nonna.ayanny Nonna Costa

Uma história simples, de fato, uma história com luz própria e encantos pessoais, uma história que vem contar como o amor cresce e permanecesse, como somos recompensados ao esperarmos e termos fé. Assim foi a história de Naruto, que esperou e viveu de tudo por um amor que pouco conhecia, mas sentia que era verdadeiro.


Fanfiction Anime/Manga Interdit aux moins de 18 ans.

#aventura #yaoi #r18 #crossdressing #sasunaru #fantasia #romance #naruto
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Antes da minha História

Quando eu o vi pela primeira vez, eu estava na décima primavera de minha vida. Eu era pequeno e cheio de energia, dentre as tantas coisas que gostava de fazer, as minhas favoritas eram dançar e brincar na natureza. Ainda estava aprendendo sobre o meu mundo, sobre a futura realidade a qual eu ficaria preso de bom grado. Minha mãe ensinava-me todos os dias as tradições do meu clã e meu pai cuidava de me instruir em minha condição de raça, pois eu nascera diferente de todos os outros seres que caminham pelo mundo. Eu não sou como os humanos, disse-me meu pai, sou diferente, mas isso não era ruim, era algo que eu deveria ter orgulho, pois sou raro e muito especial. Acreditei, e acredito, piamente em suas palavras: que sou raro e muito especial.

Certa manhã eu caminhava pelo bosque que existia pelas redondezas de minha casa, eu me sentia o menino mais sortudo do mundo, pois em meu aniversário, minha mãe permitira que eu vestisse um dos kimonos que ela dizia serem para momentos especiais.

O que eu usava, naquela manhã, era de uma linda seda por cima de um confortável tecido branco, cuja gola era vermelha, dentre tantos outros tecidos que compunham o seu tão belo kimono azul, que imitava as ondas do mar. Ele era longo nas mangas, mas curto no comprimento, ficando na altura dos joelhos. Meu obi era laranja com pequenas folhas de trevo desenhadas em um tom mais claro de laranja. Eu sorria para mim mesmo enquanto via meu reflexo na água do rio e admirava a minha aparência trajando aquelas roupas tão bonitas.

Durante a noite haveria uma festa com os aldeões mais próximos para comemorar meus dez anos e isso me deixava ainda mais feliz. Mas algo tinha que acontecer, pois a vida é uma constante ida e vinda de estranhos fatos relacionados. Eu vi, pelo espelho d’água, homens encapuzados e armados se aproximarem de mim. Tive medo, é claro.

Não eram raras as notícias de crianças sequestradas e vendidas para diversos lugares, para diversas finalidades obscuras. Engoli em seco e me afastei devagar, olhando nos olhos daqueles homens que me pareciam desejar famintamente algo. Num único movimento, eu me virei e disparei pela mata, correndo de volta para minha casa. Eu os ouvia gritar e começarem a me perseguir. Deuses, como tive medo, como tive medo naquela manhã.

O meu erro foi ter olhado para trás. Eu queria saber a que distância eles estavam de mim e quais eram as minhas chances de escapar, mas tudo o que vi foi a mim mesmo despencando e rolando pela grama alta, quando tropecei numa raiz escondida. Finalmente, eu fora alcançado, os homens agarraram meus braços e me ergueram no ar. Os homens baixaram suas máscaras e eu senti medo, temi ser levado para longe dos meus pais, eu não queria ter ficado tão longe de casa.

-Não é realmente uma coisa linda? - comentou um, puxando-me para seu braços e enfim me deixando de pé, mas eu mal tinha força para me sustentar nas pernas, tremendo de medo e impotência ante eles. - E esses olhos, então?

-Lembre-se! - bradou outro, arrancando-me dos braços do primeiro. - Ele deve ser levado intacto! O comprador o quer intocado! - ele me olhou e eu vi que sua pele já escorria um suor fedido, eu mal me aguentava com aquele mal cheiro. - Mas realmente é uma coisinha linda com esses enormes olhos azuis e esse cabelo dourado… Ainda não creio que é um menino.

-Vamos embora! - gritou o terceiro. - Antes que comecemos a brincar com ele e o comprador não o queira mais. Ficaremos no prejuízo se continuar assim!

Eles começaram a me arrastar por uma trilha que me deixava cada vez mais longe de minha casa e isso me angustiava, me arrancava as palavras de minha garganta. Eu queria gritar, mas o medo encolhia a voz em meu peito e tudo o que pude fazer foi chorar. Eu já nem sentia mais a dor do meus dedos machucados pela topada que eu dera na raiz, eu só pensava em meus pais e qual futuro fora reservado para mim.

No entanto, esse capítulo é reservado para que eu conte como o conheci, aquele que guardei no local mais palpitante do meu coração. Quando a noite caíra e os homens avisavam que logo atravessaríamos a fronteira, portanto longe das “garras” da justiça imperial, uma sombra assustou aqueles homens. Eu estava quieto, encolhido perto do fogo, chorando baixinho quando aquele menino apareceu.

Um menino. Os homens que se gabavam de seus feitos diante da fogueira, comendo carne e bebendo cerveja, ergueram-se de sobressalto quando o menino misteriosamente surgiu detrás das chamas, caminhando lentamente. Um simples menino.

-Deixem-no e partam, antes que minha paciência se finde. - ele pronunciou devagar, baixo, apesar de sua voz infantil não deixá-lo parecer tão ameaçador quanto queria.

-Afaste-se! - gritou o que eu julgava ser o líder e puxava sua espada para se defender. - Ou mataremos o menino! - eu vi o fio da lâmina ser guiado para mim.

O menino encurtou os olhos e eu percebi que se tornaram ainda mais negros do que já eram, guiou suas mãos para as costas, onde ali estava a empunhadura de uma arma e quando meus olhos piscaram ele havia sumido. Os homens se desesperaram e por alguns momentos as chamas da fogueira se apagaram.

O primeiro a ser derrubado fora o primeiro que me tocara quando eu fora capturado. Quando eu o vi, ele estava com dois enormes cortes no peito, cruzados em forma de X, seus olhos estava bem abertos e sua boca parecia ainda gritar. O segundo eu não vira, apenas ouvira os seus gritos estarrecidos de medo e desespero, enquanto fugia pela mata. Depois só o silêncio quebrado pela respiração ofegante e dificultosa daquele que ainda me mantinha cativo.

Engoli em seco e ergui lentamente meu olhar, procurando por alguma ajuda. Foi quando as chamas da fogueira se reacenderam e lá estava o menino, sentado numa pedra perto do corpo desfalecido do primeiro. Ele parecia calmo enquanto limpava a lâmina de sua katana.

Ofeguei, já sorrindo com a presença do meu jovem salvador. Olhei para o homem e vi o medo em seu olhar, o mesmo medo que eu: o medo do destino nefasto que seguramente ele receberia. Esfreguei meu rosto e comecei a me afastar lentamente, aproveitando que o homem continuava encarando fixamente a criança na pedra. Mas ele percebeu o meu plano e correu para me pegar.

-Não! - foi o que finalmente gritei e então ouvi um silvo, seguido de um som úmido e de um grito engasgado. Temi em olhar para trás, mas o fiz.

O menino cravara sua espada nas costas do homem e me olhava seriamente. Afastei-me rapidamente, acabando por me encurralar entre raízes e vi o corpo dele desfalecer, sem vida, no chão. A espada foi lentamente retirada daquele corpo, com até certa dificuldade e então o menino me fitou, deixando a lâmina pingar o sangue ao seu lado. Ele caminhou até mim e estendeu a mão livre para mim.

Agora eu pude vê-lo melhor. Usava longas luvas negras que lhe cobriam os braços até perto das axilas, não havia sandálias em seus pés, mas protetores de metal em suas canelas e em seus braços, havia um colete que me pareceu ser feito de um material resistente. Tudo isso por cima de uma calça e uma camiseta sem mangas negras. O que me chamou atenção fora a máscara colocada no alto de sua cabeça.

Me parecia um animal, como uma ave. Segurei sua mão e me levantei, sentindo-me finalmente salvo. O menino apertou a minha mão e me puxou para perto do fogo. Afastou-se apenas por alguns segundos, enquanto buscava sua capa negra por dentro e azul por fora, colocou-a sobre meus ombros e foi aquietar-se para limpar sua katana de novo.

-Obrigado, jovem mestre… - tentei parecer o mais educado possível, mas ainda assim demonstrar toda a minha gratidão. Ele ergueu o olhar e sorriu minimamente. - Obrigado por me salvar… Foi o melhor presente que já ganhei…

-É o seu aniversário? - indagou-me e eu sorri.

Segurei melhor a capa, envolvendo-me mais e coloquei-me mais perto daquele menino. Olhos negros, cabelos negros que pareciam ser bem cuidados, pele levemente morena e um semblante muito gentil que me sorria.

Esse era o menino que me salvara, aquele que nunca esqueci.

-Sim. Completo dez anos hoje. - ele terminou de retirar o sangue de sua arma e a guardou num movimento leve. - Eu ganhei esse kimono de mamãe. - abri a capa e o mostrei.

Ele se levantou e me tomou as mãos, para que eu ficasse de pé. Segurou uma mão minha, girou-me no eixo, talvez observando minhas roupas. Ao fim nos olhamos de novo, de mãos dadas, quase de dedos entrelaçados, e eu senti meu coração bater mais forte. Sorri, completamente extasiado com seu rosto.

-É lindo… Combina com seus olhos.

-Obrigado. - suspirei. Não sei como é possível que um menino como eu se sentisse tão envolvido e atraído por um menino como ele. Seria só por que ele salvou a minha vida?

Não houve mais tempo para questionamentos, meu pai surgiu por entre as folhas, usando suas roupas azuis de lavrador, e nos vimos. Soltei-me dele para correr para os braços de meu pai e senti-me feliz por estar vivo.

-Naruto… Meu querido Naruto! - afagou-me os cabelos. - Que bom que está a salvo!

-Foi ele que me salvou, papai. - apontei para o menino.

Ele fez uma reverência para meu pai e continuou sorrindo, mas meu pai me colocou no chão e se curvou completamente, se prostrando de cabeça baixa por terra. Eu não entendi o significado daquele gesto, mas como minha mãe me ensinara a ser sempre obediente ao meu pai, também me prostrei ao seu comando.

-Não há forma de eu, um simples lavrador, agradecer ao jovem senhor por ter salvo a minha criança. - eu ergui meu olhar e vi que o menino estava diante de nós, com a mão estendida para mim. Sorri de volta e a tomei, colocando-me de pé.

-Seu nome é Naruto? - ele falou assim que nossos olhos se encontraram de novo.

Meu pai ficou de pé e deixou-se a nos observar.

-Sim, mestre-sama. - sussurrei.

-É um nome muito bonito para um menino tão bonito. - sussurrou também e eu simplesmente corei, envergonhado e lisonjeado com suas palavras.

De súbito, tive uma ideia para ter por mais tempo da companhia daquele menino.

-Por que não fica para o meu aniversário? - falei, apertando as suas mãos. - Vai ser uma festa simples, mas vai ter pasteizinhos doces! - ele sorriu ainda mais. - Mamãe também fez rámen de porco e muitas outras coisas deliciosas! - respirei, tentando me comportar. - Gostaria de ir?

O menino fitou meu pai e viu seu acanhamento. Senti-me novamente envergonhado, mas no mal sentido dessa vez, pois eu fora mal educado em me precipitar. Quis me encolher, mas as mãos firmes e pequenas do menino, menores do que as minhas, me mantiveram perto de si e, para terminar o meu deslumbramento, ele ainda sorria.

-Será um prazer… Meus pais estão rondando por perto, irei ao encontro deles quando a festa se encerrar, se o senhor não se incomodar. - falou firme.

Meu pai me olhou e eu sorri.

-Claro, a honra será toda nossa. - e partimos juntos daquela clareira para a minha casa.

Durante toda aquela noite eu tive a companhia do meu salvador, em jogos, brincadeiras e tudo o que uma criança poderia querer, mas logo chegou o fim e o menino partiu quando um corvo pousou em nossa janela. Agradeceu-nos a hospitalidade, pôs a máscara em seu rosto, ajustou um cachecol vermelho, que minha mãe tricotara para ele, ao redor do pescoço e foi embora. Nunca mais eu vi aquele menino, mas sentia falta dele a cada dia da minha vida.

5 Novembre 2020 14:09:17 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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