi na hora! Que que eu tava fazendo?! "Eu bati num velhinho! Caralho! Eu matei ele?"


Eu tava quase pulando no rio quando um focinho rosado surgiu da água escura. Um boto apareceu na superfície, soltou algo parecido com uma gargalhada e sumiu.


Nessa hora a enxaqueca voltou mais forte, levei minha mão ao topo da minha cabeça e senti o vazio.


Fim

10 Septembre 2021 12:56:18 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

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