ficsmaddie1611023578 MaddieMermaid

“Quando o vi pela primeira vez, com os cabelos loiros bailando ao sabor do vento e os olhos dourados morando sobre as ondas escuras, soube que eu pertencia a ele, em alma e sangue, e que minha vida jamais seria a mesma”. (...)


Érotique Interdit aux moins de 21 ans.

#terror #yaoi #one-shot #vampiro #original #295 #227 #boy-love
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Os letreiros iluminados pela alegoria às luzes da ribalta, que reinam soberanos no alto do morro, nunca perdem seu charme.

“Hollywood”.

Terra de sonhos vendidos, angustiantes oportunidades, som de claquetes e gemidos.

Longe dos holofotes, do Chinese Theatre e da longa calçada da fama, Hollywood não é tão glamurosa como se faz vender.

Drogas, prostituição e crimes rolam soltos por seus recônditos sombrios, formando a decadência obscura e não contada da mais que perfeita fábrica de ilusões.

E para aqueles que sob o manto da noite vagam sem medo, como eu, Hollywood já não guarda mais nenhum segredo sequer.

Desde que me entendo por gente, sonhava em ser um ator.

Ainda menino, sentado em frente à tv, consumindo enlatados estadunidenses em meu querido El Salvador, sabia que atuar era meu chamado.

Meu lugar era ali, atrás da tela, onde, ao meu ver, habitavam os deuses.

Mas, mal sabia eu que o divino, o excelso paraíso, na realidade caminhava por entre nós, simples mortais.

Santa Monica e seu famoso pier sempre foram tomados por inúmeras pessoas, 365 dias ao ano.

Cidade costeira ao oeste de Los Angeles, esta oferecia a pessoas como eu - aspirantes ao estrelato - oportunidades de sobrevivência enquanto galgavam o calvário de seu sonho.

Já fazia quase um ano que eu trabalhava ali, em um dos inúmeros restaurantes ao redor da famosa praia que beijava o oceano pacífico. Comecei limpando mesas e banheiros, e agora que já sabia inglês mais do que o suficiente para ajudar na cozinha, tinha esperanças de uma promoção e de um pagamento melhor.

Mas, para minha tristeza, oportunidades para rapazes de pele parda e espanhol nativo não se apresentam corriqueiramente.


Eu sempre soube que era bonito.

Músculos perfeitos, trabalhados desde a tenra infância sob o sol nas lavouras de cana de açúcar. Cabelos escuros, levemente encaracolados, e grandes olhos expressivos.

Um pacote completo para o entretenimento e sua indústria.

Porém, por dignidade, tentava não usar desta característica para conseguir meus intuitos, além da abertura de portas.

Boquetes e bom sexo te levam longe em Hollywood, mas meu desespero não era tão forte assim. Pelo menos não ainda, a ponto de me vender.


Tendo mais um pedido de um cargo melhor frustrado, terminei meu turno e decidi espairecer.

Caminhei pela areia, sapatos nas mãos, dedos molhados pela água salgada. Quando me dei conta, estava próximo ao Pier, e senti que deveria visitá-lo.

Calcei-me, e a todo custo me desviei dos vendedores de quinquilharias, das famílias barulhentas e dos adolescentes embriagados e entorpecidos, em busca de respirar o ar de salmoura, até que finalmente cheguei ao corrimão do parapeito situado no final do gigantesco deck.

Quando o vi pela primeira vez, com os cabelos loiros bailando ao sabor do vento e os olhos dourados morando sobre as ondas escuras, soube que eu pertencia aele, em alma e sangue, e que minha vida jamais seria a mesma. Essa memória, tão fresca embora longínqua, é uma das que guardarei comigo, pela eternidade.

Que me interessava por homens não era segredo. Pelo menos não para mim, e para os vários americanos, latinos e turistas que dominaram o meu corpo, mas ele era diferente de todos os que já havia conhecido no sentido bíblico, por assim dizer.

Trazia em si uma aura santa e pecadora, uma dualidade magnética que me deixou arrepiado.

- Nada melhor do que a brisa do mar para aliviar os pensamentos - disse ele, olhando para mim como um predador no topo da cadeia alimentar olharia para sua presa.

- Sim - foi tudo que consegui responder.

Novamente suas áureas orbes miraram o oceano, ou o que era possível ver do mesmo na calada da noite.

No horizonte, uma boia de sinalização balançava ao desejo da maré, tranquila como se nada mais no mundo existisse, alheia ao desenrolar do mais importante momento da minha vida.

- Crimson. Gregory Crimson - estendeu sua mão.

- HenricoEstefan - retribui o gesto.

Eletricidade percorreu o meu corpo com o rápido toque de sua pele gelada.

- Nunca canso de visitar Santa Mônica. Essa cidade tem um charme à parte, algo que não consigo definir. Nem mesmo a famosa Los Angeles é tão encantadora como aqui.

Porque os lábios dele se mexiam com tanta harmonia?

Gregory Crimson era uma verdadeira obra de arte.

A camisa social semi aberta, cujo colarinho balançava, dependente da intensidade do vento. Antebraços sobre o corrimão, punho forte envolto por um relógio dourado… engraçado, me sentia como uma abelha atraída para o pólen de uma perfeita flor ao lado dele. Consegui apenas responder:

- Los Angeles é encantadora em certas áreas. As coisas ficam bem menos bonitas afastando-se da Hollywood Boulevard.

-Está aqui em busca de uma oportunidade artística, Henrico?

- É tão óbvio assim? - ri, sem graça.

- Com sua beleza tão explícita, é.

Tremi, por completo.

- Se for esse o requisito, a beleza, creio que busca algo semelhante, estou certo?

Crimson sorriu de canto de boca, levantando o lábio superior levemente. Em seguida, se virou para mim, continuando com a leitura que fazia da minha pessoa.

- Busco algo, sim, mas não a fama. De onde você é, Henrico?

- El Salvador. Você?

- Croácia.

Crimson deu então as costas para o oceano, apoiando destavez os cotovelos no corrimão.

Ajeitou os fios que caíam sobre sua testa, e novamente me encarou.

- Gosta daqui?

- Uns dias mais do que os outros.

- E porque isso?

Aquela era minha chance. Não sei, mas o movimento que o pomo de adão de meu interlocutor fazia, conforme ele falava, me enfeitiçou.

- Não é sempre que conheço pessoas interessantes. E quando isso acontece, gosto mais.

Usei da linguagem corporal que tanto estudava para dar a entender o que pretendia.

- Então diria que essa é sua noite de sorte - novamente ele sorriu, e assim, me desarmou.


Como tudo aconteceu, a partir daí, me pareceu automático, e sinceramente, não lembro bem.

Hoje entendo que foi o fascínio de Crimson que causou em mim tal descontrole, mas na hora pensei que era apenas obra de um desejo sem precedentes, que prejudicava meu juízo.

Mas, mimicando um desafortunado inseto atraído pelo doce aroma de uma planta carnívora, assim foi comigo.

Quando chegamos ao apartamento que eu dividia com outro rapaz, e que por sorte encontrava-se vazio, foi que me dei conta de onde estava.

- Me convida para entrar? - perguntou, em um primoroso tom de galanteio.

- Gostaria de entrar, Gregory? - meu sorriso habitava absoluto.

- Com toda certeza.


Dando por mim, mais uma vez após momentos de vazio mental, estávamos no quarto.
Como chegamos a esse ponto? Novamente não sei.

Nunca fui do tipo fácil, embora já tenha vivido alguns momentos de loucura ao lado de caras que tinha acabado de conhecer dentro de boates ou em viagens, mas levar alguém em tais circunstâncias para casa e me entregar era algo até então inédito.

Com o tempo descobri que a explicação para isso foi que nas mãos de Gregory me tornei apenas um instrumento, que existia ali para simplesmente satisfazer suas necessidades, inocente em relação à realidade à minha frente.

Naquela noite me encontrei no lugar e no momento certo, como dizem por aí.

E, por incrível que pareça, agradeço a ele por isso.

As mãos ligeiras daquele homem sedutor percorriam meu corpo, desnudando-me enquanto eu lhe fazia o mesmo. O toque dos lábios que logo recebi sobre os meus foi de certa forma bruto, o que deu uma característica única e marcante aos beijos que trocávamos.

Nossas bocas roçavam, nossas línguas procuravam o bailado erótico que queriam desempenhar, sugávamos um ao outro.

Não aguentei, e assim que ele me trouxepara perto, empurrando sua masculinidade túrgida contra a minha, fui direto aos loiros cabelos, os quais puxei.

Crimson arfou, e senti uma corrente de tesão passeando por todo aquele belo e alvo corpo esguio que ele sustentava.

O hálito quente, que contrastava com a temperatura da pele mais fria do que a minha, sem demora estava sobre meu peito, conforme ele me conduzia com passos lentos até a cama.

Senti-me pulsar quando o experimentei oralmente acariciando um dos meus mamilos.

Segurei-me novamente nas madeixas de meu parceiro, fechando os olhos, relutante. Era muito difícil ficar sem olhar para ele.

Por um delicioso decorrer de tempo tive cada centímetro de meu torso beijado, em uma inesperada adoração, até que a boca do croata me deu a amostra de um libidinoso Jardim do Éden, habitado somente por nós dois.

Habilidoso, envolveu todo meu membro, acomodando-o com primor. Sua ágil língua me degustava, sabia ali o quanto Crimson apreciava o meu gosto, pelo modo como conduzia tal deliciosa felação.

Lambia, sugando cada reentrância, cada curva, cada pedacinho de pele do meu pênis mais do que ereto.

Comecei a suar.

Uma das mãos ficaram sobre seus cabelos enquanto a outra levei ao peito, extasiado. Minhas pernas tremiam, e conforme ele sorvia minha lubrificação eu delirava, sentindo também a profundidade com a qual o maravilhoso loiro me engolia.

Que momento de extremo deleite foi aquele!

Quando percebi que chegaria ao gozo, achei de bom tom avisar.

Crimson apenas sorriu, voltando a me chupar, desta vez com seu olhar envolvente ligado ao meu, desafiando os limites da minha sanidade juvenil.

Havia fogo ali, bem no fundo de seus olhos. Um fogo tão ardente que poderia acabar me incinerando mas que, mesmo assim, não me dava medo. Pelo contrário, me puxava para cada vez mais perto.

Gemi alto e rouco, curvando o tronco num impulso, quando me despejei em sua garganta.

E de modo voluptuoso e em silêncio, ele engoliu cada gota.

Foi quando me virei sobre a cama. Fiquei de bruços, tronco sustentado pelos cotovelos apoiados no colchão, levantando meus quadris levemente.

O queria.

Crimson cuspiu nos dedos, abri as pernas, e ele começou a me preparar.

Olhei para trás, travesso, cobiçando o delicioso falo que ele agora me mostrava. Estava molhado, pingando de desejo por mim, e assim que percebi-me pronto, ele começou a me invadir.

Pausadamente, com cautela e zelo, até se acomodar totalmente em meu interior, abrindo-me exatamente do jeito como eu gostava.

Não demorou para que eu sentisse as fortes batidas das ancas daquele meu amante em minhas nádegas, e fechando os olhos me entreguei ao prazer. Conforme Crimson investia contra mim, gemendo contido, eu comecei a lhe venerar, ainda mais.

Em sintonia, recebia seu inebriante mastro ao mesmo tempo em que eu me forçava para trás. Queria todo seu volume para mim, tinha ganância sobre ele.

Pelos cabelos, sem se retirar um segundo se quer de dentro da minha intimidade, ele foi me puxando.

Ficamos os dois de joelhos sobre a cama, e ele continuou com a robusta penetração.

Acomodou minhas costas suadas sobre seu peito, e nem ao menos percebi que seu coração não batia, ao contrário do meu, que feito uma locomotiva bombeava sangue quente para cada veia, artéria e capilar que me formavam.

- Você seria apenas uma deliciosa refeição, Henrico - disse ele, ao pé de meu ouvido, com uma voz autoritária e melodiosa - Mas não posso deixá-lo ir. Por toda a eternidade, você deve me pertencer.

Gemi.

Se eu não estivesse já tão entregue, agora estaria.

Gregory usou uma das mãos para inclinar minha cabeça para um dos lados, enquanto a palma da outra me masturbava. Ele pulsava em meu interior, e seguimos assim até que inundando-me com seu orgasmo, marcou com seus lábios o meu pescoço, delimitando toda a minha existência como seu território inquestionável.

E então, continuamos nesse frenesi até que uma nova onda de calor me invadiu, me fazendo sucumbir às duas distintas estimulações que experimentava.

E esta foi inédita, inacreditável, impossível.

A leve dor que senti onde sua boca estava nem de perto chegou à inebriante tempestade de prazer que tomou a minha singela corpulência humana. Não precisei olhar para baixo para ver que lambuzei completamente seus habilidosos dedos com meu leite, e sinceramente, até então não tinha consciência de que meu sangue quente escorria, traçando sobre minha tez um caminho descendente, pagando o preço da fome das presas dele.

Ainda dentro de mim, Crimson me ofereceu seu pulso. Instintivamente, o mordi.

Estava feito então o nosso laço , escrito em vermelho carmim, num acordo inquebrável, que fora batizado por um intenso contentamento erótico.

- Minha doce criança da noite - disse ele, puxando meu rosto, beijando a lateral dos meus lábios.

O cheiro ocre invadiu minhas narinas, e senti pela primeira vez o gosto de meu próprio líquido vital, quando sua boca manchada de vermelho sujou a minha.

Anos depois, eu ainda rememoro aquela intensa noite, e me curvo ao desejo de meu amado Mestre.

Crimson é meu dono, meu amante, meu ardor, meu objeto de maior cobiça.

Sei que para ele sou muito mais do que uma simples criação. Sua devoção por mim fica clara, como a luz do dia que nunca mais vi, cada vez que nos amamos, sempre que suas errâncias o traz de volta à Califórnia.

E aqui, sozinho, observando os letreiros de Hollywood, espero novamente por ele.

A vontade de ser um artista reconhecido se tornou obsoleta, e sendo assim não mais me habita.

Sou muito mais do que aqueles ídolos cinematográficos que um dia admirei.

Sou um filho da noite imortal, um dos deuses da escuridão, membro da elite evolutiva da espécie humana.

- Doce criança...

Tremi.

Era a voz dele a me chamar.

Fim

6 Mai 2021 13:02:20 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

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