maahheim MaahHeim

Fazem quatro anos que Neji tenta afastar as memórias sexuais com sua prima, Hinata, da cabeça. Quando os dois finalmente se reencontram, tudo que ele quer é ter um dia normal em família - Mas Hinata não está nem um pouco inclinada a deixá-lo esquecer.


Fanfiction Anime/Manga Interdit aux moins de 18 ans.

#romance #drama #hotel #naruto #desafio #família #nejihina #Fanfics-Naruto-Shippers #primos #prima #reencontro #carros #confissão #primo #mmmf
Histoire courte
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Capítulo Único

Voltei à cidade onde cresci para o segundo casamento de meu tio Hiashi. Minha tia morrera muito antes de eu conseguir me lembrar e, desde então, meu tio estivera solteiro. Todas as minhas lembranças dele são como um homem solitário criando eu, órfão, e suas duas filhas com todo o suporte de que ele era capaz. Por tudo isso, eu estava feliz por sua chance de um recomeço, quase vinte e cinco anos depois.


Mas, claro, não estava feliz de estar ali, entrando no salão do luxuoso hotel.


Não era culpa das longas horas de viagem. Nem das luzes brilhantes demais ou do cheiro excessivamente doce das flores espalhadas pelo hotel. Nem mesmo do meu terno levemente desconfortável.


Era culpa dela.


Veja bem: as minhas primeiras memórias sexuais são todas dentro de um carro. Foi dentro de um que experienciei a famigerada primeira vez: O Rover branco que eu vendera há alguns anos carregava memórias de mãos apoiadas em janelas, abafados de duas respirações e adoráveis gemidos em meu ouvido.


Foi o motivo de eu ter me livrado do carro.


Além de ser impossibilitado de dirigir pela ereção que sempre me vinha quando eu olhava pelo retrovisor e lembrava das coisas que eu havia feito sob o banco de couro, as memórias, no geral, me deixavam culpado, infeliz e com saudades.


Por mais que eu minta todas as vezes que a pergunta “Com quem foi a sua primeira vez?” me é dirigida, as memórias ainda vêm, muito claras, à cabeça: Ninguém menos que minha prima, Hinata, totalmente nua, corpo sob o meu, gemendo meu nome – “Neji-niisan, Neji-niisan!”.


Eu gostaria de esquecer. Às vezes, deitado a noite, lembro dela. Das melhores transas da minha vida, com ela. Seu cheiro, a textura de sua pele e seu gosto, todos estão vívidos em minhas lembranças.


Quando isso acontece, me masturbo com uma raiva silenciosa. Fui eu quem escolheu ir embora, então era para eu estar bem. Mas as garrafas de whisky em meu quarto sempre denunciam que não é o caso. Eu nunca mais fui capaz de transar como transava com ela, nunca mais fui capaz de ficar duro como ficava com ela. Minha vida sexual e romântica, quando existia, era patética e incompleta.


Quatro anos depois, as memórias de Hinata Hyuuga ainda me perseguem.


Não tivemos uma reunião nem separação dramática. Morávamos juntos desde a infância e um dia, por algum motivo, transamos no carro que eu ganhara de presente de dezoito anos. Simples assim.


É óbvio que nossas aventuras sexuais não eram algo que minha prima mais nova ou meu tio, que moravam conosco, tinham a menor ideia que existiam. Tratávamos de escondê-las com cuidado, pois aquilo era algo que facilmente desestruturaria toda a - meio que já desestruturada - família.


Mesmo tendo perdido minha tia pouco tempo antes, meu tio me abrigou quando meus pais morreram sem questionar. Assim sendo, éramos poucos, e já tínhamos muita tristeza em nosso nome - ter um casal incestuoso na família não tornaria as coisas melhores de maneira nenhuma.


Logo, eu e Hinata mantivemos essa relação esdrúxula – primos que implicavam um com o outro e agiam normalmente durante o dia para então trepar até ficar sem ar a noite – por dois anos.


Enquanto o começo foi mútuo, a simplicidade do final se deu por mim: A culpa me consumia mês após mês, e um dia eu finalmente decidi que tudo aquilo não era certo e não podia continuar. Não era apenas sexo com Hinata; nunca foi apenas sexo. Eu estava completamente apaixonado, e sabia que chegaria a um ponto em que não conseguiria mais me conter. Toda a situação começara a me dar crises de ansiedade horríveis.


Então, aproveitando uma bolsa em uma faculdade distante, resolvi deixar tudo para trás, me mudando para uma cidade há seis horas de distância.


Hinata não disse nada sobre a minha decisão, não até o último dia. Nós mantivemos a farsa de casinha até o último momento, ainda transando sempre que nos era dada a chance... Então, quando eu finalmente peguei meu Rover para dirigir de uma vez por todas para a distante cidade para a qual eu me mudaria, Hinata se aproximou para um último abraço e, antes de me soltar, murmurou em meu ouvido:


- Covarde.


Eu não tinha como responder ou questionar com o resto de nossa família ali, então, pateticamente, entrei em meu Rover e fiz a viagem até minha nova vida.


Depois disso, nunca mais nos falamos. Eu olhava seu perfil nas redes sociais às vezes, mas parei com o passar dos anos ao perceber que era uma tortura. Vê-la com outras pessoas era simplesmente intragável.


Tentei transar com outras mulheres e até namorei, mas, como disse, nunca mais experienciei o que tive com Hinata. Nossos corpos simplesmente encaixavam. A desgraçada era um anjo durante o dia - tímida e absolutamente inofensiva –, mas à noite se tornava um demônio feroz e insaciável, que me devorava por inteiro.


E é claro que são todas essas memórias sexuais intensas que me vêm à cabeça no segundo em que a vejo na merda do bar do lobby do hotel.


Eu mal tinha entrado no salão principal quando, ao virar a cabeça para a esquerda, me deparei com ela.


Meu carro, não mais um Rover, está estacionado do lado de fora. Eu, não mais o cara que transa com Hinata, estou de terno parado no salão do hotel...


E ela está ali, com os misteriosos cabelos negro azulados de sempre, expressão tímida no rosto, bebericando uma bebida colorida. Como se tivesse parado no tempo.


Quando tomei a decisão de deixá-la, nunca tive dúvidas, ainda que doesse. Sabia que era a coisa certa a se fazer.

Mas fico tão surpreso em vê-la pela primeira vez depois de todos aqueles anos que preciso de alguns segundos para me recompor.


Felizmente Hinata não está olhando em minha direção, e não percebe o quão desconcertado e perdido eu fico ao vê-la. No momento em que finalmente consigo colocar uma expressão que não seja embasbacada em meu rosto, minha prima mais nova e irmã dela me vê e grita por mim:


- Neji-niisan!


Eu tinha ficado tão afetado com a presença de Hinata que não havia percebido Hanabi, sua única irmã, sentada ao seu lado. A jovem, agora com dezenove ou vinte anos, salta da cadeira alta do bar e corre na minha direção:


- Quanto tempo! Eu não acredito que papai precisou se casar pra você voltar pra cá! – Ela prossegue, sorrindo alegremente enquanto vem até mim.


Mas mal estou prestando atenção no que Hanabi diz. Não achei que toda a situação fosse me deixar tão ansioso, mas meus olhos continuam focados no bar. Hinata percebera minha presença com o grito da irmã, e seus olhos perolados tinham se voltado para mim.


Seu rosto tem uma expressão neutra. Ela continua a beber sua bebida colorida com um canudinho, e parece absolutamente não afetada por minha presença. Então, levanta calmamente e vem em minha direção também.


Observo o vestido azul bebê que ela traja para o casamento. Ele contrasta tanto com seus olhos quanto com seus cabelos. O decote me faz lembrar de coisas que não devia, e a pele exposta em seus ombros e pescoço também. Tenho vontade de suspirar.


Então, me contenho. É apenas minha prima, penso. Ela chega perto o suficiente para falar comigo:


- Neji-niisan. - Diz. - Que bom que você pôde vir.


- Né? Quase um milagre! – Hanabi complementa, mal me dando tempo para absorver as palavras de Hinata. – Faz tempo que não ficamos os três assim. Apesar que quando eu era mais nova vocês mal me davam atenção...


Hinata ri. Percebo que eu tinha esquecido que o quão adorável era sua risada, mas ela ainda soa excruciantemente familiar.


- Não é verdade. Mas eu e Neji-niisan tínhamos a mesma idade, então—


- Então vocês me deixavam de lado! – Hanabi interrompe Hinata para complementar. – Sinceramente, voc-... Ah! Neji-nii, espera aqui! Meu namorado já chegou e preciso apresentá-lo pra você!


Como o furacão que é, Hanabi sai correndo de novo. Não lembrava que ela tinha um namorado. O tempo passa, pondero.


Então lembro que Hinata continua parada na minha frente, e que estamos sozinhos.


- Esse vestido ficou ótimo em você. – Comento casualmente, como um primo normalmente faria. Ainda que tenha problemas derivados de nossa relação até hoje e que não a tenha superado como deveria, não posso agir dramaticamente ou pateticamente. Eu e Hinata não temos mais nada.


Ela arqueia as sobrancelhas para meu comentário, parecendo genuinamente surpresa.


- O terno também cai bem em você. – Ela responde, descendo o olhar de meu rosto para minha roupa. – Mas...

- O quê? – Sorrio, esperando uma implicância.


Implicar era algo que fazíamos com frequência quando estávamos “sendo primos que definitivamente não transam” na frente de meu tio e Hanabi, e era algo que vinha naturalmente. Se ela agisse naturalmente comigo, facilitaria com que eu agisse naturalmente com ela. Estávamos indo no caminho certo.


- Mas você devia resolver o problema aí embaixo, niisan. – Ela torna a me encarar, o rosto sem expressão.


Demoro meio segundo para entender o que ela está falando, e então fico chocado. Eu tinha percebido que estava tendo uma ereção, é claro, mas não imaginava que ela estivesse perceptível.


- Eu... – Começo a dizer, mesmo que eu não faça a menor ideia de como continuar.


- Você deveria ir ao banheiro resolver. – Ela sugere, parecendo não se importar que eu estou suando frio e completamente desconcertado. – Hanabi está voltando.


Sem saber o que dizer ou como agir, simplesmente dou as costas para ela e acelero o passo o mais rápido possível na direção que eu acredito que seja o banheiro.


Assim que entro nele, me tranco em uma das pequenas cabines e olho para baixo. Lá está a maldita ereção entre as minhas pernas, ridiculamente perceptível na calça do terno. Não posso acreditar. Quantos anos fazem que não tenho uma ereção como aquela?


Sento sob a tampa do vaso sanitário depois de abrir a calça e abaixar a cueca. Ao invés de me masturbar, entretanto, coloco ambas as mãos no rosto. Hinata tinha percebido minha ereção, chamado minha atenção para ela e falado dela como se não fosse nada demais.


Tento controlar a respiração e o rubor que se espalha pelo meu rosto, sem muito sucesso. Para meu desespero, a ereção também não se vai. Tento pensar em coisas aleatórias que não me deixem excitado, mas os olhos perolados de Hinata, tão parecidos com os meus, me vêm à mente todas as vezes, e continuo duro como um poste.


Suspiro exasperadamente. A existência dela vai mesmo fazer com que eu me masturbe em uma cabine de banheiro aleatória momentos antes o casamento do meu tio? Pensando na filha dele?


Quase grunhindo, seguro meu pênis na mão.


. . .


Depois que termino, passo lenços nas mãos e as lavo, repleto de culpa e frustração. Hinata estava brincando comigo. Por quê?


Checo o relógio do celular. A cerimônia começará em vinte minutos. Não é tempo o suficiente para fazer qualquer outra coisa além de seguir para o local do evento.


Saio do banheiro fingindo que estou desligando de uma ligação muito importante – a desculpa para ter ficado alguns minutos trancado lá dentro – mas, ao sair, percebo que nem Hinata nem Hanabi estão mais no bar ou no salão principal do hotel. Ninguém me espera do lado de fora.


Suspiro com alívio; se ninguém me espera lá fora, ninguém sabe o tempo que eu passei no banheiro. Deixo as preocupações para trás e acelero um pouco o passo para não me atrasar.


Quando chego no salão onde o casamento acontecerá, vejo que os lugares já estão todos ocupados. Lá na frente consigo ver meu tio conversando com os padrinhos, parecendo meio nervoso. Tenho uma leve vontade de sorrir. Ele me vê e acena para mim com um grande sorriso, e eu aceno de volta. Não deu tempo de cumprimenta-lo direito, mas ao menos ele sabe que estou aqui, pondero.


Os lugares para familiares são na frente, mas vejo que Hanabi está sentada mais atrás, perto da porta principal por onde eu entro. Como sempre, ela me vê antes que eu possa dizer alguma coisa:


- Neji-niisan! Você desapareceu! - Ela exclama. - Eu nem pude te apresentar meu namorado. Konohamaru, esse é meu primo, Neji! Neji-niisan, esse é Konohamaru!


Olho para o garoto sorridente na minha frente. Ele se levanta de seu lugar para apertar minha mão.


- Muito prazer! Hanabi e Hinata-san sempre falam muito de você.


Agradeço, me controlando para não erguer as sobrancelhas em surpresa. Hinata fala de mim? Bom, é claro… é natural, já que sou seu primo. Mas se ela fala de mim tão naturalmente, por que ela brincou comigo daquele jeito? Aquilo não tinha sido uma provocação ou brincadeira e sim um conselho amigo?


Um conselho amigo sobre eu estar tendo uma ereção?


- Preciso ir pro meu lugar. - Digo. - A família do noivo fica do lado esquerdo ou direito?


- Direito. - Ela responde. - Hinata-oneesama já está lá. Eu vou daqui a pouquinho também.


Confirmo, me despeço de Konohamaru e sigo para próximo do altar. Como Hanabi disse, Hinata já está lá, cutucando suas cutículas distraidamente enquanto espera o começo da cerimônia. Me pergunto se me sento ao seu lado ou se vou para o outro lado do banco. Como eu, ela e Hanabi somos a única família de meu tio, ocuparemos o enorme banco sozinhos.


Parece estúpido evitá-la propositalmente - ainda que faça sentido depois do que aconteceu mais cedo -, então simplesmente sento ao seu lado com naturalidade.


Ela para de cutucar as unhas e olha para mim.


- Niii-san, você resolveu o problema rápido.


Olho para ela.

- Por que você está fazendo isso? - Pergunto, e minha voz ríspida me faz perceber o quão frustrado estou. Mesmo nunca tendo superado Hinata como deveria, estou fazendo um esforço para sermos família de novo. Enquanto isso, ela age daquela maneira.


Ela arqueia as sobrancelhas.


- Fazendo o quê?


Olho para a frente, resolvendo que irei ignorá-la. A Hinata que eu conhecia era doce, empática e gentil. Não conheço a mulher que está se fazendo de sonsa ao meu lado.


Eu sabia que não devia ter vindo, penso.


Percebo com o canto de olho que Hinata brinca com os dedos nervosamente, um hábito que ela tem desde criança. Então, ela suspira:


- Desculpe. - Ela murmura. - Não queria te deixar bravo, nii-san.


Olho para ela. É apenas Hinata, que tentava costurar minhas camisas mesmo não sabendo costurar direito; que conversava comigo sobre seus livros favoritos.


Abro a boca para responder, mas no mesmo segundo Hanabi senta ao meu lado apressadamente, e a marcha nupcial começa a tocar.


. . .


A cerimônia se deu como todas as cerimônias de casamento: Juras de amor eterno e afins. Algumas crianças da família da noiva foram as responsáveis pelas flores, alianças e demais formalidades. Hanabi e Hinata, como eu, pareciam igualmente felizes por seu pai.


Não estava prestando toda a atenção que deveria à cerimônia, entretanto. Queria conversar com Hinata, e estava ansioso para que toda a formalidade terminasse de uma vez para que pudesse fazê-lo.


Aparentemente eu não era o único pois, quando tudo terminou e os noivos saíram para ser cortejados, Hinata segurou meu braço de imediato:


- Nii-san, podemos conversar?


A festa do casamento se daria dali a alguns minutos, então sair de fininho não parecia uma boa ideia. Respondo:


- Podemos.


Ainda assim consertar as coisas com Hinata para voltarmos a ser família era prioridade.


Em silêncio, vamos até a frente do hotel. O movimento excessivo de pessoas, entretanto, logo me desanima. Não podemos conversar ali.


- Meu carro está no estacionamento. - Ela diz. - Podemos conversar lá.


Entrar em um carro junto com ela quase parece uma armadilha, mas Hinata fala com tanta naturalidade que começo a achar que estou pensando demais.


Andamos até o estacionamento à céu aberto onde, para minha surpresa, avisto um Rover branco. O universo parece estar pregando uma peça em mim. Quando Hinata começa a andar na direção dele, ao invés de na direção de qualquer outro carro, penso que definitivamente estou em uma armadilha criada por um ser superior.


Hinata percebe meu olhar e diz:


- Papai não tem muita criatividade para carros.


Ela entra no banco do motorista e eu no do passageiro, algo diferente do normal. Antes apenas eu dirigia, então era ela quem sempre estava no passageiro. Ainda que seja uma coincidência que estejamos em um Rover branco quatro anos depois de eu ter ido embora, o tempo de fato passou, e as coisas não são mais as mesmas.


O pensamento me conforta. Ou pelo menos gostaria que confortasse, mas sinto uma dor aguda no peito.


Me sinto zonzo de repente, como se as coisas tivessem acontecido rápido demais e eu não soubesse mais porquê estou ali. Sinto falta do meu quarto e das garrafas de whisky. Sinto falta do conforto, do “não ter que lidar com problemas”.


Cerro os punhos.


- Eu achei a cerimônia bem bonita. - Hinata comenta distraidamente. - Eu ajudei a escolher as-

- Então, você vai ou não me dizer por que está fazendo isso tudo? - Pergunto, soando ríspido outra vez. Hinata, que parecia estar confortável, se apruma de repente, e dirige o olhar para mim.

- Isso tudo? - Ela questiona, como se tivesse sido pega de surpresa. - O que aconteceu mais cedo? Eu só comentei… Eu já pedi desculpas.

- Não é o suficiente. - Respondo. - Por que você teve que fazer aquilo? Para me humilhar? Eu só queria ter um dia normal com a minha família. Por quê, Hinata-sama?


Sei que estou sendo grosso; percebo pelo olhar de Hinata que a estou magoando. Mas estou agoniado. Agoniado porque a deixei por saber que era o melhor para nós dois, ainda que não a quisesse deixar. Agoniado por ter vivido quatro anos de merda enquanto ela se divertia com seus namorados por aí, para voltar e tê-la me provocando sobre ter uma ereção ao vê-la.


- P-por quê? - Ela gagueja e de novo vejo a Hinata de antes, muito antes; antes das aulas de fonoaudiologia, antes dos psicólogos. A Hinata que se escondia atrás de mim sempre que íamos conhecer uma pessoa nova.

- Sim, por quê? - Estou quase gritando agora.

- P-Porque você me deixou! - Ela grita. - Porque eu nunca passei de sexo pra você! Porque você nem se deu o trabalho de falar comigo antes de ir embora! Porque você volta, de cara lavada, quatro anos depois, e tem a pachorra de elogiar o meu vestido como se não fosse nada demais, como se tivesse esquecido de tudo! Você nunca se desculpou! Você nunca se desculpou, nii-san!


O que era para ser uma conversa muito naturalmente se tornou um festival de gritos. Estamos dentro de um carro e podemos nos ouvir com facilidade, mas berro de volta:


- Do que você está falando? Você acha que minha ereção foi pelo quê? Aleatória? E por que eu me desculparia de ter ido embora, se era o certo a se fazer?


Ela está com lágrimas nos olhos, e acredito que eu esteja também. Consigo sentir meu rosto vermelho, e meus punhos tremem. Se ela soubesse, penso, se ela soubesse todos os meus sentimentos nesses anos…


- Certo a se fazer? Certo pra quem? Certo por quê? Você é idiota, nii-san? - Fico surpreso por ela me chamar de idiota, e franzo a testa com raiva. - Por que você acha que eu te chamei de covarde quando você foi embora? Como eu vou pensar que eu não fui nada além de sexo pra você se você me deixa e depois age como se nada… Como se nada tivesse acontecido?!


Ela está chorando agora, e sua gritaria é interrompida por ocasionais soluços.


- É claro que eu me importo, meu deus. - Digo, exasperado. - Você não entendeu… Você não entende que essa é a coisa certa a se fazer? O que seu pai ia pensar se soubesse da gente?


- O papai sabe! - Hinata exclama, em prantos. Consigo sentir meu rosto empalidecer. Lembro de meu tio acenando para mim há pouco. Ele sabe?


- Como… Como ele sabe? - Murmuro, perdido.


- Porque eu falei, é claro! - Ela responde, soluçando.


Estou em choque. Hinata prossegue, explicando:


- Quando… Quando você foi embora eu… Eu entrei em depressão e… Ele entendeu que tínhamos algo e veio me perguntar se eu gostava de você.


Não consigo acreditar no que estou ouvindo. Tudo que consigo fazer é encará-la de olhos arregalados, travado.


- Eu disse que sim… E… E ele disse que tudo bem. - Ela funga. - Porque a gente não escolhe por quem se apaixona e… e ele só queria me ver feliz…


- Mas… - Murmuro. - Mas eu sou seu primo.


- Você é a única pessoa que liga pra isso! - Ela grita de repente. Então, fala baixinho, esfregando os olhos: - Você é um idiota… um idiota…


As palavras sussurradas dela machucam. Não consigo ver falhas na minha lógica de ir embora ou de acreditar que nosso relacionamento poderia acabar com nossa pequena família. Por isso, só consigo argumentar:


- Mas você teve outros namorados. Eu vi as fotos no facebook… com você feliz dando… dando selinhos em um cara...


Ela arregala os olhos e começa a rir uma risada amarga.


- O Naruto? Meu amigo gay da faculdade? - Ela balança a cabeça negativamente, e volta a chorar mais. - Eu disse pra aquele idiota não postar aquela foto…


- Mas… - Tento.


- Mas nada, nii-san! - Ela me corta. - Eu tentei ficar com outras pessoas, e nunca deu certo. Eu… Eu não sei se você gosta de mim..., mas eu gosto de você, eu sempre gostei de você.


Não sei nomear ao certo a confusão de sentimentos dentro de mim. Estou arrependido de tê-la deixado - como sempre estive -, mas agora me arrependo de verdade, por achar que fiz tudo aquilo por nada.


- E eu sinto que você nem mesmo tentou… - Ela murmura, soluçando. - Você nem mesmo tentou por mim. Eu achei que… Eu achei que nós fôssemos…


E eu tinha achado também. Eu tinha sentido também. Eu conseguia compreender a frustração dela e a dor dela com facilidade. Sempre achei que tivesse indo embora para consertar tudo, mas tinha sido eu a estragar as coisas.


Eu poderia ter ficado e resolvido tudo junto com ela, mas ao invés disso eu nunca sequer contei que a amava.

Eu não permiti que déssemos certo.


- V-você não vai falar nada? - Ela pergunta.


Estou de testa franzida com os olhos cheios d’água, mas não sei o que falar ou como pedir desculpas. Não faço ideia de como expressar tudo que reprimi em todos aqueles anos.


- Eu... Eu só... fiz o que eu achei que fosse a coisa certa. – Tento.


Sei que minha tentativa é horrorosa. Consigo ver que a resposta não a agrada. Não estou falando o que devo dizer, e sei disso. Hinata não sabe que todas as minhas experiências sexuais e relacionamentos depois dela foram um desastre; ela não sabe o quanto eu sofri, ela não sabe o quanto eu ainda sofro.


Para Hinata, estou inventando desculpas. É como se eu a tivesse rejeitado... E a estivesse rejeitando de novo.


- Desculpe. – Ela murmura, de cabeça baixa. – Você está certo, nii-san. Eu sempre soube que a sua prioridade era a família... Eu nem sei por que eu...


Então, sem terminar, ela começa a abrir a porta do carro.


Tento pensar racionalmente nos segundos que tenho antes que ela vá embora. Tento, pois consigo sentir a crise de ansiedade, tão familiar, vindo.


Meu tio Hiashi sabe, lembro. Provavelmente não em detalhes – não do sexo -, mas ele sabe que havia algo ali. E sabe há anos, sabe desde que eu fui embora.


A culpa é tanta que não consigo respirar: Culpa pela depressão de Hinata, por eu ter ido embora, por meu tio saber.


Racionalmente, repito em minha cabeça, controlando a respiração, tentando pensar no que dizer a ela.


Mas, percebo, Hinata já bateu a porta do carro e foi embora, sem me dar chances de me explicar.


Encaro as costas dela enquanto ela anda pelo estacionamento, indo de volta ao hotel. Suas mãos vez ou outra sobem para seu rosto, provavelmente enxugando lágrimas.


Ah, percebo, eu estou cometendo o mesmo erro de novo, não estou?


Meu celular apita no bolso, sinalizando uma mensagem nova. Eu o pego mecanicamente, ainda sem conseguir conceber exatamente tudo que acabou de acontecer. Hinata já andou metade do caminho até a porta do hotel.


A mensagem em meu celular, para minha surpresa, é de Hanabi. Talvez querendo saber onde eu e Hinata fomos. Clico nela.


“VAI ATRÁS DELA, SEU IDIOTA”


Tomo um susto e olho ao redor, confuso. Então vejo Hanabi do outro lado do estacionamento, junto de seu namorado, encostada em uma picape. Ela acena compulsivamente para mim com as mãos. Acho que está me dando dedo do meio, mas está escuro demais para saber.


Hanabi também sabe.


Pisco. Meu tio sabe. Hanabi sabe.


Eu estou fazendo com que eu e Hinata soframos sem necessidade nenhuma. Estou tentando proteger nossa família de algo com o qual ninguém se importa. Meu tio não me destratou, apesar de saber – lembro do sorriso e do aceno para mim – e muito menos Hanabi – que parece estar para morrer por eu não ter saído do carro ainda. Era óbvio para todo mundo que nos gostávamos, e só eu não percebia.


Hinata e Hanabi estão certas.


Eu sou um idiota.


Abro a porta do Rover branco com violência e salto do carro, correndo atrás de Hinata com todo o ímpeto que tenho. Eu estava me enganando esse tempo todo: Não quero voltar para as garrafas de whisky, não quero ter que mentir sobre a minha primeira vez, não quero ter que esquecê-la, não quero ter que fingir que não a amo.


Eu devia ter tacado o foda-se para a família em primeiro lugar, me permitido tentar. Hinata é mais importante; ela sempre foi mais importante.


A alcanço quase na porta do hotel, e a puxo pela mão com tanta força que ela se assusta. Quando vira para mim, seu rosto está vermelho e marcado de lágrimas.


- A única coisa que eu consegui pensar quando te vi foi que eu me arrependia de ter te deixado! – Digo, quase gritando, ainda que sinta meu rosto em chamas. – Eu me arrependo todos os dias! Eu nunca consegui me envolver romanticamente com mais ninguém, eu nunca consegui amar mais ninguém, o sexo nunca foi o mesmo com mais ninguém! Eu amo você, eu amo você desde que eu conheci você, eu não consigo nem mesmo lembrar desde quando eu amo você! Sempre foi você, Hinata-sama! Você está certa, eu sou um grande idiota! Eu não devia ter te deixado, e eu devia ter te puxado pela mão antes, no carro! Eu... Eu sou covarde e eu achei que amar você fosse acabar com toda nossa família—eu errei, eu tomei a pior decisão da minha vida e eu não quero ficar longe de você nunca mais!


Hinata me encara com uma surpresa muda: Seus olhos estão arregalados e lágrimas escorrem deles. Uma mão, a que eu não seguro, cobre sua boca. Ela está tremendo.


- Desculpe, Hinata-sama. – Falo, e sinto minhas próprias lágrimas escorrendo. – Eu achei que estivesse fazendo a coisa certa, mas tudo que fiz foi você sofrer.


Então ela segura minha mão de volta e fica na ponta dos pés, fechando os olhos para expulsar suas últimas lágrimas e para permitir que eu a beije.


Sei que Hanabi provavelmente está olhando. Estamos perto da porta do hotel também, e sei que há diversas pessoas observando nosso pequeno show.


Mas pela primeira vez na vida, não me importo.


Uso a mão livre para envolver seus ombros e trazê-la para mais perto, e então, finalmente, a beijo.


O gosto dos lábios de Hinata é familiar, ainda que mais salgado do que me lembro. Por causa de suas lágrimas, percebo. A aperto com mais força, tentando afastar toda a dor que causei.


Sinto que ela relaxa e aprofundamos o beijo. Quando nossas línguas se encontram, a sensação de choque que perpassa meu corpo é quase transcendental. Não sinto aquilo desde a última vez que a beijei. Nenhum beijo chegou perto daquele. Nenhum beijo poderia chegar perto daquele...


Hinata ofega. Ela parece sentir a mesma sensação de choque que eu, pois sua mão livre subitamente sobe para meus ombros também. Senti-la me tocando faz com que eu desça a mão para suas costas, puxando-a ainda para mais perto. O beijo, primeiramente romântico, agora se torna mais intenso, demonstrando toda a saudade que estávamos sentindo um pelo outro---


Então, de repente, Hinata se afasta.


- N-nii­-san. – Ela gagueja. – Estamos em público...


Novamente sou lembrado dos olhares ao nosso redor, e enrubesço fortemente.


- Desculpe. – Digo, sem-graça. – Eu só...


Hinata brinca com a barra de meu paletó timidamente.


- Você é uma pessoa oito ou oitenta. – Ela murmura.


- Desculpe. – Repito. - Mas você entendeu? Você nunca foi apenas sexo. Eu amo você. Eu sempre amei você, Hinata-sama.


Hinata encosta a cabeça em meu peito, vermelha de vergonha.


- Você é mesmo uma pessoa oito ou oitenta, nii-san... – Ela torna a dizer. – E eu peço pra você parar de me chamar de Hinata-sama desde sempre... E-eu... Eu sou sua, então você pode me chamar só de Hinata.


- Ok. – Digo, a abraçando, sentindo meu rosto tão vermelho quanto o dela. – Ok, Hinata. Eu prometo que nunca mais vou deixar você de novo.


Hinata me abraça de volta.


- Ótimo. É uma promessa então. – Ela murmura. – E eu sei que meio que já disse, mas eu também amo você, nii-san. Desde sempre... e para sempre.


Suspiro, quase chorando. Dentro do meu ser eu sempre quis escutar aquelas palavras e poder retribui-las livremente.


Hinata se afasta, sorrindo, e segura em ambas as minhas mãos:


- Vamos para a festa, então? Acho que merecemos um pouquinho de diversão depois de tudo isso.


Concordo com a cabeça. É claro que merecíamos.


Então seguimos, dessa vez segurando as mãos e sem vergonha do que somos ou de quem somos. Estávamos perto um do outro, como sempre quisemos estar.


FIM

.

.

OLÁAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, GENTE LINDA! Meu deus, como eu suei pra trazer essa fic a vida! Ela foi escrita para o desafio Music makes me feel do grupo Fanfics Naruto Shippers!


Como vocês bem sabem, meu talento natural é ser horrível com prazos e ter dificuldade de escrever algo que preste dentro de uma temática. Quando vi Closer da Halsey com o The Chainsmokers nas opções do desafio, entretanto, eu gritei “SEXO EM CARROS” e peguei-a num impulso, sem fazer a menor ideia do que fazer. Doida, né? ENFIM! Hoje, no penúltimo dia antes do prazo do desafio, consegui dar um tratinho na versão horrorosa que eu tinha feito anterior!


Espero que tenham gostado de como tudo terminou T_T ERA PRA TER SIDO CURTA, MAS AS COISAS SAÍRAM DO CONTROLE E ACABOU QUE ELA SE TORNOU MINHA ONESHOT MAIS LONGA DE TODOS OS TEMPOS!!! MAIS DE 5000 PALAVRAS GENTE! NEJIHINA PQ FAZES ISSO COMIGO?


Enfim, é isso! Um dia eu ainda consigo continuar A Nossa Distância também - que tem uma vibe parecida, só que com pelo menos 9 páginas de sexo intenso...


BEIJOS E ATÉ A PRÓXIMA!~

16 Juin 2020 18:35:38 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

A propos de l’auteur

MaahHeim Estou no mundo das fanfics desde o orkut, e dos livros desde que me percebo como gente. Também adoro animes, mangás e jogos. Tentando voltar a escrever ♥

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