esternw Ester Cabral

Quando criança em Gales, o Natal costumava ser a época do ano favorita para William Herondale. Desde que se mudara para o Instituto de Londres, seus Natais transformaram-se em verdadeiras comédias gregas. No primeiro ano, ateara fogo a uma cortina - acidentalmente, vale ressaltar -. No segundo ano, houvera a confusão com Tatiana e Gabriel Lightwood. No terceiro ano, escapara da festa na intenção de evitar mais uma tragédia. Ledo engano, pois amanhecera no dia vinte e cinco com uma ressaca, um olho roxo e uma tatuagem do dragão de Gales nas costas, sabe-se lá de onde. No seu quarto Natal no Instituto, as coisas começaram a dar errado antes mesmo da festa começar.


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#natal #shadowhunters #eravitoriana #will-herondale #anjo-mecânico #as-peças-infernais #jem-carstairs #caçadores-de-sombras
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Único

Olá, meu povo!
Essa é minha primeira vez escrevendo pra esse fandom, então espero que tenha ficado bom :3
Só pra ressaltar: a fic se passa no Natal de 1877, um ano antes dos acontecimentos de Anjo Mecânico e da chegada da Tessa ao Instituto.
Boa leitura ;)

XXX

Q

uando eu era criança em Gales, o Natal costumava ser minha época favorita do ano. Desde que fui para o Instituto de Londres, o Natal parecer ser a época fatídica para minha vida se tornar uma comédia grega, cômica e trágica ao mesmo tempo.

No primeiro ano, ateei fogo a uma das cortinas — acidentalmente, vale ressaltar — e Charlotte quase arrancou meu couro comigo vivo. No segundo ano, houve a confusão com Tatiana e Gabriel Lightwood, onde eu teria lindamente decorado a cara do infeliz, se Jem não tivesse me segurado. No terceiro ano, decidi não ir à famosa festa do Instituto de Londres. Ledo engano que tudo ficaria bem. Amanheci no dia vinte e cinco com uma ressaca dos infernos e uma tatuagem do dragão de Gales nas costas — ao menos o tatuador era bom —. Além de um olho roxo, vindo de uma briga com um bêbado qualquer, que iniciou a confusão achando que eu o xingara. Na verdade, apenas reclamava da vida em gaélico, mas ele se importou em saber? Óbvio que não.

No quarto ano, o desastre começara mais cedo do que o esperado. Os preparativos atrasaram em algumas semanas e fazíamos tudo horas antes do início da festa. Sophie ficara com a tarefa de decorar a enorme árvore de Natal, antes que esta caísse e fosse destruída. A árvore, no caso, pois Sophie estava muito bem, amparada antes que caísse da escada. Charlotte quase chorou quando viu a obra de arte no salão. E já adianto que dessa vez eu não tive nada a ver com o acidente, não faço ideia de como aconteceu.

E pelos meus Natais serem uma tragédia que eu estava enfrentando o frio do dia vinte e quatro de dezembro para conseguir um maldito pinheiro em uma floresta fora de Londres. Jem, Thomas e eu procuramos por várias lojas da cidade, entretanto, parecia que todo mundo precisou da mesma coisa no mesmo dia. Azar o nosso, que afundávamos as botas na neve fofa. E azar o meu também, que acertava o machado no tronco junto de Thomas, enquanto Jem apenas observava tudo como se fôssemos uma atração turística.

— Não deveria ficar aí parado, James — disse para ele enquanto retirava meu casaco e jogava na cara dele. Meu parabatai bufou e colocou a peça no galho de uma árvore ao lado.

— Irei ajudá-los a transportar o pinheiro para a carruagem, não se preocupe — respondeu e eu apenas devolvi com uma estalada de língua, pronto para uma fala espertinha. — Você ouviu isso?

Parei com a mão a caminho de retornar para o cabo do machado. A floresta seria toda silêncio, se não fosse pelas machadadas de Thomas no tronco e um vento que assobiava nos nossos ouvidos descobertos. Literalmente assobiava.

— Deve ser algum Leprechaun — disse para Jem e voltei a machadar o pinheiro.

— Leprechauns existem apenas na Irlanda, Will — ele devolveu, pronto para dar uma ronda ao redor.

— Talvez esse tenha resolvido mudar de ares. — Antes que meu parabatai respondesse algo, entreguei-lhe o machado. — Termine o trabalho, vou atrás desse Leprechaun. Quem sabe não consigo um pote de ouro? Sapatos novos também seriam úteis.

Apenas ouvi a risada anasalada de Jem e um novo machado se juntando ao de Thomas. Desviei-me das árvores e seus galhos cobertos de neve, pisando silenciosamente na terra coberta de branco. Não precisei afastar-me muito para encontrar quem assobiava naquele lugar. E não era o vento.

— Vão embora, cria de Nephilim! — o serzinho de meio metro ordenou, tentando exalar algum ar autoritário, mesmo com sua falta de altura. Sua face parecia ser vítima de uma acne severa, coroada por um bigode horrível e sujo de mato. Os cabelos enrolados por debaixo do chapéu também não aparentavam melhor estado. Parecia ter rolado na grama. E caído de um barranco e rolado por mais alguns metros. E então deitado e rolado mais um pouco.

Bufei e ri em resposta.

— Como se eu fosse receber ordens de um duende. Não vi placa nenhuma que indicasse que essa floresta é sua, sabe? Devia marcar melhor sua propriedade. — Comecei a enrolá-lo, enquanto sorrateiramente deslizava a mão para capturar uma faca nephelim escondida na minha bota.

— Como ousa zombar de mim, garoto?! — Seu rosto horrendo ardeu feito brasa, quase soltando fumaça por debaixo dos cachos desgrenhados. — Pegue o que quiserem da natureza, cria de Nephelim. Mas a natureza os fara pagar pelo que tomaram dela.

Antes que eu ousasse fazer o movimento para atirar a faca, ele sumiu em um piscar de olhos, deixando apenas um ponto derretido na neve para provar que estivera ali. Guardei a lâmina de volta na bota e parei para analisar a situação.

Era apenas um duende muito mal-humorado, que acordara com o pé esquerdo naquele dia, que mal poderia fazer? Para quem, infelizmente, entendia bem de maldições e pragas rogadas como eu, era sinal de alerta. Como se meus últimos Natais não tivessem tragédias o suficiente...

Caminhei de volta para onde estavam Jem e Thomas, ainda dando machadadas no tronco prestes a ceder.

— Devíamos ir. — Cheguei anunciando de forma emburrada.

— Por quê? — James inquiriu, parando o que fazia e virando o rosto para mim. — Estamos quase derrubando o pinheiro.

— Você não parece bem, James.

— Sinto-me perfeitamente bem, não se preocupe. — Voltou-se para a árvore, não dando razão a qualquer preocupação minha. De fato, ele parecia muito bem. Mas eu preferia não hesitar mais naquele lugar.

— Você está mais pálido que essa neve no chão, James. Devíamos voltar logo para o Instituto...

Fui completamente ignorado quando Thomas gritou “madeira” e o pinheiro tombou na neve.

— Agora nós vamos embora — Jem voltou-se para mim com um sorriso engraçadinho.

...

Retornamos para a rua Fleet com um certo alarde pelo pinheiro amarrado ao teto da carruagem. Ao menos os outros cocheiros abriam caminho para nós no meio do trânsito.

Chegando ao Instituto, devolvemos o pinheiro para seu lugar no salão. Tinha menos da metade do tamanho do anterior, mas era melhor do que nada. Pela proximidade com o início da festa, tivemos que ajudar Sophie a decorar a nova árvore. Intimados por Charlotte e seu olhar mortal, é claro. Os únicos que se safaram foram Henry, enfurnado em seu laboratório, e Jessamine, que alegara uma dor de cabeça e estava no próprio quarto no segundo andar. Uma dor de cabeça muito conveniente, diga-se de passagem, que só aparecia na hora do trabalho passado...

Para minha sorte, a árvore não despencou na cabeça de alguém, ninguém caiu da escada, quebrou a perna ou qualquer outro acidente. Quebrei um dos enfeites, porém nada com o se preocupar. Seria ótimo que a praga do duende fosse apenas isso. Duvidava muito que fosse. Teria que passar a noite inteira em alerta por causa daquele maldito. Quem sabe eu conseguisse evitar uma tragédia caso me trancasse no quarto até o dia vinte e cinco?

Entretanto, Charlotte estava determinada que todos comparecessem à festa do Instituto. Nem Jessamine ia escapar dessa vez.

Após um banho e roupas limpas, desci para a sala de estar, encontrando as duas nos sofás.

—... Mandou um telegrama avisando que os Lightwood passarão as festividades em Alicante — ela falava para Jessamine, que parecia mais interessada na saia do próprio vestido de noite.

— Poderia repetir, Charlotte? Acho que preciso limpar meus ouvidos, não ouvi direito. — Joguei-me no estofado ao lado da diretora do Instituto de Londres, que apenas revirou os olhos.

— Seus ouvidos estão bem limpos, Will. Benedict enviou um telegrama, pois os Lightwood passarão as festividades na residência da família em Alicante. Disse que sente muito e manda seus melhores desejos para nós — Charlotte leu o conteúdo do papel pardo que segurava.

— Seus melhores desejos — repeti rindo e, antes que continuasse, a diretora ignorou-me e levantou-se do sofá. A campainha tocou estrondosa. — Esse será o melhor Natal de todos, sem nenhum Lightwood para encher nossa paciência, você vai ver! — Mais uma vez, fui ignorado solenemente.

— Irei começar a recepcionar os convidados. — Quando estava a meio caminho da porta, Charlotte parou e voltou-se para nós. — E vocês, comportem-se — demarcou cada sílaba, como um aviso, retirando-se em seguida.

Jessamine permaneceu calada e saiu muda, deixando a sala de estar com um farfalhar das saias do seu vestido. Seria uma longa noite...

...

— Você está quieto demais, Will — Jem comentou enquanto eu enchia meu prato com rabanadas mais uma vez.

— Não tenho nenhum Lightwood para incomodar, Jessamine foi para o quarto com dor de cabeça, e todo mundo está ocupado com conversinhas. Chato — respondi e mordi uma das rabanadas. Agatha era divina na cozinha.

— Vão começar a jogar “Adivinhe a citação”, vamos lá. Tenho certeza que você vai ganhar essa. — Jem puxou-me para longe da mesa, mas não larguei meu prato de jeito nenhum.

Como não era surpresa para ninguém, eu ganhei e fim de jogo. Para minha sorte, o prêmio para o vencedor seria um bolo de frutas. Todo meu. Apenas meu e de mais ninguém. A noite de Natal não estava indo tão mal até ali.

E falando em sorte, ela parecia estar no alto naquela noite. Sem fogo na cortina, sem brigas, sem gente chata com conversas chatas, sem alguém para iniciar o coro de canções natalinas, sem Lightwood... Já passava da meia noite e eu estava pronto para acreditar que aquele seria meu primeiro Natal no Instituto que não era digno de estar em uma comédia grega. Duende mentiroso...

Nunca acredite em duendes, nem em gnomos ou Leprechauns. Em patos também não, são tão traiçoeiros quanto os outros três. Caso veja qualquer um deles, fuja para o mais longe que puder.

— Você não devia comer tudo de uma vez. Vai acabar passando mal — Jem alertou, sentando-se ao meu lado na mesa. Ele referia-se ao bolo de frutas que eu devorara quase inteiro. Isso há cinco minutos, antes que meu estômago começasse a reclamar. Era uma sensação engraçada na boca do estômago e um calor repentino que ninguém mais parecia sentir. Eu definitivamente não estava bem.

Afrouxei o colarinho e apoiei a cabeça no encosto da cadeira, enquanto minha barriga fazia todos as reclamações possíveis.

— Duende maldito — murmurei entredentes.

— Você está bem, Will? — meu parabatai questionou assim que me levantei em um ímpeto.

— A natureza chama, James. A natureza chama.

Meus Natais eram de fato uma comédia grega. Apesar da comida deliciosa e abundante, no próximo ano eu precisava aprender a comer menos. Em todo o caso, daquela vez podia dizer que era tudo culpa daquele duende.

16 Août 2020 19:06:10 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Ester Cabral Diretamente do interior de São Paulo e com duas décadas de vida nas costas [apesar da carinha de menina], que sequer sabe o que falar sobre ela mesma pra fazer uma descrição interessante. Amante da música, fã da Fresno, de uns metal doido, de temperaturas amenas, de gatos, contos e que de vez em quando se aventura em uma história mais longa. Que pensa demais e fala e escreve de menos. Se gosta de um bom drama e romances fofinhos, aproveite a estadia.

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