shinia Bar-t-t-tender

Atsushi gosta de fins de tarde amarelados e noites em claro conversando com Kyouka, mas odeia a realidade e as manchas escuras no canto de seu quarto.


Fanfiction Anime/Manga Déconseillé aux moins de 13 ans.

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É basicamente um AU onde Atsushi, por não ter sido expulso do orfanato, não conheceu ninguém da agência e passa os dias imaginando a realidade apresentada no anime/mangá.


A beleza de Yokohama se intensificava nos finais de tarde. As cinco e meia do período vespertino era sempre o ponto alto do dia. Onde, quase sempre pela janela do trem, Atsushi podia apreciar com calma a paisagem amarelo alaranjada depois de um dia de trabalho árduo.

A ponte férrea sempre parecia derreter à frente, e ele se inclinava para ver melhor a água dourada do rio, sem se importar com o quão infantil suas mãos espalmadas no vidro e o olhar brilhante poderiam soar aos passageiros ao redor.

Kyouka ou Dazai muito provavelmente seriam suas companhias nesses fins de tarde, e independentemente do que viessem conversando, o assunto sempre morria quando os olhos de Nakajima encontravam o brilho dos edifícios de vidro.

Ninguém interrompia aquele momento. Em vez disso, faziam da contemplação de Atsushi a sua própria. Exceto Ranpo, que não via valor nesses devaneios. Os outros ficavam à borda desse mundo de pequenas belezas que só Nakajima parecia perceber, sem, de fato, adentrarem. Não havia interesse em compreender aquilo.

De tempos em tempos, o próprio sempre acabava soltando algum comentário sobre os motivos de sua admiração excessiva – embora esses, quase sempre relacionados ao passado no orfanato, por vezes deixassem o gosto amargo de uma existência azeda na boca.

Mas a sensação passava com as travessuras de Dazai, ou quando Kyouka fazia algum comentário inocente, embora seco e preocupante. E então, Kunikida poderia começar a gritar com Osamu e Haruno poderia começar a explicar pela terceira vez naquela semana o porquê de a jovem não poder fatiar pessoas e espalhar pedaços de corpos em sacos de lixo pela cidade, por mais ruins que elas possam vir a ser.

Era uma vida feliz, apesar das crescentes tensões com a Decadência dos Anjos. Atsushi finalmente poderia dizer que encontrou seu lugar ao sol. Ali, ele se sentia merecedor de sua própria existência.

E naquele mundo de sonhos, ninguém poderia corromper suas conquistas. Ou arrasta-lo de volta para dentro dos velhos portões enferrujados. E no final, eles sempre venceriam. A agência continuaria viva. E mesmo que não passasse de uma idealização nunca levada além das enferrujadas barras de ferro do porão, ele se sentia bem só por ter algo para se prender à vida.

Naquele mundo de sonhos, ele poderia sentar no banco próximo a janela e admirar o pôr do sol.

Naquele mundo de sonhos e bonitos fins de tarde, as queimaduras em suas costas não passavam de lembranças de uma dor antiga e quase acobertada por tantos acontecimentos bons.

O som das corretes arrastando no chão de cimento queimado é feio e contínuo. Ecoa através das paredes de pedra do subterrâneo.

Água do teto pinga no balde velho amassado, e um grilo tenta em vão apoiar as patas finas no alumínio frio que se estende até o céu – quem vai saber? Para um bicho tão pequeno, um palmo e meio pode ser muita coisa.

O encanamento velho fez manchas de água no teto branco, mas não é de todo mal. Ele dorme contanto as manchas. É quase como contar ovelhas para quem nunca viu, de fato, uma ovelha. Porém, ele sempre vai preferir ir dormir contanto as estrelas do céu da sua Yokohama imaginária, talvez por ser da natureza do ser humano só desejar o que não tem.

Se sua Yokohama exibisse uma noite de chuva, ele poderia contar as falhas na madeira do armário onde passou a dormir depois que Kyouka mudou-se para seu apartamento, e ela viria socorrê-lo caso tivesse algum pesadelo. O deixaria saber (daquele jeitinho dela) que era querido.

Não o deixaria chorar sozinho.

Aquele frio não lhe atingiria mais.

Só queria ter aquela vida por um dia. Bastava isso. Depois, se agarraria à mais ínfima esperança para continuar acreditando no amanhã sem a preocupação de crescer tão amargo quanto os adultos que por lá viviam.

Acorde. — Ninguém mais lhe dirigiria palavras em tons tão duros, exceto Akutagawa. E ele poderia lidar muito bem com isso.

Apesar do estado de quase sonho, a tapa se fez doída e audível. O jovem adulto abriu os olhos heterocromáticos num espanto ofegante, como se finalmente despertasse de um pesadelo.

Sob o peso do metal frio sufocando seu pescoço – uma coleira. Passara a usar aquilo nos últimos tempos, sabe-se lá por que –, a dor das feridas recém-abertas e ainda, o frio do chão que nunca estava completamente seco, a ardência da mão na bochecha não tardou a ficar em terceiro plano.

A sombra do homem de branco se projetava acima, tampando a pouca luz que ainda entrava ali.

Parcialmente encoberto pelas sombras, o diretor assumia uma expressão ainda mais cruel. Condizia com seu gênio, afinal.

Ele não deu segundas ordens. As costelas de Nakajima sentiram o peso das botas com biqueira de aço. Por bem ou mal, seus sentidos terminaram de despertar.

Vagabundo.

A velha maleta de couro pendia em uma das mãos. Era semana de lua cheia, então. Ele geralmente se esforçava para esquecer isso. Conseguia dormir melhor quando fingia não conhecer o calendário do diretor.

Atsushi respirou fundo. Os ossos estralaram quando juntou forças para levantar; se não tratasse de se sustentar com as próprias pernas, o homem o faria.

A mão ossuda apertava a barriga por baixo do pano áspero da camisa. As cicatrizes se destacavam bem no couro esticado das costelas.

Ele queria chorar.

No final da sala, por trás dos ombros do diretor, marcas de sangue velho ainda podiam ser vistas no chão. Quase sentia a sensação da corrente elétrica atravessando o corpo quando lembrava o cheiro do líquido vermelho e o queimado dos circuitos após as quartas-feiras nubladas.

... O que aconteceu com aquele cientista de cabelos brancos?

O olhar do homem foi do portão aberto da cela até os olhos fundos do rapaz.

— Vá para fora.

As feridas escuras formigam sob o sangue seco. Ele não tem certeza, mas depois de três dias, elas devem feder. O porão é um pouco maior do que gostaria de lembrar. E a madeira nas paredes do corredor apodreceu com o passar dos anos.

O diretor não precisa mais amarra-lo às cordas. Atsushi se pergunta se para o homem, isso significa uma vitória.

Dazai era um ex-mafioso experiente em torturas. Yosano, uma doutora meio sádica, porém satisfatória em seus resultados. Mas pensando bem, a agência toda compartilhava de leves traços de sadismo – até Kenji, em certos momentos.

Seria esse os resquícios da tortura do mundo real adentrando seu universo dos sonhos?

Ele sentou na velha mesa de ferro. Agora, o diretor não precisava mais ordenar, nem regular as pernas da mesa.

Um pesadelo.

Já era hora de Kyouka acorda-lo.

A maleta é colocada na bancada ao lado. Os bisturis brilham sob a luz amarelada.

— Você sabe por que eu faço isso?

— Porque você me odeia.

Os cantos da boca se curvam em algo que não pode ser chamado de sorriso.

— Resposta correta.

No mundo ideal, Kyouka o chama mais uma vez.

12 Juin 2020 18:10:41 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

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Bar-t-t-tender Olho de frente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história porca

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