indrakimura Daechwita D.

“Não passar da passagem gasta, jamais ousar atravessar o córrego, pois o ‘imortal’, a fera do rei, habita a parte mais escura. Escondendo-se do sol e fugindo da cruz, o renegado do reino do norte, o comandante do último batalhão. A fera insaciável. O monstro que acorda com fome. O homem que andou pelo vale da sombra da morte e tornou-se a sombra. Madara Uchiha.”


Fanfiction Anime/Manga Interdit aux moins de 18 ans.

#romance #drama #época #madahina
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Capítulo Um

Capítulo Um:

O comandante do último batalhão.

Aquele que controla o fogo e o ar, o detentor da água e da terra.

Aquele que controla a legião. Os valentes soldados do último batalhão.

Seu nome há eras fora esquecido, perdido em meio aos grãos de areia diante a vastidão do deserto.

O soldado imortal. Aquele que sobreviveu as batalhas, o homem que saiu triunfante diante a morte, o responsável por trazer a paz para um reino há anos assolado pela guerra.

Herói do povo. O monstro do rei.

O imortal que vive de sangue e morte. Aquele que anda pelo vale da sombra, o homem que se tornou a própria sombra.

O predador insaciável. A fera que rompeu os grilhões durante a superlua.

O herói virou desertor. O monstro do rei passou a vagar, a caminhar pelo vale, indo em direção ao sul, em busca de refúgio contra o sol que o fere e a cruz que o machuca.

Em meio ao caos, no mar de corpos, banhando-se no rio de sangue, Madara Uchiha quis paz.

[...]

Hinata sentiu o coração se apertar. Sua respiração ofegou, havia saído para um breve passeio, não demoraria, seria breve e rápida durante a sua caminhada.

Queria explorar a floresta, ver as ervas medicinais, procurar algo que a ajudasse a salvar a si mesma. Ao ver dos moradores do vilarejo tornou-se uma mulher digna de pena: viúva, sem pais ou qualquer parente próximo, vivendo sozinha em uma simples cabana. Vivendo daquilo que planta, dos achados dentro da floresta, essa que ninguém ousa entrar. Ao ver de muitos, uma boticaria inexperiente com um talento mínimo para sobreviver.

Aprendeu sobre as flores. Decorou o nome e a aparência das ervas, raízes e folhas; tudo para ajudar a conter a doença que a enfraquece a cada dia. Roubando-lhe toda felicidade.

“A viúva”, é como as pessoas a chamam pelas costas, quando a viam caminhar com o véu cobrindo-lhe o face, usando as roupas fúnebres, mesmo depois de ter passado cinco invernos desde o falecimento do marido e dois desde a partida do filho. Mas para Hinata as mortes encontram-se frescas em sua memória, tão recentes que ainda consegue vislumbrar os caixões de madeira, a sala silenciosa, nada além de si mesma velando pelo corpo do esposo, embora anos mais tarde a cena tenha se repetido com o único filho que foi capaz de conceber.

“Infortúnio, isso que aquela mulher de olhos cinzas trouxe para nós, como se não bastasse a fera que murmura dentro da floresta”, um dos homens responsáveis pela pequena igreja comentou.

Um vilarejo pequeno, onde a simplicidade é vista ao passar por entre as casas de madeira rústica. Ao observar os vestidos e as botas sujas de lama das senhoritas, e as calças gastas e esfoladas usadas pelos trabalhadores.

Um local simples banhado de atitudes hipócritas e por calúnias, estas baseadas em suposições, mentiras criadas devido a inveja, pelo desejo de criar e alimentar as intrigas. Apesar das personalidades distorcidas, Hinata ainda gostava do vilarejo, das pessoas que conheceu. Não queria dizer “adeus”, morrer tão precocemente, tudo por causa de uma doença tão silenciosa quanto a brisa fria que adentra as janelas da pequena cabana.

— Mulher, diga, o que viestes fazer aqui!? — o rosnado do homem fez Hinata tremener.

Seus dedos seguraram com força as mãos que agarram-lhe o pescoço, sentia medo, o homem diante de si deixou-a com as pernas trêmulas, seu sangue pareceu gelar em suas veias, embora seu coração continuasse a pulsar.

Rápido. Forte. Descompensado.

“‘Uma besta sedenta por sangue’. É isso que habita a floresta, a criatura que o rei do norte desprezou, essa que fugiu para longe do sol, para se esconder daquilo que a queima e fere!”, recordou-se da fala do velho ancião, este que a instruirá a não ir além do córrego, mesmo após passar o pequeno portal, para que não fosse para a parte sombria, para o território do filho bastardo, aquele na qual o sol renegou.

— Diga-me!

— Desculpa, senhor… — sentiu dificuldade em falar, sentia algo perfurar-lhe. — Vim somente pesquisar ervas, sou só uma boticario…

— Mentirosa. — Hinata sentirá outro arrepio, esse que subiu-lhe pelas costas, deixando-a petrificada, com os músculos rígidos.

Sua respirou voltou a ofegar. Seu peito subiu e desceu descompassadamente, sua visão pesou, sentiu o sangue subir pela sua garganta antes de ser expelido pelo seu corpo, fazendo-a tossir adiante o detentor de sua vida.

§

O som de algo sendo mastigo, junto a goteira e o odor pútrido do ambiente pouco iluminado. Suas pernas continuavam a não lhe obedecer, impedindo-a de ficar em pé, tudo para fugir, sair do âmbito da caverna “abandonada”.

— Sinto um cheiro ruim vindo de ti mulher, estás morrendo? — a voz do homem saíra lenta, arrastada devido ao fato de ainda mastigar o animal caçado a pouco.

— Estou doente. Vim até a floresta em busca de algo que amenize os sintomas… que retarde o processo, mesmo que seja somente um pouco. — confessou. — Senhor, não menti quando disse…

— Não estava me referindo a isso quando a chamei de mentirosa, estava me referindo a outra coisa…

— Senhor, não estou mentindo! — exclamou, sentindo os pulmões arderem em contrapartida.

— Não veio atras das ervas. — Hinata cobriu os lábios, encolhendo os ombros tentou conter a tosse. — Veio atrás de mim! Meu sangue pode te curar, mas você terá que pagar um preço… um muito alto.

Sentia o corpo doer sempre que tossia. Como se estivesse andando sobre as labaredas, pisando sobre os cacos da porcelana, ferindo-lhe a pele, aquecendo e causando desconforto em seu interior.

Seus olhos foram de encontro ao do desconhecido, a angústia causada pela tosse fora substituída pelo medo dos caninos, pelas vestes gastas e sujas com uma coloração intensa rubra, seu estômago se contraiu desgostoso ao vê-lo mantendo o animal sem vida próximo aos lábios, dilacerando a carne, sujando ainda mais o espaço encardido tomado pelo líquido preto parado sobre os pés do homem.

Aquela era a origem do cheiro fétido. O resto dos animais consumidos pela criatura, muitos ainda em decomposição, outros sobrando somente os ossos jogados pelo chão.

— Não sei do que está falando. — Hinata parou, sentindo o estômago doer, contraindo-se junto a tosse, fazendo-a regurgitar.

Apressado, o homem se levantou, colocando-a de lado, para evitar que Hinata sucofocasse. Os dedos gélidos da fera seguraram-a com cuidado, tocando-lhe as costas, ajudando-a a ficar calma.

— Respire, mulher… respire. — repetiu.

Os olhos lacrimejaram, sua visão embaçou, sentiu-se fraca. Não queria mostrar o seu lado frágil ao desconhecido, não o conhecia, os olhos avermelhados causava-lhe arrepios, deixando-a com um gosto ruim superior ao gosto ácido em sua boca.

Suor estava a lhe escorrer molhando-lhe as costas, encharcando o vestido preto.

— Seus olhos… seus olhos. — esticou a mão, tocando na face suja, queria observar com clareza as íris avermelhadas.

Sentia-se amedrontada pelos caninos, pela sujeira e pelo líquido rubro escorrendo por entre os lábios manchados pela coloração vibrante.

“Irás saber quando o vir, os olhos vermelhos, intensos, os caninos afiados; você o reconhecerá quando o ver, no instante em que encontrá-lo”, recordou-se das falas do velho senil que cuidou de si quando era somente uma criança inocente diante as maldades do mundo.

Foi neste momento em que se deu conta, notou que havia encontrado a criatura das lendas do pequeno vilarejo, aquele que derrotou o “exército dos mortos”, um dos poucos homens capazes de ludibriar a morte. Tornando-se um imortal, um homem incapaz de morrer, um ser que teme a cruz, um homem incapaz de andar sobre o sol, tornando-se um amante da noite, um refém da lua de sangue.

Pois o comandante foi beijado pela sombra da noite, pela bela dama de vestido vermelho, essa que o teve para si, esbaldando-se com a carne, aproveitando a noite quente.

Beijando a pele marcada pelas cicatrizes da guerra, do treino árduo e intenso na qual ele foi submetido desde a juventude, quando ainda sonhava com belas mulheres e jóias, pedras preciosas, uma riqueza que o homem jamais tocará devido às escolhas movidas pela adrenalina, do desejo pelo desconhecido — aquilo que jamais o pertenceria. A troca de sangue, saliva e sexo.

A bela dama de Madara Uchiha, a mulher casada com a morte, essa que fez do comandante seu amante, deixando-a com a marca da morte cravada em sua alma, fazendo dele um imortal, um homem incapaz de caminhar pelo vale da morte e ser atraído pelas tentações, mesmo indo pelos caminhos traiçoeiros, espreitando-se pelas travessias sinuosas, perdendo-se em meio às trevas.

— O comandante da legião. — sua voz saíra baixa.

— Faz tempo desde que um humano me chamou assim, referindo-se a mim como “o comandante da legião”, sem me chamar de monstro.

— Pensei que fosse somente uma lenda, uma história de terror para manter as pessoas longe daqui, não pensei… digo, não sabia que o senhor era real.

— Agora que sabes, quero que durma pequena, descanse. — ditou.

Hinata queria fazer perguntas, estava curiosa em relação ao homem, ao ser que habita as histórias da vila.

§

Não havia dor ao respirar, o sabor metálico em sua boca a deixou intrigada, sentia a gengiva úmida, empapada com um gosto estranho para si. Havia dormido após as palavras do homem, quando ele ordenou que ela dormisse novamente.

O ambiente não mudou, somente a claridade vinda das frestas. Hinata tentou se sentar, observar com mais cuidado, ignorando a parte suja e fétida da caverna, focando na busca pela “criatura”, do homem que a impediu de sufocar com o próprio sangue e vômito.

— Senhor, onde estáis? — sua voz saíra baixa.

— Fique deitada, seu corpo ainda está se adaptando, por tanto não se mova.

— Oh céus! Preciso voltar! — exclamou, levantando-se apressada, indo em direção a entrada estreita.

— Não — ditou. — Não irás sair enquanto o sol não se esconder.

— Preciso voltar ou então as pessoas…

— Os moradores daquele âmbito de sonsice e mentiras, creio que eles nem ao menos sentiram a sua falta… Mulher, entenda, os humanos, especialmente quando se sentem ameaçados eles se tornam autênticos monstros, tornando-se piores que os monstros de verdade. Sei do que falo mulher, pois vivi mais invernos do que posso contar.

Hinata não gostou da melancolia existente na fala do homem, da amargura presente no rosto pálido, acinzentado como o de um cadáver.

Sabia minimamente da história, do conto do monstro que murmura, que chora e lamenta a cada instante o fato de ser incapaz de morrer. Pois a morte o rejeita quase que com a mesma intensidade em que o amor o nega.

— Se eu descrever, narrar a eles o que eu vi…

— Não! — gritou, aproximando-se dela, fazendo-a encarar as íris avermelhadas devido à ira, a fome insaciável.

Compadeceu-se da dor da mulher, vendo-a regurgitar, engasgando-se com aquilo que fora expelido pelo próprio corpo. Queria aliviar a dor, dando seu sangue a ela, deixando-o com fome em contrapartida. Os animais devorados na noite anterior, quando saiu para caçar não foram o suficiente.

Cada passo dado, o simples piscar de olhos consumia as suas forças, deixando-o esgotado com o menor dos movimentos. Não queria nenhum humano lhe perturbando, roubando-lhe a paz escassa ao seu ser, pois lutar contra si mesmo é exaustivo, esgota tão rapidamente quanto os seus sonhos mais doces.

A doce utopia. Essa que torna-se amarga quando sente o corpo queimar, no instante em que a bile se mistura a fome, em que a razão o deixa, tornando-o um monstro, um ser irracional e incapaz de separar o certo e o errado.

“Tolo! Pensas que conhece o amor, o tangível significado da felicidade, quando na realidade só fora capaz de conhecer os prazeres da carne, um beijo lascivo e uma noite de luxúria… Homem impolido! Tosco ao ponto de ser incapaz de ler o coração de uma mulher, sendo atraído para as sombras, jogado de um abismo e condenado a uma existência patética e miserável”. Recordou-se da fala da “Morte”, quando homem usando roupas de gala, a veste fúnebre, a espada prateada, esta que ele usou para perfurar o seu peito, largando-o à própria sorte.

A primeira noite, quando acordou dentro do quarto clareado pela luz da lua. O cheiro forte vindo das veias de um dos seu mais fiel escudeiro, pode sentir a gengiva coçar, o estômago apertar desgostoso com a ausência de “alimento”.

Não recorda-se do que aconteceu naquela noite, mas seu palácio, a casa dos “Uchihas”, havia caído, o chão manchado de sangue e o emblema de seu clã rasgado ao meio. As vestes tomadas pela cor rubra, essas que antes eram uma singela peça branca que cobria com perfeição o corpo másculo.

Naquele mesmo dia o rei o prendeu, privando-o da luz solar e da beleza da lua. Madara Uchiha, o comandante da legião, tornou-se um monstro, um que teme a cruz e que se curva perante a prata, a besta que o rei adestrou e transformou em um cão de guerra.

— Desculpa… — Hinata curvou-se demonstrando respeito ao imortal.

— Mulher, levante a cabeça, fique ereta, não sou um alguém na qual valha gastar a sua educação.

— És mais velho do que eu, lhe devo respeito, independente de suas origens. — respondeu-lhe simplória, ignorando a face amargurada do homem.

— Não, tu não me deve nada, nem mesmo respeito. — disse tocando no rosto de Hinata, acariciando a face rosada, admirando os lábios entreabertos.

— Obrigada! — exclamou ao tocar nos mãos gélidas. — Obrigada, por ter me ajudado e por cuidar de mim, sou imensamente grata a você por isso.

Madara não queria, já esquecerá a última vez em que encontrou uma mulher tão pura ao seu ver, pois em todos os seus anos ninguém nunca havia lhe agradecido, sorrido verdadeiramente para si. A jovem, essa de nome e origem desconhecida para si, foi capaz de fazer seu coração bater, mesmo que por um mísero e singelo segundo.

§

Hinata não retornou para casa naquela noite, quis provar da bela noite, deleitar-se com a fera insaciável, oferecer-lhe uma recompensa pelo ato de bondade.

O corpo másculo, marcado pela guerra e pelo descuido. Fora banhado por Hinata, essa que acariciou e cuidou dos fios longos, lavando-os com a essência criada por ela, livrando-o o cheiro fétido impregnado nas roupas gastas e em seu corpo, deixando-o com um cheiro doce.

O preço a ser pago se resumia a afeto, um ato de amor. Hinata não compreenderá a fala do homem a princípio, temeu ter confundindo a locação do homem, esse que pediu por um beijo após ter se limpado, no instante em que a puxou para a água molhando o vestido preto da bela dama.

No instante em que ouviu os batimentos acelerados, os dedos longos agarraram os fios molhados, impulsionando a nuca e boca do outro a encontrar-se na sua.

Um desejo crescente, uma luxúria tão lasciva quanto o sorriso dado por ele quando sentiu o aroma floral próximo às narinas, quando os dedos calejados a tocaram no tronco desnudo após livrar-se do vestido molhado, jogando em meio às árvores, deixando-a somente com a roupa de baixo.

Naquela noite, quando a lua passou a refletir sobre a pequena queda d’água, Madara e Hinata tornaram-se um pela primeira vez.

25 Juin 2020 23:39:29 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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