autorajamille Jamille Sousa

Enquanto a população brasileira se preparava para o segundo turno das eleições. No qual, finalmente elegeriam um novo presidente e decidiram qual futuro viveriam a partir dali. A polarização tornara-se incontrolável entre os habitantes. Poucos dias antes da votação que definiria o desfecho e o futuro da pátria amada. Os manifestantes em prol de cada candidato foram às ruas; entretanto, para saquear supermercados, farmácias, postos de gasolina e tudo o que vissem pela frente. O respeito pelo próximo já não mais existia, era perigoso sair de casa, o policiamento era escasso e não podia combater os rebeldes. Desse modo, todos estavam temerosos com o que poderia tornar-se o país, quando tudo finalmente acabasse. Mal sabiam que esse seria o menor dos problemas que enfrentariam, visto que uma catástrofe aproximava-se. Pois, como ninguém se importava com o clima, a natureza decidira cobrar o seu preço. E, quando ela por fim clamou, o Brasil como conhecíamos estava a um passo de não mais existir. Não havia nada a ser feito, a não ser tentar sobreviver... Ou morrer tentando.


Science fiction Déconseillé aux moins de 13 ans.

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Introdução

"Chamou Deus à luz, Dia e às trevas, Noite. Houve TARDE e MANHÃ, o PRIMEIRO DIA"
(Gênesis 1:5)

______

O dia da votação finalmente havia chegado. Os habitantes decidiriam em qual futuro viveriam a partir das eleições.

Muitos rumores tomaram conta do Brasil. Uns diziam que viraria uma ditadura, outros que o país mergulharia na pobreza sem fim. Isso, ninguém sabia dizer com convicção. Eram apenas especulações vindas de cada lado da oposição.

Só uma coisa estava clara, não importava qual fosse o resultado, tudo seria diferente a partir daquele dia. A violência atingira níveis alarmantes, escolas estavam fechadas, crianças não podiam sair para brincar e só quem se sujeitava a trabalhar realmente eram os mais necessitados.

Já não era seguro andar pelas ruas nem durante a luz do dia.

Porém, ninguém estava dando a importância devida ao calor que fazia naquela manhã de domingo. Para um país tropical, aquele clima era até aceitável. Apesar de ser primavera, todos estavam acostumados a viver um dia de verão até durante o inverno. Portanto, não havia com o que se preocuparem.

Consequentemente, durante as eleições, muitas pessoas passaram a se queixar do sol escaldante. Estava extremamente abafado, e quem votava um pouco mais longe sofria ainda mais pelos efeitos do dia ensolarado. Todo o policiamento disponível se posicionara para tentar, ao máximo, proteger as pessoas e conter os revoltosos. Ainda assim, os rebeldes conseguiam realizar pequenos furtos e amedrontar qualquer um que fosse contra sua ideologia política.

O dia foi passando, e muitos não reuniam coragem suficiente para sair de suas casas, tanto pelo calor insuportável que fazia, quanto pelo medo de sofrer violência gratuita. Enquanto isso, os jornais relatavam a temperatura subindo em níveis alarmantes, o que era atípico até mesmo para um país tropical. Depois do meio-dia, quando o sol já estava a pino, os termômetros marcavam 42 °C. Um recorde para aquela época do ano, que deveria ter temperaturas amenas. Todavia, mal sabiam que tudo só iria piorar a partir dali.

As emissoras se dividiam em informar a apuração dos votos e monitorar os termômetros, que, a essa hora do dia, já atingira 46 °C. Enfermarias estavam lotadas de crianças e idosos que adoeceram devido aos efeitos do calor irrefreável. A população estava desesperada, tanto que acabara se esquecendo da criminalidade.

Inclusive os roubos haviam cessado, as ruas estavam às moscas, o que se tornara bastante incomum naqueles últimos dias. Os que podiam, refrescavam-se no ar-condicionado de suas casas, outros o suportavam com seus ventiladores baratos.

Até que, por fim, a catástrofe aconteceu, por volta das 18:00hrs. Quando a votação havia terminado, uma massa de ar quente, densa e empoeirada, atingiu todos os estados do Brasil. A ventania era tão intensa e quente, que algumas pobres pessoas que andavam nas ruas durante aquele início de noite foram queimadas vivas. O Caos começara a se espalhar entre os habitantes.

Casas mais simples, com pouca estrutura, foram derrubadas. A carnificina teve início, e as emissoras mais importantes do país se mobilizaram para oferecer alguma informação útil, assim como orientar a todos que ficassem em suas casas ou procurassem abrigo seguro.

A ordem era clara:

"Não abram portas e janelas, não saiam de suas casas. Aos que estão nas ruas, procurem abrigo seguro!"

Esse foi o último boletim informativo, pois logo toda a energia do país foi cortada. Celulares e telefones fixos não mais funcionavam.

E o mundo como conhecíamos estava prestes a ruir.

16 Septembre 2020 18:16:04 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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A propos de l’auteur

Jamille Sousa apenas uma escritora em crise. Me siga no Instagram para acompanhar as novidades @autorajamille

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