shinia Bar-t-t-tender

— Mas o que a gente tá fazendo com a nossa vida? — Meis pergunta. — Estragando. — Gueira responde. E então, tudo faz sentido.


Fanfiction Anime/Manga Déconseillé aux moins de 13 ans.

#lio-fotia #promare
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único

A garrafa esverdeada suava no chão de paralelepípedos tortos. Estava meio suja da metade para baixo, com os grãos de areia grossa se atando à água gelada, saindo nas mãos de quem pegasse por lá. Era quase meia-noite e o chão ainda cheirava ao piche novo e sereno quente do fim de tarde.

Fazia calor mesmo ou estavam apenas bêbados? Ninguém sabia. Talvez fosse a primeira opção, ou a segunda, ou as duas juntas — uma terceira —, ou quem sabe fosse a quarta opção. Se bem que, não, talvez não. Não existia uma quarta.

Às vezes, não existe nem uma segunda.

Ali, naquele momento, não sabiam se existia uma segunda opção, mas novamente, estavam bêbados demais para afirmar qualquer coisa.

Meis deitou na calçada em algum momento. Os olhos bem fechados, como se dormisse. Não dormia, parecia impossível fazê-lo por mais sonolento que estivesse. Era uma daquelas raras noites onde “dormir” parecia justamente a pior coisa a se fazer. Lio tentou deitar com ele, mas era uma calçada estreita, e o estômago se revirou quando se mexeu. Desistiu.

Gueira estava sentado na rua, bem de frente para eles. Ainda tinha o baralho velho em mãos, mas do jogo mesmo haviam desistido há muito tempo. Nem Lio via mais diferenças entre copas e espadas.

Ele estava enchendo o copo quando o moreno atrás de si riu amargo. Meio baixo, rouco. A rua era escura e silenciosa e eles eram os únicos vagabundos jogados por ali num dia de semana.

— Eu não sei que porra tô fazendo da vida... — Disse, passou as mãos nos olhos, riu com a ardência.

Lio pegou o outro copo, colocou bebida até a metade e entregou. Meis tinha o dele sempre cheio, e o olhar vago demais para entender qualquer coisa.

Levam direto à boca, tomaram o máximo que conseguiram num único gole.

O estômago se revirava, protestava, mas a noite era (é) longa e sempre havia outra garrafa.

— A gente tá estragando. — Finalmente, a resposta. E vem de Gueira, para a surpresa geral da nação.

Merda. — Lio. — Tem como estragar o que já nasceu ruim?

— Sempre tem.

Era a verdade.

O vento bateu, levou as cartas velhas para longe. Gueira abraçou os joelhos com uma mão, levantou o copo com a outra.

Brindaram o nada. A madrugada era feia, meio amarga. No fim, prometeram chorar juntos uns poucos dramas de cada existência.

12 Juin 2020 18:07:19 0 Rapport Incorporer Suivre l’histoire
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La fin

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Bar-t-t-tender Olho de frente a cara do presente e sei que vou ouvir a mesma história porca

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