devilwhore P. Miranda

SeHun simplesmente não conseguia tirar seus olhos do lindo chinês que vivia aparecendo no bar onde trabalhava, porém acreditava que jamais teria uma chance de falar com ele ou sequer trocar olhares, deixando o desejo aprisionado em sua mente. Mal sabe ele que o destino lhe reserva uma grata e excitante surpresa no momento que menos espera.


Fanfiction Groupes/Chanteurs Interdit aux moins de 18 ans.

#romantica #pwp #romance #lemon #yaoi #sehun #zitao #kpop #exo
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Três Cubos de Gelo

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— Eu acho que você enlouqueceu. — Disse para mim mesmo em frente ao espelho enquanto encarava meu reflexo completamente destruído por outra noite de trabalho intenso no bar. Joguei uma boa quantidade de água gelada na face e ao ver que toda a gola da camisa de tecido branca estava molhada apenas a tirei em uma só puxada e joguei para o pequeno cesto de roupas sujas, dando um suspiro longo e desesperado. — Ele nem sabe que você existe. — Tentei me convencer enquanto me lembrava do lindo sorriso de ZiTao, o cliente que pedia sempre o mesmo whisky importado com três pedras de gelo.

— SeHun, meu filho, esquentei comida ‘pra você. Vem comer! — Minha mãe gritou lá de baixo e tudo o que pude fazer foi descer as escadas com pressa, ainda secando o rosto com uma toalha velha. Quando senti o cheirinho gostoso dos pratos que geralmente eram servidos no restaurante acabei abrindo um sorriso largo, ainda existia prazer em ter vinte e cinco anos e morar com os pais.

— Mãe, a senhora é um anjo. Desculpe ter te acordado. — Falei enquanto me sentava na cadeira que ficava na ponta da mesa, vendo todos os pratos bem dispostos como se minha mãe tivesse servindo um dos clientes.

— Não tem problema, meu amor, apenas se alimente, sim? — Ela me sorriu com doçura e antes de finalmente se recolher em seus aposentos me deu um beijo atrás da cabeça e um carinho nos ombros. Minha mãe ainda era jovem e bonita, não tinha nem chegado aos cinquenta anos, eu me perguntava se em algum momento se arrependeu de escolher a vida de dona de casa, com certeza poderia ter sido modelo ou algo assim. Aconteceu algumas vezes de me perguntarem se ela era minha namorada, ou de amigos pedirem para se aproximar, mas esses casos meu pai não ficou sabendo nem como história engraçada.

— Ok, mãe, obrigado. Boa noite. - Falei com calma, enquanto ela sumiu para dentro do corredor. Apenas comecei a saborear o delicioso jantar e a pensar que por mais que quisesse finalmente atingir minha independência, sentiria falta desse tipo de carinho.

Peguei meu celular e comecei a conversar no grupo de colegas de sala do ensino médio, por mais louco e incomum que parecesse, ainda éramos todos amigos. Isso era de fato muito bom, porém eu me sentia levemente mal toda vez que eles começavam a falar de suas vidas, como estavam trabalhando… Eu tinha ganho uma bolsa quando era jovem, para estudar nessa incrível escola particular para riquinhos, porém quando chegou a hora de entrar na faculdade não tive condições de pagar e acabei tendo que ficar ajudando meus pais no restaurante para firmar as contas. Acho que acabei perdendo o timing, pois mesmo fazendo alguns bicos, jamais conseguiria pagar um local para estudar. Era estranho ver que JongIn se tornara médico, JunMyeon era um compositor famoso e já tinha duas filhas gêmeas, ChanYeol estava bem em uma empresa de construção e eu, que um dia fora o mais inteligente da turma, me encontrava trabalhando como caixa no restaurante durante a semana e bartender a noite nos finais de semana… alguns dias pensar nisso me deixava desesperado, ainda mais com meu pai doente e internado há quase dois anos, sem qualquer sinal de que acordaria em algum momento. Deixá-lo lá um sofrimento absurdo, além de um gasto ainda maior do que esperado.

— Como parei nessa situação? — Perguntei a mim mesmo já me levantando para lavar os pratos enquanto via as mensagens subindo na tela do celular, nada muito interessante. Até que finalmente um dos amigos não tão próximos da gente colocou uma imagem no grupo, convidando a todos para seu casamento que seria duas semanas a frente. Todos pareceram animados em aparecer, mas eu nunca fora tão amigo de Luhan para ficar animado ou algo assim, em geral ele era só o menino mais velho que nos ajudava a comprar bebida. Só me lembro também que todos achavam o máximo como ele sabia ser maneiro andando de moto e falando em chinês com umas meninas intercambistas uma vez, não que eu me interessasse por mulheres, porém era legal ver gente falando outros idiomas. Luhan era chinês e tinha se mudado para a Coréia pequeno, mesmo assim ainda carregava um jeito de estrangeiro bem forte. Fiquei refletindo se deveria ou não ir a cerimônia, até mesmo comentei que talvez tivesse de trabalhar naquela noite, porém a insistência de todos para que aparecesse foi tanta que acabei até mesmo aceitando a carona que JongIn me ofereceu.

O tempo passou tão rápido que quando vi já estava de terno e gravata parado em frente de casa a espera de meu colega, e agora motorista, segurando um envelope com o presente em dinheiro que daria aos noivos. Tive que dobrar o turno no bar na semana anterior para ter uma quantia aceitável a entregar.

Finalmente o carro preto e bem bonito chegou com seus faróis baixos acesos e uma música que dava levemente para ouvir do lado de fora, como sempre eletrônica e agitada, não tinha nada que JongIn gostasse mais do que carros e festas, talvez só mulheres. Mas não tenho certeza se ele trocaria um bom salão do automóvel por um encontro.

— E aí, gracinha, quanto é a hora? — Ele perguntou com seu ar brincalhão ao abrir a janela para mim. Sempre mantinha aquele sorriso matador e olhar de quem destruiria corações, provavelmente se eu tivéssemos sido amigos desde aquele tempo, eu teria um abismo inteiro por ele.

— Pra você, até de graça, gatinho. — Entrei na brincadeira com um sorriso no rosto, já abrindo a porta para me sentar no banco do passageiro, rindo da forma como ele ainda me trava igualzinho nos tempos de escola.

— Como vão as coisas no restaurante? Sua mãe continua tão gostosa quanto a comida? — Tinha horas que eu pensava que ele simplesmente não conhecia a palavra limites.

— Sua falta de medo de morrer me impressiona de vez em quando. — Comentei com um sorriso desaforado, igual aos que ele me dava.

— Ah, para! Achei que já tivesse se acostumado. — Comentou com um ar divertido.

— Vou ficar falando de comer a sua mãe pra ver se você se acostuma. - Brinquei enquanto sentia o carro acelerar pelas ruas agitadas da capital sul-coreana.

— Minha mãe eu nem ligo, mas fala o nome da minha irmã pra ver se não te dou um soco na fuça. — A frase terminou com uma gostosa gargalhada e a conversa foi se estendendo nesse clima leve até que finalmente chegamos ao lindo salão de festas onde seria realizado o casamento. Pelo que JongIn falou, não só LuHan; como também sua esposa eram pessoas muito influentes do ramo alimentício e tinham dinheiro para usar até como papel higiênico e isso estava bem claro ao ver toda a pompa e circunstância da celebração.

— Olha só quem resolveu dar o ar da graça… — Pude ouvir a voz alegre de MinSeok atrás de mim, enquanto batia em meus ombros.

— Pois é… temos que sair de dentro da caverna de vez em quando. — Comentei com um sorriso amigável na face, vendo que meu ex-colega já se apressava em me apresentar a sua namorada, uma menina que parecia jovem demais para ter estudado conosco.

Quando finalmente acabamos as apresentações e eu tive a oportunidade de cumprimentar todos os convidados que me eram conhecidos, meus amigos me chamaram para nos sentarmos e assistirmos a cerimônia; que foi lindíssima por sinal. Porém acabei por não prestar grande atenção nos noivos e sim no garoto que cantou sua canção de homenagem, era ele… ZiTao. O cliente que tirava meu sono e voava por meus desejos mais profundos. Mal consegui acreditar. Pelo que fora dito pelo cerimonialista, era primo do noivo. Fiquei encarando aquele olhos fundo e sensuais, a figura esguia e alta… tão erótico. Até mesmo seu jeito de segurar o microfone me fazia perder o ar.

Nem sequer me lembro como a cerimônia acabou, apenas consigo me recordar de seguir para o grande salão de festas seguido por meus colegas, ainda com os olhos pregados no homem de pernas longas e cabelos bem alinhados. Era hipnotizante. Mal acreditei quando eu dado momento da noite, já com todo mundo meio bêbado espalhado pela pista de dança senti uma mão em meu ombro enquanto me servia de um copo de bebida no bar e me virei para ver aquele que tinha observado todos os segundos me encarando com um sorriso gracioso.

— Oi, boa noite… Sei que parece meio estranho, mas eu queria perguntar se nos conhecemos de algum lugar? — Fiquei sem reação com a fala dele e acabei ficando apenas parado por alguns segundo com os olhos arregalados antes de finalmente conseguir balbuciar algumas palavras.

— Talvez… você também me parece familiar. — Tentei soar o mais natural possível, já que era uma mentira deslavada aquela minha indiferença.

— Ah! Já sei! Você é o menino daquele bar perto do Itaewon, né? — Como alguém com feição tão sensuais podia ser tão fofo e simpático, eu realmente não estava acreditando no que via.

— É, pois é… me descobriu. — Ri coçando a nuca de uma meio sem graça, ninguém ali parecia ser do tipo que levaria um simples bartender a sério. — Você é o cara do whisky importado com três pedras de gelo. — Deixei escapar sem nem perceber, instantaneamente senti medo de ele me achar um completo maluco.

— Eu mesmo! Que legal que você se lembra… — Algo nele o fazia parecer levemente tímido, no ar eu sentia como se ambos estivéssemos compartilhando a mesma mistura de alegria, hesitação e desespero. Sem falar de uma imensa parcela de um sentimento de constrangimento indescritível.

— Quer um cigarro? — Acabei perguntando sem sequer esperar, algo me fez desesperadamente desejar que aquela conversa não terminasse ali. É preciso salvar o momento e aproveitar as pequenas chances que a vida nos dá, não é mesmo?

— Por favor. Já estava cansado de ficar aqui dentro mesmo. Tem um jardim bem legal lá fora… — Ele indicou uma porta de vidro do outro lado do salão, mostrando que poderíamos aproveitar para fumar ali, ficando mais em paz do que no meio daquela confusão de bêbados, música alta e luzes extremamente coloridas.

Caminhamos lado a lado em direção ao pequeno jardim, demos sorte de ter uma fonte bem bonita no local, aproveitamos para nos sentar enquanto eu tirava minha caixinha de cigarros do bolso e lhe entregava um. Antes mesmo que eu pudesse pensar, ZiTao já tinha tirado um isqueiro do tipo zippo de dentro de seu paletó e com um pose que eu juro de pés juntos foi extremamente calculada e sensual acendeu o cigarro em minha boca, ficando extremamente próximo de mim. Posso não ser o maior paquerador do mundo, mas aquilo estava muito na cara.

Pude sentir minhas mãos tremerem e meu coração acelerar um pouco, me deixou levemente confuso por alguns segundos, até que eu aproveitei para dar a minha cartada; rapidamente me movendo para segurar em suas mãos com um gesto delicado e pegar o isqueiro para mim, usando-o para acender o cigarro nos lábios do chinês. Deixei que nossos olhos se cruzassem e naquele momento senti como se uma faísca atravessa nossos olhares e botasse fogo em meu coração.

— Então, você ainda não me falou seu nome. — Ele me disse quando finalmente paramos de sustentar aquele olhar, virando-se para segurar o cigarro entre os dedos e soltar uma boa quantidade de fumaça no ar.

— SeHun. Oh SeHun. — Respondi com um sorriso meio bobo, se ele não tivesse perguntado eu nem sequer iria reparar que não tinha me apresentado. — Você é ZiTao, né? Falaram na hora da apresentação. — Preferi deixar claro que teria conhecido o nome dele naquela situação, e não perguntando a uma das garçonete do bar semanas antes.

— Sim, sou eu mesmo. — Ele pareceu feliz com minha resposta, e não desconfiado de que eu fosse algum tipo de stalker louco. — Mas me conta, além do bar, faz algo mais?

— Eu ajudo meus pais, eles tem um pequeno restaurante. — Algo me fez sentir um pouco pressionado por um segundo, pela forma como se vestia, de marca de cima a baixo, imaginei que sua situação fosse bem distante da minha no que tange a vida financeira.

— Que legal! Eu sonhava em ser cozinheiro quando era mais novo… - Enquanto falava a fumaça do cigarro escapava por seus lábios e uma expressão levemente triste permeava seus olhos antes tão confiantes.

— E o que faz hoje em dia? — Achei que seria melhor mudar de assuntos, já que falar sobre restaurantes não parecia deixá-lo feliz.

— Sou CEO de uma empresa de cosméticos, herdei dos meus pais. — Explicou como se quisesse deixar nas entrelinhas que não era exatamente cem por cento seu mérito ter um cargo tão alto; mesmo assim foi o suficiente para me fazer sentir pequeno, quase desaparecido, perto de alguém tão importante.

— Parece ser uma grande responsabilidade. — Foi um comentário idiota, mas era melhor que falar “nossa! que foda, você deve ser rico” ou algo parecido.

— Mais do que eu queria, na verdade… enfim, vamos parar de falar de coisas chatas, me diga onde mora… me conte sobre você. — O final da frase veio a mão livre dele pousando delicadamente sobre minha coxa, fazendo com um arrepio subisse por todo o meu corpo. Retribuí com um sorriso delicado e passei a contar um pouco sobre mim, enquanto lhe ouvia também falar de histórias engraçadas e até mesmo constrangedoras de sua vida. Com certeza ZiTao era uma pessoa extremamente distante da imagem que passava. Mesmo que seus olhos fossem profundos e maduros, ele era muito educado e divertido, não alguém sério e totalmente sedutor como eu imaginava. E isso é um ponto ainda mais positivo, gosto de caras que me surpreendem.

Já passavam das cinco da manhã e ainda estávamos conversando no jardim quando finalmente avistei um JongIn extremamente bêbado caminhando em nossa direção, me levantei em sobressalto indo até ele, me perguntando como conseguiria ir até em casa.

— Hunnie, me perdoe, mas eu vou pra casa de táxi… tem problema se você for pra casa sozinho? — Eu queria ficar bravo, porém acabei por apenas suspirar e dar um tapinha no ombro dele.

— Tudo bem, obrigado por ter me dado carona até aqui. Agora vai logo descansar, antes que acabe caindo pelos cantos. — Falei com um ar de risada, logo sentindo as mãos firmes de ZiTao em meus ombros, ele apareceu e disse com a voz calma:

— Nãos e preocupe com ele, moramos para o mesmo lado, podemos dividir um táxi.

Acabei ficando meio surpreso, já que era uma grande mentira. ZiTao morava praticamente do outro lado da cidade pelo que tinha me dito, não fazia qualquer sentido dividir seu táxi comigo. Mesmo assim, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa consegui decifrar a expressão em seu rosto e apenas corei um pouco, já vendo JongIn se despedir de mim e sair caminhando para fora do jardim e do salão de festas.

Quando entendi que estávamos sozinhos no meio das flores senti um leve arrepio, vindo do ambiente interno era possível ouvir uma música lenta tocando e acabei ficando levemente hipnotizado pelo olhar penetrante de ZiTao, que não demorou a estender uma das mãos para mim e perguntar com a voz delicada e ao mesmo tempo sensual que me tirava do prumo:

— Me dá a honra dessa dança?

— Achei que nunca fosse pedir. — Brinquei, ainda que nervoso. Acho que mesmo que ambos fôssemos tímidos, ZiTao tinha um pouco mais de atitude que eu e isso estava ajudando bastante, já que se dependesse de mim talvez nunca tivéssemos nos falado.

Segurei sua mão e aos aos poucos uni meu corpo ao dele, deixando que minha canhota ficasse em sua cintura. Eu não sabia dançar, ZiTao sim; e isso foi ótimo para que ele pudesse me guiar em passos delicados de um lado para o outro.

Eu conseguia sentir o calor de sua respiração e também como suas mãos eram firmes… meu coração estava acelerado ao ponto de eu sentir tanta vergonha que acabei deitando minha cabeça em seu ombro para que não tivesse de encará-lo tanto nos olhos. Aproveitei a posição também para sentir seu perfume amadeirado e masculino, algo que me deixava levemente tonto de tanto desejo. Era uma sensação inexplicável.

Por alguns segundos pensei que gostaria de estar no meio da pista de dança, dançando em meio a todos, porém não era possível e ao mesmo tempo eu conseguia sentir um ar de magia ao pensar que estávamos ali sozinhos, como se não existisse um mundo inteiro a temer ao nosso redor.

Quando a música acabou senti minhas pernas ficarem bambas e por mais que soubesse que já era hora de ir, acabei ficando receoso em soltar aquele abraço… senti-lo tão perto era maravilhoso e algo em mim fazia pensar que se soltasse acabaria acordando daquele sonho.

— Pode parecer um pouco atirado da minha parte… me desculpe se eu estiver indo rápido demais… — Ele começou a dizer com um leve ar de timidez, porém não sem perder sua inerente sensualidade. — Mas eu adoraria que fosse para casa comigo hoje.

— Será uma honra. — Completei com um sorriso delicado e envergonhado no final. Simplesmente estava a ponto de explodir, mas não queria parecer um louco logo em nossa primeira noite.

— Vou chamar um táxi… — Quando finalmente me soltou ZiTao já tirava o celular do bolso e começava a digitar algo, até que pareceu ter alguma percepção externa e virou-se para mim com um sorriso divertido. — Antes de tudo, quero seu telefone. — Ele me estendeu o aparelho e esperou que eu colocasse meu número, foi o que fiz. Aproveitei para enviar a mim mesmo uma mensagem de “oi”, assim conseguiria adicioná-lo depois.

— Prontinho. Agora não tem mais como fugir de mim. — Brinquei de forma divertida, fazendo com que ele soltasse uma gargalhada.

— Bom, se correr juntos para a mesma direção, talvez seja uma fuga que me interesse. — O chinês respondeu dando uma piscada sensual para mim, finalmente pedindo o táxi para que pudéssemos ir embora dali.

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2 Juin 2021 23:41:07 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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