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28 de Novembro

Batidas ritmadas eram dadas na porta do escritório de Albedo, a maneira como elas aconteciam, fazendo lembrar uma melodia, denunciava quem era seu visitante.

— Pode entrar, Klee! — disse em voz alta.

Não demorou muito para ouvir a maçaneta girando junto do discreto som das dobradiças se abrindo. Os passos saltitantes de Klee eram altos e ele continuou prestando atenção em seu trabalho até ela estar ao seu lado.

— Parece animada hoje, Klee — afastou o suporte da enorme lupa que usava, ao virar-se para ela — O que houve?

— Klee descobriu uma coisa incrível! — ela deu um pulinho, fechando as mãos em punho em um gesto de animação — Albedo, quando seria dia trinta?

— Trinta? — ergueu uma sobrancelha estranhando — É depois de amanhã.

— Depois de amanhã? — a expressão feita era de medo e surpresa — Oh não... Klee não vai ter tempo de pensar em tudo...

— O que tem dia 30, Klee? — cruzou os braços, a voz um pouco desconfiada, arrastando o final do nome dela como se já soubesse que algo iria acontecer.

— É um ultra-hiper-mega segredo! — ela levou o indicador aos lábios, fazendo o gesto para que ele ficasse em silêncio.

Albedo não comprou aquela resposta e bastou alguns segundos a encarando para fazê-la ceder. Sendo chamado por ela com ambas as mãos, ele desceu de sua cadeira alta e ajoelhou-se ao lado da menina, onde ela sussurrou algo em seu ouvido.

— Entendo... — levantou-se com o tom pensativo — Então você quer fazer uma festa de aniversário?

— Sim! — ela balançava a cabeça junto da resposta — Klee teve três aniversários com os Cavaleiros, agora Klee quer dar uma festa pra alguém especial. Mas Klee não sabe como fazer... E depois de amanhã é muito perto.

— Isso é fácil de se resolver — Albedo ofereceu um sorriso antes de começar a se afastar.

Voltando para sua mesa, ele começou a mexer em algo, com Klee quase pulando sobre os próprios pés para ver o que era, a mesa sendo alta demais para ela. Levou apenas alguns instantes até que ele mostrasse um pedaço de papel.

— Aqui, uma pequena lista do que você precisa para uma festa. Se precisar de algo, pode pedir minha ajuda, mas tenho certeza que conseguirá fazer algo especial por si só.

Os olhos de Klee quase chegavam a brilhar de felicidade ao pegar a folha com ambas as mãos.

— Muito obrigada, Albedo — o abraçou com toda a força que tinha — Klee fará seu melhor — ao encerrar a fala, ela saiu correndo com a folha ainda entre os dedos.

— E nada de explosões, Klee — ele avisou.

Ela interrompeu seus passos por alguns segundos, fazendo alguns sons um pouco envergonhados, não se virando para o homem e preferindo sair correndo de sua sala antes que recebesse algum tipo de bronca, batendo a porta com força por conta de seu nervosismo.

Albedo cruzou os braços com um sorriso gentil no rosto ao encarar a porta, chegando a pensar um pouco em quem seria o misterioso aniversariante. Dando de ombros, puxou a cadeira para sentar-se na mesa alta, trazendo a lente de volta para continuar sua análise.

Ele confiava que Klee o obedeceria.

Dessa vez.


🍀🍀🍀


— Senhorita Sucrose! — a voz de Klee ecoou pela pequena estufa enquanto ela corria com os braços abertos em direção à assistente de Albedo.

Sucrose carregava um enorme vaso de argila com uma planta que conseguia ser maior que ela, mesmo com o objeto sendo posto no chão. Seus óculos foram ajeitados ao ver Klee encurtando a distância entre elas.

— Aconteceu algo, Klee?

— Klee está em uma missão ultra-hiper-mega secreta!

— Missão secreta?

— Sim! Klee precisa de algumas coisas, você pode ajudar?

— Eu estou um pouco ocupada agora, Klee, mas o que seria? Talvez eu consiga fazer entre minhas tarefas.

— Klee precisa de Lírios de Leite! — inclinou-se um pouco pra frente ao falar.

— Lírios de Leite? É algo bem específico... — ela levou a mão ao queixo um pouco pensativa — Pra que elas seriam?

— Se eu contar, a missão não será mais secreta! — ela insistiu, um olhar determinado em seu rosto.

Sucrose cruzou os braços um pouco confusa. Ela ainda se lembrava do que aconteceu da última vez que ajudou Klee com algo, até Albedo a repreendeu por conta das bombas móveis.

— Por favor! Eu prometi ao senhor Albedo que não explodiria nada, então ele e Jean não ficarão bravos de novo — a fala claramente demonstrava que Klee também se lembrava da última vez, o que causou certo alívio na alquimista.

— Tudo bem, mas eu preciso de uma luz. Lírios de Leite podem ser usados para várias coisas e sem saber ao certo sua utilidade, não posso lhe dar o melhor espécime que possuo.

Klee gesticulou com ambas as mãos para que Sucrose se aproximasse. Ela deu alguns passos para ficar ao lado da menina e se abaixar, apoiando ambas as mãos nos próprios joelhos, ouvindo os sussurros animados em seus ouvidos.

— Acredito ter os exemplares perfeitos — comentou ao endireitar a postura, o indicador erguido em realização — Mas como disse, agora estou um pouco ocupada, porém prometo deixar as flores no escritório do senhor Albedo quando estiver livre.

— Oba! — a menina pulava em alegria — Você é a melhor! Agora Klee precisa terminar a lista de coisas de sua missão!

Ela começou a andar para trás, acenando para Sucrose antes de esticar os braços para o lado, cantarolando seu "la-la-la!" desaparecendo de vista em pouco tempo.

Sucrose acenou de leve enquanto ela se retirava, dando uma breve ajeitada nos óculos e cruzando os braços em seguida, a cabeça levemente erguida e tombada para o lado. Estava curiosa pela escolha de Klee, havia diversas flores que poderiam ser usadas para a mesma finalidade, até mais comuns ou bonitas do que Lírios de Leite. Ela soltou um pequeno suspiro, poderia pensar melhor enquanto finalizava sua tarefa. O enorme vaso foi tirado do chão e ela voltou aos seus afazeres.


🍀🍀🍀


Lumine descia a escadaria atrás da Angel's Share com Paimon flutuando ao seu lado de forma animada. Ambas estavam voltando de uma missão dada por Hertha e a pequena fada ainda estava empolgada pela maneira que elas derrotaram aquele enorme Guarda da Ruína, mesmo ela tendo ficado atrás de uma coluna de pedra o tempo todo enquanto Lumine resolvia o problema.

Hertha as recebeu com um largo sorriso, contente por elas terem voltado em segurança, apesar de considerar quase uma ofensa duvidar das capacidades da Cavaleira Honorária. Ela e Lumine trocavam algumas palavras quando a atenção de ambas foi chamada por Paimon.

— Aquela não é Klee nas docas?

— Klee? — comentou Lumine.

A jovem precisou mudar um pouco a posição para conseguir ter o mesmo campo de visão que Paimon através do portão, sendo fácil identificar o casaco e chapéu vermelho de Klee em meio a grama verde ao lado da pequena doca.

— O que será que ela está fazendo no lago? — Paimon levou a mão ao queixo de forma pensativa, flutuando de um lado para o outro.

Foi como se ela e Lumine tivessem tido o mesmo pensamento, pois gritaram ao mesmo tempo "o lago!" antes de saírem correndo em direção a menina, deixando Hertha um pouco confusa e preocupada. O nome de Klee era chamado por ambas, o que logo chamou sua atenção.

— Olá, viajante! — ela se virou um pouco, observando a aproximação delas por cima dos ombros.

— Klee, o que está fazendo? — Lumine perguntou de forma delicada, apesar de ser clara sua preocupação.

— Eu e Dodoco estamos tentando pegar alguns peixes — ela apontou de leve para a pelúcia — Mas não estamos tendo muita sorte.

Lumine prestou atenção ao seu redor. Klee estava sentada na beira do lago com uma vara improvisada feita de um galho solto de árvore com uma linha amarrada em sua ponta. Sua mochila estava ao seu lado, com Dodoco apoiado nela e um galho menor fincado contra o chão, simulando uma vara para a pelúcia utilizar. Era a primeira vez que Lumine via Klee tentando pegar peixes sem explosivos.

— E por que você quer peixes? — arriscou perguntar.

— Klee está em uma missão ultra-hiper-mega secreta e descobriu que precisa de peixes pra poder completá-la — ainda encarava a viajante por cima dos ombros — Mas Klee prometeu ao Albedo que não explodiria nada dessa vez.

— Peixes? Que tipo de missão pede peixes? — Paimon estava confusa.

— É algum pedido de culinária? Se você falar mais, podemos ajudar, mesmo sendo segredo — Lumine ofereceu.

Klee permaneceu pensativa por um tempo, soltando a vara improvisada e se levantando, chamando as duas para perto após bater a poeira de suas roupas. Ela sussurrou para elas qual era sua missão.

— Uma festa de aniversário? — a pequena fada gritou.

— Paimon! — Lumine não demorou em repreender, recebendo um pedido de desculpas sem jeito — Então sua pessoa especial gosta de peixe?

— Eu meio que não sei... — ela coçava a parte de trás da cabeça sem jeito — Mas a única coisa que Klee pode pensar são os peixes.

— De onde eu venho é comum ter bolo nos aniversários.

— Bolo? — inclinou a cabeça de leve.

— Sim. Eu posso fazer um para você, quando será o aniversário dessa pessoa especial?

— Sério que você vai me ajudar? — ela começou a pular de forma animada, mal acreditando e agradecendo de forma eufórica — É pra depois de amanhã, segundo o que Albedo disse. Você pode deixar bem cedo na sala dele?

— Claro... — Lumine esperou que sua voz não tivesse falhado um pouco, não se sentia intima o suficiente de Albedo para "invadir" sua sala com um bolo, mas falar com Jean sempre era uma opção válida.

— Podemos fazer uma versão gigante dos Slimes Congelados que demos para a Lady Ningguang — sugeriu Paimon.

— Eu acho que isso seria trabalhoso demais — Lumine cruzou os braços, encarando sua companheira.

— Então o bolo não vai dar certo? — Klee alternava o olhar entre as duas, um pouco desolada.

— Claro que vai — Lumine fez questão de pontuar — É que há vários tipos de bolo, precisamos apenas pensar em qual fazer, mas não se preocupe, tudo dará certo.

— Ah... Muito obrigada!

— Há algo mais que você precisa? — Paimon perguntou curiosa.

Klee abriu sua mochila e pegou a lista dada por Albedo, lendo os tópicos com calma, apesar de não proferir nenhuma palavra em voz alta. Um dedo foi levado ao conto dos lábios de forma pensativa antes dela voltar a encarar suas amigas.

— Albedo escreveu que festas sempre tem músicas. Como podemos arrumar música?

— Você pode procurar o Bardo Surdo — Paimon sugeriu, com uma risada.

— Como um bardo pode ser surdo? — Klee inclinou a cabeça em confusão.

— É apenas um apelido horrível... — Lumine negou de leve com a cabeça, focando na menina — Venti é um excelente bardo, mas talvez ele esteja ocupado, então não fique triste se ele não puder ajudar, ok? — recebeu uma resposta afirmativa silenciosa — Ele gosta de tocar perto da estátua de Barbatos, se for lá agora, pode achá-lo.

— Muito obrigada! Paimon, viajante! Klee vai agora mesmo.

Com todo o entusiasmo infantil que possuía, Klee guardou o papel em sua mochila, prendeu Dodoco de volta em seu lugar e após ajeitar o objeto nas costas, saiu correndo pelo portão da cidade à toda velocidade.

— Me pergunto quem poderia ser a pessoa especial de Klee... — Paimon adquiriu uma pose pensativa enquanto dançava um pouco pelo ar — Talvez Razor!

— Klee disse ser segredo, já fez muito falando isso em voz alta — Lumine cruzou os braços de forma repreensiva.

— Ah, relaxe, não é como se tivesse alguém por perto para ouvir.

O fato de só ter os guardas no portão para poder contar algo, não mudava o fato de que se Klee queria manter segredo, deveria ser segredo. Infelizmente Lumine não teve tempo de dar outra bronca na companheira.

— Então, já que não iremos fazer os Slimes Congelados, como faremos esse bolo?

— Na verdade, pensando melhor... Talvez fosse bom conversar com Sarah sobre alguma tradição de Mondstadt de aniversário. Talvez seja melhor do que um bolo aleatório.

— Sim! — ela bateu um pouco de palmas — Depois de conhecer o senhor Zhongli, Paimon também prefere fazer coisas seguindo tradições também.

Elas trocaram um sorriso entre si antes de voltarem para a cidade, mas Lumine não poderia negar, ela também estava curiosa.


🍀🍀🍀


Klee conseguia ouvir palmas enquanto subia as escadas até a praça da catedral onde a estátua de Barbatos ficava. Não foi difícil encontrar sua origem, com a pequena multidão aplaudindo um rapaz trajando verde que se curvava em agradecimento a atenção recebida. Ela não tardou em correr em sua direção.

— Com licença! — falou, chamando a atenção de todos, parando quase ao lado do bardo e assumindo a típica pose dos cavaleiros ao se dirigir à um estranho — Sou Klee, a Cavaleira Faísca da Ordem dos Cavaleiros de Favonius... — uma pausa — Ah... Tem mais... Mas... — coçou de leve atrás da cabeça — Eu esqueci...

Venti deu uma pequena risada divertida, não querendo debochar da pequena, mas ela era adorável demais. Ele imitou o gesto de forma breve.

— É uma honra conhecê-la, Cavaleira Faísca. Sou Venti, o bardo, em que posso ser útil?

— Eu tenho uma missão ultra-hiper-mega secreta pra fazer e uma amiga disse que você é a pessoa ideal para me ajudar.

— Nossa... Eu fico até sem o que dizer. Quem seria sua amiga e qual seria sua missão?

— É Lumine! A viajante! Klee precisa de música para depois de amanhã — ela cobriu um pouco o rosto com a mão — É o aniversário de alguém especial para Klee.

— Alguém especial e depois de amanhã? — Venti ponderou um pouco, exibindo sua lira em seguida e tocando de leve as cordas — Veja, como o melhor bardo do mundo, terei o prazer de ajudar, mas como é meu trabalho, terei de cobrar por isso. Você me entende, não é?

— Klee nunca pagou por algo assim antes... — ela estava um pouco apreensiva.

Normalmente quando queria algo os comerciantes de Mondstadt diziam que iriam colocar na "conta de Albedo" apesar dela não saber o que isso significava, mas sabia que se algo fosse caro demais — ou de caráter duvidoso — eles se recusavam a vender para ela.

— Não se preocupe, meu preço é bem barato e você pode me pagar na festa — ele ergueu o indicador para ela e abriu um largo sorriso — Uma garrafa de Vinho de Dandelion. Justo, não acha?

Ela não fazia a menor ideia. Diona lhe fornecia garrafas de suco quando pedia então talvez vinho pudesse ser uma opção válida. Ela concordou, apesar de tudo, confiando que Albedo a ajudaria como ele lhe prometera.

— Muito bem — o bardo cruzou os braços — Me conte, onde vai ser a festa?


🍀🍀🍀


O sol poente atravessava as janelas da Angel's Share e Diluc ainda se perguntava porque ainda estava encarando a criança que atravessara a porta da taverna em vez de expulsá-la dali antes que escurecesse e fosse perigoso demais para alguém daquele tamanho andar pelas ruas.

Talvez fossem os enormes olhos vermelhos e brilhantes lhe encarando como um cachorrinho perdido e faminto que apenas queria um pouco de atenção ou talvez fosse o estranho pedido que ainda estava sendo processado em sua mente.

— Você pode repetir o que acabou de dizer? — ele disse.

— Como a Cavaleira Faísca dos Cavaleiros de Favonius, Klee precisa de uma garrafa de Vinho de Dandelion para uma missão ultra-hiper-mega secreta e apenas Mestre Diluc pode ajudar Klee.

— Não! Agora saia! — curto e grosso, nem se dando o trabalho para dar a menor atenção para ela após responder, virando-se de costas e arrumando as prateleiras.

— Por favor, Mestre Diluc! — ela choramingou, caminhando até as cadeiras altas e tendo um pouco de dificuldade para subir, apoiando as mãos no bar após a pequena escalada que teve de dar — Me falaram que apenas o senhor pode me ajudar e se eu não conseguir a garrafa, as coisas vão ficar ruins!

— Quem mandou você aqui? — ele já tinha uma noção, mas queria ouvir as palavras saindo da boca da menina.

— Um bardo que eu conheci hoje. Ele disse que tocaria para Klee em troca de uma garrafa.

Maldito Barbatos... Ele pensou, isso conseguia ser pior do que sua primeira opção. Diluc apenas bufou, negando mais uma vez o pedido da criança e a mandando embora.

— A resposta continua sendo não, agora saia antes que eu te coloque pessoalmente para fora.

A voz de Diluc a fazia tremer nos próprios pés. Klee fungou um pouco segurando as lágrimas em seu rosto e correndo para fora da taverna, não notando o último olhar que o ruivo lhe lançou. Do lado de fora, após a porta bater atrás de si, ela soltou Dodoco da mochila e o abraçou com força. Amanhã ela conseguiria. Ela iria fazer a melhor festa de aniversário de todas.


🍀🍀🍀


Jean iria matá-la. Jean definitivamente iria matá-la.

Já passava do toque de recolher de Klee e mesmo assim ela estava correndo pelo Reino dos Lobos na companhia de Razor enquanto eles procuravam por lâmpadas de grama. Não era difícil, eles esperaram o anoitecer por justamente ser mais fácil de encontrá-las. Seu brilho noturno único era encantador e por isso Klee as queria.

Infelizmente toda sua energia infantil se esgotou em certo ponto e Razor teve de levá-la de volta para casa. O garoto odiava a cidade, era muito cheia, movimentada, não era um lugar para ele. Felizmente os guardas do portão se encarregaram de levar a menina de volta para o Quartel General.

— O que duas crianças estavam fazendo tão tarde na noite? — um deles questionou enquanto o outro tomava a dianteira.

— Dia especial de amigo de Klee, Razor ajudando — respondeu o garoto.

O guarda não entendeu e preferiu não questionar, apenas pedindo para ele tomar cuidado ao retornar para casa.

2 Juin 2021 09:26:31 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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