hellicamiranda Hellica Miranda

Às vezes, temos de tudo, mas precisamos descobrir que tudo não é nada quando não sabemos quem somos. Eles se encontram como respostas para perguntas difíceis, mas o destino os separa da mesma maneira com a qual os uniu. Quantas vezes duas pessoas podem se perder antes de se encontrarem de verdade? © Hellica Miranda. 2020.


Drame Déconseillé aux moins de 13 ans.

#romance #drama #lost #songfic #musical #universitário #ficstape #katyperry
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I

Hoje


I'm out on my own again

Face down in the porcelain

Feeling so high but looking so low

Party favors on the floor

Group of girls banging on the door

So many new fair-weather friends



Ela precisa fechar os olhos para ignorar.


Ignorar as batidas desenfreadas e frenéticas na porta. Ignorar a dor de cabeça lancinante.


Ignorar o estômago revoltado pelo excesso de álcool. Ignorar o mau cheiro do vômito, que só a instiga a vomitar mais.


Parece que, nos últimos tempos, tudo que tem feito é ignorar. É o que sua vida milimetricamente perfeita se tornou.


Mais do que nunca, está sendo sustentada pelas aparências.


Já faz tanto tempo desde a última vez que sentiu alguma emoção real. Desde que se permitiu sentir alguma emoção real.


Ela aciona a descarga e se levanta do chão, precisando apoiar-se no vaso sanitário, no gabinete, nas paredes. Em qualquer coisa mais sólida e estável do que ela. Literalmente qualquer coisa.


É assim que, acidentalmente, ela abre a porta do banheiro, dando de cara com um casal impaciente por um lugar reservado. No entanto, as duas desistem ao encarar o cenário caótico e fétido à sua frente.


Ela bate a porta do banheiro de novo e se atreve a se olhar no espelho.


A maquiagem que está usando não é barata, mas o corretivo craquelou em volta dos olhos, o lápis preto borrou depois de tantos esfregões e o batom permanece firme apenas nos contornos dos lábios.


Parece uma boneca mal feita. Uma piada de porcelana de luxo.


Ela usa discos de algodão que encontra no armário para tirar todo o batom e amenizar as falhas grotescas ao redor dos olhos. O resultado final é um visual gótico não intencional, mas que lhe cai bem. Melhor que todo o álcool.


Ainda está enjoada, mas precisa sair dali.


Precisa aparecer por alguns instantes pelos corredores da festa, parecendo pelo menos um pouco com sua versão original.


Ela leva a mão até a barriga, e a deixa parada ali por um momento, esperando algum tipo de alívio.


Nada acontece.


Ela abre a porta. E se joga, emocionalmente às cegas, na realidade alternativa em que ainda é ela mesma. Em que tudo ainda é perfeito. Em que ela ainda não o conheceu.


4 Octobre 2020 05:04:04 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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