ageha_sakura Ageha Sakura

YeonJun sempre foi um garoto repleto de simplicidade, por isso se identificava tanto com o outono, desde as cores até a delicadeza dessa época do ano. O jovem sempre teve o seu próprio ritual, mas que foi interrompido no exato momento em que seus pais decidiram que passaria um mês no interior. Estava tudo bem contanto que o outono estivesse consigo, porém, o loiro não pensou que algo mudaria no exato momento em que conheceu SooBin, o filho do meio da família que iria acolhê-lo durante aquele mês.


Fanfiction Groupes/Chanteurs Déconseillé aux moins de 13 ans.

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Único; os amantes do outono

Bom dia / Boa tarde / Boa noite


Sejam todos bem vindos a "When I Saw You"!


Essa é a minha primeira Yeonbin, espero que gostem e possam desfrutar de uma deliciosa leitura 💞


_____________________


As gotículas de chuva batiam com delicadeza contra a janela do ônibus, enquanto algumas folhas voavam com a ajuda da ventania.


YeonJun observava tudo com calma, o coração batendo no ritmo da chuva e a mente tão flutuante quantos as folhas que dançavam do lado de fora.


O loiro sempre foi um completo amante da natureza, principalmente do outono, pois somente naquela época ele poderia se sentir livre, como se ela lhe representasse, uma escultura perfeita de quem Choi YeonJun é.


Durante aquela época do ano o loiro gostava apenas de sentar em sua poltrona no fundo do quarto, sentir o calor da lareira e escutar o barulho da lenha queimando aos poucos, enquanto poderia desfrutar de um delicioso chocolate-quente com dois marshmallow flutuando dentro da xícara.


Também confessava apreciar os dias em que poderia arrastar a cama para mais próximo da janela, podendo encostar a cabeça na vidraça fechada e ouvir os barulhos que a chuva fazia do lado de fora, sem deixar que o cobertor quentinho abandonasse o seu corpo.


Eram momentos como aquele que o tornava ainda mais amante do outono, um completo fascinado pela inconstância do clima que combinava tanto com o seu humor; alguns dias chuvosos e outros radiantes, mesmo que o frio permaneça.


YeonJun daria tudo para poder aproveitar aquela época como de costume, algo que fazia questão de planejar a dedo durante as estações que antecedem a sua predileta, contudo, seus pais não pensavam da mesma forma e aquela atitude repentina era resposta suficiente.


O loiro tinha todo o período de férias em mente, podendo desfrutar de cada milésimo de segundo da sua maneira, mas os seus pais chegaram comunicando que iria viajar ainda naquele dia, com passagem comprada e um destino desconhecido traçado.


YeonJun estava decepcionado e furioso, mas nada poderia fazer.


Apesar de deixar clara uma carranca de descontentamento, de nada adiantou quando seus pais lhe deram as costas com a desculpa de que "era o melhor" para o garoto. A única explicação que escutou foi que eles iriam viajar a trabalho, e como o rapaz era de menor deveria está sobre vigilância de pessoas que pudessem assegurar o seu "bem estar".


Tudo soava apenas como uma grande baboseira proferida pelos mais velhos, algo sem cabimento sendo que sempre viajavam na época e faziam questão de deixá-lo , por qual motivo naquele ano em que havia completado seus dezesseis anos estava sendo mandado para um lugar estranho e com pessoas desconhecidas? Realmente não havia uma explicação lógica, seus pais apenas não faziam o menor sentido.


Mesmo contra a sua vontade, YeonJun arrumou as suas malas e foi levado para a rodoviária, onde pegou o ônibus com rumo ao interior de sua cidade natal, Ilsan. Não sabia o que poderia lhe aguardar em um lugar que sequer havia frequentado, pouco sabia sobre os tais "amigos" de sua família, mas ali estava o loiro tendo um dos seus momentos preciosos tirado a força de si.


Enquanto pensava constantemente naquilo podia observar a paisagem mudando aos poucos, os prédios e as casas dando lugar a um lugar quase deserto, cheio de árvores com folhas em tons alaranjados e avermelhados, sendo muitas delas espalhadas pelo chão.


Constatando aquele fato, YeonJun teve a certeza de que onde estivesse o outono seria o seu maior companheiro, mesmo que não pudesse apreciá-lo da forma ao qual estava acostumado, ainda sim faria o seu melhor para estar sempre em contato com aquela estação que se tornou a sua maior companheira ao longo dos anos.


[.🌾.]


Talvez a chuva tenha sido a maior culpada de ter adormecido durante a viagem, todavia, ali estava o loiro desembarcando em uma rodovia quase que completamente vazia, com algumas poucas almas andando pelo lugar.


Não sabia ao certo quem iria buscá-lo e muito menos aonde ficaria, ou como seriam todos os seus dias a partir daquele momento; seja como for ele ainda terá o outono ao seu lado.


Andou apenas alguns passos enquanto suportava o peso da mochila em suas costas, os olhos confusos em busca de alguém que aparente ser "conhecido" ou que o reconhecesse de alguma foto. YeonJun não sabia bem o que procurar, não tinha recebido nenhuma informação sobre a curiosa família que lhe abrigaria durante um mês, então isso tornava aquela situação ainda mais complicada.


Não tem como piorar, pensou o Choi.


— YeonJun? – Escutou uma voz grossa e um pouco rouca chamar por si, e talvez, só talvez, aquele fosse um sinal dos céus de que era quem buscava inconscientemente.


O loiro virou de imediato, tendo os seus olhos vidrados em um rapaz alto e de músculos bastante aparentes, usando um chapéu estilo cowboy e com a camisa xadrez meio aberta.


— Sou eu. – disse o loiro, ainda fitando o homem enquanto tentava compreender o seu estilo excêntrico — Você seria?


— Choi HeoBin, filho dos donos da fazenda que irão te acolher durante esse tempo. – disse o mais velho com um ar totalmente sorridente — Podemos ir? Ainda tenho alguns compromissos p'ra resolver ainda hoje.


— Claro, claro. – YeonJun acenou em concordância, acompanhando o homem que caminhava em direção a uma picape velha com algumas manchas de lama.


O loiro entrou no veículo e sentou-se nos bancos de trás, subindo a janela para que os futuros pingos de chuva não acabassem o molhando durante todo o caminho que iriam percorrer até a fazenda.


Uma fazenda. Fazia muito tempo que YeonJun não ía a uma, a última vez foi a seis anos atrás quando seus avós ainda eram vivos, então o Choi não era um completo leigo sobre o assunto, apenas um mal acostumado com a vida fora da cidade.


Tinha algumas lembranças de correr atrás das galinhas, coletar os ovos do dia e tirar leite diretamente das vacas, apreciando o cuidado com o animal enquanto desfrutava de uma boa conversa, podendo assim transmitir uma tranquilidade ao animal sem causar nenhum tipo de estresse. A vida no campo sempre foi agradável, principalmente na sua infância já que na cidade não tinha a liberdade de brincar a vontade e muito menos amigos para isso.


YeonJun era um garoto muito solitário na infância – o que não mudou muito de uns tempos para cá, convenhamos –, passava horas e horas sozinho consigo mesmo no parquinho da creche enquanto os demais participavam de diversas brincadeiras em grupo, sempre excluindo o rapaz por motivos totalmente desconhecidos pelo loiro.


Então o Choi só se via livre por completo quando estava na casa de seus avós, que infelizmente já não estão mais aqui para oferecer aquele mesmo lugar confortável e repleto de amor como na infância do loiro. O tempo havia passado, ele havia mudado e ainda assim há um enorme caminho a percorrer.


Ao longo do percurso sua mente continuou perdida em diversos pensamentos, por isso acabou não se dando conta do exato momento em que a picape parou e HeoBin chamou por si.


— Vamos, YeonJun!


— Estava distraído, desculpe. – Pediu o garoto, saindo do veículo e pegando sua única bagagem, observando pela primeira vez o lugar onde passaria aqueles próximos dias.


A fazenda possui uma extensão considerável, cheia de animais e com dois celeiros capazes de comportar mantimentos e ferramentas suficientes. Ao desviar o olhar focou na casa, essa grande como uma mansão, sua estrutura envelhecida e rústica denunciava a sua idade com clareza, mas apesar de tudo ela permanece muito bem conservada e isso despertou um largo sorriso em YeonJun.


Subindo os seis degraus da entrada o rapaz se sentiu nostálgico graças ao som da madeira envelhecida, os dias de sua infância voltando a tona mais uma vez, levando-o para um mundo onde poderia se perder sem o menor problema.


— Seja bem vindo, YeonJun, espero que aproveite de uma boa estadia. – disse HeoBin com um tom amigável e sorridente, abrindo a porta e permitindo a passagem do loiro, este que entrou sem dizer uma palavra sequer, impressionado demais com tudo ao seu redor.


Os móveis com detalhes de couro e alguns objetos bem antigos enfeitavam todo o ambiente interno da mansão, deixando claro que aquela família possui raízes fixas e que jamais iriam ser arrancadas.


— SooBin! HaeBin! – HeoBin chamou de repente, assustando o pobre loiro que se encontrava encantado por toda a beleza interior da casa.


Em poucos segundos era possível ouvir passos, alguns apressados e outros totalmente tranquilos, em seguida um dupla peculiar surgiu diante de seus olhos, revelando ainda mais do que YeonJun poderia imaginar.


— YeonJun, esses são SooBin e HaeBin, meus irmãos. – HeoBin fez questão de apresentar ambos, querendo aproximar ainda mais o loiro de sua família, com o simples objetivo de trazer bem estar para o garoto.


— Satisfação, Choi YeonJun. – disse o loiro com um tom simples, curvando-se brevemente enquanto permanecia com uma expressão séria em seu rosto — Estou curioso sobre um fato. – Comentou de repente, chamando a atenção dos três irmãos.


— Diga e talvez eu possa respondê-lo. – disse HeoBin, sentando-se na poltrona de couro que estava localizada quase no centro da sala de estar.


— Temos o mesmo sobrenome, nossos pais são amigos, então imagino que temos algum tipo de parentesco. Estou certo? – Questionou YeonJun após se encostar na parede, cruzando os braços enquanto permanecia expressando a mesma face séria.


— Somos primos de um grau muito distante, então não conta realmente como parte da família. – Respondeu o mais velho do recinto, rindo logo em seguida ao ver a expressão do outro suavizar em poucos segundos.


— Você não tem sotaque caipira, por acaso não nasceu aqui? – Perguntou YeonJun logo em seguida, ignorando a risada alheia.


— Nós três nascemos aqui, mas como nossos pais sempre foram rígidos com a questão da educação não temos o tal sotaque, diferente dos outros. – HeoBin levantou-se, abandonando o seu momento de breve descanso enquanto se dirigia para a porta — Tenho compromissos na cidade, imagino que meus pais também estão fora então sinta-se a vontade.


— Certo – murmurou o loiro um pouco inseguro, não gostava nada da ideia de ficar a sós com meros desconhecidos, todavia, não estava em condições de reclamar naquele momento.


— SooBin, ajude YeonJun com as malas e mostre o quarto ao garoto. – Ordenou o mais velho, recebendo apenas um aceno como concordância do irmão do meio.


Dito isso HeoBin partiu imediatamente, deixando que os demais somente ouvissem o barulho da picape velha se afastando do território da fazenda, deixando para trás dois adolescentes de idades quase próximas e uma criança de oito anos de idade.


Sem dizer nenhuma palavra SooBin pegou a mochila de YeonJun, levando a mesma consigo enquanto era seguido pelo loiro que o olhava com estranheza, deixando claro que talvez ambos não fossem ter uma boa convivência juntos.


HaeBin fez questão de seguir ambos, o sorriso radiante da garota denunciava o quão feliz estava pela vinda de um visitante, já que sempre estava rodeada de pessoas conhecidas e nada interessantes. A primeira vista YeonJun poderia dizer com clareza o quão fofa a garotinha é, com seus olhos um pouco grandinhos e os cabelos pretos que brilhavam a luz do sol. Seu sorriso sempre largo e que trazia de brinde covinhas adoravelmente fofas, algo que não poderia passar despercebido.


YeonJun havia se encantado com a garotinha, talvez com ela pudesse fazer uma boa amizade, mesmo que acabasse brincando de bonecas durante longas tardes.


— Esse é o seu quarto. – disse SooBin depois de muito tempo em silêncio, abrindo a porta do cômodo que fica localizado no final do corredor — Os lençóis foram trocados ainda cedo, tem cobertores no armário e o banheiro é no centro do corredor.


— Obrigado. – Respondeu o loiro com um tom baixo, analisando toda a vista do interior do quarto.


— SooBin-oppa, seja mais animado ao mostrar os lugares! – Repreendeu HaeBin, apontando o dedo na direção de seu irmão mais velho, deixando um bico extremamente aparentemente em seus lábios pequeninos — Nunca recebemos visitas, então seja mais gentil com o moço, oppa!


SooBin intercalou seu olhar entre a irmã e YeonJun, olhando de um para o outro enquanto buscava palavras em sua mente para responder as broncas de sua irmãzinha. Segundos depois se deu por vencido, concordando com a caçula e tratando de dirigir-se ao novo hóspede com um pequeno sorriso pintado em seus lábios carmesins.


— Desculpe. – disse sincero, o olhar denunciando seus sentimentos de arrependimento e constrangimento por ter sido repreendido na frente de uma visita — Você é bem vindo aqui, e como gesto de desculpas quero te apresentar a fazenda.


YeonJun ainda estava confuso com toda a situação em que estava sendo envolvido, não conseguindo acreditar no quão ridiculamente divertida é aquela estranha família ao qual iria conviver a partir daquele momento. De fato ainda teria muito para se surpreender ao longo de sua estadia.


E sem suportar mais soltou uma bela gargalhada, caindo com tudo na cama de lençóis macios e com cheiro de amaciante, deixando os irmãos vermelhos de vergonha.


— Vocês são hilários! – Afirmou o loiro enquanto segurava a barriga, tentando cessar o seu ataque inesperada de risadas contagiantes demais para que os irmãos Choi pudessem resistir.


Agora haviam três pessoinhas rindo como loucas, fazendo piadas de si mesmas enquanto desfrutavam de um momento ainda mais estranho com um completo desconhecido. É... a vida e suas ironias.


[.🌻.]


— Esse é o nosso estábulo. – SooBin apresentou o lugar onde ficavam alguns cavalos, todos belos demais para que o coração curioso e apaixonado pela natureza de YeonJun pudesse suportar.


— Posso tocá-los? – Perguntou o loiro com um tom claramente animado em sua voz, causando risadinhas na garotinha que estava quase abraçada a si.


— Claro! – Afirmou SooBin, sorrindo pequeno enquanto se aproximava de um alazão de pelagem negra e algumas manchinhas brancas pelo corpo — Todos são muito mansos, se quiser posso te ensinar a andar neles amanhã.


— Andar a cavalo? – Perguntou para si mesmo, a proposta se tornando mais tentadora do que imaginava — Aceito sim, vai ser muito bom experimentar a sensação de cavalgar. – Concordou ao se aproximar de uma potranca menor, de pelagem marrom e lindos cabelos brancos como a neve, onde não resistiu em afundar os dedos com delicadeza enquanto sentia a mesma pedir por mais carinho.


Snow gostou de você, YeonJun. – Afirmou HaeBin ao se aproximar de ambos, tocando a sua testa com a da égua tão mansa como a neve, igual ao seu nome.


— Fico feliz em saber que ela gostou de mim, Hae. – A garotinha começou a pular saltitante, mostrando o quanto havia amado o apelido que YeonJun havia lhe dado.


Snow pode ser a sua companheira amanhã, se quiser. – disse SooBin de repente, ainda fazendo questão de cuidar do alazão negro que parecia amá-lo de verdade — Ela é a mais tranquila das éguas, além de ser a favorita de HaeBin.

— Imagino que ele seja o seu favorito. – Concluiu o loiro ao analisar a relação entre homem e animal.


— Sim. – Respondeu sorridente, revelando as mesmas covinhas que havia encontrado em HaeBin mais cedo — Trovão Negro foi o meu presente de dez anos, desde então estamos juntos, somos quase como um só.


Os olhos de SooBin brilhavam intensamente ao falar de seus laços com o animal, deixando claro o quão profunda pode ser uma relação, seja ela entre humanos ou no reino animal. O dia estava acabando e YeonJun encontrou a primeira característica no mais velho que o encantava: sua amizade com o alazão.



O sol estava desaparecendo no horizonte quando o trio retornou para a mansão, tratando de se prepararem para o jantar que seria servido ainda no início da noite, em comemoração a chegada de YeonJun.


E pensando no dia emocionante que teve, YeonJun percebeu que talvez não fosse tão ruim assim passar aquele outono esplêndido ao lado de completos desconhecidos. A situação em si tem toda a sua estranheza, mas não havia nada de errado em poder desfrutar daqueles momento como fazia na infância, ao lado das crianças da fazenda e de seus queridos avós.


O loiro estava feliz com a ideia de poder aproveitar a sua estação preferida no ano ao lado de pessoas divertidas, que gostassem da natureza tanto quanto ele que é um garoto de cidade grande, nascido em meio a turbulência de pessoas ocupadas e prisioneiras do capitalismo.


Talvez YeonJun pertencesse mais ao campo do que imaginava, ou talvez fosse apenas a sua mente lhe pregando peças.


[.🌾.]


Antes mesmo dos primeiros raios de sol surgirem no horizonte, era possível ouvir com clareza o cantar dos galos que anunciavam a chegada da aurora.


Um novo dia estava chegando, iluminando a fazendo aos poucos e tornando aquela paisagem sonolenta e silenciosa em um ambiente mais movimentado, onde o barulho estava sempre presente.


Aos poucos os moradores foram despertando, abandonando o último resquício de sono que ainda lhes restava para cumprir as suas devidas tarefas. O barulho de passos ecoou em todas a residência, invadindo os quartos e despertando o visitante um tanto encolhido em meio aos lençóis, buscando proteção da ventania gelada e do barulho que ocorria do lado de fora.


YeonJun não estava acostumado a tanta movimentação em uma manhã, sua casa sempre é preenchida pelo silêncio, este que se tornou um grande companheiro do loiro e até hoje se faz presente, exceto naquele instante.


Percebendo que não conseguiria se livrar da barulheira, o jovem apenas optou pela opção de cobrir seu corpo por inteiro no cobertor quentinho, lutando para ignorar as risadas audíveis e o barulho de panelas e animais. Foi uma luta árdua para o loiro, mas felizmente conseguiu sair vencedor ao se entregar mais uma vez ao paraíso dos sonhos.


YeonJun não soube ao certo quanto tempo lhe foi concedido antes de uma nova interrupção surgir, mas agradeceu mentalmente por cada segundo que serviu para melhorar o seu mau humor diário.


Batidas incessantemente animadas retiraram o loiro de seu conto de fadas, trazendo-o de volta a realidade e o levando contra a sua vontade para fora da cama macia, está querendo chamava ainda por si quando estava longe o suficiente da tentação.


YeonJun andou até a porta ainda sonolento, os olhos baixos quase fecharam quando abriu a passagem e ficou a imagem de uma garotinha toda sorridente, com marias chiquinhas tornando ainda mais preciosa. HaeBin lhe fitava com o coração saltitante, tão animado quanto ela mesma que pulava de um lado para o outro.


— Bom dia, oppa! – Exclamou HaeBin com um sorriso largo, de orelha a orelha.


— Bom dia – o loiro murmurou como uma maneira de responder, a voz soando mais baixa e rouca do que gostaria — O que a traz aqui?


— Simples, oppa! – Começou a garota, as mãozinhas brincando entre si enquanto buscava coragem para continuar — Fizemos um café especial p'ra você, por isso vim te chamar, é melhor comer ao lado de alguém do que sozinho. – Respondeu a garotinha com os olhos brilhantes semelhantes a diamantes, alguns tão belos e luminosos quanto as estrelas no céu.


— Não sei nem como responder, mas agradeço pelo gesto. – YeonJun sorriu pequeno para a mais nova, pensando no quanto aquela atitude receptiva o tornava ainda mais acolhido no ambiente até então desconhecido — Vou me arrumar e te encontro lá.


— Tudo bem! – dito isso HaeBin saiu toda saltitante, talvez estivesse mais ansiosa pela refeição do que o loiro.


A porta foi fechada mais uma vez e o jovem ficou a cama com receio, desejando mais do que tudo voltar àquela paz em que se encontrava minutos antes, contudo, não poderia fazer desfeita com a recepção ao qual havia sido preparada para si, por isso deu meia volta e pegou tudo que era necessário para tomar um belo banho.


Saiu do cômodo em direção ao banheiro, este localizado exatamente no centro do corredor como SooBin havia lhe avisado. Ali tomou uma ducha rápida e realizou todas as suas ações higiênicas, ficando aceitável para uma refeição deliciosa com produtos altamente naturais.


Com passos tranquilos YeonJun chegou até a sala de refeições, ficando maravilhado com a variedade de frutas e laticínios dispostos a mesa de madeira pura e envernizada. Sentados a mesa estava a família toda reunida, até mesmo alguns rostos desconhecidos e que julgo ser de pessoas próximas a residência.


— Bom dia. – Sua voz soou firme, o cumprimento sendo respondido automaticamente por uma confusão de vozes de tonalidades diferentes, deixando-o um pouco tonto com tanta movimentação.


— Bom dia querido, espero que tenha dormido bem essa noite. – Cumprimentou a matriarca da casa, SoYeon, com um sorriso gentil e afetuoso digno de uma grande mãe.


— Não tive problemas com o sono, senhora Choi. – Respondeu o loiro com tranquilidade, sentando-se ao lado de HaeBin que não parava de sorrir em sua direção.


— Alegro-me em ouvir isso, meu filho. – disse SoYeon com um tom ainda mais suave, transmitindo uma paz inigualável ao coração do jovem YeonJun — Você é muito bem vindo aqui, o seu bem estar é o nosso.


— Faço das palavras de minha esposa as minhas. – Completou KangBin, o patriarca da família, com sua expressão tipicamente séria — É uma pena não termos seus pais aqui, mas você é como um filho para nós e por isso não hesite em contar ou pedir por algo. – A voz grossa do homem dava ainda mais convicção a sua fala, deixando o loiro sem saber como responder.


— Pai, o senhor está deixando YeonJun envergonhado! – Exclama HeoBin, o filho mais velho, apontando na direção do loiro, tornando o clima ainda mais constrangedor.


— Ora, ora – murmurou SoYeon ao notar as bochechas vermelhas do mais novo, sorrindo pequeno em sua direção — Querido sua seriedade está constrangendo o nosso convidado, fique menos nervoso. – Alertou a mais velha em direção a KangBin, este que apenas acenou positivamente enquanto coçava a nuca.


YeonJun estava tentando compreender toda aquela cena familiar que se desenrolava diante de seus olhos; quanto mais olhava para os demais, mais certeza tinha de que as famílias são realmente diferentes, os ambientes e como se entendem bem, algo que o garoto sentia muita falta.


Quando era um garotinho a sua família era assim também, afetuosa e com conversas que somente eles eram capazes de entender, porém, o trabalho acabou afastando o trio e o último resquício de família que YeonJun encontrou foram os seus avós.


Ele realmente sentia falta deles naquele momento, e estar ali em meio aquele ambiente agradável apenas aumentava o seu sentimento de solidão em meio a multidão de parentes e conhecidos.


Sem perceber havia se deixado perder mais uma vez em seus pensamentos, sempre retornando para o lugar que um dia fora seu e que hoje só restava-lhe lembranças e saudade.


Entretanto, um calor estranho tomou conta de sua destra, trazendo-o de volta a realidade com uma velocidade surpreendente e uma espécie de abraço caloroso.


Piscou três vezes atordoado, buscando pelo calor estranho que o tirou da tempestade de pensamentos, até conseguir focar em uma palma de tamanho quase parecido com o seu, abraçando com delicadeza a sua destra, enquanto um olhar preocupado e uma voz baixa chamava por si. SooBin.


Está me ouvindo, YeonJun? – Chamou o mais velho, e ao constatar que finalmente havia chamado a atenção do loiro, sorriu aliviado — Estava preocupado, você não respondia.


— D-Desculpe – murmurou em mesmo tom, as bochechas novamente adornando a tonalidade rosada ao qual fôra assunto na conversa familiar — alguém percebeu?


— Felizmente não. – Respondeu SooBin, soltando a mão do loiro do abraço aquecedor e contagiante — Quando começam uma conversa se distraem por horas.


— Entendo. – YeonJun soltou um suspiro fraco pelos lábios ressecados, o tempo castigando a sua boca mais do que gostaria.


Após aquele momento um tanto incompreensível aos olhos de YeonJun, o café da manhã prosseguiu sem os menores problemas, apenas resumindo e milhares de risadas por parte de todos os membros da família.


Em poucos minutos ao lado de cada um deles YeonJun havia se dado conta do quanto sentia falta daquele sentimento, algo que somente é compartilhado através de pessoas que amamos de fato, uma chama calorosa que abraça o seu corpo por inteiro como em um afago maternal.


Ele sente falta disso. Falta dos dias em que poderia passar horas e mais horas nos braços da mãe, recebendo afagos e palavras de puro carinho maternal. Falta dos momentos divertidos em família onde poderiam ir onde quisesse, sem se preocuparem com o amanhã. YeonJun apenas sente falta de ter um contato mais próximo, de poder confiar em alguém ao qual certamente deveria estar ali para apoiá-lo.


[.🌻.]


A brisa fresca da manhã batia em seu rosto, soprando os fios dourados que brilhavam com intensidade graças à luz do sol. YeonJun estava apoiado na coluna que ficava na parte da frente do casarão, completamente perdido nos encantos que aos poucos descobria na fazenda.


Eram momentos como aqueles aos quais o jovem sempre priorizava, já que o contato com a natureza era quase raro, mas o pouco que podia sentir era suficiente para regar a sua alma.


O outono estava ainda mais belo, as folhas quase que secas por inteiras enquanto o contraste com o clima de pré inverno assola o ambiente, deixando-o ainda mais agradável.


YeonJun estava certo de que poderia escrever milhares de poesias, livros e melodias, mas nenhuma delas seria capaz de interpretar com perfeição a verdadeira beleza daquela época do ano tão adorada por si, um mero amante do outono e suas maravilhas.


O vento cantava suavemente ao som das folhas que aos poucos iam de encontro ao chão, e sem perceber o trotar de cavalos se juntou a seresta, conquistando ainda mais o coração do loiro. SooBin via em sua direção trazendo Trovão Negro, enquanto HaeBin trazia Snow para que pudesse montar na potranca mansa.


— Pensei que o passeio seria cancelado. – Comentou YeonJun com um certo tom de sarcasmo em sua voz, causando risadas nos irmãos.


— Para nós promessa é dívida, então jamais iria esquecer do nosso passeio. – Respondeu SooBin carregando o mesmo tom sarcástico em sua voz, sendo respondido com as risadinhas do loiro e de sua irmã — Espero que não queira desistir.


— Eu não irei, seu bobo! – YeonJun mostrou a língua em direção ao mais velho, num gesto infantil que tornava o clima ainda mais ameno — Você vai com a gente, HaeBin? – Perguntou a garotinha que alisava a pelagem marrom do animal.


— Claro! – Exclamou em tom animado, algo bem típico daquela menina interiorana — Vou amar apostar corrida com o oppa.


— Corrida? – Questionou o loiro ao fitar os irmãos com estranheza.


— HaeBin e eu sempre apostamos corrida com cavalos. – Respondeu SooBin com o tom calmo de sempre em sua voz — Ela sempre perde, então acaba insistindo por mais competições.


— Eu não perco! – Exclama HaeBin com um bico em seus lábios rosados, bufando logo em seguida pela atitude do irmão — Você quem é o perdedor nessa história.


— 'Tá vendo? – disse o mais velho dos três, soltando uma risada logo em seguida — HaeBin é tão má perdedora que não consegue assumir.


— Eu juro que eu vou-


Antes que a mais nova pudesse responder a altura, a voz de SoYeon ecoou dentro da mansão, cortando todo o clima de implicância entre os irmãos Choi.


HaeBin, espero que não esteja esquecendo do nosso compromisso! – Exclamou a mais velha do lado de dentro, causando certas confusão na garotinha.


— Compromisso? – Repetiu a mais velha em dúvida, já que não lembrava de ter combinado algo com a progenitora.


Hoje é o dia de limpar o porão, mocinha! – Respondeu SoYeon, a voz se tornando ainda mais próxima do que antes.


— Mãe não podemos fazer isso amanhã? – Perguntou HaeBin com um tom manhoso, detestava fazer limpeza no lugar de poder se divertir ao lado do irmão — YeonJun-oppa e SooBin-oppa vão andar a cavalo e eu queria ir também.


Não vai. – disse a mulher ao parar na porta de entrada da mansão, os braços cruzados rente ao peito enquanto seu rosto expressava um típica carranca de mãe — Você não vai escapar das suas tarefas! Primeiro limpe o porão com a mamãe, e depois, só depois, deixo a senhorita ir brincar com os meninos. Estamos entendidas?


— Sim, mamãe. – Respondeu HaeBin com um tom amuado, a fina linha de tristeza estampada em sua face e voz — Desculpa, YeonJun-oppa.


— 'Tá tudo bem, princesa. – O loiro afagou os fios castanhos da garotinha com delicadeza, vendo-a sorrir pequeno em resposta — Temos um mês inteiro para nos divertir, por isso não se preocupe.


Oppa promete correr comigo e o SooBin amanhã? – Perguntou com um tom esperançoso em sua voz, os olhinhos brilhando em expectativa por um "sim".


— Prometo correr com você todos os dias que pudermos. – Respondeu YeonJun, depositando um selar casto na testa da mais nova, esta que acabou por corar com o ato repentino.


De mindinho? – HaeBin esticou o dedo em direção a YeonJun, observando ele concordar com um aceno e entrelaçar seu dedo mínimo com o da mais nova.


De mindinho.


E a promessa entre ambos havia sido selada.


Após o gesto de carinho entre ambos, os dois rapazes finalmente subiram em seus cavalos e cavalgaram em direção aos campos onde poderiam ter mais liberdade com os animais.


SooBin aproveitou o passeio para apresentar a YeonJun todas as belezas presentes na cidade interiorana de Ilsan, desde o riacho quase congelado com uma cascata fina que descia das rochas, até um dos lugares mais altos da cidade, onde era possível ter uma vista ampla de todo o território.


Praticamente passaram o dia inteiro fora, alimentando-se de peixes que SooBin havia pescado e de frutas maduras diretas do pé, apreciando com ainda mais sabor aquele gostinho de natureza que impregnava a alma de ambos, tornando o clima cada vez mais agradável.


YeonJun aos poucos ia conhecendo mais sobre SooBin, aprendendo sobre os gostos nada exóticos do rapaz e as contradições de suas preferências com o ambiente ao qual nasceu. Enquanto o moreno também ía conhecendo mais sobre o loiro, aprendendo sobre a sua paixão pelo outono e as maneiras como gostava de apreciar aquela época do ano.


No início ambos pensavam ser totalmente adversos, como capas de livros trocados, porém ambos perceberam ter mais semelhanças do que imaginavam, desde os gostos até algumas manias que adquiriram com o passar do tempo. O mundo de fato é surpreendente.


E agora ambos estavam sentados nos galhos de uma grande árvore, aproveitando a brisa de fim de tarde acompanhada de uma bela imagem do pôr do sol alaranjado que pintava o céu.


Aquele com toda a certeza do mundo havia sido um dos melhores dias da vida de YeonJun, ele nunca havia se divertido tanto naquela época como naquele momento, e não poderia ter encontrado companhia melhor do que Choi SooBin. Aos poucos a sensação de arrependimento em estar em um lugar estranho ia desaparecendo, pois os sentimentos bons tomavam de conta.


A vibe entre eles estava ainda mais tranquila, os sorrisos coloriam os rostos de ambos enquanto a paisagem entrava em contraste com suas cores, tornando o ambiente ainda mais belo do que antes.


— SooBin, você tem algum desejo? – YeonJun perguntou de repente, cortando o silêncio que havia se instalado entre eles durante muito tempo.


— Assistir o pôr do sol até os últimos dias de minha vida, porquê? – disse SooBin ao fitar o loiro enquanto esperava por sua resposta.


— Fiquei curioso. – Respondeu, o som do vento preenchendo mais uma vez o rápido momento de silêncio que surgiu mais uma vez no meio deles — Você deseja algo tão simples enquanto eu almejo o mundo, de fato não podemos ser totalmente parecidos.


— Se as pessoas fossem todas iguais o mundo seria chato, não haveria graça em aproveitar a beleza do pôr do sol e muito menos querer desbravar o mundo. – disse SooBin ao voltar a fitar a imagem do astro que desaparecia no horizonte — São as nossas diferenças que tornam os nossos sonhos únicos, com gostinho de nosso.


— Tem razão. – Comentou YeonJun, um sorriso sincero dançava em seus lábios e mesclava com as cores do pôr do sol que banhava seus olhos.


Em um ato inconsciente ambos voltaram a se olhar, dessa vez prendendo-se em uma troca profunda e um tanto confusa para os dois.


SooBin sem perceber havia reparado na beleza dos olhos castanhos de YeonJun, e na forma como as cores do fenômeno natural banhava as suas íris, permitindo a ela uma mutação nunca vista pelo garoto em outros olhos. Ele estava encantado com a beleza do loiro.


YeonJun não ficava atrás, pois sua mente havia se perdido em pensamentos direcionados ao outro, para ser mais exato uma enxurrada de comentários sobre o quão delineada é a curvatura dos olhos de SooBin, o quão alinhado é o seu rosto e no quão belo os seus lábios são quando partidos ao meio em um ato comum do garoto. O loiro estava admirado com a beleza do moreno.


E perdidos nesse imenso oceano de sensações e pensamentos que ambos voltaram para casa, os rostos imersos em uma coloração avermelhada e as vozes antes dominantes agora não encontraram forças para escapar, presas entre os lábios comprimidos e rachados pelo clima.


YeonJun e SooBin haviam iniciado um novo caminho naquele dia, algo novo estava começando a florescer em vosso meio.


[.🌾.]


No dia seguinte como prometido o trio havia ido andar a cavalo, dessa vez fazendo a tal aposta ao qual HaeBin se gabava de que certamente iria sair como vencedora.


Juntos eles traçaram uma linha imaginária de chegada, assim deram a largada e partiram com rapidez em busca pela vitória.


Os fios loiros bagunçaram com a ajuda do vento, a respiração de YeonJun começava a ficar cada vez mais ofegante, os batimentos acelerados mesclavam com os do animal. Eles estavam em uma completa e perfeita sintonia.


Para qualquer mero espectador era possível assistir com clareza e provar o quanto o trio estava feliz, todos sorridentes demais com aquela corrida acirrada, era difícil saber quem iria cruzar primeiro a largada imaginária.


O trotar dos três cavalos se tornava cada vez mais rápido, a concentração dos três condutores aumentou cada vez mais quando finalmente avistaram o ponto certo, decididos a ganhar aquela partida. Faltava muito pouco e HaeBin – por uma gigantesca ironia do destino – estava à frente dos rapazes, já imaginando que a vitória finalmente seria sua e somente assim poderia fazer de seu irmão gato e sapato. Ela conseguia enxergar com clareza a sua vitória, entretanto, os deuses não iriam permitir que fosse a vencedora.


Com um mero piscar de olhos YeonJun havia tomado a frente, quase fazendo Snow esbarrar em Jasmin, a égua em que HaeBin montava, e sem mais surpresas o loiro havia se tornado o campeão da corrida. Uma grande surpresa para os irmãos Choi.


— Parabéns, vencedor! – Comentou SooBin com um tom irônico em sua voz, não conseguindo acreditar que havia perdido para YeonJun.


— Parabéns oppa, mas na próxima eu ganho! – Exclamou HaeBin com um certo ar de superioridade, algo que não era de seu feitio.


— Obrigado meus súditos. – Respondeu o loiro com um tom completamente sarcástico, causando risadas nos irmãos — E como prêmio eu proponho um banho nas termas da cidade.


SooBin e HaeBin trocaram olhares entre si e depois em direção ao ganhador, concordando logo em seguida com a ideia de premiação referente a árdua competição que tiveram naquela manhã.


Depois da partida o trio retornou para casa, podendo desfrutar de um delicioso prato preparado pela senhora SoYeon, uma cozinheira de mão cheia e que havia seduzido mais um jovem com a sua comida. YeonJun tornou-se um mero servo dos temperos da mais velha.


O restante do dia havia sido tranquilo. HaeBin havia aparecido repentinamente no quarto de YeonJun e o sequestrou para brincar no balanço de pneus, resultando em um momento só dos dois, onde apenas serviu para fortalecer a afeição que criavam um pelo outro, como dois irmãos.


SooBin infelizmente havia ido para a cidade ajudar o pai e o irmão, resultando em um fim de tarde e noite entre três amantes de brigadeiro e desenhos animados. A noite havia sido cheia para os três que permaneceram na mansão.


[.🌻.]


Quanto mais tempo YeonJun passava ao lado daquela família, mais acolhido ele se sentia, como se de fato fizesse parte dela.


Os dias que foram passando eram regados a diversão em demasia e diversos tipos de comidas apetitosas, desde a colheita de alguns alimentos de outono até a festa da colheita, onde puderam desfrutar de todas aquelas delícias naturais.


YeonJun nunca havia frequentado festas do tipo, mas se sentiu ainda mais animado com todas aquelas atitudes em respeito a época ao qual possui devoção.


Dias depois da festa SooBin havia feito o convite de se banharem no rio, mesmo que soubessem da condição quase congelante da água, eles foram. Como resultado acabaram pegando um leve resfriado e de graça levaram broncas de SoYeon, que não ficou nada animada em ver seus filhos encharcados e com os dentes batendo pelo frio.


Devido a teimosia ambos acabaram por ficar de castigo, passando uma longa semana de cama e sem nenhum tipo de agrado vindo da dona da casa. Foram dias tortuosos para os garotos, contudo, a companhia um do outro naquele momento "difícil" serviu para animar o clima um tanto entediante.


Os dias para YeonJun pareciam nunca terminar e ele amava isso, pois significava ficar ainda mais tempo ao lado das pessoas que ele aprendeu a amar verdadeiramente; ali também foi onde experimentou mais uma vez o sabor doce de ser amado e viver em família, coisas ao qual sentia muita falta.


YeonJun sempre soube que o amor de seus pais ainda permanece vivo dentro do mais velhos, contudo, a distância só tem aumentado entre o trio e o maior culpado é o trabalho. Desde muito novo ele sofre com essa parede ao qual o ofício dos seus progenitores formou entre os familiares, mas aos poucos ele sente que ela está se despedaçando e que um dia poderá finalmente olhar para as pessoas que viveram por anos do outro lado.


E pensando nisso o loiro teve a certeza de que o outono havia lhe trazido de presente aquela família, dando força a YeonJun e tornando-o cada vez mais amadurecido e preparado para receber a sua família de volta. O tempo resolveria isso por si, mas ele também faria a sua parte.


Sem ninguém se dar conta o mês havia passado em um mero piscar de olhos, e o último dia do loiro na fazenda havia enfim chegado. Ele não gostava da ideia de despedida, por isso fez uma anotação mental de que voltaria sempre que pudesse para estar ao lado deles novamente. Era uma promessa.


Fitando o horizonte YeonJun não percebeu quando SooBin apareceu ao seu lado, olhando para si com certa admiração que nem mesmo o mais velho havia se dado conta. O Choi mais velho tinha certeza de que algo havia mudado entre eles, mas não sabia o que poderia ser e por isso deixou todos aqueles pensamentos confusos de lado e resolveu aproveitar, já que no dia seguinte YeonJun partiria.


De fato existe um certo sentimento pairando no meio deles, algo confuso demais para as mentes de adolescentes que sempre viveram para o mundo e nunca chegaram a pensar de fato em outras coisas, algo até engraçado comparado aos demais jovens de sua idade.


Eles são jovens peculiares e essa peculiaridade os torna ainda mais especiais do que imaginam, principalmente um para o outro.


Como aquela é uma despedida, SooBin estava disposto a levar o loiro para o seu lugar favorito em toda aquela cidade interiorana, algo que nunca pensou em dividir com ninguém, mas que sentiu que poderia ser diferente com YeonJun. Estava disposto a seguir o seu coração.


— YeonJun? – A voz um pouco rouca do mais velho chamou pelo loiro, que olhou um pouco assustado por ainda não ter percebido a presença do outro.


— Que susto, SooBin! – Exclamou YeonJun ao pôr a mão sobre o peito, dramatizando ainda mais a sua situação — A quanto tempo está aí?


— Não muito. – O mais velho deu de ombros.


— E porque não disse nada? – Perguntou mais uma vez, as sobrancelhas franzidas em pura confusão com a atitude do outro.


— Só não quis atrapalhar o seu momento pensante. – Confessou o rapaz um pouco acanhado, os olhos escuros fitando o chão.


Você é fofo! – disse o loiro um tanto animado, rindo logo em seguida da forma como o rosto de SooBin ganhou uma coloração avermelhada.


— E você não é nada agradável! – Reclamou o moreno, um bico fofo surgiu em seus lábios e só deixou YeonJun ainda mais encantado por si.


Mentiroso – murmurou o loiro em tom divertido, soltando um suspiro em seguida ao assistir o mais velho fingir que não havia ouvido — O que queria? Você não chegaria assim de mansinho sem mais nem menos.


— Um mês foi suficiente pra me conhecer? – Questionou SooBin um tanto surpreso.


— Bastante. Mas diga o que queria. – Incentivou YeonJun, os olhos esperançosos pelo que poderia vir em seguida.


— Quero te levar em um lugar, um presente que te fará voltar mais rápido do que imagina. – disse SooBin, um sorriso convencido adornava os seus lindos lábios cor de pêssego.


— Tão convencido – murmurou o loiro mais uma vez, rindo das peculiaridades do garoto que o torna tão singular e único no mundo — Então vamos a esse lugar.


— Vamos.


Ambos desceram os degraus e foram até o estábulo, buscando por Jasmin e Trovão Negro para que pudessem seguir até o lugar ao qual SooBin tanto quer mostrar ao loiro.


O caminho havia sido tranquilo, o sol estava começando a dar o seu adeus rotineiro quando os jovens pararam e prenderam as rédeas dos animais, caminhando com calma por um campo de trigo com a folhagem seca devido ao tempo em que se encontravam.


YeonJun olhava para os lados e percebia que aquele lugar é um tanto isolado, e apesar do campo não estar em sua fase viva é belo e atraente demais, SooBin estava certo em dizer que iria gostar ao ponto de desejar voltar.


— O que achou? – Perguntou SooBin ao sentar-se em meio ao trigo, em um espaço mais vago comparado aos outros.


— É bonito. – Respondeu YeonJun com sinceridade, o sorriso dançando em seus lábios — Vamos assistir ao pôr do sol?


— Sim, pois esse é o meu presente pra você. – Respondeu o rapaz ao fitar o horizonte — Lembra quando contei sobre o meu desejo?


— Lembro, você disse que sempre que pudesse assistiria ao pôr do sol até o fim dos dias. – disse YeonJun ao fitar SooBin, este que permaneceu fitando o horizonte.


— Agora eu quero modificá-lo. – Dessa vez o moreno fitou os olhos de YeonJun, assistindo mais uma vez as luzes do fenômeno natural se mesclaram com o castanho dos olhos do loiro, o tornando ainda mais belo para si — A partir de hoje eu desejo assistir ao pôr do sol junto de você, YeonJun.


Cada uma das palavras proferidas por SooBin atingiram em cheio o coração do loiro, este que agora se encontrava uma perfeita bagunça de confusões sentimentais um tanto desconhecidas, mas que agora deseja descobrir e desvendar os seus mistérios.


Sabe SooBin, quando eu te vi pela primeira vez pensei que fosse uma simples ilusão, mas você me provou ser a minha estrela guia. – O vento balançava os fios tão dourados quanto o trigo, os olhos do mais novo brilharam com intensidade e aquilo só tocou ainda mais o coração de SooBin — Você é como o sol e te admiro por isso.


— Estou sem palavras. – Confessou o mais velho, um tanto confuso com a frase poética do loiro — Se sou a sua estrela guia, você é o meu céu. Os seus olhos possuem estrelas enquanto você é o céu por inteiro, YeonJun.


A partir daquele momento o silêncio tão costumeiro se instalou entre eles, algo nada desconfortável e que agradou os futuros amantes do outono.


E em meio aos feixes de trigo que balançavam com a ajuda do vento, acompanhado da obra de arte que é o pôr do sol e suas luzes que colorem o céu, YeonJun levou sua destra em direção ao peito de SooBin, sentindo os batimentos acelerados do moreno que soavam como música aos seus ouvidos.


SooBin estava um tanto confuso com o ato, mas acabou por repetir o gesto e corar ao sentir o ritmo das batidas do outro, e por um breve momento, sentiu que os corações de ambos pudesse explodir e brilhar tão intensamente quanto as estrelas no céu.


Aquele era apenas o início para os futuros amantes de um outono, o primeiro passo para um sentimento mais forte e profundo que um dia crescerá e ganhará os céus com toda a sua beleza, podendo inspirar até o mais talentoso dos artistas que, com toda certeza, fará questão de pincelar e mostrar ao mundo a beleza dos sentimentos de dois jovens apaixonados.



*Notas Finais*


Espero que tenham gostado, acredito que tá virando moda eu escrever fics sem beijos, mas é pq eu gosto de finais assim haha 💜


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Nos vemos em uma próxima história 💕


23 Novembre 2020 20:23:04 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Ageha Sakura >> why do you still wishing to fly? >> taekook is a cute world sope ; bwoo ; kaisoo ; markson ; hyudawn twitter: @stephy_lilian [Ficwriter]

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