urutake Urutake Hime

A linguagem das flores nada mais é do que o significado que cada flor ou folha carrega, podendo ser usada para transmitir um sentimento especifico para alguma situação ou para alguém. Aphrodite conhece bem esta linguagem e Deathmask precisa de seus conhecimentos, mas o italiano pode ser o mais surpreendido no fim das contas.


Fanfiction Anime/Manga Déconseillé aux moins de 13 ans.

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Capítulo Único

O dia tinha tudo para ser perfeito. O céu estava azul e com o sol brilhando forte, as crianças riam, os pássaros cantavam e havia um suave cheiro de lavanda no ar. Este último detalhe era pelo fato de Aphrodite ter acabado de receber uma remessa dessas graciosas flores roxas, espalhando seu aroma por todo o estabelecimento até acomodá-las em um balde com água. O sueco havia montado sua própria floricultura e estava muito satisfeito com o negócio, sendo rentável e tranquilo, pelo menos na maior parte das vezes. Infelizmente aquela calmaria e perfeição estava para ser arruinada com a entrada do primeiro cliente.


A porta da floricultura foi aberta com tamanha violência que o sininho que ficava sobre ela foi esmagado contra a parede, dando seu último tinido de vida para anunciar a tempestuosa chegada de um homem. Alarmado, Aphrodite voltou sua atenção para a porta e reconheceu seu bom e velho amigo Deathmask, bufando de raiva enquanto vinha para o balcão a passos duros. Conhecia bem o temperamento agitado do italiano, mas era a primeira vez que o via tão enfurecido e não esperava vê-lo tirar um punhado de dinheiro do bolso, jogar sobre o balcão e disparar:


— Bello, só você pode me ajudar! Como eu mando alguém se foder na linguagem das flores?!


Aquela pergunta foi tão repentina e inesperada, além de inapropriada, que levou alguns segundos para o sueco entender e logo sentiu uma indignação profunda. Aphrodite havia estudado sobre Floriografia - a linguagem das flores - através de livros e pesquisas, sendo uma das artimanhas para vender flores com mais facilidade, pois assim seus arranjos e buquês teriam mais sentido e significado, deixando os clientes encantados. Mas nunca esperava receber um pedido como aquele em toda a sua vida... O que diabos Deathmask pretendia com isso?!


— Você já está bêbado a essa hora da manhã, carcamano?!


— Estou sóbrio! — rebateu de imediato, cheio de irritação — E estou falando sério! Preciso de um buquê tenebroso, que exponha todo o ódio que eu estou sentindo!


— Espera! As coisas não são assim... Quer me explicar o que houve para você estar desse jeito? — se recusava a preparar qualquer coisa sem entender o motivo.


— E o que mais poderia ser? Minha família, Bello! — Deathmask suspirou profundamente, levando uma das mãos aos cabelos com força — Minha mãe cismou que eu preciso de ajuda para arrumar uma namorada... Você sabe, ela me jogou pra cima da filha da vizinha, pra cima da vendedora de ovos que passa na rua e até sonhou acordada com a possibilidade de um casamento com a moça que veio entregar uma encomenda pra mim!


— Ah sim... — a expressão contrariada no rosto de Aphrodite já demonstrava compreensão pelo outro — Ela está naquela fase de desejar vê-lo casado, feliz e dando netos pra ela mimar.

— Exatamente! E você sabe muito bem que não tenho condições de fazer isso... Mas para minha família, ainda estou trancado a sete chaves no armário!


Aquele era um dilema comum para as pessoas que não se encaixavam nos padrões da sociedade: declarar sua sexualidade para os parentes seria um transtorno para Deathmask e evitava este confronto por anos. Por outro lado, Aphrodite já era assumido a muito tempo, antes mesmo de se conhecerem e superou o período caótico de mostrar ao mundo quem realmente era. No entanto, por mais que tivesse aconselhado o italiano a se abrir para a família, também entendia o medo de ser rejeitado e se tornar uma decepção para todos.


Na verdade, o sueco tinha suas próprias amarras no momento, pois sentia uma enorme vontade de abraçar o outro e lhe dar o amparo e conforto que necessitava, mas acabava restringindo esse desejo. Deathmask chamou sua atenção desde que o conheceu, porém na época ambos estavam comprometidos e tratou de esconder a atração que sentiu para não ferir seu amado, muito menos trazer algum desconforto para o outro. Observou a conturbada relação do italiano, se escondendo da família e evitando demonstrações de amor em público, gerando um desgaste enorme nele e no companheiro, eventualmente guiando para um término cheio de feridas e amarguras.


Durante este período, Aphrodite também terminou seu relacionamento, de maneira mais pacifica, ao notar que seus pensamentos e sentimentos giravam em torno do italiano cada vez mais. No entanto, mesmo que estivessem solteiros, o sueco não conseguiu se aproximar ou deixar suas intenções claras, pois não queria se aproveitar de um momento de fragilidade de Deathmask para conseguir o que queria e, mesmo que tivesse o seu afeto, sabia que não poderia suportar um romance às escondidas. O tempo foi passando, a amizade deles se estreitou ainda mais e Aphrodite acabou estagnado naquela posição de melhor amigo.


— Certo, então para quem seria o “buquê tenebroso”?


— Minha tia! — Deathmask suspirou ao explicar — Querem que eu vá com ela para a Italia, passar um tempo e ajudar no negócio da família, mas na verdade querem me empurrar para algumas conhecidas de lá. Já que não aceito nenhuma “sugestão” da minha mãe aqui, agora querem se aproveitar das minhas raízes!


— Elas estão realmente desesperadas... — Aphrodite suspirou, pensativo — Será que não é a hora de você ser sincero e dizer como se sente?


— Dite, já te disse... Se eu contar a eles que gosto de homens, serei a desgraça da família. — negou com a cabeça, contrariado — Eles são muito tradicionais e foi um milagre deixarem a terra natal, buscando uma vida melhor. Irão me dar as costas, tenho certeza disso...


— Eu sei, mas não entendo como você consegue viver assim... Com todas essas restrições e tentando ser o filho perfeito o tempo todo, se sufocando constantemente. Você não pode viver para sempre embaixo da saia da sua mãe... E se te colocarem para fora, sabe que pode contar comigo!


— Sei disso... Só não sei se tenho toda essa coragem. Posso parecer durão e destemido, mas... São minha família e os amo tanto, a ideia de perdê-los é assustadora.


Deathmask segurou uma das mechas azuis do cabelo do sueco, enrolando entre seus dedos. Isso lhe acalmava de alguma forma, então fazia sem pensar duas vezes e Aphrodite suprimia um suspiro sempre que ocorria este gesto automático do outro. Quantas vezes este simples toque foi o suficiente para deixá-lo esperançoso? Quantas vezes desejou que a mão firme do italiano deslizasse por todo o seu cabelo, tocando-lhe a face para compartilhar seu calor? E as inúmeras vezes em que esteve assim, próximo a Deathmask, ansiando por um beijo? Infelizmente, nada disso aconteceu.


— Bem, a decisão é sua. — Aphrodite se afastou do balcão e seus cabelos escaparam por entre os dedos do outro — Então a ideia é despachar sua tia de volta para a Itália com um buquê que mostre o quanto está contrariado com esta situação e negar qualquer ajuda que ela queira dar para encontrar uma namorada para você, certo?


— Exatamente. — Deathmask se endireitou, um pouco mais relaxado — Espero que as flores ajudem, mesmo sabendo que terei de ser firme na hora de recusá-la, seu poder de persuasão tende a ser intenso.


— Se ela não conhecer o significado por trás das flores, dificilmente entenderá a mensagem que você quer passar... Mas você irá superar isso, afinal se tornou mestre em enganar sua família por todo esse tempo.


Mesmo sendo rude e atingindo diretamente a consciência do amigo, não pretendia ser gentil em uma situação que, para Aphrodite, era insustentável. Deathmask continuava fugindo e anulando a si mesmo diante das pessoas que eram tão importantes, como uma autopunição. Não sabia se isso mudaria algum dia, mas esperava que sim pelo bem do italiano, pois apesar de tudo o que sofreu quando saiu do armário, Aphrodite não se arrependia de viver com total liberdade de ser quem realmente era.


O sueco se afastou do balcão e seguiu na direção dos baldes carregados de flores, com os mais diversos tipos e cores. Deteve-se diante dos cravos e escolheu dois tipos: Amarelos e Rajados. Com a quantidade desejada em mãos, seguiu para as folhagens que serviam de complemento para os buquês, dando um destaque especial com suas diversas tonalidades de verde. Surpreendentemente, Aphrodite acabou puxando alguns ramos de Manjericão, sentindo o aroma gostoso se espalhar enquanto caminhava até a mesa que costumava usar para preparar os buquês.


Ficava tão focado em seu trabalho que o sueco não se dava conta das coisas ao seu redor, por isso não percebeu a forma como Deathmask lhe observava. Seus olhos se prenderam a Aphrodite de tal forma que parecia completamente hipnotizado, acompanhando sua caminhada pelo estabelecimento e nada lhe escapava, nenhum hábil movimento do outro enquanto organizava as flores e pôde notar até o brilho nos olhos alheios ao se empenhar no que amava fazer. Chegava a sentir inveja das flores... Tão amadas e queridas pelo sueco.


Se aquelas mãos delicadas lhe tocassem com toda a gentileza que era dirigida às flores, Deathmask tinha certeza que iria se desmanchar de alegria. Seu coração chegava a palpitar com a ideia de que aqueles belos olhos azuis poderiam brilhar quando encontrassem os seus. O italiano fantasiava em silêncio, tomado pela ironia de Aphrodite estar bem ali ao seu alcance, mas nunca quebrou as barreiras que o tempo criou em torno daquela relação. Mais do que isso, não se sentia no direito de avançar no que queria.


Deathmask o respeitava e adorava, sem o sueco não teria conseguido enfrentar um dos períodos mais sombrios de sua vida. Seu último relacionamento foi tão desgastante e amargo que levou um bom tempo para se recuperar, carregando muita culpa sobre os acontecimentos que, de fato, resultavam da incapacidade de assumir sua sexualidade publicamente. Aphrodite foi indispensável, suportando todos os seus lamentos e revoltas, também expondo seus erros diretamente para que as feridas que corrompiam por dentro, eventualmente cicatrizassem corretamente.


Aqueles sentimentos foram se transformando e quando se deu conta, Aphrodite deixou de ser um querido amigo para se tornar o dono de seus pensamentos e despertou desejos profundos, desde a simples vontade de cuidar até aos intensos anseios de tomá-lo em seus braços e fazê-lo se desmanchar em prazer. Mas mesmo que tivesse uma chance com o sueco, como poderia condená-lo a viver um relacionamento as escondidas, suprimindo demonstrações de carinho em público? Não queria correr o risco de arruinar tudo e seguir para um rompimento terrível, até pior do que o anterior.


— Aqui está! — a voz de Aphrodite o arrancou de seus pensamentos, tendo terminado o buquê.


— Eh? — Deathmask estava impressionado com o arranjo tão bem feito, além do contraste entre o amarelo, branco e manchas avermelhadas dos cravos — Eu pensei que o buquê seria horrível...


— Se eu fizesse algo tenebroso, estaria arriscando a minha reputação. Além disso, não é por que são belas que não tenham significados ruins... — o sueco deslizou a mão pelas flores enquanto explicava — Os cravos rajados expressam recusa, perfeito para o momento da proposta de sua tia. Os cravos amarelos anunciam o desprezo, algo que você está sentindo diante dessa situação... Completei o arranjo com Manjericão, pois simbolizam o ódio que te consumia até chegar aqui.


— Isso é incrível! Com isso, poderei cortar as ideias de minha tia... Certamente vai achar o buquê maravilhoso, mesmo sem notar o quão rude posso ser através dele.


— É meu dever agradar o cliente, fico satisfeito que você tenha gostado. — o sueco pegou o dinheiro que estava jogado no balcão e fez as contas, devolvendo o troco em seguida.


— Sim, gostei muito... Você é muito habilidoso. — Deathmask o presenteou com um sorriso, um pouco mais curioso a respeito das flores — Existe alguma flor que expresse “Gratidão”?


— A Campânula Branca. — Aphrodite apontou para um vazo onde estava a flor citada por ele e seu formato parecia com um sino — Mas não precisa tentar me agradecer com uma flor, só fiz o meu trabalho.


— Não pensei em te agradecer apenas por ter feito um buquê para mim, mesmo com o meu pedido louco. — o italiano segurou uma das mãos do outro, afagando levemente com o polegar enquanto lhe dirigia um olhar terno — Sou grato a você de tantas maneiras que muitas vezes não consigo expressar corretamente... Por isso pensei em usar as flores, já que entende tão bem delas. Mas tem razão, uma flor não seria o suficiente para agradecer tudo o que já fez por mim... Eu precisaria trazer um caminhão cheio de Campânulas brancas para você, Bello.


As bochechas do sueco ficaram levemente rosadas com aquelas palavras, adorava sentir aquele carinho, mesmo que considerasse ser apenas um sinal de respeito à amizade entre eles. Deathmask também aproveitava aquele momento para sentir o calor da pele alheia, contendo a vontade de entrelaçar seus dedos e ficar ali, perdendo a noção do tempo enquanto conversavam. O assunto acabou sendo as flores e seus significados, Aphrodite não se recusava a ensinar quando o interesse era genuíno e a curiosidade do outro ia crescendo à medida que aprendia mais.


— Bello, se tivesse que dar uma flor para mim, qual seria?


Aquela pergunta fez os olhos do sueco vagaram pelo estabelecimento e encarou as vistosas rosas vermelhas, mas sabia que qualquer pessoa associava essas flores ao amor e não seria diferente com Deathmask. Não pretendia ser tão óbvio depois de esconder seus sentimentos por tanto tempo, então procurou uma segunda opção mais discreta e que poderia expressar a mensagem da mesma maneira. Acabou mostrando para o italiano um pequeno vazo com algumas Tulipas vermelhas, sendo que elas ainda não haviam desabrochado.


— Estas... Definitivamente são as flores que eu escolheria para você.


— Tulipas? — se surpreendeu, encarando a flor — E qual é o motivo?


— Não vou lhe contar. — o pequeno sorriso travesso do sueco fez o coração de Deathmask vacilar — Você já está enrolando demais, precisa acertar sua situação logo... Boa sorte e me mande uma mensagem se precisar de ajuda.


O italiano acabou concordando mesmo se sentindo curioso e lançou uma piscadela antes de se afastar do balcão, caminhando para a saída. Aphrodite o acompanhou com o olhar até sair de seu campo de visão, soltando um suspiro profundo como se tivesse prendido a respiração por um bom tempo. Ao encarar a Tulipa vermelha, o sueco se sentiu satisfeito por “plantar” a curiosidade no outro, pois estava cansado de esconder o que sentia. Se Deathmask descobrisse o significado daquela flor, quem sabe pudessem evoluir dali pra frente.


O italiano seguiu para casa o mais rápido que pode, tomando todo o cuidado para que o buquê chegasse inteiro e, assim que abriu o portão, ouviu risadas e vozes femininas, sinalizando que sua mãe e tia estavam na sala. Deathmask respirou fundo ao procurar a chave em seu bolso, repassando mentalmente seu discurso para recusar as tentativas de levá-lo para a Italia ou qualquer outra ideia que pudesse surgir das duas. Quando abriu a porta e recebeu os olhares delas, chegou a engolir em seco antes de cumprimentá-las.


— Ser recepcionado por duas belas damas me alegra muito!


— Ah meu filho... Tão galante! — a matriarca se levantou da poltrona e deixou um beijo estalado na bochecha dele — Ainda me pergunto como não conseguiu uma boa mulher. Bem, isso pode mudar...


— Mamma, já disse que não preciso de ajuda... E digo o mesmo para você, querida tia. — se dirigiu a outra mulher presente — Fico feliz em vê-la, mas estou plenamente ciente dos planos que vocês duas tem tramado pelas minhas costas!


— Isso é ótimo, assim não precisamos fingir ou perder tempo. — a mulher sorriu, o sotaque carregado intensificava a sensação de que seria difícil rebatê-la — Minha irmã está preocupada com o seu futuro e senti que tinha a obrigação de ajudar, afinal estamos falando do meu único sobrinho!


— Agradeço por tamanha consideração. — apesar da educação, havia uma ponta de sarcasmo em suas palavras — No entanto, não pretendo sair do país e sou perfeitamente capaz de lidar com o meu futuro, seja ele com quem for.


— Parece que tem muita coragem de recusar uma oportunidade como esta. — se levantou do sofá e caminhou lentamente na direção dele — Se conectar com as suas raízes pode ajudar no seu desenvolvimento como pessoa. Além disso, sabe que eu e seu tio possuímos um vinhedo maravilhoso, teríamos prazer em receber sua ajuda nos campos ou na fábrica... Tenho certeza que se apaixonaria pela terra, pelos vinhos e, quem sabe, pelas mulheres de lá.


— É uma oferta tentadora, sem dúvida... Porém, terei que recusar. — Deathmask estendeu o buquê com um sorriso sincero, apesar de se sentir contrariado — Não é minha intenção ser mal agradecido com sua generosidade, sendo assim aceite esse lindo buquê e as minhas desculpas.


— Meu filho, por favor, pense melhor sobre isso... — sua mãe interviu — Sentem-se, conversem direito e quem sabe você perceba que isso pode te ajudar!


Apesar de sua convicção, Deathmask sabia que seria difícil derrubar as duas juntas, então até se sentiu melhor quando sua mãe se retirou para preparar o almoço. Fez sinal para a tia retornar ao sofá e se sentou ao lado dela, disposto a travar uma batalha argumentativa se fosse preciso para fazê-la desistir. Porém, a conversa não se iniciou de imediato e o italiano percebeu que ela estava observando o buquê com muita atenção, com uma expressão contrariada.


— Algo de errado com o buquê?


— Oh, nada... Pelo menos não com o arranjo, está muito bem feito e harmonioso. — o elogio fez Deathmask sorrir, imaginando como Aphrodite se sentiria satisfeito ao ouvir isso — Mas não estou tão certa quanto à escolha das flores...


— Não gosta de cravos?


— Os cravos, por si só, são belos. Mas o que significam é o que importa... E desconfio que trouxe este buquê pelo significado deles. — ao demonstrar que entendia sobre a linguagem das flores, o italiano ficou surpreso e um pouco desconfortável — Me desaponta saber que repudia tanto a ideia de ir comigo a ponto de desprezar e odiar minha presença.


— Perdoe-me, não era minha intenção ofender a senhora. Eu adoraria visitar a terra natal dos meus pais, mas a pressão de escolher uma companheira no meio disso é demais. Não é garantia que vou me apaixonar por alguém na Italia ou em qualquer outro lugar do mundo, sendo assim espero que você e mamma respeitem a minha decisão.


— Se é assim que se sente, não vou insistir mais. — com a desistência, Deathmask se sentiu mais tranquilo e, certamente, o buquê ajudou mais do que esperava — Nossa intenção era fazê-lo mudar de ares, se distrair com outras coisas e conhecer gente nova, quem sabe o amor poderia vir disso.


— Sim, é uma possibilidade... Mas prefiro viajar em outro momento, com mais calma e aproveitar totalmente a oportunidade sem ter uma condição imposta para isso. — gentilmente levou uma das mãos ao ombro dela — Quando isso acontecer, você e o tio vão poder contar com toda a minha ajuda, posso garantir. E, apesar do significado, espero que tenha gostado do buquê.


— Está bem. — a expressão dela estava mais relaxada, assentindo positivamente — Eu gostei sim, é uma pena que não resistiriam à viagem de volta para a Italia... As flores são frágeis afinal.


— De fato... A propósito, como sabia o que elas significam?


— Ah meu sobrinho, eu sou da época que as flores eram os presentes mais comuns para as mulheres! Além disso, houve um tempo em que transmitir seus sentimentos pelas flores era a melhor forma de saber se a pessoa amada lhe correspondia ou não. Seu tio me levava rosas todos os dias... Dizia que eram belas e formosas como eu, além de simbolizar seu amor por mim.


— Faz sentido! — sorriu com a resposta e logo pensou em Aphrodite, percebendo a oportunidade que tinha em mãos — Sendo assim, a senhora sabe me dizer o significado das Tulipas vermelhas?


— Oh! — a mulher ficou realmente surpresa com aquela pergunta, estreitando o olhar — Por que quer saber?


— Ah... Bem, perguntei à pessoa que fez este buquê que flor daria para mim e acabou escolhendo a Tulipa vermelha, apesar de eu não saber o motivo. — resolveu ser sincero, ainda mais curioso depois da reação da tia.


— Haha, parece que eu e sua mãe estávamos preocupadas a toa! — disparou depois de uma risada gostosa — Você já tem uma pretendente, pois Tulipas vermelhas são uma declaração de amor.


Os olhos de Deathmask se arregalaram com a descoberta e foi arrebatado por uma deliciosa sensação de alegria, como se tivesse sido presenteado com uma notícia que tanto esperava. Aphrodite não cometeria um descuido de escolher uma flor com tal significado se não quisesse realmente transmitir a mensagem que ela carregava. Sendo assim, seus sentimentos eram mútuos e o italiano sentiu vontade de sair correndo, voltar para a floricultura e tornar o sueco inteiramente seu como tanto ansiava. Mas as vozes femininas o desviaram de seus pensamentos, percebendo que sua mãe estava de volta e parecia muito contente.


— Meu filho, que ótima notícia! Como ela é? Trabalhando com flores, deve ser uma moça delicada e encantadora! Oh, você deve responder a ela...


— Já que ela lida com flores, talvez uma joia seja a melhor opção na hora de correspondê-la. — a tia também começava a dar sugestões.


A animação delas com a sua "futura namorada" fez Deathmask se dar conta de algo importante. Como queria iniciar um relacionamento se continuariam pensando que a qualquer momento entraria em casa com uma bela mulher? Nunca poderia apresentar a pessoa que ama para sua família? A alegria se dissipou e deu lugar a agonia, levando uma das mãos a testa como se tivesse uma dor de cabeça repentina. Lembranças de seus antigos relacionamentos vieram à tona, todas as vezes que provocou dor a si mesmo e para os outros e não conseguia suportar o peso das correntes do conservadorismo e padrões normativos da sociedade.


— Mamma... Tia... — Deathmask chamou a atenção delas, sua expressão estava fechada e respirava fundo, como se tudo o que tinha acumulado estivesse para transbordar — Tem algo que eu preciso dizer a vocês.



Já era a 4ª vez que Aphrodite examinava seu celular, sentindo uma angustia sempre que notava não ter recebido uma resposta. Já fazia alguns dias desde que Deathmask veio até sua floricultura e fez aquele pedido absurdo e mandou algumas mensagens para saber se tudo havia dado certo, se tinha se livrado dos planos da tia ou mesmo saber se ele estava bem, mas não teve resposta. O italiano não atendia suas ligações e suas mensagens nem foram visualizadas, isso o deixava muito preocupado já que Deathmask costumava responder regularmente e mexer vez ou outra nas redes sociais, mas não havia sinais dele.


O sueco estava angustiado e acabou criando varias teorias em sua cabeça, desde uma briga em família por conta da tia se sentir ofendida e até imaginou que Deathmask acabou sendo obrigado a ir para a Italia, por isso não lhe respondia. Chegou a pegar o celular para enviar uma nova mensagem quando a porta da floricultura foi aberta e o coração de Aphrodite saltou ao vê-lo entrar tranquilamente e sorrir para si, ainda que pudesse notar certo cansaço no semblante do italiano. Se aproximou a passos rápidos e, sem pensar duas vezes, o sueco o abraçou com força.


— Por onde você andou?! Por que não me respondia? Tem ideia do quanto fiquei preocupado? — ansiava por respostas e não o deixaria escapar.


— Me perdoe, Bello... Simplesmente não tive nenhuma condição de me comunicar. — Deathmask aceitou aquele abraço e retribuiu como se fosse tudo o que precisava no momento — Foram tantas coisas... Vou lhe contar tudo.


Os dois foram até um banco de madeira que ficava em um canto da floricultura e assim que se acomodaram, puderam conversar. Aphrodite ficou muito surpreso ao descobrir que o italiano finalmente havia exposto sua sexualidade para a família e os dias que se passaram foram cheios de provações, com infinitas conversas com seus pais e uma montanha russa de sentimentos que abria feridas em cada um. Como o esperado, eles não aceitaram bem inicialmente e o retorno de sua tia para a Italia confirmava que todos os parentes acabariam sabendo a verdade.


— O clima em casa ainda não é dos melhores, mas... Só o fato de não terem me posto pra fora ou me renegarem por completo já é um alivio. — Deathmask suspirou, notando o olhar consternado do outro — Não se preocupe, me sinto bem melhor agora... É como se um peso tivesse saído dos meus ombros e posso encarar as coisas de frente agora.


— Eu imagino... Para mim também foi libertador quando contei a todos. Estou feliz e orgulhoso de você... Por ter tido a coragem para fazer isso. — com um sorriso gentil, Aphrodite segurou firme a mão alheia — Mas eu não esperava que fosse fazer isso justamente na frente da sua tia, seus parentes na Italia vão saber de tudo agora... O que te fez fazer isso assim, de repente?


— Bem, acho que posso culpar as flores. — a resposta fez o sueco ficar confuso — Minha tia sabia o significado do buquê que dei a ela, sendo assim aproveitei para perguntar se ela sabia sobre a Tulipa vermelha... A resposta dela foi o que me fez decidir expor a verdade.


— Então... Qual foi a resposta? — o coração de Aphrodite acelerou, cheio de expectativa.


— Você sabe qual foi. — o sorriso galante de Deathmask era de derreter qualquer um, sendo que tomou a mão do sueco e beijou o dorso carinhosamente — Não pode imaginar o quanto me senti feliz ao saber que todos os sentimentos que venho nutrindo por você poderiam ser correspondidos. Mas eu não podia fugir novamente... Não podia mais me sufocar em uma vida de mentiras, sem expectativas de um futuro aberto e sincero. Eu não mereço mais passar por esse tipo de coisa... E nunca poderia fazer você passar por isso também.


— Mesmo depois de tantos conselhos, você finalmente tomou uma atitude... Se eu soubesse, teria me confessado há muito tempo. — Aphrodite estava emocionado, sorrindo largo enquanto se permitia, pela primeira vez, repousar a cabeça sobre o peito alheio — Eu nunca quis me aproximar mais do que devia, sendo que você estava tão ferido e a sua situação com a família era tão complexa... Mas sinceramente, passar cada segundo do seu lado me deixava mais atraído.


— Parece que andávamos fantasiando um com o outro por um bom tempo. — o italiano riu e deslizou as mãos pelas costas do outro, livre para tocá-lo como queria — Você esteve comigo quando mais precisei, foi minha cura, juízo e sanidade até me sentir inteiro outra vez. E quando me recuperei, eu só conseguia pensar em você... Bello, eu te amo! Apesar de tudo, estou tão feliz agora que posso mostrar isso para todo o mundo!


— Eu sempre estarei do seu lado, principalmente agora, com a tensão entre você e sua família. Você se abriu para eles para poder estar comigo... Não pensei que conseguiria me deixar ainda mais apaixonado!


Os dois sorriam com uma felicidade genuína, tomados por aquele sentimento gostoso e aconchegante de se estar com a pessoa amada. Não importava se seus pais iriam demorar para aceitá-lo como realmente era, Deathmask estava mais do que satisfeito por se livrar do armário onde esteve escondido e poder amar o sueco como ele merecia, com todo seu coração. Aphrodite também estava livre do posto de "melhor amigo" e poderia progredir aquele relacionamento como realmente queria, sem o temor de se esconder ou prejudicar o italiano de alguma forma.


Não demorou muito para que os dois extravasassem seus sentimentos acumulados com um beijo intenso e prolongado, acompanhado de muitos carinhos e olhares cheios de ternura. Enquanto se permitiam viver aquele momento de amor, nenhum dos dois percebeu que as Tulipas vermelhas, enfim, desabrocharam e seu forte tom carmesim era o mais belo de toda a floricultura.

18 Juillet 2020 01:32:29 3 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

Urutake Hime Uma garota que escreve desde 2009, com diversas temáticas e fandom diferentes. Nyah: https://fanfiction.com.br/u/30892/ Spirit: https://www.spiritfanfiction.com/perfil/urutake-hime Wattpad: https://www.wattpad.com/user/Urutake-Hime

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Publier!
Alexis Rodrigues Alexis Rodrigues
Olá, Hime! Meu nome é Alexis e estou aqui para parabenizá-la pela verificação da sua história! Confesso que sou suspeita pra falar de Afrodite e Máscara da Morte (apesar de eu ser uma grande fã de MiloDite, ainda shippo AfroMask), mas eu precisava vir aqui dizer ao mundo o quanto a sua one-shot é maravilhosa <3 Vamos por partes. Achei uma excelente ideia você usar a linguagem das flores nessa fanfic porque, apesar de ser bem óbvia a ligação do Afrodite com as flores, raramente vejo histórias que deem alguma atenção a elas e ao que elas transmitem, então sua ideia é incrível! Notei que em alguns poucos lugares faltava uma vírgula, em outros era uma palavra sem acento, mas nada que uma revisão rápida não conserte ^.^ Também gostei do uso de narrador em terceira pessoa, mostrando os pontos de vista de ambos personagens sem nos deixar em um suspense longo quanto ao que um sente pelo outro. A interação deles, e a interação do Máscara com sua tia também é um ponto positivo, já que é difícil vermos fanfics onde os cavaleiros têm familiares, vivos ou mortos (mas a gente releva por causa do sistema do Santuário). É muito bacana ver fanfics tomando essas liberdades criativas para explorar outras facetas dos personagens e você fez isso de forma natural e fluída (mesmo no momento em que a tia de Máscara revela saber o significado das flores que ele entregou a ela, que é um momento em que eu previ um conflito, uma discussão, e acabou tudo bem <3). Por fim, Máscara da Morte tendo coragem de abrir o coração para sua família e aceitar quem é e quem ama (algo que, sejamos justos, não deveria ser um problema, mas vivemos em um mundo cheio de preconceitos), e o fato de ambos reciprocarem seus sentimentos um pelo outro foi realmente confortante de ler. Muito obrigada por escrever essa one-shot maravilhosa <3 espero ver mais de AfroMask por aqui <3
January 16, 2021, 00:51

  • Urutake Hime Urutake Hime
    Olá! Perdoe-me pela demora em responder, andei afastada do site... Mas fiquei muito feliz que veio ler a minha oneshot. Não me esqueci da sua MiloDite, estou curiosa pra ver esse casal através da sua escrita... Mas AfroMask é o meu bebê, jamais irei deixá-los! A ideia surgiu, na verdade, de uma postagem que me marcaram com alguns temas para oneshots. A proposta era fazer algo divertido como uma comédia e inicialmente eu mantive isso, mas inevitavelmente puxei para o drama no final... De qualquer forma, eu também acho interessante o tema de linguagem das flores, então trabalhar com isso me permitiu aprofundar neste tema. Como é um casal querido por mim, consigo lidar com suas personalidades e emoções facilmente (pelo menos, da forma como eu as vejo) e, por ser um Universo Alternativo/Cotidiano, criar uma família era o ponto perfeito para explorar a complexidade do Deathmask. O lado italiano sempre me faz pensar em uma família grande, animada e cheia de mulheres fortes, por isso a mãe e a tia dele eram tão determinadas. O clímax sem duvida é a conversa do Deathmask com a tia e sua revelação para a família, como você disse não deveria ser um problema... Eu só queria libertá-lo dessas amarras e deixá-lo viver sua paixão com o peixinho mais lindo do mundo ♥ Eu agradeço MUITO a este comentário, os pontos que você abortou e comentários sobre o enredo, sempre me deixa muito feliz. A acentuação ainda é o meu ponto fraco, tenho plena ciência de que preciso trabalhar nisso... Vou continuar dando o meu melhor!! Muito obrigada mesmo ♥ February 12, 2021, 23:53
  • Urutake Hime Urutake Hime
    Olá! Perdoe-me pela demora em responder, andei afastada do site... Mas fiquei muito feliz que veio ler a minha oneshot. Não me esqueci da sua MiloDite, estou curiosa pra ver esse casal através da sua escrita... Mas AfroMask é o meu bebê, jamais irei deixá-los! A ideia surgiu, na verdade, de uma postagem que me marcaram com alguns temas para oneshots. A proposta era fazer algo divertido como uma comédia e inicialmente eu mantive isso, mas inevitavelmente puxei para o drama no final... De qualquer forma, eu também acho interessante o tema de linguagem das flores, então trabalhar com isso me permitiu aprofundar neste tema. Como é um casal querido por mim, consigo lidar com suas personalidades e emoções facilmente (pelo menos, da forma como eu as vejo) e, por ser um Universo Alternativo/Cotidiano, criar uma família era o ponto perfeito para explorar a complexidade do Deathmask. O lado italiano sempre me faz pensar em uma família grande, animada e cheia de mulheres fortes, por isso a mãe e a tia dele eram tão determinadas. O clímax sem duvida é a conversa do Deathmask com a tia e sua revelação para a família, como você disse não deveria ser um problema... Eu só queria libertá-lo dessas amarras e deixá-lo viver sua paixão com o peixinho mais lindo do mundo ♥ Eu agradeço MUITO a este comentário, os pontos que você abortou e comentários sobre o enredo, sempre me deixa muito feliz. A acentuação ainda é o meu ponto fraco, tenho plena ciência de que preciso trabalhar nisso... Vou continuar dando o meu melhor!! Muito obrigada mesmo ♥ February 12, 2021, 23:52
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