pcyooda Park Yooda

Onde Do Kyungsoo, um fisioterapeuta recém formado, é contratado pelo time de futebol americano de uma universidade para cuidar dos atletas machucados, e acaba sempre tendo que cuidar das lesões que o quarterback do time, Byun Baekhyun, teimava em fazer.


Fanfiction Célébrités Tout public.

#fluff #fanfic #comédia #exo #baeksoo #esporte #comédia-romântica #baekdo #futebol-americano
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Capítulo I

Era um longo caminho do estacionamento até o vestiário do estádio da Universidade Nacional da Coreia.

Kyungsoo não sabia disso porque nunca havia feito aquele caminho antes. Mesmo passando anos frequentando as festas daquela universidade, não era muito do seu feitio passar os finais de semana vendo os jogos dos Steelers. Não era nem um pouco fã de esportes, e pensava que apenas o seu estudo para passar nas provas finais eram o que realmente importava.

Do Kyungsoo era um fisioterapeuta recém formado através de cafés e muitas noites em claro. Porém, agora que finalmente havia se livrado de todas as provas e acabado de pegar o diploma em mãos, poderia finalmente aproveitar as oportunidades que deixou passar, ganhando dinheiro para fazer o que sempre sonhou: fisioterapia. Mesmo que seus pacientes fossem um bando de atletas energizados e um tanto irresponsáveis — ainda assim valia a pena. Até porque, no fim do dia ele ainda conseguia pagar as suas contas.

Kyungsoo estava seguindo por um caminho cheio de pedras, passando pela entrada do estádio de futebol que parecia ser realmente muito grande. Olhando para cima, conseguia enxergar o concreto subir até os céus com um grande letreiro escrito “Estádio King Sejong”. Esquisito. Um estádio ter o nome de um imperador? Mas por fim, resolveu não pensar muito sobre aquilo. Teria que se acostumar com tudo o que fosse enfrentar dessa experiência porque ela seria a primeira — e consequentemente a mais importante.

Entrou no estádio vazio, procurando por algumas das indicações que pudessem ajudá-lo a chegar na sala do diretor. Era a sua primeira missão: entregar a sua ficha e ver com qual dos times teria que ficar responsável. No auge dos seus vinte e seis anos, ele só esperava ter a sorte de trabalhar com atletas mais cooperativos. Era ruim o suficiente ter que cuidar de atletas impacientes, mas os irresponsáveis eram como um pesadelo. Não era algo que ele queria passar de novo, nunca mais.

Kyungsoo subiu as escadas torcendo para que tudo desse certo. Seguiu as instruções que lhe diziam para subir e virar a direita, depois para a esquerda e esquerda novamente, até que virasse para a pequena sala perto do bebedouro. Do não sabia muito bem se aquilo era mesmo um bebedouro ou não, mas resolveu pensar que sim. Bateu na porta três vezes até ouvir a voz arrastada dizer:

— Entra.

O careca entrou, já fazendo uma reverência. Dentro da sala, sentado em uma cadeira atrás da escrivaninha lotada de papéis, caixas, e algumas pétalas de rosas, havia um jovem rapaz de sorriso amigável. Esquisito , foi o que ele pensou. Principalmente porque Kyungsoo não esperava que o diretor fosse tão jovem, ou ainda, que não tivesse a carranca estereotipada dos filmes americanos. Como era o seu primeiro trabalho na área, a única referência que tinha era mínima — e um tanto vergonhosa.

— Olá. Você deve ser Do Kyungsoo. — a voz dele também era alegre, o que combinava muito com o sorriso que chegava até os olhos.

— Sim. Vim entregar a minha ficha de admissão.

— Ah, sim! Muito bom, Do Kyungsoo! Isso é perfeito!

Tanto entusiasmo fez o moreno ficar desconfortável. O rapaz tinha um sorriso curvado para cima e os olhos feito duas meia luas, sorrindo alegremente. Kyungsoo não sabia dizer o quanto daquilo era verdadeiro ou não. Então resolveu sorrir de volta.

— Certo… o senhor é o diretor?— Hã… — ele fez uma pausa — E-eu… na verdade, não sou. Mas eu posso entregar isso para ele, sem problemas.

Ah, então deveria ser por isso que ele estava agindo tão esquisito. Kyungsoo começou a desconfiar. O olhar que ele estava lhe dirigindo também não parecia nada confiável. Tinha um pouco de nervosismo que estava denunciando muito facilmente a farsa dele.

— E quem é você?

— E-eu… sou.... ahm… o amigo… dele… — o rapaz disse, parecendo bem constrangido.

Kyungsoo não precisou perguntar para entender que na verdade eles deveriam ser namorados. Bons namorados, já que olhando bem de perto agora, viu que o garoto estava rodeado de caixas de doces com algumas pétalas de rosas aqui e ali, em cima da mesa. Deus, ele havia acabado de entrar no meio de uma festa surpresa? Aquilo ali era permitido?

— Eu… devo ir… até o meu posto. Acredito que não será um problema, então, para você entregar a ficha a ele?

— N-não. De jeito nenhum. Não, não. — o rapaz disse, visivelmente constrangido.

Kyungsoo tentou esconder o seu divertimento com tudo aquilo. Casais apaixonados eram realmente engraçados, até mesmo aqueles que tentavam esconder sua paixão. Mas Doh desconfiava que toda aquela discrição era devido a outras complicações. Até porque, o esporte era um meio extremamente homofóbico.

— Certo. Muito obrigado, então. — o careca disse, deixando a ficha na mesa a sua frente.

— Você… sabe onde fica a sala? Quer dizer… é novo aqui, não é? — a voz dele era hesitante.

— Ah, não. Não sei onde fica.

— Podemos ir então. — o rapaz respondeu — Apenas… deixe-me terminar de preparar tudo aqui.

— Certo… — o careca sorriu, saindo da sala para lhe dar privacidade.

Do lado de fora, Do esperou pacientemente até que ele voltasse de lá, com o rosto um pouco corado. Estava envergonhado por ter sido pego. Kyungsoo achou engraçado, mas decidiu não falar nada. Seria ainda pior se fizesse perguntas constrangedoras para ele.

— Bom, agora podemos ir. — o rapaz disse, seguindo pelo caminho que Kyungsoo tinha vindo.

Eles andaram pelo corredor até descerem novamente as escadas e refazer todo o caminho de volta ao saguão principal do estádio. O moreno seguiu depois a placa que dizia "Vestiários, Banheiros e Enfermaria", com uma flecha reta. Kyungsoo apenas lhe seguiu em silêncio sem dizer nada. Até que o próprio rapaz quebrasse o silêncio:

— Então… na verdade não cheguei a saber qual o seu nome.

— É Do Kyungsoo. Acabei de me formar e fui transferido pra cá.

O rapaz parecia surpreso, com as sobrancelhas retinhas completamente levantadas.

— Uau. Já está formado? Normalmente nos mandam residentes do último ano. — o rapaz fez uma pausa para sorrir, curvando os cantos da boca — Legal! Você deve ser mais experiente então.

Kyungsoo não sabia o que dizer sem parecer um tanto quanto arrogante. Por que sim, ele era bom. E era bom porque era extremamente dedicado e profissional com o seu trabalho. Também por, principalmente, não tolerar gracinhas em seu ambiente profissional.

— Eu tenho uma certa experiência. — disse, por fim; para não soar tão pedante.

— Isso é bem legal. Eu não sou da área de esporte nem nada disso. Sou jornalista, faço entrevistas. Desculpe pelo mal hábito, inclusive. — ele sorriu novamente, fazendo o careca perceber que ele fazia muito isso.

— Entendi. — Kyungsoo sorriu.

O rapaz sorriu de volta, parando de repente entre um corredor e outro. Ele apontou para o da esquerda em que dava para ver uma placa sinalizando que ali era a enfermaria. O que faria o outro lado ser o caminho para os vestiários.

— Você fica ali. E do outro lado, ficam os atletas. — ele apontou para a direção oposta. — Não é difícil de se localizar, apenas tem que se acostumar. Se precisar de algo, sugiro que fale diretamente com Junmyeon porque todas as burocracias desse lugar são demoradas.

— Junmyeon?

— Ah, por Deus! Me perdoe! Eu sou Kim Jongdae! E o diretor do qual você iria se encontrar é Kim Junmyeon.

Kyungsoo guardou um sorriso. Kim Jongdae era um cara engraçado.

— Entendi. Farei como você diz então, Kim Jongdae.

O rapaz sorriu novamente.

— Fico feliz em ajudar. Ah, sim, uma coisa: hoje os Steelers estão treinando para as estaduais, então talvez fosse melhor você já ficar de plantão. Nunca dá pra saber qual deles irá se arrebentar no campo hoje.

Isso… era exatamente o que Kyungsoo temia ouvir: atletas irresponsáveis. Mas o que poderia fazer? Aquele era o seu trabalho, enfim.

— Não sairei daqui. Muito obrigado.

— Está tudo bem, Do Kyungsoo. Fico feliz que você esteja agora no nosso time. Seja bem vindo! — o careca não pode deixar de sorrir para o entusiasmo dele.

— Obrigado, Jongdae!

O baixinho se despediu com um aceno, deixando-o parado ali no meio dos dois corredores. O careca suspirou, olhando para a sala que provavelmente seria sua por um bom tempo. Seja o que fosse, esperava que tudo desse muito mais do que certo. Era a chance da sua vida ali e Do Kyungsoo não queria desperdiçá-la.

A tarde passou com Kyungsoo apenas acertando a papelada enorme sobre as especificações do contrato. Não era um emprego nada ruim, mas tinha muita discrição sobre o treino dos atletas. Kyungsoo se sentiu engraçado lidando com tudo aquilo, pensando que, se fosse um dia trabalhar com atletas profissionais, tudo seria muito mais complicado.

No meio do dia, acabou finalmente conhecendo Kim Junmyeon, o diretor, que também era uma pessoa extremamente sorridente como o namorado. Não sabia porque parecia que todas as pessoas ali fossem tão felizes, mas desconfiava que isso só se aplicava aos dois pombinhos apaixonados. Mas isso não era algo que atrapalhava o seu trabalho ali, pelo contrário, o fiisoterapeuta gostava de vê-los sorrindo por aí.

Logo depois das quatro da tarde, Kyungsoo já estava pronto para esperar e perguntar se poderia sair mais cedo, pelo seu primeiro dia ter sido tão calmo assim, quando um imprevisto aconteceu.

Primeiro foi uma confusão no lado de fora que chamou a atenção do moreno para se levantar da mesa no centro da pequena sala, até a porta da frente. Mal conseguiu alcançar a maçaneta quando a porta explodiu, fazendo o fisioterapeuta saltar no mesmo lugar.

Haviam ali cerca de quatro atletas carregando um dos jogadores de futebol americano nos braços. O rapaz estava sujo de lama e grama por todo o uniforme branco de listras vermelhas, mas o que chamou a atenção de Kyungsoo não foi bem a atenção sua aparência. Mas os berros que o garoto estava produzindo quando os colegas o deixaram em cima da maca.

— Mas o que aconteceu? — Kyungsoo perguntou para o mais alto deles, com a camiseta marcando o número 61.

— Ah… ele caiu. Torceu o pé bem feio, eu acho. Sei lá cara. Você que é o médico aqui. — o rapaz deu de ombros, sem ter muito o que dizer.

O jogador deitado na maca ainda berrava para quem quisesse ouvir, o que fez Kyungsoo ficar um pouco nervoso. Se estava doendo tanto poderia ter quebrado alguma coisa. Talvez fosse melhor ver logo.

— Por favor, Senhores. Queiram sair da sala. Preciso examinar com mais cautela a lesão dele, e as coisas podem ficar... piores se não saírem.

Todos ali recuaram sem nem ao menos discutir. Todo mundo sabia o que ele queria dizer: colocar um osso quebrado no lugar era uma visão horrível. Ninguém gostaria de presenciar uma cenas dessas. Nem mesmo o próprio Kyungsoo.

Um por um, os atletas foram saindo da sala com um "Boa sorte, Baek", e nenhuma olhada para trás. É. O pobre rapaz estava completamente sozinho agora. Ou pelo menos, entregue nas mãos do fisioterapeuta.

Kyungsoo se aproximou da maca, colocando as mãos sobre os ombros do rapaz primeiro. Ele o fitou com os olhos apertados, mas segurou o seu olhar. Parecia estar observando alguma coisa que o careca não entendeu, então Kyungsoo deixou pra lá. Ajeitou o corpo largo dele na maca torcendo os lábios para os equipamentos do seu uniforme. Aquilo tinha que ir embora.

— Você vai precisar tirar esse uniforme. Preciso que seu corpo fique o mais reto possível e que não corra risco de nenhuma infecção por exposição a bactérias.

O garoto apenas o olhou, mordendo os lábios pela dor que sentia. Não havia se movido. O que significava que Kyungsoo provavelmente teria que fazer isso ele mesmo. Se fosse o caso, então era evidente que ele teria quebrado mesmo o pé. Parecia que o atleta não conseguia se mover nem um centímetro.

— Você consegue se mover? — Kyungsoo perguntou, preocupado.

Mas para para a sua surpresa, o rapaz sorriu.

— Ainda nem me pagou o jantar e já quer me ver tirando a blusa? — disse, ajeitando-se com dificuldade na maca — Vou tirar ela pra você, doutor, mas é porque respeito caras sexys todos de branco.

Kyungsoo torceu os lábios em irritação. Outro atleta babaca? Era o seu dia de sorte mesmo.

Virou as costas para ele, indo até os armário em busca do seu próprio material de primeiros socorros. Aquilo não era bem sua função. Na verdade, não sabia porque não haviam seguido direto para a enfermaria que era logo ali em frente. Mas o careca nunca reclamaria de tratar alguém, por isso nem ao menos pestanejou quando o viu passando pela porta. Como agora, em que estava com todo o seu material de emergência para usar com ele.

Kyungsoo voltou até a maca, parando no lugar quando percebeu o rapaz ali, sem todo o equipamento e sem camisa também. Não era hora para aquilo, definitivamente não era. Mas os seus olhos não se contentaram em não se demorar nas clavículas nuas. O careca engoliu em seco, voltando a sua atenção para o membro ferido.

— Qual dos pés está doendo? — perguntou, agachando-se no chão para observar melhor.

— O pé esquerdo. Acho que não quebrei, mas acabei estendendo o nervo. Ah… está doendo ainda. — ele reclamou, gemendo baixo por conta da dor que sentia.

— Deixe-me ver…

Kyungsoo o tocou com delicadeza, retirando a meia e movendo a perna para a direita. Percebeu a pele dele extremamente quente ao toque, o que poderia ser sinal de lesão. Torceu os lábios, sem saber o que fazer. Olhou para ele novamente, que incrivelmente lhe encarava de volta com devoção.

Aquilo estava tudo muito esquisito, mas o careca resolveu ignorar.

— Vou ter que mover o seu pé. Tente agarrar alguma coisa para liberar a tensão e me avise se doer muito.

O rapaz arregalou os olhos e já ia reclamar alguma coisa com o fisioterapeuta quando Kyungsoo virou o membro totalmente para a direita, forçando na direção oposta da suposta lesão. Nem precisou se preparar para ouvir os gritos do atleta, que foram altos e sofridos como de esperado. Foi quando Kyungsoo percebeu que poderia ser apenas uma torção, mas uma torção um pouco séria. Talvez o nervo poderia inflamar, o que seria necessário uma série de massagens especiais na área.

O careca puxou algodões, e limpou com álcool a área ferida percebendo que havia apenas alguns hematomas de atrito na superfície da pele dele. Não achou que o ouviria reclamar por conta disso, mas não foi o que aconteceu. O garoto gemeu, levantando-se no mesmo momento com lágrimas nos olhos. Kyungsoo sentiu vontade de rir com isso.

— Cara… o que você está fazendo aí? Não dá pra usar algo que não arde?

— Álcool é mais eficiente.

— Está brincando comigo? — Kyungsoo riu, sem conseguir se segurar mais.

— Fique tranquilo, já está acabando.

O garoto suspirou, deitando-se novamente na maca como se estivesse prestes a entrar numa cirurgia. Isso nunca havia acontecido antes com o careca, então achou engraçado. Acabou rindo novamente, enquanto buscava pela pomada anti-inflamatória. Tinha um cheiro bem ruim, então fez questão de usar uma luva também para poder aplicar.

— Não ria de mim, doutor. Eu sou um soldado ferido.

— Você é um soldado dramático, Senhor… qual é mesmo o seu nome?

Isso fez o rapaz sorrir largo, levantando-se para se sentar na maca enquanto o observava trabalhar no seu ferimento.

— Byun Baekhyun. Pra você, pode ser Baek. Baekkie. Baekhyunnie.

— Certo, Senhor Byun.

O garoto gemeu em frustração.

— Ah, qual é!

Kyungsoo sorriu com os seus protestos.

— Aliás… — ele continuou — que creme fedido é esse? Porque não passa algum com cheirinho de ervas? Tipo erva-doce! É o meu favorito!

— Porque isso é uma pomada, não um creme hidratante.

— Está brincando comigo? — ele perguntou, sério.

O que só fez com que Kyungsoo sorrisse novamente da sua ingenuidade.

— Não ria de mim! — ele protestou.

— Não estou rindo de você.

— Mentiroso. — ele disse, dessa vez sorrindo também — Você é novo aqui? Nunca te vi antes. Tenho certeza que me lembraria de você.

Kyungsoo terminou de passar a pomada, lambuzando bem o tornozelo de Baekhyun antes de passar para a faixa de compressão. Pegou uma boa parte e começou a enrolar no pé esquerdo dele com delicadeza para que nada se espalhasse mais do que já estava. Aquele creme era realmente muito fedido.

— Cheguei hoje. Sou da Faculdade de Ulsan, e consegui esse emprego logo depois de me formar.

— Você é um ex-universitário.

Não foi uma pergunta, por isso Kyungsoo apenas concordou com um aceno.

— Que sexy. — Baekhyun complementou, fazendo o fisioterapeuta rir.

— Pare de me distrair ou vou passar esse creme no seu nariz, Senhor Byun. Me deixe trabalhar.

Kyungsoo achou que o efeito da sua bronca seria positiva, mas aconteceu o contrário, pois o rapaz desandou a falar mais ainda consigo:

— Você fala como um pai. Você tem filhos?

— Não, Senhor Byun.

— É solteiro? — Kyungsoo riu novamente, desistindo se de manter profissional.

Apenas ficou em silêncio, terminando de enrolar todo o pano da faixa compressora no pé dele. Baekhyun parecia impaciente, esperando ansioso por uma resposta sua da pergunta de um milhão de dólares. O fato era que Kyungsoo também havia achado ele bem charmoso, mas estava totalmente fora de questão se envolver com algum paciente. Isso era uma regra sua que nunca iria mudar. Por isso resolveu dar um basta nisso antes que ficasse mais complicado:

— Sem mais perguntas, Byun. — disse em um tom mais sério.

— Ok, ok. Me desculpe se eu fui longe demais.

Ele pareceu arrependido no começo, mas durou apenas alguns segundos, pois logo voltou com as perguntas novamente:

— Mas eu ainda quero saber o seu nome, sabe...

O fisioterapeuta olhou para ele dessa vez, encarando aqueles olhos pequenos cheios de curiosidade. Ele devia ter por volta dos vinte anos, pois parecia ser bem mais novo. Ou talvez fosse apenas a benção da genética, porque ele também tinha um rosto bem bonito. Isso, Kyungsoo não podia negar.

O careca sorriu de lado, desviando o olhar para os seus materiais de primeiro socorros. Aquele garoto pelo jeito iria lhe dar muita dor de cabeça.

— Meu nome é Do Kyungsoo. — disse, finalmente terminando com os cuidados da lesão dele. — Pronto… acabou. Você tem mais alguma outra questão de super urgência que precisa ser tratada?

O rapaz sorriu largo com o seu sarcasmo.

— Tenho. Tenho uma bem importante.

— E qual seria?

— Você vai vir me ver jogar? É sexta que vem.

Kyungsoo negou com um aceno.

— Não. Nós apenas cuidamos dos seus machucados, não precisamos estar nos jogos do campeonato.

— Eu não perguntei isso. — ele protestou, cruzando os braços enquanto o olhava de cima, sentado na maca — Estou perguntando se você vai vir me ver jogar .

O fisioterapeuta achou graça novamente.

— E porque isso?

— É importante pra mim ter pessoas torcendo por mim.

Kyungsoo sorriu.

— Nem ao menos sabemos como estará o seu tornozelo até lá, Senhor Byun. Você deve manter todo o cuidado para que se recupere bem.

Baekhyun suspirou novamente, um pouco frustrado. Kyungsoo se levantou, finalmente lhe encarando pelo mesmo nível. Ele parecia com frio sem todos os equipamentos do uniforme, por isso o fisioterapeuta fez questão de apontar para a camisa que estava jogada ao lado dele, chamando-lhe a atenção:

— Você pode colocar de volta, não tinha nenhum corte que poderia infeccionar.

Baekhyun sorriu dessa vez, mas fez o que ele pediu. Colocou a regata larga por cima da cabeça com uma rapidez invejável. Ele deveria ser do tipo de atleta que não precisava de muito tempo para se aprontar no vestiário. Kyungsoo se perguntou se eles costumavam treinar isso também.

— Doutor… você não vai me recomendar nenhuma pomada para usar? — perguntou ele, já completamente vestido com a roupa larga.

Recomendar? Ah é… Kyungsoo nem ao menos havia passado o diagnóstico ainda. Onde estava com a cabeça? Isso nunca havia acontecido antes. Era bem óbvio que Byun Baekhyun estava afetando a sua capacidade de concentração no próprio trabalho.

— Não há o que recomendar, você deve voltar aqui amanhã para ver como ele vai estar. Se piorar, faremos o tratamento. E aí teremos que fazer uma terapia até o seu tornozelo melhorar.

Ao contrário do que estava esperando, o rapaz sorriu largo quando ouviu o que ele tinha acabado de falar.

— Quer dizer que vou ver você amanhã?

— Sim, Senhor Byun. Mas nada de gracinhas! Deve permanecer em repouso absoluto e com monitoração. Esse tornozelo deve ficar sempre para cima e você deve evitar andar com ele. Por isso…

Kyungsoo se interrompeu, procurando pela bota imobilizadora. Não sabia ao certo se havia alguma ali, pois ele mesmo não havia trazido muita coisa além da sua maleta de primeiros socorros.

— Eu vou poder ligar pra você? Se eu tiver alguma dúvida técnica? — Baekhyun disse, sentado enquanto o observava rodar pela sala procurando a bendita bota.

O careca escondeu um sorriso, de costas para ele. Esse cara ainda iria lhe dar dor de cabeça. Não havia desistido dele e provavelmente não iria desistir. Já conhecia atletas o suficiente para saber que era assim que agiam: como se todos estivessem sempre a sua disposição. Doh não era lá muito fã de insistência, mas por algum motivo, Byun Baekhyun não parecia lhe incomodar tanto assim.

Quando por fim conseguiu encontrar a bota, Kyungsoo voltou-se para ele, abaixando-se para encaixá-la no pé do atleta. Baekhyun estava sorrindo sarcasticamente para o fisioterapeuta, parecendo se divertir com ele ali, agindo feito um idiota. Infelizmente essa também era uma de suas especialidades.

— Doutor, você não respondeu a minha pergunta. — ele disse, provocando o careca pelo silêncio.

Era bem óbvio que não poderia passar o seu número para um paciente, Kyungsoo não era tão irresponsável assim. O melhor seria que o rapaz desistisse de uma vez daquela dinâmica de caça-caçador, e começasse a agir como um paciente qualquer. Ou que Kyungsoo não caísse tão fácil no seu papinho.

— Você pode entrar em contato comigo até as 19 horas, se estiver se sentindo mal. — ele disse, com mais seriedade — Farei o meu melhor para te auxiliar.

— Ah, é mesmo? — ele sorriu largo.

— Vou esperar ansiosamente, então.

— Senhor Byun… saiba que o contato é apenas para situações muito específicas.

Deveria deixar isso bem claro se fosse mesmo passar o seu número para ele. Estava bem claro que o rapaz tinha outras intenções e Kyungsoo não queria advertências sondando a sua ficha já no primeiro dia de trabalho.

— Claro, claro… — ele disse.

Terminou de amarrar tudo e se levantou, observando o pé do atleta como se fosse sua própria obra de arte. Baekhyun se levantou, mancando ligeiramente enquanto se ajeitava em pé na sua frente.

— Está tudo bem? Acha que consegue andar? Podemos pedir uma cadeira de rodas para o Senhor.

Byun sorriu de lado. Aproximou-se com dois passos difíceis, mas que pareciam firmes o suficiente para Kyungsoo. Ele não iria mesmo precisar de muita coisa. Talvez em dois dias já estaria melhor se cuidasse direito do tornozelo.

— Acho que você deve me carregar, doutor. Não estou me sentindo muito bem.

Kyungsoo negou com um aceno.

— Você está ótimo. Apenas volte aqui amanhã e veremos como continuar o seu tratamento.

— Então eu vou te ver amanhã? — ele sorriu de novo, com segundas intenções.

O fisioterapeuta achou graça mas fez de tudo para se conter. Já era demais que a relação dos dois tinha começado tão amigável, se não desenhasse a linha agora, não teria como fazer isso mais tarde. Por isso, acabou cruzando os braços com os lábios torcidos em sua famosa "cara-de-bronca" a qual tanto reclamavam temer.

— Eu o verei amanhã, Senhor Byun, apenas se levar o seu tratamento a sério. Caso contrário, o indicarei para outro colega. Estamos entendido?

O atleta sorriu largo. Parecia estar se divertindo muito com a situação, para além da suposta dor que estava sentindo. A verdade é que ele parecia prestes a fazer ou dizer alguma coisa ridícula. Incrivelmente, Kyungsoo já tinha experiência o bastante com idiotas para saber como eles normalmente agiam com outros caras. Então não se surpreendeu quando o rapaz lhe provocou:

— Está bem, Kyungja. Até amanhã.

Kyungsoo franziu o cenho, dessa vez se irritando de verdade.

— O que disse?

— Até amanhã! — respondeu, passando pela porta sem olhar para trás.

Kyungsoo ficou indignado. Poderia dizer que queria ir lá tirar satisfação pela falta de profissionalismo do rapaz, mas sabia que a verdade era outra. Pois ele tinha achado graça naquilo.

O fisioterapeuta suspirou, parado no mesmo lugar, observando ele ir embora. Nem um milhão de anos achou que iria acabar cedendo tão fácil para um paciente, mas até então, também não pensou que seu primeiro paciente naquele lugar fosse um cara extremamente gato. Se ele estava ferrado? Com toda a certeza do mundo.

17 Mai 2021 16:46:11 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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