lasther Lasther B.

Havia uma lenda que dizia que o céu ficaria completamente sem estrelas e sucederiam as noites mais longas de todos os tempos. O corsário de barco, Park Chanyeol, não acreditava em nenhuma dessas histórias de pirata assim como o próprio pai que o doou todas as técnicas para navegar numa das mais perigosas águas do mundo. Até que numa noite, algo inusitado acontece. Estranhamente, a estrela guia sumiu e, agora, Polaris está bem na sua frente, na figura de um ser humano gracioso que se apresenta como Byun Baekhyun. Após serem capturados por vikings, Chanyeol terá que fazer de tudo para se proteger e mandá-los de volta, nem que para isso, precise lutar como um pirata. Ⅱ 1ª TEMPORADA Ⅱ CHANBAEK/BAEKYEOL Ⅱ YAOI Ⅱ CORSÁRIOSXPIRATAS Ⅱ VIKINGS Ⅱ ANO 1500 Ⅱ +18 Ⅱ


Fanfiction Interdit aux moins de 18 ans.

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Uma visita inusitada e um traidor anônimo.

Park Chanyeol observava o mar. Ele tinha feito isso tantas vezes em sua vida, que seria compreensível se caso já estivesse enjoado da mesma paisagem. Mas ele não estava, pelo contrário, desde a infância fantasiava navegar por aquelas águas com sua própria tripulação, vivenciando aventuras incríveis e conhecendo lugares extraordinários. Era como se a água salgada o chamasse pelo nome, magnetizando todo seu corpo.

Aos nove anos de idade, o pai o levou finalmente para conhecer o mar, e esta foi a primeira embarcação da vida do menino. Fora a primeira vez em que os olhos infantis tiveram a oportunidade de assistir o mar aberto, a primeira vez que os pés tocaram na madeira de um barco e a chance única de vislumbrar pessoalmente o espetáculo com luzes verdes, dançando pelo céu durante a aurora boreal que o foi dado no segundo dia de viagem.

Naquela noite, à bordo, ele conheceu a sensação de torpor enquanto o vento brincava até o amanhecer passando pelos seus cabelos crescidos até o meio da nuca. Foi a experiência mais fantástica de todas. Ele mal conseguiu dormir de tanto que seu coração estava acelerado.

O pai era um capitão respeitado e temido, e acima de tudo, uma figura paternal nada atenciosa. O homem vivia trancado em sua cabine, lotado de papéis e garrafas de Rum enquanto o filho ficava num espaço reservado, brincando com o barco de brinquedo que havia ganhado de sua mãe, quando tinha três anos de idade. Ainda que o pai fosse ausente, Chanyeol o admirava mais do que tudo e colocava a mão no fogo por ele.

Aos dezoito, ele teve o dia mais feliz de sua vida. Seu pai o chamou e o presenteou com o aviso de que o rapaz o acompanharia nas próximas navegações. A partir de então, Chanyeol percebeu que venerava navegar como nunca venerou nada tão belo no mundo. Quando ouvia o barulho do mar e dormia observando as estrelas pela janela, chegava à conclusão de que aquela era com toda certeza, a forma mais pura de degustar do amor verdadeiro.

E agora, aos seus vinte e oito anos de idade, preparava-se em seu silêncio ― observando a vista à frente de seu barco ― para ir comandar sua primeira viagem com sua própria tripulação. Para ele, seria um marco indescritível, afinal, seu sonho estava se tornando realidade, mesmo que sua mãe estivesse aos prantos e trancada no quarto, emburrada pela escolha do filho e mesmo que seu pai tivesse discutido com ele dois dias antes, alegando que não o apoiaria em tal decisão.

Chanyeol não os entendia, eles pareciam deuses que haviam preparado toda a terra fértil e agora se lamentavam por ter nascido flores nela. Pareciam condená-lo de construir seu próprio jardim. Apesar de tudo, ele não queria culpá-los pela preocupação paternal. Ele era filho de um dos capitães mais consagrados de todos os tempos.

A notícia havia corrido por todos os cantos. Careciam de homens valentes que se apresentassem ao castelo e abdicassem a vida boa para lutar ao lado das tripulações marítimas. Chanyeol viu na proposta repentina, uma oportunidade de realizar a ambição particular. A única até então.

O capitão, seu temeroso pai, havia ficado cego na última guerra. Chanyeol sabia que a súbita mudança fez com que este fosse obrigado a se afastar dos mares para sempre, o levando juntamente a se adaptar a uma rotina completamente diferente da anterior, se trancado entre as paredes do seu quarto e tendo aulas particulares. Restaram apenas milhões de histórias para contar no jantar e um orgulho cortante toda vez que o filho pedia para contar algum detalhe sobre a última navegação.

Chanyeol percebeu que o pai não o descreveria nunca o que de fato havia ocorrido, pois o buraco que haviam feito dentro de si, ainda o machucaria por longos anos. E nenhum homem é capaz de fazer com que lesões internas parem de sangrar de um dia para o outro.

Ele estava a ponto de entrar no barco quando ouviu a voz da mãe repetir seu nome em meio à multidão. Várias pessoas se despediam dos corsários selecionados para a missão, a maioria chorando tão alto que Chanyeol se questionou se de fato a voz que ouviu era conhecida.

― Meu filho! ― A mulher se aproximou e apertou os ombros do rapaz. ― Tome cuidado.

― Eu terei cuidado, mãe. ― Chanyeol tentou acalmá-la.

― Todas as noites, em meu quarto, eu estarei rezando por você. Não se esqueça de nos escrever e principalmente, de se alimentar bem.

Chanyeol conseguia ouvir as risadas irritantes de alguns de sua tripulação por conta da cena melosa. Malditos!

― Eu já sei disso, não precisa se preocupar. Papai realmente não virá?

― Você o conhece, desde o incidente ele... Prefere que tudo em sua vida esteja em terra firme.

― Ele jamais irá nos contar o que aconteceu, não é?!

A mulher não deu uma resposta sincera. A quietude era um luto pela felicidade do marido que havia sido roubada por conta da visão interrompida.

― Cuide bem dele. Eu prometo escrever. Te amo, mãe.

― Também te amo, meu filho. Que os céus te protejam sempre.

Após o barco se afastar da cidade, Chanyeol olhou para o horizonte e o recebeu com um sorriso, porque a forma como o entardecer o granjeava toda bendita vez, fazia com que seu corpo se arrepiasse. A despedida era dolorosa para todos, mas não era uma chance que facilmente se repetiria no futuro. E ele finalmente estava pronto para sentir cada minúcia, não como nas lendas marítimas que corriam por todas as bocas da cidade, mas sim, como histórias reais de coragem humana.

Havia se passado quatro dias e dali mais dois, eles estariam em terra firme para uma reunião importante com os espanhóis. Tudo estava correndo bem, se não fosse por um imprevisto que todos até então estavam ignorando.

Era madrugada quando os dedos estavam agitados. Chanyeol estava escrevendo a terceira carta. A primeira havia sido para sua mãe, a segunda, para o rei e a terceira eram para as estrelas. Ele não sabia ao certo da onde vinha tal costume de escrever para estrelas, colocar o papel em uma garrafa vazia de bebida e jogá-la ao mar. Mas, bem, ele apenas escrevia para elas como se estivesse declarando a dor que carregava em segredo.

No cúmulo do sossego, eu experimento da penúria por vingança. Eu sou o que chamam de coração navegante, servindo de sombra para piratas em busca de lutar pela própria pátria. Durante a viagem, eu cruzo com a maldade, mas a bondade não se mostra muito tranquila quando meu corpo roga repouso. Sou o disparo de outra arma, a ponta afiada de uma espada ofuscada, uma marca em cicatrização, a espera de se curar com a guerra e ressuscitar na imensidão azul.

Estrela, eu confio em sua proteção.

Com amor, Chanyeol.

Barulhos altos ecoaram pelo quarto. Atrás da porta, um de seus subordinados gritava pelo seu nome. Com pouco ânimo, Chanyeol suspirou e caminhou até lá para entender o motivo de tanto alvoroço.

― Capitão ― o sentinela mal pausava para respirar ―, invadiram o barco. Estamos sendo atacados.

O jovem arregalou os orbes negros. Apanhou a espada e a preparou, fincando os dedos nesta para o possível combate. Acompanhou o homem pelo corredor dos cômodos de dormir até chegar ao convés, onde toda sua tripulação estava reunida na parte central do barco, num tumulto que não o deixava entender o porquê de tamanha inquietação.

Um dos seus homens anunciou que o capitão estava presente e foi aberto um espaço para que este pudesse caminhar sem interrupções. As botas pesadas, lotadas de bugigangas de prata e barulhentas traçaram a abertura até o sujeito capturado.

O corpo desconhecido estava encolhido no chão, aos joelhos, quase seminu se não fosse pelo pano velho e sujo que claramente haviam jogado sobre suas costas.

Chanyeol o apontou a espada enquanto perguntava:

― Apresente-se, estranho!

O sujeito não se moveu, tão pouco disse algo. Chanyeol tocou a ponta da rapieira no pescoço do rapaz e traçou com a espada uma linha invisível até seu queixo, levantando o rosto dele à força.

― Eu mandei se apresentar.

Os olhos forasteiros se chocaram com os do capitão. Chanyeol ficou surpreso. Um olho do desconhecido tinha a tonalidade azul, tão claro quanto o mar que idolatrava e o outro era tão negro como as últimas noites que se sucediam. Como seria possível existir tal aparência no mundo? Ele pensou.

― O encontramos completamente despido, escondido na cozinha. ― Kai, primo de Chanyeol, o lançou enquanto movia a lâmina do punhal em mãos, de modo ameaçador. ― Ele estava roubando nosso pão. Parece desnutrido, provavelmente é algum ladrão foragido, capitão.

Chanyeol pressionou os orbes. Todos encaravam a situação, alarmados.

― Não! ― Finalmente a voz do sujeito surgiu, tão baixo que o capitão julgou ser por conta da fraqueza. ― Eu não sou um ladrão, eu apenas estava com fome. Há dias não como nada, sinto que irei morrer. Como pode uma estrela como eu falecer na forma de um humano? ― soprou um sorriso sarcástico. ― Patético!

― Ele disse que é uma estrela, capitão? ― Um corsário disse aos sorrisos. ― Ele deve ter roubado uma de nossas bebidas também, pois está delirando.

Chanyeol deu um riso agudo lotado de ironia e apertou ainda mais a espada na pele do sujeito, sabia que se caso ele colocasse mais um pouquinho de força, acabaria tendo o sangue do maluco escorrendo por seu barco.

― Eu odeio mentiras. É bom que diga seu nome e a mandado de quem veio, antes que eu te cale de uma vez por todas.

― Me chamam de Polaris, mas não sei se é um título definitivo. Eu venho observando a sua espécie ― riu outra vez. ― Vocês são divertidos.

― Pare de piadinhas ― Chanyeol exigiu de modo firme. ― Polaris? Que tipo de nome é esse?

― Olhe você mesmo para o céu. Há dois dias que não aparece nenhuma estrela. Todas caíram, Chanyeol.

O capitão estava surpreso em ouvi-lo citar o seu nome tão descaradamente, fugindo da nomenclatura obrigatória.

― Já chega com essas suas histórias de pirata. É um deles, não é?

O sujeito suspirou impaciente e rebateu:

― Certo! Foi você quem pediu isso. Toda vez que escreve pra mim, eu o ouço dentro da minha mente. A sua voz passeia por mim tanto que desconfio que seja porque você não possui nenhum outro amigo além de mim, certo?

Chanyeol queria matá-lo. Ele havia matado algumas pessoas antes, principalmente oponentes que ameaçavam a realeza, mas agora ele estava ainda mais sedento para fazer aquilo. O desconhecido estava em seu barco, havia invadido seu espaço pessoal onde havia uma tripulação à sua ordem. Nada o impediria, certo?

― "Mas a bondade não se mostra muito tranquila quando meu corpo roga repouso", agora entendo bem o que escreveu. Você é um menino no corpo de um grande homem tentando adormecer com o barulho da sua mente. "Sou o disparo de outra arma, a ponta afiada de uma espada ofuscada, uma marca em cicatrização à espera de se curar com a guerra e ressuscitar na imensidão azul", você não se importa se precisar morrer no mar para pagar por algo que fizeram a alguém que você ama, não é?

A fúria em Chanyeol aumentou. Como aquele sujeito sabia tanto sobre o que ele havia escrito? Por acaso, ele havia lido a carta? Mas nada disso fazia sentido, afinal, ele tinha acabado de escrever aquelas palavras, não havia dado tempo o suficiente. A não ser que... Que alguém o tivesse passado todas aquelas informações. Havia um traidor entre eles.

Chanyeol ergueu os olhos e passou por cada pessoa de sua tripulação. Como descobrir quem era o cúmplice do estranho?

― Renda-se quem está com ele. Agora!

Ninguém se atreveu.

― Olhe para o céu. ― O jovem o disse. ― Ele é a maior prova de que o que eu estou falando é real.

Chanyeol o fez, tentando não se desprender muito da atenção em sua espada, pois não confiava o suficiente no desconhecido.

Quando o capitão se deparou com o céu completamente limpo, ele quis acreditar naquela teoria. Porém, Chanyeol odiava lendas, e abdicar de seu ceticismo para admitir a existência de um tiquinho de fantasia, feriria a sua arrogância.

― Se você me matar, ingressarão em total desastre, sua espécie entraria em conflito. Vocês precisam da ordem natural das coisas, eu não posso morrer. Você não pode morrer.

Chanyeol rapidamente o fitou.

― Eu? Morrer? E quem me mataria? Eu não deixarei que meus inimigos tenham a honra de me capturar.

O sujeito piscou os olhos, dificultosamente.

― Um inimigo? Eu não disse que será um inimigo, na verdade, será um homem da sua tripulação que irá te trair. Deixe-me viver e eu te conto quem é.

Chanyeol riu.

― Está louco que eu irei confiar em você.

― No final da carta você confiou sua proteção à mim, não se lembra? Eu não sei se foi por isso que estou em forma de humano por tanto tempo, mas sei que preciso protegê-lo antes que te matem.

― Minha tripulação é mais importante do que a sua palavra. Quem acha que matarei primeiro?

― Mate-o, capitão, mate-o! ― Um dos homens, insistiu ansioso.

Chanyeol levantou a espada, prestes a testá-la na garganta do sujeito.

― Eu sei quem o cegou.

O capitão parou no mesmo instante com o que havia acabado de ouvir.

― O que disse?

― Eu disse que sei quem cegou seu pai. Eu conheço o culpado bem, sei a crueldade que ele carrega e todos os nomes que enterrou sem receber o título de assassino durante todos esses anos. Você sempre esteve certo, não foi um acidente qualquer.

Os homens começaram a cochichar entre si.

― CALEM-SE TODOS! ― O capitão os interrompeu.

A tripulação se silenciou com a repreensão recebida.

― Levem-no para o porão e tranquem todos os buracos de luz ― abaixou a espada. ― Prontidão em frente à porta até segunda ordem.

― Mas, capitão... ― Kai o encarou, surpreso. ― Ele é um ladrãozinho que merece morrer, não deve confiar em suas palavras.

― Façam o que eu mando sem contestar ― persistiu. ― Pela manhã, eu mesmo lidarei com ele. Os outros voltem para suas acomodações. O espetáculo acabou!

Algumas reclamações passaram despercebidas pela atenção de Chanyeol, pois seus olhos estavam fisgados pela figura sendo arrastada. Uma estrela como Polaris poderia realmente ser tão encantador como aquele sujeito mesmo tão abatido e imundo? O corsário estava irritado que a ponta de dúvida estivesse martelando seus pensamentos.

Chanyeol voltou para seu quarto, amassou a carta com ira e deixou o papel em cima da mesa. Sua visão foi conduzida até a janela de frente para si. O céu estava completamente imerso em escuridão. Ele engoliu em seco e sentiu uma angústia estranha tomar sua garganta. Algo estava definitivamente errado.

Enquanto Chanyeol colocava uma mecha de seu cabelo castanho escuro e comprido ― este que batia nos ombros ―, atrás de uma de suas orelhas, ele sentiu um objeto afiado ser encostado na lateral livre de sua garganta.

― O sujeito estava certo, capitão. Você está destinado a morrer.

9 Mai 2021 07:40:21 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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