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Park Jimin, 27 anos. Professor de dança de salão, loiro, 1,73m de altura, bonito, inteligente e extrovertido. Jimin morava com seu gato em um apartamento mediano nos arredores de Seul. O rapaz sempre foi muito decidido e batalhava pelo que queria. Era conhecido em sua vizinhança por sua personalidade encantadora e charme irresistível. Apesar de muitos interessados, Jimin nunca deu atenção aos possíveis - e não eram poucos - pretendentes, sempre estava focado em planejar suas aulas e dar seu melhor para ensinar seus alunos. "Não tenho tempo e não é o momento", era o que ele respondia sempre que o perguntavam sobre relacionamentos. E ele realmente não pensava em entrar em um tão cedo. Porém, a vida nem sempre flui conforme queremos e talvez – apenas talvez – Jimin ficasse interessado em descobrir quem era a pessoa que estava deixando bilhetes românticos e um bombom de chocolate toda segunda, quarta e sexta-feira em seu armário, no vestiário do curso de dança.


Fanfiction Groupes/Chanteurs Déconseillé aux moins de 13 ans.

#bts #admirador-secreto #jimin #yoongi #yoonmin #minimini #minmin #sugamin #suji #2min #2minpjct
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Capítulo único

Escrito por: @louiselobo_/@louiselobo_

Capa por: @cheatingoddess


Notas Iniciais: Oi, meus anjinhos! Aqui é a Loui, tudo bem com vocês?

Essa é a minha primeira colaboração no Projeto e eu estou muito feliz por ter conseguido desenvolver um tema que não é muito a minha praia.

Quero dedicar essa fic, como sempre e primeiramente, à Nay que é a minha maior motivadora, aos meus dois amores Dani e Thay e à Galera do Infires que sempre dá apoio em todas as minhas produções, seja no Spirit ou no Twitter.

No mais, aproveitem!


~~~~

Quando Park Jimin tinha seis anos de idade, sua mãe o levou para passear no centro da cidade de Busan, como fazia pelo menos uma vez ao mês; a mulher saía para fazer compras e aproveitava para levar o filho para ver a cidade, o garotinho sempre fora curioso e gostava de explorar, e foi assim que conheceu a maior paixão de sua vida.

A mão gordinha era segurada firmemente pela maior para que não corresse em direção à rua. O pequeno Jimin observava cada vitrine, atento, perguntando à mulher ao seu lado o significado de alguns letreiros que não conseguia ler vez ou outra, mas o que lhe chamou verdadeiramente a atenção foi a movimentação dentro de uma construção de fachada sóbria e neutra. Pessoas — que aparentavam ter mais ou menos a mesma faixa etária — moviam os corpos de forma habilidosa, como se cada contração muscular fosse previamente pensada e executada de forma mais natural do que ele imaginou ser possível.

Já havia visto seus pais dançarem juntos antes, mas — obviamente — não se comparava àquilo, nada se comparava.

— Mamãe, eu quero ver! — Puxou a mão da mais velha para chamar sua atenção. — Por favor!

— Tudo bem — disse sorrindo. — Mas rapidinho, está bem? Tenho outras coisas para fazer ainda.

O pequeno concordou, e eles entraram na academia para observar.

Jimin ficou deslumbrado, a música era linda, macia e doce; e ali, vendo de perto, tudo parecia muito mais interessante.

— O que é isso, mamãe? — questionou. — Não parece com aquilo que você e papai fazem. — A mulher sorriu colocando a mão na frente do rosto.

— Isso é balé clássico, meu amor — explicou. — Nem eu nem seu pai sabemos fazer um por cento disso — disse para o menino que não desviava os olhos dos jovens bailarinos que praticavam à sua frente.

— Eu quero! — gritou para ela. — Eu quero aprender a fazer isso, por favor, deixa, mãe!

— Tudo bem, tudo bem. — Acalmou o pequeno. — Vamos falar sobre isso em casa, ok? — disse vendo o garoto concordar.

Entretanto, Jimin começou a dançar apenas quando completou dez anos. Mesmo com a relutância de seu pai, sua mãe conseguiu matricular o pequeno em uma academia de dança.

Desde o primeiro momento, Jimin teve certeza que aquela era a vida que queria para si; dançando, expressando-se de forma pura e natural. A cada novo giro, passo, movimento de braços, o pequeno sentia que estava vivo e cada vez mais a dança tomava conta de sua vida. A aula de violão foi deixada de lado, assim como o Taekwondo, todas as atividades extras que Jimin fazia eram relacionadas à dança.

Ao terminar o ensino médio, o jovem decidiu prestar exame para o curso de dança na Universidade de Seul, sendo aprovado e até ganhou uma bolsa pelo excelente desempenho.


[•••]


— Por hoje é só, turma! — falou enquanto batia palmas, mais uma semana de aulas devidamente finalizada. — Vejo vocês na semana que vem!

Jimin acenava para alguns alunos e recebia votos de "bom fim de semana" e "bom descanso", como sempre acontecia.

O professor de dança Park Jimin era jovem e belo, sempre muito educado com todos e suas habilidades para ensinar dança eram inquestionáveis. Antes de se formar pela Universidade de Seul, sempre foi destaque em qualquer campeonato ou apresentação que participasse, era um verdadeiro dom; quando graduou-se, o jovem não apenas queria expressar-se através da dança, mas também ajudar outras pessoas a conseguirem esse feito.

Era responsável pelas turmas de segundas, quartas e sextas-feiras de dança de salão. O salário não era muito, mas era o suficiente para manter sua vida tranquila, somando aos extras que ganhava com aulas particulares para casais prestes a se unir em matrimônio.

Casamento. Era um ponto delicado para o jovem, ele sempre lidava com pessoas apaixonadas, no auge de seu amor mútuo; amor esse que Jimin só havia experimentado uma vez, tendo terminado de forma brusca, e ele, foi apenas iludido.

Sua rotina era bem simples; de dia estudava para a prova de mestrado, atendia alguns alunos particulares à tarde e de noite dava aulas para suas turmas de dança de salão.

— Hmmm… — Gemeu ao alongar as costas.

— Tudo certo hoje, Chim? — falou professor Hoseok, colocando a cabeça para dentro da sala, verificando se ainda tinha algum aluno no cômodo.

— Tudo, Hobi… — disse ajeitando a roupa, olhando para a parede espelhada. — Mais uma semana, aleluia!

— Nós vamos sair pra beber algo, quer vir? É sexta! — disse a última frase fazendo uma dancinha engraçada.

— Fica pra próxima. — Sorriu. — Passei a manhã editando minha tese e estou com um pouquinho de dor de cabeça.

— Tudo bem, então — concordou, já saindo. — Descansa, até segunda!

— Até! — Despediu-se com um aceno.

Jimin andou até a caixa de som para desligá-la, removendo seu pen drive e o colocando no bolsinho localizado ao lado de sua bolsa de couro sintético. Os saltos do sapato social faziam barulho no piso de madeira da sala, enquanto ele saía da mesma e desligava as luzes. Trancou a porta e foi até o pequeno vestiário, onde alunos e professores podiam tomar banho, trocar-se e deixar seus pertences. Sua camisa sempre terminava encharcada de suor no verão, devido a movimentação da dança. Colocou a bolsa sobre o banco de madeira no meio do recinto e pegou a chave do armário que tinha seu nome sinalizado — característica dos armários dos professores.

Porém, antes de girar a chave na fechadura, viu um bombom de chocolate colado com fita na porta do armário, e junto com ele, um pequeno envelope azul pastel.

Olhou confuso para os lados, tentando ver se ainda tinha alguém ali, mas não viu ninguém. Tirou o envelope e o abriu, retirando um recadinho de dentro.

— Quê? — Riu alto. — Que maluquice é essa?

Olhou mais uma vez para o bombom de chocolate em sua mão esquerda, colocou-o junto com o envelope em sua bolsa e trocou de blusa, certificando-se de verificar se o armário estava realmente trancado para logo ir em direção à recepção.

— Sun? — chamou Solar, a loira bonita e que esbanjava sensualidade, proprietária da escola.

— O que, anjo? — respondeu com um sorriso.

— Você… Hm. Deixa pra lá! — Sorriu de volta. — Vou indo, até segunda.

— Bom final de semana, Ji. Descanse bastante! — disse enquanto um Jimin apressado passava pela porta que dava acesso à rua.

Ele poderia ter ido beber um pouco como Hoseok sugeriu, mas ele realmente queria dormir, prezava por seu sono e, principalmente, queria chegar em casa e comer o jantar que Taehyung havia preparado.

Eram quase onze e meia da noite quando chegou ao pequeno prédio onde morava, cumprimentou o porteiro e subiu as escadas até seu apartamento. Bateu na porta em frente à sua, mas ninguém atendeu. Pegou suas chaves, mas nem precisou abrir sua porta, pois imediatamente um ruivo o fez.

Taehyung era amigo de longa data de Jimin, conheceram-se ainda no ensino médio e ficaram tão próximos que mesmo depois de terminar a faculdade, não conseguiram se separar. Alugaram apartamentos no mesmo prédio, mesmo andar; e, não sendo suficiente, passavam mais tempo no apartamento um do outro do que nos seus próprios.

— Olha só quem chegou! — disse Taehyung, com uma voz fofa e um gatinho no colo ao abrir a porta.

— MinMin! — Jimin chamou o felino para o próprio colo. — Tio Tae cuidou de você, meu amor?

— Boa noite pra você também! — repreendeu o outro. — Entra, tenho que ver a panela.

— Boa noite, Taetae. Como você tá? — falou, fechando a porta atrás de si.

Tirou os sapatos sociais e colocou as pantufas ainda de meia, deixando a bolsa cair ali mesmo.

— Estou faminto! Vem comer.

Jimin não negou, estava com fome também. Serviu-se da comida preparada pelo mais novo e o seguiu até a sala para assistir alguma série no sofá.

Taehyung contava sobre como o bichano havia aprontado antes do dono chegar e o mesmo apenas se enrolava no meio das pernas do loiro.

— Não fale mal do MinMin, ele é um anjinho! — brigou em tom de brincadeira.

— Anjinho?! — ironizou. — Não sei em qual universo paralelo.

Conversaram mais um pouco até Jimin levantar para lavar a louça, lembrando-se de pegar a bolsa na entrada para guardá-la.

Com isso, lembrou-se também do envelope guardado junto com o bombom no bolso pequeno.

— O que você fez hoje? — perguntou o amigo.

— Editei minha tese, corri um pouco pela manhã, atendi aquela debutante com a mãe chata… — falou, vendo Taehyung revirar os olhos. — Depois fui pra escola de dança, e você?

— Fiquei em casa editando aquelas fotos de casamento — disse simples.

— Você acredita que alguém deixou um bilhete pra mim hoje? — falou entregando-o na mão do amigo.

— Sério? — Viu Jimin concordar. — Uau, fazia algum tempo que não davam em cima de você desse jeito.

— Desse jeito, né — disse começando a lavar a louça.

— “Eu pensei que jamais sentiria meu coração bater assim apenas com a presença de alguém. O que fez comigo, sr. Park? Você é tão bonito que não consigo evitar gostar de você.” — Taehyung leu. — Fofo. E não mentiu, você é lindo. — Ouviu o amigo rir.

— Isso é tudo o que percebem — afirmou triste.

Jimin era bonito, e isso era fato. Poderia ser algo bom, se o mesmo não sofresse bastante por conta disso; diariamente era assediado na rua, nas redes sociais — que, cansado, deixou de usar — e até mesmo no trabalho. Ele era educado com todos — como sua mãe ensinou a ser —, mas nem todo mundo compreendia sua gentileza e a levava para outro lado. Isso o rendia olhares maliciosos e cantadas baratas, fora as vezes em que quase chegou a ser perseguido ou agredido por não corresponder os sentimentos de alguém.

— Ser bonito é uma maldição — completou.

— Queria eu ser amaldiçoado desse jeito — brincou Taehyung.

— Só no primeiro momento, porque eu sou bonitinho, e então depois cansam e me deixam. — Terminou de colocar um prato no escorredor de louças e secou as mãos.

— Não pode julgar todos por um, Chim — falou Taehyung, virando o loiro de frente para si pelos ombros. — Nem pensar que não existe ninguém que vai te dar o valor que você merece.

Jimin cruzou os braços e suspirou.

— Tudo bem, Tae, mas sinceramente, não acho que isso seja algo que valha a pena. — Desvencilhou-se do mais alto. — Pode ficar com o bombom, não quero quebrar minha dieta.

Thank you! — agradeceu o ruivo. — Mas não pense que eu não estava falando sério. Você precisa se abrir às novas oportunidades e deixar o passado para trás.

O passado do qual Taehyung falava era uma fase ruim na vida de Jimin. Na época em que entrou na faculdade, tudo era novo e fascinante, o loiro estava empolgado. Mesmo sendo calouro, destacava-se por suas habilidades e como sempre, chamava a atenção de muitos por sua beleza e personalidade radiante. Jimin era um jovem feliz, alegre e espontâneo, isso fazia ter admiradores e pessoas caindo por ele em todo o Campus.

Contudo, apenas um rapaz chamou a atenção do loiro. O estudante do curso de artes cênicas, cujos cabelos castanhos longos balançando com a brisa suave combinavam perfeitamente com o sorriso caloroso que ele sempre direcionava ao mais novo. Inteligente, atencioso, e sempre disposto a ajudar. Ganhou o coração de Jimin com sua gentileza e quando se beijaram pela primeira vez, Park podia sentir seu coração bater asas e chegar ao paraíso, tamanha era sua satisfação ao estar nos braços da pessoa por quem estava apaixonado.

Um mês foi o suficiente para ver o castelo de sonhos que havia construído ruir aos bocados. Os toques vazios, os beijos que foram perdendo calor até se tornarem frios, gestos de carinho apenas eram reservados ao público; quando iam em festas, vestidos com suas mais bonitas roupas e sorrisos falsos, ele era apresentado a todos como o namorado perfeito.

Um troféu; era o que havia sido. Jimin havia entrado de coração em uma relação quando a outra parte só tinha interesse em exibi-lo como uma grande conquista. Park Jimin, o aluno mais cobiçado do Campus, estava apaixonado, e por uma pessoa que não estava tão dentro do relacionamento assim.

Foram quase três meses fazendo o papel de namorado ideal na frente das pessoas para quando estivessem sozinhos, apenas aproveitar-se do corpo bonito do mais jovem e depois deixá-lo sem nem mesmo uma conversa, um diálogo trocado, um "como foi seu dia?".

E então Jimin acordou, depois de várias vezes conversar com seu amado amigo, Kim Taehyung, decidiu colocar um fim àquela farsa. Seria doloroso, sim, pois ele realmente gostava do até então namorado, mas era necessário.

Não foi tão fácil quanto imaginava, mas conseguiu se desvencilhar de tal relação tóxica, só não conseguiu livrar-se das inseguranças em se envolver novamente com outra pessoa. O medo de ser usado novamente, de não ser correspondido adequadamente, de ter novamente que amar — sozinho — por dois; medo esse que culminou em um Jimin muito cuidadoso e desconfiado quando se tratava de relacionamentos.

Desde então, não firmou compromisso com mais ninguém, se envolveu apenas com pessoas que confiava e, mesmo assim, não entrava em um relacionamento sério. Resumiu seu contato físico a encontros casuais, algumas noites de prazer, onde ele sabia que seria apenas uma troca; sem sentimentos, sem decepções.

— Talvez outra hora — falou puxando o amigo para o sofá novamente. — Agora vamos voltar aos Peaky Blinders.


[•••]


Na segunda-feira, Jimin já havia esquecido o ocorrido com o pequeno bilhete e só se lembrou quando, ao término de suas atividades na escola, encontrou outro envelope, exatamente do mesmo jeito que o primeiro: um envelope azul pastel com um bombom de chocolate. Aquela pessoa, no mínimo, queria engordá-lo, riu consigo mesmo e abriu o envelope.


Como você consegue ser tão animado em uma segunda-feira?! Eu sempre fico impressionado com sua motivação, professor Park. Você me inspira.


P.S.: Gostei muito da camisa vermelha, combina com você.”


Alguns alunos entraram no vestiário para buscar seus pertences e ele escondeu o bilhete no bolso, sorrindo e cumprimentando as pessoas que ali estavam.

— Ei, Sun — chamou. — Você sabe quem poderia estar colocando isso no meu armário? — Mostrou o envelope com o bombom à mulher.

— Uh… — falou vendo Jimin negar com a cabeça, as bochechas do rapaz ligeiramente avermelhadas — Não sei, ouço muitos comentários sobre como você é maravilhoso pelos corredores — continuou. — Mas não sei de alguém que mandaria cartas. — A mulher riu, arrumando o cabelo comprido. — Hoje em dia, ainda por cima.

— Okay, obrigado, linda. — Sorriu e acenou para a loira.

Caminhava de volta ao ponto de ônibus pensando sobre os bilhetes que havia recebido. Nenhum deles havia sido desrespeitoso, isso era bom; também não seria a primeira vez que aquilo acontecia e muito menos seria a última, era comum — com ele, até demais — que alunos demonstrassem interesse nos professores que transpusessem os limites do aprendizado. Com um professor de dança de salão, que era o caso dele, era sempre corriqueiro alguém — ou mais de uma pessoa — flertar, elogiar mais do que o normal, e até mesmo fingir que não havia entendido algum passo para ganhar alguns momentos de atenção especial do jovem professor.

E havia quem fosse mais além, como em uma vez quando um rapaz, cansado de não ter seus flertes correspondidos pelo professor, tentou utilizar uma estratégia um tanto quanto vergonhosa. Alegando que não sabia conduzir o parceiro corretamente, pediu ao Park que o ajudasse em tal dificuldade, e Jimin — educado e prestativo como sempre — prontamente se dispôs a dançar com ele e assim conseguir ajudá-lo da melhor forma.

O aluno, mal-intencionado, aproveitou-se da gentileza do loiro para tentar tocá-lo; Park imediatamente se afastou do rapaz, repreendendo-o pela atitude e reportando à Solar sobre seu comportamento. O rapaz, envergonhado, pediu desculpas, mas acabou deixando a escola. Não conseguiria olhar para o professor sem lembrar do que havia feito.

Após essa situação, Jimin se tornou mais cuidadoso e atento para esse tipo de aproximação, e pensando agora, não lembrava de nenhum aluno entre suas três turmas que estivesse demonstrando interesse nele recentemente.

Talvez devesse prestar mais atenção para evitar que acontecesse novamente.


[•••]


Na quarta-feira, Jimin terminou sua aula cinco minutos mais cedo na tentativa de descobrir quem era o tal admirador que vinha deixando bilhetes e chocolates. Bom, sem muita efetividade; quando saiu de sua sala, o vestiário estava cheio. Os alunos da turma de Hoseok haviam acabado de sair e ele ficou um pouco constrangido de ir até seu armário; decidiu sair e esperar um pouco na recepção. Quando chegou até lá, Hoseok conversava com um rapaz de cabelos negros, de pele pálida e feições que lembravam MinMin, seu gato.

Só percebeu que estava olhando para o moreno quando o mesmo deu um sorriso pequeno em sua direção, deixando Jimin desconcertado por ter sido pego no flagra.

Que feio, Park Jimin! É falta de educação encarar”, repreendeu-se mentalmente, ajeitando uma mecha de cabelo enquanto olhava para seus próprios pés.

Solar pediu para que a ajudasse com algumas matrículas novas e ele gentilmente o fez, e gastou ali alguns bons minutos.

— Obrigada, anjinho — disse. — Já está de saída?

— Sim, vou pegar minhas coisas — falou indo para o vestiário, e lá estava.

Tomou o envelope na mão e abriu com certa impaciência.


Eu vi um pouco da sua aula hoje, é incrível como você sabe exatamente o que fazer com os pés. Se eu me matricular por mais alguns meses, será que consigo ao menos não pisar no pé de alguém?

Gosto muito de quando você sorri, é tão genuíno. Você é radiante, professor Park.”


Não conseguiu deixar de sorrir, colocando a mão na frente do rosto. Não podia ver seu rosto, mas tinha plena certeza que suas bochechas estavam vermelhas; abriu a embalagem do bombom e o mordeu. Naquele momento, não saberia dizer se a doçura que sentia era apenas o sabor do presente que ganhou ou as palavras que acabara de ler.

Não conseguiu dormir cedo naquela noite, revirando na cama por horas e horas. Não entendia por que algo tão simples havia mexido tanto consigo.

Seu pequeno bicho de estimação pulou para o colchão, chegando perto do loiro para que lhe acariciasse a pelagem, manhoso como sempre, enroscando-se nos lençóis. Jimin lembrou-se do rapaz de cabelos negros de mais cedo, era engraçado como era parecido com o felino ao seu lado, capturando seu olhar com seus orbes astutos. Suspirou, cansado, e decidiu que deveria deixar essa história de recados para outro momento — que não fosse seu horário de sono — ou acabaria no dia seguinte acabado e com olheiras profundas.

Quando a sexta-feira chegou, acordou um tanto quanto empolgado; não queria pensar que estava assim por conta da expectativa de receber outro bilhete, mas era óbvio e claro que sim, esse era o motivo.

Preparou uma vitamina no liquidificador, um mix de frutas e cereais para começar o dia bem. Tomou um bom banho e colocou roupas confortáveis; não precisaria atender nenhum aluno particular e aproveitaria para trabalhar em seu trabalho de mestrado. Bastou colocar os óculos de leitura, ligar o notebook e se acomodar confortavelmente na cama para que sua mente o levasse novamente aos pensamentos intrigantes sobre seu admirador secreto.

— Se concentra, Park Jimin! — falou para si. — Concentra!

Sua aula naquele dia foi mais animada do que todas as outras; estava mais feliz que o normal, e consequentemente, transmitiu toda essa alegria a seus alunos. Estava um pouco ofegante ao se despedir de todos e — é claro — ansioso para ir ao vestiário e encontrar mais um de seus envelopes azuis com um recado amoroso.

Seus passos rápidos ecoavam no corredor e sentia um calor se apossar de todo seu peito. Porém, para sua decepção, ao entrar no vestiário, não encontrou nenhum envelope ou bombom colado em seu armário. Estava apenas vazio.

Andou até lá e tocou na porta, sua testa franzida em confusão. Buscou a chave na bolsa e o abriu, na esperança de talvez o envelope ter caído dentro do armário. Entretanto, também não estava lá.

— Mas que… — começou.

Não imaginou que ficaria tão afetado assim por não ter recebido um recadinho; mas afinal, era sempre assim, não era? Eles perdiam o interesse tão rápido quanto se interessavam. Sempre assim.

E nem tinha motivos para criar tantas expectativas, ele sequer sabia quem estava os enviando. Riu sem nem um pingo de alegria.

Como ele pôde acreditar que alguém poderia gostar realmente dele?

Era só um rosto bonito com um corpo atraente, e era só isso que qualquer um enxergaria.

Fechou a porta do armário com força e saiu pisando duro para fora daquele lugar.


[•••]


Yoongi definitivamente não entendia o que estava fazendo ali. Com toda a sinceridade, sua vontade era segurar a própria cabeça e bater contra a parede. Ainda tinha em mãos o post it que sua irmã o havia entregado. “Você precisa, Yoongi! Você é meu irmão e precisa dançar valsa comigo!”, falou a garota, no mesmo dia, mais cedo; e ali estava ele, parado em frente à uma escola de dança, prestes a entrar e pagar por aulas para aprender a dançar valsa. Quem diabos ainda dançava valsa!

Entrou a contragosto no estabelecimento, seria um sacrifício, já que ele não dançava absolutamente nada, nada mesmo.

Min Yoongi sempre fora mais interessado no mundo da música, porém, sobre o que poderia praticar parado; de preferência, sentado. Era um exímio pianista e sim, gostava de música clássica, mas ainda preferia produzir novos beats e rimas de rap.

Quando sua mãe decidiu festejar os tão aguardados 15 anos de sua filha mais nova, o Min não imaginava que teria: 1- Realizar alguma tarefa em um aniversário que não era seu; 2- Dançar valsa com sua irmã debutante na frente de todos os convidados da festa. Gemeu de desgosto só de imaginar.

— Boa tarde! — disse para a recepcionista, envergonhado. — Bem, eu… preciso aprender a dançar valsa.

— Certo, temos aulas às segundas, quartas e sextas — explicou. — Você prefere aulas coletivas ou particulares?

— Particulares! Por favor — pediu rápido. — Eu sou um desastre.

A loira sorriu compreensiva e ele retribuiu. Ouviu um murmúrio no corredor e viu dois homens aproximarem-se, e foi aí que tudo mudou.

— Eu não sei, Hobi — falava o loiro. — Acho que podemos ver o foxtrot para a competição.

— O que você escolher pra mim tá ótimo, Chim — respondeu o outro.

Yoongi desviou os olhos para a recepcionista novamente e ela sorriu cúmplice, seu rosto esquentou e ele coçou a nuca, embaraçado.

— Então, temos aulas livres com o professor Jung. — A mulher viu a pergunta implícita nos olhos do rapaz. — Infelizmente o professor Park não tem horários disponíveis para aulas particulares no momento.

— Tudo bem, hm. — Limpou a garganta. — Então quando começo?

— Se você quiser, hoje mesmo.

— Ótimo! — disse pegando o horário que lhe foi oferecido enquanto a loira terminava de realizar o pagamento das aulas em seu cartão. — Começa daqui a pouco... Posso aguardar aqui?

— Claro, fique à vontade — falou sorrindo.

Sentou-se no sofá de dois lugares disposto no lobby, apenas observando ao redor. Os dois professores continuavam conversando enquanto tomavam um café — provavelmente em seu horário de intervalo —, e Yoongi não pôde deixar de perceber a forma bonita como o loiro se movia. A postura perfeita a todo momento, e uma mudança de peso entre um pé e outro parecia mover o mundo junto com ele. Sentiu o rosto aquecer pela segunda vez naquela tarde e olhou para a mulher na recepção — tentando descobrir se estava sendo observado, não queria parecer um obcecado —, mas para seu alívio, a mesma estava concentrada demais em seus afazeres. Depois de algum tempo, o loiro se despediu e foi para sua sala, enquanto a loira chamava o outro até a recepção e Yoongi sabia que era para falar sobre suas aulas.

Levantou-se e foi até os dois quando foi chamado, mas não conseguiu tirar do pensamento o outro professor que havia visto mais cedo durante toda a sua primeira aula.

O pacote que comprou na escola de dança o concedia o total de doze aulas, o que significava um mês para tentar aprender a mover os pés sem quebrar alguma coisa ou — pelo menos — conseguir mover-se para um lado e para o outro no ritmo da música. O professor Hoseok era habilidoso e animado — até demais — e tentava a todo custo realizar a árdua missão de ensinar Min Yoongi a dançar.

Seu horário era uma hora antes das turmas coletivas, e isso o dava a chance de poder assistir quase metade da aula do professor Park antes de ir para casa. Isso acabou se tornando um passatempo maravilhoso para o moreno, já que desde o primeiro dia se viu curiosamente interessado no loiro de olhos castanhos.

Cada dia ele se via mais instigado a conhecer mais do professor, era tão encantador aos seus olhos, tão fascinante; Yoongi repetia sua rotina de ir para a aula, observar o professor por longos minutos e voltar para casa.

— Você deveria falar com ele. — Assustou-se com a voz da loira da recepção.

— O quê?

— Com o Jimin. — Apontou para o monitor onde conseguia ver o corredor pela câmera de segurança.

— Ah! – Riu sem graça. — Você viu.

— Tente.

— É... — Coçou a nuca. — Vou pensar sobre isso. Boa noite.

E realmente pensou. Passou noites em claro pensando se falava ou não com o professor. Sentia-se como um adolescente, nervoso e empolgado; então pensou, por que não? Por que não agir como um adolescente apaixonado? Apaixonado? Ele estava apaixonado?

Em meio às suas dúvidas e inseguranças, decidiu ser o antiquado que — de vez em quando — ele era, e enviaria cartas, não! Recados, para o professor Park Jimin.

Na semana em que terminaria suas aulas, tomou coragem e juntou toda a breguice que conseguiu e, assim que saiu de sua aula, pegou a fita que havia trazido consigo e colocou o envelope fixado junto a um bombom de chocolate no armário do professor.

Esperou ansioso pelo que Solar — agora ele sabia seu nome — o contaria sobre a reação de Park; e ao saber que o loiro havia se interessado em descobrir quem era, se encheu de forças e motivação para mandar mais uma.

Estava contente, em sua segunda tentativa, acabou por encontrar o professor na recepção. Na ocasião, Min estava conversando com Hoseok e pelo canto do olho, percebeu um certo loiro o observando. Seu coração aquecia e batia rápido como há tempos não acontecia; porém, quando se deu conta de que faltava pouco para que suas aulas terminassem, também tomou ciência de que ou tomava uma atitude de falar pessoalmente com o professor de uma vez, ou teria que pagar mais aulas — agora coletivas — para poder continuar na presença do loiro. E, por fim, decidiu que tomaria uma atitude. O “não” ele já tinha, agora tentaria o “sim”.

Na sexta-feira, infelizmente — para ele — foi quando aconteceu a festa de aniversário de sua irmã, e Yoongi não conseguia tirar da cabeça que precisava falar com o professor. A noite passou se arrastando como uma tortura dolorosa, principalmente os dois minutos que precisou se concentrar para não pisar no vestido ou no pé da irmã enquanto valsavam. Bom, ele não reclamaria se, em vez de sua irmã, fosse o loiro que tanto o encantava ali.


[•••]


Jimin passou o fim de semana num mau humor que não sabia de onde havia surgido — ou pelo menos não queria admitir. Acordou na segunda-feira ainda um pouco aborrecido, retomou à sua rotina e obrigações.

À noite, na escola de dança, procurava não pensar sobre seu armário ou sobre bilhetes deixados por lá, conversava com Solar antes de se dirigir para a sala de aula, para distrair-se.

— Professor Park? — Ouviu chamarem.

— Oi? — Virou-se para o rapaz de feições felinas do outro dia. — Posso ajudar? — Arrumou a postura e estendeu a mão, vendo o moreno sorrir.

O sorriso gengival mais doce que Jimin já havia visto.

— Eu sou Min Yoongi — apresentou-se. — Eu fazia aulas com o professor Jung.

— Sim? — Esperou que o outro continuasse.

Yoongi respirou fundo e sorriu novamente com as bochechas vermelhas. Jimin o observou colocar uma mão no bolso da jaqueta e tirar de lá um envelope azul pastel e um bombom de chocolate.

— Me desculpe se em algum momento acabei sendo inconveniente — começou. — Mas eu gostaria de conhecer você, de verdade. — Seus olhos estavam firmes nos do loiro.

Jimin não tinha palavras, mas conseguiu estender a mão para buscar o que o moreno o oferecia. Sentiu os dedos gelados e um pouco trêmulos do outro — talvez tão nervoso quanto ele naquele momento — e percebeu seu corpo reagir ao pequeno toque. Então era ele quem vinha o admirando secretamente.

— Nesse tem o meu número de telefone — falou envergonhado. — Então… Você decide o que fazer com isso tudo. — Riu nervoso.

O Park sequer tinha reação, sua boca estava entreaberta e ele podia ter certeza, mesmo sem nenhum espelho ali, que seu rosto estava num tom de vermelho vivo.

— O-Obrigado, eu… — gaguejou. — Eu não sei o que dizer. — Sorriu e Yoongi deu de ombros.

— Fique à vontade — disse, por fim. — Eu vou indo, boa aula — despediu-se e saiu.

Solar observava tudo com um sorrisinho no rosto e foi ela quem tirou Jimin de seu transe, pedindo que ele abrisse o envelope pois estava curiosa.

— Você tem dedo nisso, não é? — perguntou.

— Abre logo! — falou vendo o rapaz negar com a cabeça, mas ainda assim, abrir o envelope.


Sabe, professor Park, eu não sou muito de acreditar em ditados velhos ou coisas do tipo, mas não posso negar que senti algo diferente quando o vi pela primeira vez.

Eu realmente acredito que nós podemos encontrar o amor nas mais improváveis circunstâncias, afinal, eu não danço.

Não sei se estou sendo invasivo ou algo do tipo, mas eu sinceramente me interessei por você. Você é radiante, professor Park. É autêntico e inspirador.

Eu gostaria de conhecê-lo melhor. E você?

Gostaria de saber mais sobre mim?


De seu admirador (agora não tão secreto),

Min Yoongi.


Jimin sorriu com a sinceridade do bilhete, e sua conversa com Taehyung automaticamente passou como um filme em sua cabeça. Talvez houvesse chegado o momento de não ter mais medo, de dar uma nova chance a si mesmo.

Afinal, só saberia se dessa vez poderia dar certo, se novamente — e finalmente — tentasse amar.

~~~~


Notas Finais: Gostaria de agradecer a administração do Projeto pela oportunidade, à beta que com muito carinho revisou tudo mesmo estando gravidinha (Thamie <3), à capista que fez esse trabalho tão bonito para a minha fic, e por fim, a todos que leram.

Obrigada por você que chegou até aqui!

Espero que tenha gostado da história e até a próxima!!!

20 Juin 2021 20:38:16 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

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2Min Pjct Projeto de fanfics do shipp Yoonmin (Yoongi & Jimin) do grupo sul coreano BTS. Nos encontre também no Wattpad (https://www.wattpad.com/user/2MinPjct), Spirit (https://www.spiritfanfiction.com/perfil/suji05), ao3 (https://archiveofourown.org/users/2minpjct) e twitter.

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