sathanis tekila

Há quem diga que o diabo é uma pessoa justa e benevolente. Bom, ele é justo quando lhe convém e benevolente quando precisará tomar algo seu. Jeon Jungkook, ou simplesmente Venom, não era a retratação que muitos dizem. Não possuía chifres e carregava um tridente, não tinha pele avermelhada e parecia um touro enfurecido. Invés disso, Venom sempre estava trajando belíssimos ternos, com seus olhos vermelhos que poderiam lhe levar ao céu, ou inferno. Ele era a personificação da luxúria humana, bastava um "o que você realmente deseja" e pronto. Você estaria de joelhos aos seus pés. Park Jimin não era uma pessoa de muita fé. Acredita em Deus e no Diabo, respeitava-os e para si, bastava. Quando uma oportunidade surge, Jimin não pensa duas vezes e sai em meio a uma aventura, desbravando a mais sombria das catacumbas em busca da pedra que seu pai dedicou a vida procurando. E, em meios aos labirintos e buracos daquele lugar, Jimin reza para que alguém os escute e o salve daquele pesadelo. O que ele não pensava é que alguém o ajudaria. "Deixai toda esperança, ó vós que entrais".


Fanfiction Célébrités Tout public.

#jungkook #Jimin #kookmin #Jikook
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O1 – Diga com quem tu andas


Muitos dizem que o inferno é o lugar para onde todas as almas errantes do mundo vão após sua morte. Em partes, eles estão certos. Mas, além disso, o inferno é o lugar onde a redenção faz morada. É em meio a dor e sofrimento que todos os homens e mulheres pedem perdão ao único criador. Embora impossível, de vez em quando seus moradores conseguem escapar e fazer visitas na superfície. No ano de 1500 foi roubado do martírio uma pequena pedra, esta que pertencia ao castelo do rei maldito. O objeto foi roubado por um barganhador, seres que invadem mundos para roubar algo de muito valioso e em troca, obter riquezas inimagináveis.


Por ser tratar pedra rara, logo foi disputada entre reinos, sendo conquistada mais tarde pelo povo de hor. Vendo que o poder da pequena pedra era perigoso demais em mãos erradas, os regentes de hor decidiram escondê-la de todos. Eternium, a lendária pedra da cura e do conhecimento foi, aos poucos, totalmente esquecida. Com o passar dos anos, seu paradeiro original fora totalmente questionável, homens de todas as idades e de todos os lugares da terra arriscavam suas vidas em cavernas profundas e no fundo do mar, encontrando-se com seu derradeiro fim.


Park Jimin não era uma pessoa ambiciosa, não era um caçador de tesouros, tampouco possuía cobiça. Entretanto, sua curiosidade sempre foi seu pior defeito. O jovem dedicava sua vida a encontrar o verdadeiro paradeiro da pedra preciosa, esta que segundo Jimin, lhe traria todas as respostas que buscou a vida toda. Para muitos, eternium era apenas uma lenda, um mito que os antepassados usavam para enganar jovens iludidos que sonhavam em virar nobres exploradores. Park fora agraciado com a sorte de ter ao seu lado um pai amoroso que o ajudou em suas buscas por pistas, ou qualquer mínino sinal de onde "eter" poderia de encontrar.


🍎


– Paris, Jimin? – Ouvi a voz da minha amiga, me tirando dos pensamentos que ultimamente, se tornavam mais frequentes. – Você sabe que Paris não nos quer lá. Esqueceu que roubamos aquela pintura pensando que poderia conter alguma informação sobre eternium?


– Sim, Paris. – Respondi calmo. Não era surpresa que sua reação fosse ambígua, Solar não esquecia das vezes que quase morremos em busca da pedra.


– Você só pode estar brincando, já não basta termos ido ao Iraque clandestinamente, correndo risco de morte? – O tom de furioso de Solar me fez sorrir, apesar de ser sido uma aventura incrivelmente perigosa, me trouxe uma pista magnífica.


Nossa viagem ao Iraque tinha sido um completo desastre. Além do país ser totalmente perigoso, tínhamos altas chances de sermos pegos por algum grupo de terroristas dentro dos ônibus que andamos. Por termos entrado ilegalmente, a pena para nosso crime seria sermos enterrados até o pescoço, juntamente de uma grande construção de rocha sobre nós. A todo momento andávamos com o corpo completamente coberto, principalmente em lugares abertos, e embora ninguém pudesse nos ver, o medo se fazia presente em cada passo que dávamos.


Não posso falar que foi a melhor experiência da minha vida, pelo contrário, ela está dentre meu top 5 de piores. O Iraque é o lugar onde o crime, assaltos, mortes e rebelião é algo extremamente comum.


Sobretudo para Solar visto que a porcentagem de acidentes para viajantes mulheres é altíssima.


Apesar dos riscos, precisávamos chegar em Bagdá. Não é necessário uma vasta pesquisa para saber que Bagdá é a segunda maior cidade do Iraque, sendo assim, ela recebe mercadorias de várias partes do planeta, através de um conhecido recebemos a informação que existia um pequeno pergaminho na caverna habala.


Não foi uma tarefa fácil achar um guia turístico já que o governa havia decretado a destruição total de milhares de cavernas, já que a maioria delas serviam apenas para depósito de entulhos e para rituais macabros. Porém, para os poucos alquimistas que restavam no mundo, habala possuía algo de muitíssima importância.


Quando coloquei meus olhos no intitulado mapa da alma fiquei tão eufórico que não medi esforços para voltar a Coréia e começar minha busca pela tradução. Por muita sorte, eu falava e consegui ler fluentemente o idioma húngaro.


– Você não vai me contar o que descobriu no mapa da alma? - Solar falou calma, seu tom era parcialmente contido.


– Eram palavras desconexas, cheguei a questionar meu húngaro, mas havia uma frase formada que fazia muito sentido – falei pausadamente, bebendo um pouco do meu café frio. – Ela dizia "Ao som da trombeta, todos os mortos irão sair do seu lar e ressuscitarão". – olhei para a loira de maneira sugestiva, abrindo um pequeno sorriso ao ver a confusão estampada no seu rosto. – Paris, Solar. As catacumbas, ou melhor dizendo Les Carrières de Paris.

Segundo as histórias contadas pelos moradores, esses túneis subterrâneos abrigam mais de seis milhões de corpos, comportados em 400km de extensão, simplificando, o lugar também conhecido como a morada dos mortos.


– Você está falando sobre o cemitério dos inocentes? Jimin, eu me recuso a ir lá. Você nunca ouviu as histórias? – seu tom era totalmente assustado. – naquele lugar deve estar lotado de fantasmas dos trabalhadores e das pessoas que morreram injustamente lá. Eu não quero fazer parte dessa estatística horrível.


– Solar, se você não quiser ir não irei te obrigadar – peguei sua mão delicada, olhando para seu rosto atentamente. – passei boa parte da minha vida tentando achar eternium, você conhece essa história, desde pequeno eu tenho sonhos com esse homem dizendo que eu sou a pessoa que irá encontrar – soltei um suspiro fraco. – isso é importante, eu preciso seguir na minha busca.


Não era novidade para ninguém que me conhecesse, começou quando eu tinha idade suficiente para saber que meus sonhos não eram apenas sonhos. Sempre começavam comigo dentro de uma floresta escura, eu conseguia ouvir gritos por todas as partes e em seguida o silêncio ensurdecedor, logo uma figura masculina de capuz preto aparecia na minha frente e falava "é você, Jimin. Você achará eternium e irá trazê-lo até mim" logo depois da sua fala, eu sempre acordava assustado, mas com a mesma sensação de que alguém estava me observando.


– Eu vou com você, Jimin. – A voz de Solar se fez presente no cômodo, me fazendo olhá-la instantaneamente, abrindo um enorme sorriso. – Eu não deixaria meu irmão sozinho nessa aventura, se você cair, eu vou junto. – ela levantou o dedo mindinho na minha direção. – Jimin e Solar contra o mundo.


Levantei meu dedo mindinho na direção no seu, envolvendo o mesmo no meu.


– Jimin e Solar contra o mundo.


🍎


  • PARADIS, PARIS:


– Você pode mesmo nos levar no fundo das catacumbas? - Questionei ao nosso mais novo guia e antigo amigo, Jay. Ou como ele quer ser chamado, L'ombre.


Estávamos na frente do hotel que escolhi para passarmos a semana. Solar não estava confiante sobre o L'ombre, porém ele era referência em conseguir entrar em lugares proibidos em Paris.


– L'ombre pode tudo – Jay falou em tom totalmente convencido, ganhando um revirar de olhos da minha amiga. – Temos equipamentos, pilhas de lanternas, água, comida e eu sei decorado o caminho das catacumbas. Não tem como nada dá errado, confiem.


– Espero mesmo, estamos confiando no seu trabalho, por mais questionável que seja. – Solar ditou com sua habitual rudeza. – Jimin, quais anotações nós temos sobre o local exato que eternium pode estar?


– Na antiguidade os alquimistas acreditavam que monsieur venance havia escondido a pedra consigo em seu túmulo. Mas não seria tão fácil achar, ele se baseou na antiga armadilha egípcia usada por faraós para montar a fortaleza da sua morte – olhei para as pessoas presentes na nossa pequena roda de conversa, todas elas pareciam interessadas em saber da história, menos Jay. Esse que parecia querer devorar uma hamburgueria do outro lado da rua com os olhos. – a parte legal é que ele não contava que os alquimistas também tinham seus próprios truques. Venance foi um homem muito fissurado sobre o inferno. Ele acreditava que o número do diabo era setecentos e quarenta e um, e não seiscentos e sessenta e seis como muitos acham até hoje – respirei fundo, pegando meu pequeno bloco de anotações. – segundo o próprio, o inferno está localizado nessa distância, porém é humanamente impossível chegar tão longe, então teremos que descer trezentos pés à baixo da superfície, esse é o número limite.


– É moleza. Nós vamos conseguir e voltar antes mesmo do sol deixar o céu. – L'ombre decretou.


Eu poderia rebater a fala do Jay, dizer que infelizmente não seria tão fácil, mas não queria causar uma comoção a preço de nada. Sabíamos de todos os riscos que estariam em nossa jornada. Muitos de nós não iria retornar. Mesmo que esse "muito de nós" seja apenas três pessoas.


🍎


– Os equipamentos estão dentro da Van? – Jay perguntou.


– Sim, peguei pilhas para as lanternas também. É sempre bom ter uma reserva. – Solar respondeu despreocupadamente. – Os celulares estão carregados? Qualquer problema podemos tentar contato com alguma autoridade.


– Mon bien-aimé, não sei se você se lembra, mas estaremos entrando nas catacumbas de maneira totalmente ilegal, se a gente for pego não esperem menos que alguns anos na polícia, e vai por mim, os franceses são terríveis. – Jay brincou, ganhando um revirar de olhos meu, mais um de brinde da Solar. – Além disso, não existe sinal lá embaixo, o solo é muito grosso. – ele deu de ombros.


– E o que acontece se você precisar de ajuda? – Questionei receoso.


– Você morre. – Ele disse de maneira simples, como quem fala que vai comprar pão.


Tudo pela pesquisa. Tudo pelo que tanto você lutou.


Você está quase lá, Khalil.


Meus passos eram cada vez mais vacilantes a medida que ficávamos mais pertos da entrada clandestina da caverna. A todo momento me questionava se estava fazendo o certo. Eu passei quase 15 anos da minha vida estudando, lendo e indo atrás de pistas sobre eternium, todos os eventos que aconteceram até agora foram calculados e moldados para este dia. Em poucas horas eu estaria com a maior lenda de todos os tempos.


Quase lá.


– Jimin, você tem certeza? – Solar me olhou preocupada. – Você tá parecendo que colocou cinco quilos de pó de arroz na cara de tão pálido que está, garoto.


– Tenho certeza, Sol. – Revirei meus olhos.


– Certeza de que tem total certeza?


– Certeza.


Jay pulou rapidamente a pequena entrada do atalho, enfiando nossos equipamentos, juntamente das nossas mochilas. Ele ergueu as mãos na direção de Solar, vendo a mesma o fitar em dúvida.


– Estou te ajudando a descer, mulher. – falou enfadonho.


– E quem disse que eu preciso de ajuda, homem? – Sol contra argumentou L'ombre. – Eu mesmo desço, não preciso de ninguém me tocando de maneira desnecessária.


Assim que a mesma pulou, tropeçou em uma pequena elevação, dando de cara com o chão. Rapidamente se levantando, Solar passou a mão no rosto e nos cabelos de maneira irritada tirando toda a areia presente em sua face.


– Quem rir vai pro inferno.


Ditou antes de sair marchando na frente, adentrando enfim a grande caverna escura.


Engolindo minha risada, eu segui na mesma direção que minha amiga, com Jay logo atrás de mim resmungando que deveria ter ficado em casa vendo Lúcifer.


Estávamos andando há cerca de quinze minutos em total silêncio, ouvindo apenas alguns ecos quando nossos pés bicavam uma pedrinha ou outra no chão. Foi quando avistei uma enorme placa com uma frase em dourado "Pare, aqui é o império dos mortos".


- Para onde vamos, Jimin? - Solar perguntou, enquanto posicionava de maneira correta uma pequena lanterna no topo da sua cabeça, que esteja quase caindo pela décima vez.


- Precisamos descer mais. Estamos há menos de cem pés.


- Não tem como descer, esse túnel é em linha reta, Park. - Jay refutou. - E mesmo que tivesse algo há mais, o único caminho que tem e passando por cima de alguns milhares de ossos humanos.


Solar me olhou me preocupada, sendo recebida com o mesmo olhar por mim. Respeitando fundo eu tirei meu mapa da minha mochila, estendendo ele no chão para que todos vissem.


- Está vendo aquele pequeno ponto? - apontei para uma mancha preta, quase imperceptível para quem olhava de longe. - Essa é uma passagem que os alquimistas usavam para poder descer até as reais profundezas da catacumba. Ela foi projetada para ninguém saber sua existência, não fico admirado de ninguém nunca ter conseguido achar.


- Eu só consigo me perguntar como vocês sabem de tudo isso, mas nunca acharam essa pedra maluca aí.


Às vezes, quase sempre, a todo momento eu tinha vontade de esmurrar a cara desse homem.


- Alguns nunca foram tão longe, existe milhares de histórias que contam que ao entrar nesses buracos, você nunca mais irá retornar. Então eles simplesmente estudam e escrevem. - dei de ombros, fingindo não notar o olhar de espanto que meu guia turístico me lançava. - Adiante?


- Olha, eu sou novo e gostoso demais para morrer. Vamos voltar, provavelmente sua pedra nem está mais aí.


Ergui minha cabeça olhando em sua direção, tenho certeza que meu olhar era assombroso pois ele se calou na hora, se sentando no chão e pegando o mapa, fingindo analisar alguma coisa.


- O seu caminho é o correto, Jay. Entretanto, ao invés de passar por cima dos ossos, nós precisaremos ir para baixo deles. Você trouxe uma pá, vamos usá-la apenas para abrir caminho.


Me levantei do chão, recolhendo meu mapa e o guardando novamente na bolsa. Logo segui na direção onde encontraríamos a muralha de ossos secos. Não foi difícil achar, uma vez que é uma grande montanha com pelo menos duzentos mil ossos do que um dia, foram pessoas.


- É difícil aceitar que a ambição do homem trás tanta desgraça.


O comentário de Solar me deixou pensativo.


Concordando de maneira simbólica, me arrastei até o topo da pilha, logo pegando a pá e escavando todo o caminho para baixo. Meus braços estavam completamente dormentes e não havia nem sinal de qualquer porta ou buraco que pudesse nos levar para nosso objetivo.


- Jimin, tenta o outro lado.


Jay gritou, sentado no chão enquanto me olhava trabalhar como um condenado.


- Será que vossa nobreza não quer ajudar esse humilde servo? - perguntei-lhe em pura irônia.


- Obrigado pela oferta meu nobre camponês, mas eu passo.


Revirando meus olhos em tédio, volto a cavar com força total.


- Pessoal, achei algo. - Aviso meus amigos, ganhando a atenção deles.


Meus amigos se aproximam de mim, olhando o buraco com curiosidade. Não tem segredos, é apenas uma grande e escura abertura dentre os ossos. A ideia de descer esse mar de incertezas gela meu corpo todo, por um minutos de insanidade penso sentir minha alma dando três passos para trás.


Jay no entanto não parece ter qualquer reação ao ver nossa descoberta. Ele pega uma pequena pedra, se aproxima na boca do buraco e a joga suavemente enquanto olha seu relógio.


Alguns segundos depois, ouvidos a pedra chegando ao final do túnel.


- Digo com tranquilidade que deve ser pelo menos, uns duzentos pés para baixo.


Olho para Jay totalmente perplexo.


- Você está brincando, não está? Diga que está.


- Tenho cara de quem está brincando, Jimin? Pour l'amour de Dieu. - Ele revira os olhos.


Tudo bem. São apenas mais duzentos metros, não tem com o que se preocupar.


- Pegue os equipamentos, vamos descer antes que eu utilize esses espaço como banheiro público.


Sem pensar duas vezes, Solar corre para tirar as cordas e os contos da mochila dela, estendendo para Jay e o ajudando a posicionar em uma rocha segura.


- Vamos fazer o seguinte, primeiro eu irei descer e checar se está tudo como deveria estar - ele olhou para Solar, enquanto eu fiquei perdido na explicação. - logo depois de mim vem a Solar, aí você poderá descer, Jimin. Eu deixaria ela vim primeiro, sabe como é os modos do cavalheirismo, damas na frente e essas coisas, mas esse lugar não é visitado há mais de quinhentos anos, não sabemos quem ou o que está por aqui.


Assim que Jay desceu, depois de quase vinte minutos de pura agonia, recebemos o sinal para que Solar descesse e assim foi feito.


Quando chegou minha vez, lutei muito para não ter um ataque de pânico. A passagem para descer era extremamente estreita, não vou mentir em dizer que não pensei em desistir. Na verdade, desde que entramos nas catacumbas, eu pensei em desistir umas trinta vezes.


- Você está chegando, Jimin. Não olhe para baixo até que eu avise, sim? - O tom doce na voz de Solar se fez presente, me fazendo suspirar em alívio.


Eu tinha total noção que estava mais lento que uma tartaruga, afinal meus companheiros de jornada não demoraram mais que quinze minutos para chegar em terra firme, enquanto a mim, já passava de meia hora pois há cada minuto eu parava para respirar fundo.


- Pode abrir os olhos, Jimin. Você conseguiu, anjo.


Ao abrir meus olhos, vi Solar e Jay dançarem Macarena em pura animação, felizes demais com minha pequena vitória, sorri agradecido.


Quando olhei em volta, pude enxergar vários outro túneis, o que me deixou totalmente atônito. Cada um era da mesma forma, com uma altura extremamente baixa, a julgar diria que para passar por eles, só seria possível se fôssemos curvados.


- Qual deveremos ir? Será que rola o uni duni te?


Não parecia ser uma escolha ruim. De fato, cheguei a cogitar a ideia.


- Acho que devemos pegar o da esquerda.


- Por qual motivo? - Perguntei ao Jay.


- Presumo que a pessoa que criou isso queria enganar e fazer todos pensarem que o caminho seria o mais óbvio, o do centro. Porém, eu aposto que lá dentro tem uma curva que nos levará exatamente ao centro, e no túnel central, nos deixaria preso em alguma armadilha. Mas é só um palpite.


- Eu compartilho a teoria do Jay, Jimin. Deveríamos apostar nesse aqui.


Concordando com eles, seguimos em frente para o túnel.


Ao decorrer do percurso, ouço gemidos de dor dos meus amigos. Se eu estou sofrendo mesmo sendo baixo, imagino o que meus amigos que são quase titãs não estão passando. Surpreendentemente, ao chegarmos no final do túnel, havia uma curva levando para outro buraco, da mesma forma que o anterior, esse também nos levaria para baixo.


Estávamos chegando aos confins do mundo.


- Estamos há exatos trezentos e setenta e um pés abaixo da superfície, de alguma forma muito estranho essa caverna está nos levando cada vez para fundo.


Sem demorar, preparamos todo equipamento necessário, não deixando o pânico me atingir, apenas resolvi ser o primeiro a descer. Por incrível que pareça, minha descida foi tranquila.


Quando firmei meus pés no chão, fiquei totalmente maravilhado com o que estava na minha frente.


– Wow.


Solar soltou assim que olhou para a sala em que estávamos.


– Que porra é essa? – Jay brincou, passando seus olhos pelas escritas na parede. – Se soubesse que teria que ler esses rabiscos eu teria comprado um pacote de internet móvel pra usar o tradutor. – deu de ombros. – aí, cacete.


Jay reclamou alto, massageando a nuca depois de receber um tapa da minha amiga.


Cheguei perto das escrituras em volta de todo ambiente. Aparentemente, era um local sem saída e minúsculo, pequeno demais para três adultos estarem juntos consumindo o pouco oxigênio que tinha.


- Aqui, Jimin. Você consegue ler isso? - Solar apontou uma pedra antiga, que estava recheada de palavras.


- "Entre o reino do céu, no meio do caminho, entre o portão mais sinistro do inferno" - Falei desconcertado. - "Visite as profundezas da terra, consertando o erro achará a pedra escondida."


- Se formos pela lógica, estamos nas profundezas da terra, quinhentos e setenta e um pés exatos. No centro das catacumbas, entre o inferno e o céu...- Solar pausou sua fala, olhando para mim com um olhar sinistro. - estamos prestes a passar pelos portões do inferno.


Engoli em seco, sempre tentei replicar essa ação enquanto lia algum livro de romance em meus tempos livros, sem sucesso até hoje.


- Você está dizendo que nós literalmente vamos para o inferno? - Jay gritou em pânico. - Eu quero a minha mãe, eu nem disse que a amava.


- Eu também não me despedi do meu gato, pobre senhor das trevas, estamos todos na merda. - Sol revirou os olhos em completo tédio.


- Seu gato se chamava senhor das trevas? - Como se o nome do gato de Solar fosse o tópico mais importante, Jay perguntou indignado, colocando as mãos na cintura. - Ele deve ter sofrido muito bullying na escola.


- O nome dele é Rumpelstiltskin, senhor das trevas é apenas um apelido carinhoso, homem.


- Rumpelstiltskin? Meu deus, só piora. Coitado dessa criatura, não tem culpa de ter uma dona tão desnaturada assim.


Cansado pelo drama do meu amigo e guia, andei lentamente pelo cubículo observando cada detalhe até perceber dois pequenos símbolos em uma das pedras, duvidosamente posicionado no lado inferior da sala, longe dos olhos de qualquer um que não tivesse uma boa percepção. O que me leva a crer que essa sala é toda projetada para causar pânico, impedindo que qualquer um pense com raciocínio para sair daqui.


Cheguei mais perto do símbolo, reconhecendo ele. Dois desenhos, um ao lado do outro; um era um círculo, com um grande triângulo no topo e ao redor do círculo, as letras N, S, N, M e P. No outro, parecia ser um grande T na vertical, juntamente com outros dois pequenos.


– Você conhece esses símbolos, Jimin?


Sol me perguntou intrigada.


– Pode apostar. Esse símbolos do círculo significa le portail de la magie ou, o portal da magia. Assim na terra como no inferno, na antiguidade eles acreditavam que essa frase era a chave para toda magia negra. Isso significa que o que tem dentro de mim, tem fora de mim. Assim na terra como no inferno, assim como meus pecados, meus pensamentos e como Lúcifer. – Olhei para o símbolo novamente, respirando profundamente. – Como eu acredito que o mundo é, ele será.


Como num passe de mágica, uma grande abertura se abriu no chão sobre nossos pés, nos puxando para baixo sem qualquer chance para ter uma reação.


Depois do que pareceu uma eternidade, caímos um por cima do outro no chão.


– Jesus, Maria, José e todos os discípulos. Que merda foi essa? – Jay disse assustado, sua respiração estava alta, acho que ele morreria a qualquer momento.


Com a força da batida, nossas lanternas se quebraram e nossas única opção era as laternas normais.


- Gente...- chamei atenção dos meus amigos. - olhem isso.


Rapidamente Solar e Jay olharam para a pequena entrada diante dos nossos olhos. Diferente do que eu pensava, eles pareciam que estavam felizes.


– Endlich mein Zuhause. – Solar disse animada.


– Haus. – Jay pareceu responder Solar, olhando de relance para mim.


– Vocês falam polonês agora? – Em um momento de burrice, fiz essa pergunta.


– É alemão, anjo. É a frase de um filme que vimos ontem. – Solar se aproximou, beijando minha bochecha suavemente. – Vamos ver que aventura essa porta irá nos levar.


Ainda desconfiado, concordei pegando minha mochila no chão e caminhando com dificuldade até a pequena entrada.


– Não tem para onder ir, aqui é literalmente nossa única saída. – Jay disse.


Ele não estava errado.


O clima estava muito quente, era como se estivéssemos em uma grande frigideira. Diferente de mim que suava como um condenado, meus companheiros estavam completamente normais.


Agoniado em querer sair desse lugar, me apromixei da entrada, me abaixando para poder observar seu interior.


– Será que a pedra está aí?


– Tenho certeza. Chegamos ao fim da catacumba, não tem como ir além.


– Tem algo escrito aqui, deve ser alguma instrução para sairmos desse inferno.


Fiquei minha visão totalmente nas palavras em volta da parte superior da abertura. Arregalando meus olhos em puro desespero.


Não, não, não, não, não e não.


– Alguém traduz?


– Deixai toda a esperança, ó vós que entrais. – Falei me tremendo dos pés a cabeça. – Segundo várias religiões, essa é a frase que está escrita nos portões do inferno.


– Bom, então vamos entrar né. Pior que está não pode ficar. – Jay deu de ombros.


– Ele tem razão. Na merda já estamos, e é como eu sempre digo, o que é um choro pra quem já se mijou todo. – Sol disse brincalhona.


Lentamente me abaixei, ficando deitado no chão, rastejando-me sobre a pequena fenda. A constatação me fez olhar para trás, encontrando os olhos de Solar vidrados em mim.


– Sobre seu ventre rastejará para entrar no reino das trevas. – Sussurrei.


Aos poucos, fui me deixando levar pelo espaço minúsculo. A cada minuto eu estava ficando cada vez mais cansado, não conseguia mais ouvir nada. O calor estava infernal e o túnel parecia não ter fim. Parei ao me sentir zonzo, tendo a noção que desmaiaria a qualquer momento, tentei gritar mas nenhuma voz saiu da minha boca. Quando tentei me mover, não senti meu corpo, e então veio o pânico. Eu morreria ali, e ninguém poderia me salvar ou me achar. No fim, eu seria mais um a morrer pelas mãos de eternium.


Com esse pensamento, deixei a escuridão me levar.



🍏



Abri meus olhos de maneira lenta, eu estava totalmente destruído. Não existia um pingo de vontade de me levantar e eu sabia que estava deitado em algum lugar, naquele momento não me importava.


Um cheiro de carne podre chegou as minhas narinas, me fazendo revirar a cara em desgosto. Levantei minha cabeça e olhei em volta, eu estava em uma floresta.


Em uma floresta.


Me levantei de supetão olhando em volta, meus olhos se encheram de lágrimas ao me recordar de onde eu conhecia aquele lugar tenebroso.


Tentando manter minhas pernas firmes, me coloquei para correr. Eu não tinha uma direção certa, eu só queria sair daquele lugar.


Se meus sonhos eram reais, em breve eu encontraria ele.


Foi quando aconteceu. Uma mão escura, grande, com enormes garras e em pura carne viva tocou meu ombro, gelando meu corpo todo.


E então, ouvi sua voz.


– Regarde ce que l'oiseau m'a apporté, Olá, Jimin.



➴ ➵ ➶ ➷ ➸ ➹




• Os símbolos descritos são a marca de caim e a proteção de anjos da série supernatural.


• Algumas cenas foram inspiradas do filme "assim na terra, como no inferno" recomendo muito, inclusive.


• Perdão qualquer erro, capítulo NÃO revisado.


Até mais, nenês :D.





4 Juillet 2021 18:29:24 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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