sabrina_ternura Sabrina Ternura

A Deusa realiza um pedido árduo a Diablair. Explicando seus motivos e convicções, ela o convence a participar de tal empreitada, que trará a vida a Trindade do Apocalipse: Tortura, Tristeza e Ternura.


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#fantasia #ação #comédia #drama #origem #InfernalFamily
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Infortúnio Divino

PRIMEIRA CENA - EXT. JARDIM SECRETO DA DEUSA - TEMPO CONGELADO

Um homem alto e de pele escura caminha a passos lentos pelo enorme jardim da Divindade, observando atentamente os detalhes do local. Sua presença infernal contrasta com as árvores de topos brancos e o lago de águas cristalinas. Borboletas e corvos voam pelo local silencioso. O homem faz uma breve reverência à estátua de uma mulher que se encontra no meio do jardim.

DIABLAIR: Gostaria de saber o motivo pelo qual estou aqui, minha estimada amiga.

[Uma forte brisa sopra. Um redemoinho de flores se forma acima das águas do lago. Diablair vira o rosto para ver o que está acontecendo. De dentro das pétalas e andando sobre as águas, encontra-se a Divindade dona do jardim, que está trajando um vestido branco. Pequenas fadas voam ao redor de sua cabeça, acrescentando adornos florais a sua coroa, sumindo logo após realizarem tal ato. Ela começa a flutuar na direção de Diablair.]

DIABLAIR (fazendo uma carranca quando a Deusa se aproxima): Essa foi a entrada mais cheia de frufrus desta maldita Terra.

DEUSA (colocando a mão na frente da boca, soltando uma risada irônica): Levarei sua fala como um elogio.

[Diablair bufa. A mulher de longos cabelos castanhos escuros faz um gesto para que ele a acompanhe. Ambos caminham na direção da Árvore das Maldições do Bem e do Mal, que é a maior do jardim e que se encontra logo atrás da estátua da Deusa. Diablair se senta em uma das enormes raízes que sai do chão, após a Deusa já tê-lo feito.]

DIABLAIR (cruzando os braços): Por que estou aqui?

[Outras fadas se aproximam para acrescentar mais flores à coroa da Divindade. Diablair franze o cenho.]

DIABLAIR: Sua cabeça não fica pesada com esse monte de flores em sua coroa? Sinceramente, mulher...

[As pequenas fadas soltam um gritinho de horror quando o ouvem falar. A Deusa sorri para elas.]

DEUSA: Não se preocupem com o que ele diz. Tenho certeza que ele adoraria que vocês adornacem a coroa dele.

[As fadas sorriem para a Deusa e se afastam. Assim que as pequeninas se vão, Diablair solta uma risada alta. A Deusa se levanta e desfere um chute na canela de Diablair, que não demonstra qualquer tipo de reação, apenas continua rindo. A Deusa se senta novamente.]

DIABLAIR (limpando os olhos e ainda rindo): Que você, grande Deusa, me perdoe pelos malditos pensamentos que passaram pela minha mente agora.

DEUSA: Você sabe que eu não sou do tipo que sai por aí distribuindo perdão como se fosse uma caridade.

[A Deusa faz uma carranca e cruza os braços. Diablair para de rir e encara a mulher com seriedade.]

DIABLAIR: Brincadeiras à parte... Me diga, minha amiga, o que posso fazer por você?

DEUSA (levemente ansiosa): Desde os primórdios nós dois estamos conectados. A sua amizade e confiança me deram muita força quando eu estive fraca e desamparada... Quando eu não sabia quem eu era... Depois de todas as coisas que aconteceram, tomei uma decisão: quanto mais ando em meio aos demais deuses, mais percebo que não quero ser como eles.

[Diablair levanta uma das sobrancelhas, demonstrando dúvida.]

DEUSA: Você sabe que eu ainda sou uma mera humana, apesar de ter poderes divinos.

DIABLAIR (soltando uma risada): Poderes divinos é eufemismo. Tá mais para poderes apelativos.

DEUSA (com humildade): Não é para tanto...

DIABLAIR: Ah, pronto! Você tem andando muito com aquele Messias falso pra ter desenvolvido esse tipo de humildade infame, não é? Depois do que você fez no Triângulo das Bermudas, nunca mais ousarei mergulhar em um rio sem antes checar se estou vivo ou morto. E você sabe que estou sendo sincero! Se você fosse fraca, pode ter certeza que eu seria o primeiro a dizer e a te desmotivar.

DEUSA (franzindo o cenho): Com um amigo como você, não é necessário um inimigo.

DIABLAIR (dando de ombros): Eu faço o que posso!

[A Deusa faz uma carranca e fica em silêncio. Diablair junta as mãos na frente do corpo e se encosta no tronco da árvore. Uma nostalgia toma o olhar do líder Infernal.]

DIABLAIR (apontando para o lago): Eu me lembro de quando te encontrei morta bem ali.

DEUSA (cerrando os olhos, com ironia): Eu ainda estou morta.

DIABLAIR (em um tom melancólico): Não tanto quanto naquele dia, posso lhe garantir.

DEUSA (entrelaçando seus dedos uns nos outros com o olhar sério): Diablair, eu pareço humana para você?

DIABLAIR (arqueando as sobrancelhas): Você me parece... uma incógnita, na verdade. Você é uma deusa, sim, mas é tão humana quanto. Não sei definir o que você me parece.

DEUSA (encarando o chão): É por isso que te chamei aqui... Eu preciso ser ambas as coisas da maneira certa. Você tinha razão: não estou mais conseguindo dar conta.

DIABLAIR (com preocupação na voz): Pelas chamas do Inferno, você ainda se lembra que eu disse isso? E o que diabos você pretende fazer?

[A Deusa se levanta, ficando de costas para Diablair, que permanece sentado e encostado na árvore.]

DEUSA (com angústia): Eu vivi na Terra durante tempos sombrios como humana, mas ensinei aos homens a importância do cultivo, da palavra e do respeito, assim como a arte do fogo, da arquitetura e da cultura. Eles não sabiam que eu era uma deusa e eu também não tinha consciência disso, afinal estava amaldiçoada. A questão é que esses mesmos homens que acolhi, ensinei e amei... me mataram. Eles me quebraram de uma maneira que nunca imaginei ser possível... A Terra, em sua infinita bondade, ao ver tal acontecimento, lembrou-me de quem eu era e transformou o meu sangue em água e assim nasceram as chuvas, os rios e o oceano. Da água viemos e para a água retornaremos… Como você bem sabe…

[A Deusa fica em silêncio e encara o lago não muito distante, reflexiva. Diablair permanece calado, encarando-a. Alguns minutos depois, ela prossegue o monólogo.]

DEUSA: Desculpe, eu divago intensamente quando relembro tais fatos longínquos… A lembrança é distante, mas a dor ainda continua em meu coração. O que quero dizer te contando tudo isso novamente é: não posso mais ser uma humana e uma deusa... E você é o único capaz de tornar isso possível.

[A mulher continua de costas para Diablair. O líder Infernal coloca o corpo para frente, pensativo, e temendo como a conversa prosseguirá.]

DIABLAIR (com cautela): O que exatamente você quer que eu faça?

DEUSA: Preciso que você retire a minha alma e afunde meu corpo nas profundezas do lago no qual fui morta.

DIABLAIR (completamente em choque): O QUÊ? COM TRINTA DIABOS, VOCÊ ESTÁ PEDINDO PARA QUE EU TE MATE?

DEUSA (voltando-se para Diablair, com seriedade): O que está morto não pode morrer.

[Diablair se levanta, horrorizado, e passa a caminhar de um lado para o outro. A Deusa o encara com um pouco de ansiedade. Logo em seguida, ela caminha até o lago, se ajoelha perante a água e, encarando seu reflexo humano, ela recomeça a falar com Diablair.]

DEUSA: Entendo o motivo pela qual você está horrorizado. Se você me pedisse algo desta magnitude, eu teria a mesma reação. Entretanto, deixe-me esclarecer algo: não vou morrer, pois já estou morta. O meu plano é dividir minha alma em três partes humanas e deixá-las vivendo na Terra, entre os homens, ajudando-os e guiando-os, enquanto aprendem com eles. Elas não serão deusas, serão partes minhas que representarão a natureza humana, enquanto desfrutam de tal natureza.

DIABLAIR: E como seriam essas três partes?

DEUSA: A primeira parte será a Tortura, pois todos os homens possuem violência e remorso dentro de si, é por esses meios que eles aprendem a importância do perdão. A segunda parte será a Tristeza, porque todos os homens são melancólicos na mesma medida que sentem prazer em provocar a dor, e é por tais experiências que eles aprenderão a importância da alegria. A terceira e última parte será a Ternura, que representa a gentileza da natureza em nos permitir viver em seu meio, e é por meio dela que o homem descobrirá o significado da gratidão em existir, porém, justamente por ser tão boa, ela será a mais subjugada. Ela terá que se esforçar para ser forte, mesmo que o mundo diga que ela não é. Eu quero que os meus preciosos súditos entendam que a beleza de ser humano é justamente esse equilíbrio em ser bom, mas ter chamas más na alma. Seria hipocrisia dizer que alguém é inteiramente bom ou completamente ruim... A mais bela humanidade é aquela que tem a oportunidade de ser ensinada em meio aos erros e não pela imposição do medo ou por deuses superiores, mas, sim, através de outro humano.

[Diablair se aproxima da Deusa e coloca uma das mãos no ombro dela. A mulher, que ainda encara seu próprio reflexo, está chorando. Em meio a quietude do jardim, somente o barulho de suas lágrimas são ouvidos.]

DIABLAIR (suavemente): Nunca um pedido me pareceu tão honrado...

[A Deusa o encara, perplexa e emocionada.]

DEUSA (sussurrando): Obrigada...

DIABLAIR: O mundo não merece sua bondade... Diga-me como devo proceder e eu o farei.

DEUSA: Você mais do que qualquer um sabe que nós estamos conectados... No dia em que o Caos foi invocado e eu fui jogada na Terra acidentalmente, você veio ao mundo... Você foi o único sobrevivente daquele ritual maligno... Por conta disso, você é o único que possui acesso direto à minha alma. Além dessa conexão, você possui o poder de tirar o sangue do corpo de alguém por completo e, em seguida, enclausurá-lo: Sangue Eterno.

DIABLAIR (inseguro): Eu posso matá-la no processo...

[A Deusa o olha com compaixão.]

DEUSA: Você não o fará. Acredito fielmente em sua competência. Além disso, isto que você vê é apenas uma carcaça morta. Preciso que você me liberte para todos saibam quem sou verdadeiramente…

[Diablair suspira profundamente. Há uma imensa inquietude em seu olhar, no entanto ele sente seu coração perturbadoramente tranquilo, pois sabe que é a coisa certa a se fazer. Ele fecha os olhos e só os abre quando toda a coragem que possui está transbordando dos mesmos.]

DIABLAIR (soltando um longo suspiro): Que seja feita a Tua vontade, assim no Limbo como no Inferno… Onde será o nosso altar de separação?

[A Deusa aponta para o lago.]

DEUSA: Deve ser feito aqui, pois é o local onde me mataram e onde é a nascente do Oceano Vazio, meu lar divino. Ao tirar meu sangue, você deve separá-los dentro dos três recipientes sagrados que aqui se encontram: o Frasco da Bondade para a Ternura, a Bacia das Trevas para a Tortura e a Taça da Profecia para a Tristeza. O sangue se tornará água e a água gerará vida. Após a extração, você deve afundar meu corpo nestas águas. Após isso, você deve enviar os recipientes para os seguintes lugares: o da Tortura para Dallol, o da Tristeza para Lloró e o da Ternura deve permanecer aqui. Quando elas estiverem prontas para nascer, você saberá, mas será o Guardião de apenas uma.

DIABLAIR (confuso): Guardião? Como assim?

DEUSA (sorrindo e dando de ombros): Eu trabalho de maneiras misteriosas…

DIABLAIR: Mas…

[A Deusa levanta uma das mãos, interrompendo-o.]

DEUSA: Eu jamais confiaria um dos meus bens mais preciosos a qualquer um.

VOZ DE FUNDO: Diablair e a Deusa ficam em silêncio, porque sabem que nos segundos seguintes suas vidas mudarão para sempre.


FIM DA PRIMEIRA CENA.

9 Mars 2021 20:48:35 7 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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Yvi  Yvi
GORA A COISA VAI PEGAR FOGO, MINHA GENTE!! Olha essa perfeição em forma de roteiro. Vamos conhecer a história da criação das trigêmeas e ainda vamos conseguir ver um lado diferente do Diab! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Brina, a sua criatividade é sinistra além da conta. Estou amando acompanhar e fazer parte da sua Doença. Parabéns!
May 21, 2021, 02:45

  • Sabrina Ternura Sabrina Ternura
    SÓ VAMOS!!! Obrigada pelo comentário e pela presença, Flavinha ♥ 6 days ago
 Silva Silva
Agora sim eu conecsi pela história correta kkkk Sabrina, a Gênese do seu universo foi inebriante, cativante e muito bem descrita. Roteiros são um ponto de excelência na sua habilidade e este primeiro capítulo faz jus a isso. As analogias, o simbolismo das três partes agora vejo com clareza o universo de Garraduende. A ambientação, as ações e sobretudo os diálogos entre Diablair e a Deusa fizeram um conjunto incrível numa leitura irresistível. Parabéns ❤️
May 03, 2021, 23:50

  • Sabrina Ternura Sabrina Ternura
    Fico muito feliz em saber que você gostou! Essa história acabou de ser reescrita, então espero que o restante da leitura seja agradável para você. Muito obrigada pela presença e comentário <3 May 12, 2021, 02:07
Just Ignore Just Ignore
Não sei se irei conseguir tecer um comentário digno não apenas da grandiosidade e importância desta obra, mas proncipalmente de sua criadora aos olhos e coração deste ser infame que agora escreve. Conforme eu lhe disse privadamente, há tantas referências, esmero, criatividade, sentimento e complexidade nesta obra que me é impossivel não se render aos encantos de cada linha contida neste texto épico. E, assim como foi muito bem dito na obra, eu me sinto muito feliz e honrado por ter sido escolhido como um dos protagonistas desta mitologia maravilhosa, robusta, instigante e inspiradora que flui aos olhos e inunda o coração do leitor de modo inexorável! Não tenho como agradecer adequadamente por tamanha demonstração de estima e reconhecimento não só dentro mas fora da história! Brina, o termo adorar realmente é adequado quando se refere ao que sinto por sua pessoa como autora e como ser (in)humano inestimável e excepcional que és! Esta obra, assim com Garraduende, fazem parte de um legado que há de perdurar para todo o sempre se não no mundo, mas ao menos no que me resta de coração! Muitíssimo obrigado e meus parabéns pela criação, desenvolvimento e postagem inigualáveis desta obra Briníssima! Ave, Ave, Divina Brina! Cordialmente, um ser que a reverenciará enquanto vida possuirmos, Honjok.
April 14, 2021, 12:28

  • Sabrina Ternura Sabrina Ternura
    Ah, Manu, é sempre um grande evento responder aos seus comentários tão minuciosos e que deixam meu coração aquecido. Essa obra em particular é o começo de tudo (por enquanto, espero kkkk) e significa muito para mim como escritora. Então, me alegra muito saber que você possui uma admiração por essa narrativa. Obrigada pela presença e comentário, Tio Diab ♥ April 24, 2021, 01:20
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Garraduende
Garraduende

Se Garraduende é o centro deste universo, a família Infernal é o campo gravitacional dele. Constituída por seres de raças completamente diversificadas, essa família ensina que existem laços mais fortes do que os sanguíneos e que, por vezes, o amor familiar pode ser desperto até mesmo nos corações mais sombrios. Com personagens carismáticos, misteriosos e poderosos, o leitor ira se divertir e se intrigar conforme realiza a leitura das narrativas — que sempre possuem os gêneros e as estruturas mais diversificados possíveis. Este universo não poderia ter nascido sozinho, por isso, seria inevitável não citar os autores que colaboram com o desenvolvimento dessas histórias. Sempre divertida e criadora de enredos mirabolantes, a @FláviaYvi é uma companheira de teorias e ideias e, neste universo, os leitores a conhecerão pela alcunha de Imperatriz. Sempre me apoiando e desenvolvendo as tramas mais obscuras, o @Honjok é aquele que mantém meus pés no chão e me mostra o quão profundo este universo pode ser; nestas histórias, os leitores irão conhecê-lo por Diablair/Tio Diab. Por último, mas não menos importante, está a pessoa que tornou tudo isso possível e que sempre me incentiva a continuar: o @FelipeVasconcelos, parceiro de todas as horas e da vida, que me ajuda a organizar ideias, planejar roteiros de enredos e criar personagens incríveis. Nas narrativas, os leitores irão reconhecê-lo nas caçadas do Blake, no coração puro do Philip e no espírito aventureiro do Jake. Que este universo possa te fazer viajar para um mundo onde os limites são destruídos, os corações são arrebatados e as diferenças são deixadas de lado. Sejam bem-vindos a Garraduende — e tomem cuidado para não perderem seus olhos. En savoir plus Garraduende .