cohenhirami the lonely magician 💜

"Voltei meus olhos para o corpo estirado no chão. Várias marcas de facadas estavam distribuídas na região do coração e em sua face. A cena era grotesca, difícil de olhar por muito tempo. Caí de joelhos ao lado do corpo dela e, com lágrimas nos olhos, comecei a procurar pela faca que foi usada."


Thriller/Mystère Déconseillé aux moins de 13 ans.

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Capítulo Único

O corpo da minha mãe jazia sem vida no chão. Todos pensaram que eu a tinha matado, mas não fui eu. Do outro lado da sala, pude ver a pessoa que fez isso, mas denunciá-la me condenaria completamente.

Minha mãe tem somente dois filhos: eu e meu irmão mais novo, que sempre ganhava tudo o que pedia. Por algum motivo, isso não era aplicado a mim. Sempre que eu pedia algo, a mãe falava que não tinha dinheiro ou que eu não precisava daquilo. Eu teria motivos de sobra para cometer o crime, mas eu amo minha mãe apesar de tudo.

Naquele momento, ver meu irmão me observando com falsa indignação fez meu sangue ferver. O sorriso sádico que apareceu por milésimos de segundos me deixou desesperada. Como ele pode fazer isso com nossa mãe? Ela sempre o ajudou e mimou, o que aconteceu para ele matá-la assim?

Voltei meus olhos para o corpo estirado no chão. Várias marcas de facadas estavam distribuídas na região do coração e em sua face. A cena era grotesca, difícil de olhar por muito tempo. Caí de joelhos ao lado do corpo dela e, com lágrimas nos olhos, comecei a procurar pela faca que foi usada.

No mesmo instante ouvi barulhos de passos entrando em casa. Várias pessoas, incluindo policiais e familiares, adentraram o cômodo. O lugar estava escuro, com as cortinas fechadas, sendo iluminado pela fraca luz do sol. Meu irmão estava limpo, impecável como sempre. Não parecia ser o criminoso. Já eu estava com algumas manchas de sangue em minhas mãos e braços, pois havia tocado o corpo.

— Como pode fazer isso Maria…? — meu irmão fingiu estar assustado, colocando ambas as mãos no rosto.

— Maria… Por quê…? — minha tia questionou com a voz fraca. Lágrimas começavam a cair de seus olhos.

— Tia não fui eu, acredite em mim! — respondi desesperada.

— Precisamos prendê-la senhorita Maria. Você ficará na prisão até o dia do seu julgamento. — um dos policiais proferiu e, pegando uma algema, prendeu-me com os braços para trás, levando-me em direção a viatura.

— Você sabe quem foi Manoel…! Você estava lá também…! — comecei a me debater para olhar meu irmão, que estava por último na fila de pessoas que saíram de casa. Seu olhar era traiçoeiro, como se quisesse se livrar de mim também.

— Não sei quem foi Maria. Eu cheguei lá e te vi perto do corpo de nossa mãe. — seu tom de voz era baixo e pacífico, o que deixava a resposta mais assustadora do que era.

Fui empurrada para dentro da viatura, sem a chance de me explicar para minha família. Todos pensam que fui eu quem matou. Agora estamos indo em direção a cadeia, onde ficarei mofando até o dia de meu julgamento. Que Deus me proteja e que a justiça seja feita.


---------------Quebra de tempo---------------


Fiquei presa por alguns dias, sendo tratada como um monstro insensível que matou a própria mãe. As prisioneiras que dividiam a cela comigo me ameaçavam de morte constantemente, enquanto me batiam em todos os lugares do meu corpo. Os policiais viam a situação e faziam vista grossa porque, na visão deles, eu tinha que pagar pelo que fiz de alguma forma.

No meu quinto dia de prisão recebi uma visita. Manoel estava com o semblante cabisbaixo, seus olhos estavam inchados, como se tivesse chorado no dia anterior. As olheiras eram tão escuras que pareciam maquiagem excessiva. O policial que o acompanhava abriu a cela, liberando-me para falar com ele.

— Vocês ficarão em uma sala reservada. Eu os acompanharei para que nada de ruim aconteça. — o policial explicou com um tom severo.

— Você poderia ficar fora da sala por favor? Preciso conversar com minha irmã. Preciso saber o por que ela fez o que fez! — Manoel exclamou com a voz trêmula. Que belo ator ele está virando.

— Pode acontecer algo. — o policial respondeu com indiferença.

— Não vai. Ela não teria coragem de fazer algo com a única família próxima que lhe restou, não é mesmo Maria? — o tom ameaçador me congelou a espinha, mas mantive minha compostura.

— Não farei nada. Olhe para meu estado, apanhei feito uma condenada nesta cela. Não tenho condições para fazer mal a ninguém. — respondi com dificuldades para seguir os passos dos dois homens.

— Irei fazer tua vontade senhor. Mas, qualquer problema que seja, bata na porta e grite.

— Muito obrigado pela consideração senhor. — meu irmão, se é que posso chamá-lo assim depois de tudo, agradeceu o policial; pegando um pequeno lenço e assoando o nariz nele.

Chegamos na sala, entramos e, como se fosse mágica, a expressão de Manoel mudou. O rosto cansado deu lugar a um semblante calmo, os lábios esboçavam um sorriso agradável e aconchegante, as olheiras nem faziam tanta diferença mais.

— Como está passando seus dias aqui? — o questionamento veio com a voz serena.

— Por que está fazendo isso comigo?

— Isso o quê? Você matou nossa mãe. Está ficando louca por acaso?

— O que te motivou a matar nossa mãe?

— Eu que lhe pergunto, minha querida irmã.

— Por favor me responda! — perdendo a paciência, acabei batendo na parede ao nosso lado.

— Minha querida irmã está ficando louca… Acho que vou precisar relatar isso ao advogado da família… — Manoel respondeu com um ar de pena em sua voz, o que me deixou mais nervosa.

— Você sabe que não estou ficando louca. Nós dois sabemos que foi você quem matou nossa mãe. Por que está fazendo isso comigo? — perdi completamente o controle e, sem pensar nas consequências, direcionei minhas mãos ao pescoço dele.

— Guarda! Guarda! Ela está querendo me enforcar! Socorro! — com o grito alto que meu irmão deu, o policial entrou logo em seguida, me rendendo contra a parede.

— Foi você! Por que não conta a verdade? — gritei tentando me soltar das mãos do guarda.

— Esta mulher está descontrolada! Vou levá-la à cela dela, de onde nunca deveria ter saído!

Ao meio da gritaria chegaram mais dois policiais para ajudar. Os três me levaram de volta à cela, enquanto meu irmão permaneceu na frente da porta me observando ser levada. Seu sorriso sádico aumentou a medida que me aproximava de minha cela.


---------------Quebra de tempo---------------


A medida que o tempo foi passando, mais ameaças eu recebia e mais eu apanhava. Sinceramente não sei como consegui sobreviver até aqui. As detentas que dividiam a cela comigo já não me batiam por causa do crime que “eu cometi”, mas sim porque era divertido e uma forma de passar o tempo.

Nesses dias em que fiquei presa, recebi apenas mais uma visita além do meu irmão. O advogado da família queria saber a minha versão dos fatos, mas parecia não estar muito interessado no assunto. Enquanto eu relatava o que havia acontecido, ele mantinha uma expressão de tédio, de que não queria estar ali. Também parecia não prestar muita atenção ao fatos que eu narrei. Com isso, percebi que as chances de conseguir sair daqui eram praticamente nulas.

Após terminar todo o relato o advogado foi embora, sem me acalmar ou dar esperanças de que um dia eu sairia daqui. Esse fato me apertou o coração e comecei a chorar. As lágrimas eram tantas que precisei de ajuda para chegar em minha cela, pois minha vista estava embaçada. Eu estava cansada disso tudo. Só queria que as coisas acabassem logo.

Depois dessa desilusão eu parei de esperar pela minha liberdade. Eu somente aceitei que eu seria condenada. Jogada ao chão sem esperanças, ouvi a grade da cela se abrir. Eu estava tão debilitada que não conseguia erguer a cabeça, só me restando os sapatos de couro preto lustrados para olhar.

— O dia do seu julgamento chegou mulher. Levanta logo e vamos acabar com isso. Será melhor pra você e pra nós. — o policial falou enquanto me pegava pelos braços.

Fui algemada e levada ao tribunal, onde se encontrava meu irmão, tia e ou três primos. Meu pai não estava presente, pois ele nos abandonou quando ainda éramos crianças. Minha tia estava chorando exageradamente, enquanto meu irmão tentava a acalmar. Meus primos pareciam entediados, com a expressão de quem não queriam estar ali em plena sexta-feira.

Logo após eu jurar falar a verdade o julgamento começou. Por incrível que pareça, eu precisava me defender da minha própria família, que me acusava de assassinato qualificado. Eu não tinha muito o que falar, a não ser a cena que vi naquele fatídico dia. Após relatar novamente o horrível cenário em que eu estava, o juiz chamou a primeira testemunha.

— Ela era um pouco descontrolada quando era criança, mas nunca imaginei que ela faria algo assim. — meu tio falou tristemente.

— O que ela fazia quando criança? — o advogado de acusação questionou atentamente.

— Ela respondia e desobedecia muito a mãe dela. Qualquer criança faz isso, mas ela o fazia constantemente depois que o pai foi embora.

— Acredita ser algum tipo de trauma?

— Não sei se é trauma ou revolta. Ela era uma menina tão doce.

— Sabe me dizer o emprego do pai dela antigamente?

— Ele vendia conjuntos de facas de casa em casa.

— Facas… Interessante. Sem mais perguntas meritíssimo.

Essas perguntas não fazem sentido. Pra quê vasculhar até meu passado, se o crime aconteceu recentemente? O que minha infância tem a ver com isso? Eu estava inquieta no meu lugar, querendo responder às acusações a toda hora. Fiquei observando meu irmão o tempo todo e, vez ou outra, ele sorria discretamente para mim.

As testemunhas foram todas ouvidas. O tempo parecia ter parado, então não tinha noção de quantas horas haviam se passado desde o início da torturante sessão de julgamento. Agora, teríamos que ouvir os advogados de acusação e defesa falarem sobre o caso.

— Eu vou lhes contar o que aconteceu. Investigando o local do crime, foi localizado um pequeno vidro contendo vestígios de sonífero. Ao analisar o DNA encontrado, descobriu-se que o medicamento estava sendo manuseado por Maria. A faca, que não estava junto ao corpo, foi encontrada no guarda-roupa da acusada, que lavou o objeto antes de escondê-lo. Conversando com familiares e amigos da jovem moça, foi descoberto que ela não tinha uma boa relação com a mãe e o irmão, sempre ficando brava por ver o irmão ganhando as coisas que pedia. Isso desencadeou a raiva da jovem, que cometeu o crime sem pensar nas consequências.

— Eu não cometi crime algum! Foi o Manoel quem matou nossa mãe!

— Silêncio! Você não tem o direito de falar! — o juiz falou em tom alto, fazendo eu me calar na hora.

— Advogado de defesa, pode se pronunciar.

Não vale a pena ouvir minha defesa. O advogado nem mesmo estava prestando a atenção quando eu estava narrando os fatos. Minha sentença seria a morte; ou ficar presa para sempre apanhando das outras detentas. Espero do fundo do coração que tenham piedade de mim e me matem.

Como esperado, meu advogado não falou muita coisa, o que deixou o juiz pensativo. É possível que ele pense que tudo isso foi armado? Será que posso ter um pouco de esperança? Não sei, mas eu me agarrei a essa falsa esperança que nasceu em mim. No fundo, eu sabia que seria condenada. Depois de ouvir todo o discurso do juiz, minha sentença foi declarada.

— Maria das Graças você foi acusada de matar sua mãe com 30 facadas distribuídas pelo rosto e tórax da vítima, após fazê-la ingerir sonífero a deixando indefesa. Sua pena será a morte por injeção letal.

Ouvir minha pena deixou-me um pouco mais leve. Finalmente meu sofrimento teria fim. Antes de ser levada à sala de aplicação da injeção, dei uma última olhada para minha família. Todos esboçavam sorrisos maliciosos e vitoriosos, pois conseguiram se livrar de mim e de minha mãe. Não entendo o por que fizeram isso, já que a fortuna da família não era tão grande assim. Quando eu estava prestes a desaparecer na porta, vi os lábios de meu irmão se mexerem enquanto falava algo.

— Eu venci. Eu vou ficar com o dinheiro da mãe. — Manoel falou com sorriso vitorioso.

Após a mensagem, adentrei a sala de aplicação. Os médicos que ali se encontravam me amarraram na maca que havia ali. Tudo já estava preparado, dando a entender que já esperavam por isso. Sem piedade nenhuma, um dos médicos aplicou asperamente a injeção em mim. Logo minha vista foi escurecendo, escurecendo, até que minha consciência esvaiu-se de meu corpo.

2 Octobre 2020 19:46:34 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

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the lonely magician 💜 Ciência da computação | Leitora | Escritora | Haikyuu | Ordem Paranormal | Digimon | Pokémon | Steven Universe | Undertale | Cesar/Kaiser stan | Bokuto stan

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